Mel do Sol

por Melissa Brienda Sliominas

Dia Lindo!

Fotos: Kelly Oliveira

No domingo passado foi o meu chá de cozinha. Antes do meu casamento, foi o dia mais marcante da minha vida. Mais do que todos os meus aniversários e dias importantes. Minha irmã e minha tia estavam organizando o chá desde o começo de janeiro. Eu não estava sabendo de nada, nem como seria a lembrancinha. Alguns dias antes me pediram pra comprar um sapato vermelho lindo [ei-lo, acima] e algumas outras orientações.

Quando chegou o dia, então eu vi com que carinho a minha irmã arrumou tudo. Como ela conhece meu gosto, meu jeito. Que capricho, que amor!

É tão gostoso perceber que alguém preparou uma coisa pra você com GOSTO, com vontade, cuidando dos mínimos detalhes!!! É tão bom ver as pessoas que sempre te acompanharam, que brincaram contigo, que você segurou no colo, prepararem uma coisa pra você! Eu sempre fui uma pessoa que tem a necessidade de escutar as pessoas dizer que ama. Tudo bem que com o passar dos anos esta necessidade foi ficando menor, mas esta é uma característica minha. Tem gente que diz “Eu te amo” com muita facilidade. Tem gente que não diz. Então esta ocasião, meu chá de cozinha, foi uma oportunidade em que pude não só ver como sentir o amor das pessoas. Porque amor, na verdade, ou melhor, amor de verdade, a gente não precisa ficar provando com palavras. O amor de verdade a gente sente nas atitudes das pessoas. Toda esta reflexão esteve permeando meus pensamentos nos últimos dias desde domingo, mas só hoje eu consegui escrever, depois de ter encontrado, logo cedo quando acordei, o roteiro que a minha irmã Melinda fez: todas as brincadeiras, tudo. Uma ajudou preparando tudo. A outra ajudou tirando as fotos e providenciando o que precisava para que tudo fosse feito, do MM´s até a almofada. A irmã de coração, que a gente cresceu junto, ajudou nas fotos, nas coisas que eram necessárias na hora. Isto me orgulha tanto.

Pra não decepcionar, pra curtir todos os momentos e não deixar a timidez interferir, tratei de fazer uso dos meus dois anos e meio de teatro (deu certo) e também, de beber duas taças de frizzante antes de tudo (também deu super certo!). A única hora que eu balancei um pouco foi na hora de cantar um funk, porque eu não faço idéia de como seja isso! De resto, a festa rolou super bem! Todos elogiaram o capricho da organização, o meu salto (gigante, meia pata) da sandália que eu estava usando, o meu sapato vermelho e sobretudo, a minha felicidade, estampada no rosto.

Eu nunca tinha parado pra pensar e pra SENTIR como eu sou uma pessoa abençoada. Estava digitalizando as minhas fotos (dos vários álbuns que eu e minhas irmãs temos) antigas para fazer a retrospectiva e encontrei no meio destas fotos, as MESMAS pessoas que estavam no meu chá de cozinha. A Tia Diná, o Tio Paolo, a Chintia, a Tia Cida, a Marisa, a Inara, a Tati. A Mi. Pessoas que sempre estiveram em todos os grandes momentos da minha vida, a começar com o próprio casamento dos meus pais (porque os tios que eu mencionei são seus padrinhos de casamento). Todos nós crescemos juntos, estamos sempre ao lado um do outro. Estamos sempre presentes na vida deles, e eles estão sempre presentes na nossa.

Para encerrar, todo mundo que estava presente deu um depoimento com os votos para o casal, para a noiva. Foi emocionante. Praticamente todo mundo que falava, chorava! Foi quando eu vi como eu sou uma mulher abençoada. Não tem nada a ver com sorte, tem a ver com bênçãos. Foi ali que eu percebi como eu sou amada. Nas atitudes, nas palavras, nos abraços, nos olhares, nos cartões e bilhetinhos e cartinhas das amigas… eu senti um amor tão grande, que fico pensando que Deus realmente me ama, para me fazer tão feliz como eu sou e serei.

Agora é esperar o dia D, que já está aí, e preparar sacos e mais sacos de lenços de papel – e o SAMU na porta da igreja!

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A suprema Suprema Felicidade!

Um pouco mais pra baixo eu disse pra vocês que nas minhas férias eu tinha uma lista de filmes que queria assistir. Um deles mexeu tanto comigo que me obrigou a abrir um isó pra falar dele. E pra falar de “A Suprema Felicidade”, do Jabor, vou falar um pouco de Cinema Paradiso, do Tornatore. Porque este filme ilustra bem o encantamento do cinema, quando os olhos do menino ofuscam diante da tela, não pela tela grande (ou não só porque a tela é bem grande), mas pelas novas possibilidades que se atiram dentro das pupilas dos olhos do menino – e de todos ali,  e de todos nós. E assim deve ser o cinema. Deve nos encantar, de alguma maneira. Um filme bom derruba a gente, desmascara a gente. A gente não sai do mesmo jeito que entra. E são poucos os filmes que me arrebataram (esta é a palavra que eu estava tentando encontrar) deste jeito. O último que me lembro de ter me pego de jeito foi “Minhas tardes com Margherite”. Quando terminou eu estava chorando de soluçar e ao acender as luzes, vi que o Sr Meu Noivo também estava (difícil ele chorar em filmes).

Aí eu saí de férias e tenho assistido algumas coisas. E hoje eu vi A Suprema Felicidade. O filme de Jabor não é um filme – não é só um filme. É um poema! Todo o encantamento de uma época que a gente de agora acha que era melhor do que a nossa, com todas as dores dela. Todas as facetas de uma mesma mulher. A inocência que brilha no rosto da menina ultrajada, do avô eternamente apaixonado pela vida, da cumplicidade nos olhos de um menino que cresce mas continua buscando a mesma coisa. A vontade de ser feliz, apesar de tudo. Apesar do machismo da sociedade, apesar dos tempos difíceis, das guerras, e os quereres que se afogam dentro do peito, porque nem sempre querer é poder.

Chorei na cena em que a garota perde a virgindade.

O elenco cuidadosamente escolhido faz a tela virar um palco de teatro, é lindo de ver. Parece uma marchinha de carnaval. Ou uma bossa, um samba que é gostoso de escutar e de tocar, mas como disse o poeta, que nasceu de uma tristeza. A Suprema Felicidade é assim. Me fez sorrir de um jeito despretensioso, porque o texto e o diretor tiveram um cuidado respeitoso com os detalhes. E me fez chorar, porque a felicidade é assim. Não é só boa, como também não existe nada que seja só ruim.

Depois do próprio Cinema Paradiso, só o filme do Jabor conseguiu me causar este encantamento. Ou seria a suprema felicidade? :-)

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Blogueiro Secreto! #Letícia

Recém nascida.

Para Letícia, do Princesa do Tédio, minha querida amiga secreta. Um texto intuitivo, não sei explicar. Mas escrevi escutando esta música. E escrevi pra você! 

 Abri as caixas, que são grandes, e deixei que meu quarto se esvaziasse de lembranças que já não me levam pra lugar algum. Voltei alguns minutos e quando vi havia voltado meses, como uma fita antiga que a gente bota pra trás – e assiste de novo, e não gosta ou vê que já não serve e então a gente simplesmente joga a fita na lata do lixo. No começo foi difícil. Rasguei papéis: em branco ou preenchidos de palavras vãs, vazias, impróprias. As fotos eu também joguei fora, e não precisei rasgá-las, como fazem aqueles que não querem sentir remorso por tentarem se desfazer de alguma coisa que ainda faz parte deles. Elas já estavam amareladas e manchadas por uma história que já não me pertence. Desfiz promessas e as deixei correr por entre os dedos. Sequei antigas lágrimas. Refiz espaços em branco, frestas que não conseguia preencher. Enxuguei meus olhos embaçados. Lacrei as caixas e me desfiz de todo o peso. Agora está tudo novamente em branco, como uma folha branca pronta pra se tornar qualquer coisa, qualquer uma. E os meus olhos já estão livres de buscar coisas que não existem mais: livres para ver o mundo, pra enxergar a chuva escorrer pela janela, pra enxergar o sol por entre os galhos da árvore, pra ver sorrisos e pra ver nascer o frescor das coisas novas. Chego a escutar uma música nova e quando eu não escuto nada, não tenho medo do silêncio. Há espaços. Não sinto necessidade de ser preenchida de alguma coisa e sei muito bem lidar com o vazio, que é breve e de que preciso. As cortinas leves do meu quarto, se esvoaçam com o vento. E até ele parece trazer novidade. Estou usando o vestido branco que você não gostava que eu usasse. Pintei as unhas de vermelho. Soltei os cabelos e descobri que são maiores do que eu pensava. Descobri que sei dançar. Descobri que gosto de andar descalça e que não tenho mais medo do escuro. Descobri que não me conhecia. E não sei se a cortina consegue ser mais leve do que eu me sinto, agora, sem ter a necessidade de ser a personagem que você queria que eu fosse – a sua bonequinha de luxo. E cada novo dia vai trazer esta tentativa de descobrir, sozinha, aquela que eu sou e que me tornei sem a sombra das suas expectativas. Cada minuto será tratado com cuidado quase maternal. E cada dia será assim, como hoje, o primeiro dia de toda uma vida. Feliz Ano Novo, digo, sorrindo, para a moça bonita do espelho.

Revelação do Amigo Secreto, terceira edição.  

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Quando um estranho chama…

Você ficaria sozinha, à noite, numa casa destas??? 

Sempre tem alguma coisa que a gente gosta que faz a gente passar vergonha, né? Gosto é gosto, ué. E eu preciso admitir que eu adoro assistir filmes de suspense e terror!!! Só que tem tido tantas bobagens no cinema, e é difícil engolir toda aquela carniceria que tem sido os filmes de terror de ultimamente. Eu gosto mesmo é de filmes inteligentes!!! E eu sei que existem muitos cinéfalos que vão saber citar este tipo de filme que te prende na tela sem precisar apelar para o açougue: sem uma faquinha sequer!!!! Eu quero fazer uma indicação: um filme que assisti no cinema com a minha irmã Melinda e nós duas quase infartamos de tanta tensão!!! O filme se chama QUANDO UM ESTRANHO CHAMA, com aquela menina das sobrancelhas lindas, meio brasileira e meio americana (não é pizza), a Camilla Belle. O filme é puro terror psicológico. Não tem sangue. Não tem facas, nem tesouras, nem bisturis. Tem no máximo um castiçal que a mocinha pega para se proteger (mas que não usa). Ah, tem uma lareira quase assassina. Quaaaaaase.

A história é a seguinte: a mocinha bonitinha fica um tempão com o ficante no telefone e o pai dela faz com que ela pague a conta, pra aprender a deixar de ser besta (ele não falou isso, quem diz isso, desta maneira, é a minha mãe… rs).  E daí? E daí que é por isso que ela fica de castigo: sem celular e sem carro, durante um mês, e ainda tem que trocar a festa (queimação) da escola por uma noite bancando a BABY SITTER.

Tá bom que o filme não escapa à sina de quase todos os filmes de terror: os clichês! A própria baby sitter é um deles! (risos)… Tem lugar amedrontador com pouca luz? Tem!!!! Tem amiga vadia da mocinha, bonita, tonta e burra? Tem!!! Tem carro que não pega? Teeeeem!!!! Mas só pelo fato de não haver FACAS E SANGUES, já tem pontos comigo! Tudo bem: eu digo que o ponto alto deste filme é o fato de que ele te prende a respiração e te faz passar mal, literalmente, por causa do terror psicológico. É como se você estivesse dentro da casa, junto com a mocinha. Que casa? Vamos lá:

O pai leva a mocinha (Jill) (leia “Dill”) para a casa de um casal de médicos, os Mandrakis. Eles vão sair pra jantar e ir ao cinema (pelo menos isso é o que eles dizem pra ela! hahaha) e contratam uma babysitter. Mas preciso dizer, antes disso, que o começo do filme é tão horroroso quanto o filme. Acho que eu fiquei com MUITO medo deste filme justamente pela maneira como ele começou… um parque de diversões bucólico, mas com alguma coisa estranha no ar. Imagens rápidas, desconexas, referências que você fica tentando entender por que existem e daí nasce uma tensão absurda, porque você vê o cara passeando com o cachorro e fica com medo, vê o casal de velhinhos acenando para o cara passeando com o cachorro, e fica com medo. Vê os brinquedos do parque de diversões, as crianças gritando, fica com medo. Você vê a cena mais demorada, mostrando em plano maior uma mãe que sai até o meio da rua pra chamar os três filhos: “A.J… fulanooooo, fulanaaaaa”… “A.J…. fulanooooo, fulanaaaaa”… e nada. Ela então vai mais pro meio da rua e grita de novo. Nada. Enquanto isso tem uma casa, perto da roda gigante (atrás, pra ser mais exata) onde alguma coisa está acontecendo. E de-repente, do nada, todas aquelas imagens aleatórias são interrompidas por um grito HORRÍVEL e ASSUSTADOR (mesmo!), uma silhueta na janela da casa e uma bexiga vermelha que uma criança solta e que sobe, sobe, sobe…. gosto desta coisa de signos! Mas voltando para Jill, ou melhor, seguindo o filme para adiante, ela vai passar a noite com duas crianças dos Mandrakis. O pai a leva de carro até a casa dos caras. Os caras, claro, moram no meio do nada!!!! Uma casa toda de vidro no meio do mato, ao lado de um lago. Um lugar mega estranho e ultra blaster ermo. A guria fica, os Mandrakis explicam tudo: mostram os telefones de emergência, onde é a geladeira, a luz de presença (acende quando alguém entra no ambiente) que ela vai se acostumar, a moça que trabalha na casa e mora no terceiro andar (Roza), o gato preto (pois é) Chester,  o código do alarme e dizem que as crianças estão dormindo, não acorde as crianças. Ok. Eles saem e ela fica. E começa a pensar em arranjar o que fazer, mas os barulhos estranhos na casa são o princípio de tudo. Ela tenta entender de onde vem e no começo até rolam explicações: Roza está dando comida para os passarinhos e manda um aceno. O gato que fica perambulando pela casa e acende a luz de presença por onde ele passa (mas imagina você tentando ler um livro em um lugar onde não há um pio e de repente a luz da cozinha acende, do nada!!!). Só que depois os barulhos crescem, mas ela já não encontra Roza, nem o gato. E o telefone começa a tocar – é aí que os problemas aparecem.

A casa é daquele jeito, né: escura, estranha, cheia de referências dúbias, como uma estátua bonita no topo da escada, que se transforma em uma estátua assustadora quando a luz apaga e ela então passa a ser iluminada por trás. De-repente Roza some, o gato também. Luzes se acendem, luzes se apagam, o alarme dispara sozinho, tem alguém socando a porta do lado de fora e quando ela abre, achando que é a amiga vadia, não tem ninguém. A porta da garagem estava aberta. O telefone não pára de tocar. E o ponto alto do filme é quando ela checa as crianças (e eu não vou explicar a razão). Tudo bem que tem a ajudazinha de um guardinha da região, mas não ajuda muito (só a aterrorizar ainda mais) – e claro que quando ele precisa chegar logo, é o último a aparecer…

Acho que poderiam ter encontrado uma mocinha que soltasse lágrimas quando estivesse chorando, em cena, mas acho também que isso já é pedir demais! A mocinha chorava e não tinha lágrimas. Mas as crianças choraram de verdade!!!! Mega acreditei nas crianças. De mais a mais, indico o filme pela reação que ele me causou quando assisti no cinema. O diretor te põe junto com a garota, na casa. Coloquei a mão na frente dos olhos em vários momentos (mesmo na segunda vez em que assisti). Então, minha gente, só pelo fato da trama ter sido muito bem feita e porque você não vai ver uma faca ou um arpão enfiado na garganta de ninguém, vale a pena a alugar o dvd. Este filme sim – fiquei esperando a parte dois (continuação). Mas não veio. Uma pena. Dizem que filmes bons são assim. Não têm continuação. Mas esse até que cabia?

P.S: Parece que esta edição, de 2006, com a Camilla Belle, é um remake da versão antiga, de 1993 – e que eu não assisti.

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Vou com tudo!

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Protegido: Vermelho

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Serviço de utilidade pública

O instrutor do CFC falou sobre quase todas as condições adversas para um condutor, na hora de dirigir seu carro. Ele só não falou nos cachorros-milhares [perdidos no meio da rua], nas pessoas-milhares que ou andam no meio da rua ou resolvem manobrar seus carros justamente quando o carro da auto-escola está querendo passar, nos sem-noção que estacionam seus carros nas ruas estreitas de mão – dupla e nos sádicos que desaceleram, nos aclives acentuados, para fomentar o pânico dos pobres alunos, que seguem atrás, como o diálogo que segue.

Instrutor: Vai, acelera. Pisa tudo.

Melissa: Tá. [um celta verde entra na minha frente e parece subir na quinta marcha].

Melissa: Vai celtaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! Vai celta, pelo amor de Deus! Este carro vai parar!!!!!!!!

Instrutor MUDO.

[O celta não tem pressa].

Instrutor: vai, segura, segura senão vai parar.

O imbecil do Celta conseguiu sair, e o meu carro morreu.

Melissa: [ao celta] Filho da Puta!!!!!!!!!! [ao instrutor MUDO]: desculpe.

 

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Dispensa comentários

“Não bebas mais isto, vamos todos beber água pura, ponho nossos melhores copos sobre a mesa e vamos beber água pura. Agarrou desta vez na candeia e foi à cozinha, voltou com o garrafão, a luz entrava por ele, fazia cintilar a jóia que tinha dentro. Colocou-o sobre a mesa, foi buscar os copos, os melhores que tinham, de cristal finíssimo, depois, lentamente, como se estivesse a oficiar um rito, encheu-os. No fim, disse. Bebamos. As mãos cegas procuraram e encontraram os copos, levantaram-nos tremendo. Bebamos, disse a mulher do médico. No centro da mesa, a candeia era como um sol rodeado de astros brilhantes. Quando os copos foram pousados, a rapariga dos óculos escuros e o velho da venda preta estavam a chorar.”

[Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago]

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risos e boas cias

Tem dias que dá um desespero de voltar pra casa! Hoje, saímos da missa, maior chuva, o céu cinza, mó deprê. Eu virei pra duas amigas e disse: “vamos fazer alguma coisa, vai? Nesse tempo, voltar pra casa e fazer o quê, chorar?”. Elas acharam graça e fecharam. Fomos no cinema: Raquel, Rebeca, Thaísa e Mel. Era comum o desejo de RIR, RIR, RIR, RIR. Por isso na hora de escolher o filme, nada de Ensaio sobre a Cegueira [aliás, eu já avisei que este filme a gente tem que assistir quando estiver CALOR, sol à pino]. Fomos então, assistir o Casa da Mãe Joana, besteirol do Hugo Carvana. Ele que inventou a história. Tem José Wilker, Paulo Betti, um baixinho conhecido (Antônio não sei o quê Borges) e Pedro Cardoso. Eles estão engraçados, mas a LAURA CARDOSO rouba a cena!!!!!!!!! Suas crises de falta de ar são de passar mal [de rir]. Ela é demais!!!!! Vale pagar o preço do ingresso: não percam!!! A cena que ela faz com o Wilker, fumando um béque e rachando o bico do trenzinho-fliperama é uma obra de arte da boa interpretação!!!!!!! Os dois dão um SHOW! Daí, quando você está no ápice de passar mal de tanto rir, às lágrimas, corta para o Paulo Betti em trajes ridículos, trabalhando de michê… enfim. Para os dias em que se quer enfiar o pé na jaca! [Como hoje].

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verdades que ninguém tem coragem de dizer

Tem algumas coisas que eu queria fazer qualquer dia destes. Uma entrevista com a Lygia Fagundes Telles, pra perguntar pra ela como é o seu processo de escrita. Em que ambiente ela escreve, se escuta música, se não escuta nada, se escreve à caneta, à lápis ou no computador… na máquina de datilografar… será que ela fez datilografia? Será que já passou pelo dilema de ter que trabalhar e encontrar tempo pra escrever? Será que já sentiu sono na hora de começar? Etecétera. E outra entrevista que eu queria muito fazer é com o engenheiro responsável pela criação do Urbaninho e sua implementação na megalópole paulistana. De onde você tirou a idéia??? Você é brasileiro??? Sim, porque às vezes acho que é francês, italiano, etecétera, e que não conhece o país e São Paulo. Você sabia que as pessoas ficam praticamente sentadas no colo do motorista? Sabia que fica um montinho perto da catraca, metade que não quer entrar porque vai descer logo, metade querendo sair, metade querendo adentrar? Já viu um rodamoinho de gente? Só pegar o urbaninho em Santana. Você sabia que o corredor é tão estreito – e apesar de ser projetado pra ficar vazio está sempre abarrotado de gente – mas tão estreito, que a região da virilha das pessoas fica bem na cara de quem está sentado no corredor???? Agora o senhor já pensou na hipótese de uma mulher estar sentada no corredor e de um homem estar de pé, em cima dela??? Sádica, eu??? Não…. sádico é quem inventou o urbaninho.

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Presentinho fora de época

Minha amiga Marcia Kókot me pediu pra dar um pulo no Fim de Expediente e checar o post do Dan. Um post ou um presente? Um presente dos dois, do Dan e da Kokóta. E eu quero deixar aqui registrado, para os leitores deste humilde também terem seu dia de glória. Ao menos os paulistanos!

Vai .

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ponto fraco, fraquíssimo…

Quem me conhece, sabe. O que me seduz? A inteligência. E a eloqüência. Um cara que fala bem, que enche uma sala. Que prende atenção. Que é inteligente… fico fraca, sabe? Fraquíssima!!!! Igual a Yvaine, de Stardust, ela mesma se denuncia, começa a brilhar, brilhar, brilhar, e todo mundo sabe que ela está apaixonada e por quem… afff eu até saio de perto, quando é assim!

Adianta o cara ser tudo isso e ser casado? Por quê, Meu Deus? Será que não restou nenhum exemplar da espécie dos eloqüentes e inteligentes sobrando – [leia: solteiro] pra mim???

A minha nota deste bimestre veio baixíssima. Raspando na média. Também, a disciplina é um saco… não estudei NADA. Não vou falar qual a disciplina, pra não expor o professor [casado], por quem nutro uma paixão platônica que há de passar [hahahaha]. Ele é demais. E não é só porque é lindo e inteligente e jovem [tipo: prodígio]… é porque ele é talvez o melhor professor que eu já conheci na vida!!! É simplesmente hiperativo ao cubo, não descansa enqüanto todas aquelas tabelas e funções do excel não entrarem nas nossas cabeças, fica assim andando na sala de um lado pro outro e mexendo nos slides, entra em um, depois entra no outro, compara um slide de uma apresentação com o slide de outra, faz a relação, decora o nome e as peculiaridades de cada um [a pergunta três é pra responder no máximo em dez linhas, ouviu Melissa?, disse ele na hora da prova]… fala bem, escreve bem, e ainda por cima pede desculpas quando interrompe a explicação pra tossir!!!!

É assim que eu quero, viu, Papai do Céu????

Na última aula [hoje], ele me abre um sorriso espetacular quando vou cumprimentá-lo [aperto de mão] e se lembra [eu não] do meu comentário nas primeiras aulas, de que precisaria fazer exercícios pra aprender – não precisou, viu? Ele disse. Eu sorri de volta e ele completou:

_ Você escreve muito bem, Melissa. [ele estava falando dos textos das minhas pesquisas que valiam nota]

É complicado, assim, né??? Muito complicado. Vem apertando assiiiiim e assiiiiiiiiiiiimmm com força nos meus pontos fracos e sobra pouco desta Mel, muito pouco. ;-)

Nota da autora: calma, eu não tô apaixonada, é só faniquito.

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Pede que ELE faz

Vou contar uma coisa pra vocês! Sempre tomo decisões do nada, e numa conversa chata com minha ex-chefe, resolvi que ficaria onde estava apenas até dezembro deste ano, porque afinal de contas, eu já estava naquela zona de conforto há três anos e precisava tomar um rumo! Depois da conversa, mandei um currículo para um amigo meu e disse: SOS. Fui pra faculdade. Era uma quarta-feira. Depois da faculdade ele me ligou e disse que teria um processo de seleção na sexta. Fui fazer o processo seletivo. Durou uma tarde inteira. Na segunda-feira, eu recebi um e-mail, dizendo que tinha sido aprovada para a próxima etapa [exame médico e entrega de documentos] e que teria apenas que aguardar algumas semanas. Na terça-feira, fui desligada da empresa onde eu trabalhava. Eu poderia ter sido intimada a levar os documentos já na terça, mas o Papai do Céu foi mais que bonzinho, porque eu tive praticamente um mês pra colocar minha vida em ordem: fazer as aulas práticas da auto-escola, que eu NUNCA tinha e teria tempo pra fazer!!!!

Menos de dois meses depois, estou empregada e com minha CNH tirada, graças a Deus e aos amigos que Ele coloca no nosso caminho. Isso é para vocês verem que ANJOS EXISTEM, ELES GOSTAM DE VOCÊS E SIMPLESMENTE ATENDEM A TODAS AS SUAS NECESSIDADES E DESEJOS.

Desejos, sim. Eu sou louca por aviação e precisava de desafios, de um ambiente profissional onde não houvesse rotina e onde eu pudesse mostrar meu potencial com espaço para me desenvolver.

VALEU, Heaven. Sei que vocês cuidam de mim.

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Desejos

Eu quero andar de bicicleta sempre que puder. Pedalar à noite. Quero entrar na Turma do Horto. Fazer trilhas leves, acordar mais cedo. Quero aprender a patinar e fazê-lo no parque da juventude, no Ibirapuera. Vai passar um cara com seu cachorro lindo e eu vou perguntar se o cachorro tem telefone (lindo é o cara e não o cachorro). Quero encontrar meus amigos nos barzinhos toda sexta-feira à noite pra um happy-hour. Quero montar uma peça só com cadeirantes, deficientes visuais e auditivos e fazer a galera entender que o teatro pode ser um espelho generoso e surpreendente. Quero cortar meu cabelo igual o da Marjorie Estiano, mas também queria ter o cabelo igual o da Gisele Bundchen. Quero comer frutas, verduras, fibras, beber mais água, assistir mais filmes e ver o Grupo Galpão em cena sempre que puder. Quero estar na cena. Quero escrever e atuar coisas que façam as pessoas se sentirem bem. Mas de vez em quando, pretendo dar sustos. Quero um cara do meu lado, que me lembre que sou (mais) feliz só pelo fato de ele estar ao meu lado e que podemos olhar juntos para várias direções. Quero conhecer o mundo e as pessoas diferentes do mundo. E um dia, quero ser uma grande escritora e escrever um livro que possa ser traduzido para várias língüas, para ser lido por muitos povos e para que eles sintam a mesma coisa: viver é bom!

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Duas coisas legais

  • Ninguém sabe [ou quase ninguém] que os segurados da Porto Seguro têm direito à um giro de bike [com devida proteção] pela cidade, de graça! É só trocar o carro por uma magrela em qualquer estacionamento da Estapar. O cara mostra a carteirinha de segurado e pronto! [Não sei se paga estacionamento, mas pela bike, não paga nada]. Tem que devolver a bicicleta até as nove da noite do mesmo dia. Não segurados podem estacionar suas bikes por R$2,00 à hora. Se todas as empresas fizessem ações do tipo… para estimular alguma coisa! Muitos trocam o carro pela bicicleta. Por exemplo: As empresas podiam instalar banheiros com chuveiros, para os funcionários poderem fazer isso.
  • Você quer doar alguma coisa? Vender? Trocar? Entre aqui. Olha só que bacana.
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preocupações vãs de um mundo [c]vão

Como se não bastasse a preocupação já difícil de lidar, de saber o que vestir, que perfume usar, onde colocar as maos, o que/quando dizer, o que NÃO dizer, o que JAMAIS dizer… durante a fase inicial de um relacionamento [os primeiros encontros], agora a coisa migrou pra dentro de uma tela e a gente também tem que se preocupar em jogar as frases de msn do cara no google, pra ver se o seu lindo e romântico português é um plágio do Chico Buarque… ou criar um outro msn e adicioná-lo, pra ver se ele joga o mesmo xaveco para cima do seu outro “eu-lírico”. Já reparou que quanto mais o mundo evolui, mais baixarias aparecem?

Prefiro a época da minha avó. Da minha mãe, vai. Dava pra subverter o que era chato. O resto era sincero, não tinha como ser diferente.

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Café com Bobagem

Faz ou não faz sentido??? Na verdade nós temos laços mais do que intrínsecos com nossos papais!!! Eu não vim da barriga da minha mãe. Eu vim de – loungê!!!!!!! Eu vim do saco do meu pai!!!!!! :-P

Não adianta rir, meu bem, você também veio do meeeesmo lugar!

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Está em todas!!!!

Sempre me disseram que eu sou um anjo, mas não sabia que até o Beckham concorda! rs…

 

 

 

 

 

 

 

 

É, eu tenho uma coisa que eu não sei explicar, com os gatos.

Garota propaganda do Subway!!!!! [em NY, of course]                       A luz dos olhos TEUS!

Quer fazer também? Vai lá.

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do que não é diagnosticado

Acho que a grande preocupação sobre o futuro é – de verdade – a educação de um povo. Um povo capaz de discernir, de raciocinar, de fazer uma interpretação crítica sobre as coisas. Se nosso povo continuar assim, nosso futuro será assombroso…

Estou sem convênio médico por um tempo, e eu fui até um hospital público que tem perto de casa, porque estava me sentindo mal. Enquanto esperava, um homem jovem que estava sentado atrás de mim, encrencou até com a televisão que tem espalhada por casa setor na imensa sala de espera. Pra ele, inclusive, aquela televisão de 14 polegadas custa mais de mil reais.

Existem muitos clínicos, pelo menos uns 4, de plantão no PS. E é preciso ficar bastante atento (a), para poder escutar seu nome sendo chamado por um deles. Só que o povo não sai da frente das portas!!! Fica aquele rodamoinho de gente, que ao invés de esperarem sua vez, atrapalham a passagem [plantados bem no corredor onde passam cadeirantes e enfermeiros] e impedem que os outros possam escutar quando forem chamados pelos médicos plantonistas.

O atendimento daquele hospital é muito bom. Feito por funcionários e voluntários. A espera é a mesma de um hospital particular. O sistema de atendimento é o mesmo. Os médicos tratam a todos dignamente. E até a televisão, que existe na sala de espera de qualquer hospital particular, eles se preocuparam em oferecer ao povo. Por que é que nós devemos estar sempre reclamando de tudo?

Eu já passei por hospitais particulares e não vi nenhuma diferença. Pelo menos, do Hospital do Mandaqui. Não sei como estão os outros. O que eu sei, é que a educação deste povo anda muito, muito ruim… esta, na verdade, é a grande doença.

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QTO

É inevitável não pensar “certas coisas só acontecem comigo”… A neurolingüística diz que não devemos dizer e muito menos pensar este tipo de coisas, mas minha vida – às vezes – parece um filme de comédia, das mais pastelonas!!!

Situação 1: eu e mais 149 pessoas em uma sala de auditório da empresa onde estou trabalhando, para um dia de integração. Me dá vontade de fazer o número 2. Odeio sentir esta vontade e ficar segurando, é uma das sensações mais horrorosas que existem. Então, lá fui eu. Entrei na cabine do banheiro e fiz o que tinha que fazer. Na hora de procurar o papel higiênico…. cadê o papel? (…) Como sair desta? Abrir a porta com a calça abaixada e pedir para quem estivesse na minha frente: “por favor, você pode me dar um pouquinho de papel higiênico, enqüanto espero com a bunda suja e as calças arriadas?” Ou simplesmente sair correndo de calça agaixada, para outra cabine (já fiz isso, o banheiro estava vazio. Exatamente qdo saí da cabine, entrou uma mulher – que era lésbica). Ou então, cochichar debaixo do vão da cabine, para a determinada moça que estivesse no banheiro ao lado: “moça… moça… aqui não tem papel, tem como você passar um pouco aqui debaixo, pra mim?”. Bom, queridos, nestas horas de aperto social, é preciso se desapegar das vergonhas… passei por esta!

Situação 2: Eu e mais 35 pessoas fazendo treinamento no prédio dos treinamentos. Todo mundo saiu pra almoçar e eu fiquei toda atrapalhada procurando meu celular pelas salas, por isso fiquei pra trás. Acabei indo apenas ao primeiro andar, tomar um lanche no Coffee Shop. Depois subi e meu relógio biológico gritou: vontade de fazer número 2, que SEMPRE surge quando estou fora de casa… No andar onde estávamos fazendo o treinamento, não havia viv´alma. Todos almoçando. BELEZINHA! É só escolher qual dos dois toaletes. Escolhi o que tem duas cabines. Não precisei nem contar até dez: pelo menos umas três comissárias apareceram no banheiro e começaram a cochichar [eu, lá dentro], até que escutei uma delas dizer: “number 2″. Não tive dúvidas: não vou dar o gostinho de sair daqui e elas verem quem estava dentro da cabine executando o número. Fiquei dez minutos cravados no relógio, até que todo o andar estivesse novamente mudo. Comissárias não têm pressa, nestas horas…

Conclusão: Se precisa fazer número 2 no seu trabalho, antes de mais nada, certifique-se que o banheiro tem papel. O toalete que eu fui tinha várias cabines, mas e se só tivesse uma??? Escolha: quer pagar o mico? Assuma que fez e apareça, como se nada tivesse acontecido. Lave a mão, diga boa tarde, sorria e vá embora. Não quer pagar o mico??? Então não faça. Porque murphy é muito forte nestas situações. Se forem comissárias, pior ainda. Porque comissária é igual bailarina: a gente acha que elas não fazem cocô, e nos sentimos pobres mortais cagoninhas…

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Dia das Crianças

Eles ganharam presentes! Mas a gente ganha em triplo…!

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VOE TAM

Sei que sumi!

Passei a semana inteira em treinamento. Muito divertido… aprendi a mexer  no check-in  e quanta responsabilidade temos. Vocês sabiam que existe um cadastro que deve ser feito para todos os passageiros de qualquer vôo que saia para qualquer lugar dos EUA ou para Madri. Este cadastro é assim: pegamos os dados da documentação que vai validar a entrada do passageiro em território americano ou Espanhol. Pode ser o passaporte, greencard, cidadania, etc… pegamos também os dados do endereço onde o passageiro vai ficar e seus dados pessoais. Se por acaso eu digitar errada qualquer coisinha: colocar sexo feminino e o passageiro é homem. Ou errar a data de nascimento, enfim… qualquer erro acarreta em dois probleminhas básicos: 1. o pax volta pra casa. 2. A companhia aérea paga uma pequena multa de US$5000,00. Pois é!  Outras curiosidades: existem acordos que podem fazer com que uma vez que você vá para Nice ou Vilnius, enfim… um segundo trecho com outra companhia, você possa fazer o checkin total no Brasil e pegar todos os cartões de embarque que vai precisar nas conexões e ter sua bagagem etiquetada até o final, mesmo que os outros trechos sejam com outra companhia. Mas entendam: estes procedimentos só podem ser feitos se a companhia aérea que você escolheu tiver parcerias com a companhia com quem você fará a conexão até o destino final. Na maioria das vezes, as bagagens podem sim ser etiquetadas até o destino final, mas você tem que desembarcar na imigração, só pra pegar o segundo cartão de embarque. O lance de fazer o checkin de uma vez só, só rola se tiver parceria, mesmo (e isso a menina do checkin vai poder te dizer).

A gente aprende um monte de coisas: se um vôo vai chegar atrasado em São Paulo, e muita gente deste vôo vai pegar uma conexão (aqui), mas por causa do atraso, perderá a conexão, o agente tem (e deve) como prever isto e já refazer seu checkin para outro vôo, de modo que ao chegar, o passageiro não precise ter o trabalho e desespero de correr atrás do avião que já tem porta fechada.

Você sabia que nos AirBus, apesar das fileiras conterem 03 poltronas, existem 4 máscaras de oxigênio? Isso é porque se pensou nas mamães que vão com seus bebês (infants – INF) no colo, e em uma despressurização, existe ali uma máscara extra para o bebezinho. É por isso que se um casal embarcar com dois gêmeos, a menina do checkin não vai poder acomodá-los (se o vôo for em um airbus) na mesma fileira. Faz a conta: seriam três adultos ocupando as três poltronas e dois bebês. Um ficaria sem máscara. Nós teríamos que colocar o papai com um gêmeo no corredor e a mamãe na poltrona ao lado (no outro corredor), com o outro gêmeo. O mais perto possível, porque dizem que quando um gêmeo chora, o outro chora também, etc etc.

Outra curiosidade: não sei as outras, mas a empresa para onde eu trabalho não acomoda gestantes, deficientes físicos, pessoas que não falem a língua portuguesa, menores de 15 anos, idosos, etc, em assentos perto das saídas de emergência. Porque nenhum deles estariam aptos para abrir a saída de emergência caso seja possível  preciso.

Não tem choro nem vela: sem você for pras Europas, não vai poder levar mais do que 02 volumes e eles não poderão passar de 32kg e 115cm. Se for 3 volumes, vai pagar excesso. Se for dois, mas um deles pesar 35 kg, vai ter que tirar roupa de dentro, porque a Comunidade Européia não permite que os funcionários de seus aeroportos carreguem peso superior à 32kg. Não tem nem como cobrarmos excesso, não somos autorizados a embarcar a bagagem! Para os EUA é a mesma regra, mas lá eles não estão interessados na saúde dos funcionários. Se quiser embarcar peso maior, pode, mas tem que pagar! A franquia de bagagem para EUA e Europa é por peça: são duas, com até 32kg. América do Sul (Brasil), a franquia é peso: pode embarcar o que quiser, desde que totalize 23kg. Clientes fidelidade têm agradinhos extras. Prancha de surf não rola: paga excesso, porque ocupa muito espaço no porão.

Pois é, Mel é cultura aeroportuária. Vou trazendo mais curiosidades conforme eu for aprendendo! ;-)

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Uma votação digna, só pra variar!

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Entenda, se puder…

No words to explain, but that´s what my heart says.

“Who’s to say where the wind will take you
Who’s to say what it is will break you
I don’t know which way the wind will blow
Who’s to know when the time has come around
Don’t wanna see you cry
I know that this is not goodbye”
Kite – U2

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Assustadoras coincidências!!!

De manhã, assisti um vídeo, lá no treinamento, sobre qualidade de atendimento. Era uma simulação feita com duas atrizes e um ator, fora dois funcionários verdadeiros da cia. Então de manhã eu vi o vídeo com o ATOR. À noite, fui para meu curso, conheci um ATOR que ao saber de onde eu estou trabalhando, me contou que havia feito um vídeo para um treinamento da cia. De manhã eu vi o vídeo e a noite eu conheci o ATOR…!!!!

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A simplicidade garante o sucesso!

O email mais inteligente que eu já escrevi na vida tem apenas 15 linhas!

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o tempo passa rápido entre 11 e 17h

Há dez anos atrás eu estava no meio de uma turma de check-in. O cara viu meu file e disse: você não é do check-in, você é do LL! Dez anos depois, quase na mesma época, cá estava eu, no meio de uma turma de 35 pessoas que estavam sendo treinadas para o check-in. E eu sou a única do LL.

No primeiro dia, depois de três semanas de treinamento, participamos do briefing do pessoal do checkin e cada um de nós ganhou um pai e uma mãe. Os líderes me disseram que seria bom para mim ficar algumas semanas no checkin, vivenciando sua rotina. Ou falta de rotina!!! No primeiro dia fiquei atendendo aos fretados da CVC. Um cara chegou atrasado com a esposa e até conseguimos acomodá-lo no vôo, mas não tinha mais assentos lado a lado. Eles ficaram corredor/corredor. Tiveram sorte, poderiam ter ficado um no começo do avião, outro lá atrás… o cara simplesmente amassou o bilhete de embarque [não é mais cartão]. Chamei a esposa e disse: senhora, vocês vão precisar destes bilhetes para embarcar. Enquanto o meu “pai” dizia em alto e bom tom que não os reemetiria.

No segundo dia atendi aos prioridades e Fidelidades Vermelho. Percebi que muita da irritação dos clientes vai porque não se sabe conversar com eles com paciência e gentileza. E também, que nem sempre é aconselhável ser gentil… às vezes é preciso dizer as coisas com firmeza, para não deixar margem para negociações (ex: clientes que querem embarcar 13kg como bagagem de mão!).

No terceiro dia atendi à Ponte Aérea: que sufoco! Tinha vôos saindo de meia em meia hora, e então eu entendi o que é atender um cliente para embarque imediato! Pedir para a líbero não fechar o vôo para o embarque deste último. Um cliente esbravejou e me fez reemitir um blilhete, porque ele estava na janela e queria corredor… (!).

No quinto dia fiquei no atendimento expresso de uma bagagem, com uma moça super esperta (Ariadne) que me ensinou vários macetes e disse que se eu fizesse tudo padrãozinho, sempre tudo daria certo. Atendemos uma moça super estranha, com a boca meio torta… [demoro pra me tocar das coisas]. Quando eu olho no RG “dela”, está escrito: “FulanO de Tal”. Fiquei olhando alguns segundos para o RG e depois olhei para “ela” novamente. Levei uma cotovelada da Ariadne. Continuamos o atendimento. Depois eu coloquei o cursor sobre o sexo: masculino ou feminino? Ela apontou o M. Engraçadíssimo!!! Ela me chamando de chuchu… hahahahaha!!!!

No sexto dia, fiquei no atendimento de duas bagagens ou mais, com o Felício, que logou no computador ao meu lado e me deixou sozinha. O ápice foi quando eu estava fazendo o checkin de um casal (e ela tinha o nome da minha mãe) e emiti quatro etiquetas de bagagem. Etiquetei as tres que estavam ao meu lado. E perguntei: “não eram quatro???”. Ao que o senhor me respondeu: “sim. Uma já foi. Você ligou a esteira e levou a quarta bagagem, sem etiqueta”. Ai ai ai ai ai!!!!! Mas a rampa parou a esteira e trouxe a bagagem de volta, eles sempre fazem isso, quando encontram uma bagagem com alguma irregularidade. Depois fiquei rezando para tudo terminar bem…!!!

Durante a semana fui fazer umas visitas ao meu futuro setor, o LL. Meio parado… será que eu vou me acostumar? Acho que prefiro a loucura do checkin, mesmo correndo o risco de fazer bobagens… e me esforçando para não fazê-las!!! Mas os meninos disseram que no LL não é tão parado assim. As amizades sempre são o lado bom… vamos ver, vamos ver.

[existem gatinhos]

 

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várias

Toda vez que fico com preguiça de desenvolver um assunto, escrevo em tópicos. Mas sei que vocês adoram tópicos, então faço sem culpa na consciência. Vamos lá:

* Hoje vi o Thiago Lacerda, no desembarque. Ele é altíssimo e maravilhoso.

* Vi também aquele cara que ninguém suportava, do comercial das Casas Bahia. Vi o Ban Ban, do Big Brother. Ele estava falando um dialeto com um amigo, uma linguagem da qual não pude entender qual era. Vi a Ellen Roche, bonita.

* Tudo o que eu preciso contra a depressão é o SOL.

* Nunca acerto o dia do aniver do Babysauro. Liguei pra ele ontem de manhã toda feliz: “Feliz aniversário, babysauro!!!!!”. Ele agradeceu. Eu emendei: “é hoje, né???”. Ele respondeu: “Foi ontem”…… hahahaha. Mel, você não dá uma dentro!

* O Henrique disse que eu não sei o que é a Lei da Inércia. Me dê um desconto, porque fazem só doze anos que eu saí da escola.

* E por falar em Babysauro, o dito me ligou estes dias, de madrugada. Eu vi que o telefone tocou, olhei… disse assim: “tá”. E dormi de novo. Ele mandou um sms em seguida: “você dorme, heim?!”. :-D

* Ainda sobre o moreninho: sonhei com ele esta noite, foi tão bom. Estávamos indo pra praia, mas como sempre, entre a gente é tudo no “quase”. Íamos com meus pais, mas meus pais são enrolations society, não fomos. Ele me beijou, me apertou, etc. E disse: “vou pra casa, quando vocês forem de verdade, me liga, que eu venho”. hahahahaha!!!!!

Beijo, me liga.

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Pérolas

_Filha, a pista de Congonhas vai ser ampliada.

_ É, eles vão ampliar um metro.

:-D

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diver

Coisas engraçadíssimas acontecem no desembarque. O “passageiro” é o ser mais engraçado e curioso do mundo. Por exemplo: por que motivo uma passageira chega, e ao invés de ir até sua esteira retirar sua bagagem, se senta no banquinho e lá fica… só Deus sabe!!!! A mala dela, obviamente, ficou rodando na esteira feito frango assado, destes que roda no forno da padaria. Peguei a mala e fui puxando até o balcão para anunciar o nome da dona no microfone. A dona em questão vê sua mala vermelha passando e diz: “olha! Esta mala é minha”.

E o passageiro com quem troquei algumas palavras e enquanto eu falava ele ficava me olhando, como se eu fosse a Angelina Jolie. Eu pensei: hum. Lá vem besteira. Ele perguntou se pode me contar um segredo e cochichou palavras impublicáveis no meu ouvido. Foi minha primeira cantada. Ui.

Os passageiros das outras companhias também pedem informação pra gente, porque simplesmente não tem funcionários das outras companhias no desembarque. Até tem, mas eles estão falando mal de suas próprias companhias, discutindo padrões e navegando na internet. Rá.

Agora uma pérola!!!! Uma mala sobrou. De um mala. O nome do mala dono da mala era Paulo. Na etiqueta, eu li assim: “TOSAO PAULO”. hahahahahaha….. vocês já conseguem imaginar o que vem por aí???? Não deu outra!!!! Fui no microfone e disse: “Por gentileza senhor Paulo Tosao. Senhor Paulo Tosao, por favor compareça ao balcão TAM, dentro deste desembarque”. O nome do cara realmente era Paulo alguma coisa. O Paulo Tosao em questão era…

“TO SÃO PAULO”…. hahahahahahhahaha!!!!!! Como na etiqueta as palavras não saem acentuadas, eu li TOSAO PAULO. Não tinha nem barra, minha imaginação é que colocou, e ficou assim: Tosao/Paulo”.

Claro que o Paulo Tosao não apareceu… hihihi.

Kokóta, o Moreninho é o babysauro! Conto-te depois…. heheheheheheheheheheheh…. ehehehehe…..

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Sonho de uma noite de verão

Ela tirou os sapatos porque queria andar de pés descalços pela calçada. Levava-os em uma das mãos. A outra era livre para abraçar o mundo, que se perdia nos arranha-céus iluminados da Paulista. De longe ela podia vê-los, mas não era de contentar-se com a distância. Era a criatura, por auto-denominação, mais carente que conhecia. Assumia-se alguém que carecia de brisa, de sentir a terra tocando-lhe os pés e de embriagar-se com o frescor de uma noite fresca de primavera ou cegar-lhe os olhos das luzes da cidade tresloucadamente viva. Ela caminhava sem pensar e não buscava: nem palavras, nem sentir, nem explicações de nada. Ela queria encontrar alguém, queria sossegar a cabeça, queria tocar as mãos e sentir um coração por entre os fios do cabelo quando estivesse aninhada em algum carinho sem cobranças de retorno. As vezes ela não sabe retornar. Sabia que os outros lhe observavam com estranheza, o que estará esta pensando da vida, a caminhar descalça em plena Avenida Paulista. Vai ver é querer ser livre e não entender. As vezes os pés são crianças. Não sabia caminhar sem sorrir, sem parecer boba ou distraída. Quase um perfume, no ar leve que fazia os cabelos voarem. As vezes parecia que aquele perfume estava sempre com ela. Ela apertou o passo quando viu o Masp. A noite tinha estrelas. A lua despontava atrás de um edifício com poucas luzes acesas. Gostava de adivinhar o que aquelas pessoas fariam acordadas naquele mesmo instante. Deixou os pés perderem o chão, balançarem no ar, sentada no parapeito de cimento. Outros haviam ali. Todos em silêncio. As vezes as pessoas devem ter as mesmas sensações. Sorriu e agradeceu, mas não soube explicar porque agradecia e a quem agradecia. Pensou que devia haver alguém lhe observando e fazendo parte daquele fio de tempo. Chorou, mas desta vez não quis enxugar as lágrimas que caíam. Fez o convite, como sempre. Ele nunca estava perto do telefone. Ele nunca respondia no mesmo instante, e as vezes nem respondia. Ele sempre dizia, dias depois, que tinha saudades. Mas ela fez o convite assim mesmo, porque não podia ser diferente. É assim toda vez que existe alguma coisa pra dividir. Toda vez que existe o que pedir. Ela fez o convite e ele veio. Minutos, assim. Usava a mesma camiseta vermelha e os mesmos olhos tranqüilos e o mesmo sorriso com aquela mesma calma que a própria noite lhe dava. Ele era a noite. Ele era a brisa, e o perfume, e o mistério das luzes acesas. Espiãs. Ele definitivamente entendia que viver é bom. Não precisou explicar nem dizer nada. Seu abraço era um descanso. Seu beijo lhe trazia alguma certeza, a única, a verdadeira. Tão real e total sem entendimento e sem querer e precisar compreender. E depois que terminou o beijo, ela simplesmente, não precisou dizer mais nada. Ele tomou-a para si, para sempre. No largo sempre que durava aquele sonho, aquela noite e aquele verão.

 

Mel

09Nov2008 (escutando If I were a boy – Beyoncé)

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Celebridadix

Lista de globetes que eu vi hoje:

Thiago Lacerda (toda semana?) de toquinha e sem óculos

Hortênsia (fea) toda de branco, esguia e altíssima

Christiane Torloni (usando uma calça xadreza laranja que eu adorei)

Fernanda Paes Leme

Nivea Stellmman

Cláudia Raia (enoooooooooorme) ou Donatela, para os íntimos

Marcos Palmeira

Otávio Muller (posudo ou fresco???)

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OneRepublic

“All I need is the air I breathe and a place to rest my head!!!”

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Eu subestimei esta moça

Mas o roteiro dela é simplesmente o texto mais incrível que eu já vi. [Juno]

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Na vitrola

Então eu vou dar uma folga nos meus relatos de aeroporto (apesar de eu ter pelo menos uma leitora fã deste assunto, né Mel?) e vou dar aqui umas dicas de som. Um som pra lá de maneiro. Primeiro, vão lá no E-Mule e digitem em “pesquisar”, o seguinte: “The Moldy Peaches”. Eles são um Pato Fu, só que mais. Pato Fu ao cubo. Hiperbólicos. Na realidade, são parte da trilha sonora de “Juno”, que eu estou escutando. O cd inteiro, aliás, é ótimo. E uma das vocalistas é uma moça negra chamada Kimya Dawson. Digita isso lá também. Agora, se vocês já querem dicas de músicas, anotem aí:

  • Tire Swing (esta música é muito boa!!!!! Com idéias simples, eles fazem um lance super criativo!!!)
  • Loose Lips
  • So nice so smart
  • Tree Hugger
  • Anyone else but you

Em todas elas, prestem atenção nas letras! Elas são o que tem de melhor. Além do fato de ser uma banda criativa, usando artifícios simples e acabamento quase caseiro. Eu adoro!

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Comentário do Comentário

Cada vez que eu ganho um elogio literário da Srta Juliana Otoni, me dá vontade de imprimir e mandar emoldurar, para pendurar na parede de um corredor, junto com os diplomas, certificados, os “passei-por-aqui”. São poucos. O elogio da Srta Juliana vale muito mais, pra mim. E me dá uma sensação melhor do que aquela que eu sentia quando eu ganhava um presente de natal, quando era criança. [Obrigada, Jú!]

ps: Isto acontece com os comentários do Sr André,  também.

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Não sei o que me deu

Novidades gastronômicas!!! Hoje me deu um cinco-minutos e fiquei com saudades da macarronada da Festa da Achiropitta. Então, depois de fazer as unhas, passei no mercado e comprei os ingredientes [macarrão petybon grano duro, molho quero, pão italiano e vinho Lambrusco!!!] e liguei pra casa:

_ Não é pra fazer a janta! Eu que vou fazer.

Minha mãe – creio eu – nem acreditou. Que milagre é esse, deve ter pensado. Mas eu cheguei em casa, coloquei a bandana na cabeça, avental e bóra!!!! O macarrão ficou i-gual-zi-nho!!! E tem mais! Fiz até Sardella, pra comer com o pão!!!! Meninas, anotem aí. Mel é gastronomia:

_ 5 pimentões bem vermelhos

- Cheiro Verde [que eu tive que perguntar para uma dona de casa, no supermercado, se cheiro verde é a mesma coisa que salsinha hahahaha!!!!! Ela respondeu que era, e claro, riu da minha cara!]

_ 1 cebola e 2 dentes de alho [eu usei aqueles que já vêm amassadinho]

- 4 latas de sardinha em óleo ou 300g de sardinhas frescas [como foi emergencial, hoje eu usei as latas]

_ Pimenta do Reino e sal à gosto.

Você pica os pimentões, e vai dourando a cebola e o alho no AZEITE [eu sou fã de azeite]. São dois grandes trabalhos: picar os pimentões [não curto picar legumes] em pedacinhos e limpar as sardinhas [lembre-se de tirar as espinhas do meio]. Depois de feito, junta os pimentões e as sardinhas na panela [que precisa ser razoavelmente grande para que caiba tudo] e vai mexendo, mexendo, mexendo. Aí você pára para constatar que a Donatella não tem nada a ver com o Zé Bob em termos de química de casal e que a Lara já era pra ter mudado de estilo para uma coisa mais feminina… e depois volta para a panela. Vai perceber que misturada com tudo o resto, a sardinha quase some: isso é normal!!!! Quando perceber que está no ponto, tudo já bem molinho e a sua cozinha cheirando o azeite delicioso, você joga tudo dentro do liqüidificador e bate, bate, bate. Vai provando, enquanto bate no liqüidificador, para ver se está no ponto. Talvez falte sal ou mais pimenta do reino. Depois deixa na geladeira ou freezer, um pouquinho. Minha dica maior: compre um pão italiano à mais. Sempre falta!!! Ah, a sobremesa foi petit gateau. No mercado já tem tudo pronto.

Não exagere na pimenta se seu marido ou pai sofrerem de hemorróidas.

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superação

Superação não quer dizer necessariamente que nós vamos vencer nossos limites. Superação é o ato de enfrentá-los. Um dia, talvez, nós consigamos vencê-los. O enfrentamento também é superação. E enqüanto se enfrenta, vai se dominando, paulatinamente, nossos medos. Eles vão ficando menores, talvez sem que a gente perceba.

Todos os dias eu atravesso a ponte que liga um lado da Washington Luiz ao lado do Aeroporto. É difícil. Alguns dias mais difíceis, outros menos. Mas eu ainda não perdi o meu medo de altura. Ainda sinto vertigens. Tenho que atravessar bem no meio, não chego perto das grades de jeito nenhum e se vem alguém no sentido oposto eu me encolho e a pessoa certamente percebe que é melhor liberar a frente! E às vezes eu até desejo que tivesse alguém ao meu lado, porque quando estou ao lado de alguém não sinto medo. Como aquela vez que atravessei a ponte com o André. Mas os momentos mais cruciais da nossa vida, a gente sempre passa sozinhos. Contudo, fico pensando: em 2009, se Deus permitir, serão 365 dias atravessando aquela ponte. Será que no 365º dia eu finalmente terei perdido o medo de altura? Não sei. Mas vou continuar atravessando, mesmo sendo tão difícil.

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histórias

As aventuras da Mel. Pra rir!!! Destas histórinhas curtas e ótimas! Vamos lá. Histórinha número 1: Uma bagagem lá, dando sopa no departamento de bagagens da TAM e ninguém procurou por ela. Sabemos que se existe uma mala sem alguém, é porque existe um alguém sem mala. Mas como pode ninguém procurar por ela? Lá fui eu. Peguei a dita cuja e comecei a procurar a reserva do passageiro, telefone de contato, estas coisas. Ele tinha vindo de Floripa. De posse do número do telefone do passageiro em mãos, louca para dar as boas novas, lá fui eu para o telefone [adoro esta parte]. Atenção para o diálogo:

_ Senhor Brígido?

_ Pois não.

_ Olá, eu sou a MEL, do Setor de Bagagens da TAM. O senhor perdeu alguma coisa? :-D DDDDDDD!!!!!!!!

_ Na verdade…. não!!! haha… [passageiro sem entender nada]. à mulher: Você perdeu alguma coisa, amor? Não, a gente não perdeu nada. Perdeu?

_ Então!!!!!!!!!! Eu tenho uma bagagem aqui, consideravelmente grande [27kg] no seu nome!

_ Deve haver algum engano…. é…. como é que é seu  nome mesmo?

_ Mel.

_ Mel. Mel, deve haver algum engano, porque eu desembarquei, de fato, hoje, pela TAM, mas eu…. eu retirei a minha mala!

_ E o senhor já abriu a mala? Ela é sua mesmo?

_ Absoluta certeza. Tem tudo meu, minhas cuecas, tudo.

_ Bem, então ela foi etiquetada errada. Totalmente errada. O senhor me desculpe o inconveniente!

_ Não por isso.

E depois de uma longa pausa para comer fondue, vamos à segunda história. Em resumo, dois passageiros desembarcaram de Uberlândia e seguiram – em horários diferentes – de transfer, no ônibus da TAM, de CGH para GRU. Só que o gringo pegou a mala do segundo pax por erro, eram iguais. Toda a bagunça que deu para fazer com que alguém pegasse o gringo em GRU (ele já tinha ido embora) e avisasse que ele pegou a mala errada… e abrir o relatório para o segundo, que ficou sem mala… no final das contas, consegui que o pessoal de Guarulhos abordasse o gringo e pegasse a bagagem do segundo passageiro, que chegaria no ônibus seguinte. Quando eu soube a notícia boa, já era minha hora de ir embora. Sendo que eu preciso bater o cartão até 18h15, no máximo (saio 18h). Mas eu queria porque queria avisar o segundo pax. Não tive dúvidas: saí em disparada, numa corrida olímpica, para o lado oposto ao do relógio onde bato o cartão, para subir no ônibus e avisar ao pax que sim, sua mala estaria esperando por ele em Guarulhos. Corri, corri, corri. Quando cheguei no ônibus, não havia viv´alma dentro dele. Que decepção! O Sr Américo já tinha ido embora. Não pode desfrutar do gosto bom da boa notícia no mesmo momento que eu… Segui em frente, com meu coração partido e o *&¨%$ na mão, porque não iria conseguir bater o cartão à tempo. Foi a segunda parte da corrida olímpica, mas desta vez eu consegui!

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Agora é dele

Tem um monte de porcarias que rolam na internet e tudo quanto é porcaria dizem que foi o Jabor quem escreveu. Bem, hoje eu vou transcrever um pedaço do texto que ele escreveu para O Estado de São Paulo desta quarta-feira, 25 de Novembro [Caderno 2]. Se é Jabor que vocês querem, é Jabor que vocês vão ter!

Ficou arcaica a idéia de compaixão e um dia seremos tocados pela graça da insensibilidade. Como os psicopatas. Temos e esfriar o coração para viver no Brasil. Por enqüanto, ainda falamos “Que Horror!”, mas um dia chegaremos a um coração perfeitamente frio. Um dia seremos todos psicopatas.”

[Flora, que amamos odiar - Arnaldo Jabor, - O Estado de São Paulo - Caderno 2 - 25/11/08]

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Lição de Casa

Joguei no Google a palavra que mais preciso que esteja presente na minha vida: disciplina. Encontrei um fórum de discussão do Yahoo. E uma resposta sábia!!! Uma comparação super legal que uma pessoa fez e vou transcrever aqui, entre áspas:

Se você colocar as roupas dobradinhas em uma mala, com certeza vai caber mais do que se você colocar tudo bagunçado. É a mesma coisa com as 24 horas que você tem a cada dia.”

[CliqueSara]

Não é?! :-D

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Serviço de Utilidade Pública

Pessoal,
 
Existem várias formas de ajudar nossos irmãos de SC. Segue abaixo algumas delas:
 
1. Para quem está em São Paulo – Para quem mora na capital paulista, a Defesa Civil e a Cruz Vermelha estão trabalhando 24 horas para receber doações. Subprefeituras e postos da polícia militar também estão recebendo doações. O telefone da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil é 199. Para entrar em contato com a Cruz Vermelha em São Paulo, o número de telefone é (0×11)5056-8665 / 5056-8664. O Centro Shivapoint Yoga em São Paulo está arrecadando roupas, sapatos, cobertores e outros materiais para as vítimas das enchentes de Santa Catarina. Doações podem ser feitas na Rua Antonio Carlos,690 – 2º andar, próximo ao metrô Consolação. O telefone é (0×11-3159-5106).

2. Para quem mora no Lauzane ou redondezas: Podem levar doações na minha casa, porque a empresa em que eu trabalho também está reunindo doações para mandar para SC. Me mande um e-mail melissabrienda@hotmail.com para pegar meu endereço.

 
3. Quem for do SANTA TERESINHA, pode levar as doações no próximo sábado e entregar para uma destas pessoas: Bela, Wilton, Ciça, Andrei, Rafael, Vanessa Higa.
 
4. Quem conhecer a Tia Irene, da Catequese (iblasquez@uol.com.br) mesma paróquia), pode entrar em contato com ela, porque ela está organizando um mutirão para reunir água,  cesta básica e material de higiene pessoal e limpeza – principalmente sabonete, escova e pasta de dente, absorvente e fralda descartável e se reunirem na Paroquia de Sta. Teresinha e levarmos até o Quartel da Polícia no Bom Retiro.
 
O que doar? 
            

- Alimento não perecível – de preferência enlatados ou em embalagem tetrapack.
- roupas de qualquer espécie
- calçados
- fraldas descartáveis (infantis e geriátricas)
- roupas de cama e cobertores
- colchões
- artigos de higiene pessoal
- material de limpeza
 ·  Os alimentos devem estar dentro do prazo de validade e com a embalagem intacta. De preferência, devem ser não-perecíveis; 
 ·  Colchões e roupas de cama devem estar em bom estado de conservação, limpos e prontos para utilização; 
 ·  Roupas e calçados também devem estar limpos e em condições de uso. Sapatos devem estar amarrados entre si (pé direito com esquerdo) e a numeração deve ser marcada do lado externo com caneta;
·  Utensílios domésticos devem estar funcionando e bem conservados.

Doações em Dinheiro:
 
A Defesa Civil de Santa Catarina divulgou o número de contas correntes para receber as doações de ajuda aos desabrigados. Os interessados em contribuir podem depositar qualquer quantia nas contas:
Banco do Brasil:Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc: Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco: Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1.
O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ – 04.426.883/0001-57.
O dinheiro arrecadado será utilizado para compra de mantimentos que serão distribuídos entre os moradores das cidades atingidas.

Pronto! Agora escolha a maneira mais fácil para você fazer a sua doação e mãos à obra!
Com muita solidariedade e muita fé, vamos ajudar nossos irmãos reerguerem suas casas e suas cidades. Agora, se nem com tudo isso você tirar a busaaaaaaaannnnnnnnfa gorda e celulítica da cadeira pra ajudar, vá fazer terapia, porque você não tem coração!!!!!!!!!!

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Podia não ter sido assim do jeito que foi

As vezes a gente faz umas coisas e diz umas coisas que só percebe depois… o fato é que hoje sobrou uma mala preta de puxar, onde só havia uma etiqueta rosa da TAM, escrito: “bagagem de portão”. Nada mais. Nenhum nome, nenhuma etiqueta de agência de viagem, nenhuma fita do Senhor do Bonfim, nada. Nadica de nada. Puxei até o balcão para esperar que alguém procurasse. Esbarrei num Oficial da Aeronáutica com um sorriso de uma orelha até a outra, que do nada, me disse: Vou te convidar para um curso que eu vim fazer. Eu fiquei com cara de interrogação seguida de dezenas de exclamações [tentando disfarçar esta cara, obviamente] e de cara perguntei se a mala que eu tinha em mãos por acaso era dele. Ele respondeu que sim, que era dele. Tinha chegado de TAM, voando no push alguma coisa [na cabine, junto com a tripulação]. Aí eu pensei: como eu vou saber se essa mala é desse cara mesmo??? Não tem nome, número, nada!!!! Aí eu solicitei que ele me desse um documento, uma etiqueta, o bilhete de embarque, e fui sincera: preciso de um comprovante de que estou entregando a mala certa para a pessoa certa, senhor. Me perdoe, mas são procedimentos de segurança, já que esta bagagem não tem nenhuma identificação. O cara me elogiou, abriu a mala, me mostrou suas roupas afanaiadas e uma parte da sua farda, a mesma que estava usando. Depois pediu o meu email, para mandar um convite para um curso de Segurança de Vôo dado pela Aeronautica, Esquadrilha da Fumaça. Eu dei o e-mail do setor e pedi que o convite viesse para todos. Depois fiquei pensando que se fosse um destes oficiais arrogantes eu teria ido parar na gerência! :-D

*

Os rebeldes desembarcaram em Congonhas, vindo de Santos Dumont. Não apareceram no desembarque e as fãs que vieram de um vôo de Brasília especialmente para esperá-los dentro do desembarque, se f…eram. Eles saíram à francesa. Depois que todos os passageiros recolheram suas malas na esteira, sobraram dezenas, que o Greco e eu já sabíamos de quem eram. Tudo o que as coitadas das fãs puderam fazer é tirar fotos das malas de seus ídolos… hahahahahaha… ah, e dos seguranças, que foram recolher as malas do lado de fora da esteira.

Divertido!

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A mala que jamais deveria ter faltado

Então.

Eu sabia que ia chegar um passageiro chamado Fulano de Tal de Santos Dumont, ou diz o cara da Gol: Santos Diumont…, e ficaria sem sua mala. A gente chega num nível decente onde as pessoas avisam as outras sobre as coisas que acontecem, de modo que estas outras conseguem ao menos remediar. Bem, quando o vôo chegou, lá fui eu para o microfone: “com sua atenção, Sr Fulano de Tal, por favor apresentar-se à funcionária TAM dentro deste desembarque”. Isto depois que o Christian Pior e um amigo já tinham passado pela gente em direção à esteira. A gente anunciou três vezes. Na terceira, veio voltando o Christian Pior e o amigo, olhando para a minha cara. E eu com um sorriso sincero e largão, dizendo pra mim mesma: “não pode ser você, não pode ser você, não pode ser você”. Não era. Era o amigo. Olá eu sou a Mel, como vão? Ganhei um beijo na mão do Sr Pior. Eu tenho uma novidade meio chata para o senhor e outra legal, qual o senhor quer primeiro? Ele disse que queria a chata [óbvio]. Eu disse: sua bagagem não veio. Ficou presa na esteira do SDU e eles tiveram que reetiquetá-la, porque a esteira acabou com a etiqueta. Então não deu tempo de embarcá-la. A novidade boa é que ela está chegando em 15 minutos. Ele disse que em 15 minutos ele tinha que estar com uma câmera ligada no REC. Ok. Abri o relatório, a mala chegou, mas até o cara da P.F. chegar para passar no raio X………. Enquanto eu abri o relatório, perguntei para o amigo o que tem na mala dele que possa identificar que siiiim, esta mala é dele. Ele respondeu: Ah, tem um adesivo escrito: “EU VÔ!!!” Enquanto isso o C. Pior dizia: pede dinheeeeeiroooooooooo!!!!!!!!!!!! Eu comecei a rir, porque com estes caras do Pânico é sempre bom não ser muito pentelha. Bem, tudo foi resolvido, sem que os dois tivessem idéias mirabolantes que envolvessem a funcionária da TAM, graças a Deus. Estas idéias à La Pânico. São pessoas normais, ora ora! :-D

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Maitê Proença

A galera famosinha que desembarca no Aeroporto de Congonhas (uma, duas, várias vergonhas* – sempre me lembro disso) têm algo em comum: todos vestem óculos escuros. Mas hoje uma Globete ganhou pontos comigo. Ela – Maitê Proença – parou ao meu lado, e à olhos verdes e nús, pôs-se a procurar o número da esteira sobre a qual sua bagagem chegaria. Eu a observava enqüanto dava o Speech de Boas Vindas da TAM. Então ela foi até a esteira e logo eu também fui, porque meu lugar é lá. E ela ficou ali, no meio do povo, de olhos verdes e nús, quietinha, tranqüila, zen, quase comum. Eu fiquei feliz com sua postura. Não sei direito porquê, mas fiquei. Ali tinha uma pessoa, gente, ser humano. Tudo bem, tudo bem, não tô dizendo que quem usa óculos escuros não são seres humanos. Mas se distanciam de nós, pobres mortais. E hoje, eu, à menos de 100 metros desta senhora (uma lady), não vi nada brilhando, que não fosse sua própria humildade e sua comprovada elegância. A simplicidade [que bom], ainda nos ofusca os olhos.

[*] Conto de Carlos Eduardo Novaes, publicado em 1976 e na série de livros “Para Gostar de Ler”.

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2008! Uhuuuuulll!!!

Então bóra fazer um balanço deste ano!!!

Coisas boas!!!

* ter ficado com o príncipe encantado e poder descobrir que ele era um sapo.

* ter tirado as fitinhas do cabelo, os babados das blusinhas, os motivos infantis e assumir que eu sou uma mulher [e uma linda mulher hehehe]

* ter tornado as coisas mais práticas e mais fáceis

* ter compreendido que a minha mente é minha melhor amiga ou inimiga

* ter assumido que o meu futuro depende das escolhas que eu fizer agora. E só. Não existe magia e nem destino.

* meus amigos, minha família

* ter ficado com o babysauro (a seguir cenas dos próximos capítulos)

Meu ritual de passagem de ano [aprendi com a Mirelli]:

* queimar em um papel as coisas boas, meus desejos, minhas promessas. Depois, em papéis separados, as coisas que eu quero que fiquem pra trás. As chamas que sobem para o céu vão mais alto conforme a fé e o pensamento positivo! ;-)

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Comentários rápidos

Equação de final de ano: festas + férias + aeroporto = PROBLEMAS!!!!!!

*

Os meus pais são preconceituosos. Só que eu estou cada dia menos intolerante com determinadas coisas.

*

Estou feliz!!!!!! Grata por tudo!

*

Preciso dizer que outro dia passei ao lado de um posto dos bombeiros, em São Paulo, e quando vi a fileira de gente fazendo mutirão com as doações, comecei a chorar. É emocionante a solidariedade.

Roubar doações, no entanto…

*

E hoje fiz um favor para uma passageira (destas coisas que não seriam a responsabilidade da empresa, mas a gente faz uma cortesia) e tudo o que eu esperava em troca era um obrigada e um sorriso. Da primeira vez ela saiu sem nem agradecer. Da segunda, depois que eu resolvi o problema dela, me jogou R$15,00 em cima da minha mesa. Eu disse que não poderia aceitar e fiquei da cor da nota de dez reais…

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Natal XOXO

Este Natal eu passei diferente… não fui à missa. Foi o primeiro Natal que não celebrei com minha família na missa. Isto porque meu coração partiu. Fiquei com dor de cabeça de tanto chorar e totalmente sem clima. Achei melhor não ir. Fiquei meio sem fé, mesmo. Sem vontade. Talvez passe. Arrumei a mesa para a ceia, me troquei como se fosse sair, como se ele viesse. Por enquanto, ele não vem. :-(

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Os 7 mandamentos da TAM

Como inspiração para o Ano Novo, vou colocar aqui os 7 mandamentos que o Fundador da TAM, Cmte Rolim Amaro, estabeleceu para conduzir sua vida profissional. São diretrizes que podem ser adaptadas para nossa vida pessoal… vamos lá!

1. Nada substitui o lucro.
2. Em busca do ótimo, não se faz o bom.
3. Mais importante que o Cliente é a segurança.
4. A maneira mais fácil de ganhar dinheiro é parar de perder.
5. Pense muito antes de agir.
6. A humildade é fundamental.
7. Quem não tem inteligência para criar, tem que ter coragem para copiar.

Reflitam…

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Presentes de Ano Novo para minhas amigas!

Para minhas amigas queridas, amadas e admiradas, vou relacionar aqui meu presente de ano-novo totalmente personalizado:

Mirelli – ser a primeira bailarina de um espetáculo de teatro-dança.

Inara – encontrar, finalmente, o caminho para Sirius e mandar cartão postal para as amigas.

Má Kókot – que o gênio da lâmpada salte de dentro da garrafa de champagne e diga: Aháááá!!!!! Chegou a hora!!!!! Diga lá como quer o bofe que eu faço sob medida pra você!!!! Então, um bofe sob medida pra você, do jeitinho que você quer.

Carrrrrla – Um homem que mereça toda sua força e toda sua luz! Um livro da Clarice Lispector, um ramalhete de flores amarelas e uma namorada para o PI.

Adrianna Lobo – muita realização profissional, um amor fiel e que respeite a sua liberdade.

Mel Sabella – que os seus olhos brilhem 365 dias por ano!!!

Paula Craveiro – vai ao show do Bon Jovi [cover?] e ao olhar para o lado, verá o homem dos seus sonhos cantando sua letra de música favorita para você.

Raquel – um coral de vacas dizendo: “A Raquel é nossa musa!!!” [com todo o respeito] Com direito à filmagem e fotos.

Rebecca – adivinha? O papel principal do musical dos seus sonhos, lá no Teatro Alfa.

Natália – um bebê!!!!!!!!!!!!!!!!!! hehehehehe!!!!!!!!!!!

Júbis – uma câmera para gravar o documentário que você vai fazer sobre sua viagem à São Tomé das Letras!!!!! No caminho, você vai conhecer um riponga tocando violão e recitando poesia.

em tempo! Claro que os nomes estão em ordem aleatória e não ordem de preferência! Amo todas de maneira igual!

beijos da MEL e FELIZ ANO NOVO!!!!!!!!!

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nossa comédia!!!!

Não há nada mais divertido do que trabalhar no desembarque do Aeroporto de Congonhas! Nada mais divertido e nada mais emocionante! Emocionante, porque de um minuto para outro podem faltar simplesmente duas malas de um trecho SDU-CGH (Santos Dumont – Congonhas!!!!!!). E nada mais divertido por conta dos nossos amigos companheiros escoteiros da GOL!!!!! Parece que a gerência da GOL só contrata FIGURAS CARIMBADAS para sua linha de frente! Lá no desembarque, a gente chega e vai comprimentando todo mundo que está ali atrás do balcão, ou seja: toda a galera, de todas as companhias. Se o desembarque está lotado de vôos chegando, cada um cuida do seu passageiro. Anda pra lá e pra cá, avisa ao colega que tem malas deles rodando em tal esteira, ajuda a colega (eu) pegar as super bags jumbos dos tiozinhos e tiazinhas que ficam na fila do banheiro e são os últimos a chegar na esteira para pegar suas bags que ficam lá rodando como frango de padaria dentro do forno. Só que eu sou legal, então eu pego a bagagem do tiozinho/tiazinha e a coloco no chão, e fico lá plantada feito um ás de paus, esperando que seu dono apareça. Ele vem correndo, ai esqueci, desculpa, eu tava no banheiro.

E quando abre a porteira do desembarque? Quando as aeronaves encostam na remota e os passageiros são conduzidos até o desembarque pelos ônibus da Santa Infraero. A porta abre e bruuuuummmmmm, entra um monte de gente. Sempre, a maioria, são da GOL/VARIG. E eles vêm até a gente, da TAM, que está sentado no balcão atrás dos terminais (computadores onde temos acesso ao sistema), e começa a perguntar: CONEXÃO PRA FLORIANÓPOLIS? CONEXÃO PRA BRASÍLIA? CONEXÃO PRA SALVADOR? A SAÍDA É PRA LÁ? EU SÓ PEGO A MINHA MALA NO FINAL? E a gente responde sempre a mesma coisa: SUBINDO A ESCADA ROLANTE PASSA NO RAIO-X À ESQUERDA. SUBINDO A ESCADA ROLANTE PASSA NO RAIO X À ESQUERDA. A gente nem consegue terminar a frase, o passageiro já está subindo a tal escada, não diz nem obrigado ou obrigada. E é engraçado porque eles sempre vêem que somos TAM, os meninos usam coletes VERMELHOS, mas mesmo assim eles perguntam sobre suas conexões GOLINAS e VARIGUÍSTICAS. E a gente responde. Tem passageiro da GOL/VARIG que vem pegar carrinho de bebê da gente, na maior cara de pau. A gente tem que sair correndo atrás pra pegar. Tem passageiro que pede a cadeira de rodas emprestada, a gente fica com pena, a gente empresta e ainda sai empurrando. A staff da GOL, no desembarque é composta por algumas figuras: o Teixeira (que manca); Seu Joca, um velhinho que só não parece o Papai Noel porque a barba não é grande, mas tem voz de papai noel e já é um tanto velhinho demais para ficar lá correndo atrás de malas, resolvendo buchas e engolindo sapos de passageiros malcriados. O Miguel Santana, que tem uma voz estranha, um jeito peculiar de falar, e trabalha super direitinho. O Tanai é um senhor que ao invés de falar Santos Dumont fala Santos Diumont e quando dá speech de boas vindas é muito engraçado, porque parece que está cantando. Tem o Jackson, que agora trocou de crachá e se chama Jesus………. e um dia chamou um passageiro ao microfone, assim: “Por gentileza senhor Mário de Deus, passageiro GOL, procurar funcionário GOL Jesus, no desembarque”. HAHAHAHAHAHAHA!!!! Mas este nem Jesus Cristo salva. Quando trabalha só falta chorar! Tem uma voz chorosa e as vezes tem medo do passageiro!  Seu Joca e Teixeira estão sempre resmungando, é engraçadíssimo. “É o passageiro que esqueceu a cabeça no avião, o papagaio que não veio, mala saindo na esteira errada, o passageiro que esqueceu só o notebook na poltrona e agora eu tenho que ficar andando pra lá e pra cá com esta mochila pendurada, porque se eu largar aqui, quando eu voltar vai ter dois notebooks aqui dentro”. Agora imagina um personagem de desenho, a voz de um anãozinho, destes filmes de Natal… ontem falamos para ele que estávamos o ajudando, embora os passageiros fossem da GOL, para quem pedisse ajuda para conexão. Ele respondeu: “eu não quero nem saber de quem é [o passageiro]. Tá em conexáo, VAI!!!!!!!!!!!!!”.

Enfim. Pura diversão!!!!

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Novos Prazeres

As vontades das coisas, vêm. Quando, não se sabe. Mas elas vêm! Pode demorar… você pode achar que necas, que nunca, que jamais… mas cedo ou tarde, pagarás tua língua! Sem trema. Porcaria de reforma ortográfica. O Brasil precisa arranjar coisas pra se fazer, urgentemente [já que a gente mora num país tão tranquilo......]. Mas enfim, elas, as vontades, vão te pegar e vão adorar te pegar. E você vai curtir também.

Agora eu gosto de cozinhar! Nunca fritei um ovo! Agora eu faço até bolinhos de arroz.

Agora eu gosto de dançar várias coisas e quero aprender e preciso urgentemente descobrir meu corpo.

Agora eu quero dirigir…

Agora eu gosto de montar a mesa do natal…

Agora eu gosto de fazer artesanato, de pintar flores e casas de vilas em quadros…

Agora eu quero ter a minha casa, o meu canto, a minha cor nas paredes, o meu cachorro ao lado da cama.

Escrever, mas rodeada de gente!!!!

E agora eu gosto de barulho, gosto de gente em volta. [na minha adolescência eu vivia isolada].

O Ano Novo chegou agora, mas a Mel, novinha em folha, já vinha nascendo. Vai explodir e vai ser agora.

Só depende da gente. Não dá pra pensar diferente.

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Projetando o futuro

Imagine que a sua bagagem não chega na esteira do aeroporto, e uma funcionária que usa uma tiara de pipocas te diz assim: “Senhora, realmente a sua bagagem não veio”. Atrás dela, outros funcionários usando chapéu de palha e lenço.

Foi só uma hipótese.

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Cozinhando

Hoje eu fiz risoto.

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estupidez

As videocassetadas do Faustão. Tem uma que uma ginasta voa e cai com tudo com as costas no chão. Porque as pessoas acham isso engraçado? É engraçado ver uma menina quase ficar paralítica?

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momento enxaqueca

Me irrita o fato de que as pessoas tentam se fazer de espertinhas, às vezes. Gente preguiçosa, me irrita. Gente burra e gente lezada, também. Não vou entrar em detalhes… mas sei que vocês me entendem…!

Ah, e ABOMINO gente que diz que foi obrigada a assinar alguma coisa e não sabia por que motivo estava assinando. Gente que diz isso tem que apanhar!

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Breve oração

Papai do Céu, não me deixe ficar ranzinza.

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trip

Então este final de semana que passou fui viajar. Saí voando às 18h, nem bati o cartão. Tinha 06 minutos para me trocar e correr para a sala de embarque, o embarque seria pelo portão quinze. Porque não se pode embarcar uniformizada, normas internas. Eu consegui, enfim. Embarquei suada, mas consegui. Tinha anos que eu não andava de avião!!! Nem deu tempo pra sentir frio na barriga, porque foi mesmo muito rápido. Quando eu vi, já estava sentada. O céu, cinza. O tempo, chuvoso. Mas como eu disse, não deu tempo pra pensar em nada, nem pra sentir medo. O avião subiu, e em uns 15 minutos, houve uma turbulência horrorosa e o avião deu um VUPT pra baixo, assim, do nada. Eu olhei para os lados e as pessoas estavam rindo, pensei comigo: é normal, né. Depois fechei os olhos para ouvir música, dei duas mordidas no meu lanche e o comandante já estava avisando que o avião ia pousar.

_ JÁ????

Pois é. Cheguei em Joinville e descobri que havia deixado a carteira com todos os meus cartões na bolsa da TAM, na sala onde eu trabalho (a bolsa é trambolhal, não dá pra carregar, principalmente quando se precisa atingir 5kg de bagagem de mão, no máximo, e não se quer despachar a bagagem). Não tive escolha, era surpresa, mas precisei chamar alguém pra ir me buscar. Só sobrou eu no aeroporto e mais meia dúzia de funcionários. Dei uma cochilada, daqui a pouco eu escuto: “atenção senhora Melissa Brienda, por favor entrar em contato com o balcão central da Infraero”. Bem, sou eu, esta aí. Até porque, só existem duas pessoas estranhas aqui dentro: eu e o taxista. Enfim, a minha tia havia chegado. Quando o moço da TAM me viu, com meu crachá de colaboradora TAM (a gente sempre viaja com a identificação funcional à mostra), abriu um sorriso super meigo, ficou feliz. Os joinvillenses são realmente muito cordiais e gentis com as pessoas.

Na sexta, quando cheguei, estava chovendo. No sábado, choveu o dia inteiro. Eu estava à beira de um surto psicótico, já jurando que se o tempo não melhorasse (o tempo no céu e o tempo na casa da minha madrinha) no domingo, eu iria embora no domingo à noite. Mas já fui me convidar para ir para a praia (eu e a galera) à uma outra tia, que tem uma casa deslumbrante na praia, ali perto, e ela entendeu o recado. No domingo, abriu um dia magnífico, o céu estava azul bebê. O sol me deixou vermelha. Me diverti muito… tinha cinco anos que eu não ia à praia. Nadei muito, pulei ondas, caminhei na areia e… havia um rio que não deixava a gente entrar na praia. Precisamos procurar a entrada mais próxima, há um km dali. Entramos, depois de muita caminhada, e fomos até o ponto mais próximo da rua em que queríamos entrar. Só que pra sair e voltar pra casa, pensei: a gente vai ter que dar toda aquela puta volta de novo?!! Galera, negativo. A gente precisa atravessar este rio. Vamos nadar. Mas não podíamos, porque estávamos segurando blusas, câmeras, chinelos, etc.  Foram duas tentativas. Na primeira, fomos na parte mais estreita do rio, onde algumas pessoas estavam brincando, aliás. Duas meninas foram na nossa frente, e ficamos felizes, porque estava tudo bem, elas não afundavam… mas quase chegando, uma delas perdeu o chão e precisou pedir ajuda. Um tiozinho, que estava lá do outro lado fez sinal pra gente não atravessar. Na segunda tentativa, eu fui na frente e mandei os dois seres que estavam comigo (Pique e Júbis) me seguirem.

_ SE EU AFUNDAR, VOCÊS VOLTAM!!!

As ondas quebravam lá longe, quando o rio se misturava com o mar. O que significa que ali era raso, porque se tem espuminha, tem areia, certo??? Certo. Eu segui na frente, erguendo os meus pertences bem no alto. Tateando a areia com os pés. E tudo corria muito bem, até que subitamente, faltando uns dez passos para chegar do outro lado da areia sem que precisássemos dar toda a volta na borda do rio até a ponte, eu fui afundando. Não podia nadar. Não conseguia sair do lugar. A correnteza queria me puxar.

_ FODEU!!!!!!!!

Os dois entenderam o recado e voltaram. Disse para manterem a calma e voltamos. E eu completei: É melhor darmos a volta e chegarmos VIVOS para o almoço.

Fomos, porque estávamos varados de fome. Depois teve almoço, churrasco, olhar o céu azulzinho, azulzinho… uma árvore maravilhosa que tinha ao lado da casa da minha tia… tirar uma soneca e visitar outros tios e primos na praia vizinha (praia de gente que tem grana).

E pra quem pensa que só em SP tem engarramento nas estradas, engana-se. Saímos da praia às 19h, chegamos em Joinville (há uma hora dali) às 22h. Comemos torta de frango com laranjinha (bebida típica de SC) e fomos dormir, pois nosso vôo saía segunda-feira de manhã.

O céu de Joinville, na segunda-feira, estava limpo, claro, azul… o sol brilhava e entrava pelas janelinhas. Nenhuma turbulência. Perfeito. Chegamos em São Paulo 40ms depois. Eu precisava me trocar, colocar o uniforme, porque trabalharia direto. Mas fiz isso sorrindo…

PS: mas pousar em Congonhas sempre deixa a gente com o … na mão, né? Eu abaixei a cabeça e rezei pelo menos umas dez Ave-Marias. Quando vi, senti o trem de pouso tocar o chão. Deu vontade de imitar o Papa… voar é maravilhoso, mas nada substitui a velha e boa ESTRADA!!!

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Uma filosofia

“O Céu é o meu teto

A Terra é a minha pátria

E a Liberdade é minha religião”

[cultura cigana]

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Uma declaração de amor

tam1

EU AMO O MEU TRABALHO!!!

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Um momento

Homem pescando na praia de Enseada, Santa Catarina…

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qdo alguém canta pela gente…

“Sabe, já faz tempo que eu queria te falar das coisas que trago no peito
Saudade, já não sei se é a palavra certa para usar
Ainda lembro do seu jeito.

Não te trago ouro
Porque ele não entra no céu
E nenhuma riqueza deste mundo
Não te trago flores
Porque ela secam e caem ao chão
Te trago os meus versos simples
Mas que fiz de coração.”

Versos Simples, Chimarruts

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Pleonasmo

Escrevi um post, que sumiu. Ele dizia que quando eu fico sem comer, fico num “terrível mau humor”  e sem forças pra fazer nada.

Se o humor é terrível, então é mau humor. Se é mau humor, é terrível. Né.

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Coisa fofa

Meus pais estão reformando os banheiros da casa. Um deles é o nosso. Hoje eu cheguei em casa e encontrei o banheiro pronto, com três toalhas cor de rosa com nossos nomes bordados [Melissa Melinda e Bel] e três gérberas também cor de rosa sobre a pia. Ser mãe é uma arte, não?

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Coisas que irritam

  • O transporte público de São Paulo
  • Pessoas mal educadas
  • Chuva, chuva, chuva, chuva, chuva, chuva… e chuva e chuva…
  • Os vidros dos ônibus [gosma]
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Sobre alguém próximo

A gente sempre se dá bem com nossa família, com nossos irmãos. Com alguns, a gente se dá melhor. Sempre tem alguma coisa que a gente gosta, outra que a gente acha que podia não existir. Mas é nossa família, então a gente ama, a gente vai tocando em frente. Minhas irmãs são sossegadas. Não tenho grandes problemas. Mas a minha irmã caçula é uma pessoa que eu tento entender!!! Não gosto de algumas coisas que ela faz, não concordo com boa parte. Como quando teve show do U2. Ela trabalhava na empresa patrocinadora do show… acabou ganhando um convite a mais. Minha mãe estava louca pra ir (minha mãe sabe todas as letras do U2, inclusive a tradução). Ela pega o convite e vende… Minha irmã caçula parece super adulta às vezes. Odeio quando ela usa minhas calcinhas e meus sutiãs. Pois é! Acho que ela se fecha demais, não conta nada da sua vida para a gente. Se abre com o mundo, e deixa a família de fora. Agora ela tá namorando, e a gente não faz idéia de quem é o cara. Ela tinha saído do orkut, acho. Ou então não saiu: excluiu a família. Porque nem eu, nem a nossa irmã “do meio”, nem meus pais estão adicionados. Minha irmã não troca uma frase comigo durante a semana, mas usa todas as minhas roupas, sem avisar. Vai viajar e leva minhas coisas: chinelos, roupa íntima, etc. E às vezes quando a gente sai junto (tipo, a família toda), ela dá um show de extroversão: é a típica garota extrovertida, alegre o tempo INTEIRO, brincalhona o tempo INTEIRO. Eu percebo que muitas vezes ela quer aparecer, chamar atenção, e mesmo me provocar (porque eu sou o oposto: sou discreta e contida). Mas tem algumas coisas que eu gosto, ou melhor, que admiro ou invejo: pra começar ela é linda e eu morro de inveja, porque ela consegue qualquer cara que ela quiser, enquanto eu tenho que fazer simpatias para Santo Antônio. Ela está sempre com alguém. Ela tem uma disciplina e organização que eu queria muito ter herdado (contando com o fato de que ela herdou isto de alguém da família). E ela tem amigos que eu gostaria de ter: estão sempre inventando alguma coisa. Estão sempre curtindo a vida, inventando alguma festa temática entre eles, viajando pra praia. Tem duas cenas que minha irmã fotografou e que eu gostaria de ter vivido: uma delas é quando ela estava em Maresias, com amigas, e elas se jogaram de um píer, no mar, usando bóias. Sabe aquela coisa que você sempre sonhou em fazer e um dia alguém muito próximo à você faz? E a outra, ela tirou foto com os amigos em uma cobertura de um prédio: lá em cimão. Você podia ver as luzes da cidade, como se você tivesse tirado a foto lá em cima no Edifício Banespa (claro, bem mais baixo).

Enfim. Eu sinto um misto de amor, raiva, admiração e inveja da minha irmã caçula. Deve ser normal, né. Nossos irmãos sempre nos fazem sentir tudo isso.

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quick, but not less important

“Nothing can stand in the way of the power of million of voices calling for change”
Barack Obama

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Uma notícia triste

A Tia Maria Alice foi embora. Eu chorei. Vou sentir muitas saudades dela. Que bom seria se pudéssemos conduzir as pessoas até o outro mundo. Nós viemos ao mundo com a ajuda da nossa mãe. Por que não podemos também ir para o outro mundo acompanhados? Será que se sabe o caminho certo?

Vai saber, né.

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Que raiva I e II

Ontem um passageiro *ignorante e imbecil* conseguiu me tirar do sério. Eu chorei de raiva, a ponto de dar tremedeira.

E está cada vez mais difícil para meus pais entenderem o quanto é duro trabalhar a semana inteira, demorar duas horas pra se chegar em casa, e fazê-lo debaixo de uma chuva absurda e pessoas mal educadas (e fedidas). Está cada vez mais difícil as pessoas se colocarem no lugar das outras.

Se eu argumentar, vou escutar sabe o quê?

“Você escolheu esta vida pra você”.

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Agora uma notícia boa

E ontem, depois de tanto insistir, eis que a Dona Andreza conseguiu me arrastar para o tal sambão. Ia rolar na Quadra de Samba da Vila Maria, onde o Fred (Rodrigo), nosso líder, toca bateria. Eu nunca tinha ido, não sabia como era. Não sabia se ia encontrar gente bonita, se ia conseguir fazer bonito (leia: sambar decentemente no salto alto), e era a primeira vez que eu saía com o pessoal do trabalho. Mas me surpreendi positivamente em muitos aspectos: sim, lá tem gente bonito. Alguns deles são pretos (eu adoro um negão do tipo do namorado da Samara Felipo ou do cara do No Balanço do Amor 2). Enfim, tinha gente bonita de todo tipo, e tinha gente não bonita, também (rs). Eu consegui dançar direitinho usando salto alto. Não estava tão lotado assim, você conseguia abrir os braços, por exemplo. E me surpreendi negativamente em outros aspectos: eles gelam todas as cervejas e deixam os refrigerantes pra fora da geladeira (não tomo cerveja e o refri estava quente). Não adianta passar três horas se arrumando pra ir à uma quadra de samba: a maquiagem escorreu nos primeiros cinco minutos. Parecia que eu havia tomando chuva, com o cabelo todo gosmento e a chapinha, naquelas alturas, já tinha ido para o espaço.

Mas dançar ao lado da bateria e sentir aquele ritmo e energia tomar conta de você… não tem preço!!! Adorei!!!

Agora eu quero ir na VAI-VAI.

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Ela só quer, só pensa em descansar.

Ontem eu drobei pela primeira vez. Uma maravilha trabalhar à noite: o cara dos Achados e Perdidos da Infraero te dá balinhas. A moça da porta do desembarque deixa você entrar [quem sai não entra mais, o esquema da vida deveria ser igual ao esquema da Infraero]. O tempo voa, quando você vê já são dez horas.

Agora eu tenho três dias de folga… hehehe! E tenho quatro, mês que vem.

FULIAAAAA.

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Pérolas

Rafael é um mocinho de vinte e poucos anos que trabalha comigo. A voz dele é timbre timbraço, sempre enche uma sala. E ele tem fama de reclamão. Mas eu adoro? Acho muito engraçado. Ontem ele recebeu uma caixa com órgãos, que chegou de Ribeirão Preto. Nos chamou no rádio e gritou:

_ ESCUTA, QUEM QUE VAI  RETIRAR ESSE RIM????????????????? ESSE NEGÓCIO VAI APODRECER AQUI!!!!!!!!!!!!!!!!!

:-D

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baixando

* Desenho de Deus [Armandinho]

* Ursinho de Dormir [Armandinho]

* Viva la Vida [Coldplay]

* Cedo ou Tarde [NXZero]

* Love is in the Air [John Paul Young]

* Perfect [Simple Plant]

* Into Dust [Mazzy Star]

* Lollipop [Lil Wayne]

* Miss Independent [Neyo]

* Ride the white horse [Laid Back]

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Fundamental

Eu acho que já disse, mas o site da GLOSS vale muito a pena conferir sempre. Você encontra desde dicas para esfumar a sombra, fazer penteados com grampinhos, até como investir seu dinheiro, como pagar o limite do banco, quais são as profissões que pagam mais… A-DO-RO.

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Lembrar sempre!

“It´s time to be a big girl now… and BIG GIRLS DON´T CRY”

Fergie

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Então, deixa…

A primeira vez que eu ouvi DESABAFO, do Marcelo D2, chorei.

Eu estava dentro do ônibus, vestida de aeroporto, a maquiagem borrou toda e eu lá disfarçando. Por que, não sei… Só sei que foi assim.

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Gamezin

Recebi da Paula este memê. Lá vão as regrinhas:

Regras:
1) Agarrar o livro mais próximo.
2) Abrir na página 161.
3) Procurar a 5ª frase completa.
4) Colocar a frase no blog.
5) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro. Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.
6) Repassar para 6 pessoas.

E agora, as minhas respostas:

O livro mais próximo é “Ame e dê Vexame” – Roberto Freire. E a quinta frase completa da página 161 é:

“Foi assim que descobri, nesse edificante vexame em quadrinhos, que sempre pode existir a pretensão de ser super-homem dentro das doces e frágeis babás”.

?????????

Repassando para (apenas duas pessoas!):

Drica Daló

Mirelli

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vai deixar seu dia mais feliz!

koala-bebe-agua-03g

Uma das fotos mais comoventes da semana: a coala Sam bebe água oferecida pelo bombeiro Dave Tree, na Austrália. Ela estava muito ferida devido ao fogo que se alastrou pelo sudeste de Melbourne e devastou grande parte do país.

Fonte: www.abril.com.br

 

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From Lietuva with LOVE

Escrevi para minha prima da Lituânia e recebi algumas notícias tristes daquele pequeno e gracioso lugar… mas no final do e-mail, aquilo que traduz a força e o brilho dos Sliominas:

But little by little we learn to live otherwise. We are strong! And we have each other! And all together we are strong team :)

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Unicamente

Estou mística...
vem sentir
a era das águas
o velho tempo terminou
somos filhos
da mãe natureza
ventre do total amor 

segue-se a história
herdada de Atlantis
todo começo é o caos
a raça humana, eterna mutante
nasce ao plano astral       

raiou o sol
que haja luz no novo dia
a voz da fé
é a sombra que te guia

eu vou buscar
no silêncio do teu mar
linda sereia
Odoia Yemanjá

nas ondas
que lavam a terra
vem tecendo um espiral
tom sereno
que pulsa no mantra
do teu canto sideral

deusa da fonte
rede gigante
espelho do eterno altar
dom da visão, do vôo distante
o sonho pra nós lembrar

raiou o sol
olha o mar que alegria
sentir você
é viver em harmonia
eu vou buscar
pedras brancas pra te dar
linda sereia
Odoia Yemanjá

vem sentir
somos divinos
grão de areia da razão
num só corpo
de única mente
escolhemos free will zone

esse é o motivo
incerto destino
tempo é uma ilusão
íris da noite
ela revela
a próxima dimensão

raiou o sol
olha o mar que alegria
sentir você
é viver em harmonia
eu vou buscar
pedras brancas pra te dar
linda sereia
Odoia Yemanjá
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Ah se fosse a minha avó

O despachante da TAM estava conduzindo uma velhinha de 84 anos,  no aeroporto de Congonhas. Atenção para o diálogo:

_ O meu filho está aí? Ou a minha neta? É uma moça de cabelo preto.

_ Não sei, senhora. Na verdade a gente só vai saber quando a gente desembarcar, né?

_ Eu tô com medo…

(Os olhos do despachante se encheram de água)

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10 de cara de pau e ZERO de respeito

Eu estava sentada no banco de prioridades, atrás do motorista. No outro banco de prioridades, exatamente ao meu lado, um outro rapaz com alargador na orelha. O ônibus encostou e eu vi que estava subindo uma gestante. Imediatamente eu saí do banco, antes mesmo de ela entrar. Só que o infeliz alargado simplesmente se levantou do banco onde estava (aquele que não tem onde segurar e se o motorista frear bruscamente a pessoa vai parar lá no vidro da frente, sabe?) e – pasmem! – se sentou no meu lugar, deixando a gestante – pasmem!!!! - sentar-se no banco do corredor, sem nenhum apoio para as mãos.

II

Eu estava sentada naquele banco em frente ao cobrador de ônibus, que fica escondidinho. Nos bancos de prioridades, várias mocinhas. Algumas “dormindo”. Entrou uma gestante, que ficou em pé. Lá vai a Melissa se levantar, vem cá, moça, sente-se aqui. Antes de descer ela me agradeceu a gentileza. Enquanto isso, mais dois velhinhos em pé, enquanto as moçoilas, lindas e formosas, descansavam no banco de prioridade. Deu vontade de ser BOCUDA nesta hora e perguntar: Alguma de vocês está grávida? Alguma de vocês têm alguma deficiência ou problema de mobilidade física? Então poderiam deixar estes dois senhores idosos se sentarem no lugar deles??????

Que merda de país, em que as pessoas não tem respeito por ninguém!!!!!!

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já aconteceu com você?

Estou me sentindo absurdamente solitária… não dá nem pra surtar, porque não tenho R$1,00… eu queria estar com amigos, sentada em um bar da Vila Madalena, sentindo ventinho no rosto, batendo papo, dando risada… [olhando gatinhos]…

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publicidade de graça! Mereço um presente!

