Mel do Sol

por Melissa Brienda Sliominas

A suprema Suprema Felicidade!

em janeiro 21, 2012

Um pouco mais pra baixo eu disse pra vocês que nas minhas férias eu tinha uma lista de filmes que queria assistir. Um deles mexeu tanto comigo que me obrigou a abrir um isó pra falar dele. E pra falar de “A Suprema Felicidade”, do Jabor, vou falar um pouco de Cinema Paradiso, do Tornatore. Porque este filme ilustra bem o encantamento do cinema, quando os olhos do menino ofuscam diante da tela, não pela tela grande (ou não só porque a tela é bem grande), mas pelas novas possibilidades que se atiram dentro das pupilas dos olhos do menino – e de todos ali,  e de todos nós. E assim deve ser o cinema. Deve nos encantar, de alguma maneira. Um filme bom derruba a gente, desmascara a gente. A gente não sai do mesmo jeito que entra. E são poucos os filmes que me arrebataram (esta é a palavra que eu estava tentando encontrar) deste jeito. O último que me lembro de ter me pego de jeito foi “Minhas tardes com Margherite”. Quando terminou eu estava chorando de soluçar e ao acender as luzes, vi que o Sr Meu Noivo também estava (difícil ele chorar em filmes).

Aí eu saí de férias e tenho assistido algumas coisas. E hoje eu vi A Suprema Felicidade. O filme de Jabor não é um filme – não é só um filme. É um poema! Todo o encantamento de uma época que a gente de agora acha que era melhor do que a nossa, com todas as dores dela. Todas as facetas de uma mesma mulher. A inocência que brilha no rosto da menina ultrajada, do avô eternamente apaixonado pela vida, da cumplicidade nos olhos de um menino que cresce mas continua buscando a mesma coisa. A vontade de ser feliz, apesar de tudo. Apesar do machismo da sociedade, apesar dos tempos difíceis, das guerras, e os quereres que se afogam dentro do peito, porque nem sempre querer é poder.

Chorei na cena em que a garota perde a virgindade.

O elenco cuidadosamente escolhido faz a tela virar um palco de teatro, é lindo de ver. Parece uma marchinha de carnaval. Ou uma bossa, um samba que é gostoso de escutar e de tocar, mas como disse o poeta, que nasceu de uma tristeza. A Suprema Felicidade é assim. Me fez sorrir de um jeito despretensioso, porque o texto e o diretor tiveram um cuidado respeitoso com os detalhes. E me fez chorar, porque a felicidade é assim. Não é só boa, como também não existe nada que seja só ruim.

Depois do próprio Cinema Paradiso, só o filme do Jabor conseguiu me causar este encantamento. Ou seria a suprema felicidade? :-)


Uma resposta para “A suprema Suprema Felicidade!”

  1. Cih disse:

    Já tinha ouvido falar, parece muito bonito! Você já assistiu O palhaço, é maravilhoso também!
    Beijos Melzita!

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