Um pouco mais pra baixo eu disse pra vocês que nas minhas férias eu tinha uma lista de filmes que queria assistir. Um deles mexeu tanto comigo que me obrigou a abrir um isó pra falar dele. E pra falar de “A Suprema Felicidade”, do Jabor, vou falar um pouco de Cinema Paradiso, do Tornatore. Porque este filme ilustra bem o encantamento do cinema, quando os olhos do menino ofuscam diante da tela, não pela tela grande (ou não só porque a tela é bem grande), mas pelas novas possibilidades que se atiram dentro das pupilas dos olhos do menino – e de todos ali, e de todos nós. E assim deve ser o cinema. Deve nos encantar, de alguma maneira. Um filme bom derruba a gente, desmascara a gente. A gente não sai do mesmo jeito que entra. E são poucos os filmes que me arrebataram (esta é a palavra que eu estava tentando encontrar) deste jeito. O último que me lembro de ter me pego de jeito foi “Minhas tardes com Margherite”. Quando terminou eu estava chorando de soluçar e ao acender as luzes, vi que o Sr Meu Noivo também estava (difícil ele chorar em filmes).
Aí eu saí de férias e tenho assistido algumas coisas. E hoje eu vi A Suprema Felicidade. O filme de Jabor não é um filme – não é só um filme. É um poema! Todo o encantamento de uma época que a gente de agora acha que era melhor do que a nossa, com todas as dores dela. Todas as facetas de uma mesma mulher. A inocência que brilha no rosto da menina ultrajada, do avô eternamente apaixonado pela vida, da cumplicidade nos olhos de um menino que cresce mas continua buscando a mesma coisa. A vontade de ser feliz, apesar de tudo. Apesar do machismo da sociedade, apesar dos tempos difíceis, das guerras, e os quereres que se afogam dentro do peito, porque nem sempre querer é poder.
Chorei na cena em que a garota perde a virgindade.
O elenco cuidadosamente escolhido faz a tela virar um palco de teatro, é lindo de ver. Parece uma marchinha de carnaval. Ou uma bossa, um samba que é gostoso de escutar e de tocar, mas como disse o poeta, que nasceu de uma tristeza. A Suprema Felicidade é assim. Me fez sorrir de um jeito despretensioso, porque o texto e o diretor tiveram um cuidado respeitoso com os detalhes. E me fez chorar, porque a felicidade é assim. Não é só boa, como também não existe nada que seja só ruim.
Depois do próprio Cinema Paradiso, só o filme do Jabor conseguiu me causar este encantamento. Ou seria a suprema felicidade?


Já tinha ouvido falar, parece muito bonito! Você já assistiu O palhaço, é maravilhoso também!
Beijos Melzita!