Duas dicas de site para quem ama Ecoturismo, como eu:

Trilheco

Trilhas e Trilhas

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Ah, o Cinema…

Meu sábado de carnaval foi assim: acordei tarde e vi que a minha mãe deixou uma nota de $50 e seu cartão de crédito sobre a mesa – ok, já posso ir passear, mas não tenho intenção de gastar o dinheiro da minha mãe. Meu pai escreveu uma nota básica: “quero de volta”. É meio vergonhoso, mas esta é a minha situação deste momento. Depois fui assistir Estrelas. Quando acabou Estrelas, coloquei um DVD que  minha irmã tinha recomendado para que conheçamos o mal. Tudo bem que não é preciso assistir um filme de ficção para saber que o mal existe. O DVD é horrível: Os Estranhos, baseado em fatos reais. Neste meio tempo, dei uma bebericada em uma sopa de legumes, mas desisti quando vi uma pele de frango boiando. Depois comi duas colheradas de Nutella, mas estou enjoada. Fiz pipoca e derreti um pouco de Doriana no microondas. Joguei a água de manteiga na pipoca (deu certo). Fiz suco de maracujá e tive a idéia de misturar ameixa. Ficou bom. Subi e vi o resto do filme. A minha irmã chegou, mas já estava saindo de novo para o futebol. O filme terminou e começou a chover muito: o filme era horroroso, deprimente, a chuva também, o suficiente para me deixar adivinha como? Coloquei, então, filmes bonitinhos. The sisterhood of the travelling pants, o filme para o qual eu não dei nada antes de assistir a primeira vez e depois nunca mais parei de ver. Vi o depoimento do diretor e da escritora… dizendo (ambos) que queriam fazer um filme sobre o qual as pessoas certamente se perguntariam: “o quê? É sobre uma calça jeans? Que babaca!”, mas que depois que assistissem, descubram então que se trata do que existe de pulsante na adolescência e que vai bem além de escolher o sabonete certo para o rosto. Toda vez que assisto este filme, choro MUITO. Copiosamente. Eu acho que é porque eu tenho esta intensidade dentro de mim até hoje, embora eu não seja mais uma adolescente. Então, enquanto rolava o filme, resolvi escrever uma carta para minha prima da Lituânia. Chorei enquanto escrevia a carta, porque estava me sentindo sozinha e me lembrei do meu avô. Depois assisti o making off de Save the last dance 1 e 2, outros dois filmes que eu adoro tanto. O que eu mais adoro nestes filmes é a maneira como os personagens enfrentam suas dificuldades e limites. E também, a mistura de ballet com hip-hop. Os diretores são artistas. Muitíssimo sensíveis… chorei o tempo inteiro, porque esta mistura de culturas e misturas raciais (do negro e do branco) me faz lembrar minha relação com o Alessandro. E a ligação que a Sarah tem com o Derek no primeiro filme é muito parecida com a relação que eu tenho com o Alê… então comecei a sentir MUITAS saudades dele…

Tudo isso me faz pensar em quanto desperdicei da minha juventude me protegendo das coisas, meio que com medo da vida e muito de medo de enfrentar as coisas para atingir os meus objetivos e realizar sonhos. O resultado disso é que deixei de viver muitas coisas, como sair e correr os riscos que os adolescentes correm, e coloquei panos quentes na maioria dos meus sonhos, fingindo que não era comigo. O teatro, o cinema, a literatura, a música. Tanto eu podia ter feito… assistir a estes filmes me faz ter clareza sobre isso e todos estes sonhos vêm à tona.

De uma certa forma, também me dá gás: eu ainda tenho [quase] 30 anos e ainda tenho a intensidade de uma adolescente. Com a maturidade de uma mulher de 30 anos.

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passeio de domingo

Fui para Juquehy com duas amigas. Na realidade, eu fiz um bate-volta e agora estou morrendo de inveja delas, que puderam ficar por lá! O lugar é super charmoso… um condomínio fechado super rústico, com uma piscina atrás que ficamos no final da tarde, nadando e brincando, até sentir frio. O mar é aquele mar que te permite ver seus pés… a vista ao redor não mostra nenhum concreto: só existem montanhas, árvores, bambu, sorvetes rochinha. Adorei. Adorei, adorei, adorei… tudo bem que eu voltei cansadona… moída! Mas viver é isso!

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Sincericídio*

Escrevi em um blog de uma determinada pessoa do BBB, e disse com toda a minha franqueza e sinceridade que esta pessoa é um ser acéfalo. Acontece que o comentário seria moderado pela administradora (que nós sabemos quem é). O meu comentário não foi aceito… [rs] :-( Será que era forte demais?

* termo usado por Pedro Bial.

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sobre ter método

Acontece que eu estava baixando músicas do filme Save the last dance 1 e 2. E quando terminei era 1h da manhã. Fui dormir. Mas eis que estou no meu quarto, já com a  porta fechada e vejo com minha visão periférica (qdo vc vê uma coisa sem ver) algo pequeno e marrom na parte de cima do meu armário, que fica sobre a porta (meu armário é embutido). Algumas coisas me paralisam nesta vida, minha gente. Barata é uma destas coisas!!!!! Eu simplesmente não consigo sair do lugar e agir. Não consigo sequer pegar um chinelo e me aproximar. Não podia abrir a porta para chamar alguém, porque ela estava perto da porta e ao abrir a porta com toda a CERTEZA ela ia voar na minha CARA. Então, é aí que entra o método!!!!! O que explica o título deste post. Eu estava dizendo para a minha mãe que se eu fosse a Suzana da novela, já tinha resolvido aquele problema de estar sequestrada a muito tempo, porque é preciso ter método nesta vida!!!! E para resolver o meu problema baratício, eu simplesmente peguei o celular e liguei para a minha casa – onde eu estava. A minha mãe, coitadinha, teve que levantar para atender o telefone sem fio que fica no quarto dela. Atenção para o diálogo:

_ Mãe…

_ Quem tá falando?????

_ A Melissa. Vem aqui no meu quarto.

Mas não avisei sobre a barata, senão ela não vinha. Coitadinha, qdo ela abriu a porta, de fato, a barata caiu quase em cima dela. Sorte que a minha mãe é uma criatura corajosa… e depois de uma saga de alguns minutos para encontrar a barata DENTRO DO MEU QUARTO, ela conseguiu exterminá-la. Meu pai, claro, não gostou nada da idéia:

_ Precisa acordar a casa inteira por causa de uma barata??????

HAHAHAHAHAHA…..

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é difícil se olhar no espelho

Existem algumas coisas difíceis na vida… uma delas é receber críticas negativas. Primeiro porque a gente nunca aceita que é imperfeito… e segundo porque algumas destas críticas nos pegam de surpresa: coisas que nós não notamos que fazemos.

Há alguns dias eu já tinha dito pra minha mãe que eu sou muito arisca com as pessoas. Não é por mal. É o meu jeito de ser, para me proteger. Geralmente com pessoas que eu não conheço bem. Eu disse para a minha mãe que tenho uma postura séria demais, fechada, e isso afasta as pessoas de mim.

Hoje eu recebi um feedback e dizia exatamente a mesma coisa. Acho que sempre que possível devemos aproveitar estas críticas e observações feitas pelos outros, para nos conhecermos melhor. Eu passei a notar que posso conquistar as pessoas facilmente, porque eu tenho um sorriso lindo, mas eu não usufruo dele…

Sei que preciso levar as coisas menos à sério, aprender que existe o cinza, além do preto e branco. Que existe outro número entre o 8 e o 80. Ser mais leve no lidar com as coisas. Cobrar menos de mim e aprender a cobrar menos dos outros. Entender que não preciso ser perfeita e 100% o tempo inteiro.

Eu sei! Acho que agora vai.

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Decisões

Algumas vezes eu fico em paz com as decisões que tomo na vida. Hoje eu abri mão de uma coisa e acho que foi a melhor coisa que fiz por mim e pelos outros.

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vamos afundar em nossos próprios umbigos

Esta frase estava no orkut do meu ex-instrutor da Auto-Escola, o Galo. O motivo pelo qual eu quis colocá-la aqui, se explica no arrepio que você vai sentir quando a ler.

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados Mas como tenho meu emprego Também não me importei. Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo.”
Bertold Brecht (1898-1956)

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menos!!!!!!

Se eu tivesse um minuto de diálogo com o Sr Pedro Bial, eu lhe diria que às vezes ele pega pesado em seus brilhantes e super elaborados monólogos. Não precisa de tudo isso. E hoje, na saída da Mirla, acho que chutou o pau da barraca, julgando uma pessoa em rede nacional. O bbb é auto-explicativo. Eu não preciso de legenda sobre as pessoas, no final. Não precisa humilhar as pessoas com certos ataques freudianos.

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Alegria da minha vida!

Meus pais e seus compadres se reuniram no carnaval… foi uma festinha particular para pessoas acima de 50 anos (quase todos). E eu decidi fazer este videozinho dos velhinhos, porque são definitivamente umas FIGURAÇAS!!!!

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m-e-r-d-a

Alguém tem alguma sugestão do que eu posso fazer nos meus próximos quatro (4) dias de folga????

…sem dinheiro?

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é estranho, mas é verdade

Eu sou vou conseguir evoluir quando eu sair de casa e ficar longe das pessoas que não acreditam em mim.

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falatório

Assisti Deja Vu, eu adoro todos os filmes do Denzel Washington. Sei que é clichê dizer isso, mas sim: ele é TUDO de bom… que hombre!!!!! Pensei coisas, mas não vou escrever aqui. :-D

Depois assisti Babel e acho que Brad Pitt e Cate Blanchett combinam muito. Têm uma química incrível em cena [funcionou tanto que eles contracenam de novo no Benjamim Button].

E pra terminar o post, quero dizer o quanto gosto da nova propaganda da TIM: “não adianta a banda ser larga, se a mente for pequena“.

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do que sei

Eu acho que não existem verdades absolutas, como não existem erros imperdoáveis. Acho que independentemente do que aconteça, o sol sempre vai nascer praticamente no mesmo horário o dia seguinte e se você puder dormir com a janela aberta, vai sentir seus primeiros raios brilharem no seu rosto. Acho que todas as coisas boas vão chegar até você, se você simplesmente se mostrar ao mundo, como num topo muito alto da Chapada Diamantina, de braços abertos, e se você permitir que o mundo te toque. Acho que as melhores coisas do mundo são seus amigos em volta de você em qualquer lugar deste planeta e um beijo dos seus pais no seu rosto. Acho que não adianta se cobrar alucinadamente, porque não somos super pessoas, não temos super poderes e nem somos Jesus Cristo. Inclusive não acho errado sermos imperfeitos. Não é pecado errar. Não é pecado sermos humanos. Não é pecado sentirmos tesão por nossos namorados lindos. Não é pecado sentirmos inveja em algum momento e depois, envergonhados por termos sentido inveja. Não é pecado sermos humanos, porque a graça de tudo é podermos descobrir, dia após dia, a beleza de se crescer. E a beleza de se fazer trinta anos, e sorrir para a vida, mesmo após tantas derrotas. Viver é o belo, por si. Sobreviver, por entre tantas pedras e espinhos, e estar sempre melhor, é a razão de tudo. Não se esqueça de olhar a cor das pétalas das flores, pelo caminho. Tudo isso - o bom ou ruim – é VIDA.

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figurão e figurinha

Meu pai comprou um saco de pirulitos [pra ele]. Depois reclamou, porque eram pequenos demais. Quando a Silvia perguntou para o Raul, da novela, o que ele queria falar com ela, e ele respondeu: são vários assuntos… meu pai olhou para mim e completou: “política, futebol, cinema, teatro…“. E riu. Ele sempre ri dele mesmo… Aí ficou cantando em tom zombeteiro: “quando você me tiver não se esqueça de mimmmm” [acho que eu errei a letra, mas vocês sabem qual é]. Aí ele foi jantar. Fez o prato de dobradinha. Eu olhei e disse: “dãgui”. Ele respondeu: “dog nada”…

…meu pai é minha alegria!

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quem quer, é feliz.

Fui dirigir. Um dia lindo… liguei para o babysauro, fiquei brava, pra variar. Decidi bater o martelo: chega! Fiquei triste. Triste de perder as forças, sabe? De não querer fazer nada. Aí deitei na lajota do quarto, dormi no chão. Mas quando deu duas da tarde e eu olhei para cima, vi o céu azulaço que estava, ainda, porque a janela do quarto estava aberta. E fiquei me sentindo ridícula. Um dia lindo destes e eu dormindo!!!! Coloquei bermuda, chinelos, fui até uma ponta da Av. Engenheiro Caetano Álvares e caminhei, pela ciclovia do meio da avenida, até a outra ponta. Deve ter dado uns quatro quilômetros! :-D

Caminhar é um santo remédio. Você está caminhando, o vento balança seus cabelos, você está de folga, não se sabe que horas são. Apenas que o céu ainda está muito azul, o sol ainda brilha e sua música preferida toca no seu Ipod. Precisa de mais alguma coisa? Eu não preciso.

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Vida inteligente na internet

Para confrontar com nossas opiniões formadas sobre os muçulmanos, indico este blog. Escrito por uma jornalista que morou no Egito e pôde ver e vivenciar algo muito além do que a telinha nos trás…

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Receitinha para jardins descuidados

Quero me apaixonar pela Melissa Brienda Sliominas. Quero gostar dela, admirá-la, respeitá-la. Quero enxergar todas as qualidades que a tornam uma mulher especial e quero transformar os defeitos em oportunidades para crescer. Agora é hora de ser apaixonada por si mesma.

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especial

Depois que a gente cresce, mesmo que não queira, a gente acaba amadurecendo, não tem jeito. A vida obriga a gente a colocar os pés no chão. Mas isso só traz coisas boas. A gente passa a enxergar as coisas de uma maneira mais simples e torna as coisas mais simples, também. E o que era problema, de-repente deixa de ser um. Ou o ovo cheio de pêlos passa a ser um ovo comum! A gente acaba vendo as coisas de uma outra maneira e mudando de idéias sobre elas.

Toda mulher sempre responde a pergunta: “como foi sua primeira vez?”, com uma careta. Comigo não foi diferente. Mas eu fazia esta careta porque lembrando de como foi, quando foi e o mais importante – com que foi, tudo vem junto com todos os traumas e sentimentos não necessariamente legais que existiam em volta.

Eu perdi a minha virgindade com um rapaz mais velho. Eu não soube separar as coisas, como ainda hoje não saberia  porque comigo não existe esta história de sexo sem amor. Uma coisa leva à outra. Eu o conheci na internet e fiquei totalmente apaixonada por ele. Me lembro que eu sentia frio, quando falava com ele. Às vezes tremia!!! :-) E ele sentia o mesmo. Aí a gente se viu e eu decidi não bloquear as coisas. Convivemos por um tempo e claro que eu queria trazê-lo para a minha vida e acabei o assustando com isso. Aí acabou que a gente brigou e eu não queria vê-lo nem pintado de ouro.

O tempo passou e hoje eu acho que perdi a virgindade com a pessoa certa. Nossa historinha maluca não durou muito, mas quantidade não traz qualidade. Ela durou o tempo que precisava. Hoje eu lembro dele com muito carinho. E foi com muito carinho que ele me tratou, nos momentos certos. Com carinho e com romantismo, com companheirismo. Hoje em dia eu me lembro com carinho de um momento que vou guardar para sempre como resumo de tudo: eu estava com medo de sentir dor e ele me colocou em seu colo, e enquanto acariciava meu cabelo, me disse: “talvez você esteja cobrando demais de si mesma. Faça as coisas no seu tempo”.

Atualmente eu tenho certeza de que me entreguei para a pessoa certa. Ele entendeu a minha sensibilidade. Eu não me sinto à vontade para fazer com que ele saiba disso… não quero voltar o tempo, absolutamente. Por isso resolvi expor aqui meus sentimentos, mesmo que tão íntimos. Fica como uma homenagenzinha para ele.

 

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A arte de ser destrambelhada

Quem me conhece sabe que consigo me superar a cada dia na série “Se eu contar ninguém acredita”. Não posso deixar de contar, pois…! Trabalhei da 12 às 18h e saí do aeroporto, vestida inteira de aviação, para uma festa de velhos amigos, onde todos comemoraríamos nossos aniversários (mês de março). Mas eu queria trocar de roupa!!! A dona do apartamento, cujo salão de festas estávamos usufruindo, pois bem, me disse: “vá lá em cima no primeiro andar, a porta está aberta. Se troque no meu quarto”. Subi pela escada de emergência até o primeiro andar. As luzes das escadas são – claro – automáticas. AS luzes do hall não são. Eu saí ao lado do apartamento 11. Ali há meio metro estava o 12. E agora, qual dos dois? Bem, a Nely disse que porta estava aberta. Tentei a porta do apartamento 11, e estava aberta. Não havia ninguém em casa… é aqui. Está todo mundo lá embaixo. Ok. Fui entrando. Entrando. Adentrei a copa, depois a cozinha. Entrei na sala. Estava clean demais. Cadê o armário de bibelôs que a Nely tem??? Como se um raio tivesse atingido minha cabeça, pensei na possibilidade remota, mas muito grande quando se trata de Melissa, de ter entrado no apartamento errado. E tratei de dar o fora dali. Lá fora, no hall, tudo escuro novamente. Comecei a tatear a parede em busca de LUZ. Pasmem, toquei a campainha do apartamento 11. Pensa numa mulher toda vestida de aeromoça, com duas bolsas nas mãos e duas sacolas, entonteada no meio do seu apartamento!!!!!!!! Bem, ali eu já estava do lado de fora e a moça que trabalha na casa da Nely, felizmente, ouviu a campainha da visinha ao lado (que até agora eu não sei onde estava). Perguntei: Onde a Nely mora??? Ela respondeu: aqui, moça!

Pois bem. Era no 12 e não no 11!!!

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se a gente pudesse pular esta parte…!

Reprovei na prova prática do Detran… :-( Primeiro… começou que eu sempre preciso ajustar o banco pra frente, pra frente, pra frente, porque senão meu pé não alcança direito o pedal. E eu ajustava o banco, mas ele voltava. Não consegui travar, e saí do jeito que deu. Mas eu sabia antes de sair que estava ruim e por isso já na hora de colocar a segunda marcha o carro “tossiu” um pouco, porque não conseguia acertar o tal “ponto”. Aí o instrutor (que não era um monstro) pediu pra eu fazer a terceira baliza. Fui, dei a seta direitinho e fiz a baliza: ficou ótima! Ele nem abriu a porta pra olhar! Só que na hora de sair…

…tinha um pálio na baliza de trás, não sabia se ele ia entrar, se ia sair, não consegui ver a cara do motorista, porque o vidro era todo preto! Aí pra sair da baliza eu soltei a embreagem sem acelerar e o carro morreu! Deixei voltar um pouquinho pra começar do zero e nessa ele encostou na baliza de trás.

O erro foi tão besta que até o instrutor não acreditou… :-(

Fiquei normal, tentando levar isso como algo normal, muita gente reprova na primeira e tal e coisa. Só que quando eu cheguei e vi o olhar e a cara de desaprovação da minha mãe…

…desabei.

Obs: amigos e amigas, deixem seus recados de ESTÍMULO, comentem suas experiências, porque preciso muito disso, de verdade! Fiquei MUITO decepcionada comigo… principalmente porque minhas duas irmãs caçulas passaram na primeira… [ ] ´s

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Dando a volta por cima

Fiz minha mãe me levar até as Palmas [infelizmente ainda dependo da ajuda dela], que é o local onde rola exame prático do Detran na Zona Norte. Fizemos o trecho da prova MUITAS vezes, quer dizer, eu o fiz. Dei umas 15 voltas, exaustivas. Até que aprendesse algumas coisas. Não adianta, sei meu processo de aprendizado. Eu demoro pra entender algumas coisas – na prática. Só depois de muitas voltas eu fui entender que o que vai fazer o carro sai do lugar, na ladeira, não é APENAS pisar no acelerador, mas pisar no acelerador ENQUANTO se solta a embreagem, depois de achar o PONTO G (hahahahahahah). Enfim. No fim de tudo, apareceu um carro da PM e nós tivemos que sair de lá, foi até engraçado (lembrem-se que estávamos em um carro comum e não de auto-escola, e o SER que o guiava não tinha permissão para dirigir!!!!). Eu estava saindo do lugar, dando a partida, quando vi, no meio do caminho, que o carro da PM havia encostado. Eu falei: MÃÃÃÃE! E ela disse, calmamente: siga em frente… siga em frente… de modo que eu precisei fazer a cara de “eu tenho carta e estou aqui nestas ruas desertas apenas dando uma volta porque tive um surto psicótico do tipo ‘preciso sair’”. Deu certo? Talvez. Ou então o policial foi legal e quis dar uma de Sócrates: “nada sei”. Eu acredito mais na segunda opção.

Acredito também que esta coisa chamada CARRO está cada dia mais familiar para mim, deixando de ser um OBJETO ESTRANHO ou um INIMIGO. É igual química [não a disciplina, aquele foguinho, sabe?]. Se não tem química entre o casal (o motorista e o carro), não rola.

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Agora ficou legal!

Galera!

Separei os vários-milhares de links que eu tinha nesta página por tipos. Agora fica mais fácil de encontrar o que se quer, ou pelo menos saber do que se trata! Alguns deles eu já consegui colocar para abrir em outra página, assim vocês não precisam ficar voltando, voltando, voltando, que ninguém merece…!

Ah, tem mais! Lá embaixão tem as minhas fotos do Flickr! Sempre atualizadas! Vou colocar também minha página no orkut e outras coisinhas!

Have fun!

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www.pindaiba.com.br

Se você – como eu – trabalha MUITO e ganha POUCO,

Se você – como eu – adora CURTIR A VIDA,

Se você, assim como eu, ama estar com seus amigos, mas não tem um puto no bolso para acompanhá-los,

Se você ADORA uma novidade, um filme legal

Se você curte teatro

Se você curte qualquer coisa que possa ACRESCENTAR na sua vida ou na sua cabeça,

Mas se você – como eu – está na PINDAÍBAacesse:

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Reforma Ortográfica…!

Não sabe se vai hífen ou não? Clica aqui.

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Perfeição existe!

Isso é o que eu chamo de SONHO! Agradeço à minha mana Mi pela indicação.

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crise de risos

Começou com a ridícula cena em que Tarso – finalmente!!! – desce de seu quarto para o convívio familiar, sem porém tirar seus inseparáveis fones de ouvido que ali têm fins terapeuticos. Ele fica sentado no sofá com cara de louco, sorrindo para o nada, enquanto sua lunática mãe [que por razões inexplicáveis leva o meu nome] diz que não, não precisa tirar o fone de ouvido, deixa ele como está. O pai, então, passa a fazer sinais para que ele tire o tal fone, porque ele quer lhe falar. Aparece a cara do Humberto Martins fazendo gestos. Corta para Tarso, ainda sorrindo para o nada. Vem então a empregada, Sheila, ótima, para a função corajosa de lhe despir os ouvidos, para que o pai deste ser pudesse aprovar sua decisão de morar com sua namorada [uma sem noção chamada Tônia, ou seria "Tonha"?]. Achei a cena surreal e senti que ela mexeu com meu estômago, que começou a se contrair. Então, minha irmã Melinda, que estava no quarto comigo [ou melhor, eu estava no quarto com ela, pois o quarto é dela], diz:

_ Você sabe que ela [a tonha] vai apanhar mesmo, né?

_ Dele?

_ É.

Ela disse total perambulando pelo quarto. E fecha pote, e guarda brinco, e dobra roupa e cata chinelo. E assim prosseguiu, enquanto eu respondi:

_ É, as vezes a gente apanha da vida para enfrentar a realidade.

Silêncio no quarto. Melinda não reage ao meu sério comentário no melhor estilo “vesti a carapuça” . Eu acrescento:

- E dói.

Como a gota d´água da profundidade de um assunto diante daquela situação surreal, bizarra e ridícula, Melinda finalmente resolve reagir à minha observação:

_ Olha… eu acho que este assunto está pesado demais para o horário… – diz ela, com aquela inconfundível e peculiar cara de sarcasmo e faz-me-rir.

Foi então que irrompi numa crise infindável de risos à moda: ai que dor de barriga:

_ HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!

No meio da crise toca o telefone, e eu me lembro de que fui a última a mexer no sem fio. Aviso, enquanto o telefone ainda toca:

- O sem fio HAHAHAHAHA está em cima da minha cama HAHAHAHAHA.

Melinda responde:

_ Vai pegar, ué?!!!

Foi o suficiente [e eu não sei por quê] para que eu multiplicasse a minha crise por dois. Talvez por conta da cavalice peculiar da minha irmã: um jeito especial e cavalo de ser e de viver… típico de Melinda Grienda! Tão típico que chega a ser engraçado! Fui então atrás do sem fio, ainda rindo e rindo e rindo. O telefone ainda tocava, quando atendi. Ao invés do costumeiro “alô”, minha saudação foi esta:

_ HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!

Era a minha irmã caçula, Maria Isabel, que certamente iria avisar que ia dormir na casa do namorado, ou pediria para buscá-la no Imirim, ou pediria para abrir o portão. Ela respondeu à minha saudação:

- O que é isso???????????????

_ HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

Minha mãe, então, escutando todo o estardalhaço, resolve fazer a função social e atende ao telefone, tomando- o da minha mão. Minha irmã continua escutando ao fundo:

_ HAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA…

Quando ela chegou em casa, me perguntou:

_ Você quer me matar do coração?

Agora pensa em você ligando para a casa de alguém e ao invés de escutar um “alô”, você escuta um…

_ AHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA….

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O avesso dos ponteiros

(baseado na música homônima da Ana Carolina)

 

O relógio já tinha passado cinco minutos desde o primeiro instante em que olhei. Havia pousado um bem-te-vi na minha janela, mas ele já voou. O sol nasceu e agora já está à pino. Até as nuvens brancas que pareciam cachorrinhos já passaram e a estas horas devem estar deslizando sobre as terras do sul. As ondas chegam, beijam a praia e vão embora. Nunca são as mesmas, mas sempre vêm e sempre vão embora. Ontem pintei as unhas com um novo tom de vermelho. Na semana passada eu usei o tom das jabuticabas.Tem dias que eu uso jeans, tem dias que eu ponho salto. Tem dias que eu tomo água, outros dias prefiro uma cerveja. O verão já era. Já sinto aquele friozinho de fim de tarde ainda de manhã. Hoje cedo eu perdi o metrô. Veio outro atrás, cinco minutos depois. Talvez menos. O filme que eu queria ver na semana passada já não está mais em cartaz. Agora é outro, mas este eu não quero ver. Passei em frente a escola onde estudei. Havia pessoas diferentes em frente ao portão e o desenho grafitte na parede não era mais o mesmo. As vezes anoitece muito depressa. As vezes amanhece devagar. As vezes o ônibus demora pra chegar… nem sempre a musica que eu gosto toca na rádio, demora, mas sempre acaba tocando. As vezes eu demoro pra aprender alguma coisa. Mas eu sempre acabo aprendendo. Tudo vem, tudo vai. Tudo passa por mim bem depressa. Só não passa esta coisa de eu ficar pensando em você. Sempre chega a hora de mudar de estação. E você demora. Mas sempre chega a hora de eu ficar pensando em você…

 

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Eu sou alberguista… e você?

Os hostels prezam pelo espírito de amizade, o sentimento de solidariedade e o desejo de amar. Ser Alberguista é sobretudo amar a liberdade, dignificar a convivência humana e o respeito. A filosofia é que jovens de todo o mundo conheçam através da Hostelling Internatinal, países, culturas, cidades e costumes diferetes e aprendam a respeitar as peculiaridades de cada povo e a conviver em sociedade, contribuindo paa a formação do jovem.

Você paga R$40,00 para fazer a carteirinha, que vale por um ano. As hospedagens são simples, mas super bacanas, confortáveis, com jeito de casa de parente! Você opta por quarto coletivo ou quarto para casal. Se você é como eu, que só precisa de um céu, um sol e uma boa companhia para estar feliz, e não se importa com luxo e ostentação, então vai adorar ser alberguista!

Adoro!!!!!!

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Aprendi a rir de mim mesma

Como vocês sabem, sou Meliiiiiiiiisssssssssa Brienda Sliominas, a mestre em atrapalhadas!!! E estou seeeeemmmpre me superando e trazendo novidades para o Mundo Inacreditável da Mel!!!! hahahahahhahaha!!!!!! A última foi a seguinte: mudei de horário, no aeroporto. Agora eu entro às 06 e saio meio-dia. Maravilha! Uma e meia estou em casa. Só que o meu relógio precisa funcionar, agora mais do que nunca!!! Porque ninguém abre os olhos, do nada, às três e quarenta e cinco da manhã, e diz:

_ 03h45! Hora de levantar!

Só que hoje o celular – não sei por quê cargas d´água – resolveu não trabalhar e quando eu abri os olhos por causa do barulho do secador da minha irmã, olhei no relógio para saber que horas eram e ele marcava – tchan tchan tchan tchan!!!! 06h em ponto!!!!

De agora em diante meu quarto será o quarto do cuco, por razões óbvias! 03h45 será o momento da sinfonia.

hahahahahahaha!!!!

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Make tea not war

Minha amiga Carla me deu estes dois lindos presentes de aniversário. A Carla sempre me surpreende [ainda que eu saiba do que ela é capaz! ] com sua sensibilidade enorme… sempre me lembro de um texto que ela escreveu para uma pessoa querida, que foi uma das coisas mais lindas que eu já li. Verdadeiras, sinceras. Um texto com a cara da pessoa, sabe? Como foto 3×4. Como digital, como a íris dos olhos. Que é pessoal e instransferível. Sempre aprendo muito com esta amiga pra lá de especial. Lá vai os presentes. Ela acertou em cheio!!!

  Saber viver

     Cora Coralina

      Não sei…se a vida é curta
      Ou longa demais pra nós,
      Mas sei que nada do que vivemos
      Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

       Muitas vezes basta ser:
       Colo que acolhe,
       Braço que envolve,
       Palavra que conforta,
       Silêncio que respeita,
       Alegria que contagia,
       Lágrima que corre,
       Olhar que acaricia,
       Desejo que sacia,
       Amor que promove.

       E isso não é coisa de outro mundo,
       É o que dá sentido à vida,
       É o que faz com que ela
       Não seja nem curta,
       Nem longa demais,
       Mas que seja intensa,
       Verdadeira, pura…enquanto durar..

Delaunaydelaunay

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Pede que ela faz!

Estava voltando do shopping [fui pagar contas e gerar outras kkk] e meu bilhete único não passou. Tinha uma rachadura. O cobrador tinha me avisado que eu ia descer pela frente, mas eu estava morrendo de vergonha do mico que seria isto!

O ônibus passou em frente à uma loja e eu vi, aleatoriamente, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Senti uma fé muito grande de que ela ia me ajudar de alguma forma e disse: Confio em você. Tentei passar o bilhete novamente. Nada. Uma moça me cutucou e ofereceu o bilhete dela! Eu disse que não precisava e ela insistiu. Para agradecê-la, eu dei meu chocolate, que era a única coisa que eu tinha.

O cobrador ficou emocionado e tentou disfarçar ao máximo, mas eu percebi!

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dignidade

Existe uma galera, na aviação, que se chama “rampa”. Esta galera são aqueles tiozinhos que ganham – líquido – cerca de R$700,00, e precisam [no caso de Congonhas], colocar ***centos quilos de bagagens dentro de uma aeronave – da maneira certa – em 15 minutos. Depois sair correndo para – também em 15 minutos – retirar as bagagens de dentro dos porões de outra aeronave e levá-las até as esteiras do desembarque, para os passageiros recém-chegados. No caso da TAM, geralmente eles conseguem fazer isso antes dos próprios passageiros chegarem em suas respectivas esteiras, no desembarque.

E em um terceiro quesito, chamado Segurança de Aviação, estes caras ainda precisam parar o que estão fazendo para correr até determinada aeronave, retirar todas as bagagens do porão [que já havia sido carregado] até encontrarem pelo número da etiqueta a bagagem de um passageiro que despachou suas malas o checkin mas não compareceu para embarque. Nenhuma bagagem embarca sem dono. E os caras da rampa precisam fazer isso em tempo recorde, porque o vôo, em tese, ja´está fechado e pronto para decolar. Hoje houve um engano. Eles duas bagagens de um passageiro que não embarcou e um case. As duas bagagens estavam no nome da mesma pessoa e o case de uma outra pessoa. Concluímos que o dono do case estava – sim – à bordo, e então, com o vôo já fechado e com a aeronave prestes a dar push [sair do finger], dois homens da rampa sairam CORRENDO em plena pista, carregando nas MÃOS o tal case que pesava cerca de 15kg, para poder reembarcá-lo à tempo na aeronave. Nesta hora me deu uma vontade de fazer alguma coisa por eles… mas infelizmente eu não posso fazer nada! Apenas escrever neste humilde blog o quanto eu admiro o seu trabalho.

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declaração de amor!

Depois de tanto tempo na corrida, a maturidade me ensina qual é a minha grande paixão… é o que me faz levantar às 03h45 da madruga com disposição, é o que me faz estar trabalhando em pleno Domingo de Páscoa, carregando a bagagem dos outros, espalhando sorrisos e distribuindo apertos de mão… a minha paixão é GENTE! Porque é das pessoas que eu tiro a melhor energia que existe. Estar ali no desembarque no meio de várias e várias pessoas me dá forças. Cada sorriso, ou simplesmente a presença de cada um perto de mim, é minha maior fonte de magnetismo e de boas energias. É calor humano que aquece o meu coração. Pessoas são a minha grande paixão.

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Da série “rindo de si mesma”

De cara do extintor!Caso não consigam entender a histórinha, coloquem o cursor sobre o desenho!

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No frio da madrugada

E aí entenderam a histórinha do post anterior???

Este aqui é para registrar as aventuras de uma assalariada no *frio da madrugada*. Eis que este ser que vos escreve pega o ônibus para o aeroporto às 05h15 da manhã. Quando o ônibus está embaixo de alguma destas pontes da 23 de Maio, uma pessoa desprovida de elegância e bom senso começa a gritar VOCÊ PRENDEU A MINHA PERNAAAA! Você está DROGADOOOOO!!! O motorista desce do ônibus e outra pessoa, sentada atrás de mim inclusive, também desprovida de elegância, mas totalmente provida de bom senso, começa a gritar assim: VAMO EMBORA MOTORISTA, AQUI TODO MUNDO TEM HORÁRIO PRA ENTRAR NO SERVIÇO. Pensei nesta hora como concordo contigo, moço do topete. Porque são quinze para as seis e ainda estamos aqui e eu entro às seis horas. Eu e aquele outro moço ali sentado.  O motorista não deu ouvidos, apesar de não ser surdo. O outro ônibus conseguiu nos alcançar e todos os trabalhadores desceram do ônibus e passaram a se amontar no ônibus seguinte, pela porta de trás. Consegui um lugar para sentar perto da porta do cobrador, assim por um milagre. De-repente passamos a sentir um cheiro forte de MIJO. As moças todas (menos eu, que sou fina) passaram a berrar COMO VOCÊ DEIXA ENTRAR UM BICHO FEDIDO DESTES?????? E o cobrador também gritava para responder que EU NÃO POSSO ENXOTAR O COITADO, ELE NÃO TEM CULPA, NÃO POSSO DISCRIMINAR NINGUÉM. O fedido em questão não estava nem aí para o horário do Brasil, sentado nos degraus da escada da porta próxima aonde eu estava sentada. O cobrador trabalhava com uma mão só, a outra estava tampando as narinas. Eu também. Até que o ônibus finalmente chega no ponto ao lado do aeroporto. Eu já estou com o crachá na mão, preparada para atravessar a passarela da Washington Luíz e chegar até o ponto onde se bate o crachá em dois minutos – no máximo. Sou a primeira a descer, mas lá fico: torço o pé. Todos os homens parados no ponto vêm me ajudar a des-desmunhecar [a cena foi engraçada]. Um moço da GOL ofereceu ajuda para atravessar a passarela. Parei o coisinha de Jesus que também trabalhava na TAM, e lhe dei meu crachá. Ele diz: O QUE FOI? Eu respondo: EU TORCI O PÉ! Bate meu crachá por favor, eu pego com você daqui a pouco. De longe, quem via a cena, achava graça: um homem e uma moça agarrada à ele e pulando em uma perna só, feito um saci. O menino bateu meu crachá às 06 em ponto. E eu fiquei bem quietinha na sala, nem fui para o desembarque. Era o dia da urucubaca!!! :-D

Mas ainda sim fechei o dia com chave de ouro, deixando o seguinte recado no celular do passageiro, dono de um tripé que havia sido extraviado e que havia acabado de chegar:  

_ Senhor fulano de tal, por favor entre em contato com a TAM, sobre o seu tripé.

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK… começaram a rir ao fundo [ minha chefe, inclusive], e eu não aguentei. O recado na caixa postal do cliente ficou divertido…! :-D

TAM é alegria!

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Recado para o Alessandro

Vá à merda.

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faz o coração bater mais forte

Existem filmes que tocam a gente lá no fundinho da alma. Parece que alguém veio xeretar o que tem dentro da gente e resolveu fazer um filme. Destes filmes que têm tudo a ver comigo, recomendo: Beleza Roubada, Garota da Vitrine e Letra & Música. O primeiro fala de deixar que os outros corrompam a pureza dos nossos sentimentos. A segunda fala de solidão e quando o amor chega. E a terceira mostra que amor é parceria… inspirem-se!

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conselhos de uma solteira

Não que eu seja uma especialista, mas acho que aprendi um bocado com meus erros e as bobagens que eu fiz na área afetiva!!! Então vou dividir um pouco destas bobagens e eu espero que vocês acreditem em mim e sigam meus conselhos [não vou cobrar nada, eu juro], porque quando a minha mãe me aconselhou a mesma coisa, eu não dei ouvidos e deu no que deu! :-D

O negócio é que eu venho de uma família de mulheres fortes e guerreiras. Mulher que carpina o quintal, que pega pesado, que arregaça as mangas. O que faz com que eu tenha herdado este sangue quente, e eu não sou a mocinha delicada e frágil: eu pego mala pesada, eu encaro o que vier. Eu boto a cara pra bater, eu encaro uma cauterização no colo do útero sem chorar [a minha médica esperava o contrário], eu faço o que tiver que fazer, sem reclamar que a unha quebrou, que destruiu meu cabelo, que a mala é pesada demais. Pode até ser pesada, mas se ela está ali e alguém tem que pegar, eu vou lá e pego e ponto final.

No quesito relacionamento é assim: se eu quero, eu espero alguns minutos pra ver se o cara se toca. Se não se toca, eu simplesmente vou atrás. Tomo as minhas providências. Se ele tem vergonha de tomar a iniciativa, eu tasco o beijo e ponto. Se eu tô a fim de fazer amor e ele está lento demais eu tiro a roupa inteira e lhe prego um susto [embora só tenha acontecido com uma pessoa]. Se ele fica enrolando eu encosto na parede e cobro clareza nas coisas. Quando ele está esperando que eu aja como as outras e dê um piti, eu chego com a maior civilidade do mundo e ele fica de cara.

Tudo isso significa que eu não sou delicada, não sou submissa, não sou frágil, não sou mulherzinha. E tudo isso assusta os homens. Homens precisam conquistar. Precisam se sentir *machos*. Precisam sentir que dominam a situação [ainda que isso seja mentira]. Homens precisam ter o que descobrir, precisam desvendar mistérios. Se a mulher chega junto e se despe [metaforicamente falando] totalmente, ele não tem mais o que o seduza, o que o conquiste.

Portanto, seja submissa. Isso não significa deixar o cara montar em você. Significa ficar *mansa* e ser um pouco mulherzinha. Mas só um pouco! :-D

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Humor Negro…

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coisas legais

Hoje fui à igreja porque no próximo final de semana vai rolar o 43º Final de Semana de Jovens com Cristo, no qual eu trabalho voluntariamente desde os 14 anos. Um sábado antes sempre rezamos a Missa da Missão. Foi linda, como sempre é. Eu havia pedido um sinal, e este sinal era ver um fusca azul em frente à igreja. Eu cheguei na igreja – que fica em um bairro rico e eu jamais vi um fusca por lá – e lá estava um fusca azul de doer os olhos. :-D Depois teve uma palestra de uma jovem de 29 anos, que frequenta um outro encontro de jovens, de outra paróquia, desde os 14. O tema de seu testemunho era sobre Perdão. Ela foi estuprada por uma pessoa próxima, várias vezes durante a infância e adolescência. E perdoou esta pessoa, a ponto de hoje em dia conviver com ele numa boa. Tomar café da manhã junto, jantar, etc. Achei tão corajoso da parte dela, expor seu sofrimento e reviver este sofrimento, na frente de toda aquela gente… no fim da palestra ela ainda disse umas coisas que me fizeram chorar, porque eu havia prometido a mim mesma que este seria o último encontro que eu trabalharia, por decepções que tive com algumas pessoas. Aí ela disse uma coisa e eu entendi o recado. Ok, ok. Eu vou continuar tentando! Sei que precisam de mim, por lá. E depois falou sobre o fato de que pessoas divorciadas não podem comungar, na igreja católica. Aconteceu com ela. Quando ela começou a falar sobre isso, eu me lembrei de um casal muito próximo a mim que vive esta situação, mas este casal não estava. Mas chegaram, quase no mesmo instante em que eu comecei a pensar neles.

São pequenos sinais, que são mandados, e quem tem sensibiliade entende. Deus fala a sua língua. Ela pode ser simples, ele fala sempre a sua língua. Eu pedi o sinal do fusca azul, e Ele mandou.

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quero ir para a Irlanda

No fim das contas, ontem, acabei não indo à festa da empresa lá do outro lado do mundo e fui dar uma volta com o Jota, Luiz, Carol e Adriana. Nosso plano era ir ao cinema, mas só tinha em cartaz em plena madrugada o tal Evocando Espíritos e achamos que… não valia a pena! :-D Então passamos no Habib´s [nunca mais como um kibe na minha vida... arghhhh] e depois fomos assistir dvd na casa da Carol. E o dvd era o PS.: Eu te amo. Eu confesso que não dava muito por este filme, achava que era mais uma comédiazinha água com açúcar. E como sempre, quando isso acontece, me surpreendi no final. Haja vista que quando apostaram que eu choraria, respondi que não: sou durona. O resultado foi que meu rímel borrou meu rosto inteiro. Nunca subestime ninguém e nada, pessoas. Vocês sempre se surpreendem no final. Ou subestimem, se o plano for justamente estes: surpreender-se!!! :-D

Preciso dizer também que fiquei apaixonada pelos dois cantores com quem a Hillary Swank se envolve, os dois irlandeses. E também pela Irlanda!!! O primeiro [seu marido], é do tipo “eloqüente”, aquele que enche uma sala, que chama todas as atenções para si, não porque é bonito, mas porque tem presença de espírito, inteligência e sensibilidade. E uma porção de outras coisas. Qualidades e defeitos que acabam sendo tudo de bom, também! E o segundo cara, o William, é do tipo calado, mas perigoso… entendem? Adorei o jeito como ele a recebe no bar, super receptivo [diga-se de passagem!!!]. A doçura que o ator deu para o olhar do personagem e o seu jeitinho carinhoso. Me derreto, né. Pois é, o que dizer. Que mulher não gosta de um homem carinhoso??? Ainda mais se for irlandês…

Mas kibe, jamais.

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burguesinha, burguesinha, burguesinha…

Eu acho assim. O Seu Jorge é tão inteligente, será que não dava pra escrever umas letras mais legaizinhas…?

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A moça querida, a moça falida e o porco

porco-cofre

Esta história merece estar no meu blog. Ontem à noite queria sair, queria sair, queria sair… porque ficar em casa me dá faniquitos, há tanto o que se viver e se descobrir, entende?? Só que eu não tinha e não tenho um centavo no bolso e na conta e em lugar nenhum. Nem que eu chacoalhe todas as bolsas guardadas no armário e fuce nos bolsos de todas as calças, não vai cair uma moedinha sequer. Mas decidi sair com meus amigos mesmo assim e tentar conseguir um empréstimo consanguíneo. Pedi algum pra minha mãe, mas ela disse que não tinha dado para a caçula e que não me daria [ok, concordo]. Fui na minha irmã do meio, a Melinda, pois. Você tem uma nota de dez pra me emprestar até o fim do mês? [que pobreza] E ela disse que não tinha. Quando percebeu que eu ia sair sem dinheiro, pegou seu porco-cofre, com o qual estava juntando dinheiro há mais de um ano, e levou até o meu quarto. Esperaí que eu vou pegar um martelo, disse. Eu peguei o porco e o coloquei atrás de mim. Ficamos cerca de três minutos [ou mais] nesta lenga-lenga:

Melinda: Vai Mê. Dá o porco. Coloca ele aí em cima.

Melissa: Não, você não vai quebrar o seu porco.

Melinda: Vai Mê.

Melissa: Não.

Melinda: Vai Mê.

Melissa: Não. Você não vai quebrar o seu porco.

Até que eu resolvi a história com um categórico: NÃO!  EU SOU MAIS VELHA, ME OBEDEÇA!!! E ela obedeceu!!! Aí ela foi até o meu pai e conseguiu R$15,00, dos quais eu só gastei R$5,00, entre outras coisas, num horroroso kibe.

Entretanto, o gesto singelo da minha irmãzinha vai entrar para este humilde blog, como uma das coisinhas que eu quero guardar na minha caixa de lembranças, para não esquecer jamais. Como se fosse fácil.

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coisas de macho

Eu estava passando creme nas mãos. Meu pai estava sentado ao meu lado lendo a revista do Compre Bem. Perguntei: quer passar creme? Ele respondeu: Eu não! Não sou viado!!!

:-D

 

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o critério.

No meio de tanta fofocaiada, de tantas intrigas, de tanta gente falando da gente pelas costas, pessoas se fazendo de amigas… resolvi dar valor para aqueles em quem posso confiar. O resto que se foda. É.

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bota, terra, sertanejo, camisa xadrezinha…

Eu quero ir pra Jaguariúna!!!

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só comigo?

As vezes dá uma sensação de que a vida está travada? E dá um desespero?

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balanço semanal

Das coisas ruins que aconteceram nos últimos dias: todos os passageiros mal educados que atendi, que não sabem dizer um obrigada ou tratar-nos como gente. A vaca da empresa brasileira de infraestrutura, com quem discuti. Assim que ela viu que aquilo me irritava, ela passou a me provocar ainda mais, com sarcasmo e ironia. E a maneira como fui tratada ao telefone por um amigo que pelo jeito não é meu amigo faz tempo, mas como sempre insisto em perder meu tempo com quem não vale a pena… e claro, minha segunda reprovação na prova prática do Detran, depois de ter concluído o percurso da prova com quase perfeição [o carro não morreu, não desceu no declive, não trepidou, passei na baliza de primeira] porque ao estacionar o carro no final da prova, a roda esbarrou na guia [imbecil!!!!]. Agora vou gastar mais dinheiro pra remarcar outra prova…

Das coisas legais… mandei fazer uma camisa e um vestido xadrez [amo!] e ficaram liiiindos!!! Reencontrei uma professora da época do teatro, que tem uma energia muuuito boa e que só me faz bem [ótima parceira de trabalhos]. Saí pra comer com a minha família [é sempre bom]. Minha irmã caçula está arrasando no TCC. E eu recebo comentários e elogios todos os dias, a respeito da minha coluna para jovens no jornal da igreja: ”Tá ligado?”. A última, falou sobre dar ouvidos às nossas mães.  

Estou com medo dos cortes na TAM. [!] Deus me proteja…!!!!

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das coisas bestas

Quero dizer aqui, que quando vocês vestirem uma idéia, saibam filtrar as coisas, pesar os prós e contras e não mastigar tudo o que chega pra si. O fato de eu adorar música sertaneja, camisa xadrezinha, botas, terra, cavalo, mato, céu de interior e Victor e Léo, não significa que eu goste daquela coisa sem função que é o rodeio. O cara sobe em cima do bicho e o que o boi, touro, sei lá, faz, dentro da arena, é uma reação à agressão que está sendo feita à ele. O bicho não foi feito pra subirem em cima dele. O show que todo mundo faz gira em torno de uma agressão que é feita ao animal, ali. Aquilo  pra mim é algo besta, como o boxe, por exemplo. Ou algumas das videocassetadas do Faustão. Não tem função nenhuma. Um show feito em cima de uma agressão: não tem graça.

Mas se as pessoas se agridem mutuamente, claro que elas não vão estar nem aí pro boi. Né.

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nem à pau, Juvenal.

Não existe coisa mais bizarra neste mundo do que fazer papanicolau. E toda vez que eu faço isso, tenho certeza de que eu jamais estaria ali naquela posição se o médico fosse homem.

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Cruzeiro do Sul

cris i eu cutExistem muitas coisas sobre a minha pessoa que vocês não sabem! Que do 1ro ano  do colegial ao terceiro, estudei com as mesmas pessoas e vivi uma amizade de cinema com três garotas surtadas, mas que eu amava… a Cíntia, estava comigo desde o primeiro ano de verdade. No começo ela andava com o cabelo sempre desgrenhado e preso num rabo baixo. Usava roupas largonas e tinha um quê de revoltada… vivia tirando sarro da minha cara, principalmente porque eu era a fim de um cara do primeiro J, e toda vez que ele aparecia na porta (eu sentava na cadeira da porta) para pegar minha apostila emprestada, eu – sim – emprestava, mas não abria a boca e ficava vermelha-malagueta. Eu olhava para o meio da sala e lá estava a dona cíntia rindo da minha fraqueza! Só eu e ela entendíamos, porém. Nossa primeira conversa foi à queima – roupa. Estávamos na aula de educação física, quando ela se aproximou e me perguntou: “qual é a sua opinião sobre a francislene?”. Depois, virou a neguinha maluca que chegava na aula, à noite, escutando samba no walk-man [sim, walk-man], com cabelos molhados, calça larguinha e umbigo de fora. No segundo ano, conheci a Cris P. Nós éramos muito diferentes. Ela não tinha juízo, era inconstante [mais do que eu], vivia atrasada e mesmo assim todo mundo adorava ela – eu, inclusive -o que me gerava um pouco de ciúmes. Mas ao mesmo tempo nós eramos muito parecidas. A gente vivia reclamando e chorando pelas mesmas coisas. O mundo não era justo, ninguém prestava. Nossas cartas tinham 3 páginas. Eu achava a Cris mais bonita do que eu – e ela era mesmo – e convive com isso ao mesmo tempo que ser – e querer ser – amiga, era uma luta. Eu me lembro da competição, mas eu não podia ficar sem falar com ela!

E tinha a Inara. Mas esta eu conhecia desde os 09 anos. Na quarta série ela se sentava ao meu lado, era quietinha e tinha o cabelo com o mesmo corte do chitãozinho e xororó. Vivia – já naquela época – no mundo da lua, mas ainda assim era a MINHA referência para tudo, porque a Inara fazia visitas esporádicas na lua, enquanto eu *montei meu acampamento por lá*. Eu comecei a frequentar a casa dela – que era DEMAIS! – e adorava tomar café na casa ao lado (da avó) e escutar os seus dois papagaios centenarios conversarem [com a avó!]. Também adorava o porão, que parecia um filme de terror, tipo o castelo ratimbum. Ela era suficientemente zen para simplesmente NÃO reagir quando a Cris e eu encontramos uma barata na tela da janela do quarto, em Bombinhas [SC]. E teve o dia em que ela estava – lá – meio deprimida, tinha passado o dia inteiro sem abrir a boquinha. Até que eu perguntei para os seus tios se “é verdade que cobra voa?” e consegui arrancar um sorriso de sua carinha. Ela ergueu os olhos, interrompendo suas palavras cruzadas. Seu olhar quis dizer assim: “Será que eu ouvi direito?”. Nós tivemos várias histórias, a Inara e eu. Até hoje nós lembramos da risada travada de uma menina da escola. Parecia que ela sofria para rir. E da bunda dos meninos jogando vôlei. E nós estudamos juntas em várias outras séries. Fomos acompanhando o crescimento uma da outra. Chegou no colegial. Eu caí no segundo A, e ela, com a Cíntia e a Cris (q até então eu não conhecia), estavam no segundo C. Eu simplesmente fui lá na secretaria e pedi transferência!

Então vivemos os melhores anos, as melhores histórias. Um dia fomos juntas até o shopping west plaza, recomendadas por uma amiga da sala, a Laura, para preechermos ficha para um estágio [fazíamos colegial técnico]. Me lembro da aventura: quatro loucas que não tinham roupas sociais no armário e abriram o guarda-roupa da avó e pegaram as suas saias longas. Depois, desceram no meio da Francisco Matarazzo – que estava em obras – e ficaram pulando as cercas das obras [de saia e salto]. Uma de nós, não me lembro quem, arranhou a perna, foi à entrevista com a perna sangrando. Três de nós fomos chamadas. A Cíntia não.

Nosso trabalho era anotar as vendas de determinadas lojas dentro do período. Ia cada mocinha para sua loja. Na hora do almoço, alguém descia para cobrir os 20minutos do nosso almoço [agora vcs entendem pq eu como tão rápido?]. E as vezes calhava de Cris, eu e Inara, cobrirmos o almoço umas das outras. Nestas ocasiões, escrevíamos cartas, bilhetes…

As cartas da Inara eram hilárias! Ela dizia que queria ir embora para Sirius, conhecer o comandante Zarag. Ela divagava, parecia que fumava um beck antes de escrever [não fumava!]. Nós ríamos sozinha com suas cartas. A Inara era mais divertida e menos dada à sentimentalismos. Não externava suas emoções muito facilmente. O que tornava comovente seus raros depoimentos como “nossa amizade é eterna!”. Já a Cris, desabafava suas brigas, conflitos, sonhos e pensamentos nas folhas, e suas cartas eram longas. Ela tinha alguns jargões: “doidinha”, “bunitinha”.

E tudo isso foi pra dizer que ontem à noite eu encontrei estas cartas. Chorei, ri. Quando voce tem a oportunidade de se ver, muito tempo atrás, pode ter o privilégio de sacar que sempre *acha* que tem problemas, e que sempre *acha* que eles durarão para sempre. Nossos problemas eram tão banais! Os pais, ninguém me entende, vamos fugir juntas. Ah, os sonhos impossíveis dos adolescentes. Nosso ídolo era o Renato Russo. Hoje não suporto ouvir as músicas dele! Nosso hino era “Teatro dos Vampiros”. A gente adorava cantar e mostrar para todos como éramos imcompreendidas. Nós não éramos. Nós eramos adolescentes! ;-) Eu namorava um menino bonitinho e inteligente, chamado Kléber, que eu fui terminar *do nada*, na sala da minha casa, na primeira vez que ele foi lá. Lembro que ele ficou mal, chorou e tudo. Quantas burradas!!! Quanta pasmaceira, heim, dona Melissa? Ele foi o único que gostou de mim de verdade, que sofreu por mim. Que chorou por mim. Pois é. Lendo as cartas da Inara e da Cris, e até as minhas, pude entender que provavelmente, no futuro, quando ler meu blog e minhas confissões de jovem-balzaquiana, tambem vou achar graça e tudo o que me faz sofrer, hoje, terá passado.

E eu resolvi falar mais sobre isso e sobre minha maravilhosa amizade com a Cíntia, a Cris e a Inara. Aguardem!!!

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família que não existe

Então ontem eu encontrei a Inara e a Cris, depois de dez anos juntas novamente. Fomos no Center Norte e elas queriam ir no Mc Donald´s pra comer  e conversar. Eu não pude comprar um lanche, porque tinha só R$8,00 na conta. Comprei 3 nuggets [!]. Estava morrendo de fome, fiquei olhando minhas duas amigas comerem seus lanches, mas não demonstrei. Pensei: quando chegar em casa vai ter alguma coisa pra comer, sempre tem, todo sábado tem.

Cheguei em casa, estavam meus pais, irmã e cunhado em volta a mesa. A travessa de pizza, vazia. Fiquei brava, perguntei porque não haviam me guardado um pedaço, etc. Aí a minha mãe pegou outro disco de pizza e começou a fazer outra.

Eles disseram que eu fui grossa, que eu dei patada… fiquei quieta e minha consciência estava tranquila, porque não fui, e não tive a intenção de ser. E quando respondi, disse que eles sabiam que eu não tenho dinheiro pra comer fora [estou vendendo meu VR pra pagar a auto-escola].

Quando a pizza ficou pronta, meu pai me chamou, me chamou de “cavala”. Eu repeti: eu não fui grossa! Apenas respondi que nao tinha dinheiro para comer fora,  e vocês sabem disso. Aí, minha mãe respondeu, na frente de todo mundo e do meu cunhado:

“Isso não é problema nosso”.

E eu perdi totalmente a fome.

*

Hoje, cheguei do trabalho e quis ficar com meu pai,na casa da minha avó [que está vazia, porque ela morreu] no bairro do Chora Menino. Deu pra tirar um cochilo em um colchão que tinha no quintal. Depois, meu pai tocou no assunto e disse que não tem obrigação de guardar nada pra ninguém. Que só tinha obrigação comigo até meus 21 anos.

Eu peguei minha mochila e fui embora.

Eu só sei de uma coisa: obrigação ou não-obrigação, se eu fosse  a mãe e eles os filhos, eu teria guardado o pedaço de pizza para eles.

*

No dia das mães escrevi um texto para o jornal da igreja e o dediquei – em alt e bom tom – à minha mãe. Depois eu disse que gostaria de ter passado na prova do detran, a minha CNH seria seu presente. A prova era um dia depois do dia das mães. Ela nem me agradeceu pelo texto. Nem comentou. E  sobre a CNH, ela disse:

“eu preferia que você tivesse dado entrada no material de construção que eu preciso, na Telha Norte”.

*

Eu gostaria de poder dar dinheiro para meus pais. Pagar a assistência médica. Ou que eles se orgulhassem de mim. Mas aquilo que eu posso oferecer, não os interessa. E quando eu digo que estou passando por uma fase difícil, escuto o seguinte:

“você era para estar muito melhor de vida”.

*

Eu NÃO SUPORTO MAIS toda esta humilhação. Tudo isso me deixa profundamente infeliz. Queria voar

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“Pérolas aos porcos”

Há quatro anos atrás, quando conheci o motoboy chamado Alessandro Rodrigues Soares, eu de cara morri de vontade de ficar com ele, porque ele tinha um jeito diferente e especial. Pedi para um amigo em comum fazer o que eu nunca havia pedido antes… “agitar ele pra mim”.

De modo que desde o começo, esta pessoa sabia que eu era a fim dela [dele]. Como ele não tomou iniciativa alguma, eu deixei rolar e acabamos virando amigos. Ele me contou quando começou a namorar, ficou noivo, mostrou foto da filha, etc. Depois que desmanchou o namoro, eu parti pra cima, mas ele não ficou comigo imediatamente. Eu fiquei com ele três anos depois que nós nos conhecemos e foi muito bom. O beijo mais gostoso de todos os outros, a pegada mais foda, tal e coisa. Eu já adorava o cara, por sua simplicidade. Depois que nós ficamos fiquei apaixonada, como não poderia deixar de ser. Na segunda vez que a gente saiu a gente só não transou porque ele não tinha camisinha. A química era ferrada entre a gente, fluía, não dava pra conter. Mas ele evaporou, qundo começou a perceber que meu lance era sério. E eu comecei a surtar e ligar para ele sempre, inventando alguma desculpa, até porque antes de eu ser desligada da empresa onde nós trabalhávamos juntos, nós nos víamos todos os dias e eu me acostumei a tê-lo sempre por perto para conversar, e sentia muita falta das nossas conversas, longas conversas. De verdade. Como ele não dava chances para nos vermos, eu ficava ligando, a gente batia papo por telefone. Eu escrevi pra ele várias cartas [ele não tem e-mail] abrindo meu coração e dizendo que queria conversar, ele não respondeu nenhuma. Até que eu comecei a ligar e ele começou a desligar o telefone na minha cara, dar sinal de ocupado. Pra mim, se fazia de desentendido. Eu mandava torpedo, recebia confirmação de recebimento, e ele dizia que não recebia nada. A pegada passou a ser esta. Até que um dia ele ficou de passar na minha casa pra pegar uma coisa que eu tinha pra ele, e me disse pra eu esperar. Eu fiquei esperando – sentada – ele não aparece e não ligou avisando porquê. Eu entenderia, pegaria minha bolsa e iria até o shopping pagar minhas contas. Depois disso, escrevi uma carta dizendo que há seis meses eu estava tentando conversar com ele, porque não gosto de histórias mal resolvidas e quero nossa amizade como era antes. Ele não respondeu.

Ontem uma amiga nossa em comum me liga e me diz que eles conversaram, e ele disse que “gosta muito de mim, mas que eu confundi a amizade”. Ele disse pra ela que só saiu comigo uma vez [foram três] e que não rolou nada, e mesmo assim eu ligava pra ele o tempo inteiro.

Eu quis relatar isso aqui no blog, porque esta já é a terceira história mal resolvida na minha vidinha amorosa. Escrever é desabafar, é colocar pra fora. Na realidade o cara não presta. Ele mente, ele dissimula, ele finge. Ele tomou a decisão de ficar comigo quando éramos muito amigos – não foi eu quem o beijou, como fiz com outros rs – ele tem acesso à mim de uma maneira que poucos tiveram e diz que eu estou confundindo a amizade… Não, ele não deu margem nenhuma pra isso… insisti tantas vezes para conversarmos, porque se ele não queria mais ficar comigo – tudo bem, eu sou adulta e não vou ter um chilique – mas que nossa amizade estava abalada e eu precisava colocar os pingos nos ís. Ele foi homem pra me agarrar dentro do carro, mas não foi para olhar nos meus olhos e dizer o que pretendia e o que não pretendia, como o Leandro, amigo dele de 22 anos, faz.

Lembrei daquela frase… “……”

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Caminho das Índias

Esta novela das 20h está tão chata, né???

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e o pulso ainda pulsa

É dor nas costas, dor no queixo, de cabeça, na nuca, é cisto, má oclusão… estou ficando velha! Todo dia tem uma dor nova!

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Halo

Sua voz é incontestavelmente fenomenal! A performance é sempre forte e viva, ela não está ali pra fazer H, ela incorpora a música que está cantando. E esta música é simplesmente maravilhosa. Vale o post.

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“eu te amo” em lituano

 As tave myliu

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stuck in a moment

Decidi que eu vou procurar uma psicológa… preciso deixar o passado. Preciso trazer as amizades, os relacionamentos, as experiências, sem que a nostalgia deles venha a me entristecer e me entorpecer, como ainda acontece. Pessoas que nem se lembram mais de mim ainda estão nos meus pensamentos. Histórias mal resolvidas… por que o ser humano leva sua própria história com a barriga? Esconde nas frestas das portas que se fecham, mas quando elas se reabrem, tudo continua lá… e eu quero um dia poder reabrir determinadas portas e não ver ali os mesmos rostos…

Acho que estou descobrindo que deixei minhas chances passarem! Eu fico me perguntando se é só um amigo… por que você *causa* tanto o quanto *causa* quando a gente se vê? O que foi tudo aquilo que nós sentimos quando a gente se abraçou naquele dia? E aquele dia em que nós ouvimos “stuck in a moment” sentados sobre a sua cama, mudos, mas sem precisar dizer nada…? Estou começando a entender que talvez o que aconteça com estas duas pessoas é que é muito mais fácil estar *longe*e deixar pra *lá*, do que arranjar *confusão*se as coisas que ficaram escondidas pelas frestas das portas forem levadas em consideração. Porque se depois de 12 anos, eu reabri a porta e você ainda está lá, fico pensando que não deve ser bobagem. E eu preciso resolver isso, se quiser que minha vida saia do lugar…

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Meu quarto…

A Mirelli me mandou um teste bem legal que dá pra fazer neste site. Eis o resultado:

SENTIMENTAL

Seu gosto revela um apego às lembranças e a tudo mais que desperte emoções ou sensações (não seria estranho encontrar aromatizadores ou velas na sua cabeceira, por exemplo). Isso não tem a ver com saudosismo, mas com a forma ‘apaixonada’ com se lança em projetos ou relacionamentos.

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alguém conseguiu traduzir minha filosofia de vida

“what you see depends on where you stand
And how you jump will tell you where you’re gonna land”

American Prayer – U2/Beyoncè

“o que você vê, depende de onde você está firmado; e o modo como você vai levantar vôo, vai dizer sobre  qual lugar você vai pousar.”


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tô fora!

Joguei o cara do Crepúsculo no Google, pra vê-lo com uma cara mais saudável. Não é que o cara tem cara de vampiro mesmo?

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pensando alto

Às vezes eu me sinto oprimida…

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“Ela tem o tempo dela”

Deus disse.

Não adianta ter fé em Deus e não tê-la em mim.

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cante bem alto

Vivo encantado de amooooooooooooooooor
Inebriado em vocêeeeeeeeeeeeee
Suave veneno que pode curar
Ou mataaaaaaaaaaaar sem querer por querer
Essa paixão tão intensaaaaaaaaaaaaaaa
Também é meio doençaaaaaaaaaaaaaa
Sinto no ar que respiro
Os suspiros de amor com você
Suave veneno vocêeeeeeeeeeeeeee
Que soube impregnaaaaaaaaaaaaaaar
Até a luz de outros olhos
Que busquei nas noites
Pra me consolaaaaaaaaaaaaaaar
Se eu me curar deste amooooooooooooor
Não volto a te procuraaaaaaaaaaaaaaaaar
Minto que tudo mudou
Que eu pude me libertaaaaaaaaaaaaar
Apenas te peço um favor
Não lance nos meus
Esses olhos de maaaaaaaaaaaaar
Que eu desisto do adeus
Pra me envenenaaaaaaaaaaaaaar

…Suave Veneno/Nana Caymmi

[a minha mãe está tentando dormir e eu escuto esta música em volume alto, ja escutei quase dez vezes. Pensa numa pessoa cheia de fúria...!

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perninhas-turbo

A ciência comprova: eu sou mais rápida do que um ônibus! :-D No caso, a ciência seria o meu relógio de pulso. Saí ontem do aeroporto às 17h, peguei o 175T – Santana. Eu só tinha R$2,30 no bolso e meu bilhete único estava com o chip quebrado, não funcionava. Desci em Santana e fui de lá até a minha casa, no Lauzane Paulista, à pé. Cheguei em casa 18h45.

Hoje, fiz o mesmo trajeto; porém, já de posse de um novo bilhete único, fui para casa de ônibus. Cheguei em casa 19h10. :-D

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tal qual!!!!

Fiz um teste de quase 100 perguntas em um revista para saber a cor da minha aura. Eis:

A cor da sua aura é:
Dourado-Amoroso
Abstração, gentileza e generosidade. Sua mente está sempre fervilhando de idéias, mas você sente dificuldade em colocar tudo no papel e priorizar tarefas. Procure não se envolver em mais compromissos do que consegue cumprir.

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a poesia ideal…!

Eu adoro fazer testes! Este, diz qual é a poesia ideal para presentear meu [suposto] namorado. Eu a-do-ro poesia!!! O resultado? Nada mais perfeito!! Adorei!!!!

No dia em que fazia anos

Pois os prados, as aves, as flores
ensinam amores,
carinhos, e afetos:
venham correndo
aos anos felizes,
que hoje festejo:
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem atentos
as aves cantoras
as flores fragrantes
e os prados amenos.

Pois os dias, as horas, os anos
alegres, e ufanos
dilatam as eras;
Venham depressa
aos anos felizes,
que Amor festeja.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem deveras
os anos fecundos,
os dias alegres,
as horas serenas.

Pois o Céu, os Planetas, e Estrelas
com Luzes tão belas
auspiciam as vidas,
venham luzidas
aos anos felizes
que Amor publica.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem um dia
a esfera imóvel,
os astros errantes,
e as estrelas fixas.

Pois o fogo, água, terra, e os ventos
são quatro elementos,
que alentam a idade,
venham achar-se
aos anos felizes
que hoje se aplaudem.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem constantes
a terra florida,
o fogo abrasado,
o mar furioso,
e as auras suaves.

A obra de Gregório de Matos é de domínio público (www.dominiopublico.gov.br).
Escrito no século 17, este poema não tem data exata de publicação.

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Providencial…

Para as mulheres perto dos 30…

Para as mulheres de 30…

Para as mulheres de mais de 30…

Leiam. 

E leiam.

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segurança

A realidade é a seguinte. Se o avião fosse *o transporte mais seguro do mundo*, não seriam dizimadas 228 pessoas. E 199. E milhares e milhares. É uma pena… será que um dia poderemos voar em paz?

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Ausência

Eu não tenho o que dizer.

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Qual você curtiu mais? Comente!

cor de melfranjinhamais loiraloira com franja rs

Quer testar? Vai .

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Sodoma e Gomorra

Vocês sabiam que pelo Governo ou Prefeitura de São Paulo (ou ambos), a Av Paulista só pode sediar [de sede... entao é com S, né?] três eventos por ano? Vamos fazer as contas:

1. Reveillon

2. Corrida São Silvestre

3. Parada Gay

4. Marcha pra Jesus…

…vocês conseguem adivinhar qual dos dois últimos foi vetado…?

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F L Y

Verdade seja dita: nunca gostei de nada que a Wanessa Camargo fazia. Acho que o tipo de música que ela canta não valoriza sua…voz. Mas tenho escutado no rádio uma baladinha tão gostosa de ouvir, e achei que esta tal de “Wanessa” fosse mais uma destas cantoras internacionais que surgem do nada. Quando percebi de quem se trata, tive uma agradavel surpresa! Parabéns, moça!!! A música é DEMAIS, ela canta bem e a parceria com o Ja Rule foi ótima! Adorei! Gostei da ousadia. Não da pra incorporar o clipe, mas vale a pena dar uma olhada.

Tudo bem… eu sou suspeita pra falar qdo se trata de HipHop. Mas adoro surpresas!

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evoluir a cada instante

Exageros à parte,  já li por aí sobre pessoas que gostam de sofrer. Não vamos ser hipócritas! Todo mundo quer ser feliz e atingir suas metas. Mas eu confesso que nestes últimos meses de angústias, conflitos, saudosismos e medos, tenho amadurecido muito. Você atinge um grau – pequeno que seja – de resiliência, maturidade ou serenidade: ficar com a cabeça no lugar para analisar as situações e o que elas estão pedindo. É através do sofrimento que a gente se desenvolve. Aprendemos coisas sobre nós mesmos. E não é nem porque é sofrendo que se aprende…. nah! É porque somos preguiçosos, somos pequenos demais: nós não conseguimos nos observar a ponto de saber onde e quando precisamos mudar. A vida força a barra. Deus não se intromete: Ele não vai te tirar a chance de amadurecer! Não tem outro jeito. É através da superação que a gente acaba descobrindo que tudo o que a gente teme é coisa da nossa cabeça. Por isso ao invés de reclamar da vida e achar tudo difícil, páre e se pergunte: será que existe alguma coisa que eu possa fazer para resolver isso? Sempre tem. Tudo depende SÓ da gente. Nosso futuro está em NOSSAS mãos. Se você está preparado (a) pra encarar, vai pra briga! Se não está, então trate de MUDAR. Porque tudo só depende de você.

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Cinema! Oba!!!

Acabei de chegar do cinema. Assistimos [mamis & I] Intrigas de Estado. Momentos hilários: a minha mãe lê as legendas como quem reza. Ela não sabe o que é combo. HAHAHAHAHA!!! Ficou esperando o preço da Coca-Cola pra pagar tudo. Eu disse: mãe, a coca está inclusa! Foi ótimo.

Quase infartei: filme sensacional. Crowe rocks. Ah, o jornalismo… a maior besteira que eu fiz na vida foi ter trocado o jornalismo por teatro. Teatro está no sangue. Só preciso de um palco pra fazer. O jornalismo também está, mas eu preciso do diploma pra exercer. Com razão. Recomendo o filme. A história é ótima.

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O doce do dia

O sr Ivan estava indo para Belo Horizonte, quando quis fazer uma ligação antes de embarcar. Ao procurar o celular, percebeu que o deixou sobre a mesa, e embaixo dele, todos os documentos dos quais iria precisar. Então o Sr Ivan desistiu de embarcar e sua bagagem foi devolvida. Ele precisou ir até o desembarque para retirá-la, e foi lá que nos encontramos. Eu liguei para a rampa e vi que eles já estavam no avião procurando pela bagagem, lá no porão. Pedi à ele que aguardasse alguns minutos. Ele se sentou no banquinho próximo à esteira 01 e eu fui atender dois vôos na esteira 4 e 5. Quando retornei, ele ainda estava próximo à esteira 01. Usava um terno xadrez estilosíssimo, calça e chapéu. Eu parei ao seu lado e novamente cobrei a rampa.

_ Sr Ivan, eles estão procurando a bagagem dentro do avião, por isso é que está demorando. Se o senhor quiser se sentar, não se preocupe, viu? Eu estou tomando conta disso. Quando a bagagem chegar eu te aviso.

_ Ah, eu estou bem! Vou ficar tanto tempo sentado! Não tenho mais idade pra ficar sentado o tempo inteiro. Eu fico aqui mesmo! – sorriu. _ Veja que quando eu fui querer usar meu telefone pra fazer uma ligação, percebi que havia deixado em cima da mesa e os papéis junto com ele! Olha que cabeça a minha.

_ Não tem ninguém em casa pro senhor telefonar?

_ Lá só mora eu e Deus!

_ É uma companhia excelente! Olha, se o senhor precisar ligar para alguém para avisar que não embarcou, pode usar o telefone no meu departamento. Eu ensino ao senhor como faz pra ir até lá.

_ Acho que não vou precisar, mas qualquer coisa eu te aviso! Como é o seu nome… (olhando em meu crachá): Mel! Obrigada, Mel!

Fui novamente atender meus vôos e quando eu retornei, ele estava indo embora, puxando sua bagagem cor marrom clara. Ele parou na minha frente:

_ Mel! Você é muito gentil!!! – disse sorrindo e beijando as minhas mãos.

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do verbo escrever!

Para quem não sabe, sou colunista do jornal da Paróquia que freqüento, o Santa Teresinha em Ação. É a primeira coluna em um jornalzinho com minha humilde assinatura! :-) – E vou escrevendo, sobre coisas que vão no meu coração “eternamente jovem”. Não me dando conta dos frutos que a coluna está colhendo. Bem, peço licença à menina Cih, que deixou um comentário em meu blog, para compartilhar com meus fiéis leitores um destes frutos: ganhei mais uma leitora fiel! Eu fico muito feliz em saber que de alguma maneira toco as pessoas com a minha vocação que é escrever, escrever, escrever! Bem, lá vai o comentário!!!

“Oi Mel!
Que gentil o Sr. Ivan!
Bom,deixa eu me apresentar,eu sou blogueira também mas não foi assim que te achei rsrs,na verdade temos um amigo em comum no orkut,o Alê,eu o conheci qdo frequentava Santa Terezinha(agora mudei de bairro),mas meus pais ainda vão lá e sempre trazem o jornal da paróquia e sempre leio seu espaço,sem puxar saco rsrs,era o que mais chamava minha atenção… e aí foi que um dia desse fuçando no orkut do Alê,vi vc,aí me dei conta que era a mesma pessoa que escrevia no jornal,vi que vc tinha twitter e blog e peguei os dois!Gosto tanto do jeito que vc escreve,é leve,aquela coisa bem chá de camomila rsrs,nem liga que eu tenho mania de comparar tudo que eu gosto!
Bom é isso,estarei sempre aqui!
beijos”

 

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soletre: generosidade…

Quando a gente chega no final de semana esticando as pernas e dando um belo grito de UFA, lá se foi mais uma semana-insana, regada de muita correria, muitos sustos, muitos uis, muitos ais, muitos salve-se quem puder, poder testemunhar em pleno sábado à tarde o gesto da Larissa [vencedora do Soletrando], salva o dia. Salva a semana. O mês, o ano, a existência… a gente pensa que nem tudo está perdido neste mundo e é nas mãos da geração dela, da Larissa, e das outras que hão de vir, que está o “sal da terra”.

Ao terminar a prova e vencer o campeonato, Larissa doou parte de seu dinheiro para os dois colegas adversários. Não importa o quanto ela doou. Importa que ali, ela tinha tudo para se centrar em seu umbigo: eu ganhei, agradeço à você, você, você e você. Ela foi além. Ela quis dividir a vitória. Fazia muito tempo que eu não via um gesto de genuína generosidade em rede nacional. Aquelas professoras e mãe devem ter explodido de tanto orgulho. Que bom. Que bom…!

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Pensa na She-ra.

A coisa funciona da seguinte forma. Chega-se o aeroporto às 06h da madrugada, no caso, debaixo de um frio de cortar a orelha. Vai-se bater o cartão de ponto atrás do checkin. Segue cada qual para seu quadrado. O meu quadrado em questão é o setor de bagagens extraviadas. Sigo o caminho da roça e vejo a escala do dia. Hoje eu estava escalada para atender os vôos que chegariam [das 06h às 12h]. Segui para o desembarque, com nextel e pastinhas na mão. Agora é fazer o Sinal da Cruz e abrir a porteira: que venham os passageiros! Você vai rebatendo todas as buchas que vão caindo sobre a sua cabeça e à sua volta, com o escudo da simpatia, do jogo de cintura, da proatividade, etc e etc e etc… só que hoje estas buchas foram TANTAS, mas TANTAS, todas em pencas e ao mesmo tempo, que juro: eu me senti uma gladiadora!!!! :-D Podia até colocar aquela música do Gladiador, enquanto eu fazia o meu karatê [em câmera lenta].

Pra fechar o turno com chave de ouro, saí arrastando um case prateado com uma harpa paraguaya [???????] que de Boa Vista veio parar em São Paulo. O troço era enorme, parecia um skife*.

*[caixão]

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Fé em Deus, fé na vida, fé em mim

Fiz a prova prática para tirar minha habilitação três vezes. Só Deus sabe o quanto isso era importante pra mim! Na primeira, o carro morreu na hora de sair a baliza e eu o deixei descer: esbarrou na baliza. Já era. Na segunda prova, tinha feito a conversão com a curva muito aberta. Ao estacionar o carro no fim da prova, o pneu relou na guia: 4 pontos. O máximo permitido são 3. Já era.

Ao sair hoje de manhã, escolhi a estátuazinha de São Miguel, meu anjo protetor, para me acompanhar. Rezei a Oraçao de São Patrício (as 12 ultimas linhas) várias vezes. A estátua do anjo ficou no meu bolso, durante a prova. Mas eu sabia que nao adiantava só confiar neles. Eu tinha que confiar em mim também. Fiquei tranquila: estou preparada!!!!! Fui, fiz a prova impecavelmente (só freei na descida pq o carro estava muito rápido e ele marcou falta grave rs). E passei.

No final, o avaliador me desejou boa sorte e me avisou que eu havia sido aprovada. Festejando com meus amigos na fila, mostrei a estátua de São Miguel ao lado do meu instrutor, o Miguel. Eu não havia ligado as coisas. Dei de presente pra ele, a estátua!!!

Os quatro últimos a fazerem a prova (eu e mais três rapazes brilhantes!), passaram NA RAÇA. Fica aqui meu testemunho! Você não precisa trair seus princípios para conseguir o que quer. Só precisa estar seguro(a) e preparado (a). E claro: sempre contar com a proteção dos anjos e de Deus!!!

VIVA!!!!

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com gosto de doce de abóbora

eu e a MelindaMinha irmã Melinda [a "do meio"] faz aniversário dia 24 de Junho. Por toda a minha infância me lembro de que as melhores festas eram as dela, porque todo ano fazíamos uma festa junina na casa da minha avó, que tinha um quintal enorme! Todos os amigos da minha família estavam presentes. Tinha forró [me lembro de mulher dançando com mulher, minha avó dançava com a Dona Chica], tinha bandeirinhas, tinha comidas típicas e tinha até balão!!!! Meu tio [padrinho da Melinda] e meu pai soltavam um balão amarelo, nós adorávamos. As crianças íam caracterizadas, claaaaaro! A parte mais divertida. A Bel [caçula] ainda não tinha nascido. A minha mãe costurava e fazia vestidos iguais para a Melinda e eu, como se fôssemos gêmeas. E na festa de aniversário dela, não era diferente. Numa destas festas, a minha mãe colocou atrás da mesa do bolo dois desenhos, de uma casa, feita em papel pardo. Um deles estava todo borrado, riscado. O outro: lindo! Rárárá… um a Melinda-bebê tinha pintado, outro a sua irmãzinha mais velha. Me lembro de que numa das festas eu estava literalmente dando em cima de um dos meus amiguinhos . Minha mãe tirou uma foto de eu enroscando os pézinhos nos pés dele [foto censurada!]: por que eu não tenho esta deslavação agora, depois de grande e crescida??? :-D Ah, o mês de Junho. Não sei o que me dá. Mas me dá!!!!!!!!

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Passando a régua!

Devo me tornar repetitiva…

Eu sou católica. Embora alguns dos pensamentos da religião eu não concorde [e não fale sobre isso, porque não quero desvirtuar ninguém!], sou católica, gosto de ir à missa, gosto de servir, de ajudar, gosto de sentir cheiro de mirra, gosto de imagens, de Nossa Senhora e dos anjinhos! Jesus é meu brother e eu sei que ele está *sempre* comigo. Mas… apesar de tudo isso, vou usar das palavras que li no orkut de um amigo ontem: “sou daquelas que acreditam que nada cai do céu”. Não acredito que a gente consiga nada de mão beijada e é por este motivo que eu nunca jogo na mega-sena, por exemplo. Acredito em metas, em determinação, em superação.

De vez em quando nós sabemos que será difícil vencer algum obstáculo. Mas a gente aprende a conviver com ele. Exemplo disso é a passarela que eu preciso atravessar todas as madrugadas para chegar ao aeroporto. Eu, que tenho vertigens por causa do medo de altura. A passarela não é minha melhor amiga, mas eu já consigo ir de A à B sem sentir vertigens.

Antes de remarcar a minha terceira prova prática no Detran, sabendo que eu só teria no maximo 2 tentativas até o vencimento do meu processo [21 de Julho] e enquanto muita gente [meu próprios pais, inclusive] me orientava a fazer o que todo mundo faz [ou seja...], eu sabia que estas coisas não aparecem na vida da gente só pra gente adquirir a CNH, mas como forma de superação. E vida é isso. Não adianta só sonhar, só querer. Não rola aquele papo furado de quando você deseja fortemente uma coisa, o universo conspira a seu favor. Porque só querer, não faz a gente sair do lugar. Mas querer e traçar metas, sim.

No começo deste ano eu fiz no mural do meu quarto um exercício recomendado por estes entendedores de neurolinguística. Coloquei na parede fotos das coisas que eu desejo e tracei metas para cumprir. Pois bem! De todas elas, segue abaixo as metas que já foram atingidas:

Social

* Tirar CNH – OK

* Sair pelo menos a cada quinze dias – OK

Financeira

* Liquidar todas as dívidas – OK!!!

Intelectual/Espiritual

* Voltar para o teatro – em processo! [parceria com a amiga Mirelli e planos]

* Ler pelo menos 1 livro por mês – OK!

* Me livrar de pessoas que não me acrescentam nada e ser mais seletiva - OK

Profissional

* Terminar minha história- Ok, em andamento! Escrevo pelo menos 2 capítulos por dia.

*Voltar para a Faculdade – em Agosto.

Ainda falta muita coisa. Mas me orgulho em saber que os meus planos estão “transcendendo o papel”. ;-)

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Para você e você…

“10h11 – metafísica

Se você de repente me avistar na rua, por favor, continue em frente, finja que não me viu (ando muito ocupada, no momento, refazendo uns passos, visitando atalhos em que – no meu delírio, ao menos – andamos lado a lado). Uma interrupção agora poderia ser perigosa. Se eu te notasse no meio da multidão, acabaria errando o caminho.”
 
Por Juliana Leite
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De volta ao teatro

Asta Smanaukas é meu alter ego. Já que agora temos a tecnologia como aliada inclusive na construção de personagens teatrais, acessem o blog da minha personagem!

Ah, já sei. Vcs querem saber a história. Ela está sendo construída. Mas vocês podem acompanhar os pensamentos dela pelo blog. Só tem um probleminha… ela é lituana, portanto… ela não escreve em português!!! Está escrito em inglês.

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Giulietta-tta

 O Mirko, um amigo italiano que mora perto de Verona, me mandou esta foto da escultura de “Giulietta“. Dois segredos: eu *amo* esculturas! E eu *amo* Romeu e Julieta…!!! IMG_0001 [Risoluzione del desktop]

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É.

Fodeu. O Michael Jackson morreu.

Se ele que era imortal, subiu [ou não], o que será de nós, réles seres que usam chinelas. Que têm cáquinha no nariz, que fazem cocô. Que têm reméla. Nunca fui lá tão fã do rapaz. Mas já pensei em dançar Billy Jean no meu casamento [sim, casamento], no lugar da valsa.É um merda quando morre alguém que a gente acha que nunca vai morrer. Como o M.J. Como o Senna. O Renato Russo. No dia que o Renato Russo morreu ninguém abriu a boca na aula de Psicologia. A Renina e o Fabrício [a equação era assim: Renina + Fabrício = Renato Russo ou vice versa] chegaram com a cara deste tamanho de tanto chorar. Estamos de luto até hoje. Lá no fundo, no fundo, queríamos ele por aqui pra se revoltar com a gente. Mas ele cansou, né. E eu nunca mais assisti uma corrida de F1. Agora o Michael, putz. Será que ele agora está ensinando o Anjo Gabriel a dançar daquele jeito? Ou colocou o capeta pra dançar um thriller tão mais real. Ok. Estou brincando.

Mas é uma merda. O cara tinha rios de dinheiro. Tinha tudo e não tinha nada. Lá se foi. Minhas bengalas vão lembrar do Michael. O que assusta não é só pensar em como as coisas vapt-pluft. É pensar que nada vai apagar o frisson que ele fez. Vai ficar pra sempre aquele ar inquieto de quem já foi mas ainda está por aqui. Lennon, Elvis e Michael não morreram.

E eles nem tinham twitter.

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meu nada mole sábado

Estava até que preparada para os rebates ali atrás do balcão do setor de bagagens da cia aérea em que trabalho, no aeroporto de Congonhas, ali onde a gente fica e plá-plá-plá, leva uma atrás da – plá – outra. Pior são os colegas que não sabem os procedimentos e mandam o cliente vir à nós, ao nosso reino, para reclamar o dano em uma bagagem que desceu de um vôo da semana passada. Será que este blog pode ter a função pra lá de social de disseminar que não rola? A mala quebrou? Fale agora [entenda agora como agora, enquanto você ainda escuta a moça da infraero resmungar no microfone, dentro do desembarque] ou cale-se para todo o sempre. Pior ainda foi o outro moço que só faltava tirar uma lupa do bolso para encontrar o dano que existe e ele jura que existe, mas não está achando. 30 minutos preenchendo toda a papelada por que o zíper do extensor quebrou. Tinha mais coisas, diz ele. Eu disse com meu focinho mais brejeiro que na realidade, senhor, o que está impedindo o senhor de usar a mala é apenas [e olhe lá!!!!!] o zíper. De resto, não se vê mais nada, né? É. Sei. Veio o moço que perdeu a chave do carro e no meio de *$@¨&*%$centos* milhares de formulários disso e daquilo, acabei escolhendo o formulário errado e peço a Deus, oh Senhor, que tenha dado tudo certo, já que segundo o tiozinho, outra via da chave lhe custaria altos e exatos três mil e quinhentos reais [em extenso, para não assustar ninguém]. Enquanto isso, tentando diminuir a fila que se formava no corredor – e ainda bem que nossa sala é a última, ou a fila teria descido a escada rolante – eu também tentava desbravar a-saga-do-entregador-que-saiu-pra-entregar-uma-mala-às-08h15min-da-manhã-na-Vila-Madalena-e-até-às-11h00-a-moça-ainda-não-tinha-recebido. Sim, o número do prédio estava escrito errado, na ordem de serviço, mas isso só descobrimos quando ele chegoooooou na tal rua. É que eu ainda não fiz o curso prático de como entender a letra do Adalberto. Ô coisa! Ele jura que aquilo é 5. Meu cérebro entendeu aquilo como um 3, uai. Vô contrariar? Mas no fim deu tudo certo, depois de eu ficar assim horas tentando entender por que não entregaram a mala do francês ontem à noite [o coitado não tinha cuecas]. Ah, espero demais, penso demais, quero demais, sofro demais: sugo, praticamente. Estou aqui sentindo o peito apertar só de imaginar a falta que o pote de Nutella [dentro da mala do rapazote] lhe fazia. Na quinta ligação do entregador eu juro que senti vontade de rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria [ajoelhada]. Daí que o Adalberto jogou: a mala do gringo, ainda??? Pois é, Adalba. Ainda. Tudo devia ser mais simples, mas o Santana veio rápido e salvou o sábado para um dia glorioso. Subimos, Isaac, o moço legal que eu não sei o nome e o moço que mora perto da minha casa e eu também não sei o nome [todos colegas de trabalho]. Mas como minha nada mole vida é de fato nada mole, veio um gordão sentar ao meu lado e fazia uns gestinhos estranhos com as mãos cada vez que bocejava. É melhor não dormir hoje, pensei. Deus me dotou do mais alto e aguçado bom senso: o gordão era mesmo surtado. Estas coisas a gente só descobre na prática, infelizmente. Da próxima vez vou seguir a minha intuição que gritou quando o gordão olhou para o banco ao meu lado, vazio de tudo. Ergueu a sobrancelha e veio. Foi ali que eu decidi que era melhor não dormir mais…

 

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meu nada mole domingo

O melhor é sempre estar por dentro do paradeiro das coisas. O papaizinho me deixou em Santana às 05h[AM] e eu já subi no ônibus: tudo bem, fiquei esperando uns 2 minutos o motorista trazer o busão mais pra frente, vai ver que a bronca telepática deu certo. Seu motorista, este ponto está cheirando urina. Está frio. Será que o senhor poderia dar dois passinhos para a frente? Deu certo, ou entao a cara que eu fiz foi péssima [digo, assustadora]. Enquanto eu testava o twitter via celular, pelo caminho, meu pai ligou pra avisar que havia chegado em casa. Só deu tempo pra dar um espirro: chegamos. Eu já sabia que eu estava no desembarque, hoje, daí o saber o paradeiro das coisas. Levei um baita susto com as malas e malas e mais malas que quase não me deixaram entrar pela porta. A gente faz o que pode, né. Elas tinham que ser embarcadas. Eu levei algumas e deixei as mais pesadas para o menino Rafael. Fui para o desembarque e outro susto: chegou um fretado. Chegou outro. E outro. E outro e outro. Todo mundo chegou junto, a CVC adora a gente! Pensa na rodoviária no dia 24 de Dezembro. Então. As bagagens chegavam, mas os clientes demoravam quase 01h pra pegar cada um a sua e seguir o caminho da roça. De modo que eu tinha que dar vários speeches de boas vindas ao mesmo tempo e repetidas vezes. A Gol só ficou assistindo [e rindo da minha cara de desespero]. Chegou uma hora que eu já não sabia mais quem tinha vindo de onde e em que esteira estava – até porque a Santa Infraero vai apagando da tela. Não sabia se eu chorava ou se eu abria a janela. Mas não é que não deu nada? Sobrevivi. Tão emocionada eu fiquei que até postei no Twitter. :-D Só o Caldas Novas que sempre dá trabalho. Veio o primeiro umas nove e meia e depois de uns 40m um casal de idosos me avisou que a bagagem não tinha vindo. Até pensei em abrir um relatório, mas depois que ele me disse onde morava [Paulínia], usei todo meu poder de persuasão pra convencê-lo a esperar o próximo vôo de Caldas, pois a bag certamente estaria nele [disse eu, rezando pra ser verdade]. Ele [muito espirituoso], me disse que já tinha saído de lá com o espírito preparado para encarar as bobagens que ele sabia que ia acontecer [coisas da cevecê]. Achei ótimo! Pedi seu bilhete de embarque e vi que não tinha etiquetas de bagagens coladas como o costume, mas não achei um fato relevante. O segundo vôo chegou 40m depois e pensei comigo: o cara não tem bagagem despachada!!!!!!!!! [claro, ele não tinha o comprovante!!!]. Fui checar no sistema e bingo. Nenhuminha. Fiquei triste, sem fé na vida. Fui eu preparando o meu espírito e me dirigindo até ele, quando esbarramos no meio do caminho. Eu com minha cara de gato com dor de dente. Ele, com uma bagagem no carrinho. Chequei a etiqueta: Rosangela não sei das quantas. Sabe quem é? A coordenadora da cevecê. Mas a mala era dele mesmo, tinha a etiqueta com o nome escrito em fita crepe. Fui abrir dois danos no mesmo vôo, um Brasília com quase 100 pessoas. Duas maricotas que disseram que o zíper havia sido arrancado… achei uma super-aplicação, mas a etiqueta não estava assinada, tive que abrir. A mala de uma delas tinha cara de ser mais velha do que eu, e fomos nós que quebramos o zíper… huuuuummmmmmmm. Tá.

Daí começaram a chegar aquelas todas terríveis caixas pesadas da cevecê [de novo], que eu tive que me virar pra colocar no carrinho [nestas horas não sobra nenhum homem pra contar a história]. Quando vi já era quase meio-dia. O Adalba chegou, peguei minha bolsa e fui embora. E amanhã tem mais.

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feliz, assim.

Ontem me senti um peixe fora d´água no shopping. A mãe queria comprar um fogão e depois disso, resolveu bater perna para olhar os tipos de madeira, ela quer reformar duas cristaleiras da família. Que remédio. Fui. Não tenho muita paciência pra Shopping, preciso de verdade estar no clima. Se eu quero alguma coisa sempre ou quase sempre me dirijo diretamente à loja x, experimento [ou não], pago e vou embora. No máximo eu páro pra tomar um sorvete. Ficamos rodando por lá, a minha mãe e eu. E ela adora. Olhava os lustres, os tipos de sofá, os tapetes, tudo muito bonito, chiquetê, coisa de prima, mesmo. E coisas caras, muito caras. Eu me senti um peixe fora do aquário com tanto luxo e ostentação e tive certeza de que eu não preciso de muito pra viver… na boa! Basta que eu tenha um canto com a minha cara. Um lugarzinho confortável e simples: porque a minha cara é simples! ;-)

Simplicidade é tudo nesta vida. E deve salvar o mundo.

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quando você brilha e eu me encanto.

Ontem escrevi um depoimento para um amigo. Quando chego ao ponto de escrever um depo para alguém, é porque o meu coração estava puxando a barra da minha calça há tempos, cobrando cobrando cobrando, porque provavelmente estou já embebida em mil carinhos, carinhos que sobem em ebulição e começam a querer explodir. Escolho, pois, que explodam, mas que o faça de modo contido: que eu tenha controle, que não assuste ninguém… mas que sempre, sempre, sempre explodam, os meus carinhos.

Às vezes isso acontece, o encanto. Não tem fórmula mágica. Não tem precedentes. Não é dinheiro, não é o que possui. Não é marca de tênis nem pele bonita. Não dá pra exigir pré-requisitos, porque o encanto pode aparecer de qualquer jeito. Com alguém que está passando na rua, com alguém que eu conheça na fila do banco, ou alguém que esteja sentado ao meu lado no ônibus. Se eu tenho a oportunidade de conviver [adoro este verbo] e compartilhar [idem], posso simplesmente me apaixonar por coisas simples que vejo. “As flores que eu vejo em você”.

É o seu coração, que eu sinto. Se ele é grande e se é puro, eu vou entrando sem pedir licença. Os meus dias ficam mais bonitos, até. O sol brilha mais.

A última paixão que eu vivi [póstuma] começou quando eu reparava nos cílios dele. Ele não tinha nada, só um charme oculto que tantos não viam [é preciso enxergar além, pra entender], não tinha dinheiro nem pra ele e todo mundo liga tanto pra isso.

Menos eu.

Escrevi um depo para aquele outro amigo porque ele me encantou. Fica brincando consigo, dizendo que é feio, desmantelado. Sempre brincando, sempre fazendo todo mundo rir e sorrir. Um cara assim conseguiu me desarmar, me fazer sentir falta dele. Tem um sorriso que chega a ser bobo, de tão super-híper-mega-sincero. Um jeito sem maldade alguma, um brilho muito claro que eu vejo em algumas pessoas de bem [de muito bem, de só bem].

A última vez que nós nos vimos ele estava usando uma touquinha de lã engraçadíssima: Despretensão total. A tal simplicidade, sabe? Não tem jeito! Eu me encanto, assim! Pra isso acontecer não precisa de [quase] nada. Só de um coração que seja grande e lindo.

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[supposed to be] Contagious

Este era pra ser um comentário, em determinado blog de determinada garota – muito espirituosa e inteligente, por sinal. Mas como sei dos meus defeitos [por exemplo, o de ser prolixa], resolvi fazer a coisa de um jeito em que a “prolixidade” não seja um pecado. Aqui posso falar pelos cotovelos, estou no meu quadrado, não é assim? E aconteceu do mesmo jeito que sempre acontece. O coração puxou  a barra da minha calça e fez a exigência: escreva!!!

Sendo assim, lá vai.

Menininha.

Quantos litros de lagriminhas eu teria economizado se, muito depois dos 15 anos, tivesse tido a lucidez e coragem de parar, pensar, usar a cabeça e não só o coração [eu, que mesmo que não seja o caso, sempre acabo colocando o coração no meio] e no meio de tanta sensatez, assim tão gente grande [em grandiosidade], decidir o que não quer e então evitar desgostos, tristezas, choros, desilusões debulhadas nos colos das amigas. Eu não fiz e eu chorei. Uma, duas, dez, centenas de vezes [na força de uma hipérbole, mas só assim pra registrar a intensidade da dorzinha que foi esta coisa de chorar tanto e por tão pouco].

Li seu post, e nãovou especificar aqui qual, contando que você é bastante esperta e vai me entender – ainda que eu seja tão prolixa e tão pouco ou nada óbvia – e vai sacar. E sei que você evitou muita coisa, tomando esta decisão. Evitou principalmente colocar-se nas mãos de um carinha que talvez não enxergue o seu brilho, e acabe machucando-a por isso [sim, isto acontece]. Não te enxergue com a sutileza que merece, não a trate como deve ser tratada. Isto evita espinhas, problemas hormonais, overdose de chocolates [que venha por outros motivos], evita grandes estoques de lencinhos de papel, evita a alta concentração desmerecida de um mesmo nome e mesmo tema em seu blog, enfim. Mas fico cá pensando. Você tem 15 anos! E se estiver enganada? E se o carinha for uma bala de doce de leite por fora com chocolate derretido por dentro? Você vê a parte boa por fora e toma conclusões conforme a tradição da espécie. Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento. Será que é sempre assim? A gente não vê o lado de dentro, né? Será que vale a pena tirar conclusões sem dar ao menos uma espiadinha? Nada é tão certo. Nós sempre podemos nos surpreender, no final. Assim como você é linda por fora e muito provavelmente certamente elementarmente também linda por dentro, por que o carinha também não pode ser os dois? Ah, sei lá. Se eu fosse você e sei que é muito manjado dizer isso, mas, se eu tivesse 15 anos, Menininha, eu arriscaria muito mais do que arrisquei. Sem medo [no meu caso]. Primeiro porque [aqui vai a dica importantíssima] o carinha vai te tratar da maneira como você se deixar ser tratada – é só confiar em você! E depois, porque a dor que mais dói, na verdade, é a dor do arrependimento por aquilo que não se fez e aquela perguntinha insuportável que vem e que fica e que a gente não vai jamais descansar enquanto não responder…

…e se eu tivesse arriscado?”

Com carinho, desta blogueira e fã.

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Assim meu coração não aguenta!!!

Este é o vídeo institucional feito para parabenizar a seleção e nosso Brasilzão! Os funcionários que aparecem no aeroporto são os de Congonhas, do turno da manhã. Puro amor e puro orgulho!

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pequenas decepções

Recebi o vôo de Berlândia. Sobraram três malas. Eu precisei pedir ajuda [coisa que geralmente não faço porque sou do tipo orgulhosa e durona rs] para o amiguinho do despacho operacional, que estava comigo, e que de uma forma totalmente doce me perguntou de que maneira ele poderia me ajudar, estando ali, também no desembarque. Sua humildade me desmontou, fiquei deliciosamente surpresa. E eu respondi, sendo menos durona, aceitando sua ajuda [é bom evoluir]. No vôo de “Berlândia”, sobraram 3 malas enormes. Se eu colocasse a maior delas no carrinho eu liquidaria minha coluna, que já está liquidada. O amiguinho foi até lá, me ajudou [de uma maneira totalmente e inteligentemente simples] e além disso, não me deixou levar o carrinho com as maiores bagagens. Levei o mais leve. O que me faz pensar que talvez eu nao seja tão durona assim, talvez o problema seja a escassez de *cavalheiros*, como o amiguinho, que faz com que as mulheres tenham que aprender a se virar, mas enfim. Levamos as três malas até o nosso cantinho, e lá ficamos mexendo no sistema, tentando descobrir por que a Sra Gwen não retirara suas malas. Até que o amiguinho, mais uma vez inteligente, me disse: vai ver que ela vai pra outro país e está pensando que as malas seguirão direto.

Na reserva da moça, dito e feito. Você tem toda a razão, eu disse. Ela está seguindo para Atlanta e depois ainda pega outro vôo com a Delta, para um aeroporto chamado MSP, que eu não faço idéia de onde seja [Mississipi?]. Era 09h da manhã. O vôo da moça sairia de Guarulhos [o outro aeroporto], às 22h. Daria tempo para ela retornar à Congonhas para pegar suas malas e despachá-las normalmente. Ou, fazendo uma cortesia, mandaríamos as bagagens pelo ônibus que leva os passaeiros de um aeroporto para outro, o que não é procedimento, mas seria uma gentileza, fazendo com que a moça não fique sem suas 3 malas por um erro nosso [má orientação]. É que a maioria dos estrangeiros não entendem que apenas um aeroporto de São Paulo tem vôos internacionais. Eles acham que os dois fazem. O que aconteceu depois?

Liguei para um colega e pedi que ligasse para a Delta, em Guarulhos [eu não tinha telefone por perto para fazer isso], e informasse que havia uma passageira seguindo em um vôo deles sem bagagens. A Delta poderia responder se la vie, meu bem. Agora Inês é morta. Ou poderia ligar para a passageira e então a própria decidiria: quer voltar para pegar ou prefere esperar um dia, lá em MSP, até que as bagagens cheguem no vôo seguinte?

A resposta que eu tive e que me deixou *profundamente decepcionada* é: “isso não é procedimento e além disso, não é problema nosso”.

Eu fiquei 15 dias mergulhada em um treinamento intensivo, escutando que nós somos especiais, que nossa maneira de atender é diferente, que temos prazer em ajudar, para escutar hoje que “isso não é mais problema nosso”.

Penso que às vezes não podemos levar as coisas tão à ferro e à fogo, porque existe um sentido maior do que cumprir procedimentos: sermos gentis e prestativos. O problema era nosso, sim. Ela também era nossa cliente e provavelmente não foi orientada corretamente. Se eu poderia evitar sua dor de cabeça no futuro, por que não fazê-lo?

Mais tarde, nossa equipe do outro aeroporto ligou, pedindo que colocássemos as três bagagens no ônibus Congonhas/Guarulhos – o que também não é um procedimento da cia. Mas pelo jeito eles entenderam o que era mais importante e não perderam a oportunidade de serem gentis e prestativos, acima de qualquer outra coisa.

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Eu já sabiaaa…!

Eu já estava imensamente feliz com a vitória da Seleção na Copa das Confederações. Guardei na cabeça [e no coração, precisa dizer? :-) ] a imagem de todos eles ajoelhados, depois do jogo, orando em agradecimento. Não tem outro povo que seja assim!!! Que orgulho, que exemplo de humildade, que lindo! Juro que senti um nó na garganta, nesta hora, daqueles que me impedem de dizer qualquer coisa. E depois veio o “Curínthiaaaaaaaaaaaaa”!!!!! [hahahahahaha!]. Eu sei que sou uma torcedora contida, ou como diz o meu pai, uma “corinthiana retraída”. E eu tenho este problema, que eu nunca achei que fosse um problema, mas vá lá. As minhas irmãs são totais porra-loucas. Meu pai agora inventou de encher bexigas na hora do jogo, e a cada gol que o Timão faz, ele sai estourando as bexigas [simulando fogos, sabe?]. A minha irmã Bel foi lá e ploft. Estourou a bexiga com o garfo enquanto ele ainda estava enchendo. Elas são assim, extrovertidas, engraçadas. Eu não!!! Eu sou boboca, sou tímida, quieta, boazinha [demais] – embora eu saiba ser o contrário de tudo isso quando precisa [e já já vou contar um exemplo]. Eu não fico berrando, não subo na mesa, não vou na janela e grito “Chupaaaaaaaaaaaaaaaaa” para o vizinho! Definitivamente!!! Quem me conhece bem deve estar rindo, agora, porque imaginar esta cena é no mínimo hilário! E as pessoas acham que só porque um torcedor não faz tudo isso, ele é menos torcedor! Pois fiquem sabendo que eu adoro o Corinthians [não me odeiem por isso], amo muito a Seleção, amo o meu país. Não mando ninguém chupar nada, mas estou vibrando do mesmo jeito!!!

E eu sempre, sempre choro, fazer o quê…

 brasilllllllll

Foto: Globo Esporte

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Protegido: Orvalho

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Ela chorou copiosamente.

Quando fui admitida na TAM, fiquei três semanas em imersão para um treinamento intensivo lá na Academia de Serviços. Logo no primeiro dia, em uma das apresentações, mostraram para a gente um vídeo para ilustrar o “espírito de equipe“. Tenho a dizer que eles apagaram as luzes para assistir o vídeo e quando acenderam-nas, o meu rosto estava todo borrado de rímel…

O vídeo que eles usaram é o “Coach Carter“.  Carter é um Técnico de basquete de uma escola secundária que pena para colocar os garotos na linha. Eles dão trabalho. Como Bruce, que demonstra atitudes irresponsáveis e acaba sendo punido por Carter, que o mantém fora da equipe. Só que Bruce se arrepende e dá as caras no meio de um dos treinos, para perguntar o que pode fazer para ser aceito novamente no time. Carter logo diz que precisará pagar 2000 flexões e 1000 “suicídios” [um tipo de exercício que eles fazem]. Bruce inicia os exercícios imediatamente, mas não consegue terminar para participar do jogo. O final da cena eu não vou contar! Assistam ao vídeo! Vocês vão entender porque o meu rímel borrou – além do fato de ele não ser à prova d´água.

P.S.: O vídeo não está editado e infelizmente não tem legendas. Quando ele começa o garoto já está fazendo os exercícios enquanto o time treina.

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Los Hermanos

Na revista de bordo da TAM do mês de Junho, saiu uma reportagem deliciosa intitulada”Buenos Aires Literária”. Na verdade eles traçam o circuito literário da capital argentina, seguindo os passos dos escritores Jorge Luis Borges e Julio Cortázar. Eu já tinha lido “O Aleph” (J.L.Borges) para um montagem teatral [há tempos] e comecei a ler “O jogo da amarelinha”, do Cortázar: só não terminei porque precisei devolver o livro para a biblioteca. Gosto particularmente do segundo. A matéria diz que na verdade, à despeito do que dizem sobre a rivalidade dos dois escritores, quem apresentou Cortázar foi o próprio Borges, publicando o conto “A Casa Tomada” - do então jovem professor de literatura – na revista que na época estava sob sua direção: “Los Anales de Buenos Aires”.

Os cafés, bibliotecas e pontos percorridos pelos dois gênios, hoje são frequentados pela nova geração  literária, como o bairro Palermo Viejo. De modo que a revista da TAM citou, um por um, todos estes lugares e me deu uma vontade louca de pegar o primeiro avião São Paulo/Buenos Aires, e me deixar perder pelos encantos açucarados [alfajor], musicais [tango] e literários da charmosa capital da nossa vizinha Argentina.

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proteção!

Pessoal,

Os posts que estão sob proteção, com senha, são contos que eu escrevi e não vou deixá-los publicados porque morro de medo de plágio…

Se quiserem ler, deixem um recadinho com o endereço de email de vocês, que eu mando a senha. É a mesma senha pra todos.

Não me sinto feliz em fazer isso, saibam. Ao contrário, sinto-me envergonhada em ter que criar uma senha para as pessoas poderem ler as coisas que escrevo, como se eu fosse o último biscoito do pacote! Sou do tipo que escreve as coisas por aí e não assina, com vergonha de me mostrar [minha mãe que o diga, porque este foi sempre assunto pra discussões!]. Não sou uma pessoa arrogante, e quem me conhece bem sabe disto.

 

Só que existem pessoas oportunistas que com um simples ctrl c e ctrl v tomam pra si o que é tão precioso pra você… o que você escreveu com tanto carinho e as vezes com tanto sofrimento [porque muitas vezes escrever é tão dolorido...]. Eu faço parte de um grupo de literatura que tinha um blog e este blog foi tomado por outra pessoa, que passou a assinar nossos posts. Desde então o meu trauma!

 

Já pararam pra pensar se alguém copia um texto seu, publica, faz sucesso com ele, e como você não o registrou, não tem como provar que é seu?

 

Eu nem sei o que eu faria, mas sei que me sentiria muito muito muito triste, isto é uma violência muito grande e infelizmente, muito presente nos dias de hoje, já que temos tudo tão acessível graças à rede. Além disso se um dia eu vir a publicá-los, eles precisam ser inéditos!

Prometo que vou refletir sobre este assunto, porque as duas coisas me incomodam: publicar e ficar vulnerável e ter que colocar senha, passando a imagem de uma arrogância que eu não tenho.

 

um beijo grande para todos e boa semana!

 Mel

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Free as a bird

Troquei o avião pelo carro e não me arrependi. Tudo bem que fui viajar com meus pais, e meu pai não entra em um avião nem por um decreto. Era meu fds de folga e resolvemos visitar uma tia em Ribeirão Preto. O tempo por lá estava liiiindo, um céu azulzinho, um sol quentinho e brilhante e eu precisava inventar alguma coisa pra fazer. Então peguei a bicicleta do meu primo [que não estava], e fui pedalar. Na real,eu estava procurando um lugar que estava guardado na memória: uma praça onde a minha irmã e eu costumávamos brincar quando criança. Eu não tinha o endereço, apenas saí portão afora e pensei: é pra direita. Então fui seguindo o caminho que minha memória [total fotográfica] me permitia lembrar. Acertei a rua por onde eu deveria entrar e tchan tchan tchan tchan!!! Lá estava a praça. Sem brincadeiras e sem exagero: devo ter dado umas 100 voltas de bicicleta em torno da praça. Dentro da enorme praça tem vários círculos, por onde eu podia percorrer com a bike. Existem alguns Ipês e alguns velhinhos jogavam dominó. Vocês conseguem imaginar a felicidade absurda que eu senti, pedalando [coisa que há tempos não fazia] na pracinha deliciosa que eu frequentava quando era criança, escutando os Beatles???

Tem os perrengues, também. Mas como procuro dar valor apenas para o que há de bom nas coisas, deixo vocês com a imagem da minha serenidade… DSC04742

 

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Protegido: O Gato

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biscoito fino!

Meus amores. O feriado está aí e eu queria muito indicar algumas coisas que eu gosto muito e tenho certeza de que vocês vão curtir para passar o tempo! Vocês precisam ler um conto de um escritor chamado João Gilberto Noll. O texto se chama “Duelo Antes da Noite”, é parte de um livro de ficções chamado “Vinte Ficções Breves”, uma antologia de contos brasileiros e argentinos. Da série “tapa com luva de pelica“.

Também indico este vídeo e a história é a seguinte: Era aula de Comunicação e Expressão, na faculdade, e uma professora [louca, mas ótima!] apresentou pra gente este comercial da Revisa Época. Nem vou falar muito, no mais, que eu fiquei de boca aberta, limpando a bába que caía quando a propaganda terminou. O meu olho brilhava guloso, eu queria fazer isso, era isso que eu queria fazer, enfim. O texto é ES-PE-TA-CU-LAR, o som é lin-do, muito bem feito, a fotografia… ah, eu sou suspeita pra falar! Mas é perfeito! A imagem e o som ia entrando pelos nossos poros e tomando conta. Quando terminou o vídeo e a professora Ana Lúcia acendeu as luzes, tinha acontecido o mesmo que no dia do treinamento na TAM [e que eu contei neste post].  A única diferença é que no dia estava usando rímel transparente… :-D

E por falar em videos bons, também queria dizer que estive perambulando por novos blogs e encontrei neste blog, neste post,  um vídeo que achei lindíssimo, feito por uma aluna de jornalismo da UFSC. Ele é simples, singelo e lindo. Quase praticamente chorei quando vi [mas eu não sou parâmetro, dada minha boboquisse!]. E eu queria muito que a idéia pegasse, principalmente em São Paulo, nesta cidade de pessoas sempre com tanta pressa que mal dá tempo pra párar e olhar, escutar ou abraçar alguém. É por isso que aqui se gasta tanto com psicólogos, remédios, terapias. Eu aposto no abraço! Clique aqui pra ver o vídeo e os créditos.

Tem também o vídeo em comemoração aos 50 anos do Rei – que eu não vi, mas recebi por e-mail. É lindo, poético, maravilhoso… tão clichê tudo isso, mas dizer o quê? É melhor assistir!

E pra terminar, indico também este post, deste blog. O Ricardo é um amigo de anos… amigo que merece mais respeito da minha parte, porque parece que eu só lembro dele quando quero um ombro pra chorar [sei que ele me ama mesmo assim]. Parte da minha redenção vem por aqui, pra dizer que ele se superou! Eu não conseguiria chegar tão longe, sustentando os argumentos com tanta segurança e inteligência. Muito bom!

Depois tem mais!

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Se Sampa fosse uma folha em branco…

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things that rocks

Recebi da Paula este joguinho. Nenhuma de nós duas sabemos what the hell is “Roxie”. Considerem então a equação: Roxie = something that rocks. (Se alguém souber direitinho o que significa e peço desde já pardon por minha ignorância, por favor me contextualizem!) Então vamos lá:

Escrever 5 coisas que são ROXIE:

 Sobre música: Hip Hop, U2, samba de raiz, Bossa Nova e Marisa Monte.

Sobre televisão: Som e Fúria [adorei], Hoje é dia de Maria, Altas Horas, Jô Soares e seriados americanos.

Sobre cinema: Filmes da Sofia Coppola, filmes com Russel Crowe, Cinema Europeu, filmes de terror [prontofalei] e bons suspenses com boas histórias.

Sobre países que gostaria de conhecer: Lituânia, Itália, Holanda, Estados Unidos [prontofalei] e Grécia.

Sobre cores favoritas: verde, vermelho, azul, branco e preto nesta ordem.

Sobre hobbies: andarilhar pela cidade sem rumo para tirar fotos, ler, internet, escrever e caminhar.

Repassando para… Coisas da Drica, Mel Sabella, Cândido Cordeiro, I´m soooo sweet e as senhoritas donas dos And make me smile e Sooo Contagious, que é hora de brincar e esquecer que existem provas e resenhas! ;-)

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VAZIO

Alguns passos à frente e paro. Tento pensar, olho para os lados. Sacudo os bolsos da calça, acho que deixei alguma coisa escapar pelo caminho. Abro a bolsa, confiro bilhete por bilhete, bugiganga por bugiganga: todos os mundos nos fundos da bolsa, e nada. Procuro os óculos de descanso pousados na blusa, que ainda estão ali. Tateio o pescoço procurando o colar que também está ali. Não há saída senão continuar, sigo. Sigo com a sensação de que deixei alguma coisa escapar… Caminho em piloto automático tentando proteger os ombros do vento gelado que batiza São Paulo. Você poderia fechar os meus olhos, ainda assim eu chegaria até o metrô, há alguns metros dali. Escutaria o barulho da eterna sinuca [aquele bar nunca fecha?]. Os ônibus passando ao meu lado, seguem, param, seguem, param. O motorista grita para o vendedor de churrasco – grego [fujo do cheiro], pedindo um, já agitando a nota de um real, assim, rapidinho, rapidinho. O homem corre atravessando a calçada e abrindo um largo sorriso de quem cumpriu sua missão, sua mini-missão. Pega a nota de um real com a mão direita e faz um gesto de vitória com a mão esquerda. O motorista morde uma lasca daquilo que não posso chamar de comida, e dá a partida, ao mesmo tempo em que olha no retrovisor para checar se vem vindo alguém, assim, com facilidade de tudo fazer ao mesmo tempo. Eu também olho no retrovisor da minha memória, para checar o que diabos deixei pra trás. O que deixei cair. Chove um pouco. Lembro-me daquele guarda-chuva vermelho que eu adorava levar comigo e combinar com roupas pretas. Por nada no mundo eu largava aquele trambolho, ia e vinha como tênis, como passagem de ônibus. Lembro-me da ultima vez que o usei: chovia rios. O guarda-chuva anestesiava meu medo de água, aquela depressão que dá quando chove em São Paulo, pesando ainda mais um céu que já não é lá estas coisas. O tal guarda-chuva chegou em casa encharcado e eu peguei o secador de cabelos para que secasse mais rapidamente. Meu pai colocou a cabeça pra fora da porta [ele sempre faz isso] e gritou: que idéia, heim? Depois guardei atrás da porta da varanda, onde ficam as bagunças todas. Está lá até hoje, faz um mês e meio que não chove. O vermelho e o azul, o outro guarda-chuva que alguém comprou depois e então viraram gêmeos. Não, não deixei meu guarda-chuva pra trás. Desvio das pessoas no ponto de ônibus, ali perto da banca enorme que vende todas as Playboys do mundo. Do tempo que a revista era enorme, do tamanho de um travesseiro, a Chica diz que eu exagero. Me lembro quando era criança, o quão enorme e soberba me parecia aquela revista, com os peitos das moças do tamanho de um limão [naquela época não existia silicone]. Eu me lembro que eram estranhas, pareciam bruxas nuas. Aqueles cabelos eriçados e a maquiagem tão pesada, as Playboys velhas que eu achava no banheiro do meu tio Carlos Ricardo. A família inteira achava-o o mais nerd de todos, diziam que não ia vingar, que era virgem e que morria sem sexo. Não prestava pra nada, só pra dar trabalho e comer sem lavar a louça depois. Tinha um quarto que fedia à cigarro e bafo de quem dorme o dia inteiro, a janela vivia fechada, por nada que ele abria. Eu gostava de usar o seu banheiro, porque era dentro do quarto e não ficava ninguém batendo na porta pra eu ir logo. Aquela entrice toda de toda a gente da família, perguntando o que eu estava fazendo no banheiro, e eu tentando dizer vermelha de raiva e de terrível que era o meu intestino preso eternamente. Um dia abri a porta do armário pra pegar papel higiênico e lá estavam as revistas empoeiradas com as moças feias, mas que meu tio devia achar umas belezuras. Eu pensava que era romântico, romântico como este casal que se atraca bem na porta do metrô. Pensei nas minhas agendas de colegial, com os segredos e equações sem solução ocupando absolutamente todas as páginas e o caso com o amigo que eu vivia brigando o ano inteiro. Só não apanhei ou não bati por que ainda era menina e ele ainda era um cavalheiro – ainda que eu só tenha descoberto depois. Coisa estranha aquela, depois de tudo. Eram os últimos dias de aula e de-repente eu não conseguia conversar com o dito-cujo sem olhar muito fundo naqueles olhos castanhos por onde acabei me perdendo em segundos, e sentir o seu cheiro de pele de bebê. Lembrei-me que depois das aulas encontrei a tal agenda embaixo das apostilas de História e taquei fogo. Não queria guardar tanta insegurança e tantas interrogações sem espaço pra resposta. Foi na festa junina do ano seguinte, joguei a agenda que queimou mais rápido do que tudo o mais. De modo que eu não tenho como ter deixado a agenda pra trás, se vi a última folha com o nome do rapaz se consumindo pelo fogo que ardia em brasas. Fico desviando de toda a gente, que vem da direita e vem da esquerda. A rodoviária, dentro do metrô, que nunca pára. O barulho dos ônibus de viagem que me remetem aos dias de criança, eu arrepiava toda só de ouvir aquele barulho que pra mim dizia assim: a gente vai viajar! Desde cedo ouço este barulho. De coisa que nos leva longe. As pessoas sentadas sobre as bolsas de viagem, a sonhada janela onde eu logo encostava a cabeça sem nem sonhar em fechar a cortina, azar de quem estivesse ao lado. Entrava na estrada e o céu começava a reluzir de tão brilhante. As estrelas eram centenas, multiplicavam-se e o asfalto da rodovia cada vez mais escuro. Somente as listras amarelas brilhantes e eu queria dormir, mas tinha medo de acidentes. Voltava sempre carregada de fotos e anotações. Fotos e anotações que eu havia organizado em um álbum cor azul marinho que comprei justamente pra não jogar nada fora, como eu adorava fazer. E o álbum está guardado no armário da minha avó, aquele enorme armário de imbuia que a minha mãe implorou pra que fosse vendido, mas meu pai não teve jeito, quis trazer, trouxe. O armário, que hoje guarda o meu álbum de viagens, todas as viagens. Não, não esqueci o álbum. Espero o metrô chegar, olhando o pequeno chuvisco que cai e posso ver no branco do horizonte, branco como uma folha de papel. Nem sinal do metrô se aproximando. Ainda encolho os ombros porque venta muito de um frio cortante como lâmina afiada. E se o metrô chegar e esta sensação de que deixei algo pra trás aumentar, triplicar? E se eu não conseguir entrar no vagão sem resolver e entender o que pode ter despencado de mim em algum momento? Lembrei de como o trem te ganhou fácil, fácil, naquele dia. Existia uma passarela, por onde tu parou e mais tarde passaríamos enquanto tu contava aquela história. Paraste no meio da ponte e desististe de tudo pra assistir a final do campeonato. Daí tu voltou e entrou no trem. O Inter acabou perdendo, e ainda assim tu sorriu, satisfeito, era a Vida, assim inexplicável, assim estonteante. Tu ainda sonhava, naqueles dias. Ainda tocava seu baixo, ainda editava sua revista literária pelo Word e ainda me mandava por e-mail. E se no dia que tu me contou a história o Inter estivesse jogando eu tinha te pedido pra me levar, pro inferno todo o resto, que o avião decolasse e ponto. Mas não tinha jogo aquele dia, nenhuma desculpa que fosse pra eu simplesmente ficar, ficar mais um pouco. Naquela tarde eu encostei a cabeça no teu ombro e também lembrei de que tu tinha um headphone e escutava sempre alguma coisa enquanto ia pra faculdade, algum tempo depois, entre o jogo do Inter e nosso encontro. Lembro que ainda pousada sobre teu ombro, tentava adivinhar quais as músicas que tu escutava enquanto olhava a cidade – você adorava olhar a cidade. Me lembro de que nós descemos do trem de braços dados e sem pressa, e enquanto esperavamos o horário de embarque no aeroporto, você reclamava o quanto sua rua era insuportavelmente longa e inclinada. Depois o relógio marcou três e meia, você me abraçou longos instantes num prazer dolorido que permaneceu mesmo há trinta mil pés de altura. Do teu rosto eu me lembro até hoje. Dali em diante, contudo, não me lembro de mais nada. O tempo pára, todo ele. Os ponteiros do relógio silenciam. Se tivesse cor, o tempo dali adiante seria inteiro branco, como a cegueira branca do Saramago que tu odeia. Não lembro de mais nada. Só me lembro que cresci, não mais do que isso. Não sinto cheiros, não sinto coisas. Foi então que o metrô veio, e junto com ele veio um vento terrivelmente frio, e esta certeza insuportável, irremediável e irreversível de que deixei alguma coisa escapar pelo caminho até aqui… 

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chega de choro

E por falar em chorar em filmes, eu estava mesmo pra contar as minhas últimas experiências. A minha irmã tem esta mania de comprar filmes e a gente tem sempre uma novidade aqui em casa. Tem chovido à beça nos últimos dias em São Paulo, além do frio de congelador. Não resta outra coisa à fazer senão me meter debaixo do edredon e assistir filmes [com a pipoca].

Numa das sessões, vi O menino do pijama listrado, cujo livro que inspirou o filme eu já tinha lido e desta vez não vou dizer que o livro é melhor, porque ambos são ótimos. O fato é, quando o filme terminou não conseguia parar de chorar. Muito! Eu ainda não tinha tirado o rímel e a maquiagem do aeroporto [é, eu tenho esta mania], de modo que o meu rosto ficou medonho. E demorou um tempo para eu conseguir recuperar a pegada. Até lá eu desabei a chorar tomando as dores do mundo [praticamente] e dizendo pra ninguém [eu estava sozinha]: Que merda!!!!

Restabelecida, tratei de colocar outro filme, mais leve por gentileza. Ele não está tão a fim de você [coisa familiar, diga-se de passagem]. O final é todo bonitinho e quem tem o perfil parecido com o da personagem principal – como eu – faz a catarse, rola certa superhípermega empatia, e o resultado é o mesmo: BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!

Dois dias depois eu repeti a dose, ao lado da minha irmã e cunhado. O menino do pijama listrado [de novo, eles ainda não tinham visto] e Passageiros. Depois dos dois, meu cunhado queria ver Hotel Rhuanda.

_ Ah não!!! Desse jeito eu vou me matar!!! – eu disse. A mana concordou comigo e colocou uma comédia, o alívio.

E é assim, entende? Eu choro até em filmes de sessão da tarde. A Era do Gelo, todos eles! Quando o bichinho disse no primeiro filme algo parecido com “porque nós somos um time, e num time é assim: um cuida do outro”, eu soluçava [disfarçadamente, é claro]. A ponto de não conseguir assistir os filmes dramáticos uma segunda vez, pra não sofrer de novo! :-)

Queria ter algum controle emocional! Será que uma pisciana pode conseguir isso? :-D

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aqui com meus botões

Tem duas latas de brigadeiro ali no armário, mas eu não posso abrir, porque aqui em casa existe um protocolo para as coisas. Assim, brigadeiro é bom demais pra ser verdade, logo, não foi a minha mãe que comprou. Com certeza pertence à alguma das minhas irmãs e eu não posso comer o que não me pertence [comi]. Está um sábado lindo e eu ainda não tirei a sombra dos olhos, nem o rímel, nem nada. Coloquei a primeira calça jeans que vi na frente e a camisa azul xadreza, de flanela com babados na gola, que eu adoro. Ah, e fiz macarronada, com um molho de tomate espetacular. Eu gosto de colocar cebola picadinha, azeite e alho. Comi muito, não vou nem contar quantas vezes repeti porque isto pode ser usado contra mim no futuro. Preciso tomar uma decisão – ser sensata ou ser corajosa? Preciso ganhar mais dinheiro, preciso saber notícias do André [ok], preciso tirar uma soneca [ok]. Preciso terminar o bendito Romance e também preciso terminar de ler Antes do Baile Verde. Preciso me cuidar, fazer meus exames, tomar meu remédio da hipotireóide, lavar as mãos ao sair do aeroporto. Preciso alugar um canto, jogar alguns pufes coloridos, um tapete felpudo, um cachorro querido, um gato que não goste de arranhar sofás. Preciso de um carro, que tenha rodas. Preciso me entender com Deus. Vou seguindo, vou seguindo. É isso. A vida.

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Fawn Fruits

Então tá. Eu acabei comendo o brigadeiro. Pode de brigadeiro de um lado, coca-cola de outro [geração saúde!], MTV ligada e escuto a Marimoon falar sobre as imagens de um artista norte americano. Fui até o site dele e tive que compartilhar com vocês! É muuuuito lindo o trabalho que ele faz! Chama-se Fawn Fruits. Tem uma marca especial, uma coisa que ele coloca em todas elas, um toque só dele. Deu até uma idéia, de escrever um conto tomando por base uma das imagens. Vou fazer isso mais tarde e mandar pra ele as a gift. Me aguardem!!!

Divirtam-se !

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rock around the clock!

E o dia do rock passou em branco por este blog!!! Mas sempre é tempo!!! Dedico este humilde questionário ao memorável dia do rock e de todas as nossas histórias! ;-)

As duas histórias de rock que eu guardo no coração aconteceram em Porto Alegre: é uma feira de cd´s, em uma praça da capital gaúcha cujo nome não me lembro agora, onde encontrei o cd do Midnight Oil por apenas R$9,90. Eu  havia me desfeito do cd, mas claro que como sempre… eu me arrependi.  A outra história é um cena memorável: o André e eu sentados sobre a cama dele, escutando “All that you can´t leave behind“, do U2. Mudos. Eu era uma micro-menina.

Top of my chart: Midnight Oil

Best of the best: U2

Made in Brasil: Legião Urbana, é claro.

A Rock-Gurl: Shirley Manson (Garbage)

A Rocker-Boy: Elvis Presley.

My first álbum: Um mix com “Stay” (U2), “Tomorrow comes today”(Gorillaz), “Patience” Gun´s and Roses, Led Zeppelin etc.

One rock song: “Perfect Stranger” – Dream Theater Deep Purple, Deep Purple!! Errei o nome da banda!

5 Rock Legends: Eagles/Led Zeppelin/U2/Pink Floyd/Beatles

+: Coldplay, Radiohead, One Republic, Foo Fighters, Aerosmith, Offspring, Pearl Jam, Garbage, Portishead, Cramberries, The Pretenders, The Smiths, Men at Work… etc!

Who brought rock to my life: Meus amigos do colegial [MC!!!]

An unknown rock-band: Eu também não conheço! ;-)

Eu fui: U2 1998 “Pop Mart”/U2 200 “Vertigo”

Repasso para: Paula Craveiro, Juliana Leite, Cândido Cordeiro e Ricardo Avarih

 

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a criatividade vai salvar o mundo!

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…lindo!

Papai do Céu,

Por favor faça com que eu encontre este homem em uma Livraria e que ele deixe um livro cair no meu pé. E que neste instante um anjo cupido esteja passando por ali…

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Conheça a si mesmo

teste vocacional

Fiz este teste vocacional no site da Veja. Ao contrário do que alguns pensam, ele é a prova que tenho sobre meu autoconhecimento [tudo bem que se uma mulher de 30 anos não se conhecer, pode parar tudo, né?]. Sempre soube que eu tinha uma queda por humanas, por letras e comunicação [tudo aquilo através do qual eu posso me expressar], por artes e também por ciências.

Tudo o que eu sempre soube que gosto de fazer e sei fazer é escrever. Já quis ser dentista porque eu adorava a minha dentista [eu era uma micro-menina]. Já quis dar aulas de Filosofia porque a minha professora, na época, me deixava de boca aberta. Já quis dar aulas, por todas as professoras e professores que me deixavam de boca aberta. Eu já quis ser bióloga, para trabalhar perto da natureza e principalmente para poder fazer pesquisas e encontrar curas ou desenvolver vacinas [eu sou muito persistente e muito curiosa]. Já quis ser pedagoga, para poder ensinar teatro para crianças e pessoas sob risco social. Já quis ser assistente social, porque sempre fui cheia de querer ajudar todo mundo. Já quis ser atriz e aqui os motivos mudam ao longo do tempo: quando eu era adolescente eu queria ser a Déborah Secco. Depois, eu quis ser igual a Débora Falabella.  A primeira Déborah, no sentido da fama. A segunda, no sentido de poder fazer bons papéis e por achar que eu tinha o perfil dela. Desisti quando cheguei à conclusão de que não quero ser famosa e não poder ir à padaria comprar pão. E em segundo lugar, porque eu não gosto de novelas, acho o texto péssimo, primam mais pela audiência do que pela qualidade: o que gera aqueles besteiróis que todos vemos e [quase] todos riem, mas eu não acho graça. Hoje em dia tenho meus projetos em teatro, que têm mais relação com aquilo que eu quero dizer ao mundo, de modo que não estou preocupada nem em ser a Déborah Secco, nem em ser a Débora Falabella. Estou lá, fazendo o que me cabe e aberta para bons projetos.

Sempre quis ser escritora e “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles, mudou minha vida, minha percepção do papel de um escritor e meu jeito de escrever.

Já quis ser jornalista. Quando eu tinha 19 anos larguei  a facul de jornalismo, porque eu tinha vindo de uma escola pública e achava que não tinha bagagem cultural suficiente para cair no mercado e concorrer com as outras pessoas. E também achava que não tinha vocação para ser uma boa jornalista. Ledo engano…

…escrevo para o jornal da paróquia que frequento, na coluna para jovens. O nome da coluna é “Tá Ligado?”. Este mês de Agosto os colunistas voltaram seus textos para o tema “vocações”. O título do meu texto é o mesmo título deste post.

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Girls, books and strawberries

Lembram-se do texto que eu iria escrever sob a inspiração de uma gravura deste artista? Bem. A gravura que escolhi foi esta.  Assim que acabei, mandei o texto para o cara. Como ele é americano, escrevi em inglês. E fiquei com preguiça de traduzir…!!! Também fiquei com preguiça de corrigir alguns errinhos gramaticais. Mas eu prometo que farei os dois!!!Leia escutando esta música. É “Tire Swing”, de Kimya Dawson [trilha sonora de Juno], tem que se logar no site pra poder ouvir a música inteira na rádio.

Girls, books and strawberries

It was a sunny Day – any day – in Paris. And you know, Paris… lots of things to do, lots of things to see. So many interesting people figuring around you, especially if you are a first-time-tourist or something like that. And I´d chosen a library, now I cannot understand why of that, I can find sort of them nearby me. So, I was in Paris and decided to enter in the first library I had seen. There was a dark light inside, as the sun couldn´t cover it. I ´d came into it, and don´t ask me looking for what, I won´t know what to tell you. There was a white and big door and its ink was husking. Over that, there was a bell, a small one. There inside, I could smell the old books and hear some weird but interesting song that was playing. There was a desk at the end of the place, and an old (and mute) man reading a magazine about sculptures. I could also hear someone skimming trough the books at the bookcase behind me, at the corridor right behind the one which I was at. I took one book off the bookcase and then I saw her. She was quietly reading something that probably was very very interesting because her eyes were incredibly shining, almost bringing the sun back to the library. She looked at me, trough that little space left by the book I´d taken away, and gave me a shy smile. One second later, her eyes came back to the book. She was breathing calmly and was also smiling to it. The brown-eyed girl had the most clear face I´ve ever seen and redhead which brought me happiness, just really as the sun usually does. While she was reading the story, I could see her, walking around a big garden, between red flowers. She was wearing a yellow blouse and flowered skirt until her knees. She was walking into the garden as an angel, as a winged girl. Nothing around, just birds and butterflies. No one else closer, no dogs, no nothing. I was making my best not to be noticed by her, feeling myself as a teenager falled in love with an unknown girl, like those ones we see daily in the subway, such beautiful girls and, we, assholes boys, just  can´t hide our fascination by them. So was me in that moment, looking after the redhaired winged girl and her mysterious book. I needed to know the secret of her enigmatic smile. As there were subtitles inside her eyes and I couldn´t  read them, but only watch those images that came from the book she was reading. The girl enjoyed to walk and I should learn to enjoy doing the same… so, she sited down at a park, downtown, to finish reading her book. Then, she suddenly took her eyes off it and redirected them to a really unknown point into the library (or not), and I tried to follow her direction but all those bookcases around were complicated things. She closed it solemnly and put it back into the bookcase in front of her. The man reading the magazine left it fall on the ground, and I looked at him for a second. When I was back to her, she disappeared. I felt around a different smell, like a flower smell, like strawberries. She went away, she was gone with or like the wind, because she did it so fast, I couldn´t even follow her, as I´d followed her eyes into the story she dived on. I tried to find her outside, maybe crossing the street, maybe riding her bike (sweet girls have bikes!) or stopped by the bus stop. No nothing. That strawberry ´smell stuck on me for the longest time in my life. So I went to that corridor she had stood by and looked at the mysterious green book. Also solemnly, I took it from the bookcase. When I finally opened it, the music stopped and also the strawberry smell. The pages were all in white. No nothing. The book´s title was… “Books written for girls”. Since that day, I stopped understanding girls, completely. But the subject keeps being the most fascinating one, to me, the asshole boy.”

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Lei de porte de armas

Estes dias fiz uma prova por aí. Não adianta me ligar pra saber que prova, Dona Marcia, porque eu vou dizer na hora certa! :-) Enfim. Tinha esta dissertação pra fazer. Eu nem mexi muito. Do jeito que ficou o rascunho, passei para o word. Não me lembrava o nome do deputado que dirigiu embriagado, e se ele matou 1 ou 2 jovens. Bem, segue o texto e minha visão romântica do mundo… apenas pra deixar registrado. ;-)

Tema: A violência e seu crescimento pode ser atribuído ao uso de armas de fogo?

Defender esta questão, levando em conta a lei sobre Porte de Armas.

 

Teatro dos Vampiros

Poderia –se observar, paralelamente, o caso de um homem do meio político que, sem portar sua Carteira Nacional de Habilitação e sem tê-la, saiu embriagado e atropelou dois jovens – matando-os. Ora! Como esperar que os cidadãos comuns respeitem leis que não são sequer levadas à sério pelos representantes políticos deste país? Em quem se espelharão? Qual a força motora que lhe exerce mais influência: uma lei que não deixa o papel ou o medo que assombra a população?

Atribuir a violência e seu aumento ao porto e uso de armas de fogo é por demais simplista. Um cidadão comum porta uma arma para defender-se e garantir sua própria segurança e a dos seus. Se este indivíduo confiasse na segurança pública ou se ela lhe fosse suficiente a ponto de fazer com que se sinta seguro ao sair de casa (e ao ficar em casa!!!), poderíamos dizer que ele não se preocuparia em guardar uma arma de fogo no fundo da gaveta de meias. Sabemos, porém, que não é o caso, quando até os mais poderosos são vulneráveis – que o diga o ex-prefeito Celso Daniel, que acabou morto no meio da rua. Desta rua pela qual ele tanto trabalhava. A violência e seu aumento está, sim, ligada á outros fatores tanto mais complexos do que ter ou não uma arma de fogo (ou uma tesoura, ou uma faca, ou uma caneta) na bolsa. Na gaveta. Um adolescente chamado de Champinha não usou armas de fogo para matar a jovem Liana na região de Embu, há alguns anos atrás. A violência ali não decorria do fato de ele estar armado ou ter fácil acesso à uma arma, mas do fato de se tratar de um jovem delinqüente, um psicopata. Na mesma época, Marilene Felinto publicou em sua coluna na revista Caros Amigos, um texto onde considerava o ato cometido por Champinha fruto do que chamou de “ódio de classes”. Ou seja, o grande abismo existente entre as classes sociais deste país, onde apresentadores de televisão e jogadores de futebol ganham milhões, enquanto a imensa maioria da população ganha pouco mais do que um salário mínimo.

Uma criança que cresce em um meio onde a educação e formação são falhas ou inexistentes, dificilmente consegue uma segunda chance quando se torna adulta. Uma chance para caminhar em passos limpos. Ela sequer teve formação para poder pensar sobre si mesma, sua existência e o mundo em que vive. Ela precisa de exemplos, precisa de heróis. Heróis como o prefeito ou o jornalista assassinado. A ativista religiosa – e estrangeira – morta quando escolheu trabalhar pelo Brasil. Enfim. Nós moramos em um país onde o medo nos assombra fantasmagoricamente – dentro e fora de casa. Por este motivo, entre seguir leis transgredidas pelo próprio governo e lutar pelo bem mais precioso do ser humano – a vida – ao soar o primeiro tiro, estará conclamada a única escolha que nos resta em um país sem chances e sem heróis:  a luta por nossa própria sobrevivência.

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Ao mestre com carinho

sohmarcia

Tenho o costume de escrever textos como presentinho de aniversário para meus amigos. Este é o texto da Marcinha. Happy Birthday! :-)

 

Meu par de tênis vermelhos

Para Marcia Azevedo

Tive uma professora que gostava de sapatos vermelhos. Lembro que ela entrava na sala, falava, falava, falava, e eu ficava só olhando os seus pezinhos pequenos e suas meias divertidas. Teve uma época que ela começou a colocar os pés para dentro do banco e eu sei que foi pra interromper a coisa, porque ela nunca ligou pra o que os outros estão olhando. Vai ver que eu ficava mesmo muito distraída na aula e ela precisou de verdade tomar medidas mais drásticas. No fim das contas eu era até que boa atriz e não é que ela me dava boas notas. Acho que gostava, sei lá. É bem verdade que uma aula de teatro era prato cheio para a minha imaginação assim… sem limites. Esta falta de limites (dizem) é o que preocupa. Mas ali eu podia pintar e bordar e tirar a roupa que estava tudo certo. Ok, tirar a roupa era cedo demais e se eu tivesse estes ímpetos não é nada que um bom Nelson Rodrigues  não resolvesse, mas eu queria era soltar a franga, sair do nerdismo. Sair do mais ou menos. Ousar. Ela adorava usar esta palavra. Eu ouso, tu ousas, ele ousa. A Lívia ousa. Lívia, está na hora de ousar. Você precisa aparecer. Pra quê que ela foi dizer que eu tinha que aparecer? Inventei a história mais maluca que ela já viu e ouviu, e o resultado foi que ela deu aquela risada pequena e risonha enquanto exclamava: que ótimo!!! E foi assim que eu migrei de ousar para ótimo. Sei que ela gostava de colocar um pouco de pimenta nas coisas. Tirar as coisas do óbvio. Fico um pouco assustada quando eu percebo que eu fiquei assim também, mas nem vou tocar no assunto se um dia encontrá-la na rua, porque ela pode ficar convencida demais pensando que me influenciou ou temerosa, achando que me desvirtuou. Acho é que ela foi mesmo uma coisa meio que testemunha, sabe. Ela viu quando eu saí da casca, foi isso. Foi depois dos conselhos, é. Foi depois dos conselhos que ela ria, porque não sabia de onde eu tirei que ela sabia dar conselhos, mas que acabou me dando mesmo assim e pedindo, de novo, pra eu ousar. E eu ousei, olha. Fui lá na casa do carinha e entreguei uma rosa vermelha na portaria, com um bilhete enorme que no final dizia aquilo que agora eu não quero dizer porque tenho vergonha. Se me joguei demais, não sei. Fui lá e fiz, cumpri a tarefa, chutei o pau da barraca. Alguns meses depois eu já estava um pouco mais cara de pau e mais descomplicada e quando tinha interesse em um cara eu simplesmente ia comprar uma coxinha bem na hora que ele estava na cantina e deixava cair uma gota de catchup em suas botas. E quando eu olhava pra trás, lá estava a minha professora de teatro enlouquecida com aquele sorrisinho infernal novamente aberto e risonho dizendo baixo: “que ótimo”, que eu conseguia ler em seus lábios. Ela gostava de ver o circo pegar fogo. Viu o meu incendiar e não sobrar um pau de sebo pra contar a história. E a vida é assim, a gente sempre joga determinadas coisas na fogueira e tudo um belo dia recomeça, assim. As coisas boas, a gente guarda. E mesmo que esqueça por uns tempos, vem alguma coisa que as traz de volta. Meu all star vermelho, por exemplo. Que uso sempre para ir aos melhores lugares.

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Ligeeeeeira…!!!

Quase que mudando de idéia, porque faz muito frio em São Paulo, em São Paulo faz muito frio, o Otávio e eu “pegamos o Santana” [o Santana é o ônibus que me leva até a minha casa e é também um despachante da TAM]. Sentei no último banco do ônibus, entre dois homens [bem comportados, porque se tem pinta de maloqueiro eu prefiro ficar em pé, baseado em experiências passadas]. O Otávio sentou em um banco na minha frente, ao lado de um gordão. Algumas coisas me irritam, como em plenos tempos de Gripe Suína, todas as janelas do ônibus estarem fechadas, por exemplo. Mas já estou quase entrando em transe [acontece, dentro dos ônibus], quando chega um torpedo do Otávio, ali sentado na minha frente [!].

O cara do meu lado está com um bafo de esgoto de matar“.

Eu penso em algo inteligente e espirituoso como resposta, que pode não ser nem uma coisa e nem outra, contanto que atinja o objetivo de servir de consolo. Enquanto penso, o ônibus dá aquele pulo que me faz quase saltar para o colo do Otávio. Vejo, por trás, o rapaz com as mãos no  nariz, erguendo a cabeça levemente para a esquerda enquanto o gordão boceja. Fico segurando a risada que se contorce na barriga, e finalmente respondo:

Abre a janela, diz que é por causa da gripe suína!”.

Mal dá tempo de ele achar graça, porque o gordão pede licença pra descer. O Otávio ocupa seu lugar e eu me sento ao seu lado. Pasmo, desta vez quem entra em transe é ele e não eu. Quer dizer, depende do transe, né. Otávio e eu vamos embora juntos todos os dias. E ontem eu não conseguia ficar de olhos abertos. Disse-lhe assim [pra ser simpática]: Me acorda quando você for descer! Daqui a pouco sinto um biquinho nas minhas bochechas (hahahahahaha!). Tchau, ele dizia. Ainda bem que eu tenho a memória boa, senão já dava um soco, achando que era algum tarado.

Mas hoje, como eu dizia, foi ele quem entrou em transe. Eu, como sempre, estava no mundo da lua. Se não estou dormindo, estou lendo, se não estou lendo, estou ouvindo música e como cada música me leva para algum lugar diferente, posso dizer que se estou escutando música, estou em qualquer lugar, menos ali [no ônibus]. De modo que o Otávio estava pra lá de Bagdá e passou do ponto e eu neeeeeeeeeeeeem. Uma pessoa normal, lhe daria um sutil cutucão [a gente nunca sabe a reação das pessoas] e diria: amigo, o seu ponto está chegando. Mas o Otávio precisou bater com a cabeça na janela pra então acordar e olhar pra minha cara sorridente enquanto sacudia a cabeça e cantarolava “I see your true coooolorssss shining trough”. Ele tenta falar comigo pra avisar que passou do ponto e escuta um: “HEIM?”. Naquela altura o ponto dele já era faz tempo!

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diquinhas e livros!

Então vamos aos destaques do fim de semana! :-D Agora é assim. Tudo bem que hoje é domingo, já. É que aeroviário perde a noção de tempo, entende? Mas o que interessa é indicar coisinhas legais. O post da semana, pra começar bem a semana, é este aqui, do meu amigo Cândido, lá de Curitiba. Não é só o jeito simples e sincero com que ele escreveu o post, mas a dica! Coisas simples podem de verdade fazer um diferença enorme. Veja o que diz esta reportagem com diquinhas para um up em tudo, com idéias simples… ah, minhas leitoras adolescentes têm algumas idéias de livros aqui. Aposto que a maioria delas vai preferir ler Tcheckov, e isso é ótimo, mas fica a dica e meu papel social!    :-D

E pra já começar a sonhar, olha aqui o trailer de Alice in Wonderland!!! (Adorei o Gato!!!). E dizem que o Depp, que não podia faltar neste filme, quer fazer o Coringa, no próximo Batman. Que tal, heim?

Pra terminar, vou mandar um joguinho que vi por aí, que é bem legal para trocar figurinhas sobre leituras, livros, bons escritores, etc:

Livro de Infância: só um? Vou colocar vários, tá? Vamos lá: A Fada que tinha idéias, Marcelo, Marmelo, Martelo, uma coleção que se chama Fantasia e Conhecimento e um livro infanto-juvenil, uma outra de uma família de coelhos que morava em troncos de árvores, Histórias de Anita (Anita no parque, Anita na Chácara, etc), livros infanto-juvenis da coleção “Vagalume”, Na mira do Vampiro (adoro, sempre releio), Para gostar de ler. Etc.

Personagem que queria ser: a Anita, porque eu queria estar em todos os lugares por onde ela passava. E depois de adulta… a Lorena, a Lena! (As Meninas, LFT).

Primeiro livro enorme que lembra de ter lido: O nome da rosa!!! Umberto Eco.

Filme que ficou melhor do que o livro: xiii… não lembro de nenhum!  Geralmente os livros são melhores, ou os filmes os completam.

Livro que te fez sonhar acordada (o):  todos os livros infantis, ainda que eu leia hoje, A Ostra e o Vento do Moacir C. Lopes e Olhai os Lírios do Campo, Érico Veríssimo.

Livro que te fez chorar: Ensaio sobre a cegueira, José Saramago. A Carne, Júlio Ribeiro; Meu pé de laranja lima, José Mauro de Vasconcellos.

Livro que te fez rir: Na mira do vampiro!!! E os livros de contos da Lygia Fagundes Telles.

Livro que mudou a sua vida: As Meninas, Lygia Fagundes Telles.

Livro que te causou dor: As Meninas e qualquer conto da LFT, Diário de Anne Frank. Menino de Engenho, José Lins do Rêgo, O menino do pijama listrado. A menina que roubava livros. Ixi. Tantos…

Livro de cabeceira: A Reinvenção do Espetáculo – Cirque du Soleil

Livro comercialzão: O advogado, John Grisham. Bom, viu?

Querido escritor: Lygia Fagundes Telles.

Sente vergonha por não ter lido: Machado de Assis.

Não suporta: livros de auto-ajuda, não consigo, não dá. Muito modernismo e coisas à la Kafka.

Para os apaixonados: Romeu e Julieta, Shakespeare! Grifar todas as falas românticas da Julieta!!!

Livro sensual: Lolita!!! :-) Ele consegue passar erotismo sem vulgaridade, sem ser óbvio.

Para quando quiser ficar feliz: ler os poemas do Mário Quintana!

Para quando faltar esperança: Ler as tirinhas do Calvin & Haroldo.

Livro que ganhou e nunca leu e nem vai ler: 100 escovadas antes de dormir, que foi minha xará quem escreveu.

Para quando for preciso paciência: O velho e o mar, Ernest Hemingway.

Livro que comprou e nunca leu: Sem destino, de Imre Kertész

Biografia: Do Cmte Rolim Adolfo Amaro e de Nelson Rodrigues. A do Nelson me surpreendeu positivamente. E tem a de Dom Bosco, que está estacionada, pra começar a ler.

Para garotas: Casa de Meninas, do crítico de cinema Inácio Araújo.

Difícil: Clarice Lispector, Guimarães Rosa. Não é sempre que eu tenho paciência, mas às vezes estou no clima de ler apenas os livros deles!

Para quem gosta de escrever: Cartas a um jovem poeta, Riner Maria Rilke.

Leitura de teatro: Esta propriedade está condenada, Tennessee Williams. Texto fortíssimo. E Sonho de uma noite de verão, do Shakespeare.

Conto gostoso de ler: Duelo antes da noite, João Gilberto Noll; As margens da alegria, Guimarães Rosa.

Não conseguiu terminar: O Amante, Marguerite Duras.

Está na fila: Naufrágios, Akira Yoshimura.

Livro que daria de presente: Já dei Perdas e Ganhos, da Lya Luft. Vixe, tem tantos! Mas a Antologia Poética do Mário Quintana eu compraria de penca, assim, pra ir distribuindo! ;-)

Pérola encontrada nos sebos: Vidas de Mulhere Célebres, um livro velho, que tem a biografia de todas as grandes mulheres da História!

 

O que está lendo agora: Antes do baile verde, LFT.

Passando pra frente: Anna Vitória, Luisa Pinheiro, Paula Craveiro, Juliana Leite, minhas meninas queridas. Kokóta e Sandrinha [deixem como comentário!] e quem mais quiser responder!

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Já consigo te ver

Eu sei que vai ser assim. 

Vai ser assim. Nós vamos morar em um apartamento charmosinho com jeito londrino, destes que pouco se precisa para ser lindo. Eu, que sempre fiz questão de morar em uma casa, vou topar a primeira opção de teto com nossa cara que você propor, porque certamente estarei apaixonada por você e só isso vai importar. Você vai saber que escolheu a mulher certa quando chegar e me ver usando um macacão todo espirrado da tinta que estarei (tentando?) retocar as paredes da sala. Você vai ser do tipo que não se importa em sujar o nariz de tinta, claro. Eu escolheria este tipo de cara! Nós vamos ter um escritório, porque você também gosta de escrever e possivelmente será um cara envolvido com alguma coisa que vai texto. E nosso computador vai ter dois usuários, e como somos pessoas espirituosas, as fotos dos dois usuários (eu e você) serão a mesma: nosso avatar. Sei que de vez em quando você vai pousar atrás de mim, e vai ficar me olhando escrever e vai ficar assustadíssimo com a rapidez com que eu digito. Vai alisar meus cabelos e, de lábios entreabertos, vai ficar lendo o que eu escrevo e achando o máximo, porque você vai ser suspeitosamente meu maior fã. E eu a sua incondicional admiradora. Sei que vamos rir de tudo, sei que minha barriga vai doer por horas. E que você vai aprender que deve trazer girassóis pra casa todas as sextas e colocá-los no vaso, porque vou estar com as unhas frescas. De vez em quando vou chegar do trabalho depois de você (nesta época já serei jornalista) e você me surpreenderá vestindo um avental branco, de onde você vai responder ao meu boa noite. Eu me postarei ao seu lado, observando enquanto você corta a salsinha (com maestria), e te contarei sobre meu dia, as correrias, os textos, quantas vezes precisei refazê-los e aquele outro que precisei escrever em cinco minutos. Eu vou explodir de tanto amor quando você parar de picotar a salsinha para me ouvir contar sobre minhas estripulias apenas para te dizer o quanto sua mulherzinha é demais. Você vai me dizer isso e eu vou dar um sorriso de garota mimada convencida, mas amada, muito amada por você. Eu vou te perguntar quanto tempo vai demorar a sua comidinha estar pronta e ainda vai dar tempo pra eu tomar um banho e me vestir tão linda como se fôssemos jantar fora e você vai ficar de verdade muito envaidecido quando eu sair do quarto toda linda e cheirosa apenas para jantar com *você*. Ah, e vamos ter um cachorro, que eu vou fazer questão de te levar junto até o centro de zoonoses para adotarmos, e você vai certamente sair de lá me consolando, porque eu sei que vou chorar e vou querer trazer *todos* pra casa. Eu sei que você vai ter um sorriso lindo e um jeito quase mágico ou hipnótico de me deixar tranqüila sem precisar fazer absolutamente nada além de tocar meu rosto ou olhar nestes olhos iguais aos do cachorro que a gente vai adotar. E eu sei que este cachorro vai viver na nossa cola e você vai jogar lingüiça toscana no canto da cozinha quando ele estiver por perto. Sei também que você vai me trazer café na cama aos domingos e fazer questão de me acordar cedo. Você vai certamente ter alguma mania ou algum hobby que vou alimentar até o fim dos tempos. Sei que nossas noites serão longas e os dias curtos demais. Sei que vou te amar eternamente, e assim, você fará parte dos meus planos, estará no meu futuro, sairá dos meus sonhos, materializando-se dentro do nosso merecimento, nos dias mais felizes da nossa vida. 

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83ª Festa de N. Sra Achiropitta – 1º Fds

Eu sei que está enorme, mas é muita coisa pra falar! Vai lendo devagar…

O ano passado estava passeando de carro com o Andrei, um amigo de séculos, quando ele me contou que seria voluntário da festa italiana mais conhecida de São Paulo, que eu viria a saber mais tarde que ela inclusive faz parte do calendário oficial da cidade. Não pensei duas vezes, fui pidona: eu também quero! Deu certo, e este já é o segundo ano que eu tenho o privilégio de participar como voluntária desta festa linda e especial que é a Festa de Nossa Senhora Achiropitta. Bem, em resumo, é uma festa que é realizada há 83 anos e com toda a renda arrecadada, são apadrinhados diversos projetos sociais no Bixiga: para crianças, idosos, adultos não alfabetizados, deficientes físicos, etc. Toda a vasta extensão da obra e dos contemplados só é possível por causa da renda que a festa arrecada, nestes 83 anos de atividade. E eu fui parar lá dentro: onde tem alegria, onde tem festa, onde tem música, onde tem farra e onde precisa de gente pra ajudar, lá estou eu.

No primeiro final de semana (que passou), a festa foi tranquila e já pudemos agradecer por não ter chovido, já que boa parte dela acontece nas ruas do Bixiga, o bairro tradicional de São Paulo onde ficam a maior parte dos restaurantes italianos. E é aquela coisa, né. Um baaaando de gente, na base da Barão de Itapetininga às segundas-feiras. Não dá nem pra andar.

Na sexta-feira chegamos cedo para limpar as cadeiras e mesas com álcool. Ponto pacífico, porque este ano as mesas são novas, e se são novas, são limpas, se são limpas, não dão trabalho pra limpar: a tríplice esponja-veja-álcool, já era. Ficou só o álcool. Como sobrou tempo, aproveitamos para deixar os guardanapos dobrados, assim no dia seguinte seria só chegar e montar as mesas: toalhas individuais, guardanapos com o logo do patrocinador virado pra cima, tubo de catchup [já já explico]. Como de costume, fui e voltei de carona [meu pai não me empresta o carro porque não quer que eu dirija sozinha, eu vou mesmo comprar um fusca]. Peguei meu uniforme, aquele, que deixa a gente liiiindja. Aquela boininha e aquele gorro para proteger os cabelos (leia: para você não encontrar cabelo no spaguetti), o que faz nosso voluntariado ser duplo: além de todo o trabalho, ainda tem a parte de deixar a vaidade *totalmente* de lado, porque vestindo aquele negócio não dá pra ficar bonita, mulherada. Esqueçam!!!

[e é por isso que tem gente que não usa boina, apesar de ser ordem].

No sábado, quando chegamos, todas as mesas já estavam montadas. Tivemos apenas que revezar as toalhas de mesa e guardanapos, de modo que todos os patrocinadores ficassem à mostra. E dale trocar guardanapos aqui e ali e correr pra buscar mais Dona Benta. Depois preparamos as bandejas que usamos para servir, com toalhas individuais para forrar e o menu, pra ninguem se perder se alguém perguntar o preço do vinho. E tinha ainda o brinde, um tubo de catchup pra cada um, que tivemos que espalhar por todas as mesas do nosso setor. Tubo de catchup que seria tão importante a ponto das pessoas jogarem o brinde dos seus vizinhos de mesa ausentes dentro da bolsa [#quefase]. Por falar em “nosso setor”, preciso dizer que somos privilegiados: ficamos ao lado das janelas, com vista para a rua, ficamos ao lado do palco, assistindo o show da banda, da sósia da Rita Pavone e dos tenores, literalmente de camarote. O salão é assim: um salão enorme, todo decorado com motivos italianos, e que é anexo à igreja, onde acontece a festa à parte: na cantina! Então espalham-se a cozinha com todos os quitutes, as bebidas, a barraca do doce, os tiozinhos vendendo pandeiros, brindes, etc. Tem os leiloeiros, tem os queijos de sei lá quantos quilos, a cesta de produtos, blábláblá. Tem música ao vivo, uma banda de tiozinhos à la Jô Soares. Tem aquela coisa toda. E eu já estava contando os minutos para matar a saudade daquele spaguetti sem precedentes!!! Nosso jantar seria servido às 18h45 [15 ms pra comer?!]. As vovózinhas capricham no prato. Uma bela macarronada com um belo pedaço de pão italiano, e aquele molho ao sugo *inesquecível*. Só dá tempo pra comer tudo à engolidas e escovar os dentes, fazer um make, pra tentar ficar no mínimo bonitinha já que o cabelo e o look… pode esquecer!!! Nada de paqueras por ali. O público só vê aquele mooooonte de pessoinhas vestidos todos iguais, correndo pra cima e pra baixo com suas bandejas, cantando e dançando enquanto trabalham. Somos nós, muito prazer, os equipistas.
Como cheguei mais tarde, perdi a oração que é feita às 17h.  Onde todas as pessoas que trabalham na festa, seja na rua ou lá na cantina, simplesmente páram o que estão fazendo, dão as mãos e escutam o padre com a voz de locutor de rádio dar as bençãos para aquele dia e rezar uma breve oração. O público começou a entrar na cantina às 20h, procurando seu setor, sua mesa e seus lugares, ali no imenso salão.

Estávamos preocupados com uma senhorinha que gosta de causar. Pra vocês terem uma idéia, na festa passada ela apareceu vestindo uma roupa de dança do ventre e dançando com um bambolê. O Andrei, meu amigo super bonzinho, a chamou de Exú. Aqui fica então a base, né. Ela seria nossa companheira de equipe, servindo as pessoas. Ela já havia dito ao coordenador da equipe [meu amigo] que é “bastante rápida”. Ao que ele ficou preocupadíssimo, porque não adianta ser “bastante rápida”  e [baseado em fatos reais] lavar as costas das pessoas com macarrão [#corram]. Eu vi quando a moça da mesa pediu um Guaraná Zero duas vezes. Na primeira vez ela trouxe um guaraná normal. Na segunda, um suco de maracujá. A moça, desacreditada, começou a rir. Deve ter pensado assim: eu peço um guaraná diet e ganho uma garrafinha de suco de maracujá?!? Mas foi gentil e ficou com seu suco, sem mais delongas. Eu chamei a senhorinha de canto e expliquei que tínhamos a opção de Guaraná Zero e talicoisa. Depois, no fim da festa, percebemos que ela era o próprio Katrina, o furacão que passa e devasta a mesa das pessoas: vai recolhendo tudo tudo tudo, e quando as pessoas voltam da pista de dança, não encontram mais nada porque a senhorinha já levou tudo e jogou no lixo. A tia coordenadora de equipe ficou beliscando o peito feito a Adriana Esteves em TomaLáDáCá e eu precisei fazer massagem na barriga, porque não dava pra parar de rir…

Assim que as pessoas vão entrando, um bigodudo de cabelos e bigode branquinhos branquinhos, sobe ao palco e explica para o público que para comprar fichas, deve-se chamar as pessoas de boné vermelho. Para pedir, deve-se chamar as pessoas de boné branco (nós). No sábado foi o dia do livre-macarrão. Portanto da fila imensa ali no janelão da cozinha. No domingo foi o dia em que o convite dá direito à um prato de macarrão, mas que as pessoas deixam pra pedir na última hora…  e tudo beeeeem.

Só que a luz da Rua Treze de Maio, uma das ruas onde acontece a festa, resolveu cair bem na hora em que a fila da fogazza estava dando a volta. A conclusão foi que nós precisamos rebolaaaaaaar pra arranjar aquelas fogazzas, que são a menina dos olhos de todo mundo [daí que a fila está sempre gigante e os mais impacientes ficam sem comer]. Eu fiquei tentando entender o que elas tinham que ver com a eletricidade, já que alguém muito inteligente inventou as caixinhas de fósforos, mas quem sou eu.

Outra coisa que preciso contar, é que as vovózinhas ficam todas reunidas na cozinha, preparando o macarrão. São duas mesas: uma de penne e outra de spaguetti. As pessoas escolhem o que querem e os bandejeiros (nós), vão até a janela comprida da cozinha pedir para as vovózinhas quantos macarrões desejam e quais. Tipo “três spaghettis e um penne”. A fila de bandejeiros é sempre enorme. As vovózinhas fazem um mutirão bonito de ver: uma tira o macarrão de dentro do pote transparente e coloca dentro do escorredor. A outra vem com suas mãos de colher de macarrão e coloca um porção [generosa] dentro do pratinho de plástico. Em seguida vem uma concha de molho que se derrama sobre o prato, e por trás dela, outra vovózinha esperta no gatilho e vem outra que coloca o queijo. A última vovózinha, gente, é aquela que me perguntou quantos macarrões eu queria. Eu, no meio da fila, disse: quero 3 spaghettis. Ela esperou todo este processo ser feito para pegar os três pratinhos e me dar. Só que enquanto isso, a fila andou [como todas as filas sempre andam] e eu mudei de lugar!!! Fui mais pra frente, entende? Não estou mais ali, naquele mesmo e exato lugar. A vovózinha, porém, está. Ela pega os 3 pratos de macarrão, se vira, e – em marcha lenta, como todas as outras, porque são velhinhas – coloca na bandeja que agora ocupa o lugar onde eu estava!!!!! De onde, portanto, um bandejeiro sai, saltitante e feliz, porque pegou o macarrão antes de todo mundo que já estava aguardando. E eu precisei esperar de novo, desta vez acenando para a vovózinha: AQUI, VÓ!!!!!!!!!!!!! Desesperada, assim, como se nunca tivesse comido macarrão na vida. Destaque para a vovó que tem os cílios brancos, parece que tomou um banho de neve. E para a outra, para a qual meu vizinho de fila pediu 3 spaguettis e ela, faceira, voltou com 3 penne. HAHAHAHAHA! Amo demais!

Enquanto isso a banda se esbalda e esbalda as pessoas com todos os sucessos italianos que vocês conhecem e no final da festa, nós, os equipistas,  já saberemos todas as letras de trás pra frente. Assim quase fluentes. Gosto de quando a cantorona [o tipo nonna] canta aquela parte da música: “pó pó pó pó pó pó pó póóóó pó…”. Gosto de Surdatto Nnammurato, gosto da música da polenta. Cada vez que toca alguma destas, ligo para o Otávio [da TAM] e deixo o celular ligado, grudado na manga, enquanto corro com a bandeja pra pegar spaghetti. O Otávio está ali do outro lado da linha escutando música ao vivo, junto com seus pais, emocionados e escutando eu dizer para um senhor que a fogazza acabou. Eu tentei ligar na hora em que os tenores cantaram Con Te Partiro e La Traviata, mas ele achou que dormir era mais legal, então… ;-)

Tudo foi um pouco menos emocionante só porque este ano meu gatinho não estava lá; tudo bem, o gatinho não é propriamente meu. Era um cara negro liiiiiiiiiiiindo [e este detalhe é só pra informar que eu tenho um tombo por caras negros], e que ficava na barraca das bebidas, super simpático e conhecidos por to-dos. Um belo de um sorriso, entende? O ano passado ele ficava insistindo pra eu ir nas festas que rolavam depois da festa propriamente dita, as baladinhas, sabe?  Por motivos maiores, eu não ia. Depois apareceu com uma loira, mas isso são outros 500. O fato é que o cara é demaisss e me dá coisas [coisas comportadas]. Penso e escrevo aqui, né. No máximo eu comento com a Sílvia [a  moça que parece a Joelma]. Porque na frente do rapaz eu fico da cor do pimentão recheado que as vovózinhas servem [#pata]. Este ano, pois, o rapazote cujo nome sei mas não posso colocar aqui, está na rua, né. Daí que nem tudo são flores. Pelo menos ele me reconheceu, mesmo de cara nova, mais bochechuda e com a tal franja que eu não usava antes. Foi carinhozinho, até.

Quando tudo terminou o Paulinho começou a rir-chorar, pois era hora de esperar a Rafaela, nossa amiga pra quem ele [também] dá carona. Pobre Paulinho. Ela usa aquele boné vermelho, sabe? Mexe com dinheiro, vende as fichinhas. Sobe pra fechar o caixa e a conta nuuuuuunca bate. Desta vez não só bateu, como ainda sobraram R$19,00 [sabe-se lá por quê motivo].

Cheguei em casa às 02h da manhã, pra acordar às 04h: eu tinha que trabalhar, entro às 06h, lembram? Não sei como foi que fiquei acordada até o meio-dia. Acho que foi Nossa Senhora Achiropitta que segurou as minhas pálpebras, pra elas não caírem.

Depois tem mais.

***

Festa Italiana de Nossa Senhora Achiropitta

Onde: Rua Treze de Maio, Bela Vista – São Paulo – SP

Quando: todos os finais de semana de agosto, a partir das 19h.

 

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Ouvindo: Vanessa Mae/Vangelis

O Mágico de Oz

 Havia um mágico que usava roupas brancas e tinha o cabelo ruivo. Era lindo e misterioso como um anjo. Ele caminhava sobre a rua de folhas amarelas e conforme andava, flores coloridas brotavam dos jardins em seu redor. Raios de sol batiam sobre a face daquele grande lago, de onde se abria um enorme arco-íris e então o homem, de tal eloqüência admirável, tirava do seu grande paletó um pincel vermelho como sangue, que fazia triplicar a extensão até onde as cores alcançavam. E então, como nos filmes, ele erguia suas mãos tão alto como um maestro e fazia todo o ar se pintar em cores diversas e espalhar ventos coloridos com perfumes de lavanda e de flores brancas. O mágico, ágil como uma lebre, tinha os movimentos coreografados e exuberantes. Abria o seu largo sorriso e revelava um rubi muito brilhante em um dos seus dentes da frente. O mágico continuava a erguer suas mãos e agitar os dedos como se tocasse um piano e todo o céu era uma explosão de cores, que começou então a rodar à sua volta até tornar-se um imenso funil, conduzido apenas por seu pincel. Havia o som transbordante de um violino que ecoava nos troncos das árvores e fazia cócegas em nossos ouvidos. A moça de cachos dourados, boquiaberta, olhava para seu feito, quando teve seu jornal roubado pelo assaz mágico. Fez dele também um funil como se existisse para proteger uma rosa, e usando o dedo indicador, mergulhou ali todo o explosivo arco-íris, em espiral. Este, de branco e preto fez-se colorido. O mágico sorriu ainda mais e já sabia que dali brotariam rosas de todas as cores, que fariam encantar a garota mais bonita que se tinha conhecimento. Seduzida, ela deixou-se conduzir quando ele a atirou em seus braços e levou-a por todo o campo verde, dançando a mais bela valsa que já se pôde ouvir e que nunca ninguém jamais conseguiu compor. Os seus cachos dourados brilhavam ainda mais. Tão leve eram que pareciam não ter peso algum. Não sabíamos de onde a música vinha. Ela, que parecia não ter fim e ainda assim não nos cansávamos de escutar. Nunca se soube que terminou. Nem a garota, em toda sua formosura e graça, nem as flores de cores tão vivas, nem o mágico e seu branco terno impecavelmente reluzente, nem o tempo, nem a fantasia, nada se desfez, enquanto acreditamos. E por onde nossos olhos e nossos sentidos se mantiverem atentos, seja na inquietude trajada dos fios ruivos de um mágico, seja pela sua dança a nos encher os olhos, seremos testemunhas de uma história de magia interminável.

07 de Agosto de 2009 by Mel.

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FESTA DE N. SRA ACHIROPITTA 2009 – 2º fds

Manual para um bandejeiro feliz 

Não sei se ficou claro pra galera, mas sou voluntária da Festa da Achiropita e trabalho todos os finais de semana na Cantina, servindo as pessoas. Então resolvi dividir minha experiência adquirida neste segundo ano de festa e escrevi este manual, super didático, prático, dividido em tópicos que é pra total compreensão MESMO. Primeiro, precisamos definir o que é um bandejeiro feliz. Ou, como deixar um bandejeiro feliz. E isto é muito fácil, minha gente. Bastaria que deixassem espaço nos corredores, para que a gente possa passar com as bandejas e as coisas todas, sem correr o risco de deixar o prato de macarrão cair na cabeça de alguém. Como diz o Jackson Five (o motoboy): “nóis qué passá!!!”. Então eu vou logo registrando aqui como agir para ser um bandejeiro realizado no final da noite, sem maiores tragédias. Vamos lá:

 Dos garfos e facas e guardanapos

O negócio é que quando você estiver na janela das vovózinhas pra pegar o macarrão, vai ter que preparar os talheres enroladinhos no guardanapo para o cliente. Só que deve considerar alguns fatores adversos. O primeiro é que atrás de você existe uma fila se formando, de maneira que você não pode ficar meia hora ali, arrumando os talheres. Pegue quantos talheres e guardanapos precisa. Dê alguns passos pra frente, e enquanto as vovózinhas preparam os pratos, você vai enrolando de maneira muito rápida e ágil (e se não for assim sugiro aprender a ser, antes de pegar a fila, para não atrolhar a vida dos outros). 

Para sair com a bandeja cheia

Transitar pela cantina da Achiropitta é como estar na 23 de Maio (uma das principais vias arteriais de São Paulo). Não dá pra se jogar, assim, sem mais nem menos. Aliás, nunca dá, né? Existem várias condições adversas. Crianças correndo e você nunca vai vê-las, porque elas tem o tamanho da sua panturrilha e quando você anda com a bandeja (se você for uma pessoa normal), você não vai ficar olhando para o chão. Tem também os amigos que compram várias mesas, com várias cadeiras, mas JAMAIS ficam sentados. Entopem os corredores ou se abaixam meio que de quatro, pra conversar com seus amigos que estão sentados, e ficam com as bundas empinadas para os outros verem. Você vai querer passar com a bandeja com cinco pratos de macarrão e uma jarra de vinho tinto, vai pedir licença, e como existe música ao vivo e aquelas caixas de som enormes, ninguém vai nem sonhar que você está ali, muito menos que está dizendo alguma coisa. Portanto eles não sairão da sua frente. Você terá que tocá-los (no lugar certo!!!) para que vejam que você quer passar. Se por acaso for um dos intervalos de música, pode simplesmente berrar assim: OLHA O MOLHO!!! Que as donzelas saem rapidinho do seu caminho. Lembre-se sempre, que quando for sair com a bandeja cheia para voltar à mesa, olhe para trás pra ver se vem vindo alguém, alguém correndo, alguém pulando, alguém puxando um trenzinho, estas coisas. Dê seta pra sair, entende??? E se achar que não tem jeito pra ser equilibrista, sempre é melhor chamar alguém ou segurar a taça de vinho (altamente recomendável). Saiba que as chances de você sair com a bandeja cheia e alguém chegar à 180km/h e trombar em você são altíssimas. Por isso é muito importante dar seta!!! 

ComoLidar

Tem também os vendedores de bugigangas. Ah, estes vendedores. O que acontece é que você está em quinta, em velocidade compatível com sua necessidade, e como já tem prática, está com a bandeja cheia de coisas e tem alguém lá na mesa te esperando e você quer passar. Só que tem um vendedor que parece um cabide ambulante, como se estivesse andando em plena 25 de Março, com coisaradas dependuradas por todo seu corpo. De babador e pandeiros à cd´s e imagens. E estes vendedores (coincidência ou não) não são pessoas magras. São pessoas gordenhas. Pessoas que ocupam espaço. Pra ser mais exata, pessoas que ocupam todo o espaço do corredor (que não é grande). E você está em quinta marcha, ao passo que eles estão na segunda. O esquema é o mesmo. Você vai pedir licença, vai chamar, vai cantar, vai berrar e eles não vão ouvir. Pode berrar OLHA O MOLHO, que a palavra “molho” aterroriza qualquer um. Ou dê aquele toquinho no ombro do amigo, que ele vai olhar pra trás, e quando olhar, verá você e mais uma fileira de bandejeiros tentando passar com macarrões e vinhos e fogazzas, com as caras sérias e ligeiramente amedrontadas, igual à cara que as galinhas fazem, em Fuga das Galinhas. O amigo vai arregalar os olhos (medo) e vai sair sem você precisar pedir a segunda vez. 

É meu, é meu, é meu

Como você está ali, sua função também é a de manter o local com a mínima ordem, até porque, quanto mais em ordem ele for mantido, menos trabalho você terá pra limpar as mesas depois da festa (a visão do inferno). Portanto, na medida em que notar pratos vazios, guardanapos amassados, garrafas ou latinhas vazias, pode pedir licença e recolhê-los da mesa. Mas PEÇA LICENÇA!!! Não chega rasgando, pegando as coisas. As pessoas não curtem. Primeiro porque elas pensam que você vai pegar a comida delas, que vai levar embora os brindes delas. E segundo porque, pensa comigo: você está super concentrado (a), ali, comendo sua berinjela recheada. De-repente chega alguém por trás e começa a meter as mãos e cotovelos entre e por e através e por cima de você. 

Quando você deve fingir que é cega

Quando as pessoas trocarem de mesa e sentarem em lugares alheios (lembrando que as mesas da festa têm lugares marcados). Quando as pessoas meterem o catchup (brinde da Quero) do lugar vago ao seu lado dentro da bolsa. Quando for se olhar no espelho, já vestindo aquele uniforme de elegância ímpar, procurando beleza onde não existe. 

Sobre a empolgação e suas consequências (!)

Fica como último conselho maneirar na empolgação. Não entre no trenzinho, não rodopie na pista de dança, não vibre com as músicas envolventíssimas a ponto de esquecer o que está fazendo ali. De vez em quando você vai se sentir igual ao Leonardo DiCaprio em Romeu e Julieta, quando no meio de toda aquela galera surtando de empolgação, olhando pra sua cara com a boca aberta-sorridente, mãos agitadas, música altíssima, a batida italiana batendo dentro da sua cabeça, o cantor dizendo lararararaá-lararararáá-lará-laráááá, Hey!  Lararararaá-lararararáá-lará-laráááá, Hey! você vai tentar passar no meio deste povaréu com sua bandeja, vai precisar erguê-la, pra não cair cabelo das pessoas dançantes no canolli que você está levando para a mesa, e ao erguer a bandeja você vai morrer de medo que o canolli role e caia na cabeça de alguém… ufa! Enfim: lá pelas tantas, você vai querer fazer igual ao Léo: enfiar a cabeça dentro de um barril de água (ou de vinho).

Da saudade que você vai sentir quando acabar

Acredito que seguindo estes conselhos, qualquer bandejeiro de primeira viagem vai sobreviver  à experiência. Ainda que no fim da noite seus pés pareçam carne moída e tudo o que você queira ver seja a sua cama. Você vai arrancar sua roupa e se jogar entre os lençóis sem nem tomar banho. Sua cabeça vai fazer aquele barulhinho que se faz quando a pessoa fica a noite inteira com uma caixa de som dentro da orelha. Sabe aquele pííííííííííííííííí….? Então. Mas estranhamente, no dia seguinte, você vai ter a mesma disposição pra fazer tudo isso de novo, aos trancos e barrancos, aos risos e suspiros. E é assim mesmo.

Ver Festa de Nossa Senhora Achiropitta – 1º fds

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Festa de Nossa Senhora Achiropita – 3º fds

e semanas.

Não dá pra ser curto… prometo que em Setembro só vou postar twitices!

Então lá vem a terceira parte da saga “A Festa de Nossa Senhora Achiropita”, na qual tenho o privilégio de ser personagem coadjuvante, trabalhando como voluntária [bandejeira] até o final do mês de Agosto. Ontem quando estava escolhendo a roupa depois do banho, estava com a maior preguiça de fazer aquela mega produção caprichosa digna de uma mulher bonita e vaidosa [e solteira!]. Cheguei a escolher a camiseta verde da Mônica com o Sansão. Aí pensei. Putz. Mel, você tem 30 anos. A Mônica já era. Ainda que dentro destes 30 anos caibam uma mulherzinha descolada, que coleciona camisetas divertidas e adora combiná-las com botas de salto baixo [mas isso dá outro post]. Sem ficar falando no que é subjetivo, ou seja, o motivo que me fez trocar de camiseta, tenho a dizer que sim, eu troquei de camiseta. Deixei a Mônica de lado e escolhi uma bata azul turqueza [é com s?] que um ex-rolo adorava. Ele sempre elogiava quando eu vestia, dizia que eu estava linda e talicoisa. Ah… e coloquei brincões, hehehe! Um par de brincos liiiindos que eu tenho, da mesma cor da blusa. Com miçangas. Enfim… o fato, queridos e queridas, é que eu fiquei liiiinda! Caprichei na maquiagem, fiz uma sombra esfumada dourado com marrom, o cabelo [que agora está quase loiro e eu felizmente já me acostumei] ficou perfeito. Eu tinha acabado de cortar, as curvinhas do repicado que o moço fez na frente de fato ficaram “as curvinhas do repicado”. Enfim, a mocinha que vos fala ficou lindíssima, ainda que este lindíssima fosse durar das 16h às 19h30. Depois, eu teria que colocar a camiseta da festa, o gorro de cozinheira e a boininha branca com aba vermelha.

Como sempre, quando chego já está quase tudo pronto. Cadeiras e mesas limpas. Eu contei para as moças que ficassem sossegadinhas, porque no ano passado as mesas e cadeiras eram de ferro, destas de bar. E nós tínhamos que passar esponja todos-os-dias! E depois álcool. Não tinha esta mamata de mesa nova, assim simples, que é só passar álcool e pronto. Cadeiras limpinhas, enfim. Fui distribuir toalhas de mesa e guardanapos, sendo com a frescura necessária de se manter o logo dos patrocinadores  para cima, e distribuir todos os patrocinadores por todas as mesas. A Quero não pode dominar, nem a Dona Benta, nem a Nova Schin. Não adianta formar as mesas que estão próximas às janelas, porque existe o vento e o vento voa…! Isso foi feito em cima da hora. Fiquei morrendo de vontade de sair clicando tudo, inclusive as vovózinhas, as famosas, ali da cozinha. Mas fiquei um pouco tímida, deixei pra depois. O trabalho acabou cedo. Dali pra frente era só esperar o relógio bater as três badaladas às 20h.

No sábado tudo foi tranquilo. Aquela coisa de moças e moços de famílias que dominam mesas inteiras irem parar na frente do palco, fazerem círculos e ficarem pulando juntos. Havia um careca que devia ser italiano (narigão), que era o mais empolgado de toda a história. Tem sempre uma figura destas, todo o dia de festa. A figura que domina, que leva as outras, que grita na mesa, que forma o círculo e que – não contente – vai ali pro meio dele, fazer dancinhas, gracinhas e coreografias esquisitas [depois de alguns vinhos...]. O movimento do sábado foi considerado normal… aquela bagunça que se pode controlar e observar por instantes, sossegadamente.

As vovózinhas dão seu show à parte. Deve ser difícil encontrar o dono ou a dona daqueles três penne e dois spaguettis ali no meio daquele monte de carinhas enfileiradas. Todo mundo é igual. Todo mundo está vestido igual. Todas as bandejas são iguais. As vovózinhas precisariam ser quase esportistas pra que conseguissem acompanhar a dança. Enquanto aguardamos os macarrões, donos de nossas narinas e de nossas bandejas, elas cantam as tarantelas cujas letras elas sabem de trás para frente e também fazem dancinhas. A Vovózinha 1 veio trazer os meus macarrões. Me procurou, fiz o escandalozinho. Ela me achou e veio. Estávamos em um extremo da janela, onde deveria haver um pote de pão. Mas não tinha. A Vovózinha 1 ficou procurando embaixo do balcão e nada do pão. Ela chegou a murmurar em sua voz de velhinha: “Cadê o pão?” Quando viu que teria que atravessar o salão até o outro extremo da janela, onde havia outro pote de pão, ficou brava: “Mas que saco…!” Nós achamos uma certa graça. Eu fiquei esperando e ela foi. Quando estava no meio do caminho, aparece a vovózinha 2, com o ar mais blazé possível e inimaginável, devolvendo o pote de pão que estava faltando. Quase escutei seus risinhos internos de velhinha blazé. Nós cascamos…!

E por falar em velhinha, nós temos em nosso se tor uma velhinha que, para ela, blazé seria pouco. Ela é a blaster mega hiper ultra blazé. Tem 55 anos e cara de 60 e poucos. No ano passado, apareceu em nossa festa [a festa que os voluntários ganham], vestida de odalisca, rodando um bambolê. Já contei isso e já contei que meu amigo super bonzinho a chamou de Exú. Este ano ele não está trabalhando e eu ainda não contei pra ele que a sua personagem preferida está trabalhando justamente em nosso setor. Se fosse só isso, se fosse apenas nossa maldade infernal e venosa, tudo bem. A gente toma jeito até o final da festa. Mas o fato é que a velhinha está deixando todo mundo louco! Ela pega as fichas na mesa, o cliente pede as coisas. Quando ela chega no balcão pra fazer os pedidos, já esqueceu o que tinha que pedir. Se a fricazza é meio a meio. Se a cerveja é clara, se é escura. Se o vinho é seco ou suave. Se é spaguetti ou se é penne [e por falar nisso, nós precisamos parar de falar dois pennes... dois pennes são outra coisa]. Daí que a coordenadora do nosso setor, que é a paciência em pessoa, passou a andar atrás dela como sua sombra. Onde você ver a Dona Coisa pelo enorme salão, pode procurar que tem uma tiazinha loira atrás. E geralmente… ela sempre entra em ação. Outro dia a Dona Coisa pegou várias fichas e quis buscar tudo sozinha. Não sei de onde tirou que tinha que entregar as coisas em uma mesa do setor D. o Setor D fica do lado oposto do nosso e nós nunca vamos lá! O moço da mesa do setor D, que não é bobo nem nada, aceitou tudo. Logo… vocês imaginam, certo? O dono das coisaradas ficou chupando o dedo. Quando a Dona Coisa percebeu que tinha feito &¨%$#*!”, foi lá e tentou pegar de volta as coisaradas, mesmo já estando comidas. Quase que pegou à força. O final desta história só não foi trágica, porque foi cômica. Este foi só o início das confusões e eu não vou falar mais, porque teria que iniciar outro post, só sobre a Dona Coisa.

No domingo, tudo igual. Era o dia da procissão, por isso não teve oração. Fomos jantar mais cedo, porque a festa começa mais cedo aos domingos. E ontem, foi o dia em que esta mocinha que vos fala ficou lindíssima [toda aquela narração lá no primeiro parágrafo era pra domingo]. Tudo isso, porém, tem um motivo. Existe um gatinho, entende? E eu queria muuuito que o gatinho me visse… gata! E não vestida de nonninha das bandejas. De modo que no meio do nosso jantar, quando toda a nossa turma estava reunida em uma das mesas degustando nossos macarrões, eu já havia comido o meu spaghetti, já havia comido meu doce e já havia tomado meu suco. O gatinho surgiu e foi em direção à barraca de sucos. Olhei para Silvia, a fiel escudeira. Disse apenas: Vou pegar outro suco. E lá fui. No meio do caminho, o gatinho já estava voltando. Eu me fiz de blazé também e fiz que não vi [como se fosse fácil não ver o gatinho, mas eu consegui]. O gatinho mudou o rumo e se colocou na minha frente [minhas pernas ficaram bambas, porque ele é lindo]. Me abraçou de verdade, me beijou de verdade, não é aquele abraço ou beijo frouxo, sabe? Com certeza vocês conhecem – tanto o abraço e beijo frouxo, quanto o abraço e beijo de veritá!!!! – e em seguida, o gatinho perguntou: “Por que eu só te vejo em Agosto?”. Iniciamos um breve diálogo meio comportado, assim olho-no-olho. Ele praticamente colocou os meus olhos contra a parede, não sei se por mérito meu, mas tem este jeito terrível de olhar e me olhou deste jeito terrível e foi de fato… terrível. Combinamos de nos adicionarmos no orkut, nas coisas todas. Fui e peguei… o suco. Minha bexiga quase explodiu de tanta água. Voltei para a mesa, gente. E quando encostei na Silvia, a fiel escudeira que estava sentada ao meu lado, para contar a minha travessura, acreditem se quiser isso não é lenda e não é metáfora: ao ter seu braço tocado por mim, ela levou um choque.

(!)

A festa começou e de repente até nossos coordenadores tiveram que pegar uma bandeja pra ajudar. Havia um grupo de velhinhas de Santos, tomado logo duas fileiras de mesas. Havia um grupo da USP. Enfim, vários grupos de vários lugares. A Priscila e eu, logo de cara, já nos divertimos com uma senhora de meia idade, que fazia coreografias criativíssimas, tomando todo o espaço que havia entre as fileiras. Era engraçadíssimo! Ela dava vários passos inspirados e depois aquela virada charmosa e quase farsesca! Isso sem beber uma gota de vinho!!! No final da festa ela estava vermelha, parecia que tinha saído da sauna. Parou em frente à minha bandeja, e eu tive a idéia de abaná-la. Ela me olhou e disse: “Ah!!! Você é maravilhosa!!!”.

Havia também uma família grande, e seu patriarca. Pensa no Barbosa [a personagem do Ney Latorraca em TV Pirata]. Agora pensa no Barbosa velhinho! Pois. Estão apresentados. Lembram-se da figura que anima a festa? A figura carimbada da vez? Pois bem, no domingo, era ele a tal figura. Fazia uma dança com os braços [porque as pernas já são cansadinhas e não conseguem sair do lugar]. Dançava os braços e balançava o quadril, sempre com a linguinha pra fora, entrando e saindo. Depois, puxou o trenzinho, que percorreu todo o salão. Na hora do grito mais potente de um dos tenores, ele, inspiradíssimo, também abriu a boca e dublou a música, olhando fixamente para a minha cara e a do tio Paulinho, que estava ao meu lado. As tiazinhas de Santos se acabando na pista de dança, fazendo suas coreografias malucas. Gente casando, gente se reconciliando, gente noivando, gente simplesmente curtindo. Nós, os bandejeiros, não paramos um minuto sequer. Não podíamos pedir ajuda, porque todos nós estávamos ocupados. No meio da confusão, a tia Marcia me parou e disse: Esta é a Achiropitta que eu conheço.

Não cansei! Ainda temos dois finais de semana. Até o final do mês, muitas águas vão rolar, muitas águas, muitos gatinhos, muitos choques levinhos, tipo coisa boba.

[Coisa boa...]

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“A cannoli or something…”

Toda vez que eu vou até a barraca dos doces na Achiropita e olho para o Cannoli… eu me lembro deles…! Vocês só vão entender se já assistiram meu filme favorito… ;-)

Ai, ai…!!!!

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Ainda é tempo de morangos 

Eram oito e vinte e cinco quando meu relógio parou, ali, debaixo do sol. Eu vinha andando pelo calçadão e já de longe pude ver como o sol iluminava ainda mais os seus cabelos já dourados. Eles vinham graciosamente para seu rosto, o dia era pura brisa e mar. No ar misturava-se o cheiro já familiar da água de coco e aquele aroma que só o mar consegue trazer. Ah se ela soubesse que quando ela passa o mundo inteirinho se enche de graça. Poeta bandido que disse isso antes de mim. Parece que inventou este querer impossível, vestido numa experiência matinal platônica e sinestésica. Parecia uma manhã de domingo, mas era segunda-feira. Até que, às oito e vinte e cinco, eu me perdi e já não sabia que dia era. Ela se sentiu como se de fato alguém a observasse, porque achou graça quando os cabelos vieram parar no rosto. Enquanto os afastou com uma das mãos, sorriu timidamente, sorriu para alguém, sorriu para mim, talvez, ainda que seja eu um pretensioso observador que sequer foi notado no fio das horas. Eu era um pobre infeliz, um amador, um aprendiz de admirador. Não sabia sequer fazê-lo, sem que me contraísse por inteiro ali por dentro, como se fosse a primeira noite de um homem. Um poeta frustrado, que escreve o poema e joga o papel fora ou tenta escrever o poema e não consegue e sente o peito explodir por dentro, cheio de uma coisa que precisa fazer chover. Ela vinha vindo, usava um par de rasteiras finas e um vestido leve até os joelhos, todo ele florido em tons quentes. Na outra mão, ela comia um morango. Poderia tê-lo exterminado de uma só vez, mas preferiu acariciar sua polpa com os lábios, ternamente, como se sentisse muito mais que puro prazer pelo morango, tornando-me assim um agonizante. Ela percorria as curvas do morango com os lábios e eu agonizava. E seus olhos iam longe, encontravam-se com não sei quê ali adiante, atravessando a avenida, e ela sabia, como sabia fazer tudo ao mesmo tempo. Caminhar, ser linda, ser Bossa, ser Musa, tirar os cabelos do rosto, provar o morango, olhar as coisas e me fazer parar por inteiro. Ela dançava. Bailava pelo calçadão como uma princesa desperta. E depois chupou os dedos molhados do sulco da polpa da fruta. E eu fiquei, simplesmente, parado, no meio de quem vinha e de quem ia, trespassado, embevecido, desalmado. Então o morango caiu de suas mãos. Ela riu, para o primeiro que passou e continuou caminhando ao longo da orla, com os mesmos olhos e a mesma graça. Ela, a moça sem nome. Frívolo, aproximei-me do morango, ali caído no chão e o recolhi. Ainda eram oito e vinte e cinco.

Ouvindo: Bossa Nova [qualquer uma]

19/08/2009 – 09h25 by Mel

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Dizem que meu blog é mágico!

Recebi um meme (mimo!) do blog Relativizando Absurdos, que é cheio de coisinhas e mais coisinhas! Parece um quarto de menina, cheio de badulaques e fofices! Eu adoro! Junto com o meme veio um selo “Seu blog é mágico”, obrigada, obrigada!!! :-)

Então vamos às respostas:

selo

1)Postar o selinho e as regras: ok!

2)Responder às perguntas:

- Uma música mágica: “Escape” – by Jaiden (Save the Last Dance 2)

- Um filme mágico: “O Indomável” (Assim é minha vida)

- Uma viagem mágica: Lituânia, a terra do meu avô.

- Um acessório de maquiagem básico: Blush!!!

3)Indicar o selinho para 5 blogs mágicos

So Contagious

I´m So Sweet

I Don´t like Mondays

And Make Me Smile

Só!

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Playlist you too!

O Relativizando Absurdos me mandou este outro selo, o Playlist. Playlists, ah, playlists! O que seria de nós sem elas? :-) Eu tenho uma até pra tomar banho! Outra pra ir pro trabalho… outra pra dormir… Vamos lá?

Playlist

1)A primeira música que lhe veio na cabeça agora: “La Traviata” – Giuseppe Verdi

2)Uma música pra curtir com a paquera/namorado: Depende do paquera/namorado… [rs] Se fosse agora seria um bom sambinha.

3) Uma música muito romântica (o que se pode dizer de: “seu tema de amor”: Luiza, Tom Jobim.

4) Uma música pra tirar a roupa = strip-tease: You can leave your hat on, Joe Cocker (que eu já usei em uma cena de teatro em que eu assistia um cara imaginário fazendo um strip-tease pra mim e fazia as caras e bocas decorrentes do fato)

5) Uma música para uma boa transa (a transa pode até ser ruim, mas a música ótima): Se a transa é ruim eu nem termino nem começo! Se é boa, eu nem ligo pra música! (hehehe)

 6) Uma música “I WILL SURVIVE” = hino gay!
Uma vez escutei um cara (na fossa) oferecendo para outro cara a “Apologize” do One Republic, com participação de Timbaland. Dali pra frente esta música se tornou o hino gay (!).

7) Uma música que saiu do lixo / ou pra jogar no lixão: A nova da Pitty. O refrão diz assim: “eu sei que você me acha foda”… achei muito horrível!

8) Uma música que você ama, mas o DJ insiste em não tocar na balada: As baladinhas antigas, das domingueiras do Espéria.

9) Uma música da hora (música que está na moda e vc adora!): “Fly”, da Wanessa com Ja Rule. Apesar de que de tanto ouvir, estou um pouco enjoada! :-)

10) A música que você mais gosta em todo mundo! “Escape” – by Jaiden.

O *mimo* vai para os mesmos blogs que indiquei no meme anterior!

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A pulga quer dançar

Quando eu decidi fazer teatro, tinha 20 e pouquíssimos anos, foi porque senti necessidade de colocar os bichos pra fora, e acreditem: eu tinha vários! E eu estava certa. Já disse isso aqui, mas sempre me lembro de que nas primeiras aulas, quando eu achei que estava abafando, nós pedimos para nossa professora nos avaliar, queríamos que ela nos dissesse de verdade como estávamos respondendo às aulas. Na verdade a gente queria saber se a gente era bom ou não (!). Quando chegou em mim, ela disse que ela não conseguia me ver. Que eu devia aparecer mais, que eu devia explodir. Depois teve a Amanda, que ela disse a mesma coisa. Depois desta avaliação, veio o chamado “texto pretexto”, em que baseado nele, deveríamos criar uma cena. Eu disse para a Amanda: “ela quer que a gente exploda, né? Então tá”. Nós criamos uma cena divertidíssima, de dois anjos atrapalhados que não cumprem suas tarefas porque ficam dançando e perdem a hora (!!!). Eu me lembro que enquanto eu fazia a cena, escutei a professora cochichando com os outros alunos que ela estava surpresa e que nunca tinha visto uma cena tão criativa e original. Ao longo do curso, eu fui aquela aluna que sofre muito durante o processo. Que começa muito pequeno, mas que surpreende as pessoas quando vai apresentar o resultado final. Fizemos um texto alemão (“Woyzeck”) e no dia de dividir os papéis foi uma baixaria da qual eu não quis fazer parte. Achava o cúmulo ficar mendigando papéis. Eu fiquei com a cena do médico, e só. Era uma cena grande, em que o médico conversava com o personagem título, o Woyzeck, e acabava com ele! Fazia-o de gato e sapato. A conclusão é que conversando com aquele diretor (Adriano Cypriano) anos depois, a única cena da qual ele se lembrava era a minha. A minha mãe me diz que sabe que eu consigo fazer qualquer coisa, depois que me viu fazendo aquele médico (que me deixou horrenda, mas tudo bem). Sempre fui uma atriz muito sensível e sempre fui assim desde que me conheço por gente. Mas odiava minha expressão corporal. Era como se eu não tivesse corpo. E ainda hoje, depois de adulta, me sinto como se não conhecesse meu corpo. Larguei o ballet quando tinha 7 anos, porque tinha as pernas tortas e me sentia o patinho feio do ballet. Depois daquilo nunca mais dancei nada. Já quis fazer dança do ventre, pra descobrir alguma sensualidade em mim – o que ia me ajudar muito, porque eu me sinto uma pulga. Já quis fazer ballet novamente, porque eu sou muito delicada e o ballet cairia como uma luva. Já quis fazer dança cigana, porque qdo escuto as músicas ou vejo alguém dançar explodo de alegria. E depois veio o hip-hop, que eu não sei explicar, mas sou uma criatura urbana e sou apaixonada pela liberdade e até pela rebeldia da dança. Procurei a dança pelo mesmo motivo que havia procurado o teatro. O corpo pede. Sinto necessidade de dançar, como se determinadas coisas que eu preciso dizer só fossem possíveis de serem ditas através da dança. Só o hip hop me despertou coragem de dar a cara à tapa. Soube de uma oficina gratuita no Centro Cultural, me inscrevi e fui até lá. Só que tinha *muita gente*, gente. E o professor, embora ele não quisesse, precisou fazer um processo seletivo para que de 160 pessoas, ficassem apenas 40. No entanto, quando cheguei, percebi que de todo aquele povo, pelo menos 90% já eram bailarinos e tinham seus grupos de dança. O que aconteceu? O professor não precisava explicar mais que uma vez os passos, porque a galera pegava com facilidade. Agora alguém acha que eu e o pessoal (minoria) que nunca dançou na vida consegue pegar algum passo de primeira? Claro que não. Conclusão: no segundo dia de processo seletivo, os que não tinha experiência não foram. Só tinha eu e mais um cara. E quando fomos tentar acompanhar o grupo na coreografia que eles estavam criando, não conseguimos. Fui pra casa me sentindo péssima, mas não vou desistir. Só preciso encontrar o lugar certo e alguém que tenha paciência pra ensinar e que aceite o desafio de transformar uma pulga em uma bailarina. Mas Não é difícil. A Giseli (a tal professora que eu falei lá em cima) conseguiu fazer bem mais…

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Like a Star

Quero ver o pôr do sol na Praça do Pôr do Sol, olhar a cidade de cima num dia de céu de início de verão. Quero tomar um drink inédito num pub, escutando uma boa baladinha rock ali no fundo, sem olhar para o relógio e sem lembrar da agenda. Quero novos amigos e a companhia dos velhos. Os novos que tragam frescor de cheiro de boneca nova, a caixa da Barbie quando a gente abria, hã? Os velhos que me acompanhem num dia de chuva, sem guardachuvas, sem gripe suína, sem pressa, sem pudores. Quero cozinhar para os meus pais e entregar flores para minhas irmãs. Quero dançar na cobertura do prédio da minha irmã, nos Campos Elíseos, olhando as luzes de São Paulo se deitarem junto com um dia cheio e com uma promessa de um amanhã esperançoso. Quero pegar o carro e seguir o caminho do mar, sem data pra voltar. Quero erguer os braços e saudar o sol, saudar Deus, espernear de felicidade pelo fato de sentí-la. Quero escrever e fazer os outros rirem. Quero dançar a música que está em mim a todo instante. Jogar nos palcos os gritos que saem dos meus poros. Quero envolver você nesta ciranda. Deitar na grama e falar o que vir à cabeça, correr atrás do cachorro, andar à cavalo debaixo da lua cheia, fazer trilhas noturnas pra tentar pegar as estrelas. Eu quero trabalhar sorrindo e perder a hora de voltar pra casa. Quero enfeitiçar você com o meu sorriso e te trazer boas novas. Quero andar de patins no Parque da Juventude, fazer um piquenique ou fazer compras no Mercadão usando minha sacola reciclável. Quero descobrir novos temperos e experimentar coisas novas. Quero aprender a voar e não sentir medo (já tenho as asas). Quero viajar e conhecer o mundo e te mandar postais e ali, em algum canto, encontrar um pedaço de chão, um abraço, uma sombra de árvore, um lado da cama, um tablado e um sol, por onde eu possa simplesmente…

…ficar.

(ouvindo Love is a Losing Game – Amy Winehouse)

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Brincando de médico

Ao final deste post vocês verão que quando não se tem nada à dizer, é melhor ficar com a boca fechada! Há tempos estou meio sem ter o que dizer, às vezes tenho esta fase e aprendi a respeitá-la e simplesmente não escrever nada. Mas atendendo à pedidos, darei as caras e contarei algumas peripécias que podem ou não justificar o motivo pelo qual a minha chefe acha que eu sou doida.

Primeiro vou falar do médico. Ah, o médico!!! Já que é pra confessar que eu coleciono paixões platônicas só para colorir o dia, confessado está. Eu coleciono paixôes platônicas só pra colorir o dia. Tomar cuidado (olha a voz da experiência) pra de tanto fazer isso, acabar ficando à margem das coisas, mas isto são outros 500. Isto é informe publicitário, utilidade pública. O médico é o cara que disse que eu era apta a ser o que eu sou, lá no aeroporto, há um ano atrás, quando eu fiz o exame médico admissional. E quase um ano depois, lá fui eu ao seu consultório para saber se eu AINDA sou apta. O dia era chuvoso. Tudo bem, chuvoso não. Chuvoso eu estou sendo boazinha. O dia era o pântano! Peguei a van interna dentro da pista do aeroporto, para ir até o hangar do outro lado da pista. O tiozinho parou bem do outro lado da poça, eu praticamente dei um mergulho para subir na van. Depois desci e como cheguei cedo, fiquei um tempão esperando para ser atendida. Primeiro preciso dizer que fiz a audiometria e descobri - segundo o que diz a médica – que a minha audição é excelente! Aliás, meus queridos e queridas, preciso também contar o que é este exame de audiometria! A coisa mais engraçada e bizarra deste mundo, isto é um exame de audiometria. Você entra em uma cabine e cada vez que ouvir um barulhinho em um dos ouvidos, deve levantar a mão do respectivo lado. Você se sente uma pessoa que tem problemas, porque não pára de levantar a mão. A médica – que está te vendo de costas – vê também seus ombros chacoalharem, porque você não vai aguentar aquela bizarrice e vai rachar o bico. Sim, vai ficar rindo sozinha do lado de dentro da cabine, a menos que seja uma pessoa centrada como eu (sim, eu sou centrada) e se concentre e foque na coisa. Até porque não é muito fácil ouvir aqueles barulhinhos quase imperceptíveis. Na dúvida, aconselho que você levante a mão MESMO. Se acha que escutou alguma coisa, levanta a mão. Eu sou especialista neste exame, já o fiz quatro vezes (coisas da aviação). E pensando na integridade moral dos pacientes, a galera que cuida da infraestrutura deste tipo de exame agora inventou um dispositivo que você guarda na mão e cada vez que escuta o tal barulhinho, você simplesmente aperta o dispositivo e sendo assim, não parece mais uma pessoa retardada fazendo a dança dos bracinhos. Eu adorei esta coisinha e me senti bem melhor. E no final do exame, quando saí da cabine, a médica (que era simpaticíssima) estava sorrindo e eu fiquei com medo de saber porquê. Ela então me disse que minha audição é excelente e eu fiquei extramente aliviada, porque sempre acho que estou surda (e isso também são outros 500). Mas a coisa não acabou aí e nem o assunto, já que não foi pra falar da audiometria que eu comecei a escrever. Foi pra falar do médico. Ainda faltava a consulta, então eu abundei-me e esperei, esperei e esperei. E como sempre, eu era a última da fila, embora fosse a primeira a chegar. O médico foi até a recepção e perguntou se tinha mais alguém. Ele já estava desconfiado, porque todas as 15 vezes que foi até lá e abriu e fechou aquela porta para chamar o “próximo”, via a minha cara de bolacha e o risinho amarelo de quem diz: “esqueceram de mim”. Quando ele perguntou se faltava mais alguém foi com certeza pra saber o que diabos eu estava fazendo lá AINDA. E então a moça se lembrou de que faltava eu, claro que faltava, porque ela esqueceu de colocar a minha ficha na porta do médico. O moço me olhou e fez aquela perguntinha básica: “Vamos lá?”. Levitei, nesta hora. Agora vou mudar o parágrafo, porque vai começar a parte séria:

Ele não entrou no consultório. Me esperou na porta, e fez com que eu entrasse primeiro. Pensei comigo: opa! Já vi certa diferença. Só consigo encontrar o caminho da sala dos médicos que costumo frequentar com a ajuda do meu GPS interno. Nem a porta eles abrem. O moço me esperou do lado de fora e seu modo de me cumprimentar foi desmontante (acho que acabei de criar uma nova palavra). Ele abaixou um pouco a cabeça e o olhar até mim (que sou baixinha e bem menor do que ele, no caso) e me disse um oi com os olhos, sabe como é? Uma mistura de gentileza com perigo (sim, perigo). Eu entrei e ele fechou a porta. Perguntou como eu estava, blábláblá. Como da primeira vez, eu havia esquecido de fazer um Xzinho onde eu devia registrar se tinha ou não alguma queixa (nunca me queixo de nada). Eu disse que não tinha, mas não bastou dizer, ele me fez fazer o xiz. Depois me fez aquelas perguntinhas de sempre e enquanto isso eu estava achando que o exame seria aquilo, aquela coisa de sempre: o jogo de perguntas e respostas, e como sempre a gente diz que está tudo bem, estamos sempre ótimos, muito bem de saúde e etc e tal. Eu estava rezando para que ele não me mandasse tirar os sapatos, porque eu não tinha feito o pé (hahahaha), e da primeira vez ele não só pediu pra eu tirar os sapatos, como examinou a minha frieira e as micoses da unha do dedão. Parecia que ele estava na aula de biologia, com os olhos sobre um binóculo, examinando um achado da natureza. Tudo bem que desta vez eu simplesmente enchi os meus dedos de band-aid das princesas da disney, e eu diria pra ele que a minha sapatilha de ponta estava acabando com os dedinhos do meu pé e pronto. Ele pediu pra eu ir até a maca (cama, sei lá) e ficasse sentada. Examinou meu pescoço, pediu que eu respirasse com a boca aberta, aquela coisa toda. Quando eu pensei que havia terminado, ele perguntou como ia a minha coluna (será que está dando tão na cara assim?) e eu tive que ser sincera. Respondi: a minha coluna é um saco, doutor. Ele deu dois tapinhas no apoio de cabeça e me mandou deitar. Detalhe de tudo: eu havia acabado de sair do trabalho, estava vestida de aeroporto. Saia, meia-calça, blusa absurdamente indecente (branca, de suplex, que marca até a alma). Ele começou a fazer uns movimentos com a minha panturilha (e eu ainda de salto alto) e parecia que já sabia que não devia pedir que eu tirasse o sapatos. Depois mandou eu me sentar, ficou apertando a minha cabeça e os meus ombros. Juro, nada demais. Super okay. Me deu uns conselhos, faça uns exercícios, faz isso, faz aquilo. Desci da maca, sentei à mesa novamente e passamos para a terceira parte do exame. A hora em que ele faz um relatório no computador sobre tudo. Então ele escrevia de um jeito totalmente concentrado, como se estivesse resolvendo uma equação matemática. Me fez um pergunta que agora não lembro qual  e eu respondi olhando dentro das duas bolas dos seus olhos castanhos. Me lembro que também achamos graça de alguma coisa e que ao sair do consultório, ele me levou até a porta da recepção. E eu não sei explicar o que foi que mexeu comigo na tal pessoa. Se a gentileza, se a elegância, se o jeito concentrado e metódico de trabalhar, se tudo isso. Só sei que quando cheguei em casa, mais tarde, bem mais tarde, joguei o nome do Doutorzinho (sim, era jovem) no orkut e lá estava ele. É solteiro, o moço. Diz que é honesto, trabalhador, sonhador. Sonhador!!! :-) Diz que gosta de artes, de música e que procura fazer algo mais em todos os aspectos da sua vida. Ohnnnn!!!

De modo que eu adoraria tirar a coisa do campo platônico, mas não há pistas. Não sei onde encontrar o rapaz. Vai depender da sorte. Ou de mais um aniversário de empresa. :-P

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Tentando explicar por que eu adoro The O.C.

the ocTer terminado o O.C. foi algo muito triste. Não conheço nenhum outro seriado mais rico e mais bem escrito. O.C. é feito de personagens reais. Não tem mocinha perfeita, não tem mocinho perfeito. Não tem vilão que seja 100% vilão. Os personagens são humanos, não têm qualquer estereótipo, apesar de ser um universo onde facilmente encontraríamos estereotipos de dondocas e patricinhas. A gente encontra pessoas com problemas, e personalidades muito bem delineadas pelo autor, pelo diretor e pelos atores.

A gente se identifica com a mocinha porque ela tem suas fraquezas e não as esconde. A gente se surpreende com a capacidade de superação de cada um deles. E a gente se surpreende agradavelmente quando percebe que o autor não escolheu saídas fáceis, que atraiam a audiência ou sei lá o quê. As atitudes que fecham os ciclos sempre são surpreendentemente positivas. As pessoas sempre se voltam para o outro, sempre acabam revelando o melhor de si. Quando é tão dificil para uma garota (apaixonada) normal dividir o namorado com qualquer outra pessoa que ameace roubá-lo, Marissa consegue deixá-lo ir embora, sem espernear. Esvazia-se de si mesma. Embora Ryan tenha um passado problemático, ele consegue impedir que este histórico interfira em qualquer decisão ou reação no presente. Bem, pelo menos ele TENTA, o tempo inteiro. E não consigo pensar em outro ator para interpretar Sandy que não seja Peter Gallagher. De que maneira tão delicada eles conseguem conduzir os altos e baixos de um casamento! Acho lindo o amor que eles trocam em família. E naquela casa linda, onde o que a gente menos percebe são os luxos de uma vida milionária. O que nós percebemos são as características humanas e marcantes de cada personagem e claramente, sua evolução. E a importância da FAMÍLIA e de amizades verdadeiras. Será que o criador do seriado tem noção de tudo de bom que inspirou nas pessoas que assistiam O.C.?

As músicas são lindas e tão cuidadosamente selecionadas. A gente percebe que todo o trabalho ali é feito com muito preparo, cada detalhe é cuidadosamente preparado. Nenhum outro seriado me faz chorar tanto e viver emoções tão intensas quanto conseguiu O.C. E é isso que eu acho que é papel de quem escreve. Optar sempre por aquilo que é verdadeiro e belo, para inspirar seres humanos e seu crescimento. Verdadeiro porque é delicadamente verossímil, não mente, não maquia, não esconde. E belo, porque é assim, tão delicado. Um dia eu quero conseguir fazer isso. Mas O.C. e seu adorável e inseparável quarteto, vai deixar saudades…

PS: Ainda que eu fique totalmente irritada (e cansada) em ver como aqueles quatro complicam as coisas…

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Da série “Minha Nada Mole Vida”

A moça chegou de Uberlândia e a mala não veio. Quando eu pedi a etiqueta (porque nada se faz sem etiqueta!), ela não tinha. Nem etiqueta, nem bilhete de embarque. Tinha só a reserva impressa. Puxei no sistema através do localizador, nada. Olhei os nomes dos passageiros na lista de vôo do Uberlândia. Nada. A moça não estava na lista de vôo!!!!!! Como assim??? Como é que alguém consegue embarcar sem constar como embarcada??? WTF!!! Quando contei tudo isso pra moça, ela desatou a chorar. Pedi que se sentasse. A aeromoça viu que ela tinha embarcado com o bilhete de embarque e etiqueta de bagagem de uma tal de Sandra. Tomou da moça ambos. E não trouxe mais nada. Conclusão, a moça desembarcou sem lenço e sem documento. O nome dela era Rosiléia. Sandra não é Rosiléia. A Sandra em questão estava indo pra Recife. A Rosiléia desembarcava em Congonhas. Contei pra Rosiléia que ela não estava na lista de vôo, e ela me respondeu: “sim, porque eu embarquei como Sandra!”. Como assimmmm???? Enfim. Abri um relatório cortesia para a moça (cortesia é quando a gente vai fazer o favor de procurar a mala dela, quando não se tem nada pra comprovar que ela perdeu a mala e que ela de fato TINHA uma!). Perguntei pra ela como era a mala e ela me disse que tinha uma etiqueta da Natura. Pensei comigo. Se a tal Sandra está indo pra Recife VIA Congonhas, a bagagem ainda está no chão, porque o vôo de Recife só sai ao meio dia. Corri na rampa (onde ficam as carretas cheias de malas), um lugar povoado por seres do sexo masculino te medindo e te comendo com os olhos (os da TAM são mais educados, bem mais). Pedi pro cara me mostrar onde estavam as malas que tinham chegado de Uberlândia. A mala da moça, marrom, com a etiqueta da Natura em nome de Rosiléia, estava ali, isolada, implorando pra ser encontrada. Na etiqueta da Natura esta escrito: Rosiléia. Na etiqueta da TAM, estava escrito: Sandra. Você não tenha dúvida que eu tirei a mala dali e devolvi pra mulher!!!

PS: quando fui avisar o chefe da rampa que estava levando embora uma mala, o cara com quem eu falo todos os dias por rádio mas nunca vi a cara, levei um susto: o moço é LINDO!!!!!!!!!! “Lindo e tudo mais” (à seguir cenas no próximo post).

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Quando uma imagem vale mais que mil palavras…

me e bel em ny

Maria Isabel e Melinda, Central Park, New York.

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Florais de Bach antes de dirigir.

Eu achei que dirigir fosse gostoso!!! Dirigir em São Paulo é praticamente como se jogar de um paraquedas ou dar um tiro no escuro. Você nunca sabe se vai encontrar um louco na sua frente e se você vai ser esperta (o) o suficiente para saber #comolidar ou #comofas. Toda vez que eu saio com a minha mãe pra dirigir faço milhares de Sinal da Cruz, me benzo mil vezes antes de tirar o carro da garagem. Tudo okay que cada dia que passa a minha mãe passa menos mal no banco do passageiro. Ela está se acostumando com esta coisa de eu dirigir e ela ficar falando feito o homem da cobra ao meu lado e/ou ficar olhando a vida, como se eu fosse a motorista de táxi e ela a madame. É sério, ela está curtindo.

Eu gostaria MUITO de o carro não morrer nunca mais, entende? E isto acontece quando eu tiro o pé muito rápido da embreagem sem acelerar direito ou se eu estou subindo em terceira marcha e preciso parar – e claro, me esqueci que estava em terceira e na hora de sair novamente ooops. O carro morre.

Gostaria também – se não for pedir muito, meu São Cristóvão – de aprender a manobrar o carro para entrar de ré em uma vaga de estacionamento do shopping. Gostaria de enxergar o que está atrás do espelho sem correr o risco de raspar a lateral do CARRO novo DO MEU PAI (não aconteceu) e de estacionar rapidamente para que as pessoas não fiquem 1. esperando a minha lerdeza e 2. assistindo a minha lezice em ter que acertar o carro mil vezes até que finalmente fique reto para entrar certinho na vaga.

- quem acha que a minha mãe estava esperando demais ao pensar que eu ia conseguir, diga EU (parafraseando William Bonner e seu twitter).

Gostaria também de enxergar o que vem por trás do espelho, à noite, porque não enxergo bulhufas. Não quero mais levar/dar sustos. Gostaria de poder imaginar quando o farol vai ficar amarelo para que eu não esteja tão rápido e não tenha que me fazer aquela pergunta:

- CORRE OU PÁRA?

Quero também nunca mais colocar metade do carro para fora em uma esquina, para que o tiozinho do ônibus que está vindo na minha direção não precise me dar aquele susto básico e sádico que só existe em filmes do Indiana Jones, da seguinte maneira: eu fico imóvel, a minha mãe (no banco do passageiro) está berrando, implorando pra eu sair do lugar e enquanto isso, o motorista do ônibus parece não querer parar mas o faz, deixando um espaço milimétrico entre o ônibus e lateral do CARRO DO MEU PAI, um espaço tão pequeno que só caberia a unha do dedão do meu pé depois de ser cortada, é claro.

Quero pedir que mamãe tenha bom senso e páre de me colocar à prova, me fazendo passar por situações complicadas e terríveis, como andar na Conselheiro Moreira de Barros naquele engarrafamento da Índia, ou entrar naquela espiral sem fim, que leva para o estacionamento do primeiro piso no Shopping D (odeio).

Bem, eu entrei na espiral, consegui chegar ao primeiro piso sem jogar o carro na parede, sem deixar que ele morresse em plena subida (affff!!!!!) e sem levar sustos na hora de finalmente entrar na garagem. Também consegui descer – embora o cara de trás estivesse querendo que eu fosse mais rápido (ele que se f.). Consegui mudar de faixa várias vezes, fazer curvas complicadas com o farol dos outros entrando na minha vista. Consegui andar no engarrafamento sem entrar na traseira de ninguém, dosando a velocidade do carro. Estou me dando até que bem com a direção hidráulica.

Só desejo coisa simples: não quero mais levar sustos! Quero dirigir em paz. Será que é pedir muito? Será que eu vou ter que me mudar para uma cidade sem trânsito e sem subidas? Já sei. Enquanto eu estiver aprendendo, vou instalar uma plaquinha atrás do CARRO DO MEU PAI. Me parece a solução perfeita…

recém habilitada!

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Próximo post

Talvez você tenha me feito rir!

Decidi registrar algumas das cenas urbanas que afinal de contas acabam ficando registradas na minha memória a ponto de me fazer rir sozinha. Sozinha mesmo – e as pessoas achando que eu sou louca. Como neste final de semana, que era minha folga e saí de carro com a minha mãe que está surtando na reforma da sala. E de modo que fomos até o Shopping do Povo, que é o Shopping D (D de “desconto”…). Eu odeio este shopping, mas fui, para agradar à mamãe – muuuito embora quando cheguei estivesse em completo mau humor porque ela achou que eu fosse conseguir estacionar o carro lá dentro (veja este post). Enfim, odeio este shopping, porque está sempre lotado de gente, porque o ar condicionado não funciona, porque a fila do Cinema parece a estréia do Homem Aranha ou qualquer outro blockbuster. Nem lembro mais o que ela queria ver no tal shopping, mas fui. Quando estávamos entrando no shopping (no piso G1), havia um casal fogueteiro no hall de escadas. Ao que me leva a discorrer sobre o primeiro tópico da série: “Talvez você tenha me feito rir!”.

1. Visita Íntima (em público)

Existia um casal se beijando próximo às escadas rolantes do shopping. Eu notei na hora, porque é algo bastante atípico naquele shopping. Um casal se atracando assim, à luz do dia. Foi a primeira coisa que vi quando entrei no hall, porque vi as línguas em trabalho (pois é). Era um beijo cinematográfico – eu JURO que não é força literária – mais quente do que aquele beijo famoso, do casal que rola na areia da praia. A moça começou a empurrar o cara pra parede. Claro que tudo isso foi muito rápido, porque foi o tempo em que minha mãe e eu fomos da porta até o topo da escada rolante. Nós e todas as famílias que também entravam para ir ao cinema – um inocente cinema de domingo à tarde. As pessoas olhavam e depois comentavam alguma coisa. Algumas riam, outras não. Eu, como disse no twitter, com a minha grande boca que por Deus me foi dada, não pude me conter e disse: MOTEL serve pra isso…! Acho que o que me fez rir não foi só me lembrar da cena bizarra (o casal só não tirou a roupa porque não dava), mas da reação que provocava nas pessoas, inclusive na minha mãe (“que horror!!!”).

2. Nova Era!

Me diverte pensar sobre a seguinte pergunta: “Será que a Sra Kokóta ainda tem tempo para ler o meu blog?” HE+HE+HE!!!

3. Helena, que nada!

Se Manoel Carlos presenciasse as mais recentes brigas da minha mãe e eu (no trânsito – e isso é tudo o que eu preciso dizer), nós duas nos tornaríamos suas musas do drama. Especialmente a cena em que a minha mãe entende a minha pergunta de forma totalmente errada e depois de sua resposta cavalística, eu bato a porta do carro e entro na loja sozinha. (!!!!)

4. Cegueta

Havia sobrado uma bagagem em um dos vôos da ponte-aérea. Eu – como sempre faço – trouxe a bagagem para perto do microfone e conforme indicava na etiqueta:

MELO/LUIZALBERTO…

…anunciei o nome da passageira no microfone. Enchi a boca pra falar, porque adoro falar com eloquência, já que os funcionários as outras companhias ficam gemendo para dar seus speeches de modo a nada se entender. Eu vou lá e faaaaaalo!!! Profiro as palavras. E chamei a passageira. Pedimos a atenção da Sra Luiza Alberto Melo. Sra Luiza Alberto Melo. Devo ter chamado umas quatro vezes. Daqui a pouco vejo um rapaz cabeludo vindo em minha direção, dando risadas não se sabe de quê.

_ Acho que você pode estar me chamando, disse ele ainda aos risos.

O nome era Luiz Alberto Melo. Nem ele acreditou no que ouviu.

5. Morrison Bar

O Souza, meu colega de trabalho, colocou “Riders on the storm” (The Doors) no último volume do seu celular e deixou sobre a mesa do desembarque. Quando a música atingia seu ápice, naquele solo de 10 minutos de guitarra ou sei lá o quê, o cara da infraero veio e perguntou:

_ Você acha que aqui é o Morrison Bar?

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O que o pum, o mordomo, o msn, a Economia e o semi-analfabetismo têm em comum

Na época da faculdade, sentávamos Paula, Kézia, Juliano, Otávio, Danniella e eu. Teve um tempo em que as Comunicações estavam separadas, ok. Jornalismo pra cá e Publicidade pra lá. Daí era só eu, Otávio, Juliano e Paula. E nós tínhamos um msn via folhas de caderno, que durante muito tempo eu guardei, mas agora não estou achando. Me lembro que o Juliano era diversão. E que eu fofocava com a Paula sobre um cara que eu gostava e que se chamava *Adolfo*. A Adrianna dizia que pela sonoridade do nome, ele tinha nome de pum #Adooooooolfo# (não gosto de falar peido, sou uma mulherzinha). A Paula dizia que ele tinha nome de mordomo. E quase todos os dias eu enchia aquelas folhas de novas fofocas sobre meu colega de trabalho (pum, mordomo), novas fofocas sem porém arredar o pé do mesmo lugar.

Nós também adorávamos falar mal dos professores. Tinha uma, que era Mestranda em Economia e nos dava aula (a disciplina era por aí). Ela simplesmente não sabia separar sílabas no quadro. Me lembro que estávamos copiando a matéria e de-repente vi a Paula com o rosto congelado, como se a gente tivesse apertado o pause na cena, para ir ao banheiro. Perguntei o que era, a Paula apontou o quadro. Havia uma sílaba separada errada. E outra, e outra. Este foi um fato que mexeu muito comigo a ponto de questionar a idoneidade da universidade, na época. Nosso curso de Jornalismo ainda não havia sido aprovado pelo MEC, éramos a primeira turma. Primeira turma. Uma professora que não sabe separar sílabas? Juntando com outras coisas – como eu achar que não levava jeito para ser Sandra Annenberg – pesaram na hora de ir fazer teatro e não voltar mais par ao jornalismo.

Se eu me arrependo? Amargamente. Mas a gente só adquire autoconhecimento com o tempo, claro. Na época eu estava ocupadíssima me divertindo com minha mini-desgraça e com as páginas dos nossos fichários, repletas de fofocas e frases espirituosas…!!! ;-)

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Aventuras do final de semana

Pessoas que me seguem, que me lêem, que me curtem. Eu prometo que vem post sério por aí. Mas antes eu preciso contar algumas coisinhas!!! Afinal de contas é aqui neste reduto que eu posso reclamar da vida ou contar sobre as aventuras do aeroporto (sempre de um jeito cuidadoso, porque não quero ser processada HAHAHAHAHA).

Vocês devem saber que esta semana o Aeroporto de Santos Dumont resolveu ficar fechado eternamente. Isto ferrou com a vida de todo mundo. Dos passageiros e principalmeeeeeente a noooossa!!! Pra começo de conversa eu já ficava com medo logo cedo, ao passar pelo checkin para bater o cartão. A fila da ponte-aérea estava chegando na porta da lanchonete. Nós somos fodas, nunca deixamos a fila ir até a porta da lanchonete. Mas naquela sexta-feira estava. Senti cheiro de pasmaceira. O Otávio estava no desembarque e já dava provas e amostras do que estava  por vir. A gente falava pra ele “porta” e ele entendia “torta”. A gente falava BK22 (coisa de aeroporto) e ele entendia: “eu levo depois”. Nossa supervisora dizia pra gente acudir: “vai lá, vai lá”. No sábado quem estava no desembarque era eu. O primeiro vôo já deu problemas. A bagagem do cara chegou toda estourada. Depois teve um japonês com o mesmo problema. Foi abrir a bagagem de mão, tinha uma rebimboca lá dentro. Sei lá o que era aquilo. Só sei que explodiu bem na hora que ele abriu, quase na minha cara. Era uma pilha. Ainda beeeeem que o avião já tinha pousaaaado… QUE MERDA!!! Bem. Naquele dia teve de tudo, gente. Uma moça chegou de Goiânia e nada da mala aparecer. Quando fui ver sua etiqueta de bagagem, o destino não era São Paulo, era Santos Dumont. A senhora se chama Lilian? Não chamava. Ela me disse que a mala era azul, bem azul. Pedi para os funcionários da rampa (aqueles tiozinhos que carregam os aviões) localizarem sua mala, dei todos os detalhes. Já tinha passado uma hora que a moça estava lá esperando e nada. Tive que abandonar o navio. Avisei todo mundo que eu ia me ausentar no desembarque e lá fui eu até a rampa, a ala masculina do aeroporto: a maior concentração de homens bestas por metro quadrado. Você passa e eles te vêem pelada. Só pode, né. Porque a cara que eles fazem quando você passa é cara de quem nunca viu mulher na vida. Como se uma loira aparecesse na ilha, para o Tom Hanks e o Wilson. Imagina! Esta é a situação. Eu fui lá e tchan tchan tchan tchan! A tal mala azul (bem azul mesmo) estava linda e vaporosa em um canto, total fácil de ser visualizada e encontrada. Quanta gente nó cega!!! Peguei a mala e saí andando. Alguns tiozinhos fizeram cara de: “onde ela vai com esta mala?”. Eu chamei quem tinha que chamar, pela nextel, e avisei: “eu achei a mala e estou levando embora”. A moça nem agradeceu. Está certa… onde já se viu!

Bem, depois chegou um vôo de Brasília e ali na esteira do desembaruqe, de mão abanando, sobraram dez passageiros: 10!!! Eu quase desmaiei quando o moço me disse (pela nextel) que o avião havia sido totalmente descarregado. Na verdade tenho este problema todo dia: o tal vôo que chegou em SP vem de Macapá. Quando chega em Brasília, muita gente desce deste vôo e embarca em outro. Só que AMBOS terminam em São Paulo (Congonhas)! A diferença é que um chega mais cedo, o outro uma hora depois. Então vocês podem me explicar, POR QUE MOTIVO TIRAR OS PASSAGEIROS DE UM AVIÃO E COLOCAR EM OUTRO, SE OS DOIS VÃO TERMINAR NO MESMO LUGAR?! \O/ Bem, fizeram isso com estes 10 passageiros. Mas esqueceram de um detalhe pequeno, desimportante: As bagagens!!! Os pobres clientes ficaram quase 1 hora esperando uma posição - que eu não tinha pra dar!!! (definitivamente). Até que o segundo vôo, aquele que também termina em SP e que era pra ser o deles, se eles não tivessem sido transferidos… enfim, o tal vôo chegou, pousou. Fiz o Sinal da Cruz e aconselhei que aguardassem o descarregamento das bagagens. Corri até o microfone para dar o speech de boas vindas para os que chegam e quando voltei, nenhum deles estava mais lá (as malas tinham vindo mesmo). Não posso reclamar: não apanhei. Não fui xingada. Não fui agredida de nenhuma maneira. Eles foram incrivelmente pacientes de uma maneira que eu não seria (acho).

Voltei para o balcão e havia um passageiro de um outro vôo de Belo Horizonte, que veio me mostrar sua etiqueta. Algum ILUMINADO de BH etiquetou sua mala até o destino final, VIA CONGONHAS. O destino final do cara?

NARITA, JAPÃO.

Agora alguém me conta como é que eu vou tirar a bagagem do cara do avião, em congonhas, e transferir para o avião que vai pro Japão? Bem, o passageiro também desconfiou que havia coisa errada, por isso foi me mostrar sua etiqueta. Adoro!!! Foi fácil. Os tiozinhos da rampa desembarcaram sua bagagem e ele foi embora, reetiquetá-la no local correto (Aeroporto Internacional de São Paulo). Porque se pousar um avião do tamanho dos que vão para o Japão, em Congonhas, até os Naritenses (os japoneses) vão escutar o barulho.

E por falar em desembarcar bagagens, já disse que Santos Dumont estava fechado, certo? O povo não conseguia embarcar  e tinha que pegar a bagagem. Esperar a rampa desembarcá-la. Eu já avisava que demoraria. 20 minutos, meia hora. Uma hora… eu estava sozinha para dar os speeches de boas vindas. Ir até a esteira ver se não deu bobagem em algum vôo. Abrir relatórios de bagagens danificadas ou extravios. Solicitar bagagens de passageiros que não seguiriam mais. Correr até a rampa para ajudar os tiozinhos encontrarem as malas que eu pedia e ninguém achava. Correr pela pista do aeroporto, toda descabelada e sem batom, com a mala pendurada no braço, porque eu não tinha um carrinho para me levar – nem pra dirigir. Unir as mãos com o pessoal da GOL, que estava ali do meu lado, no balcão, apanhando tanto quanto eu – e rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria. Nas horas tantas, a Andréia me perguntou:

_ Você folga quando, amiga?

_ Só terça-feira.

Ela começou a rir da minha cara.

_ Mas quem quer folgar, aqui? – eu disse.

_ Ah, pois é! Pra quê folgar? Besteira!!!

A gente se diverte pouco, vocês podem imaginar. Estou rindo até agora da cara que ela fez quando a moça da Infraero foi usar o telefone. A moça é estranhinha, quando fala parece que está chorando (verdade) e deve ter menos de um metro e meio de altura. A gente chega a questionar que idade ela tem. E a Andréia estava olhando pra dita cuja de um jeito muito engraçado – daquele jeito cheio de subtexto, entrelinhas e que a gente chega a ouvir! Depois, eu dei o toque:

_ Andréia! Você jamais pode deixar esta moça te ver olhando pra ela…

A nossa sala devia ter mais de 100 malas. Um dia antes,  um dos únicos vôos da ponte-aérea que conseguiram decolar no Rio, chegou com falta de bagagens de 50 passageiros. As bagagens chegaram dois vôos depois. Naquele sábado, nenhum funcionário do turno da manhã, na companhia aérea em que eu trabalho, teve tempo para comer. Enquanto eu fiquei no desembarque, dois colegas estavam na sala, preenchendo ordens de serviço para entrega das bagagens que haviam sido extraviadas e etiquetando aquelas cujos donos moravam em outras cidades/estados.  Os meninos que acompanham prioridades e fecham os vôos não pararam um minuto. O check-in estava uma loucura: amarrotado de gente. No fim do turno, todos nós nos encontramos na sala do relógio de ponto e comemoramos mais um dia (difícil) de trabalho, vencido.

A aviação só existe, porque existe a linha de frente: aqueles que se permitem ficar 6 horas trabalhando sem parar e sem comer para que você possa voar e chegar onde quer.

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Paux de Deux

Daí que tudo o que me resta é a lembrança. E você sempre me dando bronca porque eu estou sempre voltando e voltando e voltando. Ainda não entendeu que tudo o que eu tenho são as lembranças da sua companhia. E as melhores ficaram lá atrás, A… E você acha que quando digo seu nome, sem apelidos e nem vocativos eu estou brava.  Tudo bem, eu fico possessa quando sua crueza sufoca minhas cores. Mas eu adoro dizer o seu nome, embora fazê-lo me faça sofrer. Quanto mais eu digo seu nome, mais presente se torna a sensação de que não existe definição para o que você é pra mim. Mas a necessidade de entender, de decifrar, de saber o que é que me agrada tanto, o que é tão íntimo, tão familiar – sendo tão distante e tantas vezes nada claro e direto  – esta necessidade me apavora e me cansa e existe e pronto.

Quem mandou minha memória ser tão cheia de imagens, quem mandou ela ser este “monstro”, quase maior do que eu. Eu me lembro dos detalhes da gola da blusa que você estava usando quando te vi pela primeira vez. Lembro quais eram as bagagens que você estava procurando quando conversamos ao telefone pela primeira vez e o que você me disse quando respondi que as encontrei. Das garrafinhas de água e de todos os bom-dias preparados e cuidadosos. E também de todos os tortuosos caminhos da tua cidade. Lembro que não sentia fome e que não senti medo de voar. Não me lembro de ter sofrido pelo caminho (o céu), nem na ida e nem na volta. Você gostava de misturar sua prosa com a letra de alguma música e levava tempo até eu descobrir do que você estava falando! Tá bom, eu não vou mais falar do passado. Eu realmente e finalmente perdi a vontade de falar nele e deve ser porque quem está te escrevendo agora não é a mesma daqueles dias. Se eu volto, é pra tentar ficar mais próxima, porque eu sinto saudades, saudades imensas. Saudades de poder sentar ao seu lado ainda que seja pra não dizer nada, ou achar graça do teu pessimismo e de quando você elogia o pessimismo. Qualquer um pode se sentar ao meu lado em um café de aeroporto e fazer carinhos no meu pescoço. Qualquer pessoa pode dividir os fones de ouvido comigo para escutar Garbage. Posso dar um abraço interminável e inesquecível em qualquer um… e depois sair flutuando e morrendo de medo por tentar entender o que é aquilo que eu sinto, tão diferente de tudo, tão raro de sentir e tão difícil de mensurar. Qualquer um poderia tentar fazer tudo isto o que só você tem conseguido, sem pretensão alguma.

Estou começando a deixar tudo isto pra trás, de verdade. Te peço licença se por acaso eu começar a fantasiar nas páginas de um romance aquilo que não aconteceu entre a gente (talvez por minha culpa). As vezes eu ainda me pego imaginando ou jogando seu nome no google pra saber o que você anda fazendo, salvando seus textos, suas fotos em encontros de filosofia e tentando administrar o orgulho que dá. Imaginando que roupa vou escolher pra te ver quando você vier, ou o que vou fazer no cabelo e qual perfume vou usar. E torcendo para que neste dia eu já tenha a chave de um carro (ou a confiança de um pai) pra poder te levar por aí, já que eu adoro dirigir e você adora olhar e olhar e olhar. Daí eu levo aquele tombo, né. E entendo que de uma vez por todas eu preciso definir as coisas e cuidar de mim, porque você já tem que cuide de ti e quem te escreva lindas cartas como as que eu tento escrever para chamar a tua atenção.

Não… eu não estou tentando fazer isto agora. É que eu resolvi pensar e sentir em voz alta (ainda que você não me escute e é bom que não consiga mesmo). Resolvi brincar de confessar que eu sofro quando penso em você e não entendo porquê. Você é indispensável, é esta a verdade. E eu não sei o que vou fazer disto. Será que eu vou precisar de mais 11 anos pra saber? Não te preocupa. Só não esquece, nunca, nunca, nunca… do que eu sinto por você. Esta coisa que eu tenho que dizer, sem metáforas, sem vocativos e que eu não consigo. Mas eu sei que você entende. E que prefere assim.

L.

(eu disse que vinha post sério por aí)

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Como brilha o silêncio que só você entende. 

Abrir a página do Word é quase o início de um ritual. Brotam palavras das pontas dos dedos, e elas são mais rápidas do que os pensamentos. Um homem que tem uma história pra contar e que se senta e então faz seu trabalho, sem sofrimento. Sim, ele queria se concentrar, porque existem os prazos e as horas passam. Mas embora muito perto estejam os barulhos todos, pessoas, teclas batendo, o chefe que bate à porta, ele está em silêncio. As coisas acontecem, entretanto, e é preciso saber de tudo e tantas vezes correr atrás de tudo. O cheiro do jornal e as letras malditas que borram-lhe os dedos, muitas vezes nem com a água do chuveiro sai. Tudo isso lhe fugia da cabeça que só conseguia enxergar um imenso e vago branco, aberto em frente aos olhos. O editor de textos não costuma lhe criar problemas – sempre existem palavras. É que desta vez ele abriu, sim, mas não era pra contar uma história. Era pra escrever uma carta. E o relógio batia. O chefe estava sentado exatamente atrás de sua mesa, na outra sala; as paredes eram de vidro de modo que ele podia ver o homem parado e parado, olhando abismado para a tela do editor de textos sem nada fazer. O homem batia e esmurrava a mesa, e então, como é? Ele não respondia. Voltava o olhar para a tela branca e tentava superar a dificuldade de  contar ao editor de textos o que ele queria ou o que precisava contar e então simplesmente anexaria o que quer que dali saísse e ela poderia entender – tudo – assim que lesse. Tudo o quê? Não sabia. Contar que deixar que ela fosse embora lhe parecia o melhor a fazer, mas não era, de verdade, o que ele gostaria que acontecesse. As portas do metrô se fecharam e ela olhou através do vidro, foi um último adeus. Os olhos ainda estavam marejados. Doeu tanto, tanto mais do que o espinho da rosa que ela não aceitara, ali, murcha e querendo despencar das mãos geladas do jornalista que se sentia um perfeito idiota. Nem quando cobriu a rebelião na 39ª suas mãos ficaram geladas assim. Então o caminho do metrô até o trabalho foi em piloto automático. Sentou à mesa em piloto automático. Abriu o editor de textos em piloto automático e pensou em escrever-lhe uma carta. A vida – ela inteira, pareceu estar assim. De-repente ele não se lembrava mais da regra de separação dos porquês e a nova ortografia. De-repente o que acontece no mundo parece não ter importância e que se dane tudo. Eu queria saber onde você está agora, queria caminhar com você pelas ruas e te comprar um café e abraçar os seus ombros ao atravessar a ponte, porque sei que você sente frio e sente medo. Mais medo do que frio. De-repente eu também passei a sentir a mesma coisa. Como somos estúpidos. Ficou pensando por instantes em fios. Virou-se para trás e o chefe ainda o observava, solenemente. Tinha as sobrancelhas arqueadas e prendia o charuto no canto da boca. Deu um sorriso sem jeito, sem esperar compreensão. Afastou-se da mesa, retirou o paletó da cadeira, trancou a gaveta. Voltou a olhar para o chefe que ainda estava ali. O homem consentiu com o que quer que fosse, apertando os olhos afirmativamente. Ele então desceu as escadas, consultando o relógio. Pegou um táxi até a Avenida Sumaré. Subiu as escadas do metrô. Quando ela desceu do trem, seus cabelos já tinham sido desarrumados com o vento de que ela não se preocupou em se proteger. Já nos primeiros passos, ela o viu sentado no banco. Ele se levantou, semi-sorrindo. Abraçou seus ombros miúdos e ofereceu-lhe uma xícara de café. A tela branca do editor de textos ainda brilhava na sala escura. Existem palavras que ficam ainda mais bonitas quando não são ditas.

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Domingo nas Alturas…

Não é possível. Estou desconfiada que meu anjo da guarda é do tipo aventureiro, do tipo que gosta de viver emoções. E por isso ele me coloca no caminho delas, das altas emoções. Hei de fazer vocês saberem que ontem estava um sábado lindo de sol e eu não pude resistir. Inventei de fazer caminhada na ciclovia da Brás Leme, de um extremo ao outro. Com direito a paradas para água de côco e sorvete (ou seja: não era exercício!). Na volta, à caminho de casa, vi a faixa: Dia 25/10 – Domingo Aéreo no Campo de Marte. Já avisei meu amigo da TAM – o Otávio – que no dia seguinte tínhamos compromisso. Levamos nossas mochilas e roupinhas para depois do batente. Hoje cedo fomos trabalhar e depois do trabalho, ele botou sua bermuda e camiseta, eu coloquei meu jeans maloca e minha camiseta amarela com estampa de bicicletinhas. Enfiamos todo o resto dentro das mochilas e fomos para o Campo de Marte. De metrô (faço questão de dizer, porque eu adoro o metrô e sempre arranjo um motivo pra trocar o ônibus ou o carro por ele).

O Domingo Aéreo é um evento onde os soldadinhos da FAB e da FEB (Força Aérea Brasileira e Força Expedicionária Brasileiro) se espalham pelo Campo de Marte, fazendo exposições de aviões de guerra, tanques, helicópteros, etc. As crianças fazem fila, porque os soldados abrem as aeronaves para que elas possam subir, brincar, tirar fotos, etc. Os pais adoram. As crianças eu não preciso mencionar, não é? Eu sou uma delas, é preciso que fique claro. Chegamos, Otávio, eu e a amiga do Otávio, e já fomos abordados pelos soldados da portaria, que estavam revistando as bolsas. Eu abri a minha e disse: “Moço, aqui só tem o uniforme da TAM”. Ele quis saber se eu sou aeromoça e eu me arrependi de dizer que não (podia ter criado um clima de fetiche: ele soldado, eu aeromoça – rs – mas enfim.) Entramos. Logo na porta, uma barraca de cocadas em local estratégico. À direita, um helicóptero. À frente, um avião do exército. Aviões em todas as partes. O dia estava nublado e as pessoas estavam esperando a demonstração da Esquadrilha da Fumaça. Fomos caminhando entre as pessoas e os aviões, tirando fotos deles – dos aviões e também dos gatinhos que passavam em frente aos aviões. Sim, porque este tipo de evento é a maior concentração de homens lindos e apetitosos do país: coisa de filme, mesmo. Aqueles caras do Ases Indomáveis não eram metáfora. Estes caras são assim, de verdade. E eu não sei se eu já confessei isto aqui, mas eu tenho uma forte queda (um tombo, um tombaço, eu diria) por homens negros – e sempre, homens negros lindos. Como lá tinha aos montes, o Sr Otávio – cara de pau mór – foi meu olheiro particular e tirava fotos de todos eles para eu colocar na minha coleção, porque eu tambééééém tenho paixão por aviões!!! :-)

Não podia faltar uma coincidência assustador, o Sr Otávio encontrando amigos de escola, que estava parados na muvuca ao nosso lado. Milhares de pessoas e fomos parar exatamente ao lado dos amigos de adolescência!!! Teve feira dentro do Hangar, com aviões velhos, motores desmontados, rebinbocas de treinamento dos cães militares, os caras do GATE (esquadrão anti-bombas), tanques e milhares de crianças guerrilheiras sobre eles. O Stand da Rolls Royce, das voluntárias do hospital do câncer, do Hospital do Exército, de escolas preparatórias para exame militar. Do lado de dentro do hangar, em cada extremo havia uma frase patriota - tentei tirar foto, mas não consegui. Ah!!! Uma moça (bonita, até) – moça não! Tiazona, já. Meio suicida. O avião estava sobre a grama, e ela estava em cima do avião fazendo poses de Catherine Deneuve – esta classe. Imaginem vocês que este avião decola e esta moça continua sobre o avião!!! Juro que é verdade!!! A coisa voa, e ela fica sobre a coisa. O avião faz loopings e ela fica sobre ele e dá tchauzinhos!!! Poderia sentar e fazer tricô. Entende? Uma suicida. Uma doida varrida. Mas nós adoramos. Não tentem fazer isto em casa, crianças. Mas eu morri de orgulho por constatar que é uma mulher quem faz isso. Que coragem! O nome dela é Marta Lúcia.

Nós já estávamos caçando uma mesa para sentarmos e comermos, porque é preciso se alimentar, certo? A esquadrilha da fumaça chegou e iniciou suas apresentações. Largamos tudo e fomos assistir – claro! Primeiro, uma apresentação em grande estilo: um por um dos sete aviões passavam, rasantes, pelas nossas cabeças. O oitavo elemento, que era o narrador e estava em terra, dizia seus nomes. O primeiro era o líder. Passava seguro de si e com um vôo firme, reto, decisivo (rs). Depois vinham os 5 seguidores. Passavam um por um, enquanto seu colega lá embaixo os apresentava, chamando-os por seus nomes. Tinham estilos diferentes de voar. Havia um que era mais exibido, passava fazendo gracinhas com o avião – voando de um laaaaado pro oooooutro, de um laaaaaado pro ooooooutro. E finalmente havia o sétimo elemento, o Major David: o avião isolado. Era um avião que voava longe do bando. Gostava de se exibir! Era o mais exibido e atrevidinho do grupo. Aquele que dá trabalho, o que faz as piruetas mais arriscadas, o que geralmente é um dos melhores. Assim na base do Tom Cruise. Todos eles primeiro fizeram um reconhecimento geral para ver se havia teto para voar e fazer a apresentação. Depois deram o ok para seu coleguinha do chão e começaram as exibições. Eles ficam há menos de dois metros de distância um do outro. Fazem loopings e você tem certeza que eles vão bater de frente – bater feio. Sua precisão é impecável. Ficamos lá observando todas as manobras, todas narradas e explicadas pelo aeronauta que estava no chão, no meio a gente. E cade o sétimo elemento, o exibidinho? Ele vem num rasante de dar medo e passa sobre as nossas cabeças! Fazem sucessivas manobras e às vezes o capitão conversa com a gente de uma maneira que eu não sei e não posso explicar, mas ele fala, lá do alto, e nós escutamos na caixa de som, quando ele diz: Jáááááá!!!! E vuuuuuummmmmmmm…. os aviões descem formando um desenho no céu.

Eu era a pessoa mais idiota de todos os presentes, porque precisei fazer um esforço IMENSO para não CHORAR de emoção, ali no meio de todas as pessoas. Porque além do mico em questão, eu havia acabado de sair do aeroporto e ainda estava maquiada – meu rímel, vocês devem imaginar, não era a prova d´água (uma mulher sempre pensa nestes detalhes, nestas horas).

A última manobra da Esquadrilha da Fumaça foi pessoalmente dedicada à nós, que estávamos presentes. Um coração! Enquanto faziam, o narrador dizia que eles são pessoas comuns, como nós, e que têm sonhos comuns, como os nossos, e que quando estão no céu, se sentem realizados porque sabem que estão realizando os seus sonhos…

…e os nossos!

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“As a human race we come together for birth, we come together for death. What brings us together in between is up to us. Stop and listen to the universal language of music and bring that positive energy with you everywhere you go.”

Mark Johnson – Playing For Change Movement

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Como ficar mais leve.

Achei por bem dar uma passada neste que chamo de meu blog! Se evaporo de tal forma, é porque eu 1. não tenho nada a dizer ou 2. tenho dito umas besteirinhas que o twitter acaba filtrando – porque isso acontece! Agora, por exemplo, eu não tenho muito o que contar. Não escrevo mais sobre coisas profundas, não tenho saco, não tenho saúde, não tenho o dom. O que fiz de mais legal por estes dias – e isso sim vale a pena ser registrado – é aquela faxina total no meu quarto. Meu quarto é um lugar às vezes ótimo e muitas vezes insuportável. Ok, eu explico. Meu quarto é pequeno, bastante pequeno. Minha mãe inventou, um belo dia, de fazer um armário embutido que ocupa metade do espaço dele. E o armário é ótimo. Depois veio a penteadeira, a mesa do computador. Algumas prateleiras que estão em forma de U, onde coloco meus livros, meus filhos, meus amores. Os dvd´s também. Atrás da porta eu colei vários bilhetes, cartas, coisinhas que eu ganho de amigos: a terapia funciona que é uma beleza! Quando estou fazendo escova, fico lendo os bilhetes e declarações de amor e de amizade de amigos e saio feliz e saltitante feito a pantera cor de rosa. Não sei porquê, mas lembrei dela agora. Tem outra estante ao lado da minha cama com mais livros. Tem o criado mudo, que de tão mudo ele não serve pra muita coisa. Tem a minha cama em si. E tem eu! Já que sem eu nada disso faria muito sentido, embora observar o quarto sem a minha presença possa dar uma idéia mais imparcial do que fazê-lo com a minha serelepe companhia lá dentro. Também inventei de colar na parede (sei que parece uma favela, mas não é) as coisas que eu *quero*. A neurolinguística aconselha, você visualiza, você consegue. Deu certo com a carteira de motorista. O fato é que ontem, dia 01 de Novembro, eu meio que estava inspirada sob o planeta Saturno e acordei com vontade de ficar mais leve. Comecei a arrumar o quarto e dei um jeito no que estava por demais me irritando: a gaveta de documentos e a gaveta de papéis. Alguém estava engolindo os meus documentos, foi tirar a gaveta e achá-los, ali na garganta da penteadeira. Os papéis desciam e iam parar na gaveta de documentos supracitada. Ali havia contas de 2006!!!! Vejam!!!! Pra quê guardar contas – pagas – por tanto tempo?! Até agora não fui processada e nem presa! Veja bem, joguei tudo fora. Tomei o cuidado de rasgar folha por folha. Separei as C&A´s pagas, das Renner´s pagas, das Vivos pagas, das faculdades pagas, das Marisas pagas, das Pessoas Físicas pagas. Dos cartões de créditos pagos. Guardei separado com clipes. Ou clips. Joguei fora papéis inúteis (para o lixo reciclável, que deixemos claro). Peguei a minha imensa pasta de textos inúteis, separei em plásticos por gêneros: crônicas pra cá, contos pra lá, poesias pra lá, textos dedicados à amigos aqui. Havia coisas horrorosas escritas. Bobeiras terríveis. Havia coisas boas. Havia um poeminha que escrevi com 19 anos,que se chama: O Velho Tempo. Uma belezinha de poema. Toda a minha inocência, aquela inocência que eu tive um dia, oh, que saudades do tempo que eu era meiga. Meus textos estão organizadinhos, agora. Os cadernos da faculdade, os livros, as apostilas. Coloquei perfumes, cesta de cosméticos, potes e mais potes de maquiagem – tudo dentro do armário. No fim do dia, fui me pesar e tchan tchan tchan tchan!!! Não preciso mais fazer dieta, já emagreci tudo o que eu tinha que emagrecer, assim que joguei as coisas velhas fora.

Vocês não imaginam o quanto esta terapia funciona!!!

Depois, tomei um belo banho,coloquei minha calça jeans pantalona e a camiseta I LOVE NY que ganhei das manas (o love é o símbolo do mickey em vermelho!!! E as letras são desbotadinhas!), tênis branco, cinto trançadinho branco (tem nome, este cinto, mas não lembro agora). Fiz uma maquiagem leve, quase imperceptível, com base e pó bem fininhos, blush cor de rosa, sombra creme com vinho nas curvas das pálpebras e rímel transparente. Você nem percebe o vinho no seu olho, provavelmente porque misturei sombra cremosa com pó, e porque ali no côncavo ela fica discreta (aprendi com a vendedora da Contém 1g que vinho+creme é uma sombra básica para o dia – a – dia). Fui ao shopping aqui do lado de casa para comprar cortiça para colocar no quarto e organizar melhor aquelas coisaradas todas na parede. Andei aquele shopping várias vezes e nada de achar cortiça.  O dia terminou com meus downloads da trilha sonora de Tieta e Roque Santeiro. Eu sei o que vocês devem estar pensando… sou velha mesmo e daí? Até hoje não houve outra novela como a Tieta e Roque Santeiro!!! Elias Gleiser e sua Princesinha do Agreste!!! Impagável. E Pepeu Gomes com Moraes Moreira, cantando A Lua e o Mar, valem pelo feriado inteiro.  (A roubada é que o nome da música me faz querer estar em outro lugar, mas isso é assunto pra outro post… )

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Bullying

Ah.

Achei que eu não tinha nada de importante pra falar.

Acontece que há uns 3 anos atrás ou menos, eu estudava Marketing em uma universidade que ficava próxima ao meu ex-trabalho. Estava no segundo semestre e andava com umas meninas mais novas do que eu. Na época eu tinha 27 anos, e elas 21, 20 e poucos. Me lembro que nós nos divertíamos muito e eu as achava lindas (aquela faculdade só tem menina com vibe de modelo, a gente fica se sentindo a Lilo). Até que elas começaram a revelar seus traços mais marcantes, do tipo: dar barraco com colegas, fazer escândalos, responder pra professor, estas baixarias que eu não gostava de dar partido e ainda não gosto. Fora que eu as achava um tanto fúteis. Tinha uma que um dia fez o maior auê porque a calcinha estava marcando a pele, e ela não gostava de marcas de calcinha. Comecei a andar com outras meninas e elas levaram para o lado pessoal, faziam intrigas, cochichos, diziam mentiras (que eu sabia que eram mentiras), etc. O fato é que do mesmo jeito que agora estou falando delas, sem citar seus nomes, na época eu também desabafava no meu blog sem citar o nome das pessoas e escrevendo de uma maneira genérica, quase impossível de se conseguir ligar A no B, ou seja: a cara e o crachá. Meu blog é um espaço público, aberto, vivemos em um país livre, onde se exerce liberdade de expressão. Tive o respeito (e o cuidado) de não citar nomes, nem descrições físicas. Sou inteligente e informada o suficiente para saber o que se pode fazer o que o que não é recomendável. Só que elas começaram a fuçar no meu blog sem que eu soubesse, e um belo dia recebi um e-mail do mal – do mal quer dizer quando alguém deseja as piores coisas para outra pessoa, abertamente ou quase abertamente – de um endereço chamado: suainfeliz@ig.com.br … o e-mail estava com cópia para todos os alunos da turma (estas facilidades de faculdades). Me lembro que estávamos terminando o segundo semestre, em plena semana de provas. As garotas literalmente vestiram a carapuça e mandaram o link do meu blog para a sala inteira. Os emails não tinham assinatura, eram anônimos. E eram constantes. Eu recebia na caixa postal do meu trabalho várias vezes por dia novos e-mails com ofensas, com copia para todas as pessoas da sala (o grupo de trabalhos da faculdade tinha meu email do escritório, porque em dias de entrega de trabalhos nós nos falavamos o dia inteiro).

O coordenador do curso soube do acontecido e me chamou. Disse que se o e-mail tivesse sido mandado através do sistema de emails da universidade, ele mandaria o caso para o jurídico. Eu o informei que eles haviam criado um endereço de e-mail, mas pedi que me autorizasse a fazer as provas daquela semana em outro horário.
Todos os professores me apoiaram, e me receberam em um sábado de manhã para fazer sozinha as três provas que ainda faltavam: Direito, Marketing e Filosofia.

Poucos meses depois, eu soube que aquela turma de garotas havia brigado entre si (engasgaram com o próprio veneno). Eu me arrependi, depois, de não tê-las processado por danos morais. Tinha testemunhas, tinha provas. Na época, eu me transferi para outro curso. Hoje em dia, eu não teria saído coberta por um jaleco, como a garota da Uniban. (ok, eu não usaria um vestido tão curto, porque não me sinto bem). O fato é que muita gente é do mal, mesmo. E a gente tem que ter muita LUZ dentro da gente, pra poder enfrentar este tipo de situação. Bullying na faculdade é muito mais comum do que se imagina. A garota da Uniban não foi a primeira e nem será a última. O que a gente precisa saber é como enfrentar isto – e que não é abaixando a cabeça e se escondendo, como eu fiz.

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Foto0116.Manjices

Fui fazer um processo seletivo para vagas temporárias de final de ano, com o único objetivo de #ganhar dinheiro#. Precisamos fazer uma redação com o ridículo e manjado tema “Onde você pretende estar em cinco anos”. Fotografei a minha folha de testes, e aqui está a minha para vocês lerem. E afinal de contas, saberem WTF eu pretendo fazer daqui A 5 anos. Ah. Parece curta, mas eu usei todo o limite de linhas possível. Duas palavras à mais, para ser exata. Tem um errinho, forgive-me. Era a fome.

Título: Dois critérios!!!

Ok. Se eu utilizar a probabilidade como critério, serei recém-casada (já que eu sou uma balzaquiana e ainda não casei), provavelmente terei um cachorro e estarei absurdamente louca para gerar e ter um filho (!). Já terei – finalmente – terminado a minha faculdade e espero já ter me decidido entre a pós em Comunicação ou Gestão de Pessoas. Sei que vou trabalhar com algo que seja uma loucura, não sou uma pessoa zen. Sei que vou morar em uma cidade grande, não importa se São Paulo ou Tóquio. Terei um carro pequeno, que tenha rodas e direção hidráulica (e do jeito que a coisa anda, ar condicionado!). Enfim. Até agora usei a *probabilidade* como critério. Se eu passar a usar a *fantasia*, em cinco anos, descubro que desejo as mesmas coisas: estar casada, trabalhando com o que eu goste, cuidando de quem eu gosto (e isto inclui o cachorro), vivendo uma vida simples e ajudando este mundo a melhorar. Um pouco.

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Medos privados em lugares públicos

Foi este post da Ciiihhh que me despertou a vontade de também confessar meus medos mais bizarros e secretos – e isto é parte da proposta que fiz para superá-los, ou tentar! Sentir medo é uma característica inevitável e inerente ao ser humano. E somos humanos! E eu aprofundaria esta questão, mas aí entraríamos em outro assunto, fugindo deste que agora é o mais importante: os meus medos privados em lugares públicos! ;-) Enquanto for apenas um medo escondido e que não faz mal à ninguém vá lá. Mas quando você (ou eu, no caso) começa a deixar de fazer as coisas que gosta e/ou que precisa, por causa deles, é hora de agir. Parte do plano é a confissão que segue!!!

  • Tenho medo de ficar perto do buraco do metrô quando o trem está chegando, chegar alguém por trás e me empurrar.
  • Tenho medo de alguém fazer a mesma coisa quando o trem está estacionando, e eu ser jogada no vão entre os trens.
  • Tenho medo de acontecer alguma coisa quando o trem está parado no túnel, depois da Estação Sé, e estando o vagão abarrotado de gente, virar aquele desespero e desordem e nem todos conseguirem sair (inclusive eu, que sento escondida lá atrás da porta da cabine).
  • Tenho medo de altura. Quando eu atravesso a passarela que liga um lado da Washington Luiz ao aeroporto de Congonhas, tenho medo que alguém me empurre lá pra baixo ou que vente tanto que eu saia voando. (!)
  • Quando estou voando de avião (ainda bem que é de avião, né? HAHAH), tenho medo que a fuselagem do avião arrebente e sejamos sugados pelo vento. Tenho medo que o motor exploda em pleno vôo ou que esteja vindo outro air bus do lado contrario e…
  • Eu tenho tanto medo de andar de avião, que chego a desmarcar viagens por causa disso (isto é agravado porque eu passo em frente à ex Tam Cargas todos os dias e trabalho em Congonhs).
  • Não consigo dormir sem olhar embaixo da cama, vai saber o que pode estar ali esperando eu dormir para se manifestar.
  • Não consigo dormir com portas de armários abertas.
  • Tenho medo de coisas imensas: estar no meio do mar, ou ser uma astronauta e ver o planeta Terra imenso na minha frente. Tive medo daquela cena em que o Titanic afunda. As cenas de catástrofes também me apavoram.
  • Tenho medo de algum assassino ou louco sentar atrás de mim no cinema, e…
  • Tenho medo da mesma coisa acontecer no ônibus.
  • Tenho medo de asteróides caírem na Terra.
  • Tenho medo de escuro, não durmo se o abajur estiver desligado. Se morre alguém, o medo aumenta.  (!)
  • Tenho medo de coisas desconhecidas pelas quais eu vou passar. Se eu vou à uma festa em que não conheço ninguém, ou se vou viajar para ficar na casa de pessoas que não tenho muita intimidade, fico uma pilha. Chego a não ir. Sempre acho que não vou conseguir me relacionar direito e que as pessoas vão me achar um E.T.
  • Tenho medo de doenças e que aconteça algo à minha família.
  • Meu pai me leva em Santana todas as madrugadas de Domingo. Morro de medo que o assaltem quando ele retorna (sozinho).
  • Tenho medo de dormir no volante.
  • Nem gosto de pensar que estamos vulneráveis e que o que aconteceu com a Luciana (Viver a Vida) pode acontecer com qualquer um.
  • Tenho medo quando penso o que estas religiões podem fazer com a nossa cabeça.
  • Tenho medo de ficar sozinha e não conseguir construir uma família.
  • Qualquer dor que eu sinto, já acho que é câncer. Se for no peito, acho que estou tendo um infarto.
  • Medos de barata, lagartixa, cobras e aranhas, nem vou mencionar.
  • Tenho medo de namorar ou casar com um destes canalhas que estão soltos por aí, que não valem nada e que fazem suas esposas de idiotas. E de me tornar uma.

Acho que por hora, são estes os meus medos… muitos deles, sei que são compartilhados com vocês. Que tal fazer também a confissão? Assim pelo menos saberemos que nós todos temos medos comuns e que isso não passa da furada de sermos … humanos. Sendo assim, o primeiro passo, além de confessar, é saber que sentir (um POUCO de) medo é normal. Inclusive os bizarros. Agora, se fico pensando em soluções, percebo que solucionar um medo não é maquiá-lo. Por exemplo: acender o abajur é estimular o medo e não combatê-lo. O barato da coisa é enfrentar os nossos medos. O que no meu caso, significaria desligar o abajur…

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O Duelo

Tudo começou com a simples indicação de um filme. A romântica e idealista incurável, ou o cético teimoso? Veja com quem você mais se identifica.

Ela:

Assisti O Solista… você já viu??????? NossaNossaNossa.
Correndo um super risco em indicar um filme para um crítico! O Jamie Foxx é foda e não tem jeito. Um espetáculo de ator. O Downey Jr está extremamente sexy com aquele chapéu. O jornalismo me persegue. Tipões como o dele me seduzem.
O texto achei muito bom – algumas coisas no filme eu dispensaria, mas no todo, achei lindíssimo. Saí do cinema diferente de como entrei.
 
beijos

Ele:

tudo é a ——, e é bom que seja,
radical, bem radical, muito radical, não vejo filmes dos eua. tenho um cansaço tremendo, a língua me entra e outras frescuras mais. mas se te fez feliz, também já me fez.

Ela:

Não acho que seja só o caso de ser radical, mas também de imaturidade e de burrice. Me desculpe a sinceridade.
Eu sugeriria que você tentasse esquecer a procedência do filme e se concentrasse na história, na fábula, na paixão dos atores enquanto o fazem.
 
Te conheço um pouco e acho que os melhores momentos da sua vida e que eu pude presenciar de alguma forma (e muitas vezes estar neles) foi quando você baixou a guarda e se deixou envolver pelas coisas – pelo menos esta é a opinião da Lilica, que  não é crítica, mas é inteligente e gosta de tudo o que é inteligente e poético – e diferente e não convencional.
 
Eu continuo recomendando o filme. A história é real. Um músico que no segundo ano de música, desenvolveu esquizofrenia e virou morador de rua. Ele toca violino embaixo dos viadutos. O ator toca de verdade, não finge que toca. Só a interpretação dele vale o ingresso, vale um prêmio, um hino. Você espera por uma solução o tempo inteiro e no final, acaba convencido de que na realidade loucos somos nós, que estamos restringindo coisas tão bacanas só porque são dos Estados Unidos.
 
A Azul NÃO OPERA EM CGH, se liga.

Ele:

ligarei-me. mas tenho sido feliz burro e imaturo. sou zagueiro, de nascença. difícil não dar carrinho.
continuo repetindo que se te fez feliz, já me faz. (…) e não fica braba comigo.

Ela:

Não fico brava, fico furiosa, porque acho que você leva as coisas à ferro e à fogo demais e está perdendo coisas legais. Não é uma questão de ser feliz, mas de expandir e conhecer coisas novas, de se surpreender, enfim. Vou me lembrar de que não adianta eu tentar te convencer… rs.

Ele:

a do universo já é expansão demais, deixa eu me encolher um pouco.

Ela:

E eu só tava falando de um filme… 
 

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Como proporcionar uma experiência inesquecível!

Então eu tive hoje uma idéia brilhante! Quando aquele amigo chato e insuportável vier à São Paulo, ou aquela tia pentelha que usa papel ou fio de cabelo como fio dental, tudo o que você precisa fazer é levá-los para passear nestes lugares que listarei abaixo. Ele nunca mais vai voltar.

1. Leve seu amigão para dar uma volta de metrô lá pelas 16h  e pouquinho e desçam na Estação Sé. Subam, tomem uma água de coco ou vão até a Catedral. Mas voltem lá pelas 17h ao metrô e tentem embarcar!!!!! :-D Quando estiverem no meio do povão, tentando entrar no trem, grite para seu amigão tomar cuidado com a bolsa. E com a bunda.

2. Leve seu amigão para fazer compras na 25 de Março na época do Natal. Precisa dizer mais alguma coisa? Ah, precisa sim! Que você vai vibrar quando aqueles idiotas que ficam nas calçadas começarem a passar aqueles aros de massagem na cabeça do seu parente, sem sequer pedir-lhe licença!!! :-D

3. Leve-o para comer um lanche de mortadela no Mercado Municipal (mas só vale se for aquele lanche de três andares). Depois, visite a barraca de frutas que existe no térreo, perto da porta de saída. A vendedora vai entuxar a barriga do seu amigão de tanto comer fruta, e ele ainda vai ter que ouvir que lichia é afrodisíaca, a vendedora chamá-lo de bebê e perguntar-lhe por que ele é tão sério.

4. Leve seu amigo para dar uma voltinha de carro na 23 de Maio na sexta-feira à tarde, lá pelas 18h! (Se ele tiver Carteira Nacional de Habilitação, faça-o dirigir!!!) :-D

5. Leve seu amigo para almoçar em alguma padaria com mesinhas ao ar livre, em Moema. Ele vai ter uma indigestão assim que o primeiro Air-Bus passar sobre a sua cabeça em direção ao pouso em Congonhas.

6. Se estiver chovendo, você já sabe o que fazer, né? E tem que ser de ônibus!!! Os guarda-chuvas molhando a roupa do seu amigão, enquanto as pessoas espirram e os vidros dos ônibus estão todos fechados… hummm! Delícia!

7. Se tiver Urbaninho perto da sua casa, melhor! Você pode escolher. Ou deixe seu amigão em pé, no corredor, ou então opte por fazer com que ele se sente no banco corredor. É uma experiência incrível. :-D

8. Faça um programão que vocês tenham que pegar 4 conduções pra ir e 4 pra voltar.

9. Leve seu amigão para pegar um ônibus no primeiro ponto da Prestes Maia, sentido centro, bem ao lado do lixão à céu aberto. Mande ele comprar  uma coxinha, antes (as moscas varejeiras vão adorar à beça!).

10. E pra fechar com chave de ouro, faça com que ele embarque na Rodoviária do Tietê, em plena sexta-feira ou domingo, ou feriado ou véspera de feriado. Será atropelado pelo mundaréu de gente que estará chegando e por suas gigantescas malas. E ele certamente vai se sentar ao lado de alguém super agradável que vai roncar a viagem inteira e ocupar-lhe a metade do banco com as gorduras que sobram.

Mas ó!!! Não pegue pesado demais, senão você também vai fugir, hã?

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Baixaria Total!!!!

Só sei que a gente decidiu que hoje era dia de pegar o ônibus para o lado contrário, porque tinha acidente na Bandeirantes e a 23 de Maio estava toda parada. Pegamos aquele micro-ônibus para a Estação Conceição do Metrô. Ao desembarcarmos, Otávio – o Bis – e eu, vimos e gostamos do que vimos. Desejosos das besteiras todas, que estavam nas barraquinhas de doces. Ele queria, eu também. A gente teve o desejo e a idéia, na mesma hora. Abaixamos no chão (porque a bolsa da TAM é pesadona e enche o saco) e viramos toda as nossas bolsas – a minha bolsa e a mochila dele – para encontrarmos moedinhas, como se estivéssemos quebrando nossos porquinhos. Fizemos festinha quando as encontramos. Sorrisos e pulinhos, praticamente. A conta total deu R$3,55 e nós compramos uma barra de chocolate branco, daquela marca que derrete na boca! ;-)

Descemos para o metrô e nos esbaldamos de chocolate, naquele calor, naquela sede. Duas crianças com bicha.

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AFF…

Um sol escaldante, no máximo estou concentrada no que vem lá de trás e quem sabe sou feliz por um minuto e o 175T está chegando. Com bancos vazios, porque saltos existem, blusas de suplex (que grudam e absorvem o suor = fedem) existem. Uniforme é ótimo e também um saco. Mas mantenho o foco e lá vem o Santana (175T). Atrás de mim, quieto como uma onça, está o Isaac (nome de guerra) ou Rafael. Toda vez que nos vemos nos comprimentamos como a Laila Dominique (joga no youtube): “Oiiiiiiii!!!!”. A piada é a mais antiga da face da terra, mas somos dois bobocas e vamos para sempre rir do bordão da nossa amiga Laila Dominique. Não deu tempo pra conversar muito, corri para entrar primeiro no ônibus (é muita gente) e estou aqui confessando uma mania feia (querer entrar primeiro no ônibus). Só que quando subi o degrau do busão, o sapato do pé direito caiu na calçada. Os homens que vinham atrás pensaram em pegar pra mim, mas eles acharam que eu ia fazer isso sozinha (o que não consegui, porque o degrau era alto demais). Atrás de mim havia um fila imensa querendo que a moça resolva suas trapalhadas e suba no fucking onibus tão logo possa, porque todos querem entrar, passar na catraca, sentar, dormir, ir pra casa  – enfim. Não consegui pegar o sapato e pedi para o moço que vinha atrás pegar. Ele pegou e colocou no chão, eu o calcei e olhei para a cara do motorista que devia estar se divertindo à beça. Só que a bolsa esbarrou na porta, quando ainda estava tentando entrar e minha blusa do uniforme também caiu no chão e eu tive que voltar pra recolhê-la:

_ JESUS!!!

O homem que vinha trás disse:

_ CALMA, CALMA. VAI COM CALMA.

O motorista nesta altura não estava acreditando no que via. Depois de muita LUTA (!) eu consegui entrar no ônibus e me sentar. Olhei para fora e o Isaac/Rafael estava RACHANDO O BICO da minha cara!!!

Eu continuei o serviço por ele, não consegui parar de rir da minha própria cara por uns quinze minutos. Vocês devem estar achando que eu sou um pouco atrapalhada, mas é preciso deixar claro que esta é só uma amostra do que eu sou capaz de CAUSAR.

É charme, tá?  ;-)

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Manual de Instruções

Querido Futuro Namorado Marido,

Ao chegar, você vai encontrar uma mulherzinha totalmente paciente! É que você está demorando tanto a chegar, que muito se desenvolve a virtude dentro das minhas entranhas. (!). Pode ser que você encontre uma ruguinha no meio da minha testa, porque desde pequena sou do tipo bravinha – mas não se assuste. Toda mulher é bravinha. Mas calma, que estas chances só serão grandes se você me encontrar em ambiente de trabalho, que ninguém merece. Não se deixa levar pela cara de invocada que eu provavelmente vou estar fazendo. Isso é porque provavelmente não estou em um dia de facilidades. Mas se você me encontrar fora do ambiente de trabalho, pode ser que eu nem te veja – e será preciso que você faça um esforço para ser notado (a não ser que você seja do tipo Thierry Henry só que ao invés de ser jogador de futebol, é um intelectual). É que eu sou um pouco distraída (e nem queira saber o quanto). Se me ver por aí, pode ser que eu esteja no meu dia de femme fatale, usando uma blusa que valoriza o meu colo e um belo salto pra me deixar mulherão. Mas as chances de eu estar em dias de desencanice são maiores: estarei minimalista, então. Usando uma rasteirinha com minha saia rosa e uma regata branca. Ou uma calça jeans bem rua, com uma das minhas camisetas divertidas e o all star. Ah, e agora estou com mania de fazer trança embutida no cabelo. Agora, fica tranquilo, porque jamais saio de casa sem maquigem – coisa leve. Se você espera encontrar uma mulher usando o decote ou a calça apertada, então olha mais pra direita, porque não sou eu. Mas se você procura por uma mulher desafiosa (!), que vai te tornar sua vidinha mais emocionante e interessante todos os dias, então está olhando para a mulher certa. Certamente nós nos encontraremos em algum biblioteca ou livraria, ou museu, ou Avenida Paulista. Barzinhos, também, que não sou de ferro. Aquela sozinha no cinema não sou eu, pode ter certeza. Aquela que anda devagar, na Avenida Paulista, olhando para os lados, para as pessoas, com uma bolsa à tiracolo, sou eu. Se eu estiver no metrô provavemente estarei dormindo – nem tente me acordar! Deixe seu msn no meu colo (mas cuidado onde coloca a mão) e siga seu caminho. Já vou avisando que demoro um pouco pra me soltar. Será preciso uma atitude gentil ou então uma garrafa de vodca com limão. Serve chope de vinho. Não cutuque demais, que isso me irrita. Se tiver bebido cerveja jogue uma bala antes. Se tiver fumado, dê o fora. Se por uma obra generosa do destino, você tiver cor de chocolate e um belo sorriso, se tiver aquele molejo gostoso, aquela cara de malandrinho, aquela malícia pequena, e se souber dançar – gafieira e hip-hop – já vou avisando que você não vai precisar tirar da cartola nem metade dos seus truques de sedução, porque já vou estar caidinha por você. Ah! É preciso falar corretamente e escrever bonitinho. Não me venha com MANO, nem com MINA, nem com MEU. Não eskreva axim. Não erre o português – pelo bem de nós dois. Não troque o MAS pelo MAIS. JAMAIS!!! Se você for tudo isso e nos esbarrarmos em uma livraria e se você estiver folheando um livro do Érico Veríssimo ou do Júlio Cortazar, vou dar a maior bandeira de loucura. Se for um cd de bossa nova, de samba ou de chorinho, você é o homem da minha vida! :-D Não cuspa no chão, não jogue lixo na rua, não solte puns perto de mim (isso broxa). Chegue de mansinho. Alguns dias serei insaciável. Outros vou estar chata e cansada, cansada, cansada. Não sei se estarei preparada em todos os momentos “nós dois“. Leve em conta todo o tempo que fiquei sozinha, antes de você chegar e que aprendi a fazer tudo sozinha. Não seja certinho demais, porque de certinha total eu só tenho a cara. Acredite em Deus. Se não acreditar, não vai dar certo, porque odeio caras crús e céticos demais. Não precisa se converter à nada. Você pode acreditar do jeito que quiser e no que quiser. Eu vou gostar de aprender com você. Vou gostar de admirar suas qualidades e de te elogiar o tempo inteiro. Beije bem. Não babe. Seja perfumado, aiaiai!!! Me elogie – mas só quando você estiver sendo sincero (lembre-se que sou meio leonina). Você provavelmente será o melhor profissional naquilo que escolheu fazer. Não se assuste quando eu falar algum tipo de palavrão, só faço isso quando estou muito IRADA. E se eu estiver xingando o computador, saiba que eu tenho razão e nem tente apartar a briga. Seja romântico, mas não seja pegajoso. Seja engraçado e seja inteligente. Eu adoro rir. E sorrir. Gosto de perambular pela cidade. Adoro dirigir. Gosto de andar de metrô e adoro purê de batatas. Adoro caminhadas e aventuras – mas só de vez em quando. Será preciso um cachorro para ser o ícone da nossa relação – e eu quero um cachorro adotado. Acredite nas pessoas. Será preciso que você tenha paciência com minha fatia mais idealista (lembre-se que sou meio pisciana). Será preciso que você acredite que vamos ficar juntos para sempre. E que no meio dos trovões e tempestades, haverão infindáveis dias luminosos de um amor que crescerá a cada dia. Mas não demora. Senão eu te troco pelo Denzel Washington. ;-)

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Coisas Singelas

 

Foto: Marimoon em sua viagem à NY.

E eu cheguei no aeroporto, e não eram nem seis e meia da manhã e minha franja já estava caindo. O gel não segurou. Fui à farmácia correndo para comprar outro, mas na hora de pagar com o único cartão que me resta o crédito no final do mês, o sistema estava fora. Conclusão: não consegui comprar. Fui para o desembarque trabalhar – toda descabelada e com um tic-tac segurando a franja, tic-tac que eu gostaria que fosse invisível, mas que parecia um baratão (a TAM não permite o uso de grampos, presilhas e tic-tacs). Havia uma bagagem rodando e rodando e rondando na esteira. Era dos colegas da GOL. Eu a coloquei no ombro e levei para eles. O Dori, um amigo engraçado, abriu a mala para ver o que era (estava desacompanhada e sem etiqueta). E ficou fazendo graça com o que tinha lá dentro. “Olha tem um gel aqui. Olha, tem um gel. Olha, um gel”. Eu perguntei, descabelada:

_ TEM UM GEL??? :-)

Adivinha se não fui no banheiro retocar o cabelo com o gel bozzano do passageiro anônimo que agora quero agradecer e não posso. Viu como tem alguém cuidando da gente? Meu anjo da guarda é trabalhadeiro. Não deixou eu gastar dinheiro (que não tenho) com outro gel e tratou de arranjar um socorro pra mim. Coisinhas singelas.

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Ainda singelo

Depois do almoço e de um breve soninho no sofá novo da mamãe, peguei carona com o papai para ir à Rua dos Timoneiros. Onde eu passei a minha infância e onde ele passou a vida inteira dele. Fomos à casa da Dona Iraci, de vez em quando ele aparece lá pra visitar a família, que são amigos de sempre. Meu pai foi assistir o jogo com o Tio Doni e eu fiquei papeando brevemente com a Dona Iraci na cozinha, enquanto ela passava o café. A Marisa – que eu acho engraçadíssima – lavava a roupa e conversava também, mas com o papagaio. A menina – Natali – tentava chamar a minha atenção de todas as maneiras enquanto eu folheava o jornal de domingo. Lhe dei as cruzadinhas do jornal de fofocas de televisão e ela conseguiu fazer algumas palavras. Deu tempo pra tomar o café (preto preto) com bolo de laranja. O papo de homens adultos ao redor da mesa começou e Natali conseguiu me levar para o quintal atrás da casa. Fomos ver o papagaio e como ele gosta de brincar com o pregador de roupa. Gosto de ver como ele também entorta a cabecinha pra me imitar. Faço isso desde criança – todos os papagaios são iguais. São? Avarih, o biólogo, vai por favor me esclarecer. Todos os papagaios viram a cabecinha? Estes bichos deviam ficar soltos, pensei. Ali em cima reinava um passarinho amarelo, não sei qual passarinho era. Mas sei que ele queria estar no meio de nós e ali em cima era tudo tão sem graça. Natali me arrastou até o pé de acerola, e depois o de limão e depois o de framboesa. Todos vazios, porque ela já fizera o trabalho de colher e comer e colher e comer. Eu cresci e ainda faço isso. Se bobear subo na árvore. Mas elas estavam peladas, peladas. Havia mosquitos. Dona Iraci chegou carregando aquele creme repelente que nos fez passar na nossa pele para não sofrermos depois. Já que as crianças nunca notam os inconvenientes na hora, só depois. Na hora de dormir, na hora de tomar banho. E olha ali, a Natali, rindo da cara da avó que estava no quintal da vizinha regando as plantas. Ela estava sendo (duplamente) observada e não notara. Tem uma cara de invocada – mas é só a cara. Depois a garota me contou a história do gato. O Damasceno. O gato preto que gosta de se embrenhar no jardim – como todos os gatos – e que outro dia apareceu com uma enorme lesma grudada nas costas. O cachorro, cadê, perguntei. Morreu. Não querem outro. E me arrastou, ela, para a parte da frente do quintal. Me pediu para contar quantas vezes ela consegue pular no tal pula-pula. Cento e cinquenta e quatro, quase perdi o fôlego. E subia no portão e trepava no carro e pulava da escada. Não fure os olhos nas lanças, não machuque o joelho, eu dizia. Depois pensava, puxa vida, como nos tornamos chatos quando nós viramos adultos. Vamos lá fora sentar na calçada, Natali. Desta vez o convite foi meu. Ela queria me arrastar lá pra baixo, no final da rua, mas eu  não queria passar em frente a antiga casa da minha avó – recém vendida. Não sei se estava preparada pra isso – coisa que nao expliquei, apenas disfarcei. Não vou lá não. Lá tem formigas. Sentamos ali, em frente a casa mesmo. Veio a avó da garota – a divertida Marisa, me contando que o dentista recomendou que ela arrancasse todos os dentes da boca e passasse alguns dias sem eles, até fazer o implante. Imagina, ela dizia. Toda vez que eu fosse rir, colocaria a mão na frente da boca, igual uma pateta. Eu ri e disse que ficar banguela não seria definitivamente uma boa idéia. Natali tentava fazer com que sua avó entrasse, de todas as maneiras. Eu olhei para o céu e pensei que havia muito ainda o que conquistar, mas que eu estava feliz passando meus domingos desta forma. Não ia chover mais.

foto: www.papagaiosecia.com.br

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Huuummm!!!

(Foto: Melissa Brienda Sliominas – Arte de Alex Flemming/Pinacoteca do Estado de São Paulo)

Nunca pensei que eu fosse comemorar a minha solteirice!!! Ualaaaa!!! Como é booooom ser LIVRE, LEVE, SOLTA, SOLTEIRA, não ter que dar satisfações à ninguém!!! Como é bom provar o gosto afrodisíaco de um bom flerte! Que perfume delicioso tem as segundas e terceiras intenções que a gente consegue sacar porque não somos só lindas, somos inteligentes também!

Existe um moreninho totalmente irresistível no meio das malas, ali, no sol que ferve a pista do aeroporto. Tem os braços torneados, musculosos, o cabelo espetadinho e a pele beeeeeeeeeeeeem morena. Nós nos falamos todos os dias, mas nunca nos vemos. Cada vez que eu o chamo para saber alguma coisa que preciso, ele responde assim:

_ Prossiga para o Fulano de Tal. É a Mel?

E a mel responde toda derretida, que siiiiiim (meu bem), é a Mel. Aquele personagem lindo e total, só que ao invés de ser um Brutus, é um gentleman. Me trata com gentileza, fala com cuidado, com educação e sabe conversar.

Antes de sair de férias eu fiquei meio BRAVINHA com ele, mas não deu tempo de pedir desculpas. Fiquei 30 dias com remorso. Hoje ele me disse que nada que uma “amarelinha” não resolva.

E se eu não tomo cerveja?

E se eu sou (bem) mais velha que ele?

E se eu quero?

 

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Para Paula

Eu não queria escrever esta mensagem como um post, porque a proposta do meu blog não é esta e não gosto de expor pessoas e situações – quando muito expor à mim. Por este motivo apaguei seu primeiro comentário. Tentei te escrever, mas o e-mail que você deixou parece não existir… tenho acompanhado seus comentários e de verdade eu não entendi direito o que você pretendia com eles e onde é que eu e meu humilde blog entramos nesta história!

Com relação ao seu desabafo, este tipo de postura é comum entre os homens  e vai continuar a existir enquanto existirem mulheres ingênuas como FOMOS nós (e espero que eu também possa me referir à você no passado), e deixarmos que homens “frios, sádicos, traidores e desleais” entrem em nossas vidas e derrubem nosso amor próprio – com o nosso consentimento!

Faça à VOCÊ o bem que você quer que ele te faça. Respeite-se VOCÊ. E se quer um conselho, não se envolva mais com homens que já tenham um relacionamento. Alguém sempre se machuca e geralmente não são eles.

1 abraço,

Melissa.

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Sorria, meu bem!

Estou aprendendo algumas coisas bem importantes. Uma delas é a seduzir! Acho que toda  mulher – de 12, 18, 24 ou 30 anos – deve saber seduzir, saber quais são suas melhores “armas” pra isso e principalmente, como e com quem usá-las!

Uma das coisas que eu mais gosto em mim é o meu sorriso. Por causa das irritadices do dia-a-dia, tenh percebido que estou sorrindo menos do que deveria! E que um sorriso para o cara, olhando DENTRO dos olhos, mexe com praticamente todas as pessoas atentas!!! (risos)

Tem também o jeito de andar. Vocês já repararam na maneira como andam? Já fui chamada de formiguinha e baratinha (e sei que vocês são inteligentes e entendem perfeitamente o porquê hahahaha!). Estou prestando atenção em caminhar melhor, olhando para a frente, e acima de tudo: confiante! Ninguém resiste a uma pessoa que está se sentindo de bem com a vida!!!

Também tem o fato de que eu não tenho problemas nenhum em tomar iniciativas. Se estou interessada em alguém dou um jeito, chamo pra ir a uma festa, a um jogo de vôlei, caminhar no parque. Se ele está enrolando pra beijar eu tasco logo o beijo e pronto. Mas o fato é que os homens adoooooram conquistar!!! Adoram achar que estamos nas mãos deles!

Está funcionando. Estes dias eu sorri para um colega do aeroporto que vejo praticamente todos os dias, mas que não sorria porque tudo era muito rápido. Ele se aproximou e eu sorri pra ele, sem dizer nada. Ele fez uma carinha fofa e sorriu de volta um sorriso lindo e brilhante. Me perguntou como foi meu final de semana. Achei muito carinhoso da parte dele e pensei: como existem caras legais debaixo do nosso nariz e a gente não percebe!!!

Então, garotas… prestem atenção em seus melhores atributos e curtam suas vidas! Isso só nos fortalece e nos deixa ainda mais bonitas! :-)

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De amigos e de estradas…

“Amigos! Eu é que tenho que agradecer por ser tão bem recebida – sempre! Gostaria de fazer isso mais vezes, mas a correria não deixa! Dentro da casa de vocês, em Lindóia ou em São Paulo, eu me sinto MUITO acolhida, MUITO protegida e MUITO querida. De um jeito que nem sempre eu me sinto na minha própria casa! Beijos grandes!”  
 
(…)

Das coisas que se perde a prática, ou das coisas que EU perco a prática, pode-se eleger como principal o descuido com as amigas e amigos do coração. Não por pura irresponsabilidade ou descuido, embora acabe sendo isso o fato de nos deixarmos levar pela rotina e loucura dos dias. Mas eu sinto falta de momentos passados com meus amigos, tipo, just you and me. Este final de semana que passou, estava de folga no domingo e senti uma vontade muito grande de fazer uma surpresa a uma grande amiga, a Mirelli. Fazia mto tempo que nós não nos víamos, mas somos assim: podemos ficar um mês sem nos ver, quando nos reencontramos, não sentimos diferença alguma. Já houve mal entendidos, brigas, discussões, mancadas, perdões e mil declarações de amor como amor de irmãs. Conheci a Mi quando eu fazia teatro. Das coisas mais doces, eu me lembro de um dia estarmos assistindo a uma apresentação teatral e ela quis se sentar na primeira fileira para ver melhor, mas só havia uma cadeira. Ela foi, mas voltou em alguns minutos. Eu brinquei: “não consegue ficar longe de mim, né?”. Depois em um dos nossos e-mails, ela me confessou que sim, ela voltou para ficar sentada ao meu lado. Nós não somos amigas de infância, mas nossa amizade não tem explicação. Ela sabe ler meu olhar, não posso disfarçar ou mentir – nem conseguiria. E nós sabemos que no meio da correria, sempre vai existir um tempo uma para a outra. Pois então, no sábado depois do trabalho (meio dia), peguei a mochila e fui para a rodoviária, embarcar para Serra Negra. A Mi tem uma loja lá e eu queria chegar de surpresa. Um dia antes mandei um e-mail para a Juliana, pedindo instruções, endereço, etc. Nem me troquei, porque não queria perder o ônibus das 13h30. Corri e consegui embarcar, sentando-me na poltrona número 40 (corredor). Alternando momentos de sono profundo e inquietação, estava ansiosa e temerosa em chegar em Serra Negra muito tarde. Não sabia ao certo até que horas ela ficaria lá – porque na verdade ela mora em Águas de Lindóia. Depois de umas duas horas de viagem, resolvi perguntar como quem não quer nada, por sms, para a mocinha:

_ Mi, até que horas você fica aí na loja?

A resposta veio quando eu já estava chegando em Serra Negra. Eram 16h15. Quando cheguei na galeria onde fica a sua loja, ela quase caiu pra trás. Estava usando a camiseta que eu lhe dei de presente de aniversário: uma camiseta da Mônica, com a frase: “amizade e carinho”.

Fomos comer, porque eu tinha saído do aeroporto sem almoçar. Pedi um lanche de frango com cheddar (adoro). A Mi pediu cebola empanada e nós nos esbaldamos. A tarde estava fresquinha, o céu azulzinho. Nós escolhemos uma mesa na calçada, ao lado da pracinha de Serra Negra. As pessoas conversavam, animadas e nós colocávamos nossas fofocas em dia. E eu contei tudo. Sobre o projeto social que estou envolvida, sobre o menino que está me rodeando, sobre meus ataques feministas (!!!).

No final da tarde o pai da Mi – Edinho – foi nos buscar, retornando de Minas. Quando me viu, fez uma cara de “susto feliz”. Há tempos ele me pedia para ir visitá-los. Um segundo pai, sabem como é. Fomos conversando no carro, enquanto eu prestava atenção nas curvas da estrada que liga Serra até Lindóia. Quando chegamos na chácara da Mi, tomei aquele banho maravilhoso. Abri o vidro do banheiro, para poder olhar o lago que existe na rua de baixo, todo rodeado por luminárias douradas. Respirei fundo e senti a água quentinha rolar pelo meu corpo. Tive certeza de que sou feliz.

Nós jantamos pizzella, o prato típico da família Rosa! Tem uma massa parecida com pastel, mas um pouco mais consistente. Você joga molho em cima, depois queijo ralado e manda ver. A receita rende bastante, de modo que eu enchi a pança. Jogamos conversa fora até altas horas, na cozinha que fica do lado de fora da casa. A cachorrinha Lusa, que foi adotada ao lado do estádio da Portuguesa enquanto tentava comer uma pedrinha, me pedia carinho. Quando eu cansava, ela usava o focinho para puxar as minhas mãos. Os meus olhos, porém, começaram a denunciar  meu cansaço. Embora eu fique repetindo que não, não estou com sono, não durmo cedo… meus olhos me traíam e eu fui dormir!

O sono dos deuses! Me disseram que talvez as maritacas não nos deixassem dormir (elas gostam de ficar nos telhados e fazem a maior algazarra), mas não ouvi um único PIO de maritaca. Nem nos meus sonhos. Acordei com a Mi me pergurtando se eu realmente gostaria de ir até Lindóia com ela, que iria abrir a loja cedo.

Claro que eu fui! :-)

Aí eu chego na idéia central deste post: a tua melhor amiga dirigindo o carro e cantando Marisa Monte. Você canta junto (aos trancos e barrancos, porque não é do tipo que sabe decorar letras) e observa a belíssima paisagem da serra. O ar fresco que entra nos teus pulmões. Pé na estrada com a tua best friend, quem já viveu isso levanta a mão!!! Devemos fazer isso sempre e repetir, repetir, repetir.

Sempre digo pra Mi que sim, vamos viajar, Mi. Pra Europa, sim, pra Europa. Ela quer conhecer a terra dos meus avós, a Lituânia. Eu não gosto de aviões,embora trabalhe em uma empresa aérea. Mas não teria medo se voasse com ela me contando histórias. Tá, eu confesso que acho lindíssimo o céu, as nuvens, as luzinhas brilhantes e pequenas. Tua melhor amiga tem o poder de aniquiliar os seus medos e aumentar suas felicidades. E fazer dos momentos simples, cenas espetaculares!

No domingo nós almoçamos comida caseira em um restaurante fofíssimo no centro de Serra Negra. Andamos pra cima e pra baixo e ela teve a maior paciência para parar em todos os lugares bizarros em que eu queria tirar foto. A casa velha, o paço municipal, a folha seca na calçada… depois voltamos para a loja e à tarde, novamente meu corpo me traiu e trouxe o cansaço costumeiro (já que eu trabalho de manhã). A Mi me fez uma caminha no estoque, usando um dos tapetes que são vendidos na loja. Havia um dvd tocando Titãs exatamente ao lado da loja, mas cadê que eu ouvi alguma coisa? Não escutei nada. Dormi profundamente por 50 minutos. Depois sugeri um café e tomamos um café expresso dos mais amargos do mundo! Cada uma usou três – 3!!! – sachês de açúcar cristal (odeio açúcar cristal!!!). Depois ela me levou até uma praça onde existem três fontes de água, cada uma com diferentes benefícios. Beberiquei da água, que era fresca, fresca, fresquinha. Tiramos fotos juntas, deletamos fotos estranhas, tiramos fotos novamente. A Mi achou que aquela semente de fruta (que fruta mesmo?) era um besouro. Já pensou? Você pára para reparar em uma semente de fruta na rua? Nós paramos.

Voltamos para casa no final da tarde, com dia ainda claro. Eu filmei boa parte do trecho de estrada. Ainda deu tempo de filar uma pizzella e tirar fotos da chácara – o banco feito de mosaico ao lado da piscina, a rede, a gruta com Nossa Senhora de Fátima, as flores… e conversar com o Edinho, enquanto ele limpava a piscina que receberia o neto no dia seguinte. Tudo isso antes de entrar no ônibus que me trouxe de volta à São Paulo.

No dia seguinte, na caixa de entrada, o pai da Mi me escrevera uma das mensagens mais lindas que eu já havia recebido, em resposta à minha confissão de que junto com eles eu me sentia em casa. O post termina com ela, que depois não cabe mais palavra alguma!

“Como vai meu Amor, 
Primeiramente espero encontrá-la em perfeita saúde junto com sua familia. Obrigado pelas fotos. Em relação a minha casa e sua tambem gosto de vc como filha e juro que da proxima vez vc pode dormir no meu ombro. Beijo e fique com Deus.” 

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O Sonho mais Doce

Há 20 anos, em Pequim, era meio-dia, quando uma coluna de aproximadamente 14 tanques avançava pela avenida Chang’an (Rua da Paz Longa, em chinês). No sentido oposto, um homem, vestindo calças pretas e camisa branca, carregando duas sacolas, uma em cada mão, pára em frente ao comboio e faz um movimento com o braço direito sinalizando para que interrompam o avanço. Os tanques o respeitaram. E cada vez que tentavam novamente avançar, em diferentes sentidos, novamente o anônimo civil se colocava à frente, desafiando-os. Seu gesto foi cristalizado como um símbolo de luta pela paz. Gestos como este são feitos todos os dias, alguns testemunhados ocularmente por alguma câmera fotográfica ou filmadora ou mesmo um pequeno e mero celular de alguém que esteja passando. Outros não chegam até nosso conhecimento, seja a professora que fez dois alunos se entenderem e se darem as mãos. Seja uma família condenada que voltou à paz. Seja alguém que sobe uma favela pra tentar fazer alguma coisa boa. Em 2008,  uma mulher índia com uma criança no colo tenta conter policiais durante uma disputa por terras em Manaus. O fotojornalista que registrou a cena está no livro da Editora Europa que reúne o melhor do fotojornalismo brasileiro. Não é a primeira mulher que tenta conter a violência, barganhando em troca sua própria vida. Na Cisjordânia, em Fevereiro de 2006, outra mulher (uma polonesa) tenta conter a invasão de soldados israelenses em um assentamento em Amona. Mas quando parece que a busca pela paz está sempre associada à sangue e destruição, vem em contrapartida ações simples como fez Gavin Friday, o cara que canta “Angel” -  parte da trilha sonora da refilmagem de Romeo & Juliet -  em seu aniversário no mês do Outubro. Poderia ter lotado um hotel cinco estrelas e apagado suas velinhas em meio à mulheres, bebidas, sexo e muito luxo. Só que pra comemorar os anos, Friday reuniu seus amigos ilustres como Bono Vox, a lindíssima Scarlet Johansson, Courtney Love, entre outros, para um show beneficente ao Fundo Global contra a epidemia da AIDS no continente Africano, em uma noite anunciada como “Hal Willner Presents: An Evening With Gavin Friday and Friends“.  Por falar em U2, com que facilidade nos vêm à cabeça a imagem da banda e principalmente do líder Bono Vox em tantos outros shows beneficentes, declarações e ações em prol de uma infinidade de causas humanitárias. U2 imprimiu a Paz em sua própria história, em suas letras “only love can leave such a mark” , ainda que subliminarmente – se é que se pode entender como subliminar um grito tão claro como SUNDAY BLOODY SUNDAY, BULLET THE BLUE SKY, ONE, entre tantas outras. Até chegarmos ao Nobel da Paz, que premiou tantas pessoas que dedicaram suas vidas e sua obra para que a humanidade seja mais justa e as pessoas possam dormir e acordar em paz. Tantos outros o fazem sem ganharem prêmios ou títulos – não os de Paz – como a escritora Doris Lessing e obras como “O sonho mais doce” – onde conta a saga de uma família em três épocas diferentes e coloca o mundo real como pano de fundo ao mundo ideal que perseguimos, àquilo que chamamos de Sonho e que de fato, sonhamos.

Só que sonhar não basta.

Este ano quem ganhou o prêmio foi Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos e quase a personificação do Sonho mais Doce que Doris Lessing apontou em seu romance.  O Sonho do primeiro presidente negro à subir no trono mais alto do mundo. Fruto de um queniano com uma norte-americana é ele o eloquente representante dos tempos novos que os Estados Unidos – quiçá o mundo! - tanto esperam. Um orador cheio de postura e coragem, com um belo sorriso no rosto, um aperto de mão firme e uma família elegante, chega cheio de promessas e sonhos. Reúne esforços contra as armas nucleares, novo sumo pacificador pela paz no Oriente Médio, e outros tantos que hão de vir. Pela primeira vez na história o Prêmio Nobel da Paz é dado por expectativas e não por frutos. O mundo inteiro depositou em Obama sua esperança cansada por um mundo de paz.  O mundo todo colocou em Obama seu “Sonho mais Doce”.

(Termino com um trecho do livro de Doris Lessing).

” (…)ao ver aquelas carinhas jovens, ao ouvir as vozes irreverentes, confiantes, achava que estava lhes garantindo esse futuro, numa promessa silenciosa. De onde viera a promessa? De Johnny, fora absorvida do camarada Johnny e, conquanto sua mente o criticasse mais e mais, todos os dias, dependia emocionalmente, sem o saber, de Johnny e de seus doces e admiráveis mundos novos”.  

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Meus desejos!

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destino: 2010!!!

Está chegando a hora de preparar aquelas listas infinitas de metas para o novo ano! Eu não comecei a fazer a minha, ainda. A boa notícia é que e estou bem mais madura do que estava o ano passado, o que significa que a minha lista será composta de coisas realizáveis, e não de metas inatingiveis… blábláblá. Acho que por trás de cada meta está um propósito. O que eu quero para o ano que vem nasce disso. A lista, portanto, é mais ou menos esta:

* D A N Ç A R! – Gafieira e Hip-Hop. Isso vem da alegria que eu sinto quando escuto um bom samba de gafieira e de como dá vontade de dançar quando escuto hip-hop. Mas eu não sei!!! Além do mais, eu preciso queimar banhas, e a dança é uma ótima maneira de fazer isso sem ter que virar rata de academia. Outra coisa que eu queria aprender a dançar é dança cigana. Vai ficar na fila!

* LER MAIS

*VOLTAR À FACULDADE - porque eu preciso ganhar mais dinheiro, urgentemente!

* COMPRAR UM CARRO (como, eu não sei).

* SAIR MAIS - porque é preciso curtir a vida e porque namorados não caem do céu.

* ME DEDICAR À MINHA VIDA PROFISSIONAL - na Tam e fora dela.

* CUIDAR DA SAÚDE - porque do resto, a gente corre atrás!

E vocês, heim? Quais são suas metas? Repasso o desafio para @luhsmile, @loveology_x, @ciiihhh, @paulynhah e @nataliadasluzes!

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Blog de Ouro do meu Coração!!!

Ganhei este selo do Relativizando Absurdos. No dia 28 de Dezembro de 2005, resolvi deixar de lado os cadernos coloridos e passei a escrever em um blog, hospedado no blogspot. O nome do blog era Perséfone. Tudo começou quando eu fiz um teste para saber com qual das deusas gregas eu me identificava mais e o resultado foi ela. Havia um amigo, o Avarih, que me acompanha desde então e que nunca gostou daquele nome. Ele dizia que Perséfone remetia à sombra, e eu era o contrário. Fui levando o blog até que – de fato – senti necessidade de recomeçar e eu já era outra pessoa. Foi então que vim para o wordpress e nasceu o Mel do Sol.

Fico pensando quantas pessoas já passaram por aqui. Quantas pessoas eu conheci por causa deste blog! Quantas pessoas passaram a me admirar por causa dele ou se tornaram mais próximas à mim por conta dele. Quanta gente eu já pude de alguma forma inspirar ou ajudar em alguma coisa através de algum texto bobo e despretensioso que eu tenha escrito aqui. Quanta confusão eu já atraí – e sobrevivi – por causa do meu blog!!!

Aqui é a porta de entrada, é através deste blog que tanta gente – conhecida ou não – tem acesso à tanto de mim, coisas que eu nunca consigo dizer pra ninguém. E é também a janela, porque é aqui que eu páro pra pensar sobre alguma coisa e tantas vezes só depois de ter escrito aqui eu consegui compreender alguma coisa…

O Mel do Sol (que herdou os textos do Perséfone) pôde acompanhar o meu crescimento pessoal e mesmo meu pequeno amadurecimento! Todas as minhas paixonites eu tenho descritas aqui. O Niltinho, o Babysauro, o Al, Adolfo, André, sei lá mais quem. Tudo e todos os que marcaram a minha vida estão citados aqui. Todos os momentos inesquecíveis…

…o André tampando meus olhos para eu conseguir abrir uma caneta aparentemente impossível de abrir (consegui)

…as apresentações teatrais

…a primeira vez…!

…textos especiais, escritos em circunstâncias especiais ou para pessoas especiais!

Tudo de legal que eu encontro ou que visito, posso jogar aqui no meu cantinho. Aqui eu posso fazer O QUE EU QUISER, sem censura, sem regras. Aqui sou eu que mando e pronto, acabou. E é um espaço democrático, uma vez que só vem aqui quem QUER, só lê o que eu escrevo quem GOSTA. Só comenta quem DESEJA. Só linka quem QUER VOLTAR.

E eu estarei sempre de braços abertos!

Obrigada: Avarih, Marco (que sumiu), Paula, Adrianna, Anna, Luh, Deborah, Kokóta, Mirelli, Cecília, Nathália, Natália das Luzes, Júbis, Manuela, Simone, Sandrinha (Madonna Mia!), Carlota, Bis e à todos os outros leitores anônimos que certamente vêm aqui e eu não vejo! Obrigada por fazer com que as ruas deste blog sejam vias de mão dupla. De nada adiantaria eu escrever para mim, e só pra mim. Que bom que o Mel do Sol me trouxe todos vocês!

E aos que virão, sejam bem vindos!

Um beijo.

PS: meu presente para vocês é o vídeo desta performance de dança feita por funcionários de duas companhias aéreas de Portugal para desejar Feliz Natal aos seus clientes. Coisa de GENTE FELIZ!

 

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A bolota azul

A bolota azul brilhava no escuro do quarto da galera, na Chácara em Lindóia. A chácara pertence à família Rosa (que é uma rosa) e nós todos fomos convidados. No quarto-albergue, estavam Luiz (o dentista), Maurício (o professor), Valéria (a fada ou seria bruxinha?), Mirelli (a anfitriã e a única que trabalha hahahah), Leandro (o pai), Léozinho (o filho) e eu (a Samara). Quando todo este povo chegou eu já estava dormindo. Acordei no dia seguinte com os roncos todos – a sinfonia – e sem saber quem era quem. Um monte de lençóis, e pernas, e braços e coisas. E tinha a bolota azul. Mais pra frente, já no auge da intimidade, assim na quarta noite, o Luiz diria: pode desligar esta bolota azul? Eu disse que ahhhh, ela é tão linda! E ele respondeu assim:

_ É porque ela não está de frente pra você!!! Passa aqui o chinelo.

Mas ela se conservou e se tornou o ícone do nosso feriado! Depois de algumas horas de convivência, descobri que a Val lia tarô (e que ela tinha levado o baralho, eba!). Descobri que o Maurício tinha mil e uma utilidades, inclusive a de fazer salpicão e cortar o pimentão bem fininho. Descobri que o Luiz é um figuraça e totalmente carismático. Foi chegando: Oi, tudo bem? (beijos) Eu sou o Luiz. E descobri que o Léozinho tinha se apaixonado por mim e virou minha sombrinha, porque onde eu ia ele também ia atrás! Totalmente esperto e inteligente. Quando perguntado se ele saberia cuidar de mim, respondeu: “sei sim, eu sou um HOMEM esperto”. Se segurem meninas, porque o dono destes olhos verdes há de se tornar um homem tão esperto quanto lindo! Todo bonzinho, não quis jogar o copo de água no tio Luiz, quando o Tio Maurício pediu (ahahahah).

As pessoas estranharam o fato de eu querer clicar tudo, o frango sendo escalpelado (e belamente escalpelado), o pimentão, a cenoura e a idéia da cebola que não precisou ser cortada (ainda bem, porque ia sobrar pra mim). As folhas das árvores que se fechavam à noite. A quaresmeira. A árvore que não era pinheiro, mas soltava pinha (sim, esta pérola foi minha). Pessoas fritando na piscina e meu couro cabeludo rosa! A bela mesa azul posta para a ceia do Reveillon. Os fogos e os passeios…

Tenho um amigo que diz que estas coisas devem ficar em nossa memória, e desaconselha qualquer tipo de apego material. Mas eu vou na contramão da modernidade e registro TUDO em fotos e textos. Depois, posso compartilhar, o que é mais legal ainda!

Apesar da disputa acirradíssima por lavar a louça, tinha espaço pra todos! E enquanto eu lavava, pensava na vida. O Luiz disse: Tá tão quietinha, Mel! E eu respondia que estava pensando no Tico e no Teco (Marcelo e Jefferson), os dois amigos que esperavam uma ligação minha, em São Paulo. E na Mi, que estava trabalhando e não tinha me acordado de manhã, meio porque estava com dó de me acordar tão cedo (como se eu não levantasse ás quatro horas todos os dias rs) e meio porque queria que eu aproveitasse melhor o passeio. Quando chegou, no final da tarde do primeiro dia (quinta-feira), eu já estava na maior intimidade com os três amigos de seu (lindo) irmão!

Fomos dormir, na quinta-feira à noite, já carregados de sono, mas parece que quando um punhado de gente se junta em um quarto escuro, só sai bobagem!!! Nós simplesmente não conseguimos dormir e ficamos conversando, falando bobagens, rindo e rindo e rindo. Foi quando o Luiz quis dar uma chinelada na bolota azul e o Maurício reclamou para a Valéria que a sua traquéia (????) estava doendo. A pobre moça, que já estava vendo o rosto de Orfeu (é orfeu?), teve o trabalho de se levantar e ir até ele para olhar a sua traquéia ferida, mas levou um susto, porque quando chegou perto ele começou a LATIR! Luiz segurou o riso com a almofada – o riso Mutlley, que eu conseguia escutar, sem conseguir conter meu próprio. Ainda que eu estivesse me borrando de medo porque diziam que o Maurício era sonâmbulo e eu tenho medo de sonâmbulos. Tenho medo de acordar e ele estar ali, olhando para a minha cara. Cobri a cabeça e me virei para a parede. E isso tudo foi BEM DEPOIS da conversa que tivemos ao redor da mesa com o Edinho e a Lú, sobre ESPÍRITOS e COISAS DO ALÉM.  Claro! Chácara + Mato + Silêncio + Pessoas sempre puxa este assunto que pode ser beeeem manjado, mas vai sempre nos deixar com aquela pontinha de medo e eu CONFESSO, que estava com tanto medo que não quis ser a última a ficar para a fora. Saí correndo apagando as luzes e acabei trancando a cachorra na despensa (sim). Ela, claro, se portou direitinho e ninguém percebeu. A sua outra companheira provavelmente quis me agradecer por uma noite de trégua (hahaha), porque também não reclamou. Ficou sozinha do lado de fora e pelo jeito é mais corajosa do que eu, porque não escutamos um único uivo. No dia seguinte, quando a Lú foi abrir a porta da despensa, uma coisa grande e claustrofóbica (a LUSA, pastor alemão fêmea) saiu correndo para fora num ZÁS só.

A LUSA foi encontrada ao lado do estádio da Portuguesa, quando a Mi e seu irmão Bó foram comprar ingressos para um determinado jogo do São Paulo. Ela comia pedrinhas e era um filhote. Eles apenas se entreolharam. Foram até ela, recolheram-na e a levaram para casa. Hoje ela vive feliz, carente e ciumenta, na chácara da família em Lindóia (você não consegue fazer carinho só na cachorrinha menor, porque ela vai lá e pede também, puxando sua mão com o focinho). Ela e a LINDA, a cachorrinha menor, gostam de ficar embaixo da mesa curtindo a sombrinha e o chão geladinho e também a nossa companhia.

Na outra noite, eu quis olhar o céu e cismei de me sentar nas cadeiras ali no meio da grama. Tive companhia. Ficamos conversando, eu, Mirelli, Edinho e Luiz, enquanto eu tentava decifrar o que era aquela coisa preta que havia caído de uma árvore e já com as pernas encolhidas por causa do LAGARTO, que mora ali no terreno. A coisa preta era só um MORCEGO!!! Que não contente em ser morcego, feio, estranho e bat-medonho, também curte ficar fazendo barulhinhos nas árvores.

Fomos dormir e eu estava apavorada porque o Maurício estava com umas idéias de puxar o meu pé (ele estava dormindo perto deles). Já deitados, com a luz apagada (apenas a bolota azul), Luiz e Maurício ficaram conversando, enquanto eu estava sentada. Queria apenas dizer que eu não estava com sono. Quando eles perceberam a minha presença, ali no escuro, me chamaram de

SAMARA (O Grito).

Eu boa-noitei e me deitei. Mas pensei assim. Se este homem puxar o meu pé eu vou dar um berro terrível como os berros que eu estava dando lá fora enquanto estávamos jogando aquele jogo dos tapas (baralho). E esta moça que está dormindo ao meu lado vai acordar BRAVA (como eu acordaria) e ASSUSTADA. Por este motivo, levantei de volta. Assim que me levantei (sem o uso dos braços, num fôlego só, porque fiz aulas de expressao corporal, que claro que me serviram de alguma coisa…) o Luiz desatou a rir e o Maurício foi quem se borrou de medo.

LUIZ: HAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHA!

MAURÍCIO: Você cuida desta mulher, pelo amor de Deus!

Jogos de baralho nunca foram meu forte. Sou meio azar no jogo e sorte no amor. Mas existe um jogo que é meu fraco. Você vai colocando as cartas na mesa e cantando os números: 1, 2, 3, 4 e assim por diante. Se o número que você cantou COINCIDIR com a carta que você colocou na mesa, você deve dar um tapa sobre as cartas rapidamente. O último que estapear, fica com TODAS as cartas. E geralmente, este último elemento

ERA EU.

Não contente na lerdeza de ser a última, eu também BERRAVA, como se tivesse visto uma barata, uma cobra, a Samara ou o Maurício sonâmbulo caminhando ao redor da piscina. Todos pareciam se divertir com o meu berro que era (juro) natural e automático.

Fiquei rouca.

O TARÔ

Sentei-me com a Val na mesa estrategicamente posta no final da casa. Era uma sessão individual e eu não sei como ela ainda tinha energias depois de ter lido para tanta gente. Eu mal me sentei e a moça já começou a falar coisas sobre a minha vida, como se eu fosse um depósito de coisas e como se ela estivesse vendo tudo o que havia dentro de mim. O trabalho, a falta de estímulo, de mérito, como me sinto desvalorizada.

DO MENININHO!!!!!!!

Meu pai superprotetor. Minha mãe libertária. Visualizar coisas boas. Os esmaltes vermelhos, o perfume marcante, a nova mulher. Usar sabonete de limão. Guardar dinheiro, soa tão óbvio, Melissa, mas você não está fazendo.

Anotei tudo!

SEU ZEZÉ

O Seu Zezé um velhinho fofo que havia acabado de perder sua “companheirona”. A família o embebe de muito carinho e nos levou até lá para conhecê-lo. Dono de um bar todo colorido e um tanto retrô, o Seu Zezé também tira leite da vaca, faz cintos de couro, faz de tudo. Enquanto ele ficou conversando com a Mi, Edinho e Lú, eu tentava tirar algumas fotos discretas, sem incomodá-lo. Fotos do bar, da janela que entrava na parte de trás e trazia um belo contra-luz. No gato sobre a cadeira. Meti a mão no formigueiro que havia no parapeito da janela, ao clicar a fazenda afora. Será sorte? Tomara!

Fomos caminhar em uma rua de terra, ali pra cima. Em alguns minutos, havíamos dito a palavra “COBRAS” mais de cinco vezes. Isso porque havia um barril escuro, ali ao lado do corcel amarelo (corcel?) e neste barril estavam APENAS 5 cascavéis e 5 jararacucús.

A minha avó de Joinville dizia que esta cobra, a jararacuçú, era venenosíssima. Quando eu perguntava se ela era venenosa, minha avó respondia assim:

_ UHHHHHH!!!!!

PASSEIOS

Vez em quando pegávamos o carro e íamos passear em Águas de Lindóia e Serra Negra. A praça de Águas vem no melhor estilo deja-vu, porque estive lá quando era adolescente. Enquanto a Tia Mi e o Papai Leandro caminhavam ao lado do Léozinho (que dirigia seu carrinho colorido, atração especial do lugar), a galera Luiz/Maurício/Val e Mel vinha vindo atrás. E era o tiozinho que parecia o Tony Ramos porque tinha tufos de pêlos no peito (me fizeram tirar fotos dele). Era o lagão atrás e as minhas memórias. O ônibus de viagem que trouxe a galera da igreja, no passado. A minha paixão platônica por um cara de lá, que começou naquela viagem… as boas memórias têm um perfume bom e atrativo. Depois de caminhar ao redor do lago, tomamos água de côco e comemos milho. E pedimos para uma senhora tirar uma foto nossa. A mulher era simples e mal conseguia segurar a câmera. A foto saiu assim…

Em Serra nossa atração preferida foi o centro. Fomos caminhar, comprar pães, ver gente e ver as coisas. Me meti no meio do presépio, no melhor estilho onde está wally. Na volta, novamente: ao lado da amiga Mi, que dirigia calmamente pela estrada. Encontramos o outro carro com o resto do pessoal na frente da igreja de São Roque.

Chegando em casa, comemos cachorro quente, lambuzando os dedos. Na sessão comida também teve o famoso salpicão e a mesa recheadíssima da ceia do ano novo. Teve rondelle ao molho branco e também ao sugo. Teve bolo de fubá com recheio de goiabada (mérito do Maurício hahahah).

Na virada, nos abraçamos e brindamos. Eu tirei a foto perfeita. Estávamos ali, acolhidos pela Nossa Senhora (na gruta), pelos orixás (é isso?) da galera cuja religião aprendi a respeitar e admirar e pelo Cristinho, de braços abertos na entrada da chácara (o que apelidou a “Morada do Cristinho). Não apenas pensei em coisas boas.

TIVE CERTEZA.

Eu não sabia se olhava para a LUA, IMENSA NO CÉU, ou se olhava para os fogos. Depois disso, fomos caminhar ao redor do lago, na rua de baixo. A lua brilhava sobre as águas. Cada pessoa que passava por nós, hospitaleira e simples, nos desejava sorrindo:

FELIZ ANO NOVO!

 

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A última faixa

(leia escutando “stigmatized” do The Calling)

 Ele percorria as ruas do centro da cidade vestindo sua roupa mais confortável e aquele tênis vermelho que gostava de usar em grandes ocasiões. Tinha o cabelo desgrenhado como se jamais o tivesse penteado e por incrível que pareça não sentia vontade ou necessidade de estar ou de ser diferente – ou igual aos outros. a manhã chegou mais cedo e junto dela uma ansiedade incomum, que o despertou antes de todos e o levou para as ruas sem destino. entrou em muitos sebos e folheou muitos livros e percorreu os olhos por todas as frestas que existem e todas – todas mesmo – as prateleiras destes sebos e também das velhas livrarias. Andava pelas calçadas sem linearidade, atravessando as ruas aleatoriamente dependendo do que houvesse do outro lado. não olhava as pessoas, nem os carros, apesar de saber que estavam lá e de desviar de todos eles o tempo inteiro, de modo que não corresse perigo algum e que portanto não se possa afirmar que estava no mundo da lua e distraído a ponto disso. passou então a entrar em lojas de vinis e de cd´s e ficava por lá por tantas horas enfiado na cabine de música para testar todas as canções que sentisse vontade de escutar. junto com as baladas e as batidas da bateria sacudia os ombros e batia as pontas dos pés dentro do tênis vermelho e também – depois de instantes já embalado no som – batia a capa do vinil na outra mão e assim todo o resto sumia. assim foi passando as horas, de vinil em vinil, testando todos os sons e percorrendo seu espírito inquieto por todos os refrões e mesmo cantarolando estes refrões em voz bastante alta dentro da cabine. e quem sabe mais tarde ele podia voltar ao ponto inicial e acordar, como de costume. abrir o notebook, pegar um café e abrir a página de textos. e quem sabe então conseguisse encarar aquele branco brilhante da página de textos e encontrar coragem para escrever o de sempre, sobre as coisas de sempre, sobre o que nada se modifica.

mas de um jeito que não era o jeito de sempre.

quando já se sentia pronto para voltar ao seu apartamento, ali dentro da cabine toda forrada com fotos de jornais de rostos de celebridades dos anos 1960, ele já era inteiro a música que ouvia. ele cantava sorrindo If I give up on you I give up on me/If we fight what´s true, will ever be e passeava os olhos pelas fotografias das pessoas que totalmente o circundavam e pareciam lhe entrar pelos poros e foi seguindo com o olhar ao redor, até que eles pousaram na garota que vestia um macacão jeans e usava uma trança lateral, entrando na cabine ao lado. caminhava suavemente e carregava nas mãos pequenas uma capa de um cd familiar. ele olhou no relógio e viu que horas eram. ela colocou o cd e interrompeu a primeira música, passando as faixas até onde desejava. e lentamente foi avançando faixa por faixa, e cada uma que avançava fazia o coração dele bater com mais força, muito mais força, conquanto ali ao lado ele estava, com o seu áudio já em baixo volume, atento à música que a garota escolheria. E ele quase não acreditou quando ela também escolheu a última faixa.  encostados na parede que os dividiam, abaixaram-se e cantavam o mesmo refrão tease me, by holding out your hand/then leave me, or take me as I am, como quem dividisse a mesma cama e o mesmo lençol. e foi aquele o dia, o grande dia em que havia encontrado quem ouvia a mesma música que seu coração escutava. a mesma canção que jamais acabou, dali em diante.

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Looking Back… and smiling.

“O prédio em luz e em recanto se inebria das notas de um coral em canto/Sinos de igrejas locais tocam em solidariedade ao tempo

“Vou sentir falta deste espaço aberto/Receptivo em silêncio e harmonia/Vitrine de um mundo que se deita e se transforma em cores/Receptáculo e metáfora da paz e da magia que pulsam em mim/Saltam e se materializam neste lindo quadro pintado/onde prazerosamente e devotamente sou personagem, sou eterna contemplação”.

Escrito em 03/07/2004 às 18h05

*

No último sábado, saí do shopping Eldorado onde fui encontrar um amigo. Conversamos por horas, na praça de alimentação. Depois saí e resolvi caminhar, à pé, até uma rua lá perto, a Ferreira de Araújo. Trabalhei em um prédio por lá por uns 4 anos. Eu tinha 20 e poucos anos, era uma menina. O prédio, imenso, lindo, maravilhoso, tinha sabonete Dove no banheiro para lavar as mãos. Piso de carpete. Uma biblioteca inglês/português com revistas e jornais do Reino Unido e computadores com acesso à internet. Uma amiga chamada Carla Albuquerque, que sempre sabia de tudo e era – ainda é – divertidíssima. Tinha um elevador (dois, na verdade) que fazia um apitinho e eu escutava aquele apitinho o dia inteiro. As vezes sentia as pessoas olhando para mim, quando  elevador (parorâmico) subia. A minha mesa ficava atrás do elevador.  Tinha um restaurante no quarto andar, de onde eu escutava o barulho dos talheres baterem nos pratos e os copos e taças tilintarem. O cheiro da comida que descia. O belíssimo terraço que dava vista para Pinheiros todo. Tinha um pub e as baladinhas. Pelo menos uma vez por mês sobrava um dinheirinho pra eu ir lá e comer um quiche. Tinha também uma copa, onde eu tomava café, almoçava ou jantava com a galera da limpeza, os seguranças, nós que nos chamávamos os funcionários do “porão do titanic”. Trabalhei naquele prédio em diversos horários. De manhã eu entrava muito cedo, dava tempo de tomar café e ir ao banheiro fazer a maquiagem, antes de iniciar o duro trabalho de nada fazer. Alguém que até hoje eu não me lembro quem, comprava pães, leite, fazia café. Nós chegávamos, sentávamos, comíamos nossos pãezinhos  dávamos MUITAS risadas! Me lembro de um louco que jogava manteiga dentro do café preto (!!!!).

Quando trabalhei à tarde, entrava às 15h e saía às 23. Era gostoso porque eu ia na padaria Vipão comer, ou ia no bar do Japonês tomar um lanche. Ou mesmo ia ao mercado e comprava alguma coisa pra descongelar no microondas da copa. E lá eu jantava sozinha, porque naquele horário não havia mais muita gente no prédio. Ficava pensando na vida. De vez em quando vinha algum segurança pra jantar e me fazer companhia. Era uma festa, com os manobristas (havia uma recepção no térreo do prédio e outra no subsolo). Tinha um que trocava o L pelo R. Então o Clio (carro) era Crio. Sorvete de frócus. Clóvis, o chefe, era chamado de Cróvis. O Benito, um manobrista gordinho e descendente de espanhol (Arrabal Riballo!) ria muito e perguntva: “que porra é essa?”.

Quando eu jantava no Vipão, havia algumas mesas à parte. Tinha um buffet de sopas incrível e eu me esbaldava – porque eu adoro sopas. O dono da padaria tinha o nome do meu pai (Sérgio) e era um gato. Muito bonito. E sempre, sempre, todos os dias ou todas as noites, ele estava lá, sentado à mesa, conversando com os caras do DECAP (que também não ficavam atrás).

Tinha o Marque, o nome é assim mesmo. Marque. Eu o chamava de “Marque um X no espacinho”. Ele achava graça. O Marque fazia a luz e o som no teatro. Era todo mineiro, todo comportado. Tinha as faxineiras e nossas fofocas. Um delas ria sempre da minha cara, tudo o que eu fazia era engraçado pra ela! Tinha as recepcionistas que trabalhavam comigo. Uma delas ficou com nosso chefe na sala dele… pois é (foi um verdadeiro filmão, pra Michael Douglas e Sharon Stone ficarem com inveja). Teve o Rodrigo. O Rodrigo foi um daqueles amigões,da minha coleção de amigões. Ele era alto, meio gordo e com cara de alemão. Tinha um jeito tranquilo e meio bobão hilário! Eu o chamava de Shiréqui. Assim mesmo. Ficamos amigos por vários anos depois de sairmos de lá, até que perdemos o contato. Teve o Niltinho, um cara lindo por quem eu era apaixonada, mas não podia rolar nada porque ele era comprometido (sofri muito nesta época).

A festa mesmo era no final de semana. Porque dois sábados por mês nós tínhamos que ir ao prédio e ficar das 07 às 19h sem NADA FAZER. Me lembro que eu enchia a mochila de coisaradas: discman (isso mesmo), livros vários, fichário da faculdade, trabalhos pra fazer, papéis e canetas pra escrever, comidinhas. Enchia a mesa de quitutes para beliscar o dia inteiro. Largava a recepção e ia passear pelo prédio e pelo jardim maravilhoso que tinha atrás ou recolher pétalas das flores do lindo Ipê Rosa que havia em frente ao prédio. Ou olhar como a água das fontes de dentro do prédio faziam reflexo nos vidros, quando o sol batia nelas. Alguns sábados tinha ópera no teatro (ópera comentada) e então num dado momento começavam a chegar os velhinhos.

Sim, velhinhos!

Eu gostava de olhar as pessoas passearem com os cachorros pela calçada ao redor do prédio, pelos sábados de manhã. Existia um casal bem jovem que levava o filho pequeno pra passear e o cachorro, um Golden Retriever maravilhoso e que ficava solto! Eles não usavam coleira. O cachorro corria atrás da criança e os pais confiavam. E tudo sempre ficava tudo bem. Não parece a vida perfeita? O teto era de vidro, o prédio inteiro era de vidro. NO calor, o calor era infernal. No frio, o frio era de tremer. Os aviões passavam bem baixinho e dava pra ler o prefixo na barriga do avião. O prédio torcia todo, eu escutava o barulho dos vidros estalando, porque aos sábados não havia ninguém por lá, fora nós e os funcionários do pub e do restaurante. Eu adorava quando começava a anoitecer. O tempo ficava alaranjado, lindíssimo e o coral da Cultura Inglesa, que ensaiava ali, quando o prédio estava totalmente vazio, enchia todo ele com seu canto. Quantas poesias (quando eu escrevia poesia) e quantos textos aqueles momentos me inspiraram. Dava dez pra dezenove horas dos sábados, eu ajeitava as minhas coisas e pegava meu ônibus qua dali a duas horas adiante, chegaria na minha casa. Ou então ia à pé até o Largo da Batata e pegava o Mandaqui, que fazia um verdadeiro tour pelos lugares mais bonitos de São Paulo.

Meu primeiro namorado foi lá que eu conheci. Ia visitar a biblioteca todos os dias e um dia me levou no ponto de ônibus. Eu me lembro até hoje do perfume que ele estava usando.

E então eu saí do shopping e fiz o mesmo caminho que fazia naquela época, quando voltava do Teatro. Passei em frente ao prédio, que estava, como em todos os sábados, silencioso. A saudade apertou o peito daquele jeito bom e ruim. Mandei um torpedo para o Eduardo avisando que eu estava por lá.

Ele estava dormindo!

Fui até a padaria comer cebolas empanadas. O mesmo dono estava lá, sentado no mesmo lugar, conversando com os mesmos caras. Senti uma nostalgia, diferente das outras nostalgias. Das outras vezes dói. Daquela vez eu me senti feliz, plena, como se eu tivesse voltado no tempo. E eu tinha que ir embora, mas não queria. E pensei também como eu pensava que naquela época que eu NADA FAZIA, eu NADA SENTIA. Na realidade eu não estava prestando atenção, no quanto era feliz.

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O que realmente fica

A despeito do preconceito que existe no mundo em relação à pessoas como garis, faxineiros e etc e também aos caras da rampa, nos aeroportos, é engraçado pensar que eu sempre me relacionei muito bem com este pessoal, sempre estive no meio deles e sempre me senti bem, ali, no meio deles. Quando eu trabalhava na VASP e precisava de qualquer coisa que viesse da pista, tinha o Seu Adautino e o William, que me tratavam com o maior respeito e faziam tudo o que eu pedia.

Depois fui trabalhar em outro lugar e conheci dois motoboys que viraram meus amigos: o Leandro e o Alessandro. O Leandro era um menino que eu podia confiar pra dar tipo a minha conta e senha pra ele sacar dinheiro. Se eu dissesse que tinha trabalho depois das 18h, ele ficava. Além de tudo o cara era totalmente esperto e ágil. O Alessandro era tranquilo, chegava cantando reggae, samba. Tinha um olhar absurdamente sereno e uma pele morena invejável. Conversava baixinho, tinha uma cabeça legal, uma voz gostosa de ouvir. Acabei ficando com ele, três anos depois, quando a gente já era mais do que amigo. Ele me levou para um quiosque e eu pedi um pastel, o pastel mais gostoso de palmito que eu já comi na vida e o maior, também. Eu saí do emprego e perdi o contato diário com eles, mas sempre ligo nos aniversários, natais, enfim.

Agora, no aeroporto, vocês me acham tomando café na mesinha dos caras que colocam as bagagens na esteira. Eles trazem pão e café com leite pra mim. Eu vou lá no meio deles e a gente toma café tudo junto (escondida da Infraero e da minha chefe, claro). Diariamente falo com dois caras pela nextel. O Jé e o Marcelo. Quando o Já saiu de férias, o Marcelo o cobriu e foi assim que a gente se conheceu. Eu tinha sido meio grossa com o Jé, mas ele saiu de férias e não deu tempo de pedir desculpas…

Trinta dias remoendo o remorso!

Quando fui tentar arranjar o celular com o outro cara (O Marcelo), papo vai, papo vem, eu lhe disse que queria muito falar com ele porque não queria que ele ficasse com uma imagem ruim de mim. O Marcelo então caprichou na voz e respondeu:

_ Não se preocupe, ele tem uma ÓTIMA imagem de você.

Eu dei risada. Ele também.

Noutra ocasião, algumas bolas de basquete deixaram de embarcar porque estavam cheias (não pode). O avião foi, elas ficaram. E tinha gente lá no desembarque, ao meu lado, esperando as bolas que não chegavam. Liguei para o Marcelo (com quem elas estavam) e perguntei, na maior inocência:

_ Marcelo, cadê as bolas?

O Marcelo nada respondeu. Apenas riu e riu e riu. Dali pra frente nossas conversas deixaram de ser puras e qualquer coisa que eu diga com certeza é mal interpretada, mas eu não consigo ficar brava com ele, quando eu digo para segurar um pouco que já já eu passo o número da etiqueta de bagagem. O passageiro ao meu lado, o Marcelo e sua voz elétrica à la Darth Vader, responde:

_ Tô segurando, mano.

Até o passageiro riu.

O Jé voltou de férias e passou a ter ciúmes da minha amizade com o Marcelo. Mas dou atenção para os dois. Faço visitas esporádicas onde eles trabalham. Eles abaixam o som, limpam a cadeira ao lado pra eu sentar. Se eu aviso antes que estou indo, eles jogam bom ar na sala e ligam o ar condicionado. Me fazem sentar, me oferecem café, pão. Conversam comigo. E agora eu me pego falando igual à eles (às vezes):

_ Maaaaaaaano eu não te contei!!!

Fico escutando o Jé falar no rádio com seus companheiros de trabalho e me derretendo toda (sem demonstrar), porque acho muito bonitinha a entonação que ele usa pra falar:

_ Carlos tá na escuta, CARlÔS!!!

Lá no desembarque tem o Adriano, que faz faculdade de Informática, vai dormir todo dia à 01h da manhã e acorda às 04h. Praticamente todo o salário que ele ganha é pra pagar o curso. E toda vez que eu estou trabalhando lá, ele entra pra me dar bom dia. Tem o “Irmão Hamilton”, como o chamam seus colegas, um cara beeeeem grandão, que me chama de “Menina Mel”. Tem um baixinho que eu não lembro o nome. Tem o Eliseu, que está sempre ligado no 220V e sempre que me vê em apuros tendo que atender sozinha mais de 5 passageiros (com problemas), entra na sala e começa a ajudar no atendimento. Meu amuleto da sorte, porque sempre quebra vááááários galhos pra mim. Outro dia eu saí para cumprimentá-los no Natal. Seus olhos brilharam, eles não acreditavam que eu tinha ido até lá fora só pra dizer Feliz Natal, lhe dar as mãos e um beijo no rosto. Foi meu pai quem me ensinou isso. Na verdade eu acho que todas estas pessoas preconceituosas estão perdendo. Quem está ganhando, sou eu. Não importa se o cara escreve o português errado, ou quantos livros já leu. Se é formado (a) ou não. Importa é o tamanho do coração, o caráter, o brilho no olhar.  O mundo tá precisando de gente assim. E no fim das contas, quando a gente lembra de uma história boa pra contar, a primeira coisa que vem na cabeça são elas. As pessoas queridas.

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Por onde for quero ser seu par…

Quando eu tinha 20 anos, eu era pequena demais para entender você. Miúda e medrosa demais para me soltar pelos seus caminhos. Tentei fugir, fui embora para Joinville e dois meses depois voltei de mala e cuia porque não consegui emprego. Isso foi uma sexta. Na segunda-feira seguinte você me trouxe um emprego, que me possibilitou me matricular no curso que eu sempre quis fazer e não tinha sido possível até então.

O teatro!

Parece que você se mistura com tudo. Parece que se mistura comigo. Com a minha história, com a minha pele. Meu coração bate junto com o seu. A minha memória está misturada com a sua, as imagens são todas suas. O metrô, o aeroporto, o Viaduto Santa Ifigênia. O nome da rua onde eu moro tem o nome da minha primeira paixão daquelas que doem. Cada pedaço seu por onde eu passo me traz uma lembrança diferente. Sempre acho que vai doer, e sempre acabo percebendo que na real são todas estas histórias que fazem com que eu seja tão feliz quanto eu sou.

Você tem este poder de nos envolver no seu próprio tecido, de fazer com que sejamos parte do seu perfume, da sua história. Não é só uma peculiaridade, é questão de ser tão generosa o quanto é, de receber todas as pessoas, de ter um espaço para todas elas… pra quem que ficar, pra quem quer só passar.  Aí você faz isso. Você envolve a gente com seus caminhos e a quando a gente olha pra trás, a gente vê nossa história e vê a sua também.

Ou a gente vê a sua história na nossa?

E pensar que você é de fato tão enorme, como aquela cena de “A Lenda de 1900″, quando o cara tenta – até tenta! – sair do navio, mas a imensidão que ele vê diante dos seus olhos é tão assustadora que ele se convence de que está seguro – e feliz – ali no seu pequeno mundo sobre os mares. Mas ainda assim, tão grandiosa, nunca me perdi pelos seus caminhos. Mesmo estando tantas vezes e quase sempre sozinha, através deles. Talvez eu tenha me perdido e assim, me encontrado. Me encontrado pelas ruas que caminhei, pelas pessoas que vi, pelos cafés por onde entrei e através das janelas dos ônibus em que entrei, ali por onde meus pensamentos, tantas vezes minhas dores e também, claro, minhas alegrias, se misturaram com as suas doces paisagens, apesar de cinza aos olhos dos outros.

Eu te vejo colorida como as tuas paredes cheias de desenhos.

Será que um dia vou conseguir sair daqui? É o que me pergunto. Cheguei à conclusão de que eu sou parte desta cidade e ela é parte de mim. Ela me alimenta, me acolhe, me estimula, me assusta do jeito que eu preciso. Sei o quanto eu preciso dela se eu fujo por alguns dias. Sei a saudade que eu sinto.

Será?

O que eu posso te dizer neste dia que não te agradecer? Ou quem sabe, nem dizer. Só sorrir. Ou chorar. Ou escrever, ou sonhar. Já se passaram muitos anos e hoje em dia todas as pessoas que não moram aqui me dizem que se emocionam, porque “é lindo de ver alguém que conhece tão bem sua cidade” (André Pares).

Como não conhecer, se eu não existo sem você?

Que o tempo te seja generoso, já que as pessoas nem sempre são…

TODO O MEU AMOR. Feliz Aniversário, Sampa.

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Lindo por fora, vazio por dentro…

 (Alex Flemming/Pinacoteca do Estado de São Paulo)

Era uma vez uma mulherzinha, como todas as outras e que embora fosse bem crescida e bem mulherzinha, já vivida e sofrida e escolada, tinha ainda um coração de adolescente e aquela coisa inexplicável de menina. Devia ser por isso que os homens olhavam pra ela e enxergavam uma menina, e se assustavam quando ela dizia sua idade. Ela tinha um olhar doce e um sorriso fácil, tinha um jeito carinhoso de tratar  as pessoas. E neste vai e vem de viver, no meio dos esbarrões de trabalho, começou a reparar em um cara que era por demais lindo e bem feito, em quem ela de verdade via muito mais do que os belos músculos que ele tinha. Primeiro, toda vez que se falavam por telefone, ele perguntava se era ela quem estava falando. Como sempre era, ela se derretia toda, mas não demonstrava. E passou um tempo, e então os dois começaram a se falar sempre e sempre e ela – sempre tão mimada por ele – começou a se derreter mais e mais, sem nunca demonstrar o que estava sentindo. Quando as coisas tomaram um rumo mais sério do que o esperado, a garota começou a sentir muito medo por causa da grande diferença de idade entre eles, embora ela não tivesse intenção, nem saco, nem vontade, nem paciência de encarar coisas sérias por hora, caso o rio seguisse este curso. Mas como era de sua natureza, ela simplesmente se jogou e parou de se preocupar com qualquer coisa. Entregou-se completamente e um belo dia decidiu confessar a ele toda a lista de coisas que ela estava até então escondendo. Confessar que ela sentia saudades quando não falava com ele. E que quando ligava em seu ramal era sim pra falar com ele, que ela tinha ligado. E sobre o dia do jogo de futebol, quando ela se arrumou toda e se perfumou toda só pra vê-lo… mas ele não foi. Quando ele pediu para ela apresentar à ele uma de suas amigas e ai, como eu me mordo de ciúmes. E como ela se derrete de verdade toda vez que fala com ele. E quando se viram pela primeira vez – bem visto – e que ela achou os cílios curvadinhos que ele tinha a coisa mais linda do mundo e também o sorriso, que era de enlouquecer. Preparou todas estas confissões de um jeito bem fofo e tentou não se preocupar muito em expor assim tudo o que sentia e que queria, porque por mais esforço que ela fizesse para ser diferente, ela era assim: verdadeira e espontânea, sempre. Chegou a escrever um texto bonitinho por e-mail, já que nunca nunca nunca conseguiam se falar, mas o e-mail não chegou, porque ela digitou o endereço errado. No dia seguinte, o que era pra ser uma história daquelas que a gente não tem idéia de como acaba, ganhou um fim indesejado, assim que descobriu pelo telefone - e por outra pessoa -  que ele tinha uma namorada, e que assim como ela, acreditava em tudo o que ele dizia.

29/01/2010 – 07h00

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Revelação do Amigo Secreto

Imagem via We Heart It

Veja também o presente que eu ganhei!!!

O segredo de Marina

Todas as pessoas procuram o segredo de Marina em seu diário. Era um caderno com capa cor de rosa onde ela costumava anotar trechos de livros em suas folhas e às vezes escrevia algumas coisas misturadas com o texto e então as pessoas não tinham muita certeza se aquilo era literatura ou se era alguma coisa sem muito sentido que Marina gostava de escrever. Um dia, porém, Marina enjoou de ter diários e inventou um blog. Então as mesmas pessoas passaram a procurar o segredo da garota em seu blog, aqui e ali, navegando pelos posts como quem analisa um mapa aberto sobre uma mesa. Marina não se importava e achava engraçado como as pessoas eram curiosas para entender o que era tão simples. Quando criança, Marina saía de seu quarto onde a babá colocava todas as barbies sentadas sobre as gavetas de meias, e ia até a biblioteca do avô. O avô pedia para a garota escolher um livro e depois de colocá-la sentada como uma de suas barbies, lia alguma página que escolhia ali, aleatoriamente. Foi assim que Marina foi conhecendo um mundo que ia muito mais longe, muito além de suas lindas barbies. E muito, mas muito mais interessante, também. Foi assim, da mesma forma, que Marina conseguiu criar histórias mais interessantes para suas bonecas, sem que elas pudessem ou conseguissem sair ali de cima de suas gavetas de meias. Marina ganhou a mocidade e a independência, e passou a fazer a mesma coisa, mas sozinha. No mesmo sofá de couro, sob a mesma luz baixa e confortável tal como as luzes das bibliotecas de filmes ingleses e sentada do mesmo jeito, com as pernas cruzadas e os pés – vestindo meias coloridas – alisando suavemente o couro da poltrona, sem que ela sequer percebesse. Foi em Dom Casmurro que Marina mergulhou quando começou a desconfiar da traição do namorado. E depois de se descobrir apaixonada pelo professor de Francês de sua irmã mais velha e que também era muito mais velho, foi em Lolita que Marina tirou sua inspiração para querer continuar apaixonada. Veio a fase de isolamento total, que ela passou a entender assim que leu O Velho e o Mar. Foi ali naquele canto que Marina entendeu o mundo e que aprendeu a se adaptar a ele. Jogando-se nas páginas dos livros, de todos eles, de vários deles. Foi ali que todo o resto perdeu a graça e que ao mesmo tempo o mundo todo ganhou mais graça. Dali vinham as perguntas e ali estavam todas as respostas. Marina consultava as respostas para seus questionamentos nas páginas dos livros de literatura. E este era o segredo de Marina, mas felizmente ninguém ainda o descobriu. A única pessoa que o conhecia, não está mais ali. Mas a garota prefere não pensar sobre este assunto, muito embora seja ele – para onde vão os imortais? - o único segredo que ainda não lhe foi revelado.  

*

Querida Amiga Secreta! Escrevi seu texto inspirada na sua inspiração! Como foi uma obra literária que te inspirou a escolher o nome do seu blog, escolhi este universo para escrever meu texto para você. Não se deixe levar pelo leve toque melancólico no final, isto é marca do meu jeito de escrever. Espero que tenha gostado!

Amigo Secreto “Blog Secreto” – 1ª Edição

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“can´t wait until tomorrow”…

Ao lado do relógio de ponto, no mural de recados do refeitório de Congonhas, existe uma folha A4 com uma mensagem de duas colegas de trabalho do turno da noite. Elas intercedem pelo Breno, cuja mãe foi soterrada no bairro do Butantã, por conta das chuvas, e infelizmente não resistiu. Como se não bastasse ter perdido a mãe, Breno também teve perdas materiais. As duas meninas pedem doações e qualquer tipo de ajuda, de dinheiro à um cobertor. Há alguns dias atrás, a mensagem era para que todos nós fôssemos à missa de sétimo dia da mãe do Breno, vestindo o uniforme da “nossa TAM”. Eu não fui, mas posso imaginar o quanto foi emocionante.

Já vi apelos como este sendo feitos em outras ocasiões. Lá mesmo, na intranet da empresa, quantas mobilizações foram feitas para arrecadar fundos para os estragos feitos em decorrência das enchentes em Santa Catarina, no ano passado…? Em São Luiz do Paraitinga, apesar de tudo, as pessoas ainda tiveram forças para erguer as mangas e tentar reconstruir tudo, tijolo por tijolo. Tentar reerguer tudo – as paredes e as pessoas. Não vi pessoas reclamando, ou lamentando-se. Vi pessoas se unindo e fazendo o que deveria ser feito.

“When the sky falls
And the earth quakes
We gonna put this back together
We won’t break”

Quando veio o Tsunami pessoas de todos os continentes, do mundo inteiro, se uniram e levaram até lá o que podiam para ajudar, da maneira que podiam. Cada um à sua maneira.

Bombeiros trabalhavam de sol à sol, voluntários davam mais do que o próprio sangue. Cantores e artistas usam sua imagem e suas vozes para clamarem por ajuda e para acalentarem um pouco que seja a alma intranquila daqueles que foram prejudicados.

Tudo isso me ajuda a não perder a fé na humanidade. As forças da natureza podem ser (e com razão) implacáveis, mas a solidariedade humana também é. Sei que muita coisa ainda está pra acontecer, mas eu não tenho medo. Quanto mais problemas o mundo enfrentar, tanto maior será sua força em reerguer cada tijolo e cada esperança que ficar soterrada.

“It’s not the angels
That are on their way
It’s not the bells of Sante Trinity
The people waiting
Positions vacant
For hands to help
Not just to pray”

Os trechos são de uma canção chamada Stranded. Esta música foi composta por Jay-Z, Bono Vox, The Edge e Rihanna, especialmente para o programa “Hope for Haiti Now“. Coloquei o vídeo para vocês assistirem dois rappers cantando com uma banda de rock. É isso aí. Tem horas que as diferenças ficam quase imperceptíveis. Elas juntas, ficam lindas, até.

*

Você quer ajudar o Breno a reconstruir sua casa? Caso você tenha alguma coisa sem uso e queira doar, me avise através dos comentários deste post.

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Pense nisso.

Estava pensando sobre vários assuntos para escrever. Por que motivos nós ficamos tão bestas e agimos feito retardados quando vemos nossos ídolos. Eu, que sempre fui tão discreta, voltei rouca do show da Beyoncé. Mas este assunto pode esperar. O que me fez abrir a dashboard do blog para escrever um novo post foram meus pensamentos de hoje. Eu estava no desembarque do Aeroporto de Congonhas e enquanto as bagagens do vôo não chegavam, eu ficava lá matutando e olhando para os lados, e nesta simples atividade de olhar para os lados, no “peace mode ON”, eu via propagandas e mais propagandas. Puxa vida, a gente não pode escolher não querer ser bombardeado (a) por anúncios e mais anúncios? Engraçado que o CASSABE decretou a Lei da Cidade Limpa e os pobres lojistas tiveram que tirar até os letreiros com os nomes de suas lojas. Exagero, né? O CASSABE tirou os out-doors, muito bonito. Agora a gente de fato ficou mais bonita. Mas esta atitude do querido CASSABE deu início à uma busca frenética e interminável por novas mídias. Novos espacinhos para anunciar. E como nosso povo brasileiro pode ter todos os defeitos do mundo, mas é sim o povo mais CRIATIVO que já se conheceu na história da humanidade, surgem as mais loucas e inusitadas mídias. Nem as (pobres) esteiras dos desembarques dos aeroportos brasileiros (quiçá del mondo) se safam. Agora a Santa Infraero (que de Santa não tem nada) inventou de colocar sobre as pobres - ali mesmo, no meio das malas – COISARADAS com propagandas das mais diversas. Bancos, campanhas, turismo, campanha institucional… já houveram caixas-trambolho, enormes, que descolavam das esteiras e nós (funcionários das companhias aéreas) é que tínhamos que recolhê-las e recolocá-las. Isto quando elas não emperravam (por serem grandonas) no buraco da esteira, e derrubavam todas as malas que vinham atrás. Já teve o dia em que a Santa Infraero comprou malas de fibra da marca mais cara só pra colocar sobre ela uma propaganda institucional e pronto: era uma bagagem à mais, sobre a esteira. Esta semana, o anúncio está no meio da esteira. No buraco ali do meio. Só que este anúncio eu gostei: uma campanha contra o tráfico de seres humanos. Mas seus olhos não escapam ilesos. Você olha para frente e encontra propaganda. Tem propaganda até no banheiro! Nas escadas rolantes. Nas catracas do metrô!!!!! Nos pontos de ônibus, dentro dos coletivos. Você sobe a escada rolante do metrô e olha para o lado: pronto, olha ali na parede mais propaganda. O próprio metrô de vez em quando recebe uma roupa nova: propaganda!!! A própria TAM já anunciou na porta dos metrôs. Nos ônibus de Londres.

A pergunta é: onde vamos parar? Será que nossos olhos nunca mais descansarão em paz, livres para olhar para onde quiserem, para o que lhes chamar a atenção? Olhos livres e puros para ver paisagens, pessoas, coisas interessantes, cores, coisas simples. Nossa mente está cada vez mais presa no consumismo que brota desta invasão maquiavélica que a propaganda faz, plantando em nosso subconsciente o desejo de ter aquilo, de consumir aquilo, de comer ou de beber aquilo. De ser como a moça bonita do anúncio, de ser magra tal qual, de ter aquele sapato, de visitar aquele lugar, de ser cliente daquele banco. De modo que eu acho que… seja lá quem for o responsável por isto, deveria pensar em aceitar minha sugestão sincera de se preocupar com a limpeza das nossas mentes, tanto quanto a limpeza de nossas cidades. Mas não adianta. O grande responsável por tudo o que ESCOLHE, MASTIGA, DIGERE, e por tudo o que USA… não é o CASSABE. Não são os governantes, nem as agências de publicidade. Não é o Papa, não é o motorista do ônibus.

É você.  

A boa notícia é que o desejo é subconsciente, mas o poder de escolha não.

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A descoberta

Desenrosca a tampa do perfume delicadamente e com a costumeira solenidade, porque perfume é coisa que respeita, como respeita as memórias, o cheiro que as coisas têm. E se é bom fica pra sempre e sempre se lembra dele e desta coisa e deste instante. Dá uma espiada no próprio rosto luminoso e cheio de expectativas que se mostram num meio sorriso, enquanto aproxima o vidro do perfume até a ponta do nariz. Fecha os olhos. Tem cheiro de dia de sol e de mar. O tio era um ou dois anos mais velho e nas férias ela o observava o dia inteiro, sem que ele percebesse e não conseguia tirar os olhos dele. Vieram os passeios de barco.

Gostava de colocar a ponta dos dedos na água do mar, enquanto o tio remava o pequeno barco. Olhava o movimento dos seus braços, enquanto remava e os pingos de água em suas costas. Os fios de cabelo perto do pescoço que suavam e ficavam molhados. A respiração ofegante. Ela se deitava e deixava os braços caírem sobre as águas, sentindo os dedos das mãos passearem pela água fresca e azul e era quase um descanso, não fosse a euforia como fogo e como fogo que nunca descansa. O corpo queimava e ali onde o mar era calmo e deserto, o tio pousava o remo sobre o colo e lhe fazia carinhos nos pés. Com o tempo ela foi crescendo e os carinhos também cresciam e o tio ficava cada vez mais próximo, mais próximo, mais próximo e ela podia ver de muito mais perto os pingos de suor sobre seus ombros. E sempre que vinha alguma apatia se lembrava dos seus dedos que passeavam pelo mar de águas frescas e dos dedos do tio, que passeavam delicadamente pelo seu corpo quente de sol. E então podia sentir a frescura da água na ponta deles, como se os tivesse mergulhado em um copo para poder lembrar daqueles dias. Era a água e era a moleza do sacolejo do barco, que sacudia e sacudia e sacudia de leve como uma dança e era o bate papo com o peixe que tinha a cor do vidro do perfume e que sabia seus segredos. O perfume.

Abriu os olhos, ainda diante do espelho. Molhou a ponta do indicador com o líquido da cor do sol. Erguendo a blusa, circulou com o dedo molhado em torno do umbigo. Deu leves batidinhas para a pele absorver rápido. Alisou o ventre, deixando os dedos escorrerem pelo corpo. Sentiu-o pulsar luminoso, como se o quarto se transformasse no pequeno barco solto no mar, embaixo do sol que despontava no céu. Descobriu que era verão para sempre. Deitou-se na cama, ainda acariciando seu ventre e deixando os dedos passearem, febris, como o querido tio fazia e seu ventre crescia mais e mais, conforme aumentava sua respiração. Podia sentir o calor do sol, mas também um arrepio frio que eriçava os pêlos do corpo. Tinha os lábios entreabertos e os olhos fechados. Remexia-se de um lado para o outro,  quadris  inquietos, a mão delicada que em alguns instantes se enterrava nos cabelos molhados, pés que se esfregavam no edredom, pontas dos dedos que se enterravam na cama.  O quarto já se enchia de seus ruídos contidos, quando uma gota de lágrima escorreu pelo seu rosto. Não tentou entender porquê. Havia uma inquietude que fazia o peito e o corpo inteiro crescerem e embriagarem-se do perfume cítrico, que se espalhava por todo o ambiente. Rendeu-se, sorrindo. O corpo estremeceu e expirou, amolecido. Enternecida, fechou a tampa do perfume.

 Escrito em 15/02/2010 – 08h10mim.

Foto: I Heart It

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Educação Financeira….A-V-A-N-Ç-A-D-A!

Sou pequenininha mas já tenho um histórico vergonhoso na disciplina #enfiarospéspelasmãos. Já peguei empréstimo em tudo quanto é lugar, meu cheques já foram e voltaram várias vezes. Meu cartão de crédito já explodiu. Já gastei todo meu dinheiro que poderia ter guardado. O limite já passou dos limites. Tenho rabo preso no banco. O gerente me odeia (ou me adora, dependendo do ponto de vista). Até que aos poucos fui criando um certo juízo e uma certa pão-durice e o resultado disso é que hoje eu consigo entrar naquela loja de departamentos e não comprar nem um anel. Chego a pegar, mas desisto quando estou me aproximando do caixa. Isso foi a minha mãe quem me ensinou, porque tudo o que eu pego ela acha que é bobagem e diz, inclusive: “bobaaaaagem”!!!! Disse tanto que eu consegui acreditar! E para tudo que olho encontro um adjetivo: é torto, é feio. Veja, você vai criando mecanismos dentro da sua #mentedoente para não comprar e de-repente tudo passa a ser feio.

Agora sou uma mulherzinha organizada que tem planilha de orçamento mensal, que anota todos os gastos em um caderninho que fica dentro da bolsa e que jamais dá calote em alguém (atrasar o pagamento da fatura do celular não conta).

O fato é que seguindo o conselho do meu professor de Gestão Financeira… Avançada!, (porque ele fala assim, sublinhando a palavra “avançada”, como quem diz: “isso aqui não é pra vocês nãããão!!!”) nos aconselhou fazer os cursos gratuitos da Bovespa, que é mesmo um lugar ótimo dos ótimos, porque já estive lá – tem até acervo cultural. Como não surtar, como não jogar dinheiro fora, como investir na Bolsa e o que é Boooolsa (não, não é esta bolsa). Tudo bem que quem tem uma amiga como a Marcia Kókot, que senta com a gente na mesa do Mac Café e vai perguntando tudo o que a gente ganha e que a gente gasta para fazer um orçamento financeiro by Marcia (portanto ferrenho), enfim, quem tem uma amiga como a Marcia não precisa fazer curso na Bovespa. Mas eu segui os conselhos do meu professor de Gestão Financeira… Avançada!, e fui até lá. Aliás, eu já conhecia o prédio porque levei meus amigos gaúchos André e Jair (os filósofos) para conhecer o local num super programão de domingo à tarde ali pelos lados do Metrô São Bento.

Vou começar já dos arredores da São Bento. Um espetáculo de lugar. A arquitetura antiga e reformada, o canteiro central onde ficam os engraxates, o prédio do Banespa, o Mosteiro, tudo tudo tudo é magnífico. Saí do metrô olhando para cima. Cheguei no prédio alguns minutos antes. Passamos em um raio-X para acessar o foyer do prédio, porque o curso (Educação Financeira para Mulheres!!) ainda não havia começado. Decidi então tomar um café, porque eu estava em jejum. Pedi um expresso e dois pães de queijo. Daí o pessoal chamou para assistirmos uma pequena apresentação, joguei o pão de queijo na bolsa. Ali no centro do lugar fica um palco pequeno onde os antigos corretores (aqueles que pegaram  fase pesada da Bovespa, antes da coisa entrar na era digital: aquela gritaria – dizem que são sequelados, não deu pra perceber.) mostram como é feita uma negociação para comprar ou vender ações (foto). Se você olhar para cima, vai ver um quadro onde ficam as informações dos valores de compra e venda das ações de cada empresa SA. O cara explica tudo (e explica bem). Depois que terminou a mini-pocket-palestra, nos chamaram para o primeiro andar onde seria o curso.

Entramos em um auditório que deveria ter capacidade para 100 pessoas. Havia um homem-executivo sentado no “plenário” – coisa chique, com microfone e telões (e água), um homem com uma cara não muito boa e aparentemente bravo. Cada pessoa que entrava ele pedia para pegar uma apostila. Claro que chegou gente atrasada até uns 40 minutos depois que o curso começou. O moço se apresentou e começou a seguir mais ou menos os tópicos do programa. O detalhe maior é que eu era a pessoa que mais desesperadamente anotava tudo, apesar de ter uma apostila bacana em mãos. E não é que o cara era divertido? Super!!! O ponto alto do curso foi quando fizemos um orçamento no Excel para um casal de mentirinha, que tinha 28 e 29 anos e que juntos ganhavam R$3500,00 (coisa rara). Para cada tópico da planilha, colocávamos um valor que considerávamos razoável. Ou improvável!!! Quem é que pagaria só R$85,00 em um pacote de tevê à cabo? O professor explicou: “Vocês sabem o que é isso? Isso e o Mundo Animal e a Mesa Redonda dos esportes. Só”. E R$50,00 de créditos no celular pra cada um? “Sabem qual o nome da operadora? É OI E TCHAU”, disse ele. Tinha outras coisas como a pizza do final de semana, as roupas – R$150,00 em roupas para duas pessoas! Isso é o que eu gasto em uma só compra!!! (fiz questão de dizer em voz alta que o casal compraria as roupas no Brás), R$70,00 do dentista, e por aí vai. No final, tivemos que cortar porque ficaram (o casalzinho) R$175,00 negativo. Diminuímos o valor das roupas (quem precisa comprar roupa?) e dos créditos no celular (senti vergonha da minha fatura) e pode esquecer a pizza no final de semana: já era!

É divertido falar sobre dinheiro e ver como as pessoas lidam com ele. É mais divertido ainda morrer de vergonha interna com as concessões absurdas que fazemos quando poderíamos ser um pouco mais racionais e responsáveis (leia = não comprar 3 bolsas, 4 sombras, 5 pares de sapatos). No fim das contas entendi que é preciso aprender a lidar com dinheiro, cheque, cartão de crédito e que aprender a investir na bolsa - e o que é investir na bolsa – ou no tesouro nacional, ou em imóveis ou na poupança é uma alternativa inteligente à torrar e torrar e torrar. Mas definitivamente investir em alguma coisa é investir em mim. Porque eu ainda tenho muito o que aprender, mas meus 30 aninhos já serviram pra me ensinar que dinheiro na (minha) mão é vendaval. Só que depois da tempestade, minha gente, deve vir a bonança! Um dia o sol tem que brilhar, certo?

(Chega de jogar dinheiro fora).

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…ZÁZ!!!

 foto: weheartit

Sou do tipo que coloca o dedo no mapa, escolhe o destino e záz. É sempre uma dificuldade imensa escolher um lugar para ir. Tenho que sentir aqui dentro qual a vibe. É praia, é mato, é história. É gente? Não me importo em viajar sozinha, porque sei ser uma boa companhia para a minha própria pessoa. Sei me amar. Férias é uma desculpa ótima para colocar as coisas em ordem. E comecei hoje, sabe? Coloquei meu quarto todo pra fora e depois arranjei tudo. Meu pai quer pintar as paredes. Tirei as prateleiras (usando uma chave de fenda!!!), coloquei meus livros, enfeites, coisaradas, cd´s e material da faculdade tudo em caixas lacradas e identificadas. A Amelie Poulin estava tocando no celular, enquanto eu fazia tudo isso. Meu pai não parava de assobiar. A mamãezinha estava no computador. A irmã caçula estava fazendo as unhas. Ela ainda não viu que eu já ocupei o seu outro armário vago com algumas coisinhas. Depois vem o computador: deletar documentos inúteis, arquivos que não são usados, programas bestas. Arrumar as pastas, as músicas, as fotos. Fazer uploads dos documentos mais importantes no GOOGLEDOCS. Aprender a usar o Skype (!). Estudar para a faculdade (fazer os 500 exercícios de Matemática ou a sarjeta). Visitar o jardim do Museu do Ipiranga (o museu propriamente dito já encheu o saco). Ir ao Masp e ao Parque Trianon. Ir à Casa das Rosas. Escolher uma peça de teatro decente pra assistir. Ir ao Cinema. Fazer trilhas. Pesquisar músicas. Tirar fotografias. Comer pastel de bacalhau no mercadão. Comprar anéis na 25 de Março. Fazer as unhas (poder pintar da cor que eu gosto, na TAM só pode usar vermelho…). Cuidar do meu projeto cultural. Atualizar minhas leituras. Rever os amigos. Sair com a Marcia, Mirelli, Eduardo, Vicente, Luis+Maurício+Val+Bó+Mi. Visitar o bebê da Silvia!!! Fazer ligações. Ir ao barzinho com a Cris e a Inara. Aprontar com a Júbis e também com o Bis. ESCREVER. Dançar! Beijar o… . Pegar alguns filmes na locadora. Visitar a Mê. Dormir lá. Caminhar no minhocão no domingo de manhã. Ir à feira. Abrir os braços e fechar os olhos. COMEMORAR. Agradecer… . Fazer comidinhas (experimentos). Comprar gérberas para a mamãe. Dirigir, dirigir, dirigir. Apresentar um trabalho. Fazer provas. Escolher, finalmente, o destino e  o meio de locomoção. Fazer alguma simpatia para aparecer dinheiro em algum lugar. Fazer a mochila. Sorrir

Sumir!!!!

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Quando é preciso dar um tempo…

 foto: weheartit

Quando eu saí da Vasp, em 2000, tinha decidido ir morar em Joinville e sair de São Paulo. Eu disse para todos que estava sick and tired of São Paulo, e estava mesmo, mas as razões ultra-secretas que estavam no meu coração eram [bem] outras. O nome do motivo era Adolfo e ele morava em Curitiba. Se para a nossa história dar certo eu precisava estar perto dele, então lá fui eu para a cidade que ficava há menos de duas horas de onde ele estava. Nunca ninguém ficou sabendo disso, nem eu mesma estava totalmente convencida e consciente de quais eram as minhas razões verdadeiras de ter deixado a casa da minha mãe e ido morar com a minha madrinha na Rua João Bazílio Correia, no bairro quase rural da Cidade dos Príncipes. Mas eu fui.

Meus pais não me impediram. Fiz uma mala gigante e coloquei todas as minhas coisas no gaveteiro que existia no quarto que eu já tinha. Era um quarto com uma cama de casal e ao lado, outra cama de solteiro. Eu tinha duas camas à escolha, um armário e muita acolhida.

Logo que cheguei comecei a me inteirar da rotina da casa. Faxina aos sábados, lavar a louça após as refeições, etc etc etc. Não era uma vida da qual eu reclamava, muito pelo contrário. Acordar ouvindo pássaros não é uma vida muito da chata. Nem ver o pôr do sol todos os dias. Logo, porém, precisei começar a procurar emprego. Me lembro de que nesta época estava chovendo muito e a rua da minha tia não era asfaltada (até hoje não é), de modo que eu precisava sair com sacos plásticos de supermercado nos pés, para não enlamear todo o sapato. Procurei em vários lugares. Lojas, agências de emprego, jornais. Recebi apoio da família inteira de lá e ligações dos meus pais me pedindo pra voltar pra casa. Bilhetes da minha prima na geladeira: “bom dia, família“. Só que o tempo começou a passar e nada de emprego aparecer e olha que eu era até que bem qualificada com alguma experiência administrativa e inglês fluente. Mas depois de dois meses batendo de porta em porta, olhei em volta e comecei a me sentir ridícula. O que eu estou fazendo aqui, longe da minha casa, dos meus pais, da minha família, enfiando os pés pelas mãos, só por causa de um cara que não está nem aí pra mim…?

Resolvi voltar.

Quando cheguei na rodoviária de São Paulo, fui recebida pela minha  mãe, de braços abertos. Ela colocou a minha mala no porta-malas e depois me abraçou dizendo:

Seja bem vinda, minha filha“.

E três dias depois, eu estava empregada. Isso não tem preço, tem?

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A época da inocência

Foto: weheartit

Tu que és tão puro de olhos que não podes ver o mal, e que não podes contemplar a perversidade  (Hab 1:12-17)

Ela estendeu a mão, mesmo sem poder ver e mesmo correndo riscos. A única certeza que ela tinha era o coração que dava, aos pulos. Ela sabia que existia alguém lá fora que corria mais riscos do que ela, porque estava justamente preocupado em protegê-la. Estou falando da Ivy Walker, a personagem deficiente visual de A Vila. Lucius (ele!) entendeu. Pegou sua mão, lá estendida, e a puxou para dentro de sua casa, trancando a porta. Esta é uma das cenas mais lindas que eu já vi. E este filme é um dos meus favoritos. As pessoas agradecem as coisas simples, como o fato de estarem juntas ou as refeições. As meninas dançam enquanto varrem as sacadas. Os irmãos mais velhos lêem histórias para as crianças dormirem. E num determinado momento, Willian Hurt diz o que é que eles tentam cultivar quase que religiosamente, em grupo, ali:

A inocência!

Inocência de podermos olhar nos olhos de alguém e sentirmos uma explosão de ternura. Inocência que nos permite ver bichos nas nuvens ou não entendermos alguma piada. Inocência capaz de fazer com que um casal que se ama se contente em andar de mãos dadas, de modo que amassos não sejam o mais importante. Isso que a gente não encontra hoje em dia tão fácil e que aos olhos do senso comum é um adjetivo mais vergonhoso do que digno de louvor.

Inocência, ingenuidade, beleza.

Então eu assisti O Diário de uma Paixão e esta palavra – inocência – me veio pra cabeça de novo. Nosso olhar vê aquilo que nosso coração tem. Daquilo que nele está cheio. Noah olhou para Allie e viu encantamento. Foi respeitoso, leal, apaixonado, devoto e ousado. Bastou que se deitassem sobre o asfalto para olharem as cores do farol, para que ela se encantasse. Ali naquela época era possível acreditar nas promessas feitas. Ahhh não vou contar o filme. O gesto de um homem verdadeiramente apaixonado faz o final surpreendente.

Sinto saudade de uma época em que nem vivi! Quando tomar um milkshake com as amigas já bastava. Quando um arrepio vinha só pelo fato dele tocar nossas mãos. Quando as coisas conquistadas tinham mais gosto, porque eram justamente difíceis de serem conquistadas. Quando as promessas eram tão dignas de confiança que se firmavam num aperto de mão. Quando não existia a merda do rebolation: só Elvis Presley, depois os Beatles, Juke Boxes. Quando se divertia com tão pouco…!

A nós só resta suspirar, agora. E pedir a Deus que no meio de tanta porcaria, promiscuidade, intenções ocultas, banalização e transitoriedade, existam ainda aquelas pessoas que se sintam vivendo na época errada [como eu]…

e que saibamos proteger a nossa inocência!

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Caipira é uma merda!

Acordei cedo inspiradíssima e resolvi que iria até a Cidade Universitária fazer pesquisas sobre Pedagogia do Teatro e Processo Colaborativo na Biblioteca da ECA. Perguntei para o taxista de que lado daquela rua [Alfredo Pujol] passava o Butantã-USP. Peguei o ônibus e pedi para o cobrador me avisar onde deveria descer para ir à ECA – sendo que eu saí de casa e não fazia idéia de endereço, nada. Eu quero ir na ECA e pronto. Foi assim. O cobrador mandou que eu me sentasse e disse que até lá tinha chão [eu sabia].

Depois de várias horas, quando o ônibus finalmeeeeeeente entrou na Cidade Universitária, fui para mais perto do cobrador, que me indicou o ponto e eu saltei fora. Não adiantou nada. Ao meu redor só tinha árvores, carros, pontos, pessoas. Uma agência do Santander (onde eu tenho conta, ufa! Pelo menos isso!). Outras agências de outros bancos. Interrompi um ciclista e perguntei. Onde fica a ECA, moço? É a próxima faculdade, ali atrás.

Fui ali para atrás.

A Biblioteca ficava antes da entrada da faculdade, onde tinha um grupinho de gente. Ainda bem, porque eu sou tímida e eu estava me sentindo meio mal vestida de bailarina (sainha cor de rosa esvoaçante com blusa branca de suplex e rasteirinha). Quando entrei na biblioteca, parei na recepção, antes de passar na catraca, porque vai saber né. Será que eu posso ir entrando? Será que tem que deixar o RG? Será que tem alarme? O moço estava virado para o lado de dentro, atendendo a primeira de uma imensa fila.

A primeira vez que eu fui até lá, foi quando eu ainda era uma estudante de teatro e estávamos pesquisando um texto para ser nossa primeira montagem. Escolhemos o “Vem buscar-me que ainda sou teu”, do Carlos Alberto Soffredinni. Hoje fui até lá para fazer pesquisas para me preparar para dirigir o processo do 14 km, um projeto social que fundei junto com um grupo de amigos.

Bem, eu chamei o moço antes de passar na catraca, porque mais vale chamar do que pagar um mico que poderia ser de todos os tamanhos. O moço olhou para mim, ergueu as sobrancelhas e apontou a fila, como quem diz: “preciso atender este povo antes de você, por favor espere no fim da fila!!!!!”. Eu também ergui as minhas sobrancelhas e permaneci onde eu estava. Ele se tocou e me olhou novamente: Você só quer fazer uma pergunta? Eu respondi que siiiiiiiim, pois é, eu só queria fazer uma pergunta. Comofaz??? Pode ir entrando, tem que assinar alguma coisa? Sim, você pode entrar, passe naquela catraca e guarde sua bolsa naquele armário.

Fui guardar a minha bolsa a tiracolo naquele armário. Fiquei esperando ele me dar uma chave, até perceber que aquele armário era digital. Só que tinha dois problemas: primeiro que muitos deles estavam quebrados. E segundo que eu não fazia idéia de como mexer naquilo!!!! Como fazer pra travar??? Havia um manual de instruções!!! Eu tentei, mas não consegui. Pedi ajuda aos universitários (literalmente) e uma japinha me ajudou a entender como a coisa funciona.

Eu digitei a minha senha de 4 dígitos, mas no terceiro dígito, cliquei duas vezes: senha errada! Agora tinha que ficar aquela mesmo. Vi que o armário travou antes de eu digitar o quarto número. Anotei o que eu achei que fosse a minha senha na palma na mão esquerda e entrei.

Quando eu já estava sentada entre as estantes, folheando um livro sobre o Brecht, uma dúvida veio como um raio:

MELISSA, QUAL DAQUELES ARMÁRIOS É O SEU?

Eu havia me esquecido de anotar o número do armário. E agora, Brasil? Resolvo esta questão neste momento ou deixo para pagar o mico na hora de sair? Resolvi encarar e voltei para a recepção. Agora vocês podem imaginar esta que vos fala digitando a senha esquisita de 4 dígitos em TODAS as portas, até que alguma delas abrisse – e isso rezando para o cara super simpático da recepção não me notar.

Ali na quinta tentativa, no quinto armário diferente, a porta abriu. Foi neste momento que uma gordenha tensa me perguntou se eu sabia como usar aquele armário.

_ Seeeeeei!!! Estou craque!!!

Já familiarizada com a alta tecnologia na Universidade de São Paulo, entrei novamente na biblioteca para fazer minhas pesquisas e me lembrei de que havia esquecido de levar um caderno pra fazer anotações (bolsa pequena, sabem com é). Fiz minhas anotações naqueles papéizinhos brancos onde a gente anota o número do tombo dos livros.

Depois que saí de lá achei que merecia um cachorro-quente e uma garrafa de X-Tapa [suco]. Frequentar a USP não é pra qualquer um, não. É pra gente mais evoluída e menos ATRAPALHADA do que eu. Eu merecia mesmo um X-Tapa.

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Paraty – Primeiro Dia

Acabei fazendo as malas e decidindo que viria visitar o lugar que eu estava ensaiando há tempos pra vir – Paraty. Peguei o onibus 12h15 e depois de duas paradas, cheguei na cidade depois das 18h. 06 horas cansativas de viagem (e não dá nem pra vir de avião, porque não é perto de nenhuma capital). Chegando na cidade, me informei onde ficava o Albergue da Juventude e fui percorrendo as ruas, meio assustada com a cara do lugar que eu achei que fosse BANBANBAN. Tudo bem, toda cidade tem seu lado feio. Cheguei na rua do albergue e quando me posicionei bem em frente aa casa, pensei 2, 3 vezes antes de entrar. Talvez seja melhor procurar um hotel, apesar de mais caro, pensei. Lugar esquisito… mas entrei. Instalei-me em um dos quartos. Primeiro na beliche de cima, mas depois pensei melhor e achei que seria sensato não correr o risco de levar um tombo. Fui até o centro histórico sacar dinheiro para fazer o checkin, porque o albergue não aceita cartões de nenhum tipo. Só tinha banco 24 horas dentro de um supermercado láááááááá. Quase na rodovia. Ah o centro histórico é muito legal, muito lindo, as ruas são de pedra e você precisa tomar cuidado por onde anda. Tudo é muito charmosinho e tudo eh bem carinho. Eh difícil achar alguem falando portugues por aqui. No meu quarto tem um casal jovem e uma menina de uns 19 anos – no máximo – que estava na varanda lendo – EAT, PRAY, LOVE e tomando uma Bohemia. Depois de tomar um banho procurei um computador disponivel para postar no blog minhas aventuras (o primeiro dia) e depois quero tomar alguma coisa e comer um pastel. Sem orações ou amor, por enquanto.

O albergue tem vista para o rio que passa ao lado e as luminárias charmosas que ficam ao longo da ciclovia. Você vai lá e faz um cooper ou simplesmente caminha. Ou fica na varanda, olhando o reflexo das luminárias brilharem na água. Amanhã vou acordar cedo e pegar o onibus até uma das praias perto daqui e aa tarde devo saracutiar mais um pouco pelo centro histórico.

Mais notícias no próximo capítulo!

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Paraty – 2º e 3º Dia

3º Dia

Eu estava meio temerosa em me infiltrar no meio dos gringos e não entender nada do que eles diziam, mas a Ruth me disse que meu inglês é muito bom, então decidi confiar um pouco mais em mim e vambora. Decidimos ir até as cachoeiras, em um lugar chamado PENHA. Pegamos um ônibus às 11h15 no ponto, e ele seguiu por uma estrada bem bonita, e lá fomos nós: só havia mato, como se fosse a serra da cantareira (Em São Paulo). Um ar fresco entrava pela janela. Eu fechei os olhos e quis filmar, mas me lembrei de que a câmera da mamãe é esquisita para fins de filmagem…

Chegamos no ponto onde a cobradora nos informou que devíamos descer. Havia uma igreja branca bem bonita e beeeem lá no alto. Nós adentramos o matagal e não demoramos a ver a tal cachoeira-tobogã, onde as pessoas desciam de bunda abaixo, até cairem no poço de água geladíssima e cristalina. Nunca vi uma água tão gelada na minha vida. Eu estava até que criando coragem para ralar minha bunda na pedra (embora a galera tivesse me jurado que a descida era super smooth), até que vimos um grupo de moleques locais matando uma COBRA. Povo, esta cobra acabou com o pouco que restava da minha coragem de me jogar na água!!! Nós subimos adiante, porque antes desta queda havia um poço d´agua onde a galera estava curtindo e eu fiquei lá, descansando, até ir comer um pastel no Bar do Tarzan (eu vivi de pastel). A propósito deste bar, você tinha acesso por uma ponte, como a PONTE DO RIO QUE CAI. Ela balança e balança e balança e você jura que vai cair sobre as pedras e rachar a cabeça.

Antes de irmos, nadei mais um pouco: que água fresquinha! Resolvi tocar a tecla do foda-se. Se aparecesse uma cobra eu simplesmente BERRARIA e PRONTO. A cobra sairia assustada. Fomos para o ponto lá pelas 15h para não perder o ônibus, que passou quarenta minutos depois.

Todo mundo voltou para o hostel. Eu resolvi almoçar, porque estava faminta. Comi em um restaurante chamado JESUS VOLTARÁ (risos), mas vejo que fiz uma boa escolha porque o preço é JUSTO – claro, Jesus é Justo!!! Depois fui caminhar na Praia do Pontal (perto do cais). A água é turva, não entrei. Claro, porque a água daquela praia vem do rio, sobre o qual algumas horas antes eu vi o NÚMERO DOIS boiando. Ou seja: não recomendada para banho. Bom para relaxar. Apenas fiquei observando as crianças brincarem e se divertirem com quase nada (areia e água) e o sol se pondo no lado oposto, formando uma sombra bacana para ler.

- À propósito, se você está em um lugar turístico no Brasil e vê alguém lendo, este alguém é estrangeiro, pode ter certeza. Eles estão sempre com um livro debaixo do braço.

Voltei pro hostel depois do sorvete e preciso correr, senão perco a peça que me propus assistir, lá perto do cais.

 2º Dia

Tentei acordar cedo para ir à praia, mas parece-me que o sono e a preguiça vão sempre me vencer caso eu não tenha que acordar de madrugada para trabalhar… Quando acordei o pessoal já estava todo tomando café na área de convivência. A garota canadense me perguntou se eu tinha dormido bem – ela estava de saída. Eu já estava de biquini, comi um pão francês com manteiga (Frimesa) e café – muito café! A galera até tinha outros planos, mas eu tinha pressa – queria sair logo e ver tudo o que pudesse. Fui caminhando pelo velho centro, a parte antiga da cidade, ao longo do cais. Até que eu cheguei no porto. Logo que cheguei, encontrei o Serginho, um cara baixinho de São José dos Campos que conheci e que estava falando inglês comigo o tempo inteiro até se tocar que eu era brasileira!!!! Ok, eu não tenho cara de brasileira, às vezes. Not here. E encontrei o cara saindo do porto, ele tinha ido fotografar um dos barcos, o que tem bandeira de piratas. Os barqueiros ficam o tempo inteiro oferecendo um passeio de barco, pelo qual cobram de R$30,00 à R$40,00 por hora, dependendo do número de pessoas (quanto mais, mais barato fica). Alguns ficam fora o dia inteiro, outros fazem passeios mais curtos, de sessenta minutos. De qualquer forma você tem que guardar uma boa grana no bolso, porque vai gastar com o passeio, com o almoço (no barco ou em uma das praias) e com o aluguel do equipamento para mergulho. Como eu não posso me dar a este luxo, não fui. E esta atividade é um negócio, aqui. Eles vivem disso. Passam por todas as praias e ilhas locais. Depois emendei o passeio no cais ao velho centro, começando pela igreja linda e em frente a ela havia um cara vestido de pirata que se virava de costas para todos os que queriam fotografá-lo (super pirata). O velho centro de Paraty é lindíssimo, mas eu desaconselho o passeio se você estiver usando chinelos, porque a rua é feita de paralelepípedos, aquelas pedras sobre as quais você fica tentando se equilibrar. No velho centro você pode almoçar se estiver em grupo, dividem a conta e fica barato. Se estiver sozinho é preferível comer uma salada em um dos quiosques da praia ou encontrar outro lugar com preço menos “turístico”. Se seu banco não for Bradesco ou Banco do Brasil, esqueça. Só existem dois Banco 24 Horas na cidade e eles podem estar indisponíveis. Um no Mercado Carlão, ao lado da Rodoviária. Outro no Mercado Rosado, na entrada da cidade. Leve uma boa reserva com você, ou um talão de cheques. A grande maioria dos estabelecimentos só aceitam dinheiro e se trabalharem com cartão é a bandeira Visa. Quem tem Maestro (Mastercard) como eu, sofre um bocado.

Bom, neste dia tirei fotos do que consegui, até chegar na estação de ônibus. Eu queria visitar alguma praia ao redor de Paraty, mas não havia planejado qual seria ela. Peguei o primeiro ônibus que estava no ponto: Paraty-Mirim. A viagem levou uns 30 minutos e em um determinado momento, o cara entrou em uma estrada de terra, que era como se estivéssemos descendo a serra para a praia, mas era uma estrada de terra, no meio do mato, e nela não caberiam mais do que um carro (só uma mão). Comecei a rezar para o ônibus não quebrar, ali no meio do NOWHERE. No meio da estrada de terra havia um punhado de crianças pequenas a cada 500 m, com mochilas, bem arrumadas e penteadas, para ir à escola. O ônibus finalmente chegou ao seu destino quando percebi que não havia mais aonde ir: era uma pequena vila com dois bares, uma igreja e uma casa. Comigo havia um casal de estrangeiros, que me perguntou: “where´s the beach?”. Expliquei que os barqueiros cobrariam para nos levar à passeio. Resolvemos nos meter no meio de uma trilha que havia por lá e encontramos uma praia totalmente deserta! Um pescador me convidou para dar uma volta de barco (o homem era medonho, só tinha um dente e era barrigudo). Eu respondi em inglês (pra ele não insistir): Thanks!!! Not now

A praia era lindíssima e eu podia ver meus pés no fim da água, o que é importante. Nadei bastante, porque não tinha ondas. Havia uma família, este casal de estrangeiros e no meio do mato, mais duas gringas fazendo um piquenique. Quando percebi que o ônibus chegaria novamente, cerca de duas horas  depois, tratei de me aprontar. Não sem antes comer um pastel de óleo. Ops, de queijo.

De volta à Paraty, tomei um banho gelado porque nunca estive em um lugar tão quente… e apesar de eu estar usando um protetor solar fator 50 – CIN-QUEN-TA – eu estava VER-ME-LHA. Peguei O Primo Basílio para ler no deck, ao lado do rio (que fede), em uma das cadeiras de praia. Resolvi dar uma volta quando comecei a pescar sobre o livro…

Ainda era dia, estava anoitecendo, só. Encontrei a Casa da Cultura, com uma exposição de quadros indígenas e xilogravuras. Havia uma livraria que graças à Deus estava fechada… (!) Depois fui até a casa onde fica o teatro de bonecos e conheci uma das integrantes do grupo, e depois, um dos atores – o  – um cara que morava em Santa Cecília (São Paulo) e fugiu para cá. Um cara bem charmoso e com um par de olhos escuros e que penetram em você (estes caras são assim mesmo). Ele me intimou a vim VIR (oh meu Deusss) assistir o espetáculo e no dia seguinte bateríamos um bom papo antes da peça começar e ele sugeriria me acompanhar no domingo, mas a minha ficha demoraria para cair e eu não o convidaria oficialmente. O teatro em questão parece ser really cool, estou pensando em ir, mas é meio caro (R$40,00) e estou sem a minha carteira de estudante (fiz uma verdadeira via sacra para imprimir um comprovante de pagamento da faculdade no dia 07/03). Depois disso comi a melhor empada de camarão que eu conheço e depois um petit gateau em um café charmosinho , o Café Pingado, lá no velho centro. Fiz o que fiz, até resolver voltar, caminhando ao longo do rio, na ciclovia. Lá tem umas luminárias charmosas que refletem na água do rio e você jura que está em Veneza…

À noite conheci duas loucas argentinas. Uma não falava português e nem inglês – e eu não falo espanhol. A outra falava inglês, mas não muito bem. Fomos levando nossa conversa assim: meia inglês-meia espanhol! Elas me convidaram para passear, mas eu estava com preguiça. Fiquei lendo O Primo Basílio, porque a Luiza tinha acabado de reencontrar o tal primo (o Fabio Assunção): that means que a leitura estava bem interessante. Isso até a Ruth (a australiana) chegar, quando nós ficamos batendo um papo sobre viagens, sobre seus planos de fazer trabalho voluntário na Bolívia e sobre as diferenças entre nossos países, em vários aspectos.

Quando vi, já havia amanhecido.

PS: as argentinas fizeram a maior zona no banheiro.

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Paraty – Último dia :-(

O teatro foi magnífico. Conversei durante um bom tempo com o Vinícius, um dos integrantes do grupo – Grupo Contadores de Histórias – e trocamos e-mails. O espaço é um charme só. Existem várias coisas à venda: de origamis e cartões à bolsas e livros. Um punhado de gente se juntou em frente ao teatro para esperar a peça começar. Enquanto isso, escutávamos um chorinho muito gostoso vindo de um bar da esquina, na mesma rua. A peça começou e era perfeita. Várias histórias costuradas e sem que fosse dito uma única palavra. Os bonecos eram muito bonitos e bem feitos e eram manipulados com perfeição e riqueza de detalhes. Depois que a peça terminou pedi para as atrizes que manipulavam os objetos para tirar uma foto e notei que uma delas não gostou nada. A foto saiu tremida, mas não insisti.

 

Não resisti e fiquei um bom tempo escutando o chorinho e dançando junto com a rodinha de samba ali do bar da esquina. Só saí para comprar uma coca-cola em um santo bar que aceitasse cartão de débito e foi díficil reencontrar a rua (parece um labirinto), que achei seguindo o som do chorinho, caminhando pelas vielas escuras, sob a luz da lua.

Juro. Não é cena de livro. É verdade.

Bem, nesta noite tínhamos sido obrigadas a mudar de quarto, lá no albergue, porque um casal estava chegando e nosso antigo quarto era o único que restava com uma cama de casal (sobre a qual a minha amiga australiana – Ruth – estava dormindo). Fomos para o quarto número 01, que era o que a janela dava pra rua. O quarto era super apertado e ficava ao lado da cozinha e dos computadores, ou seja: você não conseguia dormir em paz. Na manhã seguinte eu já tinha decidido que aquele seria meu último dia em Paraty, porque você aguenta esta vida de PRAIA, PRAIA, PRAIA até certo ponto. Decidi que não iria para Trindade, nem pegaria o barco: estava muito muito muito quente, você não pode ter vaidade: fica suando em bicas, o cabelo fica molhado o tempo inteiro e seu corpo simplesmente não aguenta muito tempo (se você for uma bola murcha como eu). Só que eu precisava fazer o check-out até o meio dia. Preparei minhas coisas e disse para a Ruth que eu pretendia dar uma volta pela cidade durante a tarde e não embarcar imediatamente. Ruth seguiria no ônibus das 13h30 para São Paulo e de lá iria para Campo Grande (Pantanal). Fiz o check-out e deixei o albergue um pouco antes deste horário e fui até a rodoviária. Lá comprei minha passagem para o ônibus das 16h40 (só restavam três lugares. Comprei a janela 25) e descobri que o Malex estava fechado (R$2,00 por dia, mas aos domingos não funciona). A moça da Viação Reunidas me disse que eu podia pedir ao Seu Dito, do quiosque do suco de laranja, para guardar minha bolsa. Fui até o Seu Dito, um velhinho negro, que de bom grado guardou minha bolsa até as 16h – quando eu voltaria para pegar. Fiquei morrendo de medo, mas tudo bem.

De lá fui até o Centro Histórico caminhar e olhar as coisas. Não tinha mais nenhum dinheiro comigo, e fui perguntando, de loja em loja, se aceitavam débito Maestro. Eu queria MUITO comprar uma bolsa de pano “Paraty”, para guardar o livro que eu tinha na mão e minha pequena bolsa de couro (que era pequena demais). Achei um velhinho que vendia um artesanato bem rústico e que – enfim! – aceitava Maestro.

Fui até a praia almoçar. Desta vez escolhi um outro quiosque e pedi uma salada simples (R$9,00) e um suco de laranja com acerola. Na primeira vez que comi em um daqueles quiosques, também havia pedido uma salada simples que custou R$6,00 (sala simples é alface, tomate e cebola). A moça em questão me trouxe a salada com azeite e sal. Precisei pedir uma metade de um limão. Neste novo quiosque que  fui, o homem me trouxe a salada que era beeeem maior (proporcional ao preço), junto com o LIMÃO, molho Shoyo, molho de alho, sal, etc. Devorei o suco em 30 segundos: estava MUITO quente. Comi a salada e depois de tomar uma coca-cola e comprar uma garrafa de água, paguei a conta e tentei subir até o FORTE. Mudei de idéia quando vi o parque fechado e sem uma alma viva. Porque uma coisa é você entrar no meio do mato com um grupo de pessoas, outra é você entrar no meio do mato SOZINHA!

Desci novamente até a praia e procurei uma sombra para ler meu livro. Havia muitos cachorros aos pés dos turistas, esperando para filar um bifinho. O cara dos barcos estava ajeitando as canoas perto de mim. Lá longe vinha um gordão que voltava do mar, com um mp3 preso dentro do boné (sim, na cabeça) e com as banhas escapando para fora do barco. Quase não conseguia driblar a correnteza – ventava. O Primo Basílio distraiu minha atenção até que o sol despontou bem em cima de mim, quando fui procurar outro lugar para ler.

Começaram a se formar nuvens no céu e eu comecei a escutar trovejadas. Foi difícil deixar a praia. Já tinha gravado no celular (gravação de voz) o Jack Johnson tocando no quiosque do cara, o som do mar, do vento, da cachoeira… Agora era só criar coragem. Dei uma espiada em volta pela última vez. Crianças brincavam na água turva, totalmente iluminada pelo sol da tarde.

De-repente me deu uma vontade violenta de tomar um sorvete de morango, depois que o Eça de Queiroz contou que a Luíza, Basílio e D. Felicidade andavam pela cidade e viram um homem tomando o tal sorvete de morango. Mas eu só tinha o cartão de débito. Fui atéééé o Supermercado Rosado, na entrada da cidade, para sacar dinheiro no BENDITO terminal do Banco 24 Horas, rezando para que ele estivesse funcionando.

Estava.

Como tinha tempo, voltei tuuuuuuuuudo até o Centro Histórico e entrei na primeira sorveteria que encontrei. Um homem doido com a cara toda cheia de piercings e borboletas de enfeite elogiou meu vestido. Tomei um sorvete-torre: maracujá, crocante, passas ao rum, morango e diamante negro. Joguei calda de chocolate e de amora. Quando terminei o sorvete, dei uma última volta pelo centro histórico, uma última olhadela, reparando nos detalhes…

…a torre da igreja que brotava sobre a casas.

…os lustres curiosos das casas e hotéis.

…os comerciantes e os bolivianos vendendo seu artesanato espalhados pelas vielas.

Voltei para a rodoviária e dei uma nota de R$5,00 para o Seu Dito, por ter guardado minha bolsa. Ele não queria aceitar. Carece não, filha!!! Eu fiz questão: o senhor não é maleiro!!! Comprei uma água gigante e me sentei sobre o banco, perto de um cachorro. Até que o ônibus chegasse, fiquei assistindo o Faustão.

Foi difícil deixar a cidade. Meu coração ainda não saiu de lá – e eu não sei exatamente porquê. Mas foi assim!

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Para ti, Paraty…

Não tem Jeito

Para se chegar em Paraty não tem jeito. É preciso um carro – o que eu recomendo mais do que o ônibus, porque o carro faz a viagem em tempo menor do que as 06 horas que se leva de São Paulo ou as 04 horas que se leva do Rio até lá. O ônibus vai parando e parando e fica sujeito à muitas coisas, como a vistoria da Polícia Federal e tooooodos os seus integrantes, como a que sofremos antes de entrar na cidade. Se estiver de carro, saia bem cedinho de casa para parar nas praias de antes: Ubatuba, onde você pode conhecer o Projeto Tamar. Paraty-Mirim (veja mais lá embaixo), as praias de Trindade, etc. Talvez você precise de um dia inteiro para conhecer cada uma, isto vai de cada viajante e sua disponibilidade.

Em Paraty existem diversos lugares para estacionar seu carro. Se optar por um hotel ou pousada, verifique antes sobre o estacionamento. O centro histórico tem um estacionamento ao lado da igreja e existem outras opções pela cidade.

Hotéis e Pousadas

Um dos jeitos mais baratos de se hospedar é fazer a carteirinha de Alberguista e ficar em um Hostel, como este aqui. Quartos divididos por homens, mulheres, famílias e casais, com banheiro privativo.

Paraty é repleta de opções para se hospedar e fica difícil acreditar que existem moradores locais, porque só o que se vê são hotéis, pousadas, hostels e hospedarias. Existem diversos pontos de informações turísticas que vão te dar várias opções de hospedagem, de acordo com o que você procura. Não recomendo aceitar sugestões deles porque certamente levam uns trocados dos hotéis que indicam. Faça sua pesquisa antes de sair de casa!

Se procura uma opção barata do tipo bed and breakfast (lugar pra deitar o esqueleto e pra tomar um café reforçado, sem luxos), os hostels são boa opção. A cidade tem apenas um Hostel da rede Hostelling. Os outros são por conta deles. São ótima opção para quem viaja sozinho, porque é a maneira mais fácil de conhecer gente nova e de todos os cantos do mundo: saiba que é muito mais fácil encontrar brasileiros nos hostels de fora do país do que nos daqui. Se você não fala inglês ou espanhol prepare-se para o improviso, porque vai ficar difícil se comunicar com seus companheiros de quarto!

Dica: se ficar nos hostels, leve um par de havaianas para usar no chuveiro. Leve também enlatados, miojos, opções baratas para não gastar com comida porque como a cidade é turística, os preços são beeeem abusivos. Não se preocupe porque a galera é super na boa, ninguém mexe nas coisas de ninguém e todos vão respeitar seu espaço.

Se preferir um lugar mais sofisticado e privativo, existem vários hotéis à sua escolha. Dentro do Centro Histórico o mais famoso é a Pousada do Sandi, que é lindíssima. Outros estão espalhados na rua da ciclovia.

Tome cuidado com as pessoas que ficam de plantão na rodoviária para caçar hóspedes. Sempre se informe antes de escolher um lugar.

Internet

A cidade é cheia de lan-houses, mas a maioria das opções e hospedagem têm seus espaçós próprios para uso de internet. Alguns oferecem área wi-fi gratuita. Outros têm seus próprios terminais. Alguns cobram pelo serviço, outros oferecem-no gratuitamente, dentro do pacote de hospedagem. O Albergue da Juventude onde eu fiquei têm três PC´s com uso totalmente LIVRE e não possui wi-fi. Se optar por uma lan-house, tente descobrir se a conexão é rápida, porque algumas são muito lentas e você só perde tempo (e dinheiro).

Agências de Ecoturismo

Como não poderia deixar de ser, a cidade está abarrotada de agências que oferecem passeios diversos: de escuna, de jipe, de cavalo, etc. São muitas agências e com preços variados e concessões diversas. Algumas cedem os equipamentos de mergulho, outras cedem outras coisas, outras não cedem nada! O melhor a fazer é pesquisar antes de sair de casa através da internet, para não perder tempo batendo perna pelo centro, até porque estará um calor de derreter e você não vai aguentar por muito tempo!

Por sua conta!

Se você for um pobretão como eu, não precisa ficar triste! Faça os passeios por sua conta! Informe-se logo que chegar na cidade em um dos pontos de informações turísticas sobre os horários dos ônibus e faça seu plano de viagem. Existem vários guias gratuitos para você seguir. As viagens nos ônibus intermunicipais custam em média R$3,00, mas fique esperto (a): informe-se sobre o horário de retorno e peça ao cobrador para te informar onde descer, caso o destino para onde você esteja indo não fique no ponto final. Se tiver algum estrangeiro no ônibus, seja legal e avise-os também porque eles não entendem a nossa língua e não sabem direito onde descer, como fazer, etc.

Tente chegar no ponto de ônibus mais cedo, porque ele lota de gringos e mochileiros.

Os gringos

Os gringos são maioria na cidade e geralmente você os reconhece só de bater os olhos. São tipos esquisitos! Mas são legais. Você pode estranhar no começo, porque eles são fechados até que você faça o primeiro contato. Depois eles se soltam e percebem que podem se comunicar com você. Eles são mais fechados e mais bobinhos e bem mais bem comportados e elegantes do que os brasileiros (com algumas exceções, claro). Se o cara for brasileiro você logo vai perceber, porque ele é bem despachado e já chega te chamando na xinxa.

Outra coisa: repare que os estrangeiros estão sempre com um livro por onde quer que vão. Nós deveríamos seguir o exemplo. Eles se esforçam, também, para te entender, se você não fala inglês e para se comunicarem com você e são muito gentis. Não se deixe levar pelas aparências, mas não exagere na abordagem!

Caminhadas

Onde quer que vá, leve água com você. Uma mochila confortável e um par de tênis, porque as vielas do Centro Histórico são impróprias para se caminhar de chinelos. Depois de muito tempo de caminhada, seus pés começarão a doer.

Relaxe!

Se você é de São Paulo, não precisa ficar com medo de andar sozinho ou sozinha pelas vielas ou pelos caminhos de Paraty. Não tem perigo algum. Só fique esperta com os hippies, se você estiver sozinho (a) e não entre no mato. Se você tiver cara de estrangeiro, é só responder: “I don´t speak Portuguese, sorry!”, diante de qualquer abordagem. Se for brasileiro, seja criativo, ou mal educado (simplesmente ignore).

- NÃO JOGUE LIXO NO CHÃO.

O Rio e a Praia do Pontal

A própria aparência já vai te dizer que aquele rio é MUITO sujo. Eu vi um cocô boiando! E como ele desemboca na praia, logo… aquela água (Turva) não é das mais limpas. Se você quiser nadar é melhor ir até alguma praia por perto. Veja o mapa!

ARTE!

Paraty é um prato cheio para quem gosta de artesanato e cultura. Tem a Casa de Cultura, com pequenas exposições, pequenas atrações e uma livraria. Tem o Teatro Espaço, com apresentações teatrais do Grupo Contadores de Histórias. A propósito deste teatro, a peça é feita com bonecos e música, dispensando palavras. Isto significa que na platéia existe gente de todos os cantos do mundo e que todos eles vão entender e se divertir com as histórias!

Espalhados nas ruas, existem vários artesãos, pintores, artistas de rua. Se for tempo de festas, como a Flip, por exemplo, a tendência é que eles aumentem. Destaque para este pintor que se deixou fotografar e fez uma postura perfeita para eu tirar a foto (o chapéu tampando o rosto foi proposital: o cara entende da coisa!!!), para o caricaturista e para o artesão de moedas.

Cidade dos Cães

Tem cachorros pra todos os lados. Eles não fazem mal à ninguém e esperam a bondade dos turistas para dividir as comidinhas. A maioria fica na rodoviária ou na praia. Dá vontade de adotar todos eles!!!

Sugestão de roteiro:

Primeiro dia: passeie pelo centro histórico, almoce em um dos restaurantes de lá. Depois de tirar algumas fotografias e fazer algumas comprinhas vá até a Praia do Pontal para descansar até o fim da tarde. Volte para o hotel pra tomar um banho e procure um dos barzinhos, à noite, para conversar. Eles colocam mesinhas nas ruas, no Velho Centro, e se a noite estiver bonita… você não sente vontade de voltar pro hotel.

Segundo dia: pegue uma escuna e passe o dia inteiro fora. Você pode se informar sobre isto no hotel, porque a maioria deles oferecem os passeios dentro do pacote deles, ou então vá até o Cais bem cedo para pegar um dos milhares barcos. Quando retornar ao hotel, no final da tarde, tome um banho e leia um livro na beira da piscina.

Terceiro dia: escolha um meio de ir até Trindade e passe o dia lá. Volte no final da tarde para o um banho gelado e uma leitura básica na sombra – que pode ser a sombra do hotel ou da Praia do Pontal. À noite coma uma pizza na pizzaria da praia.

Quarto dia: escolha um meio de ir até a Cachoeira do Tobogã, bem cedo. Se você tiver fôlego, pode fazer dois passeios em um só local: na cachoeira e no Caminho de Ouro. Faça primeiro o caminho para depois relaxar na cachoeira. Cuidado: não desça a pedra de pé. Fique de olho em suas coisas. Coma um pastel no bar do Tarzan (não recomendado para crianças muito pequenas, por causa da ponte). O ideal é ir de carro, para não depender dos horários dos ônibus, ou comprar o passeio de jipe no hotel ou na agência. Mas prepare o bolso! Leve um livro para ler na pedra (na sombra) e se não quiser pagar o lanche, leve o seu próprio.

Quinto Dia: Pegue o carro e dê uma chegada até Paraty-Mirim. Existe um estacionamento tranquilo por lá. Leve coisas para fazer piquenique, perto da praia. Leve um saco plástico para colocar o lixo. Faça xixi antes de sair, porque lá não tem banheiro. Não seja porco (a) e não faça xixi na água, que é limpa!!! Não vá sozinho (a) e não aceite o serviço os pescadores locais, recuse educadamente. Não coma o pastel local, porque é cheio de óleo.

Se ainda assim te sobrar fôlego, ainda existem mais praias e locais legais para visitar, veja no mapa de Paraty. Não saia sem documento e sem DINHEIRO. Não adianta levar cartão do Mastercard, porque a maioria dos comerciantes não trabalham com esta bandeira. Em Paraty existem duas opções de divertimento: a barata e a cara. Na primeira, você tem que se hospedar em albergues, onde a diária em baixa temporada não passa de R$35,00. Tem que levar comida de casa e fazer na cozinha do albergue. Tem que andar de ônibus coletivo da cidade e dispensar certas regalias e luxos. Na segunda, você tem que estar preparado (a) para gastar com a culinária dos restaurantes locais, já que trata-se de uma cidade essencialmente turística; precisa saber que os passeios de escuna e nas agências são caros e cada um deles vai fazer você desembolsar no mínimo R$30,00 do bolso. Mas não se esqueça de que a cidade dá lugar para os dois tipos de viajantes e todo mundo sempre se diverte, do seu jeito.

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OSLOP

Passei o dia inteiro estudando para uma delícia de disciplina (!), denominada “Sistemas da Informação”. Uma disciplina de 40 h/a, com conteúdo de disciplinas de 80 h/a e cujo conteúdo eu precisei estudar/decorar para a sua única avaliação, que foi hoje. O negócio é cheio de termos deliciosos, SAP, CRM, SCM, ERP, MRP, KCT, PQP… – termos estes que eu precisei não só saber o que significa em inglês e sua tradução, como também saber para quê ele foi criado e quem foi o infeliz que fez isso (!)…

Mas veja bem, eu fui muito bem na prova! Tirei 9,0! Errei umas bobagenzinhas. Uma delas foi num caça-palavras. Era pra circular 11 termos relativos ao BI (Business Intelligence) e ERP (Enterprise Resourcing Planning). Lá fui eu circular as palavrinhas de um jeito bem bagunçadinho. Ao meu lado, com um olhão bem grande, estava a Dora. A Dora também está comigo na outra disciplina sobre a qual tivemos prova ontem e estávamos as duas, portanto, traumatizadíssimas com este lance de provas traumatizantes (como Gerência Financeira Avançada e Sistemas de Informação podem ser). E a Dora estava me olhando circular as palavras. Eu circulava aqui, e ela circulava lá. Até que eu circulei a palavra

OSLOP.

E o fiz com propriedade! Sem pestanejar! A Dora franziu a testa e olhou pra minha cara com cara de ponto de interrogação. Eu fiz sinal de jóia. Ela foi lá e circulou também.

OSLOP.

Colou de mim. E colou errado.

A Dora terminou a prova e foi embora, porque não queria esperar o professor corrigir a sua. Já eu, esperei pela minha nota. O professor chegou na minha avaliação e num dado momento, franziu a testa e me perguntou:

_ Melissa, o que significa OSLOP?

Cocei a cabeça, confusa.

_ Professor, este termo estava na sua apostila de Business Intelligence!!!

_ Você quer dizer OLAP?

Respondi com minhas mais sinceras e descomportadas risadas. Mas veja que eu ainda tive a chance de procurar pela 11ª palavra que faltava (“informações“). Já minha colega, que tinha ido embora, ficará com o OSLOP cravado em sua folha de prova, forever and ever.

Coitada da Dora.

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Quando o corpo vem e a cabeça fica.

I Parte

Esta é a história de uma mulherzinha – com cara e jeito de menina, é bom que se diga – que trocou uma viagem de 50 minutos de A para B, por outra de 08 horas, de A para B. Ela até que não se importava pela troca, porque sempre gostou de se sentar ao lado das grandes janelas dos ônibus de viagem e olhar as estrelas e a lua iluminando a rodovia. E quase sempre a nossa personagem tem sorte e consegue ser muito feliz olhando as estrelas enquanto segue para seu rumo escutando coisas como “Like a bridge over troubled water“. Mas como tudo tem sua primeira vez, desta vez a nossa querida personagem que vamos aqui chamar de [coincidência ou não?] Meeeeelissaaaa – enfim, desta vez ela pegou um belo engarrafamento com cara de retorno de feriado e ficou duas horas - repito: 02 horas! – parada na estrada. E quando hoje cedo deixou seus pais esperando por duas horas – repito: 02 horas – na rodoviária, nossa querida personagem se lembrou de que já poderia estar em casa faz tempo e de que nunca maaaaaaaaaais vai trocar os ares pela terra.

II Parte

Na segunda parte de nossa história,  nossa personagem se veste do jeito mais brejeiro e mais simples (camiseta branca + calça jeans + peep toe amarelo e unhas vermelhas) para a faculdade. Coloca seus brincos de aro de metal e a maquiagem toda e sai, não sem antes pegar seu guarda-chuvas vermelho.

Até que efetivamente nossa personagem saia e entre no ônibus, ela vai entrar em casa fugida e sair de volta três vezes, por causa do seu velho medo de relâmpagos. [Medo este que a sua  Tia Guida conhece muito bem!]

III Parte

Agora, nossa personagem entra na sala de aula, depois de uma semana de faltas por causa de uma viagem de férias. Seu professor dá as boas vindas à “aluna nova”. Melissa se senta e tenta prestar atenção na matéria. O professor estava explicando sobre Especulador [aquele cara que especula as coisas pertinentes] e Arbitrador [ato ou efeito de arbitrar]. Melissa escreve em seu caderno algo como…

ESPETACULADOR [aquele cara que adora causar] E ARBITRÁRIO [de coisa impensada].

Seus colegas riem – e ela também. A esta altura, nossa personagem já tinha devorado seu Halls de morango pela metade. Na hora do intervalo, nossa personagem desceu as escadas para comprar um saco de batatas fritas na banca – aquela que fica em frente à faculdade. Ao invés de descer os dois lances de escadas, nossa querida personagem desceu apenas um e entrou na sala de XADREZ. Demorou alguns segundos para nossa personagem se dar conta de que não fazia idéia de onde estava. E que a única coisa que ela sabia é que ali não era a banca de jornal.

Para terminar a noite, nossa personagem se lembrou de que havia esquecido seu guarda-chuva vermelho – aquele – pendurado no banco do ônibus. Esta péssima mania de preguiça de segurar o guarda-chuva. Esta maniiiiiia de achar que consegue pousar, quando na verdade ainda está VIAJANDO!

(foto: caminhando em Curitiba)

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Imagem e Poesia

Fotos de arquivo pessoal. Texto: “O Primo Basílio – Eça de Queiroz” (foto 01) e “Miss Sarajevo” – U2 + Luciano Pavarotti (Foto 02). Clique para visualizar melhor!

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sem breque.

 foto: weheartit

E quando não sabia o que pensar ela gostava de escutar a chuva e sempre se imaginava dentro de uma tela de cinema com uma luz azul muito bonita que combinasse com o barulho das pequenas gotas de chuva se chocando contra a janela e também com o vazio de dentro dela até chegar o dia em que ela não temia mais ficar sem esperar nada e que aprendera a escutar e a olhar e olhar como se fosse invisível assim circulando como anônima pelas ruas e olhando as propagandas estampadas nas janelas do metrô ou o título dos livros que as pessoas carregavam ou as pixações nos muros da cidade. Deixava-se ir até que a chuva passasse e que o sol reaparecesse e os seus primeiros raios luminosos a tocassem e então saberia que toda a intensidade de cores fortes e de perfumes vibrantes lhe fariam brotar um jeito apaixonado e sem explicação e que ficaria impregnado nela como uma tatuagem até que toda ela fosse o próprio sol e que chegasse uma outra estação e a próxima chuva e novos tons de azul onde pudesse descansar aquele coração tão inquieto e tão faminto e simplesmente não pensasse em absolutamente mais nada.

Nota da autora: Agora pode respirar!!! Eu fiz de propósito!

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Voltando sem querer…

Toda vez que vou pra Joinville tenho que escolher entre ficar confinada na casa da minha madrinha, lendo meu livro no sofá e tomando café preto (!) sentada na central de gás,  ou fazer uma romaria na casa de todos os meus 8 tios filhos da Dona Isabel e do Sr Juvenal Silveira [que Deus os tenham]. Desta vez me senti uma celebridade, porque recebi vários convites e todos ao mesmo tempo para ir aqui, ali, lá, acolá e jantar e almoçar com todos. Como é bom ser amada, não? Sendo que um destes convites veio do casal de tios Guido e Mirta. Seus três filhos já estão espalhados pelo mundo, de modo que não tinha mais companhia da mesma idade, mas a permanência de uma noite na casa onde tive a honra de passar parte da minha infância foi muito agradável. Pra começar meu tio foi me buscar de carro na casa da minha madrinha. No carro, escutávamos Playing for Change - que eu já tinha escutado porque as manas trouxeram o cd deles lá dos Estados Unidos (no ano passado) e era muito bom andar de carro com ele, que é super tranquilo e sabe que a vida deve ser levada assim, na boa, sem enfiar os pés pelas mãos. Quando chegamos em casa, minha tia parou o que estava fazendo e – sempre muito solícita – veio me receber na porta. Depois fomos até a sala de televisão e meu tio colocou o DVD dos mesmos caras e fomos comentando e conversando e eles até olharam meu álbum de fotos de Paraty.

Logo que entrei na sala reparei a enorme foto do meu primo Thiago e sua linda esposa chamada Jhuli e me lembrei de que ele adorava tocar violão e de uma vez eu entrei no banheiro sem bater na porta e ele morreu de vergonha. Num determinado momento, o tio e a tia foram dormir e me perguntaram se eu queria ficar na internet, mas como sei que o barulho das teclinhas IRRITA, preferi ir dormir também. Eles me conduziram até o antigo quarto da minha prima Ana Paula, que hoje está grávida da Clara, que vai nascer já já e mora em Curitiba com o marido. Eu sentei na cama, fechei a porta do quarto e olhei cada detalhe. O armário que era cheio dos porta-retratos da Paula, dos bibelôs e dos perfumes – e ela tinha tantos!, e algumas destas coisinhas ainda estavam lá, como que intocáveis. O quarto tinha algumas fotos dela e uma estante cheia de livros e livros e livros – que também estavam espalhados pelo armário. No meio deles tinha toda a coleção de As Brumas de Avalon. Eu poderia ter escolhido qualquer um para ler [e deu vontade], mas eu já tinha o meu Primo Basílio, que fiquei lendo por horas e horas, enquanto escutava a chuva cair do lado de fora [isso é que é vida]. E então, antes de dormir, fui imediatamente transportada para muitos anos antes, quando ali mesmo naquele quarto a Ana Paula – que hoje é mãe – dormia em sua cama e eu em um colchão ali ao seu lado, e que nós conversávamos até altas horas e fazíamos tudo juntas [enquanto eu estivesse lá].

Desde a casa do outro bairro, antes de eles se mudarem para aquela segunda casa linda e bem maior, quando nós todos já dormíamos juntos e compartilhávamos nosso medo de lobisomem porque o Chico Anysio se vestia disso em seus programas e porque era a época do Roque Santeiro (!). Então qualquer brilho na janela era um homem que virava lobo e eu dormia com a cabeça coberta - e acordava toda suada. Me lembro que a Ana tinha um quarto cheio de formigas e que o Marcelo era famoso por ser encontrado nas brincadeiras de esconde-esconde, pelo cheiro dos seus puns (!).

Depois eles se mudaram para aquela outra casa maior, com um jardim imenso, uma horta gigantesca e os finais de semana e férias eram uma delícia. Vinha a Rafaela, hoje mãe da Amábile, e brincávamos de detetive usando baralho, em uma mesa com 4 ou 5 cadeiras no meio do jardim e ríamos muito da cara dela, porque quem perdia levava rolhada queimada na cara e adivinha quem ficava com a cara toda preta? Enquanto isso a tia trazia pães de forma com queijo e tomate assados no forno, com refrigerante e carinho. Era preciso ordenar que a brincadeira acabasse: nós ficaríamos ali a noite inteira. A casa era enorme e convidativa, porque tinha vários lugares legais para nos escondermos na boa e velha brincadeira de esconder. Tinha os cafés da manhã que não passavam das dez, e se passassem minha tia ia lá bater na porta para nos chamar. Lá sempre foi tudo muito deliciosamente regradinho. A oração antes das refeições, as missas de Natal, as visitas na casa da Tia Lene, as idas para a praia e como andávamos sempre juntos porque as praias do sul eram cheias de ciganos e até hoje eu acho que eles querem roubar crianças. Como éramos adolescentes e adorávamos nos divertir às custas dos mais velhos, rindo da cara do Tio Guido quando ele vestia um chapéu ou camiseta listrada na praia… discutindo o Apocalipse e tentando arrancar da Tia Mirta alguma informação que pudesse diminuir nossa angústia de Ih! O mundo vai acabar! Ou curtindo os discos de vinil e rachando o bico de “Besame Mucho” e coisas do gênero - mas  que hoje fazem parte da minha playlist, de vez em quando.

Ainda hoje guardo as cartas que trocava com a Ana e a Rafaela. Cartas coloridas em papel colorset e com a letra caprichada. Os namorados e rotinas escolares das duas, as paqueras, a euforia toda. Quando a Ana começou a menstruar, escrevi para ela uma mensagem em um absorvente e depois morri de vergonha porque meu tio leu e achou que eu fosse maluca [talvez ele tivesse razão!].

Foi difícil dormir, naquele dia. Ali no quarto ao lado estavam meus tios, em uma casa enorme e vazia porque criamos nossos filhos para o mundo. Minha prima [dona daquele quarto onde eu estava tentando dormir] está em Curitiba. Meu primo mais velho, o Marcelo, está em São José dos Campos. E o Thiago, o caçula, está em São Paulo com a esposa. A Rafaela  – nossa prima – hoje é casada e tem uma filha linda e muito educada e vive correndo: trabalho, viagens à trabalho, cuidar da filha, do marido, da casa. Aquele pedaço de noite me pregou uma peça, me fez dar um mergulho nostálgico no passado e a gente sabe que é bastante complicado sentir saudades. Saudades de uma época e de todos eles: Marcelo, Thiago, Ana Paula, Rafaela e de tudo o que vinha junto. Mas também agradeci à Deus por termos sido crianças tão felizes, porque acho que agora nossos filhos [os que vieram e os que virão] vão receber toda esta herança de tudo de bom que nós vivemos e trocamos – e ganhamos. Ainda que eu tenha ficado um bocado triste porque só falta eu: afinal de contas, ainda durmo em uma cama de solteiro…

…por enquanto.

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Só comigo…!

Tenho um amigo que é ator formado pela EAD [Usp...] e um dia me contou que precisou se vestir de cotonete para um comercial de televisão. Quando ele me contou isso, senti vontade de chorar. De chorar e de rir. De rir e de chorar. E jurei que eu – que também sou atriz formada pelo Macunaíma – jamais pagaria um mico destes ou qualquer outro equivalente.

A vida correu e o meu DRT está ali na Carteira de Trabalho como enfeite! A única peça de teatro profissional que fiz (as outras foram como estudante) foi um verdadeiro FIASCO – que o diga a família da Rebecca e Raquel, os quais foram me assistir e saíram do teatro com cara de sinal de interrogação…

???????????????

Só que toda vez que você cospe pra cima, o cuspe cai de volta na sua cara. Anotem isso aí!!! É verdade. Vocês sabem que eu tirei férias em Março (mês do meu aniversário) e fui viajar. Torrei todo meu dinheiro e fiquei meio no vermelho – só não deu desespero total, porque eu não tenho quase nenhuma conta pra pagar fora as de sempre. Foi então que a agência de atores de que faço parte (e de quem não recebia ligações há mais de um ano) me ligou, milagrosamente, oferecendo um bico em um comercial.

_ O que eu vou ter que fazer?

_ Abrir a geladeira – o cara falou.

_ Quanto é o cachê?

_ R$500,00.

_ R$500,00 só pra abrir uma geladeira???

Ele confirmou. Eu fiquei com os dois pés atrás e pensei, dentro de um balãozinho: “AÍ TEM”. Mas aceitei, porque não sou louca de recusar um cachê destes, que paga a minha faculdade. Meu pai falou que não teve novidade nenhuma na minha cena. Abrir a geladeira e dar risada é o que eu mais faço, segundo ele.

No dia, horário e local combinados, fui até a produtora e depois de um belo chá de cadeira (como sempre) e de acompanhar a rotina da recepcionista mal educada e grossa, a maquiadora me chamou.

Entrei no camarim e a figurinista perguntou se eu havia levado alguma roupa. Como ela tinha me pedido, levei algumas coisinhas. Umas blusas de tons fortes que não me deixasse com cara de criança, afinal de contas eu ia abrir uma geladeira… (!) A moçoila escolheu a calça creme e a camiseta rosa pinkão. Enquanto isso a maquiadora fazia seu trabalho. Quando terminaram, fui levada até o estúdio de gravação.

Lá estava toda a equipe reunida, operadores de câmera, os caras que montam as coisas, um ou dois diretores (fiquei na dúvida sobre qual a função do outro) e a produtora. No centro do estúdio que era todo pintado de verde, estava uma geladeira de mais ou menos 1.70m, daquelas antigas. Não havia mais nada, apenas a geladeira.

Fiquei sentada por alguns momentos enquanto via a produtora se matando pra disfarçar os rótulos das coisas que haviam dentro da geladeira. O diretor mandou trazer mais coisas, mandou subir a laranja, descer o alface, virar a embalagem do leite, tampar o logotipo da marca da geladeira na porta. A geladeira era marrom, seria preciso forrar o logotipo com fita adesiva, mas eles só tinham da cor branca e não ficava bom o contraste marrom/branco no vídeo. Chamaram a maquiadora.

Ela trouxe uma base da MAC do tom da pele da Beyoncé e começou a pintar a fita adesiva. Um pedaço suficiente que pudesse ser usado para tampar o logo. Serviu. Terminado o ofício, me pediram para ir até a geladeira. Começamos o ensaio, que se resumia a:

_ Melissa, por favor, abre a geladeira.

_ Melissa, pode fechar a geladeira.

_ Melissa, abre a geladeira por gentileza.

_ Pode fechar a geladeira, Melissa….. (Pensa na minha cara fazendo isso)

E assim por diante. Só que eu estava meio que fazendo um esforço grande pra abrir a porta da geladeira, que era velha. Então o diretor pediu para um dos caras que montam as coisas amarrar um fio de nylon no puxador que havia do lado de fora e me disse:

_ Você só dá um toque. Quem vai puxar a porta é ele.

E recomeçamos o ensaio:

_ Abre a geladeira.

_ Fecha a geladeira.

Foi quando passou pela minha cabeça assim… perguntar, né, o que diabos eu teria que fazer. O diretor respondeu:

_ Você vai abrir a porta da geladeira e sorrir para a câmera toda feliz porque o PMDB deixou sua geladeira cheia.

_ Porque QUEM??????

O diretor disfarçou e segurou o riso. Eu soltei minha melhor gargalhada, com algumas lágrimas que caíram dos olhos:

_ Mas logo o PMDB????????

Pois é, gente. A cena seria gravada para uma propaganda política, que vai ficar no ar durante 01 ano!!! São 365 dias pagando um beeeeeeeeeeelo de um mico!!! Não tinha mais o que fazer, permaneci onde eu estava e começamos a gravação. O diretor havia me pedido para abrir a geladeira, virar para a câmera e sorrir… sorrir… e APONTAR para a geladeira, feliz, contente, sorridente, saltitante (não). E foi o que fiz, porque sou uma ótima atriz. (!)

E vocês fazem idéia do esforço que eu tive que fazer, né????

Só que precisamos regravar a cena, porque estava dando pra ver na porta da geladeira o reflexo do tiozinho abaixado, puxando o fio de nylon. Recomeçamos. O assistente de direção deu o ok e eu abri a geladeira. Virei para a câmera e sorri com a minha melhor cara de pau, enquanto eu pensava:

“Que situação, heim????”

Depois o diretor ainda me pediu para congelar na posição final, ou seja: com a porta da geladeira aberta (e dentro dela ainda tinha um cacho de bananas, de modo que eu não sei qual a palhaçada pior, se o comercial em si ou se colocarem um cacho de bananas dentro da geladeira) e com as mãos apontadas para dentro dela, com o sorriso mais deslavado, que aos poucos foi se desmontando, desmontando, desmontando, porque nenhum sorriso resiste à 30 segundos de congelamento…!!!

Contei para o pessoal do aeroporto, que a partir de agora está de olho em todas as propagandas políticas que aparecem na televisão. Disseram que vão salvar no youtube e mandar para todo o grupo de e-mails de aeroportos.

(Acho que eu preferia o cotonete.)

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“Sozinho não sou vento”

 foto: We heart it

“O ator transborda”

Já fiz muitas coisas loucas na vida, mas trocar a faculdade por uma noite no teatro, foi a primeira vez. Tá bom, eu explico: um amigo que conheço há pouco tempo [com afinidade de quem se conhece há anos] é coordenador do núcleo teatral de um colégio paulistano e tava rolando uma mostra. A peça de abertura seria justamente a dele. O nome da peça?

“Por um novo começo”.

Sobre um grupo de teatro e seus questionamentos do tipo: qual é o nosso papel no mundo? Adianta fazer alguma coisa e o que fazer? Sofremos alguma Ditadura? Qual?

Os alunos são alunos do Ensino Médio, com questionamentos que eu me faço aos 31 anos. Quanto sofrimento e quantas coisas se passam naquelas cabecinhas!!! A montagem foi coisa de profissional. Os jovens  estavam extremamente seguros e à vontade, em cena – o que era ainda mais difícil por conta da complexidade do tema escolhido e da linha de montagem: brechtiana. Teatro Épico: adoro!!! Adoro subverter a ordem das coisas, tirá-las do óbvio. A montagem que o Vicente fez mantinha os atores todos no palco, o tempo inteiro, espalhados pelo belíssimo cenário feito de elementos teatrais e signos. Em alguns momentos houve música tocada ao vivo: duas meninas tocavam flauta transversal e violão, respectivamente. Também fizeram uso de uma filmadora e projeções de vídeo. O teatro do Colégio Santa Cruz é a-pai-xo-nan-te. Do jeito que eu gosto: o palco italiano é baixo e a platéia é que sobe.

O grupo de teatro pouco a pouco criava novas circunstâncias que giravam em torno dos mesmos personagens (Núbio e Núbia), um casal que no fim das contas, seja qual for a circunstância, cai sempre nas mesmas manias e no velho jeito de ir levando a vida segundo as convenções. Tá e daí? Não, este não é o nosso personagem. Será que não?

O final é surpreendente. Um corte seco que nos remete à brevidade da vida. Acabou o tempo. O que vocês tinham pra fazer, já deviam ter feito. A câmera se vira para nós, a platéia e olha lá vocês! Vocês também fazem parte desta peça, sabia? Vocês também são nossos personagens. É, isso é beeeem Brecht. Por isso que eu gosto deste cara!

Não vou comentar aqui o capricho dos figurinos em tons claros, off-white. O trabalho corporal perfeito, de atores amadores de pouco mais de dezesseis anos que não estavam só fazendo uso das palavras para nos dizer suas incertezas, mas também do seu corpo. As cenas e movimentos eram abstratos, forçando-nos a fazer nossa leitura pessoal e intransferível.

O grupo foi muito corajoso em escolher um tema tão complexo e doloroso para sua peça. Sempre existem outras opções e eu já disse várias vezes: “vamos montar uma coisa mais leve, vai?”. Eles pegaram o bicho e encararam de frente. Aceitaram a tarefa arrepiante de mergulhar dentro de si mesmos e encarar um abismo escuro que poderia ou não ter fim. Se entregaram de uma forma tão genuína que se tornou nítido, ali, diante dos nossos olhos de platéia. Já fiz trabalhos parecidos tantas vezes, abstratos e corporais e sei o quanto é difícil esta abordagem. Como se você estivesse nú, diante das pessoas. E eles fizeram – e fizeram maravilhosamente bem. No final da peça ainda tiveram coragem de enfrentar as perguntas da platéia, no bate-papo proposto pelo coordenador da mostra. Receberam questionamentos difíceis e encararam numa boa, responderam com firmeza e com sinceridade.

Eu já tive dezesseis anos.Mas era bem diferente. Eu estava preocupada com as minhas coisas e não com o meu papel no mundo. Eu me fechei no quarto e coloquei o Renato Russo pra cantar e minha adolescência se resumiu à Legião Urbana, isolamento e poesias escritas em papéis diversos e colocadas em gavetas diversas. Eu não entendia nada de nada, não estava nem aí para o que estava acontecendo do lado de fora da minha parede. Os questionamentos de entender o que diabos eu estou fazendo aqui e o que eu posso fazer para tornar pelo menos um pouco deste mundo um lugar que vale a pena, só vieram beeem depois, depois de adulta. Para ser mais específica, foi aos 30 anos, e não fui eu quem procurei. A vida veio bater na porta e disse:

Tá, e aí? É isso?

Sempre saio de uma peça de teatro emudecida e fico assim por minutos a fio, ou horas. Dias, até. Quando eu saí do Teatro Santa Cruz, ontem, eu sabia que de alguma maneira aquele trabalho feito por adolescentes de dezesseis anos iria mudar a minha vida de agora. Demorou para eu reagir. Acordei no dia seguinte, fui trabalhar e quando voltei para casa entrei em desespero por me dar conta de que eu não tenho a menor habilidade para pensar em números e fazer raciocínios e cálculos. As coisas para as quais eu tenho habilidade continuam na gaveta. Nesta hora, finalmente o trabalho dos meninos surtiu efeito em mim. Eu desabei a chorar, debaixo do chuveiro (cena de novela!). Ainda não sei o que vou fazer, já que na idade que eu tenho não posso mais fazer escolhas erradas. Mas sei qual é o meu papel no mundo e estou abrindo meu coração por TUDO aquilo que vale a pena. Por um novo começo.

Façam o mesmo, pelo amor de Deus.

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Sobre pequenos diamantes…

Depois de muito tempo na incubadora, finalmente um sonho antigo está começando a tomar corpo. Um dia escrevi um texto para teatro chamado “14 Km”. Um texto com a temática urbana, de violência, criminalidade e a deficiência do ensino público – e tudo isso atingindo jovens que provavelmente tem a mesma idade da maioria dos leitores fiéis do meu querido blog. Legal, né? Ou útil. Mas foi pra gaveta, ficou lá durante um bom tempo. E um belo dia eu abri as janelas e decidi que eu tenho que fazer alguma coisa e começa por aí. Resolvi montar o texto.

Comecei a correr atrás de parceiros para montar um projeto social com o mesmo nome da peça, onde através do processo de montagem nós multiplicaríamos para alguns jovens de baixa renda nossos conhecimentos em teatro – e dança (porque na peça tem dança de rua). Eles aprenderiam como se monta uma peça, com pouco ou sem dinheiro, tendo que correr atrás de patrocínio, passar o chapéu, etc. Coisa de Brasil, né. Como eu não entendia de dança nem nada, comecei a procurar um coreógrafo.

E conheci o Aldo. O Aldo é simplesmente o Cascão, lá no Parque da Mônica. É, ele veste a roupinha e a cabeça do Cascão e é com isso o que ele trabalha. Com isso e com dança. Dança, dança, dança, dança. Conversamos pessoalmente e descobrimos que os meus sonhos são os dele também. Ele me disse que tem uma turma que se formou com ele no projeto Vocacional de Dança de Rua em um Centro de Educação Unificado aqui de São Paulo (CEU Vila Rubi) e que eles poderiam participar do meu projeto como o elenco.

Eu topei e depois de algum tempo – recesso de festas, carnaval e as minhas férias de Março – finalmente fui conhecer meus futuros alunos por quem eu já me apaixonei! Para começar, cheguei uma hora e quinze minutos atrasada, porque o lugar é muuuuuuito, mas muuuuuito longe e eu não fazia idéia de que antecedência eu teria que ter para chegar no horário. Mas quando cheguei, eles me receberam com um sorrisão no rosto e até se levantaram quando eu entrei na quadra! Um puta respeito que eu nunca encontrei na galera que trabalhou comigo por aí…

Sentamos em círculo, lá na quadra mesmo, e eu me apresentei. Contei sobre o projeto e depois sobre o texto, detalhadamente. Perguntei se alguém ali não poderia participar ou não queria, por algum motivo. Ninguém falou nada. Passamos um papel onde eles colocaram seus nomes, emails e disponibilidade de horário. Quando o papel chegou nas minhas mãos, eu li esta frase aqui na frente de quase todos os nomes:

“Disponibilidade total de horário”.

Então me coloquei à disposição para perguntas e eles queria saber de tudo: detalhes sobre o triângulo amoroso na história, quais seriam as músicas que eu pensava em utilizar (hip hop americano, brasileiro?), onde nós vamos ensaiar, onde vamos apresentar, quanto tempo você vai ficar com a gente, Mel?

O tempo que for necessário, eu respondi.

A propósito, o lugar (o CEU) é incrível. Eles têm uma estrutura como a dos Sescs. Espaço para dança, para ensaio de ginástica olímpica, quadras diversas, piscinas, um belo teatro e tudo muito bem conservado. E ao contrário do que tantos dizem e advertem, me senti muito bem, ali, no meio da periferia. Mas não tomei muito o tempo deles. Quando encerrei a reunião, parecíamos amigos de alguns meses. Eles se despediram me abraçando e com aquele brilho gostoso no olhar… eu estava sem almoçar e já eram 20h (praticamente), mas saí de lá me sentindo leve e feliz – como há tempos não me sentia. Quando a gente encontra este tipo de disposição e abertura, não tem como não se entregar completamente ao projeto. Agora quero me preparar bastante, ler muita coisa, assistir muitas peças e levá-los comigo sempre que possível, para me alimentar muito e para então poder dar o melhor de mim para quem merece e para quem se dá por inteiro. Simples assim.

Acompanhe o blog do projeto.

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Encontros e Desencontros

A Mel trabalhava comigo há uns dois, três anos atrás. Já tinha uma Melissa [Sliominas] no escritório, veio outra [Sabella]. De prima eu achei que fosse uma moça super comportada, que ela tinha cara disso. Mas depois percebi que era p-louca, gostava de rock, tattoos, fala um inglês punk!!! Daí pra mais! Mas os caminhos pra gente foram outros. A Mel foi pros States, conheceu um carinha lá, e agora ela casou e está feliz da vida e tudo mais – e há tempos eu não tenho mais notícias dela.

Esta semana eu escrevi no meu twitter que eu não sei se eu caso ou se compro uma bicicleta. A @SchneiderDani deu RT no meu comentário (ou seja, mandou pra frente) e um de seus amigos me respondeu assim: “você compra uma bicicleta e inova a chegada na igreja”. O nome deste amigo dela que me respondeu é @viniciussabella. Perguntei, então: “você é irmão da Mel?”.

Sim, ele é irmão da Mel… [!]

Quer dizer: se não fosse o re-tweet da @SchneiderDani a uma das minhas frases, eu não teria conhecido o irmão da Mel – o Vinícius, o professor da @SchneiderDani na faculdade Unisal, que por sinal fica aqui do lado de casa.  

O segundo capítulo desta série (“Coincidências Assustadoras“) é que eu ontem saí da faculdade, de onde eu acabara de fazer a prova de Legislação, e depois de jantar no Center 3, peguei o metrô para ir até a casa da @lupirosa, que estava me esperando junto com a @mirellirissima. Importante notar que eu quase troquei o metrô pelo ônibus, mas fiquei com preguiça de esperá-lo no ponto, de modo que resolvi entrar no metrô – e ponto!!! Quando eu estava na linha azul, Estação Paraíso (onde fazemos “baldeação”), havia um banco ao meu lado que estava vazio e por sinal era o único banco vazio no vagão – mesmo que várias pessoas estivessem em pé e eu até achei isso estranho, mas tudo bem. Eu estava com fones de ouvido e de dentro deles saía a “Primavera“, de As Quatro Estações, do Vivaldi (que muito provavelmente vai ser o tema do professor, na peça que estou dirigindo). De-repente vejo alguém falando alguma coisa comigo, e olho. Era o Marcio, da igreja, que eu não via há quase – sei lá - um ano? Ele perguntou se podia se sentar e eu dei risada. Claro, né?

Tirei os fones de ouvido e ficamos conversando. Eu já gostei dele e isso não é segredo pra ninguém – nem pra ele. Há menos de um ano nossa relação e nossas vidas eram coisa de novela. Cheia de ápices e reviravoltas. Pois bem, esta conversa, no metrô, foi o reencontro depois que tudo voltou para os eixos e foi contra a minha vontade, porque por mim eu permaneceria afastada de tudo, de todos, de todo aquele cenário. Quando chegou perto da Estação Santana, o Marcio me perguntou se poderia ir comigo até a Estação Jardim São Paulo, porque o seu carro estava estacionado lá e me perguntou se eu aceitaria a sua carona (assim não precisaríamos interromper nossa conversa). Eu respondi que estava indo justamente pra lá, porque a @lupirosa mora na Dr Zuquim, perto da Estação Jardim São Paulo. Há que se notar que eu NUNCA passo da Estação Santana. Nós fomos e blá blá blá.

E se eu não tivesse escrito aquela frase boba, no twitter? E se a @SchneiderDani nunca tivesse encaminhado minha frase? E se eu de fato tivesse trocado o metrô pelo ônibus, e tivesse embarcado no 107P – Mandaqui? E se eu não tivesse trabalhado na Vasp, não teria conhecido todas as pessoas que marcaram a minha vida pra sempre, entre elas a minha primeira paixão fodástica? E se eu não tivesse sido reprovada no exame da Varig – teria ido pra lá e teria conhecido outras pessoas? E se eu não tivesse resolvido finalmente entrar na escola de teatro, não teria conhecido a @mirellirissima, minha melhor amiga? Não teria uma amiga pra chamar de melhor amiga? Não teria alguém que eu sei que sente a minha falta e que choraria por mim…? Será que tudo foi uma grande coincidência? Será que o meu anjo da guarda queria que tudo tivesse acontecido exatamente como aconteceu? E por quê? Alguém explica? Freud…?

Penso nisso tudo, já no apartamento da @lupirosa, olhando a região de Santana pela janela do sexto andar. Vejo como é grande o mundo, como é vasto o lugar onde a gente mora. Quanta gente, quanta gente, e quantas histórias. Me vem à cabeça a música da Cássia Eller:  ”Não tem explicação… explicação… não, não tem explicação… Não tem explicação, não tem não teeeeeeeem”.

[Eu queria que tivesse, sabe].

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Eu perdi o medo de Leopardos

O meu primeiro contato com o Léo foi inesquecível, como ele sempre é inesquecível todas as vezes que se apresenta para alguém. Era o meu primeiro dia no check-in e meu supervisor gentilmente me indicou, quando ele perguntou se havia alguma funcionária nova trabalhando. Ele não quis saber. Foi até a posição onde eu estava atendendo e me surpreendeu com um GRRRRRRAAAAU. Eu levei um susto. Que cara maluco! Ficava imitando um leopardo e rindo à beça. E ria, e ria e ria. Não sei se ria dele mesmo ou se ria das minhas caras de medo. Atrás dele havia uma fileira de passageiros esperando a boa vontade do rapaz, mas ele não fazia questão de simplificar a minha vida: permaneceu ali, na minha frente, imitando leopardo para me assustar e pentelhando a minha vida para ver se eu sabia trabalhar direito. Não queria despachar nada, queria levar tudo à bordo. O máximo permitido é 05kg, ele queria levar 18kg. Tanto fez que levou, e os eletrônicos, que – aí sim – ele devia levar à bordo, ele despachou.

Toda vez que o Léo vai fazer checkin em qualquer base da TAM, é a mesma coisa: ele pergunta se tem alguma funcionária nova, vai lá e prega alguma peça. O Léo já sentou em uma cadeira de rodas e exigiu ser levado até a sala de embarque, mas fazia questão de avisar aos passageiros que o viam sendo conduzido pelo caminho (imitando leopardo), que ele estava muito bem, obrigada e balançava as perninhas assim… e ria… e ria… e ria…

Ele faz questão de seu nome no cartão fidelidade (vermelho) estar escrito como “Leopardo” e não seu nome verdadeiro. Se bobear, até o bilhete de embarque. Mas depois do meu primeiro contato com ele, fiquei um bom tempo me escondendo toda vez que ele aparecia no desembarque. Porque o Léo voa com a tam várias vezes por semana. Ele pode ter qualquer tipo de problema com a gente, que ele vai sim, encher o nosso saco, mas sempre voa com a tam. É sempre com a gente. Agora o Léo arranjou o número do nosso nextel e [me] solicita alguns agrados extras, como guardar sua bagagem para ele retirar depois. Com o tempo eu fui aprendendo que esta é a maneira que o Léo encontra para nos mostrar o quanto somos presentes na vida dele, ou para se fazer especial na vida de todo e qualquer pobre atendente de primeira viagem (né, Léo?). E é o que acontece. Este mesmo Léo que pentelha nossa vida, sabe nossa rotina, nos conhece e nos chama por nosso nome e se consternou quando um gerente de uma das nossas bases não dispensou seu funcionário que teve um falecimento na família.

Viu? O Rolim é que tinha razão. Um cliente que voa com a gente várias vezes por semana e que voa com a gente, que nos conhece e nos chama pelo nome e que se importa com a nossa vida, merece mesmo um tapete vermelho e ter todas as suas solicitações atendidas.

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Alice!

 

  Depois de ter respeitosamente lido as críticas negativas sobre Alice, fui assisti-lo. Minha ansiedade vinha desde o dia em que abri o site da MTV internacional e vi que dali ao seu dia de lançamento havia um bom chão. Ao meu lado, ontem, no cinema, estava a Mizinha, a grande amiga que combina comigo e ver Alice é a nossa cara. Fomos, pois. Sentamo-nos nos bancos estofados de um Cinemark vazio. Havia 7 pessoas na sala. Duas lá em cimão (para as quais chegamos a cochichar que desculpassem o incômodo e que juraríamos não olhar para cima em momento algum) e três que chegaram mais tarde e com tantos lugares vazios, escolheram a fileira atrás de nós (talvez pra ter o prazer de chutar os bancos).

 Conheço pessoas que conseguem fazer críticas maravilhosas sobre um filme, com um olhar descompromissado que eu jamais conseguiria, porque justamente me envolvo com a história a ponto de não conseguir ficar imparcial. Geralmente gosto de subversões. Não gosto de coisas óbvias, papai-mamãe, previsíveis, manjadas. E acho que quando a gente escolhe assistir um filme do Tim Burton, deve se preparar pra encarar as coisas desta forma. O cara reinventa as coisas e acho que a graça está nisso. Ele te força a repensar tudo. Imagina que delícia que é você desconstruir a história que todos conhecem e reconstruí-la, colocando os mesmos elementos em circunstâncias diferentes e até mais próximas da nossa realidade…!

 

  Não vou comentar sobre os figurinos e a fotografia lindíssima e que a única crítica que tenho a fazer é que achei que faltou um pouco de blush no rosto daquela menina! Gostei muito da cara underground que ele deu para o filme, sem descaracterizar aquela beleza onírica de encher os olhos. Gosto da idéia de uma menina em transição, da adolescência para a idade adulta e que diante de uma escolha importante de sua vida, resgata valores e sonhos de criança – elementos que sempre existiram com ela e que ela se permite conservar. Vi o diretor erguendo as sobrancelhas e nos questionando: você se permite conservar a sua inocência? Seus sonhos? Você tem coragem pra desconstruir as coisas, pra fugir do óbvio, ou você vai dizer sim, casar com o ruivinho sem graça e passar o resto da vida cozendo os “alimentos certos” para lhe conservar o estômago?

  Adoro a ousadia de transformar a Rainha de Copas em Rainha Vermelha, assim como outras ousadias. A brincadeira de crescer e diminuir de tamanho é praticamente uma metáfora! Quantas e quantas vezes nós gostaríamos de ter um vidrinho como aquele ou um pedaço daquele doce? E sumir entre a grama e crescer para olhar nossos inimigos de cima e nos mimetizar por entre as alegorias e signos que circundam nossos próprios inimigos, de modo que eles não consigam enxergar quem realmente somos?

 

  A Alice que toma as rédeas da situação e decide por si própria para mim é mais interessante do que aquela Alice que só enxergava “O País das Maravilhas”. Esta não enxerga só as coisas boas, interessantes, “curioso-curiosíssimo“. Enxerga a escuridão também e não tem medo dela. Tudo bem que achei a atriz meio blazé, já que tantas vezes faltou um pouco de entusiasmo em suas entonações, mas até isto estava dentro do contexto. Esta Alice consegue desvirtuar monstros e guardiões de espadas, que se derretem diante da sua pureza, esta pureza que eu digo que fica conservada, embora ela enfrente monstros e seus próprios medos.

  Alguns momentos de soberba criatividade me fizeram feliz! Como quando ela se senta ao lado da Rainha Vermelha e mata os pequenos Micos de medo… [não vou contar mais para não estragar a graça de quem ainda não assistiu]. Os criados-sapos, que nos remetem à coisas sujas, nojentas, “bulbosas”, ainda que inseridas em um castelo todo colorido. Até que a gente chega no Johnny Depp.  

 Ele merece outro parágrafo! Johnny Depp é uma lenda. Mereceria um post só para ele. Todos nós sabemos o quanto ele ama fazer parte de projetos deste tipo, Johnny Depp é como eu – não gosta de coisas óbvias. E quando um ator está apaixonado pelo que ele faz, você consegue ver isso nos olhos dele. E é isso o que existe de mais delicioso em assistir Johnny Depp em cena. Não apenas ver como ele brinca com seus personagens e como faz isso com tanta facilidade, passeando por suas diversas sutilezas, que fazem com que ele fique bem longe dos estereótipos, mas também a maneira como ele se entrega ao personagem e à história, com uma ** que comove quem assiste. Depp consegue passear pelas nuances da personagem, fazer aquelas caras de desenho animado sem que se transforme em uma mera personagem de desenho animado, quando ele torce seu coração com seus momentos de tristeza e nostalgia. O barato é que ele se transforma em um dos grandes parceiros de Alice, conduzindo-a até o desfecho final e até preparando-a para ele.

 Também gostei bastante da interpretação da Rainha Branca, cheia de delicadeza nos movimentos e na voz. Seus ataques de nojo são demais! Adorei muito a maneira como ela se locomove e o jeito como move os braços e as mãos. Parece que ela não tem peso, parece leve como uma pluma. Me lembrou açúcar refinado se desmanchando. Gosto quando ela deixa Alice escolher o que todos já a atribuem desde o começo do filme.

  Para o rol das minhas cenas favoritas, escolho uma das que mais me fizeram rir: quando Alice se senta à mesa com o Chapeleiro e todos os bichinhos. Enquanto o Chapeleiro conversa com Alice em plano fechado no rosto dos dois, você escuta as vozes, ruídos e brincadeirinhas dos bichos à mesa. E o Gato…ah, aquele Gato!!!!!! Quem é o cara que fez a voz daquele Gato??? Acho que o cara conseguiu, com a voz, caracterizar todos os adjetivos que eu atribuo a um gato. A cara de pau, a preguiça, a ironia, o sarcasmo, a folguice. Ainda que aquele Gato tenha a melhor das intenções (adoro a surpresa do final do filme), ele consegue ser gente boa, sem deixar de ser um gato, naquele estilo “você não vale nada, mas eu gosto de você”…!  

  Você vai percorrendo o caminho de Alice junto com ela e com todas as personagens, como se você também fosse uma. O diretor generosamente te faz se sentir assim porque o filme tem uma perspectiva muito parecida com o modo 3D. A história te faz sentir-se assim. O texto divertido e maravilhoso (“would your name be “Alice” by any chance?) te faz sentir-se assim. No final do filme, ficamos presas na cadeira, esperando terminar os créditos e com os olhos presos na tela. Avril estava cantando. Eu acho sabe o quê? Acho que este é um filme para as mulheres. É como se Tim Burton nos dissesse que a vida é tanto mais do que o que podemos ver, e aquilo que achamos que podemos ser. E se Alice tivesse dito sim para aquele ruivinho horroroso, cedido às pressões e aos seus próprios medos (como ficar solteirona)? E se ela tivesse esperneado, não, não vou matar o negócinho e pronto…? Este é um filme que diz que nós temos sempre outras escolhas e que podemos ir muito além do que nos achamos capazes e que é preciso nos permitir enxergar cores, onde os outros só vêem preto e branco.

  

  De todos os argumentos contra o filme, o único que achei bem fundamentado foi o da Anna, que admitiu sua dificuldade em abstrair-se. Aí é que está, acho que ela encontrou o ponto certo. Tem coisas que a gente só consegue ver, se dar um passo pra trás, se justamente se permitir ser tomado (a). Entregar-se como Johnny Depp. Arriscar-se como Alice. Fazer sua lista de seis coisas impossíveis, mas que seus olhos já viram, que seus ouvidos escutaram, que seu coração sentiu. E finalmente, jogar-se ao desconhecido, porque é ele quem vai nos trazer as descobertas sobre o mundo e sobre a gente. O óbvio a gente já conhece…

  …mas o que têm em comum entre um corvo e uma escrivaninha?

 * * *

PS: as fotos foram tiradas do Portal Marimoon.

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Transbordo.

Já confessei minha estranha mania de trocar os caminhos de volta pra casa todas as vezes. Seja do aeroporto ou da faculdade. Quantas e quantas vezes me vejo passeando pela cidade nos caminhos mais estranhos e incompreensíveis? Ninguém entende. Acho que só o André (que ganhou um e-mail, ontem). Ele sempre entendeu por que motivo eu preferia andar de ônibus do que dirigir um carro. É esta minha capacidade de abstração… de ir além do que meus olhos vêem, a partir justamente daquilo que eles estão vendo.

Então inventei de trocar o metrô pelo Mandaqui. Ou seja, ao invés de eu descer até o metrô Consolação, quando saio da faculdade, eu simplesmente atravesso a rua e espero o Mandaqui passar, ali ao lado do Conjunto Nacional. Ele desce a Rua Augusta, pega a Rua da Consolação, contorna a Praça Ramos, o Teatro Municipal e assim por diante. É assim que eu vejo como São Paulo é linda, à noite. Como são belas aquelas luminárias antigas. E que restaurante é aquele, de toldo vermelho, perto da Praça da República? Vejo as coisas estranhas da Rua Augusta. No meio, a loja de chapéus que um dia eu quero entrar. Um bar todo charmoso. A Igreja da Consolação. A Rua Martins Fontes. Até que o ônibus passa em frente ao Hotel São Paulo Inn, ali na ponta do Viaduto Santa Ifigênia e meu coração bate forte, quase sai de dentro do peito. Meu Deus, como eu sou nostálgica! Vejo ali uma menina enfiando os pés pelas mãos, chegando no hotel para visitar o homem que não estaria lá, no meio de todos os outros colegas de aeroporto que vieram fazer curso em São Paulo. Vejo ela querer chorar e não conseguir. Vejo perder a hora e ter que dormir ali, no meio de duas camas e ter medo quando o telefone do hotel toca e interrompe o silêncio do quarto.

Passamos no Largo do Paissandu e eu fico procurando a Esfiha Chic e o Bar do Estadão. Vejo a Galeria Olido e penso que preciso ir até lá mas ainda não achei tempo. Faço Argh quando vejo o churrasco grego, que provavelmente está ali rodando há duas semanas. Estou escutando “Forever”, a música do Chris Brown: “it´s like I´m waiting my whole life just for this one night“. Olho, penso, mergulho, transbordo.

Eu transbordo!

Já disse e corro o risco de me tornar repetitiva: a história de São Paulo se mistura com a minha. Eu tenho um caso de amor com esta cidade e preciso dela. E é por isso que eu não posso me enfiar em um túnel, quando existem tantas luzes e pessoas para serem observadas por olhares que transbordam de felicidade, atrás das vidraças do 107p – Mandaqui.

Já te agradeci?

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Manual prático e infalível de como ser um completo babaca.

Desde que eu o conheci em Paraty, tinha ficado toda encantada com seu jeito livre, risonho, leve, gostoso, que combinava com o clima fresco daquela cidade, com o chorinho e as lembranças deliciosas que ficaram tatuadas na minha pele desde aquela noite, na Rua Dona Geralda.  Senti que tinha alguma coisa entre nós que não rolou por conta de um desencontro que hoje entendo que talvez tenha sido providencial. Tinha olhares e tinha uma vontade mútua de sair e passear junto. Não deu certo. Trocamos e-mails e nos falamos por mensagens instantâneas. Esta semana ele me chamou para ir para a Praia de Trindade e eu só não aceitei porque teria que trabalhar. Conversa vai, conversa vem, ele me contou que estava baixando um desenho japonês e eu me lembrei de que foi assim que a minha mãe escolheu meu nome. Comecei a contar a história, graciosamente:

“Ela estava assistindo a um mangá japonês e tinha uma garota chamada Melissa…”

Ele me respondeu exatamente assim:

…ela devia ter seios grandes! :-D

Parabéns, meu caro! Você conseguiu arruinar todas as lembranças doces que eu tinha a seu respeito.

*

PS: Ainda que ele estivesse falando sobre o mangá (o que eu não acredito, porque mangás não têm peitos grandes!!!), como sugeriu meu cunhado em um dos comentários, não foi feliz do mesmo jeito.

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Outro anjo

Todos os dias quando volto do Aeroporto, chego no Terminal Urbano de Santana por volta de 13h30. Entre as mesmas figuras que eu vejo diariamente, já que é um horário em que os adolescentes saíram da escola, tem um velhinho, que fica sentado no banco ali perto do ponto do ônibus que eu pego. Ele tem cor de chocolate e cabelos bem branquinhos. Usa sempre uma calça social, camisa colorida, sapatos com alguma meia colorida e se estiver frio, uma blusa de botões.

O engraçado é que os primeiros dias foram de mútuo reconhecimento. Tanto eu reparei que todos os dias ele estava lá sentado – esperando alguém ou alguma coisa – quanto ele reparou que todos os dias lá pras 14h vinha uma “aeromoça” vestida sempre do mesmo jeito.

A primeira vez que ele me deu um “tchauzinho”, eu estava sentada no ônibus e tinha ainda um monte de gente entrando. Como eu me sentei do lado do cobrador, pude ver o velhinho sentado e quando bati meus olhos nele, quase que inevitavelmente, porque ele estava na linha do meu olhar, ele abriu um sorrisão e me fez tchau com as mãos.

Dali pra frente, é sempre a mesma coisa. Eu chego na fila e vejo o velhinho lá sentado. Todos os dias, religiosamente, ele está lá sentado. Sábados e domingos, inclusive. Tenho muita vontade de um dia me sentar ao lado dele pra bater um papo, e descobrir o que é que ele vai fazer lá todos os dias, até aos domingos, onde raios ele vai, encontrar o quê ou quem? Qual será o nome do velhinho? Divertido é que ele sabe que eu estou na fila, mas só me cumprimenta quando a fila está entrando no ônibus e eu passo em frente dele. Aí ele começa a balançar a cabeça como quem diz “sim”, me olha, sorri grande com seus dentes bonitos e perfeitos e abana as mãos. Antes era só isso. Agora ele também diz assim:

Boa tarde e vai com Deus!”.

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[cuidado para não sujar os olhos com a ferrugem].

 

Brilhava um fio de luz muito tênue, que entrava por aquele fino espaço aberto da janela de madeira. Ela estava quieta, apoiando a mão esquerda sobre a pia fria e antiga. Ouvia-se ao longe, o som de um último ônibus que ainda circulava, até que alguém ligou o som em um dos apartamentos, uma música que ela não conhecia, mas que poderia até fazê-la dormir, se ela quisesse.

 Gostava era de girar a torneira e escutar o barulho da rosca enferrujada, um ruído conhecido, porque toda vez que algum dos seus vizinhos abria suas torneiras, o barulho era o mesmo. Ela já estava ficando cansada dos mesmos ruídos, contudo. Os saltos das moças na calçada. O caminhão de lixo. O porteiro batendo a grade do velho elevador. Algum casal brigando ou os manobristas do hotel e as pedras dos seus dominós se arrastando na mesa improvisada sobre um caixote.

 Tinha um tempo que enganou o tédio saindo para caminhar e isso era coisa que gostava. Quando via já estava bem longe de casa, encantada com as ruas vazias e como era lindo o centro e suas belas luminárias antigas. Certa vez parou diante de uma árvore em frente ao Teatro Municipal e que jamais havia reparado. Suas folhas faziam sombras no chão, como um quadro impressionista que se movia, porque o vento vinha e os desenhos das folhas se mexiam.

 Até que tudo começou a soar familiar demais e perder o sentido. E fazia frio.

 Noutros dias achava graça em descer até a farmácia que havia na esquina e inventar alguma coisa pra comprar, alguma dor pra curar. No caminho, entretanto, é que era  mais feliz, quando encontrava alguma cena diferente, um morador de rua, um homem puxando um carreto e seu cachorro, uma garota de programa seminua num frio de 10ºC. Alguma janela aberta, alguma luz acesa… mas chegou a hora em que nada mais havia que ser visto, nem comprado. Não havia nada que se dissolvesse na água com gosto de ferrugem e que – uma: transformasse a água velha em água nova - e duas: transformasse a ela própria.

 Em quem você quer se transformar, perguntou a si mesma, ainda apoiada sobre a pia de mármore. Terminou de girar a torneira e antes que encontrasse uma resposta, deixou que a água caísse sobre seus dedos por longos instantes, como se ela pudesse aliviar-lhe seus calos e seu peso. Talvez eu troque estas torneiras velhas, sentenciou. Amanhã, ou depois de amanhã.

 Suspirou, cansada, e fechou a torneira com força. 

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Sobre guardar os fones de ouvido.

A gente cresce escutando que precisa ser boazinha e depois aprende como viver é difícil para quem não pensa apenas em seu próprio umbigo. Seria bem mais fácil se eu fosse egoísta, só um pouquinho! Se eu não tivesse este coração mole [e besta], ainda que às vezes ele se torne uma pedra quando tenta se defender e não se machucar. Mas não. O fato é que depois que passei a me conhecer melhor, comecei a entender que toda a ação que eu me proponha a fazer, no sentido de expressão, de criar, empreender alguma coisa, sempre vou agregar outras pessoas, vou colocar comigo sempre mais gente, porque acredito nas pessoas e acredito que todo mundo tem uma coisa legal pra oferecer e acima de tudo: se o cara não descobriu que tem, eu posso fazer com que descubra. Meio pretensioso, mas acho que tenho alma de educadora. Sim, gosto de despertar nas pessoas coisas boas, redirecionar o olhar das pessoas para coisas que valham a pena, lapidar diamantes (como eu já disse aqui). É por isso que estou sempre inventando moda. Criando ong´s, atividades culturais, fazendo voluntariado, e sonhando ainda mais com outras idéias. As coisas em grupo são muito mais ricas, aprende-se muito mais. Eu passei boa parte da minha adolescência sozinha (também já disse isso aqui) e aprendi o quanto é bom estar no meio de *pessoas*. Curioso, né? Mas é o ser humano a minha maior inspiração. A partir deste ato de observação é que eu enriqueço, sonho, construo ou escrevo as minhas histórias. É por acreditar tanto nas pessoas e em seu lado positivo, que eu sempre prefiro olhar nos olhos, do que abrir a janela do msn. Se você se senta ao meu lado no ônibus, eu vou guardar os fones de ouvido, ou vou deixar apenas um lado. Não gosto de televisão no quarto porque acho que isola as pessoas em seus mundos e do convívio social e familiar. Gosto de almoçar junto, de me sentar no quarto e conversar com a minha irmã no final do dia, saber das novidades, contar alguma coisa, escutar outra. O fato é que…

…não são todas as pessoas que pensam assim e que têm esta preocupação. As pessoas simplesmente não se importam. Então eu encontrei a minha irmã no ponto do ônibus, e depois de conversarmos meia dúzia de coisas sobre roupas alheias e expressões que ela aprendeu no francês, ela se sentou no ônibus e fechou os olhos, enquanto eu guardei os meus fones de ouvido.

Por que as pessoas fecham os olhos?

Na realidade toda esta introdução lá em cima foi pra chegar até aqui. Agora vocês já sabem que o meu maior sonho (um dos, porque eu sonho à beça) é ter uma escola de artes onde possamos fazer um trabalho de experimentação e uma grande mostra onde todas as linguagens se MISTUREM. Gente de todo o tipo e gosto, JUNTA. Mas não foi pra falar disso que eu comecei a escrever. Foi pra dizer que eu queria muito que eu e a minha irmã fôssemos realmente duas irmãs, amigas, parceiras. Gostaria que nossos assuntos fossem mais do que pedir a roupa uma da outra emprestada. E eu tentei, viu. Outro dia eu disse: “Vamos no cinema. Escolhe um dia que você queira, um filme. O importante é sairmos juntas”. Jacaré lembrou? 

Aí o marido da minha grandiosa amiga, a irmã de verdade-verdadeira, chega de uma longa e distante viagem e uma das primeiras coisas que ele faz é perguntar de mim. Ela escreveu no e-mail: “é assim que funciona com pessoas especiais, Mê”. Por que não é assim que funciona aqui em casa? Então é isso, né, gente. Eu vou continuar baixando a guarda e preferindo o contato, ao isolamento. Sempre. Vou baixar os fones de ouvido, vou chamar pra sentar ao meu lado, vou propor que os trabalhos sejam feitos por todos e não só por uma pessoa. Vou chamar gente que nunca fez teatro na vida pra montar um texto que escrevi, porque acredito no que cada um pode fazer de bom. O mais curioso é se dar conta de que eu acredito mesmo em todas as pessoas, mas estou perdendo a fé no que diz respeito à qualquer tentativa de cumplicidade entre eu e a minha irmã.

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A minha avó foi uma delas.

Texto de @fernandobrandt, em contribuição à ACT – Aliança de Controle do Tabagismo. Só acho que ele deveria tomar cuidado ao declarar publicamente seu voto ao José Serra depois de ter seu pedido de RT atendido (e bem sucedido: 1000 views). Da maneira como ele se expressou no twitter ficou parecendo uma troca de favores por causa do RT. Claro que eu sei do que ele está falando. Meu voto também é do Serra, por causa desta lei. Mas é sempre bom esclarecer as coisas. O texto, Brandt, merece uma moldura!

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Bliss

Fui assistir “Um navio no espaço ou Ana Cristina César”, a peça com o Paulo José e sua filha Ana Kutner. Foi no Sesc Santana, que fica aqui perto de casa (apesar de fora de mão). A @julianaperazz e a @gaioladafe já estavam me esperando e eu paguei um mico tremendo, porque esqueci o dinheiro que devia à elas (R$10,00) no meio do livro, na bolsa da TAM. Pobre é assim.

Quando descemos os degraus do teatro, lá estava ele, brilhante, emocionante, lindo, quase irreal. Cheguei a me perguntar se era verdade mesmo, que eu estava a 100 metros do Paulo José, que eu sempre *amei* como a um pai, um herói, um professor, sei lá. Não dá pra explicar. Vê-lo na televisão – sempre – me fazia a garganta engasgar, me dava uma vontade de chorar, uma emoção sem controle e como atriz eu fazia orações internas para um dia poder ter o prazer pretensioso de dividir uma cena com ele – coisa de gente louca. Louca de admiração, pra começar. Nós já estávamos sentadas na fileira C (a Juliana soube escolher um lugar perfeito, que diagonalmente nos levava até o ponto onde ele ficava, em cena, possibilitando a visão perfeita), e enquanto as pessoas ainda desciam e se acomodavam em seus lugares, ele fazia improvisações já imerso no seu universo cênico. Começou a resmungar como estes diretores teatrais fazem quando se perdem nos seus pensamentos sem se importar que tem gente do lado escutando, não se escuta palavras formadas, mas um bolo de coisas e no meio delas tinha esta: “fermento royal…”. Fermento royal. “Bobagem, né?”. Ele erguia os olhos para a platéia, por baixo dos óculos. Ele estava conversando conosco como Paulo José e ao mesmo tempo como personagem. Aí, se perdeu nos sinais do início do espetáculo. “Foi o segundo ou terceiro sinal, que tocou agora?” Perguntou. A moça do Sesc começou a falar sobre as saídas de emergência quase no mesmo instante e ele ergueu as mãos para o alto: “até que enfim”. Não disse, pensou e disse apenas com as mãos. Coisas de Paulo José. Ele lá precisa proferir palavra alguma, que seja, para ser compreendido? Faz isso com sua figura, sua “correspondência completa”.

Esta coisa de não saber se ali está o Paulo José ou se está uma personagem, permanece, por causa da estrutura que ele usou para colocar as palavras de Ana Cristina César em cena. A escritora. E então começa a valsa: ele de um lado, a filha do outro. Sua interpretação, que às vezes parecia uma encarnação da própria ACC, era observada com lirismo e graça pelo Diretor, que estava ali sentado. Já tinha visto a Bel Kutner, só na televisão. Ana Kutner é uma surpresa maravilhosa. Ela se joga, se atira. Te leva junto. Você fica com medo do abismo que percebe estar entrando. Mistura tudo: a interpretação visceral com o devido respeito ao texto, com as palavras viscerais, com o olhar visceral dos três: o pai, a filha, a escritora. A história.

A montagem é linear, mas ao mesmo tempo, fragmentada – e eu acho isso ótimo! Descontruir é ótimo, sempre. A opção por montar uma peça que falasse de Ana Cristina César e usasse seus próprios textos para entendê-la foi uma forma de desconstruí-la, para reconstruí-la e poder [tentar] entender o desfecho que criou para si mesma.

Ana Cristina César talvez não tenha conseguido lidar com sua própria intensidade, ou com o fato de que nem sempre se consegue as respostas daquilo que se busca…

Me lembrei, no meio da peça, de uma coisa que a mãe (uma diva!) de minha amiga Marcia, disse à ela uma vez. Nós não fomos feitos para viver intensamente 365 dias por ano. Não fomos feitos para a adrenalina 365 dias por ano. Esta busca por… “bliss“… êxtase… esta necessidade frenética em viver com ardência. Nosso corpo e nossa alma não aguentam. E é difícil escrever.

Eu optei por assistir a peça do lado de fora, sem me deixar levar por este “navio”. Não fui tão corajosa quanto a Ana (K, não C), nem tão generosa quanto Paulo José. Sempre tenho medo de ir e não conseguir voltar…

*

nota: na noite seguinte sonhei que eu olhava da areia da praia o alto-mar e lá longe, via um navio virar e naufragar…

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Aquelas Mulheres

 

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão

Ali no porta-retrato estão todas as mulheres da família. São consideradas mulheres fortes e fazem seus homens parecerem submissos. É uma característica que está no sangue e que ela não achou que fosse herdar. Sempre pensou ter saído – e preferia assim – à outra parte da família, tanto mais sensível e doce. E ninguém nega que dentro dela existem estes traços de doçura e de meiguice. O fato é que cada vez que ela cruza a sala e passa em frente àquele porta-retrato, está mais e mais parecida com aquelas mulheres. Ela sabe disso e ainda não decidiu se é um presente bom ou ruim. Não sabe se ainda dá tempo de reverter esta situação, tampouco se assim o deseja. A vida tem sido dura e ela aprendeu a tirar as pedras do caminho com suas próprias mãos. Não costuma esperar a ajuda de ninguém, porque não teve qualquer ajuda até chegar ali. Ela não tem medo de machucar as mãos e de sujar os cabelos, nem reclama do peso das coisas. Ela simplesmente vai e faz o que precisa ser feito.

Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra

Entretanto, tantas e tantas vezes gostaria de ser submissa ou mesmo fútil o suficiente para não entender a subjetividade cruel das coisas todas. Ter mãos delicadas e intocáveis, cabelos perfeitos o tempo inteiro, maneiras de uma dama. Ou mesmo o medo de uma dama. Mas quem disse que seu medo persiste, depois de tê-lo enfrentado, como uma heroína? Suas mãos estão calejadas com as marcas do trabalho, que nunca foi leve. Seus passos são firmes, apressados, direcionados. Não consegue esperar, antes corre atrás do limite das coisas e descobre que dali por diante existem mais e mais caminhos.

Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta…

Ela até gostaria de sentar-se e exercer pura e simplesmente seu papel de mulherzinha. Mas a vida lhe cobra bem mais. Ela arregaça as mangas e trabalha, trabalha, trabalha. E geralmente consegue tudo aquilo que quer e que só depende de seu desejar, o que não é pouca coisa, porque ela deseja muito mais do que o mundo. A exaustão se dá quando aquilo que deseja depende de outra coisa ou outra pessoa. Como algum interesse por qualquer rapaz e todo o embate que vem junto. Sente vir deles a submissão que desejava ter. Tantas foram as iniciativas e tanta gente dizendo o tempo inteiro que uma mulher deve esperar ser conquistada. Para quê esperar se ela já sabe o que quer? Ela tanto sabe que já foi até o ponto. Já mandou cartões, flores, presentes, já escreveu letras de música em pedaços de papel de carta e deixou que os Correios levassem até quem desejava que as lesse. Já deu o primeiro beijo, já se despiu inteira, sem pudores e sem que ele tivesse solicitado. Já ligou no dia seguinte, já encostou na parede. Mas de todas as coisas esta é a única lição que ela tenta desaprender. A de não saber o que quer, de não ser tão decidida. A de portar-se como aquela mulherzinha que passa as tardes lendo uma revista e fazendo as unhas – unhas perfeitas. Não, suas unhas não são perfeitas. Elas se quebram o tempo todo. Seu rosto tem marcas do cansaço e do sorriso permanente. Os seus olhos são grandes e gulosos e o coração sabe ser de pedra e sabe desfazer-se como manteiga. Ela achou que parecer-se com aquelas mulheres do porta-retrato pudesse facilitar as coisas. Mais atitude e menos submissão. A verdade é que a vida é ainda mais complicada pra quem sabe o que quer dela, diante de uma multidão de gente,

Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem

gente sem rumo e sem cor].

(Não há como se escapar daquilo que se herda).

*

- trechos de “Pagu” (em vermelho) – Rita Lee.

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NOT

A @loveology_x sempre falou de “Orgulho e Preconceito”, tanto que acabei comprando o livro, editado pela Abril, quando o vi nas bancas. Avisei-a sobre o ocorrido e ela logo quis saber o que eu estava achando da leitura. Eu, sincera que sou, disse que estava tentando me acostumar com a “escrita elegante” de Jane Austen, mas confessei que gostei bastante do primeiro diálogo do livro. @loveology_x, então, me disse que eu terminaria o livro sendo a mais nova adepta do uso frequente das mesóclises.

Mas peraí, pensei. Que  &*_)$#@  é essa?

Iniciou-se então a saga. What the fuck is mesóclise? Pensei em confessar à ela: Você acha mesmo que, tendo eu me formado em 1996, quando o Ensino Médio Público era ainda mais ordinário do que é, eu vá me lembrar do que é mesóclise? Mesóclise me lembra “risoles”. Ou então alguma doença: ele sofre de mesóclise. Ela contraiu mesóclise. A minha sogra tem mesóclise no estômago. O médico solicitou exames que diagnosticaram uma mesóclise. Ok, eu tô falando bobagens. Não sei o que é isso, mas sei que não é nada disso!

No dia seguinte perguntei ao meu querido e culto amigo @rcabeceiras, o Bis, se ele acaso se lembraria do que é uma mesóclise. Ele fez aquela expressão da bolacha trakinas e disse que não se lembrava. Completou: é uma figura de linguagem, Mel, isso eu sei. Mas não lembro do que se trata. Nem eu, emendei. E com propriedade: sim, é uma figura de linguagem. Existem várias, né. Lembro de metáfora, pleonasmo, hipérbole. Mas mesóclise…

O @rcabeceiras saiu pra fumar e eu tratei de abrir a página do Bing (o único site de busca que não é bloqueado, lá no trabalho) para finalmente pesquisar o significado de mesóclise. Pois bem. Mesóclise, meus amigos, meus fiéis e inteligentes leitores, não tem nada a ver com figuras de linguagem. Trata-se de uma colocação pronominal, como a ênclise e a próclise. Gêmeas – sim, me lembrei da aula de algum professor de Português (talvez estes caras surtados do cursinho), dizendo que Ênclise, Próclise e Mesóclise eram gêmeas e cada uma tinha um jeitinho especial de viver a vida.

Enquanto a próclise diz “não me convidaram para esta festa pobre”, a ênclise prefere dizer “não convidaram-me pra esta festa pobre”. Já a Mesóclise, fresca como é, enche a boca, nem considera o fato de não ser convidada e diz: “convidar-me-ão para esta festa pobre”. Saca?

Putz. ]

O @rcabeceiras voltou do momento-cigarro e assim que entrou na sala, eu o informei: “Bis, a gente é muito burro!!”. Expliquei e ele deu de ombros para as trigêmeas. A partir de hoje, o livro grosso de Gramática do Ensino Médio ser-me-á um guia, uma bíblia. Ir-se-á para o meu quarto, para a estante, para a cabeça. Pensei em confessar minha burrice amnésica à @loveology_x por twitter, mas preferi escrever um texto bem bonito, pra dar uma cara de pseudo-intelectual-despojada, do tipo que acredita [e faz acreditar] que é sexy não saber de tudo…

[Tomara que seja mesmo].

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A época de ouro

No álbum de momentos inesquecíveis,  a época de ouro – 2000 á 2003,  que foi o período em que estudei Teatro – contribuiu e muito para minha memória e também para este blog, já que agora tenho estas histórias legais pra contar! Em teatro cenas e músicas caminham de mãos dadas. A música é um elemento crucial para uma cena teatral, e por vezes se torna elemento principal. Isto porque às vezes ela vem para ilustrar uma cena, outras vezes vem para denunciar o estado de espírito da personagem de determinada cena, entre outros fatores.

Durante a época de ouro, várias vezes precisei escolher músicas para ilustrarem as cenas das quais eu participava. Houve um tempo em que uma de minhas orientadoras (a saudosa Giseli, com os olhos vendados na foto) me cobrou ousadia. Você precisa aparecer, Melissa, eu não estou te vendo. Lembro que ela disse a mesma coisa para a Amanda (a doidinha que trabalha na Trash e hoje em dia nem sabe o que é ser tímida rs). Em seguida, tínhamos outra cena para fazer, tipo lição de casa, mesmo. Eu chamei a Amanda, com o dedinho: vem aqui. Vamos fazer a cena juntas. Ela quer ousadia? Então vamos dar ousadia pra ela! HAHAHA. A risada veio junto, tá. Destas risadas que vêm acompanhadas com o subtexto: “me aguarde“.

O texto era o que chamamos de “texto-subtexto”. Um diálogo rápido, ágil, simples e sem especifidades, que pode ser encaixado em qualquer circunstância. Eu e a Amanda resolvemos fazer uma cena onde dois anjos  atrapalhados e devidamente caracterizados (!) estão no céu (!!!) e recebem uma missão, de cuidar de alguém. Só que nesta de se preparar para “descer” (!!!!!!), estes dois anjos acabam se distraindo porque não resistem à uma música que estão escutando, que é Mambo Number 5.

Então no meio da cena, os anjos simplesmente começam a dançar a música [pensa!!!!], até que chegava alguém [que só elas viam] e acabava com a festa, interrompia o som, esta coisa toda. Eu me lembro do susto [bom] que a Giseli levou durante a cena e da alegria que eu e a Amanda sentimos porque conseguimos superar nossos limites e deixamos todo mundo encantados com nossa ceninha fofa.

Em outra ocasião, com outra orientadora (a saudosa Marcinha, lá em cima na foto, de sapatinho vermelho), eu e a Thaís pegamos outro texto com este jeitão, em que duas amigas se encontravam e parece que rolava um clima entre elas e tal e coisa e coisa e tal. Ambientamos a cena da seguinte forma: uma das amigas  (eu) estava em uma casa noturna assistindo um stripper – que só eu via, ou seja, a platéia sabia que era um stripper por causa da música escolhida e das minhas reações – e no meio da pasmaceira, aparecia esta outra amiga – que era a Thaís, uma atriz estupenda e com quem aprendi muito. Pra resumir a história, elas assistiam um pouco o cara, mas acabavam mudando o foco uma pra outra e terminavam a cena em cima da cadeira dançando juntas [isto foi depois de eu ter sido chamada de tímida, tá...?].

Em cena, Super – Thaís, perto da janela e eu – vejam minha cara de tarada!!!

Eu me lembro de que precisei fixar um ponto na minha frente e criar a famosa “quarta parede” (você olha através da platéia, sem olhar diretamente para ela). Para que as reações ao ver o stripper fossem verdadeiras e convincentes, precisei literalmente e realmente VER um cara ali na minha frente se despindo e imaginar detalhadamente cada parte da roupa que ele tirava, enquanto You can leave the hat on, do Joe Cocker, rolava no som. O mais engraçado é que durante a cena, mesmo sem olhar para a platéia, eu via a cara de sacanagem que a minha querida professora Marcinha fazia (porque ela adoraaaaaaaaava uma sacanagenzinha nas cenas), com os olhinhos abertíssimos e totalmente atentos à cena e aquele sorriso – sacana que lhe é característico.

Sempre digo para meus alunos e orientandos, nas peças que dirijo, que o grande barato do teatro é curtirmos aquilo que estamos fazendo. É o momento em que saímos do exercício e entramos na brincadeira. Posso dizer que a Thaís e eu, assim como os outros exemplos citados aqui, nos divertimos muitíssimo na cena que me fez “passar de ano” [tirei 10!!!].

Será que alguém ali se perguntou quem era o cara que [só] eu via tirando a roupa pra mim?

HEHEHE. Segredo de estado, mas façam suas apostas. Quem acertar ganha um prêmio.

Já falei de Mambo Number 5. Já falei de You can leave… falta falar da Paula Cole.  Acontece que no final do primeiro semestre na escola de teatro, precisamos criar uma cena e apresentá-la (em dupla). Seríamos submetidos à uma espécie de banca e deste resultado dependeríamos para passarmos para o primeiro estágio profissionalizante do curso. O texto também era um texto-pretexto, do genial Alex Capelossa (com o qual nunca tivemos aula). E coincidentemente, no dia D, era exatamente ele que estava na sala onde apresentei minha cena com a @mirellirissima.

A @mirellirissima, que depois acabou virando uma grandiosa amiga, me escolheu pra fazer a cena com ela (rs). De algum lugar de nossas mentes brotou uma cena digna de uma apresentação da broadway e estas palavras não foram nossas, ok? Foi da nossa querida Giseli, que tirava o maior sarro da nossa cara quando apresentávamos a cena em nossos ensaios.

Duas melindrosas acordam deitadas num lugar muito estranho. Elas se levantam e quando olham uma para a outra (totalmente caracterizadas), levam o maior susto: estão com algodão no nariz, faixa de condolências e saudades no peito e pele pálida. Dão um berro. Aos poucos vão se tocando que estão no purgatório. Páram e lembram-se do que aconteceu… estavam dançando, de-repente alguém entrou na casa e houve um tiroteio e blá-bláu. Elas foram daquela para uma melhor. Em teatro, lembranças são significadas quando o ator fixa o olhar em um ponto e usa algum artifício para caracterizar aquilo que está recordando. No nosso caso foi o famoso tiroteio de Pulp Fiction (recortamos aquele pedaço da música). Mais à frente, as duas donzelas notam que existem duas setas. A da direita, de cor azul, leva ao céu. A da esquerda, de cor vermelha, leva ao infeeeeeeeeeeeerno… então elas ficam naquele impasse: e agora? Qual a gente escolhe? Até que têm uma grande idéia.

Quando elas têm esta grande idéia, começa a tocar Paula Cole – feelin love.

Abrem a bolsinha, passam batom, recolhem as estolas do chão (penas pretas pra tudo que era lado) e seduzem o porteiro do céu.

_ A senha por favor, cavalheiro…

Subentendia-se que o cavalheiro (um anjo alado e forte, lindíssimo – hehehe) fornecia-lhes a senha, porque elas escreviam-na no papel e com  a maior cara de pau, mostravam-no para que o acesso fosse liberado. E o acesso era liberado, hahahahaha!!!

Depois da prova, o Marco, embaixo dele, a Thaís, Cláudia, Mirelli de azul, Paloma e eu, embaixo, de vermelho.

Durante os ensaios, mostramos a cena para vários professores, não sem antes irmos até a 25 de Março comprarmos toda a parafernália necessária. Roupas e acessórios de melindrosas. Mandamos fazer mensagens em lugares que fazem mensagens de velório!!! E claro que ao mostrarmos o material que já tinhamos construído para nossos professores, por mais que tirassem sarro da nossa cara, ficavam maravilhados com nossa criatividade, o empenho e a seriedade com que tratávamos a coisa e principalmente toda a ludicidade que criamos para a cena. O resultado final foi o que sempre deve acontecer em teatro: todo mundo se divertiu.

Não tem jeito. Todas as vezes em que escuto uma destas três músicas, sou transportada para a época de ouro onde eu aprendia coisas lindas a cada dia, sobre eu mesma e sobre o mundo e não me restam dúvidas do que “quero e devo fazer” e de que sou uma pessoa feliz e cheia de histórias maravilhosas pra contar!!!

*

Post dedicado à: Amanda Zucchi (sabe o que é superação), Mirelli Rosa (sonha junto comigo), Marcinha Azevedo (fada disfarçada de gente), Giseli Ramos (Mãezona, tenta ser durona, mas não consegue), Alex Capelossa (Gênio da Lâmpada), Marco (estava sempre por perto) e Thaís Stein (atriz forte e corajosa: eterna admiração).

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Sobre aquilo que todo mundo deseja

Foi assim que aconteceu: por algum motivo meu avô achou que devia vir pro Brasil. Ele, que tinha 29 anos, foi para Bremmem, de onde embarcou e chegou aqui em alguns meses. Veio parar na Mooca, deve ter pego aquele trem que saía de Santos e chegava aqui. Aqui, na Hospedaria dos Imigrantes – que hoje é o Museu do Imigrante – meu avô se instalou e tratou de fazer seu pé de meia, tendo se mudado mais tarde para o bairro do Brás, isso tudo sem falar uma palavra da Língua Portuguesa e tendo deixado a sua família inteira lá do outro lado do mundo, na Lituânia – ali encostadinho com a Rússia.

Muitos anos antes, uma família de mãe polonesa e filhos iugoslavos também achou que devia vir pra cá, provavelmente fugindo dos conflitos Sérvios. A mãe embarcou com seus três filhos e desceu lá em Santos. Uma das filhas se chamava Marija e o cara da imigração achou por bem abrasileirar o nome e é por isso que ela passou a ser chamada de Maria e pronto. Rosalija, a mãe, aliás, virou Dona Rosa. Esta família foi parar no Brás, aqui em São Paulo, onde se instalaram e tocaram sua vida.

Depois de muito tempo, lá no Brás, onde se concentraram as famílias de origem báltica que vieram para o Brasil, a Srta Maria conheceu o Sr Liferas. O Sr Liferas era aquele lituano solteiro de que falei lá em cima e quando ele veio para o Brasil, a Sra Maria já tinha idadezinha suficiente para se casar. Eles, pois, casaram-se e mudaram-se para o bairro da Zona Norte chamado de Chora Menino. Tiveram três filhos. Um, infelizmente, veio a sofrer um acidente e morreu quando tinha 05 anos. Depois dele, também o Paulo e o Sérgio. O primeiro, meu padrinho. O segundo, meu pai.

Minhas duas irmãs não se lembram muito bem da minha avó. Estranho que esta é uma parte da minha vida que praticamente não existe mais: a casa onde eles moravam foi vendida. Minha bisavó – de quem eu morria de medo, vai saber por quê - já faleceu. Minha avó também. Meu avô não cheguei a conhecer, mas dizem que eu tenho o temperamento dele. 

Nunca saiu da minha cabeça o fato de que meu avô saiu da Lituânia sozinho e que portanto deixou por lá todos os seus familiares. No entanto todas as minhas tentativas foram em vão, até que eu completei 29 anos e fuçando na internet, encontrei um diretório parecido com uma lista telefônica. Cliquei sobre a bandeirinha da Inglaterra e pronto: toda a página estava em inglês. Fui ali no quadrinho de ”search” e digitei: S L I O M I N A S. Então o diretório me levou até o Sr Semionas Sliominas e seu respectivo endereço no distrito de Rokiskis.

Semionas Sliominas é primo de primeiro grau do meu pai.

Escrevi-lhe uma carta em inglês e fui até os Correios. Três meses depois (eu já havia me esquecido da carta), recebi uma carta também em inglês, assinada por Liuba e Feodora Sliominas. Nesta carta continha fotos da família, e-mails, telefones, etc. Desde então passo a me corresponder esporadicamente com a minha família na lituania, um país pra lá de fofo, pequeno, provinciano e ao mesmo tempo promissor, charmoso ao extremo e cuja capital Vilnius é chamada de Capital Européia da Cultura.

Tudo isso foi pra dizer que no final do mês passado fui à Festa dos Imigrantes, no Memorial do Imigrante, acompanhada da @lupirosa e da @mirellirissima [brasileira]  com o Sr. @mirellirissima [iraniano], onde me esbaldei com a culinária polonesa e lituana e até agora sinto na boca o gosto do “pierogi” [lê-se: pirogue] que a minha avó fazia aos domingos. 

Por algum motivo o nosso Criador desejou que aquela menina iugoslava de 12 anos conhecesse seu esposo lituano em terras brasileiras e hospitaleiras, onde o calor do sol brilha no céu, onde o calor humano brilha no sorriso e nos olhos das pessoas e finalmente, onde poderiam formar uma família na mais perfeita PAZ. E desta descendência nasceria uma neta inquieta, que mexeria em suas memórias e sem querer traria de volta toda a sua cultura e seus passos até chegarem aqui. Se eles tinham isto em mente ao ganharem os oceanos, eu não sei. Provavelmente olhavam o céu cheios de curiosidade e de sonhos, driblando a saudade de casa e o medo do desconhecido. O que os fez deixar seus berços e ganhar aquela imensidão azul, é uma dúvida que terei para sempre. Mas toda aquela gente de tantas descendências que assistiam *juntas* as apresentações de suas diferentes culturas e povos na Festa do Imigrante, não deixaram dúvida de que o mais provável é que nossos antepassados tenham chegado por aqui em busca da mesma coisa e que só o Brasil tem se mostrado capaz de oferecer, de braços abertos. 

PEACE. TAIKA. PACI. PACE. PASCH. SALAM. SHANTI. PAZ.

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Vista cansada

Havia um certo preconceito – burro e injusto – à escolha de não ler Saramago, um ateu convicto – eu, que era Católica convicta. Ainda sou Católica, mas não convicta. Minha fé me dá o direito de discordar de certas práticas da religião que escolhi. Olho para Deus e sinto-me confortável em crer e amar, sem desligar o botão vermelho do bom senso e da verdade. Certo que não foi para falar do que eu acredito e de como acredito que resolvi escrever este texto. Foi para dizer que o primeiro livro de Saramago que comprei foi para dar de presente (logo pra quem? Pra minha mãe!!!). Era o Evangelho Segundo Jesus Cristo – segundo Saramago. Eu não li e tampouco a minha mãe. Não li porque sei como o olhar de um ateu pode desmistificar um texto que pra mim é Sagrado e quero que continue sendo. Escolho, portanto, não lê-lo.

Até que o Fernando Meirelles resolveu filmar Ensaio sobre a Cegueira e antes de ver o filme, escolhi ler a obra literária na qual ele se baseou. Do jeito que sempre faço. Foi assim com O Nome da Rosa, com O Menino do Pijama Listrado, com O Primo Basílio, com Orgulho e Preconceito e com muitos outros. Primeiro leio a obra, depois assisto ao filme. Muito embora eu não tenha tido coragem e estômago para continuar assistindo o filme do Meirelles até o fim: o livro foi de bom tamanho, suficiente e melhor, como sempre e geralmente é.

Então eu comprei o  livro do Saramago – o segundo livro – e comecei a ler e não parei mais. Já faz bastante tempo que o li, mas lembro-me de que achei a escrita quase sem adjetivos: ele não desperta a sua emoção em nenhum momento. Antes, desperta sua ojeriza diante da secura de sua literatura, do seu jeito sarcástico, ácidamente sarcástico, de olhar as coisas e ver sem sombra de disfarces o que o homem realmente é, o que ele escolhe ser, o que ele se torna.

A ironia é um traço marcante de Ensaio sobre a Cegueira. Este elemento está presente em todas as páginas. Parece-te que o próprio está falando com você, baixinho, tete-a-tete, sentado em uma cadeira muitíssimo próxima da sua, e cochichando no teu ouvido as barbaridades de que ele presenciou com seus olhos de quem vê e de quem vê sozinho, porque nós preferimos encher de floreios, de cores e fofices aquilo de podre que a gente vê, o que nos faz pensar ou melhor, o que ME faz pensar que talvez este Saramago seja bem forte, porque não é fácil olhar e ver sem disfarçar a decepção pra se continuar vivendo.

Lembro-me da cena mais linda do livro, aquela que inclusive postei aqui porque achei que ela merecia uma moldura. Aprendi a falar assim com outro ateu, o André, pois é. Minha vida está circundada de ateus e eu os amo tanto tanto tanto, o André, a Marcia, e tantos outros que estão por perto – passaram, passam e passarão [passarinho] e lapidaram meu respeito pela maneira de todas as pessoas de ver e de viver a vida. Como a Olívia amava o Eugênio, conforme nos contou Érico Veríssimo, e falava das estrelas, com ele, sempre, mas não ousava falar de Deus, até que o próprio Deus quisesse ser apresentado à este.

Veio, portanto, Saramago, sentou-se aqui em frente aos meus olhos e fez com que eu o amasse de tanto respeito e admiração, que cresceu depois que li esta cena belíssima, esta, que foi emoldurada dentro do meu coração:

Não bebas mais isto, vamos todos beber água pura, ponho nossos melhores copos sobre a mesa e vamos beber água pura. Agarrou desta vez na candeia e foi à cozinha, voltou com o garrafão, a luz entrava por ele, fazia cintilar a jóia que tinha dentro. Colocou-o sobre a mesa, foi buscar os copos, os melhores que tinham, de cristal finíssimo, depois, lentamente, como se estivesse a oficiar um rito, encheu-os. No fim, disse. Bebamos. As mãos cegas procuraram e encontraram os copos, levantaram-nos tremendo. Bebamos, disse a mulher do médico. No centro da mesa, a candeia era como um sol rodeado de astros brilhantes. Quando os copos foram pousados, a rapariga dos óculos escuros e o velho da venda preta estavam a chorar.”

De modo que eu acho que o fato de alguém não crer na existência de Deus faz com que este talvez sofra ainda mais do que tanto quanto nós, que cremos. Quando nós cremos, temos onde nos apoiar diante da podridão que vemos à olhos nús. Quem não crê, não tem no que se apoiar, senão nas próprias convicções – e nada disso é fácil, porque muitas vezes por mais fortes que sejam, nossas convicções também enfraquecem. As convicções céticas e as não céticas.

Mas agora Saramago está descansando! Descansa os olhos de quem corajosamente preferiu enxergar o que tivesse que ser visto, e talvez enxergar sozinho, como a personagem de seu livro, ao passo que a imensa maioria das pessoas preferem continuar mergulhadas na mais terrível das cegueiras.

Se eu estou de olhos abertos, não sei responder. Acredito que em matéria de professor, tenha eu aprendido mais com Veríssimo e suas estrelas. Quando Eugênio reclamava da vida, Olívia simplesmente abria a janela e pedia-lhe que olhasse as estrelas do céu. Fica mais fácil viver quando não se tenta  e nem se sente vontade de explicar tudo. Talvez eu não seja tão forte quanto o Bravo Saramago.

“What the world needs now is love, sweet love

no, not just for some, but for everyone…”

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A barganha

Diz-se que em uma negociação com um inimigo, as partes devem conhecer e considerar o interesse uma das outras e jogar de acordo com estes interesses, tratando-os como pontos fracos, a carta na manga, aquilo que a outra parte não poderá recusar e resistir. Você pode usar de agressividade ou de uma pacateza proposital, enganosa, como o Brasil quando fica passando a bola para cansar seus adversários. Eu escolhi a postura da pacatice fingida para acalmar o meu. O seu ponto fraco? Cocadas. O meu ponto fraco? Precisava que o inimigo me permitisse o acesso ao lar. Explicando:

Fui tentar resolver a vida, porque existem várias pendências. Só que no meio do caminho resolvi que o caminho seria mais longo e tudo bem, não fosse o fato de que eu estava sem bolsa. Apenas carregando a carteira vermelha e o molho de chaves. A última imagem que eu tenho delas, é a entrada do banco, onde tive que descartá-las naquela portinha e depois recolhê-las. Dali pra frente não me lembro mais onde foram parar. Quer dizer, eu as deixei em algum lugar, mas não faço idéia de onde seja. Só me lembrei delas quando estava esperando o ônibus para subir a minha rua [preguiça], já de posse de duas sacolas do supermercado repletas de porcarias.

- as cocadas do meu pai;

- achocolatado;

- bananinha;

- pão fresco;

- aquelas rodelas de pão de açúcar.

Eu simplesmente não tinha forças pra voltar todo o caminho em busca das chaves. O ônibus passou, eu subi e três pontos depois, desci. Muito tremulamente e medrosamente, ao chegar em frente ao portão e lembrar-me dos episódios em que chego do trabalho sem chave e das reações nada amistosas do meu pai em face disto, chamei um “mããããe” bem baixinho. Eu sabia que ela não responderia, porque ela estava dormindo a soneca da tarde. Dois minutos depois, chamei de novo. Mãããe. Nada. Sentei-me no degrau de cimento em frente ao  nosso portão e lá fiquei. Esperando o quê? Não sabia. Esperando alguém aparecer. Esperando o Brasil ganhar a copa, esperando o Elano ficar bom do joelho e o Kaká voltar a jogar. Esperando chegar o boleto da mensalidade de Julho da faculdade, esperando o Bruno se tocar que eu estou apaixonada por ele, esperando o inverno acabar. Eu não poderia esgoelar: paaaaaaaaaaai, como faço quando chego do trabalho, nem balançar a corrente do portão, não, nada disso. Já sabia a bronca que estava por vir. Sentei e esperei. Abri o saco do supermercado, peguei minha rodela e comecei a comê-la ali mesmo.

Veio o ônibus, veio o moleque berrando, esperneando, a vó mandando-o calar a boca, passou a van que pega as crianças na escola e eu estava atenta a tudo isto, comendo meu pão doce, de costas para o portão. Quando eu me viro, meu pai está em pé, de braços cruzados, olhando-me fixamente e em silêncio, lá de dentro de casa. Devia estar ali há tempos e eu nem tinha notado. Atenção para o diálogo.

Pai: Está esperando o quê pra entrar?

Eu: hihihi! Eu perdi a minha chave!

Pai: Perdeu onde?

Eu: hihihi! No banco!

Pai: Vai buscar!

Eu: Não! Eu não tenho forças pra andar!!! Está muito quente!!! Abre o portão, por favor! Eu comprei a cocada que você queria!!! Hihihi.

O pai entrou imediatamente, pegou as chaves e veio [resmungando] abrir o portão. Fui até a cozinha, seguida por ele. Chegando lá, eu páro, ele pára ao meu lado e estende a mão. Abro a sacola do supermercado, tiro o pacote de cocadas e entrego-lhe ao dono.

Eu: Tó.

Pai: Brigado.

Eu: [cara de pau] brigada você! :-D

Foi assim, portanto, que aos Vinte e Um de Junho do ano de Dois Mil e Dez, foi selada a Paz na Avenida Adolfo Coelho e ambas as partes atingiram seus objetivos. Deviam aprender com a gente, como é que faz.

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Lições que aprendi com o Pipoca.

Durante a infância o meu melhor amigo foi o Pipoca, por um bom tempo. O Pipoca era um coelho que morreu na chuva. Um dia ele caiu da escada e eu só sosseguei quando a minha mãe passou merthiolate e pomada no enchimento do pano dele (era uma fratura exposta). Mas as razões pelas quais eu amava o Pipoca, eram as mais simples. Ele me escutava e se não quisesse escutar ele simplesmente fazia aquela cara de sono que eu já entendia. Mostrava-se interessado pelos meus assuntos, assim como eu me interessava pelos dele. Se ele não aprovava alguma das minhas atitudes, ele simplesmente dizia. Aliás, entre nós dois era eu quem tinha a boca aberta demais, sempre cuidava horrores para não falar mais do que devia e magoar alguém com a minha franqueza. O Pipoca sabia ser franco. Era um coelho de estimação que não mandava recados pelos outros, ele mesmo dizia pra mim as coisas que ele achava que tinha que dizer. E o Pipoca era um cara feliz! Ele irradiava isso. Estava sempre muito bem resolvido, não sentia inveja das pessoas, nem despeito, nem ciúmes, nem nada, porque ele era de fato um coelho muito bem resolvido com a vida dele. Ele sabia quando era a hora de fazer silêncio, mas sabia que amigo serve pra dizer coisas construtivas e positivas quando estamos tristes, e que esperamos por ouví-las. E ele dizia. Nem que fosse uma bobagem qualquer pra me fazer rir, mas ele sempre dizia. Não pecava por ficar calado, nem por dizer o que não poderia me acrescentar nada. O Pipoca sabia de todos os meus podrezinhos, das minhas paixonites, tudo. E quando ele morreu na chuva, todos os meus segredos se diluíram na água da chuva que se quebrava na lajota fria do quintal de casa, assim como pano e o enchimento do Pipoca. Era um amigo LEAL, era confiável. Eu dizia que gostava de alguém, ele simplesmente guardava pra ele e não saía espalhando por aí, como fazem determinados amigos (e além de fazê-lo ainda se fazem de bons moços). O Pipoca era confiável, porque era um cara positivo, era um cara do bem. Aí eu cresci e aprendi que amigos como o Pipoca são raros e são poucos. Também aprendi que cada a que sai do nosso coração como confissão, para algum amigo, deve ser mais do que conquistado. Deve ser merecido. E aprendi que existem pessoas como  o Pipoca, meu coelho de estimação, em quem posso confiar em valores como integridade, lealdade, sinceridade, afeto, cumplicidade. Mas existem pessoas que simplesmente não são do bem e ponto final!

A parte boa da história é que o meu anjo da guarda é um cara muito FODA!!! Ele não permite que toquem em um fio dos meus cabelos, se não for para o meu bem. E cedo ou tarde ele sempre acaba me mostrando as verdades que eu preciso saber sobre as pessoas, aquelas que estão ocultas aos meus olhos. É. Vai ver que o meu anjo da guarda é o Pipoca.  

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Doce brabeza

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Existem lições que a gente aprende com muita facilidade. Outras, no entanto, são mais difíceis de serem absorvidas. Desafios, diga-se de passagem. Eu tenho muito o que aprender, mas sei o que o meu maior desafio é levar a vida com mais leveza e serenidade. Será que isso é possível para uma pisciana, com ascendente em leão e lua em escorpião? No diário de gestação da minha mãe (que foi escrito até os meus três anos), ela citava bastante o quanto eu era uma criança séria. Ela contava que eu às vezes agia como uma adulta. No Natal de 93 recebi um cartãozinho da minha mãe que dizia assim: “para nossa bravinha que tem o rostinho mais lindo que já se viu” [foto]. Fui crescendo e infelizmente não consegui tirar de mim estes traços de personalidade. Já perdi uma amiga porque ela estava fazendo propaganda das realizações dos filhos dela enquanto o foco do momento era outro. Fiquei irritada e nem liguei. Não dei confete. Não disse um único A. Fiquei fazendo o meu trabalho, quieta como um gato. Ela se irritou justamente por causa do meu silêncio e me disse coisas impublicáveis. Nunca mais olhou na minha cara, embora eu lhe tenha dito que a amava. É assim que acontece: a minha seriedade incomoda as pessoas. É certo que quem me conhece sabe que o meu estado normal – mode ON – é o de uma pessoa querida, meiga, brincalhona, amistosa, boba, atrapalhada e sensível (não frágil). Só que eu tenho meus defeitos… e eles são gigantes!!! :-D

E também preciso confessar que além da seriedade, também é extremamente fácil me tirar do sério! Estas são  características marcantes desta mulherzinha que vos escreve. Excessivamente centrada, bravinha e mandona. Será ela a Mônica? Ou a docinho, das superpoderosas? Não!!! E eu juro que não sou chata!!! E não sei direito o motivo de eu ser assim. Talvez seja pelo fato de que eu sou uma pessoa extremamente comprometida com tudo aquilo que me proponho a fazer. Nunca dou menos do que 100% de mim em tudo. No trabalho eu quase que literalmente dou o meu sangue. Gosto das coisas bem feitas, gosto de fazer as coisas da maneira correta, gosto de integridade e de respeito. Você nunca vai me ver fazendo alguma coisa errada, não por ser caxias, mas porque é avesso à minha natureza, à criação que eu recebi dos meus pais. Se eu tenho que ir pro desembarque, às 06h05min eu estou lá. Se demoro um pouco mais pra ir, fico preocupada, pensando se tem algum cliente que tenha desembarcado e esteja precisando de ajuda, seja porque teve problemas com a bagagem ou qualquer outra ajuda de quem chega e precisa de informações. Se tem um colega no desembarque, me preocupo com o horário em que ele deseja tomar café. Muitas vezes ligo para perguntar se ele quer ir agora ou pra dizer que quando estiver pronto é só me chamar para cobrir seu lugar. Tento sempre olhar em volta e tentar perceber quem é que está precisando de ajuda e faço o que tiver que ser feito, muitas vezes sem nem perguntar. Não meço esforços para ajudar quem quer que seja. O fato é: é muito complicado quando você dá tudo de si, porque acaba esperando a mesma postura das outras pessoas. Quando eu trabalhava na Vasp, um amigo gaúcho me chamou de “baratinha”, pela velocidade com que eu me deslocava entre as esteiras do desembarque, resolvendo vários problemas ao mesmo tempo. Meu ritmo é neurótico: sou ágil, sou rápida com as coisas, percebo as coisas rapidamente. Se estou fazendo uma coisa aqui, geralmente estou de olho em outra coisa ali. Fui acostumada assim muito por causa da aviação, porque nela você precisa ficar ligada em várias coisas ao mesmo tempo e muias vezes vai estar sozinha!!! Digo tudo isso sem falsa modéstia. Sou trabalhadeira mesmo: levanto bagagens, ajudo as pessoas, pulo esteira, arregaço as mangas e é muito difícil me ver reclamando de trabalho. Também me considero uma pessoa confiável – e sinto a confiança de algumas pessoas em mim. O problema é que eu acabo esperando que os outros tenham o mesmo ritmo que eu, quando nem todos têm. Tem o cara que é naturalmente ZEN e você nunca vai vê-lo acelerar o passo. Não por preguiça, mas porque ele É assim. Tem o que tem, sim, má vontade. E geralmente estas coisas me deixam muito, mas MUITO brava! Má vontade me deixa brava; preguiça me deixa brava; desleixo me deixa possessa; falta de respeito, falta de coleguismo; quando toca o telefone e as pessoas saem de perto para não atendê-lo… coisas simples, mal feitas, me deixam p da vida! Gente lerda me deixa p da vida. Gente burra me deixa p da vida. Gente fútil me deixa p da vida, embora eu também sinta um pouco de inveja porque eu queria ser assim “despreocupada” com as coisas.

De modo que o maior problema, no fim das contas, acaba sendo a MINHA intolerância!!! Eu preciso encontrar uma maneira de canalizar os meus acessos de braveza, porque no final é contra mim que tudo isso se volta. Não adianta: chefe nunca vai ver o quanto a gente se esforça. Não vai ver o quanto a gente tem iniciativa, proatividade, quantas panes a gente mata. Eu não faço propaganda do meu esforço. Não consigo ser dedo-duro e dizer as coisas erradas que eu vejo. Não rola, não vai rolar. A falsidade é tanta que chega a DOER!!! As pessoas acham que eu sou boba, que eu não sei quando elas me dão flores, querendo me dar espinhos. Eu sei. Eu sinto. Eu escuto. No começo eu me importava, agora não tô mais nem aí. Quem me conhece de verdade sabe que é muito melhor me ter como companheira do que como “inimiga” – se é que eu sou capaz de ser inimiga de alguém. Com “amigos” é a mesma coisa. Tem gente que se faz de super-amigo, mas é pela boca de outras pessoas que você fica sabendo de coisas que dizem respeito à você e que saíram da boca dele. Amigo de conveniência, que é daqueles que são amigos por interesse, porque é bom, mas que mente, faz pouco caso de determinados assuntos, joga uma vibe negativa… e como mentira sempre tem perna curta, a coisa sempre chega até seus ouvidos. Normal, né? É com o tempo que a gente aprende quem são os verdadeiros amigos. É nas situações mais complicadas. É nas atitudes e não no falatório. Só sei que a cada dia que passa fico mais estarrecida com tantas coisas erradas, horríveis, nojentas. E eu não posso fazer nada, absolutamente nada, a não ser ficar MUITO brava e ter que pensar em colocar em prática meu ofício de atriz e passar a ser falsa, para poder disfarçar a minha cara de braveza – que dura várias horas.

O problema, minha gente, é que eu não consigo fazer isso. Sou totalmente transparente. Teatro, só no palco.

*

“Não é por causa de algumas gotas sujas que vamos acreditar que todo o oceano esteja sujo. Às vezes é necessário sacudir a árvore da amizade para que caiam as frutas podres”.

[Marco G. de Souza]

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Cuidado com o que você deseja.

Todo mundo vive dizendo que sente orgulho de ser brasileiro. Eu vou – agora – na contramão: às vezes eu sinto vergonha de ser brasileira. Não, não estou falando isso porque o Brasil perdeu o jogo contra a Holanda e voltou pra casa. Estou falando isso porque nós somos um povo ingrato e interesseiro demais! A gente só tá satisfeito se e quando ganha alguma coisa. Quando não tem vantagem pra gente, não tem graça. A seleção brasileira foi escolhida e todo mundo começou a meter o pau no Dunga, porque ele não escolheu quem o povo queria que ele escolhesse. Então comecei a ver um monte de gente dizendo que a gente ia perder a copa, sem os jogadores nem terem cruzado o globo, ainda. Eles nem tinham saído do Brasil, já tinha gente aqui na minha rua mesmo (um santista) dizendo exatamente isso: “eu quero que o Brasil se foda“. Os jogos começaram e enquanto a gente não viu o Brasil que a gente conhece rolando a bola, a seleção era fraca, o time era isso, era aquilo, não ia ganhar a copa deste jeito, porque o Dunga é isso, o Dunga é aquilo. É só qualquer jogador fazer o primeiro gol que pronto! Eu sou brasileiro com MUITO orgulho! Hexa campeão!!! Que venha a Holanda!!!

O jogo nem tinha terminado e o twitter estava cheio de piadas contra a Holanda e de gente super feliz dizendo nossa, como a gente tá jogando beeeeem. Nem pareciam os mesmos que depois faziam piadas sem graça – agora contra o próprio time. Durante o jogo fiz uma oração, pedindo que Deus protegesse os corações bem intencionados. Fiz esta oração exatamente depois que aquele jogador holandês fez falta sobre o Luiz Fabiano sem que ele estivesse com a bola. Mas vejam que não são só os outros que não sabem perder. O jogador holandês estava tomado pelo desespero de estar perdendo. Depois, quase no fim do jogo, nosso próprio jogador fez a mesma coisa. Nós somos arrogantes o suficiente pra achar que só nós temos capacidade e só nós somos bons. Isso se chama arrogância. E eu me esqueci que Deus não protege os arrogantes. Deus deixa que eles aprendam com os próprios erros. E se é que a gente precisa de verdade encontrar culpados para estarmos voltando pra casa, como sempre precisamos encontrar culpados pra tudo, a culpa começou em nossa própria língua afiada e coração sem fé ali no sofá, e terminou em um time sem união e sem humildade.

Eu não sei que raio de povo é esse que está contra o seu próprio time e o seu próprio técnico. Não precisa concordar com tudo o que ele fala e faz, mas precisa – sim – apoiar e ser positivo. Não é igual com nossos amigos? A gente não concorda com tudo o que eles fazem, mas está sempre do lado deles,  não está? Pro que der e vier? Não sei que raio de povo é esse que acha que um time pode ganhar quando vem do seu próprio povo uma onda de ataques pessoais, de descrédito, de despeito. Não sei que patriotismo é esse que só funciona quando o país ganha. Que só vale se tem vantagem, se não tem, não vale. Patriotismo é ter AMOR pelo seu país, em qualquer circustância. É ter RESPEITO pelos seus conterrâneos e por aqueles que estão à frente das coisas. O escolhido foi o Dunga. Poderia ter sido o Mestre, o Soneca. Qualquer um teria seus defeitos, suas escolhas, suas reações. A nossa obrigação era nos postar ao lado deles “pro que der e vier“, não agirmos como 190 milhões de Zangados (a piada saiu do twitter, não é minha) e sim como 190 milhões de brasileiros Felizes, que leva seu país no coração independentemente do que venha a acontecer.

Nosso patriotismo funcionou muito bem até a primeira derrota. Nós achamos que somos patriotas. Mas os verdadeiros patriotas têm a cabeça erguida e mãos dadas, sempre. Na vitória e na derrota.  Com a gente não acontece assim, no entanto. É só alguém não corresponder às nossas expectativas, que nós desatamos a corrente na hora. Só que um time reflete a energia do seu povo. O povo descrê, o time enfraquece. Um povo assim, me desculpem, não merecia ganhar mesmo.

*

PS: escolhi esta foto porque me chamou a atenção o gesto de solidariedade e amizade de um companheiro para o outro. São lembranças como esta que eu vou levar desta Copa.

PS2: Nelson Mandela disse para a seleção de Gana que eles representaram seu país muito bem e deviam ficar de cabeça erguida. Como seria maravilhoso se ao invés de receber nossos jogadores com pedras nas mãos, nós os recebessemos com palavras de carinho. Especialmente o Felipe.

Ps3: Em teeeeeeeeeempo… Este post não foi escrito para defender ninguém. Ele trata de cultura de massas e não se dirige às [raras] exceções, mas à imensa e esmagadora maioria.

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A primeira temporada a gente nunca esquece!

Já que este blog anda tão briguento nos últimos dias (rs), resolvi falar de coisas bonitinhas, por agora. É que hoje à tarde eu estava lavando a louça e comendo biscoito passatempo e automaticamente liguei a televisão da cozinha. Estava passando a propaganda do episódio do tal Malhação Identidade. Fiquei pensando cara, que estranho que é esta Malhação Id!!! Eu olho e não sinto interesse nenhum! Não tem conexão, entende? Pelo menos comigo, não tem. Acho tão bobinho, tão sei lá. E não tem como não me lembrar da MINHA época de Malhação. Eu tenho 31 anos e quando ela foi criada eu era uma adolescente que chegava do trabalho (estágio no Shopping West Plaza) e fazia o ritual pré-aula: tomar banho, jantar, assistir Malhação e ir pra escola. Malhação era o meu cuco! Quando começava eu já tinha que estar pronta pra escola, fazendo meu prato de comida pra jantar antes de sair. É, aqui em casa a gente sempre jantou cedo assim. Mas também não tinha como ir pra aula sem assistir Malhação até o final! E as histórias envolviam a gente e é assim quando dá certo, quando a gente gosta: a linha entre fantasia e realidade fica muito tênue. Eu assistia Malhação e me via dentro das histórias. Eu queria frequentar a mesma academia, queria ser amiga da Luisa e da Bella e também era meio apaixonada pelo Dado (descobri depois de algum esforço que a minha paixão foi despertada pelo personagem e não pelo ator). Quando começava a música do Lulu Santos… “ainda vai levaaaaaaaar um teeeeeeeeempo” o meu coração ficava cheio de alegria, ebaaaa, vai começar Malhação!!! Ficava com a frase na cabeça: “assim caminha a humanidade, em passos de formiga e sem vontade”. Virou filosofia de vida, pra lembrar e não fazer igual. Depois os meus olhos enchiam de água quando escutava a Patrícia Marx (pois é) cantar “os seus olhos são espelhos d´águaaaaaaa… brilhando você pra qualquer ummmmm“, que além de lembrar dos olhos verdes do menino que eu gostava, era o tema de amor da linda Bella, a bailarina vivida pela Juliana Martins (que nunca mais apareceu) e que tinha cachos lindos que eu também queria ter e toda a meiguice de falar e de andar que eu também queria ter, e era a namoradinha do Danton Mello. Era muito fofo o amor dos dois, muito puro, diferente de hoje. Mesmo as tramas eram bem mais leves, o texto era mais bonitinho, havia mais romantismo: tanto nos relacionamentos, quanto no jeito de ver o mundo. E então vinha a Cássia Eller cantando “quem sabe ainda sou uma garotinhaaaaaaaaaa” e acabava comigo de vez, porque eu ainda era uma garotinha e eu começava a chorar de verdade, chorar por dentro, porque a Fernanda Rodrigues fazia uma menina que era apaixonada pelo mesmo cara que eu era apaixonada na época (Claudio Heinrich, xi, escrevi errado): o seu professor de artes marciais. Só que ele a enxergava como uma garotinha e eu sabia bem como era isso, porque ninguém me enxergava, também, eu era sempre a menininha meiga, fofa, tímida, doce, bobinha e meus amores eram sempre tão platônicos quanto o amor da Luiza por seu professor Dado. E tão puros como também era o dela. Até hoje são, na verdade. Como eu torcia por eles!!! Como eu queria escrever as histórias pra finalmente fazer uma cena bonita entre a Luiza e o Dado,  pra que a realização dela fosse um pouco da minha ou a minha fosse um pouco da dela…

De modo que estas históriazinhas enchiam o meu CORAÇÃO, sabem? E acho que é isso que está faltando hoje, encher o coração das pessoas. As pessoas todas têm fome de amor, de sonhos, de coisas diferentes que façam com que elas saiam de órbita e voltem ao seu estado original, que é o estado de alguém que carrega nos olhos o brilho de um sonho, de ainda ter esperança na beleza das pequenas coisas, dos pequenos gestos, dos toques, da sutileza das relações…

Como disse o Nelson Mandela para o técnico da seleção de Rugbi na final do campeonato mundial de Rugbi, em 1995: “não fale para as mentes deles, fale para seus corações“. Eu não sei vocês, adolescentes de agora. Mas os autores da primeira temporada de Malhação tanto conseguiram fazer esta conexão certeira com o meu coração, que eu me recordo até hoje – já mulher – com os olhos marejados e o coração cheio dos mesmos suspiros daquela garotinha de outrora.  

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…I fucking miss you so fucking much.

As línguas têm lá os seus curingas. Aquela palavrinha que só aquele idioma tem e nenhum outro. Pode haver sinônimos, mas nenhuma outra palavra serve melhor pra dizer aquilo que se quer como aquela. Como a nossa “saudade“. I miss you, right. Mas nenhuma palavra é tão linda, tão doce, tão sonora, tão gostosa de dizer e ao mesmo tempo tão dolorida quanto a nossa saudade… Você diz e quase junto o coração torce, aperta, dói. Você diz “saudade” e junto com a sua voz vem uma imagem, vem uma lembrança, uma música, um cheiro, alguém. Ainda que você não queira. Saudade, saudade, saudade. Tão linda e tão dolorida. So fucking cruel.

Esta outra palavra é ótima, esta tal de fucking. Já repararam em suas multifunções? Fucking é a descoberta linguística do século!!! Ela traduz várias coisas, serve para várias situações. Ela é o típico coringa. Se você está nervosa diz: I´m fucking crazy. Se quer sublinhar a importância de alguma coisa, diz: you are so fucking important to me!!! Se quer xingar alguém diz your fucking mother (não recomendável). Você pode levar um susto e gritar: FUCK!!!!! Pode fazer igual ao Robinho quando gritou para o jogador da Holanda: Fuck off!!!! Mas isso quando estiver bem fora de si, mesmo, cheia de fúria. E funciona (não funcionou com o Brasil, mas esta parte a gente pula). Se você parar e reparar mesmo, de verdade, vai contar uns 200 “fucks” e “fuckings” ditos em um mesmo filme, porque as pessoas simplesmente saem colocando fucking na frente de tudo pra enfeitar e deixar mais bonito ou mais sonoro. Se o filme for de terror, então, nem se fala. Todo susto vem junto com um FUCK. A Sarah Michelle Gellar berrou FUCK antes de ser esquartejada. Se bobear até o Jason fala fuck, ou o mudo Michael Mayers. Aliás se o personagem do filme gritar FUCK… fodeu!!!! Coloca a almofada na frente do rosto, que aí vem açougue.

Com esta palavra você consegue descrever fúria, prazer, amor, medo, tudo. É o pretinho básico, o pó compacto, o rímel que não pode faltar. Vem também como “verbo transitivo” se someone is fucking some other one. Se John is doing all the fucking work, pode crer que ele não está curtindo ou o trabalho é uma merda. Alguém pode falar too fucking much e você ficar totalmente de saco cheio. Vem também como substantivo se you don´t give a fuck. Pode ser parte de alguma palavra como in-fucking-credible. Vai com tudo e fica bem de todo o jeito. A verdade é que poucas palavras são tão versáteis quanto FUCK é. E a vida anda tão fucking complicated, que tem horas que tudo o que a gente precisa é de uma coisa prática que sirva pra tudo. Um batom que vá com qualquer make. Uma bolsa que vá com qualquer look. Um sapato que vá com qualquer opção de roupa. Um homem que nos sirva em todas as nossas necessidades básicas e não básicas. Um blog para todos os nossos assuntos, um aparelho para todas as nossas mídias. Uma palavra pra dizer TUDO. Então fica combinado que quando o seu inglês precisar falar em saudades, você vai fazer valer desta palavrinha fucking magic. E que na sua bagagem não faltarão nem o vestido preto, nem o mp3 e nem o seu amigo FUCK, de todas as horas. ;-)

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Isso pega!!!

Ainda sobre palavras. Já reparou como a gente absorve o jeito marcante que as pessoas mais chegadas têm de falar? Você já pegou alguma mania de um namorado ou amiga? Tenho algumas manias atuais que foram “herdadas” de pessoas com quem eu convivi durante bastante tempo e não sei explicar por que foi tão fácil de absorvê-las. Há uns dez anos atrás eu conheci uma doida chamada Élida (uma doida que eu adorava) e que foi a pessoa que me ensinou a trabalhar na Vagabundos Anônimos Sustentados pelos Pais (que Deus a tenha, a companhia aérea. A Élida está vivinha da silva). A Élida tinha muuuuuuuuuuitas manias! Pra começar ela não tinha uma boca. Ela tinha uma BOCARRA! Os seus lábios eram enormes, parecia mais uma … do que uma boca propriamente dita. E seus apelidos eram dos mais óbvios aos inimagináveis. O fato é que como eu passava muito tempo com ela, escutava quando ela chamava as pessoas de “Filhote“, carinhosamente. Também escutava quando ela chamava algum desconhecido de “amiguinho” (a pessoa poderia ser mais velha do que ela, era amiguinho do mesmo jeito). Quando dava uns brancos e a maluca chamava um colega de trabalho de “menino” ou “menina“. Às vezes a Élida queria dizer alguma coisa, ou reagir diante de algum absurdo e tudo o que conseguia dizer era…

Senhoooooor….“!!!

Eu não preciso dizer o quanto eu chorava de rir com aquela mulher, preciso? Deve ser por isso e pelo quanto ela se tornou inesquecível, que eu absorvi estes jargões e chamo o Rick (que trabalha comigo e é dez anos mais novo do que eu) de “filhote” ou os outros de “menininho” ou “menininha” – porque infelizmente a idade chega e a gente começa a ter uns brancos e lapsos de memória e eu não sou obrigada a lembrar o nome de guerra das pessoas, versus seus nomes reais e então dá aquele tilte na cabeça da gente e a gente chama a pessoa lá na TAM pelo nome real quando é pra chamar pelo nome de guerra e fora de lá a gente chama pelo nome de guerra quando é pra chamar pelo nome real. A cabeça da gente não aguenta!!! A minha, pelo menos, não!!! Todos os motoboys que chegam são chamados por mim de “amiguinhos”. E não é de propósito, assim como não é de propósito – mas super espontâneo – quando alguém da pista me chama na nextel e eu respondo: Prossiga, amiguinho.

Outro ser humano pitoresco e autor (isso mesmo: autor!) de parte das lembranças mais cômicas que eu tenho na vida, chama-se André e é um fotógrafo sarcástico e engraçado que mora em uma cidade de Minas chamada “Espera Feliz”. Aliás a foto mais fofa que eu já vi na vida foi ele quem “bateu”. Um casal andando despretensiosamente de mãos dadas e a placa com o nome da cidade escrito atrás deles… “espera feliz”. Coisa de artista, de olhar aguçado. O fato é que o André e eu passávamos tardes inteiras conversando no msn em um dos trabalhos que tive na vida. Ele lá e eu aqui. Lembro-me das risadas intermináveis que nós escrevíamos desta exata maneira:

“HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Não era muahahaha, não era hahaha, não era kkkkkk. Era HAHAHA em letra maiúscula e interminavelmente. Lembro de usar o Mutley durante as frases para expressar o sarcasmo dos nossos espíritos e que era a essência das nossas conversas. Lembro também do quanto eu enchia os seus olhos com a história do “bêzinho” (HAHAHAHAHA) e depois do motoboy e de como ele ficava pasmo com o modo como este tal bê e eu éramos babacas e bobocas. Nada, simplesmente nada acontecia. As minhas reações eram as mesmas que a deste bê. Ele era a minha versão masculina (piorada). E um dia o André me disse: “Vocês são iguais! EU NUNCA VI ISSO!!!!”.

E agora tudo o que me embasbaca é seguido da frase: “Eu nunca vi isso!!!”.

Tem também o “SENSACIONAL!!!”. Tudo para o André era “SENSACIONAL!!!”. HAHAHAHAHAHAHAH!!!!! E me divertia isso, qualquer bobagem que eu falava me fazia sentir a mais engraçada das criaturas porque tudo pra ele era sensacional! As pessoas reagem de diversas maneiras, né. Tive uma professora (de quem já falei milhares de vezes aqui, a Marcinha) que dizia “que ótimo!!!”. Tem gente que simplesmente ri, tem gente que diz que é demais ou maravilhoso. Mas o André, não! O André diz:

“SENSACIONAL!!!!”.

Confesso pra vocês que este jargão eu não absorvi, não na linguagem falada. Apenas na linguagem pensada! Às vezes me pego pensando: “sensacionaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal”!!! E não discutamos aqui o que é sensacional e o que não é, mas o fato de que nem tudo precisa ser sensacional pra gente – eu e o André, pelo menos – dizer que é!!! Será que o André sabe que foi o grande motivador de tardes enfadonhas em um escritório sem janela, sem sol, sem vida??? :-)

Então às vezes eu reclamo de alguma coisa e vem seguido que eu nunca vi isso. Poxa, a Bel fica assistindo filmes de terror e depois não consegue dormir!!! Eu nunca vi isso!!! Cara, meu pai acha que tem 25 anos e fica subindo em escadas enormes e trepando nos muros! Eu nunca vi isso!!!

A primeira diretora pedagógica que tive, no teatro, que se chamava Vivian mas a chamávamos carinhosamente de Vivi, tinha um hábito simples e prático para interromper polêmicas, bagunças, falatórios, brigas e afins. Ela estalava os dedos, enquanto dizia:

OK, OK, OK, OK, OK, OK…“!!!!

Perdi a conta de quantas vezes estalei os dedos e fiquei repetindo ok ok ok ok ok ok ok lá no aeroporto, o lugar onde mais existe polêmicas, falatórios, brigas e afins na vida, multiplicados por doze. Já com meu pai, aprendi a falar “que porra é esta???!“, que o Benito, um manobrista que um dia conheci também dizia. A diferença é que o meu pai diz: “que porra é iesta?” e o Benito, um gordinho tenso, dizia e ria ao mesmo tempo: “que pooooorra é esta hahaha?”. Mas acreditem, pra eu falar que porra é esta, preciso estar em minutos de fúria. Assim como o “que merda!!!!!” que a minha amiga de colégio, a Cíntia, dizia a toda hora. O que merda! dela significava uma descrença divertida, como quem fala e se diverte ao mesmo tempo. O meu que merda! é um que merda! que nem sempre quer dizer que estou me divertindo com o que estou vendo. Às vezes é um que merda! de susto, de medo, ou de FUCK!!!

E assim vai. Pego sotaques fácil, pego jargões fácil, pego expressões fácil. Ainda bem que ainda não peguei o tal “égua!!!”, que as duas gurias do trabalho (do período da tarde) falam. Uma é de Macapá, a outra de Belém. Prefiro o “cacete!!!!!” que a Jack, uma louca da sétima série, vivia repetindo. O agravante é o aeroporto, onde as pessoas de todas as origens e culturas se encontram, trocam suas experiências e fazem uma bela misturada de palavras, manias, linguagens, criando dialetos próprios e confundindo a cabeça da gente. Depois a gente fica igual ao Nelsão, o cara que ficou louco de tanto trabalhar na aviação. Ele já se aposentou e até hoje vai no aeroporto e fica pedindo a cópia da malha aérea pra acompanhar os vôos que chegam só para passar o tempo. Então quando sobe ou desce um avião sobre a cabeça dele, ele com a cara de mais louco do mundo olha pra cima e depois vai no papel da malha aérea e risca o tal vôo com a línguinha de fora, igual ao Dunga. Sabemos que nosso futuro pode ser ali na calçada fazendo o bingo da malha aérea, mas enquanto isso não acontece, a gente se diverte com o trágico:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! Eu nunca vi isso!!!! Que porra é essa???? Seeensacionaaaaal!!!!

Ok, ok, ok… chega.

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alguns instantes antes da decolagem…

Acordei com o coração aos pulos. Não queria dormir, não queria ficar acordada, não sei o que eu queria. Entendi que precisava escrever, e aqui estou. Mas não sei se vou conseguir publicar este texto e se conseguir, se ele vai ficar no ar mais do que algumas horas. Ultimamente algumas coisas estranhamente deliciosas tem se passado comigo e tenho pensado no que eram os últimos envolvimentos amorosos que eu tive, que não teve nada disso. Não teve borboletas no estômago. Não teve esta vontade de ficar sem fazer nada porque quero ficar com você. Não teve a falta total de apetite…! Não teve perda de fôlego, nem enfiar os pés pelas mãos, nem dar branco nas coisas que eu queria dizer e tinha ensaiado pra dizer direitinho e na hora não conseguir falar nada e ainda por cima ficar da cor desta caneca da Nescafé. E tudo sem que estivesse buscando, assim, despretensiosamente. Não era o cara que tinha a lista de pré-requisitos. Mas é o cara que me desarmou completamente e que me *arrebatou* com a sua simplicidade de se divertir com coisas bobas, de não ter vergonha de dizer que não tem câmera digital e não tem celular de última geração, de falar de Deus com os olhos brilhando e aquele sorriso lindo no rosto. E sem saber que enquanto isso tinha uma mulher ali se derretendo toda na sua frente, mas durona o suficiente pra não demonstrar nem um tiquinho que fosse e então agora, às 16h de uma terça feira chuvosa, você não faz nem idéia de que ocupa os meus pensamentos. Só que eu estava quieta no meu canto, sabe? Coração nem era o foco, agora. A pessoa em questão chega de fininho e simplesmente entra sem bater na porta, sem avisar que está entrando e agora olha aí. E eu não sei o que fazer, que não seja alguma aliança com alguém que me dedure a sua escala, pra eu saber onde você vai estar amanhã e quando finalmente a gente vai se encontrar de novo ali onde tudo começou pra mim. Quando é que tudo deixará de ser platônico, quando vou poder enlaçar o seu pescoço e te dar um beijo inesquecível e tão carinhoso ao ponto que te vicie. Ou quando vou poder finalmente perder a compostura de mulher fina e passar a ser a trovoada e me jogar no seu colo, sorrir muito e te cobrir de beijos igual a Amelie fez com o cara da bicicleta.

Para sua informação eu estou sem concentração no trabalho porque cada vez que escuto seu nome no rádio (motorola) coloco-o perto do ouvido e porque naturalmente eu vivo no mundo da lua. E pra completar, você é lindo assim, querido assim, desejável assim, maravilhoso assim!!! Com estas sobrancelhas inacreditáveis, esta pelezinha morena, este cabelinho com gelzinho e esta boquinha terrível de querida. Tá, eu sei que eu estou um pouco carente, mas você piora muito as coisas, meu caro precioso. Sei que eu paguei a minha língua porque no mesmo dia que eu disse que não te amava e que acho hipocrisia ficar falando de amor assim aos quatro ventos, é, adivinha, eu terminei aquele mesmo dia já de quatro por vossa senhoria. E agora estou desaquecendo os motores, porque a tendência é que eu queira voar e queira inclusive te carregar junto comigo. Enfiar os pés pelas mãos de verdade, fazer alguma loucurinha bem cafona como entregar uma bala 7 Belo (!!!!) ou escrever uma carta ou gravar um cd de músicas fofas que até hoje está na minha bolsa com cara de “e aí???” – e depois ficar morrendo de vergonha. O que eu faço com esta parte minha que já derreteu? Recolho e mando te entregar?

Portanto, vamos deixar as coisas bem clarinhas pelo menos por aqui, você entende? Já que eu tenho que fingir que sou indiferente à você e me esforçar para ser uma mulher centrada até porque alguém tem que trabalhar naquele desembarque (!), só me resta o meu inseparável blog para as minhas confissões que seguem:

Aos treze de julho do ano de dois mil e dez, depois de uma derrota vergonhosa do Brasil na Copa do Mundo, em um primeiro dia de chuva depois de muita secura, enquanto a Beyoncè canta “Dissapear” e enquanto um senhor de 59 anos que atende por “papai”, escuta Zezé di Camargo e Luciano em um tom alto demais, existe uma mulher total cabeça de vento que está muito mais bonita e caprichando muitíssimo na maquiagem dos olhos depois que descobriu que você repara nela; os olhos dela brilham absurdamente e ela está muito mais alegre e ridícula (!) rindo à toa pelos corredores e sendo uma pessoinha mais feliz, e o responsável por isso, meu querido precioso, fica aqui registrado: é inteiramente e exclusivamente você. Talvez tenha o dedo de Deus ali no meio,  naturalmente. E estas sobrancelhas aí. E não importa o tanto mais de coisas estranhas que aconteçam no mundo, esta mulher é uma pessoa melhor e mais feliz por causa daquilo que você a faz sentir.

Pronto. Falei.

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Pousa-se toda Maria

Sabe-se que a todo o minuto pessoas tomam decisões que afetam suas vidas. Outras também voltam atrás de decisões que haviam tomado. Todo o tempo se faz escolhas que vão afetar sua vida toda e não foi diferente com João e Maria. João e Maria se conheceram no aeroporto, quando suas escalas coincidiam e conseguiam trabalhar juntos e nestas ocasiões, João conversava muito com Maria. João olhava pra Maria, que estava sempre correndo para cima e para baixo, e via um ser humano que muito lhe acrescia, embora ele não soubesse exatamente o quê era este acréscimo. João queria saber coisas sobre a vida de Maria e um dia Maria percebeu que João era legal. Mais do que isso, ela percebeu que ele era diferente. Mais do que isso, ela percebeu que o amava. Mas como no meio de tantas pessoas e possibilidades a chance de que João e Maria se encontrassem de novo era ínfima, houve um longo espaço em branco até que isto acontecesse, e durante este espaço em branco, o coração de Maria aumentou de tamanho duas vezes, três vezes, quatro vezes até explodir. Quando isto estava prestes a acontecer, Maria puxou João pelo braço e o levou até a esteira número cinco do desembarque, onde havia cinco passageiros esperando as bagagens do quinto do vôo do dia chegarem até a esteira. Quando as cinco bagagens vieram, quando a quinta bagagem foi retirada, quando o quinto passageiro deixou o desembarque e abraçou sua avó que gritava do lado de fora da porta, Maria estava sentada em frente à João, que esperava ela finalmente desembuchar o que quer que desejasse dizer. João pensava que as esfihas de frango da Célia estariam acabando e que o seu portão de embarque estava vazio porque ele disse que ficaria apenas cinco minutos fora, o tempo que leva para ir até o banheiro, abrir o zíper da calça, tirar seu instrumento multifuncional de dentro da mesma, esguichar sua urina para o vaso sanitário, sacudir o instrumento multifuncional até que cinco gotinhas de urina caísse sobre o vaso, fechar o zíper da calça e sair do banheiro sem lavar a mão. Maria finalmente suspirou quando percebeu que agora não havia mais nada que a impedisse de falar e tentou se lembrar do texto daqueles romances todos onde as mocinhas diziam para os mocinhos que eu te amo, ah como eu te amo, te amo tanto, te amo te amo te amo. Maria apenas perguntou para João se ele acreditava que uma pessoa pudesse amar outra pessoa sem que a conhecesse por completo. João levantou os olhos – dizem que quem levanta os olhos antes de responder alguma coisa significa que vai mentir – e respondeu que o amor é cego, surdo e inconseqüente, portanto não respeita regras, ou seja: sim, ele acreditava que isso pudesse ser possível e respondeu para Maria sem saber que havia acabado de jogar a batata quente em suas próprias mãos. Maria então disse para João com todas as letras e objetos diretos que então ele acreditaria nela se dissesse que o amava. João neste momento foi chamado no rádio e emudeceu, não sendo capaz de emitir alguma reação para Maria, que estava ali na sua frente com cara de quem sofria de pressão alta, nem sendo capaz de responder um curto e direto “prossiga” para quem estivesse lhe chamando. Maria lascou-lhe um beijo na bochecha, somado de um sorriso sem jeito e voltou à sua rotina normal de Maria que tem cara, jeito e pensamento de Maria.
João, ainda pasmo, sofria de taquicardia e hipotermia nas mãos e não sabia explicar por que tinha gostado de escutar que Maria o amava, apesar dos pesares todos. Maria não pertencia ao mesmo círculo social que ele e embora fosse linda, linda, meiga, querida, talentosa e fofa, e cheirosa, sua família não aceitaria uma união com Maria. União Namorico ou União Mais do que Namorico. Entristecido, João passou a se surpreender observando Maria e suas maneiras delicadas e serelepes e sentir-se como se todos os dias fossem dias de sol. Os dois então combinaram de ser amigos que se amam, porque os amigos também se amam. Maria e João passaram a trocar e-mails e torpedos no celular, primeiro dois, depois três, depois quatro, depois infinitos. E Maria contentou-se com sua condição de amiga que amava e passou a viver sua vida e deixou que esta vida voltasse a ser a mesma vidinha normal de sempre. Saía com os amigos e ia aos bares da Vila Madalena para escutar música popular brasileira e bater papo ao redor da mesa. Em um sábado à noite, noite fria do mês de Julho, Maria recebeu uma mensagem de João, que desejava saber seu paradeiro. Depois de já ter respondido onde estava e depois que o relógio já havia percorrido todos aqueles pontinhos até completar uma hora, João, o caseiro, o religioso, o reto, aquele que não frequenta bares, apareceu em pele e osso (muito mais pele do que osso), ao vivo e em cores na porta do referido local, quase sufocando o peito de Maria de susto e contentamento já que o coração virou aquela batedeira descontrolada que sua mãe usava para fazer bolos. Maria emudeceu e avermelhou-se. Toda a mesa saudou João, que sentou-se ao seu lado. Maria olhou dentro dos dois olhos escuros de João tão profundamente como se tivesse mergulhado em um barril de jabuticabas, querendo saber o que ele estava fazendo ali. Ele apenas sorriu e Maria voltou a fazer aquela mesma cara de quem sofre de pressão alta. João pediu uma coca-cola e endireitou o corpo para ficar próximo ao de Maria. Enquanto a conversa à mesa voltava ao normal, enquanto a noite descia e esfriava ainda mais, João entrelaçou as suas mãos nas mãos de Maria, embaixo da mesa, enchendo-lhe o rosto de graça e o seu coração de uma tranqüilidade doce, que ela ainda não conhecia. Sabe-se que a todo o minuto pessoas tomam decisões que afetam suas vidas. Outras também voltam atrás de decisões que haviam tomado. Todo o tempo se faz escolhas que vão afetar sua história toda e não foi diferente com a história de João e Maria.

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Nota: escrevi este texto no trabalho, no meio de um turbilhão de sensações  que infelizmente não podiam se transformar em nada mais, senão um texto! O título deveria ser Bruno, e não Maria. ;-)

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Panes nem tão mortas…

 

A comunidade do orkut que eu mais gostei de ter entrado é a que diz “Toca pra mim, que eu resolvo!”. Ela resume bem o meu jeitão de querer – como se diz em aviação – matar todas as panes, resolver os problemas ou evitá-los. E eu até que consigo, sabe. Mas quando Deus colocou o DNA da She-Ra, em mim, Ele deve ter colocado alguma sobra do Chapolin, também, porque esta moça aqui desceu assim: toda solícita, toda trabalhadeira e totalmente atrapalhada!!! E agora tem mais alguns adjetivos junto [apaixonada!!! arrebatada!!! incendiada!!!], que são o AGRAVANTE, porque somado aos outros já existentes não resultam em coisas certas!!!

As pessoas no meu trabalho me chamam de baratinha, formiga, Saci-Pererê (???), os mais variados nomes por causa do meu jeito rápido de andar e porque quando eu chego às 06h00 parece que alguém dá corda naquela chavinha das minhas costas, eu disparo a trabalhar sem parar e só sossego ao meio dia. Sempre correndo de um lado pro outro, pulando esteira, falando com 3, 4, 5, 7 pessoas ao mesmo tempo e fazendo tantas outras coisas simultaneamente. Aí vem passageiro que esquece de retirar a bagagem e vai pra Guarulhos, a gente reetiqueta as bagagens e manda lá de CGH mesmo para o mesmo destino que ele (isso já aconteceu várias vezes) e com sorte a bagagem chega junto com o dono ou antes, até. E hoje eu fiz isso. Só que na correria, etiquetei a bagagem errado: ao invés de SLZ (São Luiz), coloquei a etiqueta de AJU (Aracaju)!!!!! Tudo bem que é logo ali, mas. Tratei de tentar resolver o problema antes de contar pra minha supervisora porque eu temo a Deus e à ela (hahaha). A idéia era resolver e depois contar, olha, eu fiz merda, tá? Mas já tá tudo resolvido. Então chamei Brasília e disse: Amigo, livra-me de todos os males e reetiquete esta bagagem AJU que vai chegar pra vocês no vôo número tal. Tira a etiqueta de AJU e coloca uma pra SLZ. E que Deus abençoe você e sua família, sim? Ele topou me ajudar. A gente só precisava esperar o vôo chegar em Brasília pra ele trocar a etiqueta da mala. Só que…

…a dona da bagagem, aqueeeeeeeela que ia pra Guarulhos pegar um vôo pra São Luiz e não retirou as bagagens aqui em Congonhas, lembra? Então, esta moça perdeu o vôo!!!!! :-O E retornou à Congonhas para retirar suas bagagens. Foi até a sala de bagagens da cia e daqui a pouco minha colega do turno da tarde me chama na nextel. Atenção para o diálogo:

_ Mel, tem alguma bagagem aí da Sra Fulana de Tal?

_ Sra Fulana de Tal? (pausa pra entrar em pânico)  Ah, tah… entãooooooooooo… eu……éééé…. néééé? Eu maandeeeeeeeeeeei pra São Luiiiiiiiiiiiiiiiiiiizzz… via Brasííííliaaaaaaaaaaaaaa…… #prontofalei.

Sabe quando a sua mãe pergunta pra você: menininha, cadê aquele vaso verde da sala? E você tem que responder com o **ú na mão que ele quebrou? Aí responde não querendo responder? Como a minha irmã Melinda, que respondia as coisas pra minha mãe já tampando o rosto com a almofada pra não levar um tapão. Então, foi assim. Eu pude VISUALIZAR a cara que a minha supervisora deve ter feito há vários metros além, escutando o que eu havia dito pelo rádio. A dona das bagagens pediu para que elas retornassem para São Paulo. Então minha supervisora ligou para Brasília e pediu para que as três bagagens SLZ voltassem para São Paulo. Só que uma delas…

…estava etiquetada errada para AJU e eu não contei para a mamãe chefinha!!! Lembra que eu queria resolver antes? Pois é. Pra não colocar outra cereja em cima da merda que já tinha uma cereja sobre (porque São Paulo não devia ter embarcado uma bagagem com etiqueta Santos Dumont/Aracajú em um vôo para Brasília/São Luiz), resolvi contar para a mamãe chefinha.

Chamei-a de canto, e já levei uma leve bronca porque mandei as bagagens da mulher pra São Luiz sem ninguém tê-las solicitado. Expliquei porque fiz isso e disse que a merda maior ainda estava por vir. Ela arregalou os olhos e ficou com medo do que iria ouvir. Contei, mas acredito que ela entendeu que as minhas intenções foram as melhores, apesar da BAGUNÇA toda.

Então é assim… toda vez que eu estou com muito serviço pra fazer, ligo na quinta marcha e começo, começo, começo, faço, faço, faço e quando vejo tem sempre alguma coisinha que ficou “pendente” (ahahahaha). Um dia destes um outro departamento nosso nos pediu para imprimir dezenas, trezenas de etiquetas como estas de bagagens, para eles mandarem material interno para diversas cidades brasileiras. Eu – que estava com meu filhote, em treinamento, ou seja, o moleque se espelhava em mim e fazia tudo o que eu mandava fazer – virei uma máquina de fazer etiquetas e desatei a fazer todas, uma atrás da outra. É complicado, porque não é só fazer. Tem que entrar no sistema, colocar os dados (uma por uma), o peso do volume, depois tem que passar uma mensagem avisando que o negócio está seguindo em tal vôo, tem que imprimir a mensagem… putz. Eu fiz tudo, enlouquecida e enlouquecedoramente, e ainda levei meu filhote pra mesma vibe, transformando-o em um filhote de gente louca. E conseguimos!!!!! Ficamos contentes e tal. Somos phoda!!! Phoda e phodinha. Só que quando eu estava correndo alucinadamente para entregar as etiquetas à tempo, no meio do caminho me veio um raio: Mel, olhe para o papel que o cara te trouxe. Quando eu finalmente OLHEI direito para o tal papel com todas as informações anotadas, com destinos, etc e tal, vi que eles queriam aquele monte de etiquetas para um dia APÓS. Ou seja…

…todo o nosso esforço foi em vão. Eu não sabia se eu chorava ou se eu abria um buraco no chão pra mergulhar dentro e levar o filhote.

De modo que eu gostaria de fazer um curso para não ser tão atrapalhada. Para ter uma bolsa mais organizada, onde não perdesse os brincos ou quando fosse tirar o Bilhete Único, todo o resto não caísse no chão. Ou abrir o guarda-chuva e o fone de ouvido que estava enroscado nele não saísse voando e batesse na cara da mulher que estava passando ao lado (!!!). Ou não mandasse a bagagem da moça que mora em São Luiz pra Aracajú… porque aí gera retrabalho, né? Eu tenho sempre que correr atrás pra corrigir a BAGUNÇA e [re]colocar o trem sobre os trilhos! Que fique aqui registrado, que eu desejo que tudo dê certo para a dona Fulana de Tal e suas três bagagens e que um dia ela visite Aracajú, sim, mas sem o meu dedo por trás disso. E que vocês podem confiar em mim, viu, porque vai dar tudo certo no final.

(É só não questionar os meus métodos…).

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A Garota do Desembarque

Uma colega do trabalho, a Ellen M. K., um dia me recomendou assistir a este filme, Shopgirl. Me lembro de como ela descreveu os motivos da sua indicação. Por que se lembrou de mim. Ela disse que a garota parecia comigo, mexia com artes, era solitária e observadora. E romântica. Quando uma indicação é boa e me convence, tomo as providências na hora. Peguei o dvd pra assistir e claro, fiquei mexida com o filme. Um amigo antigo, o Marco Garcia, de quem já falei por aqui, um dia me disse que melhor do que ler bons livros é reler os bons livros que marcaram nossa vida. E acho que com os filmes funciona assim, também. Rever um bom filme, em uma época em que estamos mais maduros, mais rodados… (rs) no melhor sentido da palavra. E foi assim com “A Garota da Vitrine” – o filme baseado no romance escrito pelo ator que interpreta um dos protagonistas, o Steve Martin.

Mirabelle, que já tem um nome tão lindo quanto as estrelas, tem sua história narrada por um observador oculto e alguém tem a idéia brilhante de colocar sua história paralela às estrelas, que aparecem o tempo inteiro como quem quer dizer o quanto o universo é grande e o quanto temos pra sonhar e ela – Mirabelle – tem estes olhos que sonham através das lentes de sua câmera e sonhos estes que se materializam na sua arte. Despretensiosa, o feito e a artista. Fica bem claro que suas composições são seu grito de angústia, que fica ali travado na garganta e no peito. Ela é uma menina que fica o dia inteiro olhando pessoas circularem por uma loja chique da Quinta Avenida sem maiores novidades.  Assim como um desembarque onde todas as pessoas interessantes passam por você e não te enxergam. Assim como aquele imenso desembarque onde eu e todas as minhas habilidades ficamos ocultas e imperceptíveis. Todos os seus sonhos e suas habilidades ficam escondidas e amortecidas por aquele balcão por onde ela e suas luvas passam o tempo desta forma: expostas. Como se o balcão fosse uma sala e a porta estivesse fechada. Trancada. Ela quer sair, mas não consegue, não dá, não pode. E exposta assim, no ir e vir de sua vidinha, acaba conhecendo dois caras totalmente diferentes um do outro. O primeiro deles soa como roubada total e eu teria sido bem menos paciente e tolerante se estivesse no lugar dela, ainda que eu saiba beeem o que são roubadas amorosas, o que é você encher a cabeça de expectativas antes de sair com um cara e quando chega o dia o programa se transforma em um pesadelo! Sei bem o que é se lembrar de um gol que era pra ser um belo gol mas a bola bate na trave e você grita: uuuuhhhh. Sei também o que é terminar uma noite chorando por se sentir solitária – totalmente solitária – e ter a sensação de que não existe um lugar pra você. Sim, Mirabelle, eu sei exatamente o que você sente. Bem, o outro cara chega super elegante e conquista o coração da moça com sua respeitabilidade, suas gentilezas, suas cortesias. Ela vai, vai, vai, se joga. Aquela cena em que ele vai atender uma ligação e quando volta tem uma grata (!!!) surpresa quando a vê sobre sua cama (não contarei tudo)? Então, aquela cena: eu já fiz exatamente a mesma coisa. E quando já está submersa, quando já está apaixonada até o último fio de cabelo, então vem o cara (depois de tê-la levado pra cama, obviamente) e diz aquela frase conhecida…

“Eu+não+estou+querendo+nada+sério”.

Então Mirabelle faz aquela cara de quem é super moderna não sendo. Aquela cara de quem não está nem aí mas está morrendo por dentro. Aquela caaaara, aquela que eu já fiz tantas vezes e hoje em dia acho que não tenho mais coragem de fazer. Faço a cara certa, a cara que combina com o que eu estou sentindo. Mas enfim, o foco é Mirabelle e não Melissa. Tece-se uma relação de enorme cumplicidade, afeto, carinho e várias vezes você se pergunta qual é o problema mesmo??? Por que as pessoas complicam as coisas??? E a mocinha se faz as mesmas perguntas e vai adoecendo porque todo mundo que se dá inteiramente e não recebe nada em troca fica vazia daquele jeito e doente daquele jeito – porque todo mundo precisa de carinho, porque não é bem aquilo que ela quer, que precisa e que deseja. Mas o tempo inteiro fica quietinha, fazendo suas cessões concessões ingênuas e românticas e esvaziando-se cada vez mais, até que percebe que precisa voltar aos comprimidos antidepressivos.

Percebo neste ponto a grande diferença entre Mirabelle e eu. Não que eu seja mais forte que ela, acredito que eu seja mais rebelde do que ela. Eu sinto as mesmas dores, os mesmos sofrimentos. Mesmo que não more sozinha como ela, eu me sinto como se morasse. Como se fosse mesmo só eu e pronto. Mirabelle só tem à ela própria. Eu só tenho à mim. E tendo consciência disso, eu preciso ser e estar forte para não desabar. Fiquei um pouco satisfeita assim como quem diz que “nem tudo está perdido”, quando percebi que choro pelos mesmos motivos, tenho as mesmas feridas, mas não vivo de comprimidos. Dói? Venha a dor. Eu faço dela experiência de vida. E posso me arriscar a dizer que só consigo me curar quando me permito sentir a ferida arder. Porque é assim que funciona! Você precisa deixar a ferida exposta pra que ela se cicatrize. Só assim ela vai se curar. Com as feridas da nossa alma é a mesma coisa. Não adianta maquiar, passar base, corretivo. Não adianta colocar um tapete em cima. Não adianta se jogar numa caixa de antidepressivos.

Bem, uma hora Mirabelle se deu conta de que ela estava remando, remando, remando, sem sair do lugar e se cansou. Tomou as providências que lhe cabiam, nota-se que ainda existia um tiquinho de amor próprio. Esta abertura permitiu ver melhor outras coisas ao seu redor. As possibilidades existiam o tempo inteiro: Mirabelle se desenvolveu artisticamente, deu um basta em tudo o que não a levava a absolutamente nada e deu uma chance à si mesma. Não ao verdadeiro amor, porque era verdadeiro, sim, aquilo que ela sentia. O que Mirabelle fez foi uma jogada de mestre: ela deu uma chance para quem lhe retribuía seu amor, na mesmíssima medida.

Ser feliz requer coragem. Fazer as melhores escolhas é coisa pra gente corajosa. O fato de ser mais sensivel não faz de Mirabelle menos guerreira. Ela tem o tempo dela, como eu tenho o meu.

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Sim, o meu passado me condena.

Às vezes eu me sinto um pouco ridícula [e ridicularizada, porque por causa disso a Melinda sempre tirou o maior sarro da minha cara]  quando páro pra constatar as cenas cinematográficas mais esdrúxulas que me fizeram chorar. São as menos óbvias possíveis. É fato que se alguém morre eu choro, se alguém rompe eu choro, eu choro naquelas cenas em que você também chora, em que todo mundo chora. Até aí tudo bem. Mas cara, como é curioso o ser humano! Já se falou muito por aí no que é que provoca a lágrima, né. Um fenômeno explicado pela ciência [e que eu não vou explicar agora] ou a coisa vem de dentro? E se a lágrima for um processo meramente científico, um negócio que acontece lá com as glândulas oculares (é este o nome?), por que é que bem nestas horas esdrúxulas é que issos de processos científicos foram desencadeados??? Por que é que na primeira cena de “Forrest Gump”, primeiríssima, quando aquela pena estava voando e tocava uma musiquinha de fundo, este processo foi desencadeado? Ou – ainda falando de Tom Hanks – por que é que quando o cara barbudão que ficou perdido naquela ilha e perde a sua bola/melhor amigo Wilson, este processo foi desencadeado? Eu juro. Quando ele começou a gritar: Wilsoooooooooooooon!!!! Wilsooooooooooooooooon!!!! Eu comecei a chorar copiosamente. Você sabe o que é chorar copiosamente? Eu sei!!! Mas não me pergunte por quê.

E por fim, pra falar das cenas+esdrúxulas que eu me lembro, qualquer cena em que tenha um cachorrinho correndo em uma grama, câmera lenta mode ON, música melancólica de fundo… significa que este processo científico que ocorre com as glândulas oculares (pelo menos com as minhas) foi desencadeado automaticamente. O que tem um cachorro correndo em câmera lenta, feliz e saltitante? Não sei…!!!

Então, assim… por gentileza, quero manter estas revelações em absoluto segredo. Não contem pra ninguém que eu chorei copiosamente por causa de uma pena, uma bola e um cachorro. Vamos manter a discrição, já que eu sou super discreta com as coisas da minha vida e não fico divulgando por aí… ;-)

PS: Esqueci de citar A Era do Gelo. Quando o bichinho fala “porque num time é assim que funciona: um cuida do outro” eu chorei absurdamente. Absurdamente.

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O mundo está ao contrário (e ninguém me falou)

É, o mundo está mesmo virado de cabeça pra baixo. Vejo um cara que eu acho o máximo, me derreto, me desmancho e tenho vontade de dizer várias coisas pra ele e dar uma de doida, mas não posso porque não sou da mesma igreja que ele. Uma amiga indefectível de 1,80m, que já aturou a cara rosa camaleante e travada do Sr Antônio, já aturou amigas traíras, mauricinhos chorões e fracotes, playboyzinhos que não sabem o que querem da vida,  japas com toc, tarados de escritório… me liga chorando, esgoelando-se no celular em pleno saguão do aeroporto de guarulhos. Quando pergunto o que ela tem, não sabe. Está indo de férias para Madri e de-repente começou a chorar, veja se pode! Se ela estivesse indo pra Praia Grande, vá lá. Eu entenderia o esgoelamento. Mas entrar num avião com destino à Europa e começar a chorar de desesperô? Ela, a elegante??? Pra tentar fazer com que de choro ela desatasse a rir (talvez dela mesma) citei alguns nomes: Dilma Roussef foi um deles. Disse pra ela pensar na Dilma e fugir daqui, sorrindo. E agora, vejam só, eu. Eu, aqui, com dor de barriga, piriris, roendo as unhas com medo de o Inter perder. Não ligo pra futebol, se alguém perguntar pra quem torço digo que sou Corinthiana, mas e daí. Não sei o que é tiro de meta, não sei quem é o técnico do Corinthianas, não sei quem é o patrocinador estampado na camisa = sou menina. Ué. Mas o Inter… o Inter me lembra THAT ONE I DON´T SPEAK OF. :-) Estou citando “A Vila”, pra quem não entendeu. THAT ONE I DON´T SPEAK OF é torcedor roxo do Inter e um dia estávamos atravessando uma ponte que liga o ponto A ao ponto B. Eu já havia entrado num avião sem chorar (veja bem) e estava atravessando aquela ponte sem nem reparar que era uma ponte e que era alta. THAT ONE I DON´T SPEAK OF estava ao meu lado e me contou uma história super bonitinha sobre o Inter. Depois comecei a escrever uma história onde falo sobre THAT ONE I DON´T SPEAK OF disfarçado de personagem e lá está o Inter, a ponte, o jogo, a final e algum segredo que nós ainda não nos demos conta de que sabemos. Enquanto isso sigo me surpreendendo com pessoas esquisitas e suas manias bizarras, amigas chiques se passando por moças xiliquentas que nem parecem que são leoninas e piriris atrás de piriris, porque não há remédio no mundo melhor do que realmente evacuar tudo aquilo o que a gente não fala, não ri, não reclama, não grita. VAI INTER!!!!, por exemplo. O gol que não sai. O quase. A certeza que se esvai e vira bola na trave. A cara apavorada do torcedor do Inter ali na tela da sala. E enquanto isso sabe-se lá o que a minha querida amiga chorona está aprontando no avião. Quem sabe não está chorando no colo do comissário de bordo ou pedindo pro Comandante voltar? Tá bom, eu sei que este post não tem o menor cabimento. Hoje é um dia muito estranho e eu sei que o mês de Agosto inteiro vai ser assim. Acabou o jogo. Meu pai grita UHULLL na sala, CHUPA BAMBIS. Toca aqui, o pai diz. Está rindo. Eu também. Penso na querida chorona que é gaúcha. Penso em THAT ONE I DON´T SPEAK OF e fico feliz.

Eu gostaria de entender a vida.

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Nem mesmo Jesus.

Em um passado um pouco remoto, quando eu trabalhava para o Encontro de Jovens com Cristo da Paróquia que frequento e quando ainda existia o Cristo nestes eventos (!), antes de abaixo-assinados para expulsão de colegas, antes do mar morto das intrigas que nem Moisés conseguiu separar, antes da passeata das incoerências… havia uma equipe chamada de Externa de Rua. Composta de uma dúzia de pessoinhas vestidas de um colete verde limão com o rosto do Cristo estampado nas costas, íamos para os faróis vender adesivos com a mesma estampa. Debaixo de um sol de rachar a cabeça, nossa missão era abordar as famílias vaporosas a curtir o domingo nos arredores do Mandaqui, Santana e Brás Leme. Isso nos breves e por que não dizer piscosos instantes em que os faróis ficavam fechados. Uma das adversidades, além do curto tempo em que o farol ficava vermelho, era competir com as meninas que distribuíam propagandas de empreendimentos imobiliários. Resignados, os motoristas já abaixavam seus vidros e limitavam-se a estender suas mãos para pegar as dezenas de papéis das duas, três, quatro moças para cada vidro abaixado, sem sequer terem tempo de olhar do que se tratava. Eu tentei competir com as moças e abordá-los primeiro, sem sucesso. Passei então e seguí-las. Deixava que elas fizessem seu trabalho de entuchar o carro dos outros com aquela papelada toda – isso em nome de algum Senhor Feudal que estivesse por ali comandando tudo - e quando chegava a minha vez, restava-me provavelmente mais trinta segundos de farol fechado e a mão estendida do motorista achando que eu era mais uma mocinha de imobiliária, quando por conseguinte percebia que alguma coisa estava errada. A minha abordagem era a seguinte:

_ Moçoquercomprarumadesivodaigrejapraajudarnossoencontrodejovens?

_ HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! (sempre tinha uma molenga ao meu lado, que ao invés de ajudar só sabia rir da situação).

_ Moçovaiabrirofarolvaiabrirofarol!!!!!!

_ HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!!!!

Ele, sem entender nada, apenas olha para a cara da mulher, no banco de passageiros, que por sua vez solta umas caretas enquanto também tenta entender o que é que há. Pressionado e aturtido, resolve encerrar o assunto:

_ Quanto é?

(Veja bem: quanto é o quê?)

_Umreal!!!!! Umreal!!!!!

Ele dava um real, eu jogava o adesivo pra dentro do carro e saía correndo pra não ser atropelada. No fim do dia tínhamos vendido boa parte dos adesivos. Alguns subiam os vidros e não queriam saber. Outros riam da nossa cara. Outros diziam que faziam parte de outra igreja. Outros diziam que já ajudam outras instituições de caridade. Outros faziam o retorno pra poder entregar o dinheiro, já que o farol abrira-se. No final do domingo, abobados e alegres, comemorávamos depois da venda do último adesivo, como se tivéssemos atingido a super meta de uma multinacional (Bom, a meta era super mesmo). Há que ser dito que a Externa de Rua arrecadava uma boa grana para o Movimento, coisa a se considerar. Depois de um tempo, entretanto, algum chato achou que era perigoso colocar jovens no meio da rua, sujeitos à atropelamentos, tiros, sequestros e afins. Deu certo tanto tempo, mas quem sou eu. O fato é que me lembrei disso hoje porque estava entrando no metrô depois de ter saído da faculdade e alguém colocou na minha mão (veja bem) uma revista, que aceitei, sem interromper os meus passos. Já que a pessoa pousou a revista na minha mão com tamanha perfeição e já que era de graça, não me cabia negá-la. A pergunta era: Pra quê? Mas fiquei quieta. Olhei para o lado apenas para conferir a procedência e fiz a cara dos motoristas quando eu lhes mostrava o adesivo. Vi um rapaz. Ele me perguntou, ainda: prefere Economia ou Ciência? Blasé, respondi: Ciência. Então, depois de trocar a revista, ele me disse: pronto. Agora você me dá um dinheiro, aí, qualquer um. É trote da faculdade. Eu disse que não tinha. Ele insistiu: qualquer dinheiro!!! Eu expliquei que só estava com o bilhete único e ele – claro – fez o quê, quem consegue adivinhar? Elementar que ele tomou a revista de volta!!! Porque nem Jesus é de graça…

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Minha pequena vida e sua mania de grandeza.

Fiquei na cama pensando no Bruno, de novo. E pior de tudo é que não adianta ficar pensando nele e só pensando – e é contra meus princípios esta coisa de só pensar. Então eu decidi que vou fazer alguma coisa. Explicando pra vocês: quando eu comecei a me interessar por ele, ele estava solteiro. Até que (isso sempre acontece) ele voltou com a ex-futura-noiva e eu me fudi. Esta é a palavra perfeita pra expressar! Hahahaha… me fudi bonito e com moldura, porque eu já estava totalmente arrebatada pelo moço e passei a ter que lidar com várias coisas ao mesmo tempo. Eu não gosto desta situação, vejam. Quero mais é abrir o coração para outros caras menos complicados, que também estejam de coração aberto. Mas enquanto eu não disser pra ele: olha meu filho, eu estou apaixonada por você. Beijos. Enquanto não disser pra ele, não vou conseguir colocar um ponto final na história.

Eu já sei que vou ter que procurar uma psicologa para dar um jeito nas minhas histórias não ou mal resolvidas, que estão me azucrinando até hoje e com certeza empatando o meu caminho, mas não quero que esta seja mais uma. E este post nem foi pra falar só disso. Foi pra falar do meu dia de folga. Então, voltando: levantei pensando no Bruno, vi alguns momentos das horas. Primeiro eram sete horas, depois já era meio dia. Os números vermelhos no rádio relógio. Já que não tem jeito, vamos levantar. Coloquei o uniforme da Achiropita pra lavar e dei um jeito neste meu quarto. Não dá mais pra ter uma ordem impecável depois de tantos livros e coisas da faculdade – e quando tem festa a coisa piora, porque todas as roupas de dentro do armário ficam sobre a cama e tudo vira o caos. Mas encontrei o ponto de equilíbrio, pelo menos o ponto razoável, porque eu não queria passar o dia arrumando o quarto e faxinando as coisas. Eu queria ir à Bienal e tinha que pagar a conta da minha mãe no Shopping. Decidi ir à Bienal primeiro…

…não sei se eu fui em um dia paradão, mas achei mesmo super sem tempero esta Bienal. Eu esperava que estivessem por lá vários escritores autografando livros, dando palestras, mesas-redondas, etc… só tinha um cara chato falando no microfone, um monte de escolas públicas com aluninhos que tentam te levar junto com eles no meio da romaria e vários (vários!) caras pentelhando a sua vida, tentando te dar brindes de revista. E eu só queria poder circular em paz pelos corredores do Anhembi…

Os stands que eu mais gostei foram o das grandes editoras, que estavam com ótimos descontos. No stand do Grupo Editorial Record comprei um livro do Carpinejar (O amor esquece de recomeçar) e um Oráculo dos Anjos pra brincar. Eu ia comprar o Diário de Anne Frank mas acho que consigo comprar no Estante Virtual por muito menos…

Tinha também o stand do Sebo do Messias com algumas coleções raras e livros de artes com 50% de desconto. No meio dos corredores tinha uma gordinha tensa cheirando muito mal, não sei o que ela fez. Se soltou um pum ou se as roupas estavam sujas, ou se era o cabelo, ou se era ela própria… só de passar ao lado dela a gente podia sentir o fedor. Não sei se foi por isso ou se porque eu estou fugindo de livros – mesmo – mas saí de lá sem comprar nada. Comprei um livro de Pedagogia do Teatro (Jacques Lecoq) na Editora Senac e também outro que ensina como divulgar sua pequena empresa. Arranjei vários catálogos e marca-textos e ganhei um coração de borracha com um poema do Drummond!

Depois fui ao shopping para pagar a conta da minha mãe e as minhas. Engraçado é que eu não consigo comprar uma peça de roupa por não poder gastar, mas não sinto nenhum peso na consciência por comprar livros e mais livros. Pra não dizer que não gastei nada no shopping, comprei um relógio - coisa que nunca usei. Nunca usei relógios de pulso, é sério. Agora estou sentindo falta. Pra vocês verem, né. As pessoas mudam. E eu vou mudar também. Viu, Bruno?

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Conduzindo Miss Melissa.

A Bel está de férias e agora ela anda sequestrando a minha mãe pra aprender a dirigir – o que eu acho ótimo, porque preciso reconhecer que a Dona Foca ensina a gente meeeesmo. Joga a gente nas situações mais difíceis como estacionar na rampa, sair de ré no meio da avenida, parar na subida. Então nunca foi tão fácil conseguir uma carona pra casa! Convidei a Bel pra me buscar na faculdade um dia destes, porque às terças e quintas faço aulas na Vila Olímpia e lá é longe pra burro. A mãe topou com uma facilidade emocionante. E quando saí da facul, lá estavam elas me esperando na Rua Ribeirão Claro. Já avisei pra ficarem por lá, porque a Rua Casa do Ator estava inteira parada, tinha gente que até desligava o carro – claro – porque todos os playboyzinhos da faculdade vão de carro – claro – porque playboyzinho não anda de ônibus – ainda bem, porque eu tinha visto duas baratas no ônibus antes de chegar na aula.

Quando entrei no carro, estacionando em uma esquina – e um cruzamento – começaram as aventuras, ou melhor dizendo, as desventuras (e em série). A Bel resolveu dar a ré para entrar na outra rua que cortava e no meio da ré o carro morreu, de modo que o carro ficou parado na diagonal, tomando o espaço de toda a rua. Ninguém passava. Claro que todo mundo começou a buzinar e eu – que estava pensando em deitar pra dormir no banco de trás – levantei as orelhas na hora, igual cachorro assustado. Então a minha mãe, que é uma ótima co-piloto, avisou pra Bel pra virar à direita, mas avisou na hora, tipo: agora! Vira à direita! A piloto Bel precisou mudar de faixa, porque estava na faixa da esquerda e quando foi mudar de faixa pra faixa da direita acho que esqueceu de dar a seta, porque vinha vindo um carro vermelho atrás que sentou a mão na buzina e eu só consegui dizer: Beeeeeeeeeeeeeeel!!! Dizer, não: Murmurar.

Depois disso a gente ficou dando voltas pela Vila Olímpia e Itaim e ninguém me escutou quando eu disse que ali na frente é a Av São Gabriel, entra lá, entra lá, entra lá. Mas a gente acabou saindo em outra rua – e foi nesta rua que um cara emparelhou com nosso carro e avisou a Bel que ela estava com o farol apagado. Hahahahahahaha!!! Quer dizer então que a gente estava andando totalmente apagadas desde a Vila Olímpia? Que bonito!!!

Teve outras barbeiragens. A Bel andando na faixa larga da Brigadeiro Luiz Antônio e de repente a faixa estreitou e por pouco a gente não sai na contramão. As subidas… a Bel deixava o carro voltar ou fazia o sinal da cruz porque ainda não tinha aprendido a usar o freio de mão. Na Conselhereiro Moreira de Barros subiu com tudo e passou no vermelho – depois começou a rir. E teve aquela subida que a Bel reduziu pra segunda marcha mas não entrou direito, o carro ficou tossindo. Ali do banco de trás eu murmurei: “não entrou”. A minha mãe, entretanto, teatral e desesperadamente, exclamou: NÃO ENTROU!!!! NÃÃÃÃO ENTROOOOOOOOOOU!!! A motorista não sabia se xingava ou se ria. Eu tentei explicar para a co-piloto que a gente tem que falar as coisas com serenidade, porque estas exclamações teatrais e vigorosas podem causar pânico em quem está dirigindo. Foi divertido. A Bel começou a rir. Mas ninguém percebeu como foi divertido pra mim, porque o tempo inteiro que fiquei rachando o bico (da faculdade até em casa) tapava o som das risadas mergulhando a boca na manga da blusa. Mas quer saber, sair com a Bel tem muito mais emoção! Sair comigo é chato, eu sou certinha demais, faço tudo direito. A Bel é mesmo de parar o trânsito! ;-)

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Se o meu coração fosse uma vitrola…

Todos os finais de semana do mês de Agosto vejo uma sósia da Rita Pavone, que carinhosamente chamamos de “Bruna” Pavone, cantar “Datemi un Martello” nos palcos da cantina da Festa de Achiropita. Enquanto ela performa – e o faz muito bem – ninguém nem imagina que no meio daquelas milhares de pessoas, uma delas está ali de corpo presente, apenas. A alma é transportada para muitos e muitos anos atrás…

…bairro do Chora Menino. Avenida dos Timoneiros. Uma rua sem saída. Os vizinhos da minha avó têm o costume de escutar algumas músicas antigas, entre elas, Rita Pavone. Domingo, final de tarde. Datemi un Martello, Rita Pavone. Meu pai lavando o carro. Minha avó fazendo bolinhos de chuva ou assistindo o Chacrinha. Meu tio se divertindo com a música e dançando pra me fazer rir. O sino da igreja toca, porque são seis horas. Minha avó murmura lá de dentro: “seis horas…”. O céu vira tela de pintura, um alaranjado que toma toda a extensão do céu, aquele alaranjado de final de tarde. Coisa de sempre. Eu era pequena. Se eu tivesse noção de que aquele momento deixaria saudades, agarraria-o com todas as minhas forças e não o deixaria mais ir embora. Mas, felizmente, aquele momento, assim como o mês de Agosto, Achiropita e a Bruna cantando, está bem seguro no meu coração. Tão cedo daqui não sai.

PS: apesar deste post ser fofo, eu tenho noção do quanto este segundo vídeo é bizarro! Reparem nas coreografias da galera atrás dela, nas caras que ela faz para a câmera e especialmente na desenvoltura com que ela dança o tempo inteiro com este martelo na mão!!! :-D

PS2: Quando eu tinha 05 anos usava um corte de cabelo igual ao dela; agora eu entendi em quem a minha mãe se inspirou. ;-)

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Lost in Translation

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Acho que com Encontros e Desencontros (Lost in Translation) a Sofia Coppolla se superou. Ela conseguiu contar a fábula da vida: o fato de que no nosso caminho nós vamos cruzar com pessoas especiais, vamos nos apaixonar por elas e elas não necessariamente vão ou poderão ficar. Daí os encontros e os desencontros. Não sei vocês, mas este filme conta a fábula da minha vida…

Uma garota sozinha e enfadonha tenta passar o tempo enquanto o marido faz seus trabalhos em Tóquio e no meio de seus passatempos, ela conhece o Bill Murray e nasce entre eles uma cumplicidade daquelas mais perigosas: aquela em que não se sente a necessidade de trocar palavras. Estar ali, lado a lado, dividindo os momentos, compartilhando as horas, já basta. O problema é que esta cumplicidade cresce, cresce, cresce… exatamente como acontece com a gente.

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

Quantas e quantas vezes eu já me perguntei qual o sentido de eu ter encontrado determinada pessoa na minha vida, se ela foi ou é tão especial e causa tanto mas se por motivos de força maior ela tem que seguir seu caminho e eu o meu… como o Bruno, que definitivamente me arrebatou o coração (sem exageros e sem romantismo), mas por motivos de força maior não pode ficar comigo. A vida é dura, meus caros. E dói, viver. Viver é foda, já disse o Legião. Despedidas dóem. As pessoas virão, vão entrar na sua vida, vão arregaçar com você e de uma hora pra outra vão embora com a mesma despretensão com que chegaram. Você provavelmente jamais vai esquecê-las e vai ter que entender, com o tempo, por que motivo suas vidas se cruzaram ou, num ato de resignação, vai ter que se contentar em não compreender os motivos que são maiores do que o nosso vão entendimento sobre as coisas da vida. E tem mais! Vai ter que aprender a dizer adeus.

Bill Murray cochichou seu adeus no ouvidinho da nossa amiga Scarlett Johansonn. La Coppolla, em sua grande sensibilidade e sabedoria, tanto se deu conta da delicadeza destes encontros e desencontros, que entendeu que as emoções que provêm deles são arrebatadoras demais pra serem traduzidas. E é por isso que você jamais vai saber o quê exatamente o Bill cochichou no ouvido da Scarlett na hora de dizer adeus. E se ele conseguiu dizer.

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida*

* Os trechos de música são de “Encontros e Despedidas”, do Milton Nascimento e Fernando Brant, muito conhecido na voz da Maria Rita. 

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Sobre aquilo que a inocência ensina

Algumas pessoas sabem que eu tenho fama de bravinha. Mas eu não tenho culpa disso! Vejam que a minha braveza tem fundamentos e já começa nas primeiras horas do dia, dentro do coletivo. É lá que a gente conhece a educação das pessoas. Mas tem uma coisa que é ainda mais triste do que constatar que as pessoas não têm educação (porque isso a gente já desconfia), que é constatar que não existem mais homens cavalheiros neste mundo. Tá, não vou entrar nesta parte de que não existem mais homens… vamos considerar os poucos que ainda restam. Aqui a gente entrar em uma questão filosófica e metafísica: o homem de que estou falando não é o cara viril, lindo, sorridente, bem sucedido. Claro que a gente adora tudo mas a gente gosta muito mais de quando existem homens cavalheiros que se levantam para as mulheres se sentarem!!! :-D

Pensando nisso, ou seja, no assunto: “homens cavalheiros”, é incrível, mas me lembro com singeleza do primeiríssimo amor da minha vida, prazer, Ricardo. O Ricardo era um garoto que morava na rua da minha avó, a Rua dos Timoneiros, e foi lá que nós nos conhecemos. Eu era uma garotinha de seis, sete anos e ele tinha a mesma idade que eu, talvez um ou dois anos mais velho. Uma bela tarde, eis que vejo um garoto passando várias vezes na frente do portão da casa da minha avó, simulando uma flecha, apontando pra mim e gritando: “Flecha do amor!!! Flecha do amor!!!”. A minha avó me colocou pra dentro de casa como se ele fosse o verdadeiro lobo mau. Me lembro que nós flertamos dali pra frente e logo mais veio a festa de aniversário dele. Até então não tínhamos trocado uma palavra sequer, portanto, não fui convidada. Mas meus amigos Rafael, Lucinha e Cíntia, foram – ou seja: eu fui com eles. Quando ele foi abrir o portão para receber os amigos e me viu, começou a rir, envergonhado, e eu disse: “isso vai dar choque” – vejam como eu era ousadinha, na época!!! Por que fiquei tão pata com o tempo? Bem, isso é assunto pra outro post. Vamos ligar os fatos:

O Ricardo cresceu com a gente, lá na rua, e cheguei a disputá-lo com a minha melhor amiga, a Camila – claro, porque as nossas melhores amigas de infância sempre querem o que a gente quer!!!  A lembrança que eu tenho dele e que guardo com mais carinho é quando eu levei uma bolada enquanto os meninos jogavam bola na rua e comecei a chorar. Todo mundo começou a rir da minha cara, porque todo mundo acha muito engraçado quando uma menina leva uma bolada. O Ricardo largou tudo e foi lá me defender. Me perguntou se eu estava bem, me abraçou, disse que a dor ia passar. Vejam que coisinha mais bonitinha!!! Ele não estava nem aí para o que aquele bando de moleques bobos iam dizer sobre ele. Nunca conheci alguém tão delicado e doce como aquele garoto, que hoje deve estar casado e já deve ser pai. Depois de um tempo, nós fomos crescendo, já éramos adolescentes, e nosso relacionamento se resumia à troca de olhares que rolava quando eu ia para a casa da minha avó aos domingos a pé e descia a rua. Ele estava sempre quieto no quintal, lendo um livro ou brincando com um dos gatos da sua avó. Então ele escutava os meus pés fazerem barulho no chão, olhava o que era e me via. Parava o que estava fazendo e fixava os olhos em mim. Eu sorria e abaixava a cabeça. Era um distanciamento que eu não queria, ou que me arrependi, mais tarde. Um belo dia ele se mudou e eu perdi o contato com ele, definitivamente. Contento-me em saber que passou por mim um menino tão querido e que eu fui a sua “menina dos olhos”.  Ele é o parâmetro do que eu espero de um homem: Saber cuidar, não ter vergonha de ser romântico e ser legitimamente cavalheiro. Se eu soubesse que no futuro sentiria tanta falta disso, teria  guardado o Ricardo pra mim. Pra sempre.

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CREIO EM TI, CORINTHIANS!!!

 

Para o Papai e para a Manu 

Podem falar o que for. Podem chamar a gente de maloqueiro, sem dente, sem cultura, iletrados, podem enfileirar vários adjetivos infames, para a gente só importa um: a qualidade de sermos Corintianos! Corinthians é como chocolate, uma paixão irresistível que libera a serotonina e liberta todos os hormônios do prazer, por vezes chega a entorpecer os sentidos. De amor se enfia os pés pelas mãos, por amor se perde o bom senso e o bom comportamento. Corinthians é um vício, uma doença – e doença incurável. É pergunta de vestibular: História do Brasil Contemporâneo!!! É praticamente uma religião, um modo de vida, uma seita, um monstro, uma mania. Nada supera a soberania da torcida una, homogênea e heterogênea ao mesmo tempo, vociferante, intercessora, devota, apaixonada. FIEL. Fiel até debaixo d´água! Na alegria, na tristeza, na saúde e na doença! O Corinthians ensinou o que é ser torcedor fiel. O que é levar no peito uma declaração de amor sincero e leal, mesmo sendo parte da segunda divisão. O que é perder – e por vezes perder feio – mas sair sorrindo, rindo de si mesmo e amando: eu sou corintiano!!! O que importa, eu sou corintiano, Corinthians para sempre e eu nunca vou te abandonar. O Corinthians faz sorrir e faz chorar, faz chorar como se chora um bebê ou alguém que perdeu a namorada, ou uma garota que levou o maior fora da vida dela, capaz de deixar um coração partido, um rosto inchado – e uma cara fechada. O Timão é a única poção mágica capaz de derrubar o humor do meu pai ou deixá-lo totalmente sem voz, como se o trovão ficasse rouco do dia para a noite. Quem é Corintiano não tem vergonha de ser o que é e não importa o jeito como os outros o vêem. Para ele ou para ela, a única coisa que importa é o fato de torcer pelo Corinthians. E só para o Corinthians. Se tiver um barranco e tiver que escolher entre deixar o Corinthians ou a esposa/marido ir pro brejo, fica o Corinthians, vai a esposa e o marido. Você vai ficar bem, amorzinho. O meu Timão é o meu Timão. E no princípio era o Verbo e o Corinthians. Só depois é que veio o resto, Adão, Eva, a maçã, o pecado original. Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo: foi assistir um jogo do Corinthians!!! :-D O Corinthians é paixão pura, irresistível e arrebatadora. Foi o time capaz de vencer a minha aversão pelo futebol – ou o modo como se joga e se torce pelo futebol, no Brasil – capaz de vencer meu jeito blasé de torcer (!!!!) e fazer com que o meu coração se rendesse de vez!!! Meu querido time, brejeiro, alegre e soberano. Eu sou Corinthians com orgulho, com louvor, com alegria,  sou Corinthians do meu jeito silencioso, na paz de ficar na minha, na paz de não querer e nem precisar agredir nenhum outro time, nenhum outro torcedor. Porque nada mais importa. Eu sinto amor pela força do Corinthians! Podem falar o que quiser – estarão perdendo o tempo. Tudo entra por um ouvido e sai por outro. Tudo passa. Mas o Corinthians é o Corinthians! Ontem, hoje e sempre.

 Este texto escrevi na faculdade, durante uma aula bem chata e obviamente foi inspirado por ocasião do Centenário e escrito principalmente para ser dedicado a todos os torcedores.

 

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Mimada não!!! A-m-a-d-a!

 
 
Estive pensando no quanto preciso agradecer à Deus, no tanto que tenho a ser grata. Por tudo, por todos. Porque neste “mundo tenebroso” (como diz a Bel) ainda encontro motivos pra sorrir, pra acreditar nas pessoas e em transformações positivas. Ainda consigo encontrar momentos simples, simples de felicidade transbordante, esfuziante, exorbitante e não, não vem ela de coisas complexas, de ambições sofisticadas. Vem de coisas simples como andar de metrô!!! Coisas simples como conversar com um amigo (ou descobrir um!). Coisas simples, simples como bater papo com meu pai, comer um chocolate, mimar um velhinho. Que bom que Deus me fez simples, assim. Santa Teresinha é que dizia o tempo inteiro sobre a beleza da simplicidade. Mas comecei a escrever sobre tudo isso pra falar do quanto tenho que agradecer por me sentir tão amada, tão cuidada. Em todos os lugares. Em pessoas que querem assegurar que eu tenho meios de ir pra casa e gostam da minha companhia. Colegas de trabalho que estão ao meu lado quando mais preciso de ajuda e não preciso (nunca) pedir, sou sempre amparada por eles em todo o tipo de ajuda: desde pegar as bagagens mais pesadas até me trazer um copo de café com leite e pãozinho – volto a repetir: sem que eu peça! Ou o simples fato de alguém se deslocar e atravessar o desembarque para ficar ao meu lado. Postar-se ao meu lado e estar lá para o que for necessário. Proteger-me ou interceder por mim de uma maneira tão generosa e sábia… começando, enfim, pela minha própria casa: o pai que não abre mão de levantar de madrugada para me fazer café e me acompanhar até o portão (!), a irmã que se oferece para pagar a terapia porque acha que me fará bem, a madrinha que me cobre de mimos e proteções ou a mãe rígida ao extremo que me faz sair da minha zona de conforto – e sabe disso: meu Deusss eu estou cercada de anjos da guarda!!! Fico me perguntando se mereço tudo isso! E que vergonha quando eu me lembro de quando reclamo da vida e digo que as coisas sempre são difíceis pra mim. Na realidade eu sou uma pessoa muito cuidada e muito amada e quando as coisas não andam, sou eu, euzinha, eu mesma quem atravanco a minha própria vida. Acho que eu preciso aprender a me amar tanto quanto os outros me amam… ;-)
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Pequenos detalhes inesquecíveis

[Achiropita 2010]

A primeira foto: Setor A, na Cantina. Segunda foto: as mammas do macarrão, que carinhosamente chamo de “velhinhas”.

  • As risadas dentro [e fora] do carro
  • Muita gente pra passar esponja nas mesas [acabava rapidinho!!!]
  • Os Halls que eu dividia com o Geraldo
  • As risadas secretas com o segurança ao lado do palco [e as suas brincadeiras]
  • A troca de olhares fraternos com o guitarrista
  • Colocar a mão sobre o palco pra sentir a vibração dos instrumentos tocando
  • O baixista e seu jeito blasé de tocar [só os dedos se mexem]
  • A hora do jantar!!!
  • O cheiro do molho de tomate!!!
  • A simpatia das velhinhas!!! [e mesmo as mais bravinhas]
  • A velhinha que brincava quando a gente pedia a massa penne no plural [3 pênis?]
  • A fila do INPS no domingo [fila do macarrão]
  • Os comentários sarcásticos da Naná
  • As palhaçadas do Paulinho
  • As mesas das velhinhas atrapalhadas que me deixavam doidinha da silva, mas que eram extremamente carinhosas!!!
  • Todas as músicas italianas…
  • Os doces e a troca de olhares com o cara do doce…!
  • O jeito como todo mundo se rende à empolgação nestas horas, sem vergonha… [HAHAHA]
  • Ter feito pessoas se conhecerem e serem novos amigos
  • Trazer novas pessoas que ficarão pra sempre
  • As orações coletivas com as mãos dadas
  • Nossa Senhora da Achiropita passando no último dia da festa
  • Reencontrar velhos amigos
  • A velhinha dos cílios de neve
  • Sentir-se feliz com pouco
  • Sentir-se grata por muito
  • Os espaguetes e os pennes
  • Andar de carro de mãos dadas com a amiga-irmã no banco de trás
  • Os abraços apertados dela.
  • A alegria infinita e indissolúvel
  • Ser parte disto.
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Sobre a sua toalha de mesa

Para Mirelli

Lembrei-me de você esta tarde. De como você adorava agitar nas mãos o romance da Lygia e me comparar com a Lorena, emendando suas acusações em seus discursos políticos que conforme você achava, não me tocavam. Eu estava muito ocupada cuidando dos meus bibelôs, não era assim? Dedilhava no violão pra passar o tempo e disfarçar a angústia que você me causava. Você? Eu já me sentia suficientemente medíocre por me dar conta de que toda vez que você me procurava chorando era pra curtir seu luto por algum amigo ou parente morto em algum incidente daqueles que a gente só via pela televisão. E ainda vê. Enquanto a minha dor era dor de amor e só de amor. E parecia não te comover. Você me sacudia os ombros e queria fazer “a tal dor” passar na base da bronca (mas não passava). Será que eram desculpas esfarrapadas pra eu não ter que sofrer quando olhasse o mundo do jeito que estava a olhos nus? Você me trazia o noticiário enrolado debaixo do braço e colocava-o sobre a mesa como uma toalha, pra eu não me esquecer de olhar pra fora, olhar pra fora – eu te odiava quando você dizia isso se achando um daqueles caras militantes de esquerda. Daí que hoje à tarde eu me lembrei de você quando tive que desviar os olhos daqueles deficientes físicos que desembarcaram lá no aeroporto, para as paraolimpíadas escolares que vai rolar este mês. Eu estava reclamando da vida e uma delas, a garota que tinha paralisia cerebral, estava sorrindo. Eu tinha certeza, Marco, que ela sabia por que motivo estava ali. Devia estar feliz até porque sabia que ia participar das olimpíadas. E eu não duvido que vença. Quanto a mim, eu sairia do trabalho e chegaria em casa e iria dormir meu sono de quem está muito cansada, como todos os outros dias e assim vai. Meus olhos viraram piscina nesta hora e eu precisei desvia-los, porque certamente esta emoção seria entendida por eles como piedade e não, não era piedade. Foi então que eu me lembrei de você e pela primeira vez na vida me dei conta de como é cruel entender o significado daquela palavra que você sublinhava em seus discursos, a tal da mediocridade. Me afastei, porque não consegui parar de chorar. Fiz uma oração dizendo assim: Cara aí de Cima, não dá mole pra mim, não, porque eu preciso aprender a ser gente. E quando achei que finalmente tinha aprendido alguma coisa – como a Lorena aprendeu – logo mais precisei falar no portão quatro e quem atendeu o ramal foi a noiva do Marcelo. Ela foi amável, foi solícita. Reconheci o jeito dele de falar, ali, na voz dela. A minha garganta travou, os olhos ficaram marejados, emudeci. Ela quis ajudar, perguntou: é alguma pane? Eu desconversei. Mas se ela fosse escutar o que eu disse por dentro, minha resposta teria sido que sim, tem uma pane: eu queria ser ela. Queria ser ela, ter a voz dela, ter o número de celular dela. Levar o sobrenome dele. Eu queria destruir tudo o que ela tem e roubar pra mim porque não tenho culpa de sentir – mas ao mesmo tempo eu não queria fazê-la chorar. Felizmente o meu egoísmo é rouco. Fui embora sentindo vontades de pedir perdão para o mundo e começou a chover – chover, depois de tantos dias secos. Saí sem guarda-chuvas pra que as gotas da chuva se misturassem com aquelas que escorriam dos meus olhos míopes. Oh, sim, eu me lembrei de você esta tarde. E eu sei que o mundo está agonizando a mesma dor que eu estou sentindo agora, nas minhas proporções. Eu sei que o meu sofrimento é pequeno e que eu não sei o que é sentir dor de verdade. Sei que “piso em favos de mel” enquanto tem gente que tem os pés feridos por cacos de vidro. Vai ver que esta prisão de ter que engolir o amor que eu sinto é a prisão que me cabe. Hoje eu me vi do mesmo tamanho que você vive dizendo que nós somos. Menor do que um grão de areia. Ainda que a minha ferida doa de qualquer maneira… Parece que alguém me sacudiu daquele jeito que você fazia – e deu certo. Daqui pra frente vai doer bem mais. Eu vou sentir a minha dor e a dos outros, assim, exatamente como você queria. Então esta tarde eu me lembrei do quanto eu preciso de você e do seu maldito jornal debaixo da minha xícara de café. Não demora vou te ligar. Não tem jeito de sobreviver neste mundo senão ao lado de alguém que agüenta e ama a gente assim mesmo, do jeito infame e vergonhoso que a gente é.

Foto: We Heart It

Música: “Our Window” – Noah and the Whale (fora de contexto, mas é a música que eu estava ouvindo enquanto eu escrevia).

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Não saia com ela

Existia um site por aí onde você entrava pra contar sua experiência traumática com determinado ser humano no sexo masculino e evitava, portanto, que outras garotas passassem por semelhante desastre. O site se chamava “não saia com ele”, mas foi desativado. Ontem à noite fiquei pensando se existe um site destes para motoristas e suas fases. Assim, você sai com determinada pessoa barbeira e a experiência é traumática o suficiente pra você querer deixar registrado por aí de modo que outros não passem pelo mesmo que você passou. Que o diga a minha amiga Juliana

…depois de muito tempo sem nos ver, já que a Juliana é assessora de imprensa esportiva, aproveitei a minha onda de não querer mais ficar em casa no final de semana e liguei assim no fim da noite, convidando-a pra sair. Onde? Não se sabia. A Jú, como sempre, topou. Fiquei de passar mais tarde lá na sua casa e é importante que se diga: usando o carro do meu pai [que quase estragou a festa].

No entanto eu havia me esquecido do quão insuportável é aquela rua onde a Dona Juliana de Orleans e Bragança mora. Não basta ser estreita e já mal caber dois carros transitando em duas mãos: tem que haver carros estacionados de aaaaaaaaaaaambos os lados da rua e você se desespera quando passa ali no meio e MEIO precisa se preocupar em passar rápido porque se descer outro no lado contrário FERROU, e meio precisa cuidar pra não levar os espelhos retrovisores dos outros. A Jú já estava me esperando encostada no portão do condomínio. Passei por ela para manobrar o carro usando a saída do condomínio pra fazer o retorno e então pegar a donzela que já devia estar me esperando há séculos: a manobra foi bem sucedida e fiquei orgulhosa de mim – enquanto havia uma voz que dizia (e eu não escutava): fica feliz mesmo, porque será o único acerto da noite hohohohohohohoho.

Perguntei pra Jú onde poderíamos ir e ela não tinha idéia. Nem eu. Resolvi tentar encontrar o Merceria ZN, que fica na Água Fria. Aproveitei que estava perto da Av Nova Cantareira e fui pra lá, também sem saber onde raios ficava a rua do barzinho. Pra resumo da ópera, depois de circular pelo bairro do Jardim França e sem achar vivalma pra perguntar onde ficava a Rua Casa Forte – porque quem tem boca vai à Roma – decidimos ir pra Engenheiro Caetano Álvares pra escolher um dos milhares barzinhos que existem por lá. Só que…

…como sempre acontece eu me perdi pra sair da Água Fria e, procurando a rua certa que levava à Engenheiro, acabei saindo em uma favela comunidade, e pra ficar mais bonito a rua não tinha saída. Perguntei pra um rapazote onde raios ficava a Engenheiro e ele explicou, mas pra isso eu precisaria dar ré pra retornar.

_ Moço, você não tá entendendo! Se eu voltar até lá em cima no começo da rua em marcha ré vou levar todos os carros comigo. Eu vou manobrar o carro ali

O rapazote me ajudou a manobrar porque o espaço da rua era mínimo e eu retornei e finalmente chegamos na Engenheiro. Agora a luta era pra encontrar um lugar para estacionar. Resolvi entrar na rua do Comércio de Doces, onde sei que existem vagas e a galera deixa o carro ali – isso porque eu não tinha certeza se todos os bares tinham serviço de vallet e nem tinha idéia de onde nós íamos, já que na Engenheiro existem vários bares, às pencas. Entrei na tal rua, novamente manobrei o carro porque tinha visto lugares disponíveis na mão oposta. Retornando, estacionei, sem maiores traumas, porque a vaga era imensa. Só que o guardador de carros – um Raul Seixas cabeludo – me pediu encarecidamente pra que eu estacionasse na vaga ali perto da esquina, onde ele poderia olhar o carro direitinho. Meio assim, resolvi fazer o que ele me pediu.

A Dona Juliana de Orleans e Bragança, nesta altura, estava me esperando na esquina e já com o estômago no cérebro porque não havia jantado e devia estar me xingando e toda a minha geração. Eu juro que eu TENTEI encaixar o carro na tal vaga – que nem era pequena -, mas não sei por que tem dias que eu acerto e tem dias que não acerto fazer a baliza. Na realidade eu sei porquê: não me concentrei direito pra fazer a coisa direito enquanto o tiozinho falava falava falava no meu ouvido: vem pra cá, vai pra lá, bota a roda aqui, bota a roda pra lá… resolvi fazer a volta no quarteirão e deixar o carro naquela vaga coração de mãe, onde minha capacidade me permitia estacionar o carro do meu pai. E pronto.

Claro que eu fiquei totalmente desconectada da conversa com a Júbis, no bar, porque estava o tempo inteiro preocupada com o carro, se alguém tinha riscado a porta com a chave, se tinham roubado, se eu tinha desligado a lanterna ou se tinha ligado o alarme. Fora que a Júbis de Orleans e Bragança pôde bebericar sua cerveja e eu não pude beber nada daqueles negocinhos que eu adoro beber. Fiquei na Coca-Cola e é assim que se faz.

A parte terrível não chegou ainda, tá? Vem depois. Depois que nós pagamos a conta e eu tinha que levar a filhotinha Júbis em casa. Ao chegar na rua pedi, envergonhada, se poderia deixá-la no começo da rua que era mais estreita do que aquele buraco da agulha. Mas a Júbis acredita na minha capacidade e disse que eu podia manobrar o carro na entrada da garagem do condomínio, como aliás eu havia feito mais cedo.

Entrei na tal rua, deixei a Júbis, embiquei o carro na entrada da garagem. Ao meu lado, um carro. Atrás de mim, dois carros (veja bem: dois carros que os babacas deixaram bem em frente à saída do condomínio. Pessoas do meu Brasil, eu não tenho problemas de visão, mas eu nÃÃÃÃÃO enxergo naaaaaada à noite. Fiz a forcinha pra dar a ré no carro, e não podia virar a direção e dar a primeira, por causa do carro que tinha na minha frente – pois então tentei colocar o carro mais pra trás até que …

TÁ!!! [um barulho lá atrás e se carros falassem o KA que estava atrás de mim teria dito: AI!].

Neste momento olhei para a direita porque meu sexto sentido dizia que ainda havia algum problema e eis que vejo descendo o carro do DSV - eu juro que é verdade – e eu só não comecei a chorar porque tinha uma porção de carros me esperando concluir a manobra (mas eles desistiram de esperar). Resolvi encostar o carro para checar qual foi o estrago. Dei a seta para encostar (um pouco mais a frente) e desci do carro. O DSV tinha parado atrás de mim e eu olhei para a cara do homem que dirigia com a minha pior cara de desespero que eu tenho certeza que o consternou… corri até o porteiro do condomínio, que assistiu a cena dantesca de camarote. Havia um furinho na lataria do KA, um pouco acima do pneu.

_ Moço, boa noite. Aquele furinho foi eu quem fiz?

_ Foi exatamente a senhorita que fez – ele respondeu sorrindo, achando graça.

Perguntei pro moço se ele sabia onde estava o dono do Ka, mas ele não sabia. Deixei o número do meu celular e meu nome:

_ Tá legal, mas corre lá porque o DSV vai te multar, porque não pode estacionar ali onde você parou.

Nesta altura o cara do DSV já estava buzinando e me chamando. Apareci com o carão em sua janela e ele me disse:

_ Senhorita, aquele carro está irregular. Ele foi multado. Ali onde ele parou não pode estacionar, é saída de condomínio.

Expliquei para o cara que a minha carta é recente, que eu sou pisciana com ascendente em leão, portanto segura, mas atrapalhada, que não enxergo direito por causa do filme no carro, que a noite todos os gatos são pardos e existe uma teoria junguiana que… o cara se compadeceu e simplesmente foi embora. Eu corri de volta até o porteiro, enquanto pensava:

- e se o dono do Ka me aparecer com uma nota fiscal do serviço completo de manutenção do carro dele?

- e se ele escolher o martelinho de ouro mais caro da cidade?

Mas ele estava errado. Não é justo! Não tive dúvidas:

_ Moço, boa noite. Por favor, se o cara do Ka reclamar o senhor finge que não viu nada, está bem? Eu sei que é feio fazer isso, mas eu não tenho dinheiro pra pagar o carro dele e o meu pai vai me bater.

_ Eu não vi nada, senhorita.

Depois de rezar as mil Ave-Marias, fui para a casa com a consciência pesada e me achando a pessoa mais terrível do mundo e repetindo “que coisa feia melissa, que coisa feia melissa”. Eu juro que não sou tão ruim assim no volante, juro juro. O negócio é que tem dias que acerto tudo, tem dias que nada dá certo. Às vezes estou ON e às vezes estou OFF. Ontem eu estava totalmente OFFLINE, beijos.

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Zorra Total

Sou filha de duas figuras. Isto é fato. Não sei se herdei esta coisa de ser figura, talvez eu seja, do meu jeito. Mas há que se contar algumas passagens tragicômicas da vida dos meus pais, os velhinhos. Eu faria um blog só pra isso, se tivesse tempo e paciência para atualizá-lo, mas já me basta este aqui. Eu escreveria coisas como o que meu pai fez hoje, quando estava tentando ensinar algumas frase em inglês para ele dizer quando encontrasse seu primo lituano: “My name is Sergio, pleased to meet you”. A primeira frase ele disse direitinho, ou “passável”. A segunda frase – pleased to meet you – ele entendeu e repetiu assim: “mitsubishi“. Ou a minha querida mãe que foi me buscar no aeroporto por causa do rolo de uma chave e deixou um bilhete para meu pai: “fui socorrer a Melissa“. Daqui a pouco meu pai liga no meu celular… o que foi, filha????? Ele achou que eu tinha levado um tiro ou coisa assim. Porque a minha mãe não poupou drama na hora de simplesmente dizer que tinha ido buscar a Melissa no trabalho e pronto.

Por falar nela, a minha mãe – a mulher que se refere aos meninos emos por meninos “nemos” (e ela fala sério) – outro dia foi ao mercado e estava ali no departamento de bolos e pães escolhendo um bolo. Ela pediu um bolo de mandioca (eu prefiro o de chocolate, obviamente) e havia perto dela uma mulher que queria um bolo de aipim. A minha mãe fez aquela cara (em que a boca dela abre um pouco e ela fica com cara de pessoa desacreditada) e precisou explicar pra moça que bolo de mandioca e bolo de aipim dão na mesma. A moça teimava que não: mandioca é uma coisa, aipim é outra. Outra coisa totalmente diferente que ela não sabe direito o que é, mas que é. Não, a senhora está equivocada: e quando a minha mãe compra uma briga, ela compra mesmo. Pode ser um aipim ou uma causa social, a paixão por defender seus ideais é a mesma e no caso, ela precisava provar que mandioca e aipim são a mesmíssima coisa. A moça, porém, nao acreditava e minha mãe insistia com sangue nos olhos que ela estava certa e e ponto final. Uma outra pessoa que estava por perto colocou ainda mais lenha na fogueira: mandioca está para aipim, assim como aipim está para macaxeira. A moça não acreditou em ninguém, de modo que o bafafá estava armado – e não adiantava o moço do pão querer conciliar o debate - enquanto a fila dos pães aguardava a boa vontade das três gladiadoras que estavam causando no meio do supermercado.

Meu pai, por sua vez, não poderia ficar atrás nas brejeirices. Sem falar na vez em que nós pedimos para ele comprar um presente para alguém na loja do O Boticário. Ele foi até o shopping e perguntou para o segurança onde ficava a loja do “Botica do Veado de Ouro” (????????) enquanto o segurança prendia a vontade dantesca de rir ou fazia cara de ponto de interrogação. Ele tem o hábito de viajar com os amigos velhinhos uma vez por mês para fazer sei lá o quê no meio do mato, na cidade de Piedade, interior de São Paulo. O nome dos amiguinhos: Junior (que de Junior não tem nada, pois ele é enorme), Franco, Seu Humberto (o mais velhinho e que não gosta de tomar banho), o Tio Paolo e seu irmão que parece Jesus Cristo (mas um JC Hippie), o Cláudio. Todos eles estavam jogando dominó e o Junior e seu primo Franco esqueciam que tratava-se apenas de um jogo e não uma disputa da final do FLAXFLU. Meu pai foi ali fazer xixi e quando voltou, viu o Franco segurando seu primo Junior por trás, agarrando-lhe a barriga, sacudindo-lhe como podia pra lá e pra cá enquanto este se debatia com dificuldades. Os outros gritavam, chamavam ajuda (em vão, porque lá não existe nada mais do que mosquitos e mato) e meu pai, que se acha o super-herói, partiu para a conciliação no verdadeiro deixa disso, deixa disso, deixa disso. Não durou muito o seu papel de advogado do bem, porque a bala que havia dentro da imensa barriga do amiguinho Junior já havia saído goela afora. Veja que o mesmo aconteceu com a minha irmã do meio, e a minha mãe usou um procedimento diferente (e errado): virou-a de cabeça pra baixo e puxou a bala de dentro de sua garganta. O procedimento correto, no entanto, foi aquele que o priminho Franco fez com o outro: você segura a pessoa pelas costas e aperta-lhe a barriga, de preferência de uma maneira não muito cômica e ainda menos violenta, para outras pessoas não acharem que vocês estão brigando ou fazendo amor ou coisa assim, que é o que se passava na mente do meu pai antes de ele ser amplamente ridicularizado (!) por seus amigos-velhinhos.

Estes são meus pais, estas são suas inacreditáveis e insuperáveis anedotas, esta é minha história, esta é minha vida: muito prazer.   

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10 coisas sórdidas e 5 eu te adoros

 

 

 

 

 

 

A querida Taryne, pessoa que tem um dos nomes mais lindos que eu já vi e dona de um dos blogs que fazem meu dia mais feliz e que literalmente fazem meus olhos brilharem, me passou esta brincadeirinha e estes dois selos fofos. Parece que eu tenho que contar 10 segredinhos sobre minha pouco interessante pessoa (hahaha) e depois indicar 05 blogs queridos e fofos que eu acompanho. Já vou avisando que acompanho muito bem mais do que cinco blogs e meu critério de escolha para colocar aqui são aqueles que têm pregado meu olho na tela seja por um motivo, seja por outro. Vamos lá?

10 segredinhos que devem tornar minha pessoa mais interessante (ou não):

1. Ama incondicionalmente os seus pais e as suas irmãs. Tanto que até dói.

2. A Mel vive sonhando acordada. Agravantes: ouvir música no ônibus e estar apaixonada. Ela sai de órbita.

3.  Já quis ser bióloga, jornalista, advogada (defensora pública), assistente social, publicitária, atriz. Acabou estudando Administração de Empresas, a única coisa que não consta na lista…

4. O cara pode ser o mais lindo e gostoso do mundo, pode ser muito bacana, mas se comete um erro de português a Mel perde o tesão na hora.

5. Saberia se virar sozinha em qualquer lugar do mundo onde se possa falar inglês, sem medos, sem traumas, sem sustos, já que a Mel anda sozinha por São Paulo desde os nove anos de idade.

6. Gosta de presentear os amigos com girassóis.

7. Suas emoções são transparentes como água potável.

8. A cara de menina frágil é só a cara. Ela sabe vir com tudo.

9. Seu pé é a coisa mais feia deste mundo: tem joanete e a unha do dedão é amarelada. Enquanto faz o tratamento ela aprende a amar o seu pé, mesmo assim.

10. Quando está apaixonada não consegue de maneira alguma ser uma mocinha comportada e comedida. O resto você já sabe.

Cinco blogs do coração:

Doces Rodopios - pra valsar por aí…

A Day In the Life - pra ficar sem ar e sem palavras, porque a Natália rouba todas.

Whisky com Sucrilhos - a mistura perfeita de inteligência com humor (nepotismo).

Pensamentos By Nathy - pra se emocionar com a sinceridade dela.

Liríssima – pra ter certeza de que eu não estou sozinha.

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Quase.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um olhar.

Uma palavra.

Uma tarde.

 

Um sorriso.

Uma luz.

Uma frase.

 

Um sonho.

Um brilho.

Uma vontade.

 

Um plano.

Uma busca.

Uma verdade.

 

Uma sombra.

Um desencontro.

Uma saudade.

 

Outro olhar.

Outra palavra.

Uma lágrima.

Outra tarde.

Outra vontade

 

Um segredo.

Um soluço.

Outro susto.

Dois suspiros.

Outra dor.

Outro amor.

Outra saudade.

 

Um vidro partido.

Um coração ferido.

Uma formalidade.

O seu sorriso.

As suas luas.

O seu ouro.

E outras meias verdades.

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Little Wing

 
 
 

 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Now she´s walking through the clouds

with the circus mind that´s running round

butterflies and zebras and moombeams and fairytales

all she ever thinks about is riding with the wind

Para Taryne

Na verdade através dos vidros do ônibus tem um filme que passa e me leva junto com ele. Na verdade eu não estou aqui e tenho vários nomes. Na verdade, tem horas que eu quero ser muitas pessoas, menos quem eu sou. E me deixar encher por tanto brilho e tantos sonhos e toda a minha vontade de ter asas e ter o mundo – ou ser um mundo. Na verdade eu não escuto mais a sua voz, tem tempos. Você ficou pra trás, junto com aquela vontade que eu tinha de ser aquela que você gostaria que eu fosse. Aquela menina que se ajeitava nos seus padrões. Na verdade foi sofrendo com isso que eu encontrei quem eu sou. De verdade. E agora eu sou tão leve que passo despercebida pelo tempo. Eu perdi o medo de flutuar, agora eu conheço a minha falta de limites. O meu medo se resume a ficar de pés no chão. Rodopio no ar como uma bailarina sem peso algum. E consigo estar onde eu quero e ser o que eu quero e o que eu posso. Na verdade eu sempre pude. E agora eu não estou mais ao seu lado. Agora sequer estou dentro deste ônibus, você entende? Agora estou colhendo as estrelas que despencam da noite, pra encher o meu corpo de brilho e meus olhos bebem deste mar iluminado pela lua que infla no céu do meu verão. O meu verão. Na verdade eu sou primavera, porque existem flores, sempre existem flores. Flores amarelas. E um perfume que me faz sorrir, embevecida – embevecida de nada, simples assim. E eu sinto as ondas beijarem os meus pés cansados de seguir você – você que nunca soube pra onde queria ir, sufocando a minha vontade que era tanta, tanta, tanta… E agora o mundo parece muito maior do que é, as coisas ganham mais cor, eu não sinto mais tanto frio, nem sinto dor. E eu simplesmente vou levando a vida do meu jeito e escuto a música que eu quero e digo a palavra que eu sinto vontade de dizer – ou não digo nada, porque tantas vezes o silêncio diz tanto mais e vai mais longe. E as linhas pautadas, em branco, ganham mil palavras, ganham mil histórias, ganham outros espaços. Na verdade a vida é feita de infinitas laudas, e este segredo eu vou levar comigo, porque a minha história não tem fim. Mas é melhor assim. É que, na verdade, eu ainda estou só começando.

Este texto foi resultado de um processo… eu queria escrever um texto legal para presentear uma blogueira querida, como faço com todas as pessoas queridas que fazem aniversário. É sempre difícil, porque eu preciso sacar a pessoa e deixar a inspiração vir, pra escrever um texto com a cara dela (será que eu consegui?)… o título da música foi inspirado na música do Jimi Hendrix, na versão dos The Corrs. Quem nunca ouviu vale a pena procurar no youtube, eles colocaram um violino, lindo, lindo. Espero que você goste, Tary.

 

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Vamos errar juntos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para Rodrigo Cabeceiras

A verdade é que eu te levaria comigo se fosse conhecer o Café da Amelie. E se resolvesse sair por aí numa tarde de sol tirando fotos de São Paulo eu sei que poderia confiar no seu olhar e na sua sensibilidade, porque eu vi que você estava chorando enquanto a Esquadrilha da Fumaça voava pelo céu. E tem coisas que a gente até sente vontade de mudar e faz birra algumas vezes, mas não tem como: toda vez que eu entrar no Metrô Conceição vou me lembrar de nós dois ajoelhados no chão, virando nossas mochilas para juntar todas as moedas que tínhamos para saciar nossa vontade de comer um Laka. Eu me senti a Magali e você É o Cebolinha. Já te disse que você É o Cebolinha? Quem é que vai dar valor para meus acessos de esquisitice? Quem vai achar graça em uma Banana de Pijamas remendada? Quem vai rir quando o onibus pular ou quem vai achar graça da minha gastura com bolinhas juntas e repetidas?  

E eu sei que vamos pisar na bola muitas vezes, você vai ficar com esta cara blasé de Psicólogo toda vez que eu resolver abrir o berreiro no ponto de ônibus e não vai passar a mão na minha cabeça ou vai falar algumas coisas que me irritam ou de um jeito que me irrita e depois vai dizer com esta cara de Dino (sim, o Dinossauro) que você tem um desvio de caráter e eu vou rir e pensar que você não vale nada, mas que eu gosto de você. Só que eu estou me sentindo ridícula por te julgar tanto, fica parecendo que eu sou perfeitinha, que não sou esta pessoa tão descabida e complicada que emenda uma paranóia na outra. Não, nós não somos perfeitos. Ninguém é. A gente precisa parar de querer lidar com pessoas perfeitas. A perfeição não é ausência de erros e descabidices. Perfeição é a gente que faz. Ouvindo a Valsa da Amelie. Rindo da nossa própria cara toda vez que o ônibus passa naquela lombada e a gente acha que está no lombo de um boi. Fazer desenhos no Paint Brush, escutando músicas diferentes e dividindo o fone de ouvindo ou simplesmente dormindo no banco do Santana – sim, perfeição é a gente que faz. Arrisco dizer que eu estou cada vez mais desconfiada de gente que parece perfeita, lustrosa, intacta. No fim das contas, por mais que você pise no meu calo, meu caro Cebolinha, é sempre em você que eu penso quando desço a escadaria do metrô e são estas as lembranças que me fazem sorrir. Não que não tenha doído. Não que não tenha me irritado. Se você fizer alguma bobagem comigo eu enfio menthol no seu café com leite. É que eu prefiro pensar que nós somos humanos e eu também posso perder a compostura, de vez em quando.  Mas depois que a frente fria passar, voce vai continuar por perto pra dividir um Laka comigo.

 Ela se aproxima dele, abraça-o e diz que não se sente tão grande assim a ponto de ter carão pra perdoar alguém, mas que se ele se sente melhor desta forma, sim, ele está perdoado.

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Sobre a falta de tantas coisas.

Enquanto estive cobrindo o café do Cabeceiras, hoje, no desembarque, presenciei uma cena muito triste. Havia um cadeirante bem conhecido sendo conduzido por um dos nossos melhores funcionários e eu percebi que estava acontecendo algum problema, porque ele não estava com uma cara muito boa e estava visivelmente irritado. O problema foi com sua cadeira de rodas, que chegou bastante atrasada no desembarque. Explicando: elas são despachadas como bagagem, mas são entregues ao cliente na porta da aeronave, sempre que possível. Se não for possível,o cliente é conduzido até o desembarque com a cadeira da companhia aérea e lá no desembarque ele é conduzido de uma cadeira para outra (se desejar) com o auxílio dos nossos funcionários. Alguns preferem que sejam conduzidos até o estacionamento com a cadeira da companhia e só usam a sua própria quando chegarem em casa. Hoje o nosso cliente desceu até o desembarque com a cadeira de rodas da nossa companhia e recebeu a sua depois de algum tempo, com algum tempo de atraso.

Eu costumo dizer que o desenrolar de um problema que um passageiro tem por nossa culpa, depende do modo como ele está sendo atendido. Um bom atendimento consegue neutralizar a insatisfação de alguém. Eu não vi o atendimento do meu colega, mas eu sei que o cliente estava sendo atendido por dois dos nossos melhores funcionários e igualmente confiáveis. Não acho que nós temos que declarar perfeição em nossos serviços, porque erros sempre acontecerão e a aviação não coopera muito para melhorar isso. E eu não vou entrar em detalhes, porque não é este o foco deste post. De todas as formas, a gente precisa tratar um cadeirante com respeito e com muito cuidado, levando sempre em conta de que a cadeira de rodas é uma extensão dele e não simplesmente uma cadeira de rodas. E não acho que tenha faltado respeito no atendimento dos meus colegas, mas talvez tenha faltado tato, delicadeza. No entanto, eu fui testemunha de que o meu colega estava atendendo o cliente com RESPEITO e com EDUCAÇÃO, independentemente dos problemas que tenham sido ocasionados por nossa companhia. E eu também vi a total indelicadeza em resposta ao meu colega, por parte do cliente, quando ele apenas lhe pediu um minuto, para pegar a cadeira de rodas na esteira 05. O cliente respondeu: “Vá se foder“. Ao lado estavam eu e o Supervisor da Infraero. Nesta situação cada um reage de um jeito. Nós somos treinados para engolir todo o tipo de afronta e terminar nosso atendimento, mas é muito difícil engolir este tipo de coisa. O meu colega não gostou da falta de respeito e interrompeu o atendimento. Eu estava levando uma bagagem até a porta do desembarque e eu vi quando o cliente pediu para seu acompanhante fotografá-lo. Quando voltei, depois de já ter entregue a bagagem ao dono na porta do desembarque, o supervisor da Infraero me contou o que havia acontecido. Eu me aproximei e o diálogo foi o seguinte:

Cliente: Isso é um absurdo!

MEL – O senhor pode aguardar um momento para eu solicitar a um dos meu colegas que finalize o seu atendimento? Ou o senhor prefere que eu te acompanhe até a porta? Tem alguém esperando o senhor lá fora?

Cliente – Não. Eu não quero mais nada de vocês. Vou denunciar a sua companhia. Já tirei fotos. Eu escrevo para o Jornal X.

MEL – Eu sei quem o senhor é…

O supervisor da Infraero intercedeu por nós, dizendo que aquele funcionário é muito centrado e não costuma fazer isso. Acrescentei:

MEL: Eu posso fazer alguma coisa pra te ajudar, senhor?

Cliente: pode sim, tratar seus clientes com mais respeito.

Aos domingos, o desembarque do Aeroporto de Congonhas fica um inferno. Chegam vôos fretados da TAM e da GOL, entupindo o desembarque de pessoas e as esteiras descarregam pelo menos três vôos ao mesmo tempo. O quadro de funcionários das companhias é reduzido aos finais de semana, porque temos direito a um fim de semana de folga por mês e sempre existem vários funcionários da rampa (o pessoal que pega bagagem) fora. Este desequilíbrio infelizmente compromete a qualidade dos nossos serviços em alguns aspectos e este é um assunto pelo qual eu brigo sempre. Ele publicou em seu blog uma  nota sobre o ocorrido com fotos em que ele havia sido deixado “amarrado à uma cadeira de rodas” que não era a dele. Eu achei bastante demagogo da parte dele, porque ele só estava “amarrado” à parede, porque aquela cadeira era da Infraero, fica sempre presa à parede e o funcionário da companhia aérea preocupou-se mais em encontrar a cadeira dele do que perder tempo solicitando à Infraero que viesse até o desembarque com a “chave da cadeira de rodas”. Percebam que ele não deixa opção de comentários, de modo que não se possa esclarecer a verdade para seus leitores. Além do mais, o cliente estava no lugar em que nós posicionamos todos os cadeirantes enquanto coletamos suas bagagens: no chão existe uma sinalização na cor azul de acessibilidade (que não aparece na foto).

Que fique claro que admiro muito a sua história e sempre fui uma fã incondicional do seu trabalho, dos seus textos, do seu olhar sobre o mundo. Não sou assessora de imprensa da companhia. Se fosse pediria desculpas oficialmente pela demora do desembarque de sua cadeira de rodas. Este post é só para reiterar que os problemas e erros não vão acabar. Infelizmente uma companhia aérea é feita por pessoas e pessoas erram. Nós trabalhamos para que o cliente fique satisfeito com toda a cadeia de serviços, do começo ao fim. Entretanto, uma coisa é a companhia cometer um erro que prejudica o cliente de alguma forma – ainda que involuntariamente. Outra é a falta de respeito deliberada. O cliente a que me refiro foi tratado com educação e com respeito o tempo inteiro. E o mesmo respeito com que nós – os funcionários - tratamos nossos clientes, queremos de volta. No momento em que o cliente baixa o nível e confunde a empresa com o funcionário que está lhe atendendo, levando as coisas para o lado pessoal, tem que saber que cada um de nós vai reagir de um jeito. Sei que ele se sentiu lesado – e com razão. Eu também me sentiria. Ele poderia ter xingado a companhia, ter falado mal, ter exigido seus direitos com firmeza e com civilidade. Mas destratou e humilhou o funcionário na frente de outras pessoas. O fato de  eu ter um problema não me dá o direito de sair distribuindo patadas por aí.  Sempre existem maneiras civilizadas de se resolver as coisas e não é porque você escreve para um jornal e porque é famoso que pode agir diferente.

“Falta tanta coisa na minha janela
Como uma praia
Falta tanta coisa na memória
Como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio
Quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência
Que me desespero
Sobram tantas meias-verdades
Que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos
Que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo…”

Sobra tanta falta – Teatro Mágico

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Melissa, The Hedgehog.

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
…” (Travessia)

O futuro não é o mesmo para todas as pessoas. O futuro da Ana Paula, minha prima e mãe da Clara, é cuidar da educação da sua filha e planejar a compra de uma casa maior, aumentar a família, talvez o salário, etc. O futuro para uma escritora é pensar no que vem depois do romance que ela acabou de escrever ou tirar umas férias. O futuro do Lula é esperar se a Dilma vai ganhar as eleições presidenciais ou não. E o meu futuro é nebuloso. Todo mundo tem alguma idéia do que vai acontecer. Se você vai bem na empresa, sabe que o futuro reserva uma trajetória legal naquilo que você está caminhando. Se namora firme, sabe que tem alguma coisa em que se apoiar. Eu não faço idéia do que vem depois. Estou presa ao agora e todo o meu futuro depende do que está acontecendo neste momento e principalmente do que ainda não aconteceu – e que precisa muuuito acontecer. Minha vida tem sido criar estas condições para o “depois” poder rolar. Algumas delas eu consigo. Estudar, por exemplo. Conseguir minha graduação, me preparar para uma pós, vai me qualificar melhor para conseguir uma colocação e salário melhores. Isso vai me possibilitar constituir família. Mas que família? Cadê o pai e o marido? É, passam estas coisas pela minha cabeça. Será que estas coisas só dependem da gente? Será que é de verdade a linha natural das coisas e então, Mel, relaxa…?

“Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver”

Eu sei onde quero chegar, mas algumas situações me impedem de tomar a frente e fazer a coisa acontecer. Nao sou de ficar esperando de braços cruzados: seu eu quero, vou atrás e pronto. Mas tem coisas que simplesmente não dependem só do meu querer. Por exemplo: Não posso fazer as minhas unhas, porque o esmalte não fica por mais de dois dias, já que eu trabalho com bagagens e serviços pesados. Eu adoro trabalhar com aviação mas não aguento mais serviços pesados de menino. Não aguento mais serviços operacionais. Eu sou inteligente, sou carismática, sou criativa e tenho muita vontade e quero muito muito mais do que ficar ali na esteira esperando que algum problema aconteça e eu tenha que resolvê-lo. Não suporto mais ser humilhada por clientes que pensam que têm o rei na barriga, ou gente mal educada (e acreditem: quem trabalha no aeroporto se dá conta de que a quantidade de pessoas sem educação é muito maior do que se imagina). Mas por agora, não adianta querer mais. Preciso me formar primeiro. Tem outra coisa: São Paulo me cansa. Me cansa totalmente. Chego do trabalho e quero dormir. Se tem alguma coisa legal pra fazer, algum lugar legal pra ir, não vou, porque fico com preguiça de andar de ônibus – de novo. Se estou de carro, fico com preguiça de dirigir neste trânsigo insano que existe neste lugar. Sim, eu quero sair daqui, ir para uma cidade onde as pessoas ainda se cumprimentem na rua e onde as coisas simples tenham valor. Mas não adianta querer surtar e me mudar – de mala e cuia – agora neste momento. Eu preciso terminar a faculdade primeiro. Portanto, existem determinadas açoes que eu quero tomar, mas que não posso fazer isto neste momento. Preciso sempre esperar por alguma coisa. Esperar que algum ciclo termine. Minha vida tem sido esperar, esperar, esperar. E enquanto isso treinar a fé e a esperança, olhar para o futuro nebuloso e enxergar nele as coisas que eu quero e acreditar que eu também posso estar onde quero e conseguir aquilo que meu coração deseja. Pensar que existe um sol brilhando atrás daqueles nuvens que parecem não querer se mover dali. Lembrando a vocês que eu tenho 31 anos e uma pilha de cobranças internas e externas. Se só dependesse de mim… eu sei que eu tenho o meu tempo e geralmente este tempo é maior do que o tempo dos outros, já que eu preciso superar primeiro os meus próprios medos (e isso leva tempo). É como a ponte que eu preciso atravessar todos os dias para chegar no aeroporto de Congonhas. Cada dia que passa fica mais fácil de fazer esta travessia. O medo de altura continua ali, mas eu consigo lidar com ele. Às vezes eu cruzo com bastante leveza, como se estivesse no chão. Às vezes é difícil. Bem, de toda forma, existe uma coisa que vocês podem ter certeza de que jamais acontecerá: eu desistir de atravessar a ponte. Eu de verdade gostaria de ter o controle sobre tudo. Gostaria de fazer a força, igual o SONIC faz lá no videogame (ok, eu sou velha) e que tudo só dependesse desta força interna, e que – como o Sonic – eu conseguisse através dela chegar até onde eu quero, do jeito que eu quero. Queria me formar, queria ser promovida logo, conseguir um trabalho legal lá na TAM e um homem maravilhoso que me enxergue, que enxergue as coisas ocultas em mim, aquilo que não se pode ver à primeira vista e que me peça logo em casamento e  então daqui há alguns meses a gente simplesmente faça um filho e então, tchan tchan tchan tchan!!!! Aqui está o meu futuro. O que e por que é tão difícil? Por que o amanhã nunca chega?

Como é difícil esperar, Meu Deus…

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Sobre quem me ensinou a perder o medo de voar.

“Can we pretend that AIRPLANES in the night sky are like shooting stars? I could really use a wish right now..”

 (Paramore feat Eminem)

Nosso amigo @candidocordeiro contou por aqui em um de seus comentários sobre seu amigo da VASP, que vestia a camisa da empresa e que aguentava todas as humilhações “de punhos fechados e dentes cerrados”. Os meus olhos viraram mar, quando li. Pingaram gotas gordas. Eu conheci este cara e eu sabia que ele era assim aqui de longe. E então começo a pensar como é que pode uma história terminar, um dia, simplesmente acabar – não, não estou falando de nós – como pode uma empresa afundar e perder talentos e grandes pessoas como você era. E perder estas pessoas significa afundar os sonhos delas. Eu me lembro como você amava o seu trabalho!!! Como te dava prazer simplesmente ir até a esteira e “servir” às pessoas. Quanto compromisso e quanta honra você tinha. Alguém que conquistou a minha confiança antes mesmo dos meus olhos te afrontarem. Este era você. Um cara cheio de vida, cheio de histórias, cheio de vontade de viver, chegava a se perder dentro destas imensas vontades. E por vezes me levava junto (será que você sabia disso?). Você era o meu Curinga, quando as coisas não iam bem, ou pareciam não dar certo: Chegava a ser mágico: o telefone então tocava, você aparecia e fazia tudo parecer bem menos difícil. E ria junto, e esperneava junto e vibrava junto – e sofria junto. Daí que quando eu te vi, assim desajeitado, com a camisa pra fora, cabelo desgrenhado, olhar triste e sério: ah vá. Eu já estava na sua mão. Tudo bem, eu sei que você fez a coisa certa. Passou muito tempo, eu cresci – era menina, agora sou mulher. O que poderia ter acontecido? Você largado tudo, suas escolhas definitivas, e corrido pra ficar com uma menina que não tinha nem 20 anos? Eu também era cheia de vontades. Até onde você iria comigo? Até onde eu gostaria de ir com você? Não, este texto não é pra falar de nada disso. É só pra registrar aqui o quanto eu sinto falta deste cara que me fortalecia, me provocava com suas indignações e cutucadas, me inspirava com seu olhar apaixonado sobre o mundo. Onde você anda? Será que ainda tem aquela inquietação? Ainda gosta de corrida de caminhões ou ainda fica feito um garoto quando vê o Steve Harris? Ainda leva um saquinho de vômito no seu carro (#piada interna)?  Ainda gosta de voar e ainda ensina os outros a perderem o medo de altura…? Será que eu ainda posso colocar a minha mão no fogo por você? Ler as palavras do Candi me fizeram lembrar de quantas vezes eu já coloquei e de como eu jamais me arrependi. Eu faria tudo de novo.

“Mas tenho certeza absoluta de que um curinga continua perambulando pelo mundo. Ele se encarregará de não permitir que o mundo se acomode. A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tilintantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: ‘quem somos? De onde viemos? (Jostein Gaarder – O Dia do Curinga)

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Duas historinhas.

O homem entrou na sala e disse apenas:

_ Sou amigo do presidente e fidelidade vermelho. Está faltando um nextel na minha bagagem.

O agente sênior – ou líder – respondeu:

_ Boa noite, senhor!!! Tudo bem?

Em seguida, o líder checou o peso registrado no checkin da bagagem e comparou com a sua repesagem, ali, na hora, na balança. Não havia diferença de peso (sim, é assim que funciona). Então ele orientou:

_ Senhor, vou abrir um relatório de danificação para consertarmos o puxador do seu zíper, que está danificado. Quanto ao nextel, infelizmente não podemos fazer nada. Recomendamos que o senhor não carregue objetos de valor dentro da sua bagagem.

_ Você é um otário!!!!! Um babaca!!!!!

-  O senhor pode me emprestar seu bilhete de embarque, por favor?

_ Não vou emprestar porra nenhuma!

_ Preciso deste documento pra abrir seu relatório, senhor.

_ Não vai abrir porra nenhuma!

O cliente saiu, seguido de suas duas acompanhantes loiras, com cara de modelo de capa de revista de bairro. Ele – um baixinho que tinha a metade da altura do nosso líder, um homem enorme de alto - parou na porta de entrada do corredor onde fica o setor de achados e perdidos de todas as companhias aéreas. Um corredor minúsculo. Ele parou na porta de entrada e gritou (vulgo: chamou o nosso líder na chincha/e não sei se é com x):

_ Ei, otário! Chega aí! Vem matar no peito!!!!

As duas loiras começaram o grito de guerra:

_ Porradaaaaaaaa!!!! Porradaaaaaaa!!!! Porradaaaaaaaaa!!!!

Os nossos colegas da GOL, da Avianca e da Azul colocaram a cabeça pra fora das suas salas, meio rindo da situação bizarra, meio com medo do baixinho invocado, meio querendo saber se nós precisávamos de ajuda pra discar o ramal da Polícia Civil. O nosso líder nada fez. O baixinho teve que se contentar em bater a cabeça na parede.

Não adianta surtar.

*

O cliente chegou em nossa sala contando que havia desembarcado ontem à noite e como estava cansado, não reclamou sobre sua mochila danificada. Não tem jeito. Quem me garante que ela foi danificada no avião, se ele não reclamou na hora? São normas. Não abri o relatório. Expliquei para o cliente o procedimento – que eu não poderia abrir o processo e por que motivo – enquanto a tia da limpeza limpava a porta, escutando toda a conversa. O homem disse:

_ Bom. Já que você não quer abrir o nosso relatório, vamos embora.

_ Não é que eu não queira, senhor. Eu não posso. Cumpro procedimentos. Não nos negamos a tomar as providências, mas as reclamações devem ser feitas na hora. Não dá pra deixar pra depois, na aviação as coisas não funcionam assim.

O homem simplesmente virou as costas e foi embora, sem tchau e nem benção. Me deixou falando sozinha. A tia da limpeza nem esperou que ele se afastasse e, tomada de revolta e sem interromper seu trabalho, disse baixinho, cerrando os dentes:

_ Ignorante…

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Política, Corrompida.

 

 

 

“Ah, quem me dera que essa Guerra logo acabe e os homens criem juízo e aprendam a viver a vida. No meio tempo, vamos dando tempo ao tempo, tomando nosso chopinho, trabalhando pra família. Se cada um ficar quieto no seu canto, fazendo as coisas certinho, sem aturar desaforo; se cada um tomar vergonha na cara, for pra guerra, for pra fila com vontade e paciência – não é possível! esse negócio melhora, porque ou eu muito me engano, ou tudo isso não passa de um grande, de um doloroso, de um atroz mal entendido!”

(Depois da guerra, Vinícius de Moraes)

*

As eleições estão chegando e vejo um bombardeio de opiniões e de pessoas tentando manipular os outros através dos seus próprios critérios. Gente que coloca palavras na boca de outras pessoas e toma isto por ditos oficiais e a partir de então começa um verdadeiro estardalhaço em cima de algo que nem é o caso. Gente que mistura as coisas e faz a maior salada, o maior salpicão de tudo. Sem falar naqueles que publicam o seu voto, como se ele fosse aberto: Acho meio bizarro alguém publicar no twitter ou facebook em quem vai votar. Democracia é respeito. Você vota em quem quiser, pelos motivos que quiser, e respeita o voto dos outros, por gentileza. Obrigada.

Uma amiga traduziu bem o conceito de política. Tem coisas que estão diretamente ligadas à ela e a gente carrega no peito, ainda que a gente diga que não está nem aí pra hora do Brasil: a gente carrega no peito nossa sede de Justiça, de Liberdade, nosso exercício democratico (diário) e principalmente nossa consciência de classe. E esta consciência vai – queira você ou não – te posicionar: direita, esquerda, centro-esquerda e por aí vai. Eu tenho a minha. Está carimbado na minha pele e fixado no meu coração. Não é meramente uma escolha, é identidade e é irrevogável.

Sim, escolho os meus candidatos pelo Partido, pelos motivos descritos acima. Existe um partido que eu odeio com todas as minhas forças, não me identifico, não me sinto em casa. Favorecem uma determinada minoria, usam os pobres como cobaias de desenvolvimento. Eles não estão interessados em favorecer aos pobres e fazer com que eles também evoluam. Eles estão interessados (dentro do que eu acredito) em usá-los pra dizer assim: ‘olha como nós somos bonzinhos, porque ninguém liga pra vocês, mas a gente liga“. É gente que fala muito bonito, que sabe falar, que tem sua oratória treinada, mas que não vejo brilho nos olhos, não vejo sinceridade, não vejo paixão. Eu não vejo nada! Vejo sim: cifrões nos olhos. Vejo sede de poder e de produzir. Portanto eu escolho meus candidatos com alguns critérios: o partido é sempre o mesmo, com algumas exceções, já que qualquer unanimidade é burra e eu sei muito bem disso. E geralmente são aqueles nos quais a minha realidade está inserida. Observo a história de vida dos candidatos: eles participaram da nossa história? Brigaram para conquistar aquilo que temos hoje? São audaciosos, corajosos, leais e acima de tudo: éticos? E observo, por fim, suas idéias. Beneficiam à uma parte da população ou à todos? São viáveis ou são utopias? Eu voto em quem valoriza aquilo que eu acho importante: a educação, o desenvolvimento social para TODOS, a potencialização dos nossos pontos fortes, o olhar para o futuro, entre outras coisas. Meus ouvidos e meus olhos estão bem ligados para filtrar o que querem enfiar na nossa cabeça nesta época de eleições.

Já confessei publicamente o meu total descrédito no que se chama de “Política” atualmente. O que a gente vê na televisão e em outros meios de comunicação está muito longe de ser Política. O conceito dela e de outros aspectos intrinsecamente ligados à ela – os conceitos puros – é muito mais abrangente e é apaixonante. Onde parece que eu sou alienada porque prefiro guardar as minhas opiniões, me passando por alguém que não se importa ou não se interessa (ou que não entende), na verdade eu sou uma apaixonada pela política pura, pelo conceito sociológico e primordial desta idéia, por aquilo que ela pode fazer e ser, por até onde ela pode ir (muito longe) e não pelo que a gente vê hoje e que não é política nem aqui e nem na China.Não poderia ser diferente, porque sou uma “humanista ferrenha”, como me auto-descrevi ali à direita.  O ser humano para mim é o centro de tudo e a fonte de tudo (Deus, agora, não tem nada a ver com isso). Ataques pessoais não é Política, é Marketing em sua forma mais desleal e agressiva. Usar as fraquezas dos outros partidos e fazer julgamentos sobre as ações tomadas no passado, não é Política, é vilania. Tentar chamar a atenção dos eleitores através daquilo que é o seu ponto fraco (por ex: comparar o aumento do salário mínimo entre partidos), não é fazer política, é manipulação.

Destas idéias primordiais que de fato caracterizam a Política, seguidas de certos elementos que lhe são inerentes, destaco algumas idéias de Aristóteles (sempre ele), que foram compiladas em um site da Puc. Algumas delas vou transcrever aqui:

Aristóteles diz que ” o estado é superior ao indivíduo, já que a coletividade é superior à ele, e portanto, o bem comum, superior ao bem particular. No estado se dá a satisfação de todas as necessidades, pois, sendo o homem naturalmente um “animal social e político”, não pode realizar as suas necessidades sem a sociedade do estado”.

Só que Aristóteles sabe muito bem do que é composto do estado: de indivíduos e de famílias. E entende portanto que não dá pra falar do estado sem cuidar dos interesses e dos potenciais provenientes das famílias. Ele atribui à elas dois poderes: o poder econômico, porque cada homem possui bens materiais e são consumidores por natureza, e o fim educativo, porque o homem precisa de formação e do que ele chama de “cultura da alma”. Daí a importância que ele já atribuia, no seu tempo, à educação, sem desdenhar da relevância da economia e sua engrenagem. Ele não acredita em utopias, em todos totalmente abastecidos, educados, realizados. Ele não dissocia o homem rico e o homem pobre do Estado e consequentemente, da Política. Mas ele acredita que a Política tem um papel social muito forte: a virtude. A formação moral dos indivíduos e os meios necessários pra isso.

Aristóteles é demais!

Daí que se a gente trouxer o Aristóteles para os dias de hoje, nos decepcionamos: veremos pessoas preocupadas em prometer mundos e fundos para atrair votos e exercer o PODER. Pessoas interessadas em monopolizar os poderes dominantes  e disseminar os seus PRÓPRIOS interesses – de uma maneira desvelada, sutil e enganosa. E isso não é política. Não existe política sem a gente. Política traz todo mundo pro meio da roda: eu, você, os poderes públicos – todos, sem exceção. Cada um cumprindo o seu papel, dentro da sua própria realidade, para beneficiar a engrenagem maior que é a sociedade e seus interesses comuns e por consequinte, sua evolução social e econômica.

Só que nesta de cada um no seu quadrado, a gente pensa que o pobre quer e vai ficar pobre pro resto da vida, quando na verdade evoluir é a linha natural das coisas. No entanto, algumas responsabilidades são subvertidas, algumas tarefas importantes são procrastinadas. Afinal de contas é mais importante fazer a economia andar e trazer desenvolvimento, lucratividade, dinheiro, do que promover obras  assistencialistas. Mas é papel do governo prover aquilo que TODAS AS PESSOAS têm direito. E este é um dos pilares mais importantes para mim, dentro da Política e portanto, mais um critério na hora de ceder meu voto. Você supre aquilo que todo cidadão tem por direito? Saúde, educação, COMIDA? Por que cada dia que passa mais destas responsabilidades vão passando de mãos em mãos, e as ong´s passam a suprir necessidades básicas que deveriam ser concedidas pelo governo. O resultado disso é que Governo vira sinônimo de desenvolvimento e Direitos Humanos vira sinônimo de Assistencialismo. E tudo isso é muito bom, mas depois que o Governo Federal conceder àquelas famílias pobres que ganham 01 salário mínimo (ou nem isso) e têm uma penca de filhos pra criar, condições para sobreviverem, comida pra comerem, leite para amamentarem seus filhos, não venham reclamar que esta é uma atitude assistencialista, quando o governo está apenas cumprindo o papel que lhe cabe. As pessoas precisam comer e tem gente que passa fome – é fato. Ninguém trabalha de barriga vazia. E nós, cidadãos de classe média e média-alta, que temos internet, rede, estudamos nas melhores escolas e falamos mais de uma língua, nós que pintamos nossas unhas e temos cartão de crédito, nós não fazemos idéia do que seja passar fome.  Joguem no google: ”Declaração Universal dos Direitos Humanos” e ”Constituição Federal” e verão que estes direitos estão assegurados em qualquer esfera mas não é o que rola. Tantas vezes a Política tem outras prioridades… sei muito bem que não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar. A questão, no entanto, é muito simples: ninguém consegue pescar de barriga de vazia. Depois que o cara for IGUAL à todos os outros, estiver nas mesmas dignas condições mínimas de vida, aí sim a gente se preocupa em ensiná-lo a pescar. Porque pra mim isso é o mais importante de tudo. Afinal de contas tudo: estado, sociedade, nação… política… tudo isso é formado por indivíduos. Nós não temos o direito de dizer que vivemos um país que se diz emergente, enquanto existir alguém do lado de fora da tal locomotiva, tentando correr para nos alcançar, sem no entanto ter condições disso. No dia 3 de Outubro eu vou votar naqueles que não me deixam dúvidas de que não abandonariam ninguém correndo sozinho do lado de fora. Acredito que o meu discurso aqui deixa bem claro qual é o meu posicionamento, de modo que eu não vejo necessidade em tornar público nada além daquilo que verdadeiramente me move.

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O texto em vermelho foi tirado do livro de crônicas do Vinícius de Moraes, “Para uma menina com uma flor”. O contexto do texto é outro. Ou não.

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Só não lê quem não quer

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No meu final de semana de folga resolvi visitar a Biblioteca São Paulo, que fica dentro do Parque da Juventude - perto de casa mas nunca tinha ido. Preciso confessar que sempre tive um pouco de medo da energia daquele lugar, porque eu me lembro bem de como ele era anteriormente, quando eu passava ali em frente de metrô e podia ver a decadência patética e a deterioração humana existentes no então antigo Complexo Penitenciário do Carandiru. A energia é um pouco fria, ainda, mas já consigo vencer a minha própria superstição e eis que senti vontade de conhecer a menina dos olhos de ouro da cidade. Muito bom saber o que fizeram daquele lugar. Como se tivessem transformado poeira em ouro.

Escolhi o sábado e descobri que tem estacionamento, onde a primeira hora custa R$6,00. Estava um dia bem frio. Não conheci o resto do parque, que é enorme, fui direto para a biblioteca. Em frente havia um grupo de jovens ensaiando uma fanfarra (muito legal e que me fez parar pra assistir). Os meninos que tocavam corneta (????) também faziam uns passinhos e as bandeiras que eram agitadas com força para baixo faziam um som bem bacana e oportuno para a ocasião (que eu não entendi bem qual era, mas deve ser um curso, porque lá rola estas coisas).

Quando entrei na biblioteca a primeira impressão foi que ela se resumia até onde meus olhos podiam alcançar, ou seja, não me assustei muito. Você tem que se cadastrar no balcão maior para pegar a carteira de visitante e depois pegar a chave do guarda-volumes com a segurança – detalhe: não pode entrar na área de guarda-volumes com acompanhante. Eu esperava que o segurança não fosse tão cri-cri e deixasse eu entrar com a capa do meu note, mas ele não foi tão legal e minha promessa de mostrar o interior da capa na saída não rolou. Tive que voltar pra guardar a capa e entrar com o note desprotegido.

No térreo existem inúmeros livros infantis e infanto-juvenis e prometi dedicar uma tarde exclusiva pra eles (sempre quis encontrar os livros que eu lia quando era criança). Subi a escadaria para o primeiro andar e… susto total! Um acervo gigante. Não posso precisar aqui quantos metros quadrados têm naquela área, mas posso dizer que a coisa é de primeiro mundo, mesmo. Não fica nem um pouco atrás das maiores bibliotecas e das mais modernas do mundo.

Espalhadas estão as estantes de livros separados por Literatura Estrangeira, Latina, Portuguesa e Brasileira. As primeiras estantes são de lançamentos e mais vendidos. Foi lá que eu encontrei “O livro das citações”, do Eduardo Gianneti, que eu quase trouxe comigo mas fiquei com preguiça de carregar, porque o livro é enorme. Sabe todos aqueles livros que você procura nas bibliotecas e nunca encontra? Lá tem. Sabe aqueles que são super recomendados e que você morre de vontade de ler? Lá tem. Lá também tem biblioteca em braille para deficientes visuais e todo o aparato necessário para surdos-mudos (multimídia). Tem laboratório multimídia completo, com um imeeeeeeeeenso acervo de ótimos dvds, que você escolhe e assiste na hora em telas de LCD. Se preferir pode ficar navegando na internet, ou ler qualquer jornal de qualquer estado brasileiro ou qualquer revista ou publicação – porque lá também tem.

Espalhados pelo espaço estão os pufes, cadeiras, mesas com as entradas modernas  para tomadas tripolares onde você pode ligar a bateria do seu computador, ou mesas e pufes nos terraços que ficam do lado de fora. Você pode fazer a sua carteirinha, que sai na hora: é só levar um comprovante de endereço e um documento com foto. Você leva até cinco livros por quinze dias. A biblioteca te cadastra e gera uma senha de quatro dígitos para você usar o wi-fi do espaço (não funciona na hora, mas tudo bem).

Eu optei por circular pela biblioteca e conhecer todo o espaço. Ficou bem difícil escolher os livros, mas escolhi “Para uma menina com uma flor” (Vinícius de Moraes), indicação da @loveology_x e “O Amor nos tempos do cólera” (Gabriel Garcia Marquez), porque eu estou realmente numas de literatura latina, nos últimos tempos. Naveguei um pouco na internet para passar o tempo, olhei o Guia da Folha, paquerei o Zero Hora, mas não cheguei a tirá-lo da estante.

Uma das coisas que eu mais gostei foi que o lugar recebe públicos dos mais variados. Pessoas de baixa renda, gente que provavelmente tem seu primeiro contato com livros à rodo, com cultura, só agora. Pessoas de classe média, aposentados… todo mundo junto debaixo do mesmo tempo, só mostra o quanto a cultura é democrática e que somos todos iguais.

Quando estava quase dando 19 horas, resolvi ir embora. Eu ainda iria para o Center Norte fazer uma pesquisa de perfumes e iria perder no provador a minha sacolinha com os 05 brincos que eu comprei para trabalhar – caros – e que não seriam devolvidos. E é por isso que o Brasil não vai pra frente,

ainda bem que empurrão a gente tem, e esta biblioteca, este lugar todo é uma prova disso.

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À procura da felicidade, sim.

Porque às vezes a gente escolhe entre ficar amoado (a) chorando pelos cantos ou fazer alguma coisa pra passar a dor, naquele dia eu escolhi abrir a gaveta de DVD´s aqui de casa e escolher um filme que acalentasse o meu espírito ou que pelo menos servisse pra passar o tempo, para o tempo passar e eu não perceber. Sempre fico super em dúvida quando preciso escolher um filme pra assistir. Não tenho mais saúde para assistir dramalhões, histórias que vão arrancar meu coração pra fora, coisas deste tipo. E naquele dia não foi diferente. Mexi, remexi e quando estava quase escolhendo alguma coisa que eu nem lembro qual era, vi brilhar ali embaixo de todos os outros o filme que revelou o filho do Will Smith – e o próprio, que só conhecíamos por interpretar MIBs da vida. Escolhi, portanto, “À procura da felicidade”, como se aquele fosse um dia de muita coragem porque não faz muito tempo que eu jurei pra mim mesma jamais assistir a este filme, porque eu sabia que ia precisar de uma caixa de lenços e a vida já anda tão difícil e etc.

Não vou me demorar em observações óbvias e previsíveis (e conhecidas) como: o garoto é bom e sua interpretação é super autêntica; a relação entre os dois é obviamente de muita simbiose, não poderia ser diferente, já que os dois têm parentesco na vida real. Adoro a verdade simples na interpretação de Will Smith. Não precisa de muitos malabarismos pra fazer a gente acreditar nele e abraçar a sua causa. A gente acredita fácil e compra a causa fácil e está quase expulsando aquela mulher que merece um adjetivo que não vou precisar aqui, porque pode tenho leitores menores de idade – já que ela nao o apóia no momento em que ele mais precisa e quando você vê, já está chorando às pencas, na segunda, terceira cena. Mas não é só porque é tudo emocionante.

É porque vivo situações semelhantes, com gente muito próxima que só me coloca pra baixo, parece que tem o prazer de me humilhar (na frente dos outros), gente que não acredita em mim quando precisa acreditar, que não confia quando precisa confiar, e que apesar de frequentar a igreja de domingo à domingo, demonstra ter total falta de fé nos momentos em que se precisa acreditar em alguma coisa na total escuridão. Gente que te pune, quando precisa estar ao seu lado. Gente que desdenha das suas escolhas, desdenha dos seus sonhos, da sua esperança, do seu romantismo. Está cheio deste tipo de gente por aí, que consegue sugar nossa energia e enfraquecer nosso espírito e isso tinha acontecido comigo algumas horas antes de escolher aquele filme. Foi por isso que eu comecei a chorar já no começo do filme.

E como se não bastasse a falta de torcida, quando tudo parece ruim ainda dá pra piorar! No mais puro e fiel estilo só me fodo brasil – sim, ainda pode piorar. As coisas começam a ficar ruins para o cara e quando você acha que ele está no fundo do poço, se surpreende quando ele desce mais e mais. Sem fonte de renda, sem apoio de ninguém, sem ajuda de ninguém – como na vida, não existe o bom samaritano nesta hora –  e sendo responsável por ele e por uma criança totalmente dependente dele, perde até o teto e começa aos poucos a perder a única coisa que ele ainda tinha: o orgulho próprio. A autoconfiança. A dignidade. Destaque para as cenas em que ele está dentro do banheiro do metrô com o filho e quando ele se reúne com os executivos da corretora para a decisão final: a interpretação de Smith é comovente e REAL.

Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu um loser. Quem nunca chorou escondido. Quem nunca perdeu as estribeiras. Este filme mostra direitinho como hoje estamos no alto e amanhã podemos descer tão rápido quanto uma montanha russa. E como quando a gente mais precisa e espera que haja justiça, que haja solidariedade e sobretudo confiança, nada disso existe. Você só pode contar com você e com a sua fé. A sua e a de mais ninguém.

Mas ainda resta uma esperança. Smith é persistente com as pequenas coisas, aqueles R$14,00 que o seu amigo te deve e que aparentemente não lhe servem pra nada. Uma brechinha de luz que é pequena como uma linha, mas que aos seus olhos parece ser enorme e é a derradeira: a sua única chance. Smith buscava pela felicidade. Algumas horas antes eu estava me perguntando por que as pessoas parecem ser tão felizes e sem problemas e por que pra mim as coisas são tão difíceis. Mas se até Smith busca pela felicidade, significa que lá no fundo todos nós temos nossas dores e nossas dúvidas. Smith corre contra o tempo e contra as adversidades, recorrendo ao que ele tem de mais precioso (sua inteligência) e que no entanto nem a própria esposa reconhecia. E quando já cansado, exausto, quando já quase esgotadas estavam suas chances de sobrevivência e suas fontes de esperança, vem este raio de sol, esta piscadela, esta brisa rápida, este instante infinito, este acalento que se chama HAPPINESS.

Daí que eu terminei o filme agradecendo a Deus pelo recado. Às vezes até Ele parece estar tão longe… Mas se aquele Smith todo ferrado conseguiu, eu também vou conseguir. Quanto mais difícil for o nosso caminho, melhor e mais bonita será a nossa superação. Frequentemente o nosso limite ainda vai além daquilo que a gente supõe. E a busca pela felicidade é um caminho tão bem sucedido quanto nosso merecimento e nossa fé. A história (verídica) de Chris Gardner é prova disso.

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Com Mérito.

Ultimamente tenho escolhido muitos autores latinoamericanos pra ler. Agora escolhi “O amor nos tempos do cólera”, de Gabriel Garcia Marquez. Isso começou depois que eu li uma entrevista na revista de bordo da TAM (Tam nas Nuvens)  sobre o bairro Palermo, de Buenos Aires, por onde figuraram Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e outros. Morri de vontade de pegar o primeiro avião pra capital argentina só pra perambular pelos cafés que os escritores frequentavam e rabiscavam seus rascunhos. E o primeiro autor latinoamericano que eu  li foi Mario Vargas Llosa e sua “Menina Má”. Aliás, por falar em “Tam nas Nuvens“, estou muito orgulhosa com o pessoal da revista, porque eles fizeram uma reportagem maravilhosa com o autor para o mês de Outubro, isto sem saber que ele ganharia o Prêmio Nobel de Literatura.

O final do livro é lindo, lindo, lindo. Foi o único livro que me fez chorar – e chorar mesmo – até hoje. Depois de terminada a leitura, não consegui iniciar outra por vários dias. Estou muito feliz que Mario Vargas Llosa tenha ganhado o Nobel de Literatura. É um escritor que deixa marcas. Deixou em mim.

“Travessuras da Menina Má” é um livro que amarra o panorama histórico e político de certas épocas e cidades com a história pessoal de Ricardo Somocurcio, envolvendo suas observações acerca de um país sedento por liberdade e democracia, uma grande amizade com um guerrilheiro e uma grande história de amor.

A história, que é narrada em primeira pessoa, vai percorrendo várias épocas e cidades enquanto o personagem cresce e amadurece, até chegar em Paris – a preferida,  e o sonho de Somocurcio. Todo mundo tem um sonho. Eu então, tenho vários! Tem gente que sonha coisas palpáveis, tem gente que sonha sonhos de fantasia… coisas de vento. Somocurcio queria só uma coisa da vida: morar em Paris. E convenhamos, ele foi bem inteligente, né. Porque morando em Paris você consegue concretizar vários outros sonhos!!! Tudo bem que o sonho dele nem sempre foi esse. O sonho de criança, não. Menino, o que ele queria de verdade era se casar com a “chilenita”. Uma das duas irmãs que chegaram, misteriosamente, no bairro e que chamava a atenção por ser diferente e bem mais saidinha do que as meninas locais. Mas a chilenita cresceu e sumiu. Todos eles seguiram suas vidas e seus rumos – seus sonhos e as consequencias deles (nem todos bem sucedidos). Somocurcio se tornou um ótimo tradutor  e foi viajar pelo mundo. E durante estas viagens, de modo intermitante, começou a encontrar várias mulheres interessantes e diferentes umas das outras, só que todas elas eram uma só. Uma menina que ele conhecia de criança e que queria ser tudo, menos ela mesma. A falsa “chilenita”. A menina má. Ela dava lá seus pulos para ser aquela que ela queria ser e ter o que queria ter e colecionava trambiques – e o que é mais engraçado é que sempre cruzava com “Ricardito” durante suas travessuras. Ricardito (Somocurcio) se submetia a qualquer coisa para simplesmente poder estar ao lado dela, tomado por um fascínio quase ingênuo, quase bobo e totalmente puro, como quando ele era criança. Rolaram sucessivos encontros regados a muito romantismo frustrado (que ela odiava, mas achava graça) e sexo – aquele que dava certo. E aquele que era real, embora fosse breve. Só que a menina era realmente má e ao invés de tirar bom proveito do sentimento verdadeiro que Ricardito tinha por ela, que era a única coisa verdadeira que de fato ela tinha, tirou proveito sim, mas de outras coisas. Tirou proveito da boa fé e de tudo o que ele poderia fazer por ela e fez – e ambos sabiam disso.

E mesmo depois de todos os episódios mais sórdidos (e patéticos) pelos quais ela o faz passar, mesmo depois de toda a humilhação a que ela o submete e mesmo que ele se doe inteiro por ela e ela não lhe retribua de nenhuma maneira… ele continua lá e não é por ele, mas porque percebe que ela precisa dele e que ela só tem a ele. Nenhuma identidade, nenhuma origem, nada é verdadeiro. Nem os documentos. Nem os sonhos, tão corrompidos e desdenhados. Praticamente só o que ela tem de verdadeiro é ele. Ele é quem ainda enxerga aquela menina brejeira, ao passar dos anos. Nem ela sabe quem é, tão perdida entre todas as diferentes mulheres que criou.

O amor é mesmo uma coisa inexplicável, uma coisa que a gente não escolhe. Se fosse assim, Ricardito talvez escolheria uma mulher que fosse menos difícil, mais virtuosa, mais leal ou constante. Escolheria eu!!! :-) Escolheria não sofrer. Mas Ricardito fez o contrário, vejam. Abriu mão de todas as escolhas saudáveis que passaram por ele. Preferiu sofrer, mas ser fiel ao seu amor, que não era pouco. O amor que tinha tudo para lhe levar pelos caminhos mais doces, aquele que tinha a cara de Paris, a cara do seu sonho simples de vida – mas que acabou por percorrer os caminhos mais tortuosos e difíceis possíveis. E por que é que a gente sempre acaba escolhendo e preferindo esta sofreguidão do que a paz de uma coisa mais tranquila? E quem teve a sorte de ter um amor tranquilo? E quem vai dizer que não valeu a pena…

…talvez o maior sonho de Ricardo Somocurcio não fosse morar em Paris. Talvez a cidade das luzes fosse só uma fuga, porque ele sabe que o sonho mais profundo do nosso coração, o de viver em um mundo livre e (realmente) democrático onde as pessoas não precisem se adulterar para sobreviver, é ainda só um sonho. Uma utopia. Viver em Paris é bem mais fácil – e é pra lá que eu vou.

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Como nascem as borboletas.

Cara, estou cansada. Cansada de passar a tarde na internet. Cansada de pegar todos os dias o mesmo ônibus e fazer o mesmo trajeto – embora seja muito divertida a companhia das mesmas pessoas que acabaram por formar uma família. Cansada de pegar peso nas esteiras do desembarque quando vocês, passageiros, passam – mas esquecem de levar suas malas (sim, isto acontece). Cansada de levar patada de gente estressada. Estou cansada de mergulhar na rede para ter o mundo, cheia de vontades, mas cheia de medos. Estou cansada de ter medo: medo de avião. Medo de ficar sozinha ou de ficar doente. Medo de perder alguém que eu amo. Medo disso, medo daquilo. Estou cansada desta vidinha mais ou menos, ficando sempre à margem das coisas. Cansada de ficar com vontade de sair mas não poder. Vontade de viajar, mas não ir. Vontade de beijar, mas não ter a quem. Cansada de escutar a família me cobrar determinadas coisas – e das minhas próprias cobranças. Cansada da minha falta de fé e da minha fraqueza. Cansada de fazer agás, por aí. Cansada de sempre esperar o futuro, achando que as coisas serão melhores, que dias melhores virão. Estou cansada de não ter com quem conversar, não ter com quem sair, não ter a quem amar. Estou cansada de sonhar e de imaginar coisas na minha cabeça e sempre tudo ser apenas uma fantasia. Estou cansada de gente falsa, de gente vazia, de gente trivial, de gente que tem várias caras e de gente sem palavra, sem credibilidade, que diz uma coisa e depois faz outra. Estou com o saco cheio de pessoas que tiveram tudo nesta vida e que não pensam nos que não tiveram. Estou cansada de mulherzinhas peruas e de mulherzinhas estressadinhas e barraqueirinhas. Estou cansada de tanta incoerência, de tanta dureza, de tanto santinho do pau oco solto por aí. Estou cansada de gente burra, de gente ingrata, de gente preguiçosa, de gente ignorante, de gente cega, de gente que come mortadela e arrota caviar. Cansada de gente que grita tanto e não sabe direito o por quê, grita pra ir atrás dos outros, grita para aparecer. Cansada de gente preconceituosa. Estou cansada de errar e errar de novo. Cansada de transformar minhas neuroses em consumismo e depois ficar no vermelho. Estou cansada de esperar, esperar, esperar. O que a gente faz quando fica exausta das coisas? Joga tudo pro alto, bota fogo e recomeça? Reconstrói? Então tá, então vamos lá. Vamos começar do zero. É hora de se libertar. De abrir os braços e deixar a vida acontecer, sem medo. Vamos nascer de novo, Melissa.

Nota: A Cecília escreveu um post em resposta e disse uma frase que vou ter que publicar aqui, porque não posso me esquecer dela:Não sou eu que escrevo a sua história, mas eu tenho certeza, que Quem tem esse poder, escreverá a mais bonita para você“. Lindo! Obrigada, Cih!

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Para ti.

As pedras desiguais não cansam seus pés. Ela caminha equilibrando-se nelas, a saia esvoaçando com a brisa que vem do mar, ali por entre as lacunas das largas ruas do Centro Velho, ali por onde seus olhos negros mergulham e nada alcançam, senão outra imensa escuridão. Os tornozelos finos driblam o desequilíbrio dos paralelepípedos e os dedos delicados dos pés se enfiam por entre eles. Ela simplesmente os tira fora. Atenta está às janelas, às luzes que alumiam de dentro pra fora das casas e lugarezinhos. Os restaurantes e pessoas que jantam do lado de fora. O cheiro da noite. Um cheiro salgado que é mistura de água de mar com tempero de ervas. Ela não sabe ao certo o que é que procura, mas não quer dormir. Resolveu caminhar, enquanto os colegas de quarto escolheram um livro para ler à beira do rio, no deck. Ela então saiu à caça de uma descoberta, tão cheia de si e tão sedenta de tudo. E a noite estava tão linda. Havia estrelas, o céu era limpo, uma lua cheia que crescia e queria ganhar mais céu do que já tinha. Alumiava a noite pelas vielas que não tinham luz. Ela caminhava por ali sem medo. Encostou em uma parede e fechou os olhos, pra sentir o hálito fresco do sereno. Alisou os pezinhos na parede, ali. De olhos fechados ouviu ao longe um grupo tocando Chorinho. Um batuque gostoso que quase levava seus quadris pra lá e pra cá sem que ela notasse. O som de uma flauta. Pessoas cantando. Aqui falta alguma coisa, pensava. Falta uma paixão, destas de arrancar tudo, destas de salgar a pele, de se perder, de não voltar pra casa. Queria encontrar de onde a música vinha. Passou a andar com mais rapidez por entre as ruas e vielas, largas e estreitas, charmosos labirintos que compunham o Centro Histórico de Paraty. A saia leve voava, pra lá e pra cá, mostrando o início das coxas que o moço olhava ali da janela da venda. Os seios soltos por baixo da blusa revelavam-se pela textura fina dos seus fios delicados. As ondas dos cabelos desciam pelos ombros e alcançavam o meio das costas. Ela gostava de levantá-los e caminhar erguendo seus cachos, leve e solene, desfilando sua brejeira sensualidade e assinando seu anonimato pelas ruas, o olhar atento e perseguidor, a sede que tinha de ferver como se a temperatura subisse. Até que chegou na rua do teatro, de onde tinha saído algumas horas. Ali algumas casas adiante havia um bar e uma mesa aberta do lado de fora. Ao redor dela, pessoas sentadas a tocar seus instrumentos, soltas e entregues nas horas sem pressa – e mulheres dançando, circulando graciosas, deixando suas saias rodarem com os pés descalços. Também ela tirou os chinelos e deixou que os pés tocassem o chão. Erguia os cabelos e sacudia os quadris pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, como se dançasse com a própria noite. “De tanto levar flechadas do teu olhar“, cantava com os outros, sorrindo e soltando flechas com os olhos e com seu sorriso vermelho. E enquanto as mãos se perdiam no ar, sentiu o tocar leve das mãos macias do cavalheiro. Olhou para trás e sorriu. Ali era o começo da noite. Não se sabia que horas eram. O casal se afastou dali, junto com a música, que aos poucos foi ficando longe, longe, longe, sem no entanto sumir por completo. A madrugada crescia e deixava a noite clara, enluarada, de modo que as paredes da Igreja da Matriz ficavam ainda mais brancas. Escondidos atrás dela, imensa e generosa, o casal se deixava levar por aquilo que faltava à noite, à lua, à música, ao mar, tomados por toda a deliciosa e irrevogável embriaguez de que uma cidade como aquela é capaz de causar.  

Este texto está pra ser escrito desde as minhas férias, em Março, quando fui pra Paraty (sozinha). Esta cidade me enfeitiçou, provocando as mais diferentes sensações. Quis compartilhar um pouco da minha memória emotiva, juntando todos os elementos (mar, chorinho, música, sensualidade, troca de olhares, paralelepípedos) em um texto e este foi o resultado. Demorou pra eu encontrar o tom certo, mas felizmente não terminei o ano sem escrevê-lo! ;-)  

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Lembra do velhinho?

Vocês se lembram do velhinho do Terminal Santana? Falei dele aqui. E vocês ficaram me atazanando pra eu me sentar ao lado dele, dia destes, puxar assunto e tal. Eu que estava sempre correndo pra pegar o ônibus que – sempre – está parado no ponto, sabia que ia chegar a hora certa disso e chegou. Hoje, voltando do trabalho. Não havia vivalma no ponto – nem gente, nem ônibus, nem nada. O velhinho me viu chegando e sorriu. Eu me sentei ao lado dele e disse:

_ Feliz Dia das Crianças.

_ hahaha! Feliz dia das crianças! Está indo trabalhar?

_ Não. Estou voltando! Eu saio ao meio dia.

_ Ah, então agora vai descansar, né? Bom descanso pra você!

_ Que nada, inventaram um churrasco, aí. Tem que ir!

_ Ah, vai mesmo, é bom sair, se divertir…!

_ Mas o senhor? Está voltando do trabalho? Todos os dias, até hoje?

_ Nada… faz mais de 32 anos que eu me aposentei.

_ Ah é?

_ É… eu venho aqui pra sair um pouco de casa, né. Fico em casa na parte da manhã, almoço e depois venho pra cá. Fico até umas quatro da tarde, depois eu volto.

_ Daí dá pra ver gente, né, olhar o movimento… o meu pai também se aposentou, já.

_ Faz tempo?

_ Faz. Mas no caso do meu pai foi porque ele – que era metalúrgico – perdeu uma porcentagem da audição. Só que o meu pai não pára, sabe. Ele depois fez um curso de eletricista e ficou trabalhando por conta por um bom tempo, até. Depois parou de vez. Mas ele está sempre inventando alguma coisa. Sabe, né, mente vazia…

_ Ah, sei, sei. Não pode não! Quando eu parei de trabalhar sempre ficava arranjando uns trabalhos por aí. Primeiro foi em uma imobiliária. Depois em uma borracharia. Até que um conhecido meu disse assim: “você não ganha o suficiente pra se manter, com a aposentadoria?”. Respondi que ganho. “Ah, rapaz, então pára com isso!”.

Rimos.

_ Tá certo! Chega uma hora da vida da gente que a gente precisa parar de trabalhar tanto e curtir a vida! Ir pra farra. HAHAHA!!!

_ É verdade!

_ E o senhor mora sozinho?

_ Moro! Eu tinha duas companheiras (!). Primeiro foi embora uma. Depois eu conheci a outra, ficou um tempo, depois foi embora também. Tava tudo bem. A gente se dava bem. Eu tratava bem. Porque tem que tratar com carinho, né? Mas um belo dia ela levantou e foi embora.

_ Da próxima vez trata mal, quem sabe ela fica!!! (risos). Afff, mulher é tudo igual.

_ Mas eu também devo ter minha parcela de culpa!!!

_ Eu tô dizendo isso porque as mulheres enjoam logo das coisas. Não precisam de motivos, um dia cisma que quer mudar, quer ir embora e pronto.

_ É verdade, é verdade.

Neste momento da conversa, várias coisas aconteceram. O Tonhão (motorista com quem pego o ônibus de madrugada pra ir trabalhar e coincidentemente o mesmo que pego no retorno) encostou a sua “Princesinha do Lauzane” no ponto e dele desceu uma senhorinha vestida em um moleton cor de rosa, que combinava com uma sapatilhinha florida. Ela desceu do ônibus e veio direto em direção ao velhinho.

_ Oi dona Marina!!!

Ela nem olhava pra mim! Achei que eu estava sobrando e tratei de encerrar a conversa. Não vou ser eu quem vai atrapalhar um possível romance! ;-)

_ Olha, eu vou tomar o caminho da roça!!! Como é o nome do senhor?

_ Meu nome é feio! Eu me chamo Sebastião!!!

_ Feio nada! Eu sou a Melissa! Até amanhã.

Esta história é fofa. Mas também dói. Ainda bem que existem pessoas receptivas como a Dona Marina e a Mel, que com  simples acenos e sorrisos dão sentido à vida de senhores idosos solitários. E ainda bem que o Seu Sebastião existe, pra deixar a minha vida mais doce.

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Mama, I´m coming home…

Créditos da foto 

 

Para Tati Oman e Tia Marisa

“Times have changed and times are strange

Here I come, but I ain’t the same

Mama, I’m coming home…”

E já que nós tivemos que crescer e aprender a viver neste mundo maluco, e já que este caminho não dá volta e não tem retorno, e já que não tem freio, preciso te dizer que não consigo me desfazer de que fomos e do que carregamos. Como se vasculhando, procurando bem lá no fundo, fôssemos encontrar aquelas garotas vestindo aquelas roupas moles e horrorosas da escola (sem perceber, o que é melhor de tudo) e cuja preocupação maior era saber em que direção determinados garotos olhavam. Como se fosse ficar mais fácil, assim. E toda vez que a coisa aperta eu então vou me lembrar de todos os gatos que viviam dentro da sua casa, e mais os cachorros, e mais as pessoas. E que todos conviviam bem. E que eu não tinha alergia e nem nada quando eu te visitava. E quando der vontade de chorar então vou me lembrar das suas risadas comportadas querendo se libertar, estilhaçadas nas vidraças do ônibus porque o cobrador estava olhando – a gente gostava de olhar os cobradores, hoje eu sei que a gente só olhava porque eles também ficavam olhando a gente. Nossa risada era travada, era tímida, sossegada – queria ser maior, queria extrapolar. Eu desejo isso até hoje. Desejo explodir, perder a linha, sair da fôrma. Já naquela época eu era sossegada demais. Devia ter perdido o medo de pular as ondas. Devia ter tomado mais chuva. Devia ter tido meus pileques daqueles que são desculpas esfarrapadas, daqueles de esquecer. E até hoje nem eu e nem você sabe o que é esquecer de alguma coisa. Eu queria é pegar um jipe e sair estrada afora, com um caderno e um violão, sem lembrar do calendário. Eu queria te contar que eu aprendi a escutar Ozzy e que eu adoro a família dele e que continuo adorando a sua. Queria abrir o vidro do meu jipe e deixar o vento gelado de interior entrar pela janela e as nuvens coloridas pelo entardecer colorirem nossos olhos. Eu queria era cantar Raul contigo e com a Inara e achar tudo um absurdo mas que a gente vai levando. Eu queria ter alguma certeza nesta vida, alguma coisa em que segurar, que não seja no corrimão da escada ou no banco da frente do ônibus. Queria segurar o teu gato no meu colo – ele que não me arranhava – e me perder na ingenuidade daquele instante em que te contei que eu queria ser uma estrela de Hollywood. Queria é que uma estrela caísse na palma da minha mão e incendiasse tudo ao redor, como disse o Renato. Queria ver o sorriso da sua mãe e escutar ela dizer junto com o melhor deles que sim, você conseguiu!!! Eu queria que ela soubesse que eu sempre acreditei nela – muitas vezes não acreditei nem em mim, mas sempre escutei o que ela dizia, com aquele ar de fada madrinha e de bruxa boa.

Eu queria sabe o quê? Que o maior medo que a gente sentisse na vida fosse o de reprovar na escola, de bombar em matemática. Mas já que não é assim, vou me lembrar sempre que eu tenho estas histórias todas. E dentro delas tem você. E tem também a sua mãe, afirmando para a eternidade, com aquele jeito de maga, de gente que sabe das coisas, que sim, a gente vai conseguir. Porque nela eu ainda acredito.

I’ve seen your face a thousand times

Everyday we’ve been apart

I don’t care about the sunshine, yeah

Cause Mama, Mama, I’m coming home…”

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No hay nadie como tu

Estava voltando da faculdade ontem (25/10) e resolvi dar um tempo de escutar minha playlist (enorme) e fui escutar a Oi Fm (rádio maravilhosa que a @belsliominas me apresentou). Estava passando um programa muito legal chamado “nômade”, apresentado por um cara que não se decidia se tinha sotaque espanhol ou francês (juro). Neste programa rolam músicas de vários países e ontem as músicas eram dos países da América Latina. Quase decolei. Uma das músicas é cantada por duas bandas: uma cubana e outra mexicana. Enquanto escutava eu abri um sorriso que provocou as pessoas por perto… acho que eles queriam saber o que é que estava me fazendo sorrir tanto em plena meia noite, debaixo de chuva – estando eu toda molhada e morrendo de frio e fome. Bom, o que é que estava me divertindo tanto vocês vão saber agora, assistindo o vídeo da música e acompanhando a letra – que é demais!

No Hay Nadie Como Tu (Calle 13 e Cafe Tacuba)

En el mundo hay gente bruta y astuta,
hay vírgenes y prostitutas,
ricos pobres clase media,
cosas bonitas y un par de tragedias,

Hay personas gordas medianas y flacas,
caballos, gallinas, ovejas y vacas,
hay muchos animales con mucha gente,
personas cuerdas y locos de mente.

En el mundo hay mentiras y falsedades,
hechos, verdades y casualidades,
hay mentalidades horizontales,
verticales y diagonales

Derrotas y fracasos accidentales,
medallas, trofeos y copas mundiales,
en el mundo hay vitaminas y proteínas
marihuana, éxtasis y cocaína

Hay arboles, ramas, hojas y flores,
hay muchas montañas de colores,
en el mundo hay decisiones divididas,
entradas, salidas, debut, despedidas,

Hay inocentes, hay homicidas,
hay muchas bocas, y poca comida,
hay gobernantes y presidentes,
hay agua fría y agua caliente.

En el mundo hay micrófonos,
y altoparlantes,
hay seis mil millones de habitantes,
hay gente ordinaria y gente elegante,
pero pero pero…

No hay nadie como tu,
no hay nadie como tu mi amor,
no hay nadie como tu.
no hay nadie como tu,
no hay nadie como tu mi amor,
no hay nadie como tu.

En el mundo siempre se mueve la tierra,
hay tanques de oxigeno y tanques de guerra,
si el sol y la luna nos dan energía,
se duerme de noche, y se vive de día.

Hay gente que rectifica lo que dice,
hay mucha gente que se contradice,
hay algarrobas y algas marinas,
hay vegetarianos y carnicerías,

Hay tragos amargos y golosinas,
hay enfermedades y medicinas,
hay bolsillos llenos, carteras vacías,
hay mas ladrones que policías

Hay religiones, hay ateísmo,
hay capitalismo, y comunismo,
aunque nos parecemos no somos los mismos,
porque porque…

no hay nadie como tu
no hay nadie como tu mi amor
no hay nadie como tu
como tu
no hay nadie como tu
no hay nadie como tu mi amor
no hay nadie como tu
como tu

En el mundo existen muy buenas ideas,
hay don quijotes y dulcineas,
hay sexo en el baño, sexo en la cama,
sexo sin ropa, sexo en piyama,

Hay cosas reales y melodramas,
hay laberintos y crucigramas,
existen llamadas que nadie contesta,
hay muchas preguntas y pocas respuestas.

Hay gente valiente, gente con miedo,
gente que el mundo no le importa un bledo,
gente parada, gente sentada,
gente soñando y gente despertando.

Hay gente que nace, gente que muere,
hay gente que odia, y gente que quiere,
en este mundo hay mucha gente
pero pero pero….

No hay nadie como tu,
no hay nadie como tu mi amor,
no hay nadie como tu…

Pra ouvir toda a playlist do programa de ontem, clique aqui!

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De quem é este jegue?

Meu querido primo foi para a Índia e andou reclamando que a China já tem trem-bala e o Brasil ainda não. Eu disse pra ele assim: puxa, mas você quer comparar o Brasil com a China??? Explico. Trabalho boa parte da semana no desembarque do aeroporto e vejo todo o tipo de gente, lido com diversos tipos de personalidades e sobretudo – passo boa parte do tempo observando as pessoas (pelo menos a parte do tempo que me sobra fora da correria já conhecida, porque a aviação não para, vocês sabem disso). Não vou ficar muito no fato de que o nosso aeroporto aqui de Congonhas têm goteiras, em contraste àquelas motocicletas mudernassss que os agentes da Infraero usam para se descolar no aeroporto, como se ele fosse muito muito muito grande. Não, não vou falar em infraestrutura. Nem na tosquice de se encher as paredes e janelas do aeroporto de propagandas e tampar a visão de nós que trabalhamos lá e precisamos por exemplo enxergar se as bagagens da esteira 3 já chegaram. Não dá mais, acabou a festa. A Infraero encheu os vidros de propagandas e agora nós só enxergamos o Citroen.

Vou sim, falar em coisas simples. No fato de que as pessoas não lêem placas. As placas indicativas (“sanitários”, “conexão”, “telefones públicos”, “saída”) estão ali na frente delas e elas não enxergam. Os estrangeiros – que não falam nosso idioma – são os que passam direto. Estão sempre atentos às placas. Outra: a companhia aérea em que trabalho cede sacos plásticos para conservar bagagens caras (é mais barato dar o saco do que consertar uma Louis Vitton da vida). As pessoas retiram suas bagagens da esteira, no desembarque, abrem os sacos e os jogam no lixo – certo?

Errado.

Elas abrem os sacos (e ao invés de desatarem o nó para que ele seja reutilizado, elas o furam com os dedos) e os deixam caídos no meio do desembarque, de modo que a agente de aeroporto da companhia, que está ali por perto, precise recolhê-lo e fazer aquele serviço que vem de berço, mas que nem todos sabem fazer. Estão assustados? Já rolaram coisas piores: já vi gente cuspindo no chão. Pessoas que soltam os cachorros no meio do saguão para que eles façam suas necessidades. Agentes de aeroporto casados que param o atendimento a um cliente só para ir atrás da Mulher Melancia ou daquela outra que trabalha no Luciano Huck e está sempre usando a mesma microssaia – na alegria e na tristeza, no frio de rachar ou no calor de derreter. Já vi colegas darem o welcome speech (no microfone) em português (português!!!) desta maneira: “suas bagages estão disponível na esteira de número 3″. Já vi gente ser demitida por causa do furto de um Ipod… colocar a carreira em xequemate por causa de uma *&¨%$#@ de um ipod que ele poderia ter comprado em 12 vezes nas Casas Bahia!!!! Quantos anos de empresa jogados por água abaixo…

…e depois tem gente que acha que o Brasil está preparado para ter um trem bala!!! Não está, meus amores. Um povo que pixa (ch?) seus trens, destrói suas janelas, aniquila seus telefones públicos, escreve palavrões infames (e nojentos) nos bancos dos ônibus, que não sabe ceder o lugar (que precisa estar marcado) para as pessoas mais velhas e que elege quem elege, não está preparado para as estruturas de primeiro mundo. É como esconder a sujeira embaixo do tapete persa. Ou implantar um sistema de última geração para usuários que o desconhecem. Para um dia sermos um país de primeiro mundo, é preciso que sejamos reeducados. Jogar o papel no lixo, não cuspir no chão, parar o carro para o pedestre passar, não destruir nosso próprio patrimônio, pois não, posso ajudar, muito obrigada, disponha, não há de quê. Hoje vou de bicicleta, vou deixar o carro em casa – ou então vou de metrô. Oi você precisa de ajuda? Tenha um ótimo dia, até amanhã! Falta educação, falta gentileza e falta (como diz a @belsliominas) elegância. Trem-bala? Desculpe: isso ainda é muita areia pro nosso caminhãozinho. 

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Programinha.

Depois de uma dor inédita e insuportável nos rins, resolvi encarar o medo de hospital e troquei a faculdade por um programão de sexta-feira: o pronto socorro do Hospital San Paolo. Dei entrada na documentação às 18h31. Minha senha era a 945. Demorei apenas alguns minutos para ser chamada pela recepcionista – que não sorria e quase não falava. Voltei ao banco e as minhas dores iam e vinham. Eu estava assustada. A sala de espera do P.S. estava lotada e tinha mais gente lá fora. Em sua maioria, senhoras de meia-idade e mulheres. A televisão estava ligada e a novela (Mutantes) sobre vampiros e lobisomens aumentavam as minhas dores. Achei que melhoraria assim que ela terminasse, mas em seguida começou o Datena. Quando a notícia foi que “falta de sexo faz casamento ser anulado” fui sugerir à recepcionista que trocasse de canal, pois haviam crianças na sala e não achava aquele tipo de programa adequado para elas. A recepcionista deu de ombros. Retornei ao banco e puxei assunto com uma senhora que estava lá desde as cinco horas da tarde. Ela estava sentindo tonturas e sua pressão estava altíssima. Quando fui chamada pela triagem para tirar a pressão e a minha temperatura, a enfermeira levou um susto quando o termômetro acusou 32!!! Duas vezes. Eu disse que estava em jejum e que a temperatura poderia estar baixa por causa da dor. Ela me perguntou se eu havia enjoado ou vomitado e depois fiquei pensando se não tinha hemorragia interna (quando a gente fica com a pele gelada e queda de temperatura). Resolvi ficar tranquila e não alimentar a minha hipocondria. Logo chamaram a senhora que estava ao meu lado. Minhas dores começaram a aumentar e eu abracei os joelhos para ver se resolvia. Ali umas duas fileiras adiante havia uma senhora que se contraía inteira, como se tivesse convulsões. Uma garota que estava sentada ao lado dela trocou de lugar. Ambas foram atendidas algum tempo depois. A mãe deixou as duas menininhas sentadas na sala enquanto levava o garoto para a enfermeira tirar a temperatura. A menina mais nova desatou a chorar e a mais velha a abraçou. A mãe retornou e ela continuou chorando. Tudo parece agravar nossas dores e nosso mal estar. As pessoas estão impacientes por conta da demora. Eu avisei a algumas senhoras em volta que só haviam três médicos e que naquele momento era a troca de turno dos profissionais. Até que me chamaram.

A doutora que me atendeu é uma simpática médica que veio de Aracajú para estudar Medicina em São Paulo. Ela me recepcionou dizendo o seu nome, que é médica e que vai me atender. Me transmitiu bastante segurança e confiança. Quando ela soube que eu trabalho na Tam, quis saber se sou das atendentes simpáticas ou se sou da turma das mal educadas. Depois contou o mal atendimento a que foi submetida, em Aracajú, quando foi visitar a família. A Dra Erika me examinou e disse que não havia alterações físicas, mas prescreveu medicação intravenosa e exames de urina e sangue para verificar como estão meus rins. O exame ficaria pronto em duas horas.

Retornei à recepção. Bebi três copos de água achando que seria chamada em seguida. Não fui. Quando bateu vontade de fazer xixi, fui até a enfermaria e pedi um copinho de plástico. Fiz a coleta no banheiro da parte de dentro. O copinho foi etiquetado com meus dados e eu me sentei na sala de medicação. Ao meu lado havia uma garota chamada Patrícia, que também estava com dores nos rins. Sofria muito mais do que eu. Eu tentei conversar com ela para distraí-la. Enquanto isso aquela senhora que tinha contrações nervosas estava sentada ao nosso lado e estava dizendo para nós rezarmos para não ser pedra nos rins, porque a dor é insuportável. Me afastei dali e sentei na outra sala. Alguns minutos depois um enfermeiro chamado Roberto veio me dar a medicação e coletar o sangue. Ele achou a minha veia na primeira tentativa e o achei muito delicado no procedimento (não tive a mesma sorte com enfermeiras). Nos primeiros instantes senti o coração disparar, a boca seca e depois tonturas. Perguntei se eram reações normais – mais para que ele soubesse o que eu estava sentindo do que por medo – e ele assentiu. Enquanto isso a Dona Delvina entrou na sala para fazer sua inalação, depois o Rafael, um garoto de 22 anos que estava se formando enfermeiro e que quer ser enfermeiro na aeronáutica. Depois veio o motoqueiro tomar dramim. Depois veio a Marlene, que levou uma ráqui (não sei como escreve) na semana passada por causa de uma cirurgia e desde então tem tido dores de cabeças fortíssimas. Depois veio a Elisa, que comeu camarões e teve reação alérgica no rosto (eu achei que eram queimaduras). O enfermeiro careca (que chama os pacientes de “irmão” ou “meu anjo” estava bravo por algum motivo quando viu uma folha azul dentro do display de acrílico, na parece. Pareceu-me que seu turno estava acabando. Quando a sala esvaziou e enquanto meu soro ainda não havia terminado, perguntei para ele:

_ Moço, por que o senhor ficou bravo? Seu turno acabou?

Eu precisei explicar, mas ele me disse que ficou daquele jeito (esmurrando a mesa) por que levaram a ficha de uma paciente para outro lugar indevidamente.

Algumas vezes a doutora que me atendeu entrava na sala de medicação e sorria para mim. Os três enfermeiros têm personalidades diferentes: um é mais expansivo e bem humorado. O outro é calmo e atencioso. O outro é preciso e concentrado. Todos nos tratam com muito carinho e delicadeza. Todos elogiam a maneira como aplicam as injeções. As pessoas iam e vinham e eu os observava, cumprindo seus procedimentos, trocando de luvas cirúrgicas várias vezes, levando sua vida e sua rotina de encontrar os colegas nos corredores e cumprimentá-los. Quanto à mim, fiquei praticamente duas horas com a sonda na veia e quando o resultado dos exames chegou, fui chamada pela Dra Érika na sala. Ela me perguntou sorrindo se eu ainda sentia dores e eu sorri de volta. Já estava muito melhor. Os exames estavam normais e os meus rins estão trabalhando direitinho (mas eu não vou mais prender o xixi. Nunca mais). Saí aliviada, depois de dizer boa noite aos enfermeiros, na sala de medicação.  Porque Buscopan Composto cura. Mas delicadeza também.

(Eram 23 horas).

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O homem que me roubou as palavras

Perdi a conta de quantos textos românticos tenho escrito até hoje e que foram publicados neste blog… todos eles tão fantasiosos, imaginando alguma circunstância ou algum cara que se aproximasse daquilo que o meu coração queria ou precisava. Pura literatura. Agora, porém, vivo situações concretas. Vivo, amo, falo, beijo, abraço: sinto! Tudo pele, palavras, coração. Tudo agora, nada por fazer, nada pra depois. Nem todos os personagens que eu criei juntos chegam à sutileza de como é o meu amor. Engraçado, porém, é que ainda que eu esteja apaixonada como estou, não consigo escrever sobre ele! Não consigo fantasiar nada (pelo menos por enquanto). Deve ser porque não ficou nenhuma lição de casa por fazer: tudo que foi sonhado, foi preparado e foi consumado. Agora eu sei que a literatura se serve de quimeras, não de fatos. Bem. A escritora merece viver uma história na mesma e intensa delicadeza das histórias que escreveu – e é grata à vida por desta vez lhe terem fugido as palavras.

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Pode esquecer!!!

A seguinte carta foi escrita e deixada no livro de passagem de serviço de onde trabalho. Assim que a minha chefe chegou ela cortou meu barato e explicou as razões pelas quais nosso desejo não poderia ser atendido. Mas a carta ficou tão legal que resolvi publicar aqui!

“POVO,

Para que a gente pare de beber o café dos outros (no caso, o café da Gol), estamos considerando a hipótese remota de comprar uma cafeteira muito da simples, para termos nosso próprio café – e quem sabe poder acalmar os ânimos dos passageiros nervosos que ficarão tomando um cafézinho enquanto aguardam seus objetos retidos (1), isto, claro, se eles não jogarem o café na gente. Enfim. Para tanto, fizemos uma rápida pesquisa pelos modelos mais básicos – tipo BK22 (2) – e se todos quiserem entrar na vaquinha, conseguiríamos comprar uma BK22, digo, uma cafeteira, por míseros R$8,83 por boca (18 bocas). Sendo assim, por favor escreva seu nome abaixo caso você queira colaborar (e caso queira tomar café hahahahaha), já que café é bom, a gente gosta e a gente precisa a qualquer hora do nosso manso dia. Ah, não se preocupem com a garrafa térmica, que nós já temos e que é vermelha!!!”

Glossário:

(1)objeto retido – se você resolver entrar na sala de embarque de qualquer aeroporto portando uma pinça para tirar a sobrancelha durante o vôo, ou uma agulha de crochê, ou um taco de golf, terá que retornar ao check-in da companhia aérea para despachar seu objeto separadamente ou simplesmente descartá-lo. Como estes objetos não podem ser colocados na esteira dos desembarques, são entregues aos clientes em nosso departamento administrativo e geralmente isso demora um pouco. Alguns encaram numa boa, outros ficam bem bravinhos.

(2) BK22 é o código utilizado para a famosa bagagem preta com rodinhas, que 99,99% das pessoas que viajam usam: o basicão!

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Estamos distribuindo ferraduras

É contra os meus princípios escrever coisas sobre pessoas que não merecem atenção, aqui neste espaço sagrado que é o meu blog. Mas esta história eu preciso contar, porque 1. é revoltante e 2. eu adorei o desfecho dela!!!

Ocorre que existe uma garota que trabalha em uma outra companhia aérea e que nunca me desceu desde o primeiro dia em que tive o desprazer de conviver, no desembarque de Congonhas. Isso porque eu acho que dizer Bom Dia às pessoas ao chegar em um recinto é uma questão de educação e de elegância – e ainda que a pessoa seja desprovida de elegância, o quesito educação é bem mais fácil de se adquirir e não precisa pagar impostos. Mas a menina se acha: chega com o nariz empinado e não olha na cara de ninguém. E eu odeio gente afetada.

Então um colega dela, que é um amor (leva café pra gente na nossa sala, como se fosse serviço de quarto: nunca vi ninguém mais fofo!), me contou hoje que a dita cuja estava jogando videogame na tela do computador da sua respectiva companhia aérea, no desembarque (porque ela é bem ocupada) , quando a tia da limpeza que presta serviços para o aeroporto pediu a gentileza de ela dar a licença para ela limpar a mesa. A nojentinha respondeu: Ah, você vai ter que esperar eu terminar o meu jogo. Perguntei para o Dori se ela estava brincando, porque ah, só pode!!! Não, ela não estava brincando. E por último, ainda completou (na frente da tia): tinha que ser faxineira, mesmo.

A tia – que é bem mais inteligente e elegante – ao invés de dar um barraco, foi até a gerência da respectiva companhia aérea da moça (e NÃO é a Tam) e contou o ocorrido. A gerência foi até o desembarque confirmar e a nojentinha se deu mal. Ela que é uma auxiliar de aeroporto, acha que é melhor do que a tia da limpeza. Só porque tem olho azul e cabelo loiro, só porque tem o rosto bonitinho acha que é melhor do que os outros e que pode humilhar as pessoas. Virou motivo de fofoca, porque todo mundo ficou sabendo. E sabe-se lá o que o gerente da . . . vai fazer com ela. De modo que vocês vão me desculpar, mas eu achei que foi é muito bem feito! :-D

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Pequeno Dicionário Amoroso

Havia um tempo que ela procurava uma palavra que fosse deslumbrante e perfeita, uma única palavra que servisse para traduzi-lo ou que pudesse ser significante de tudo aquilo que o rosto dele trazia: a paz, o sossego (ou desassossego?), algum lugar secreto que a faça se sentir de pés para o alto e sem vontade de voltar. Então ela rondava a cidade por livrarias e bibliotecas, folheava os livros e sondava figuras, pousava os olhos sobre tudo o que via, propagandas de televisão ou títulos dos livros que os outros liam no metrô. Mesmo os sons que escutava ela tentava transformar em uma bela palavra para dar a ele de presente. E se você fosse uma palavra, seria… tentava de modo infinito e insistente, mas não encontrava nada que fosse equivalente ou irrestrito. Nada tão sublime e devastador. Nada tão bonito, nada tão acolhedor. Enquanto isso, não existia dia sem inspiração. Todas as pequenas comemorações do dia eram compartilhadas, todas as idéias e vislumbres. E pequenos versos de músicas e poesias faziam viagens intertorpedos. As luzes da cidade faziam sonhar. Noites frescas e convidativas faziam-nos figurarem pelos cantos mais bonitos. Existiam beijos que faziam inveja à Juliette Binoche e atravancavam a fila para entrar na sala de cinema. E aquele escuro, que sempre era mais interessante do que qualquer Amelie Poulin coisa e faziam-nos sentir vontade de instantaneamente voar para o interior de quatro paredes. Existia um metrô vazio e as pernas dela apoiadas sobre a dele – coisa que ele muito gosta – e um ombro de mulherzinha apoiado sobre o abraço de um namorado bastante apaixonado e concentrado em seu papel de homem protetor. E os bancos vagos do metrô traziam-no ao seu coração cheio de amor, toda vez que ela estava sozinha, de modo que esta era uma relação apadrinhada pelos trens do metrô e aqueles bancos – mesmo os azuis, que eram de prioridade. Existiam relógios que marcavam intermináveis minutos e horas que eram dispensáveis. Existia quereres e saudades doloridas e mãos dadas caminhando por esta vida. E ela era havia um tempo uma mulherzinha muito mais linda e tinha uns olhos tão brilhantes e um sorriso tão perfeito como dentista nenhum conseguiria fazer. E então era tudo isso que ela tinha dentro do peito e que queria transformar em uma palavra – a que fosse a mais linda, a mais merecedora de ser dita e para ele oferecida, até entender que tudo era uma questão de falta de espaço. Nenhuma palavra era tão grande que pudesse caber todo o infinito amor dos dois; e nem tão bela que pudesse reluzir o brilho que saltava de olhos tão cheios de estrelas e de promessas – daquelas fáceis, das que facilmente se consegue acreditar (e pra sempre).

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Forever Young…

Se eu for confessar, vou ter que dizer que cresci, mas dentro do meu peito ainda bate um coração adolescente. E por mais resguardada que eu tenha me tornado, ainda guardo a intensidade daquela fase, de quando a gente é tão sincero com o que se sente o tempo inteiro e tem sempre as emoções à flor da pele. É por isso que eu gosto tanto de assistir The O.C. Fomos ter canal pago, aqui em casa, muito tempo depois de todas as outras casas! Mas um belo dia a minha irmã e eu alugamos o box do seriado e não conseguimos parar de assistir. Me lembro de ter sentido medo de constatar o quanto aquilo era viciante e o quanto me marcava. Eu passava o resto do dia me lembrando das cenas, das mais bonitas e até me deixava influenciar um pouco por aquela paixão. Acho que esta é a melhor palavra para traduzir por que eu gosto tanto desta série: porque ela traduz a paixão com que aquelas personagens vivem. Eles não são perfeitos. A mocinha é cheia de fraquezas e ao mesmo tempo forte o suficiente para assumir posturas inesperadas e de uma grandeza infinita.

Quem não se pegou sorrindo enquanto o Seth dá uma de suas palestras? Quem não se pegou torcendo para que o Ryan ficasse na casa de Sandy e sua linda e delicada esposa? Quem não adorava o casal lindo que eles formavam?Quem não se pegou chorando quando ela passou a tratá-lo como filho? Quem não sentiu raiva da lenga lenga daquele namoro que não vingava? Quem não chorou junto com a Marissa? Quem não riu da graça de Summer? Que mulher não sentiu uma invejinha boa daquele cabelo dela? Quem não curtia os passeios dos dois casais? Quem não mergulhou na história e se sentiu parte dela?

Assistindo O.C. você acaba por se tornar um adolescente, um dos amigos, parte da trama. Você literalmente mergulha nas circunstâncias a um ponto que é difícil de voltar depois. Isso é obra de diálogos bem escritos, com muita sensibilidade; personagens bem delineadas, lapidadas, humanas, não estereotipadas. Histórias construídas com intensidade, com cuidado e delicadeza. A beleza de mostrar o caminho que todas as personagens fazem e seu amadurecimento. Até onde se vai pela amizade? Até onde se vai por aquilo em que se acredita? Até onde vai por aqueles que se ama? Um homem que desafiou a alta sociedade em que vivia, com todo o seu congelamento de valores e toda sua hipocrisia, para trazer um detento para dentro de sua casa: porque ele acreditava que com amor e com carinho, a vida daquele cara podia mudar (como mudou). Uma mulher que se deixou levar pelo amor que passou a sentir por este mesmo cara, sem preconceitos e que o acompanhou,  sem pestanejar. Decisões difíceis que às vezes precisamos tomar em nome dos nossos valores, surpresas nem tão agradáveis (ou nada agradáveis) que a vida nos traz e que não nos deixa escolha. É preciso enfrentar e pronto. The O.C. foi um grande seriado. Gosto de aprender com as sensações que são despertadas por estas experiências. Gosto de sonhar sob a influência de lindas imagens construídas por grandes comunicadores. Gosto de me deixar levar e de me atirar contra o meu medo de altura, ali no alto da roda gigante.


PS1: Algumas das minhas cenas prediletas: no primeiro vídeo, o primeiro beijo de Ryan e Marissa, na roda gigante! No segundo vídeo, a contagem regressiva para o Ano Novo, com uma música lindíssima de fundo e uma das cenas mais românticas entre os dois. No terceiro, Seth e Summer dançando “Wonderwall” no quarto dele e por último, quando Marissa ganha um quarto novo, que seu casal de amigos preparou para deixá-la mais feliz e tentar fazer com que ela se esquecesse de determinadas coisas…

PS2: o título do post se refere a uma das músicas da série. A trilha sonora inteira é altamente recomendável.

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Tão perto, tão longe…

Fico pensando aqui que um dia nós conseguimos viver sem celular, sem MP3, sem laptop na mochila. E sem e-mail!!! É verdade: a primeira vez que eu trabalhei em uma companhia aérea na vida, no mesmo setor em que estou hoje (e isso mostra que ainda tenho muito o que evoluir, haha), tinha muito mais amizades e laços com os meus colegas de outras cidades e estados e isto tem uma explicação: naquela época não existia e-mail! Ou melhor, existia o “zipmail” e o ig, mas a internet ainda não era algo acessível para todos. O que quer dizer isso? Eu e meus colegas nos falávamos por telefone quase todos os dias e várias vezes por dia e isso fez com que criássemos certa cumplicidade que em alguns casos dura até hoje. Hoje em dia isso não acontece. A companhia aérea onde trabalho tem lá seus sistemas sofisticados que faz com que não seja necessário que se faça uma ligação interurbana, por exemplo. Agora temos outlook, temos nextel e temos nosso espaço de mensagens no sistema que utilizamos. O resultado é que as relações não se aprofundam. Usei meu trabalho como exemplo, mas a gente pode viajar muito a partir daqui. A gente tem a internet, o e-mail, o orkut, o face… se eu preciso falar alguma coisa para alguém simplesmente mando um e-mail ou um SMS se for mais urgente. Daí a fazer uma ligação é bem mais difícil. Uma visita pessoal, então, nem se fala.

E os livros? Quem é que consegue ler um livro em paz, no ônibus, sei lá onde mais, sem ficar tentado (a) a consultar o celular, olhar o msn, o hotmail, o facebook, o twitter… ou sem viajar com aquela música que está no seu Ipod, porque se está é porque você escolheu e se você escolheu é porque ela te faz literalmente tirar os pés do chão…?

O que significa que estamos caminhando para um tempo onde a distância é cada vez mais nula entre as pessoas. Eu estou aqui escrevendo, mas posso estar aí com você agora mesmo. A tecnologia nos oferece cada vez mais ferramentas (maravilhosas) pra isso: para que o mundo possa entrar pelas nossas telas ou telinhas ou visores. Mas junto com as delícias, vêm os custos: o grande problema é como é que nós vamos trabalhar nossa disciplina, nossa liberdade e nossa essência que ainda pede um abraço pra sentir, um livro pra ler e um pássaro pra ouvir – ao invés de se ficar o tempo inteiro conectado e ligadão.

Eu estou prestando atenção. E você?

PS 1: Esta discussão foi levantada pelo Gustavo Mini, no programa Minimalismos da Oi Fm. Achei super oportuna e resolvi trazer pra cá.

PS 2: Sei que estou sumida dos blogs de vocês, mas agora que acabaram as aulas, vou retomar as leituras e comentários. Não me esqueçam!

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E o velhinho ataca novamente…

(O harém de velhinhas e o sapatinho do Seu Sebastião: tímido!)

O Seu Sebastião e eu podíamos ter nos esbarrado muito fácil por aí, porque ele mora no mesmo bairro que eu. Mora simplesmente duas ruas atrás da minha. Mas não foi assim. Enquanto ele perambulava pela padaria Lauzane Park ou pelo BergaMais, quis o destino que eu estivesse em outro lugar e veja só: fui conhecer o vovô nos bancos do terminal lá de Santana. O que eu sei é que hoje em dia não consigo mais sentar do lado esquerdo do ônibus, só me sento do lado direito, para poder dar tchauzinho quando o ônibus sai – e responder ao aceno sorridente do vovô Sebastião. E enquanto o ônibus não sai, fico observando algumas coisas, como o dia em que o velhinho estava no meio de um harém de mulheres!!! A foto que não me deixa mentir…

… quando eu estava esperando o ônibus, eram só duas ou três. Aos poucos foram chegando mais duas, mais duas, mais três. E os olhos do velhinho estavam passeando pela frente, olhando distraídamente as pessoas e os lugares (como se tudo fosse novo pra ele) e quando ele voltou o olhar para as velhinhas, ali ao seu lado, e viu não duas, mas cinco velhinhas, tomou um baita susto!!! Os olhos arregalaram e ele pendeu um pouco o torax pra trás como se fosse em desenho animado. O mais engraçado é que elas estavam vestidas IGUAIZINHAS! Todas de calça preta e blusa vermelha. Era de fato um desenho animado: o velhinho olhava pra trás e quando desvirava, parecia que a mesma velhinha havia se multiplicado! E enquanto eu e ele nos divertíamos com isso – eu na fila e ele no banco – ali vinha vindo mais uma e ele me chamou a atenção e apontou a velhinha que estava se juntando ao grupo. Depois o ônibus chegou e eu não sei como a história acabou. Fiquei imaginando que dali sairia pelo menos 01 namorada para o Seu Sebastião, mas que nada. Ele continuou ali, como na foto, apenas observando-as de soslaio.

Impagável!!!!

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O dia em que a Melissa colou

Não é novidade pra ninguém – que muito me conheça, ou que muito desconfie – que a Mel é uma cdf, que ela sentava na frente da professora, que era a queridinha das professoras de Ciências, que era a escolhida pra passar a lição na lousa, que gostava de estudar e fazia as coisas certinho. A novidade, mesmo, é esta mesma figura dizer em alto e bom tom que colou em uma prova! Na verdade colar é libertador. Libertar-se do paradigma de gente certinha, assumir fraquezas, redimir-se delas.

Um dia eu tinha uma prova de Cinema (a disciplina era Comunicação Comparada) e não havia estudado bulhufas. Cheguei mais cedo na faculdade (unidade Bresser da Anhembi Morumbi), sentei-me no degrauzinho e devorei a apostila. Tirei dez na prova e pronto. Mas com a prova desta semana, minha gente, entendam, não é bem assim. Veja que não posso dizer qual é a disciplina porque como diz o cara do Bradesco, vai que. O fato é que a matéria era chata pra burro, eu não havia tido tempo pra estudar e nem que tivesse, não teria saco. Nem saúde. Imprimi a tal apostila e fui de casa até a faculdade lendo a matéria. Algumas coisas são fáceis de se guardar em memória, outras não. Eu não tinha dormido à tarde naquele dia, ou seja, meu grau de absorção da disciplina estava pouco acima do zero. Vocês sabem que eu levanto muito cedo pra trabalhar e preciso dormir à tarde pra me recompor. Mas não. Cheguei na faculdade e não tinha conseguido ler tudo. Tinha um fiozinho de esperança de que a prova fosse com consulta (isso foi cogitado em uma das aulas). Mas não foi.

Peguei a folha de prova, enquanto fui até uma das cadeiras rezando a Oração do Espírito Santo. Todos os meus botões de prolixidade deviam funcionar naquela noite. Mas dá pra ser prolixa com números? Ih. Fodeu.

Eu olhava a folha de respostas e vinha um filme na minha cabeça. Como é bom estudar e dominar a prova, não olhar pra ela com aqueles olhos de presa a ser devorada pelo predador – no caso, predadora. Como é bom se garantir. Como é bom gostar do que se estuda, Meu Deus. Que inveja (boa) eu tenho da Mizinha, que estuda as coisas mais deliciosas do mundo. Por que eu não terminei a merda do Jornalismo e estaria livre das amarras das convenções (e das auto-cobranças). Fui levando do jeito que dava. Mas tinha uma determinada pergunta cuja resposta eu não fazia a menor idéia do que podia ser. Não poderia deixá-la simplesmente em branco. Na prova de Matemática eu simplesmente deixei uma questão em branco, porque havia faltado no dia daquela matéria. Escrevi embaixo: “faltei”. Dá pra ser cara de pau sem perder a pose. Mas naquele caso, deixar aquela questão em branco significaria ser muito LOSER  e dizer sem sombra de segredo: eu não estudei nada. E correr o risco de ser reprovada. Olhei em volta. O docente estava conversando com uma aluna, alterando a conversa com olhadelas em seu notebook. Não pestanejei.

Minha mãozinha flutuou em direção à minha bolsa, que estava aberta na cadeira do lado. Peguei o celular e coloquei ao lado da minha coxa direita. Cobri o celular com a capa preta da Calculadora HP. A folha de prova estava no meu colo e a folha de respostas sobre a mesa (aquelas de um braço só, que não cabe nada), o que justificaria eu estar olhando para baixo. Discretamente entrei na internet do celular e lá nos favoritos, cliquei no GOOGLE.

Digitei as duas palavras chave da questão e continuei a responder a questão seguinte. Quando veio o resultado, escolhi um deles e você não tenha dúvidas. Claro que eu mudei as palavras e acrescentei outras coisas que meu parco conhecimento poderia agregar. E finito.

Saí de lá sentindo um breve orgulho de mim: eu colei!!!! Se passei, não sei. Aguardar cenas dos próximos capítulos. Mas confesso: ainda prefiro ser certinha e não precisar apelar para o google. Isto significaria que eu estaria estudando uma coisa que realmente me agrada e que faz com que eu saia da sala de aula de modo diferente de como entrei. Ter que pedir ajuda ao Google só me faz lembrar que tem alguma coisa errada…

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Hoje tem palhaçada? Tem sim senhor!!!

Era quase meia noite, a hora em que viro abóbora, quando tocou o meu celular e ao bater os olhos no visor vi que a ligação vinha do aeroporto. Atendi quase sem querer e era a minha chefe. Atendi o telefone deste jeito:

_ AI!!!!!

A minha chefe respondeu:

- HAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!

Ela entendeu: a chefe da gente (a gente, que trabalha de manhã) ligando pra gente quase meia noite, boa coisa não é!!!! Fala aí:  o que foi que eu fiz? Qual foi a merda? O que aconteceu? Passei alguma mensagem errada? Coloquei o porão errado no FW (*)? Sumiu algum DFP (*)? Mas ela tratou de me tranquilizar:

_ CALMA, CRIATURA!!!!

E então me deu as coordenadas: a greve teria sido antecipada para dia 22 e nós, que trabalhamos de manhã, deveríamos trabalhar à paisana. Levar apenas uma bolsa (sem o uniforme!!!) e o crachá da empresa. Não levar um monte de coisas. Ah, levar uma blusa extra, porque eles vão jogar catchup nas pessoas (?!).

_ Jogar o quê???? – pergunto, estarrecida.

_ Jogar CATCHUP!!!

_ Mas que p….!!!!

_ HAHAHAHAHAHA!!!!

Então lá fui eu separar o meu uniforme do dia seguinte: calça jeans e a blusa branca nova que eu havia acabado de comprar. No dia seguinte coloquei o “uniforme” e desci para tomar o café que o meu pai (como é de costume) já havia preparado. Ele me pergunta se eu vou trabalhar vestida deste jeito. Sim, hoje tem greve. Então ele me ordena:

_ Você não abra a sua boca, heim!!! Você fique quieta, heim??? Você não dê uma de herói!!!! Fique na sua!!!!

(Será que ele achou que eu ia pegar o megafone dos caras e sair berrando?)

Acho graça. Vou para o ponto de ônibus, carregando uma sacola da TAM com os panetones do Tonhão e do Rogério (motorista e cobrador que eu pego todo dia de manhã pra ir trabalhar). O velho nojento que pega ônibus comigo no mesmo ponto e todo santo dia faz aquele comentário imbecil e dispensável (sem, claro, deixar de me encarar de cima embaixo):

_ Que diferença, heim???

Não respondo. Ele insiste:

_ Heim, menina?

_ O quê.

_ Que diferença!!!!!!!!!

_ Ah, é?

E graças a Deus vem o ônibus. Entrego o panetone para o motorista e depois jogo a enorme sacola da TAM no colo do cobrador (contendo, obviamente, o seu panetone). E digo:

_ Você se vira com esta sacola!!!! Não posso carregá-la comigo.

Eu não saberia – e viria a descobrir mais tarde, porque peguei os dois pra voltar pra casa – que dentro da sacola havia um cartão de natal para o Rodrigo (amigo), que foi, acidentalmente, entregue para o cobrador. E o do cobrador, entregue, acidentalmente, para o Rodrigo. :-)

Cheguei no aeroporto e já antes de descer do ônibus (o segundo ônibus) fiz o Sinal da Cruz. Atravessei a passarela, enquanto percebia que o aeroporto estava na maior calmaria, sem uma gritaria, sem uma viv´alma. Passa ao meu lado um colega de trabalho, sem se dar conta de que aquela pessoa que está de calça jeans e camiseta branca sou eu. Ele está uniformizado.

_ Epa.

Sinto que tem alguma coisa errada. Quando chego no aeroporto, enfio a cabeça para o lado de dentro da  porta e vejo todo mundo devidamente fardado, lá no checkin. Epa. Resolvo não bater o ponto, morrendo de vergonha. Vou até a nossa sala, que é estrategicamente localizada distante do checkin, escondida. Entro no corredor dos setores de bagagem rindo. Quando estou quase chegando na porta, a Fabíola aparece no balcão para atender quem estivesse aparecendo (o salto alto fez barulho) e quando me vê à paisana, começa a rir. Ela também está e passou pela mesma coisa. Daqui a pouco lá vem o Rodrigo, todo vestido gatinho, como se estivesse indo para a balada: camisa preta com jeans e aquele sapatenis super charmoso. Ele aparece no corredor também rindo aquele riso de Bisnaguinha com perninhas e braços, pensando o mesmo que eu e que a Fabíola: será que eu fiz confusão? Será que a nossa chefe me ligou mesmo? Será que eu sonhei? Eu solto essa:

_ Era pegadinhaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!! HAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!!

A Infraero não nos deixou ir para o desembarque sem uniforme, ainda que com o crachá que dá acesso restrito. O Rick (o teimoso que resolveu ir uniformizado mesmo assim) teve que dar conta (bem feito, ninguém mandou ser teimoso, hahahaha) do recado e foi o responsável pelo desembarque (o dia era meu e do Rodrigo). Não houve nenhum gritinho sequer a respeito de greve ou paralisações. E assim vai.

Hoje cedo todos novamente foram à paisana (mas desta vez todos os funcionários) e novamente não houve a greve. Tomara que os caras desistam de vez. Primeiro porque ninguém me perguntou se eu queria fazer greve (!), segundo porque pedir um aumento de 15% é piada: esta porcentagem é inviável. Terceiro porque , como na conferência dos ratos (quem já leu?): os ratos seguiam a idéia do rato fodão, que sugeriu que colocassem um guizo no pescoço do gato, de modo que toda vez que ele se aproximasse, eles escutariam o barulho do guizo e teriam tempo de zás!: se mandar. Então um rato mais prudente e sensato, que estava lá atrás super na dele e escutando a conversa, disse: ótimo, rapazes. A idéia é mesmo supimpa. Mas a pergunta que não quer calar: quem é que vai colocar o guizo no pescoço do gato? Ou seja, depois que a greve passasse, quem é que teria que dar conta de todo o trabalho acumulado? Quem, quem, quem?

Me incluam fora dessa.

Glossário:

*1 – colocar o porão errado no FW: quando uma bagagem desembarca erroneamente em nosso aeroporto, ao invés de ser desembarcada em outro aeroporto, é preciso que nós identifiquemos em que porão da aeronave ela foi encontrada (cada lugarzinho tem um número).

*2 – sumir DFP´s: os esquecidos à bordo que nós encontramos, catalogamos e guardamos, até que o cliente venha buscar.

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Demorou, mas consegui!!!

Como de costume, fiz um vídeozinho de natal e fim de ano para todos os leitores deste blog. Desejo que o ano seja cheio de inspirações para nós! Super beijo.

In English:

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Keep Calm and DON´T google it!!!

Falei aqui embaixo do quanto é importante você ter um celular 3G na mão na hora de fazer uma prova escalafobética, sobre a qual você não tem a menor idéia do que se trata (mas isso só vale para aqueles mais irresponsáveis que não escolheram estudar o que amam, como eu). Só que nas últimas três semanas aprendi na marra que o Google é uma ferramenta que vem com delícias, mas também com dores… isso porque existem coisas para as quais o Google é uma verdadeira Páginas Amarelas (os mais novos talvez não saibam do que estou falando). Mas tem horas, gente, que é preciso se ter distância do google!!!! Fazer uma consulta ao google pode te elucidar muitas coisas, mas pode de fazer entrar em pânico, também. Explicando…

…infelizmente, depois que você deixa de ser menina, é preciso fazer certos exames de rotina e exames beeeeem desagradáveis. Desagradáveis porque te colocam em determinadas posições que são metade ridículas e metade incômodas – pra não falar doídas, porque você acaba se acostumando e a ordem, nesta hora, é só uma: RELAXEM.

Voltando aos exames, eu estava fazendo um tratamento longo por causa de uma despretensiosa ferida no colo do útero que tomou proporções estratosféricas muito por conta do quanto eu posterguei a cauterização que eu deveria fazer. Até que alguns sintomas estranhos começaram a aparecer e não teve jeito. Fui lá na chinezinha (a gineco) e ela me disse que sangramentos não é um bom sinal. Ah vá. Eu sei disso. Isto posto, fizemos os exames necessários. Primeiro o papa, depois a colpo. E se necessário fosse, a tal da biópsia.

Biópsia é uma palavra horrorosa, como outras que nós não gostamos de dizer. E junto com ela vem outras palavras horrorosas, conclusões horrorosas, tudo junto, intrínseco. Bem, foi necessário fazer a biópsia e eu entrei em pânico. Saí do consultório médico chorando, já me internando no Hospital do Câncer, já me autodiagnosticando, já me sentenciando. Minha mãe riu da minha cara: mas você nem viu o resultado ainda, criatura!!!! Minha melhor amiga me disse pra não esquentar e prestar atenção, porque costumo bitolar com este tipo de coisa. Meu namorado me disse que se proibiu de ficar preocupado sobre este assunto antes que saísse a sentença o resultado.

Me lembro que cheguei em casa, naquele dia, liguei o computador e passei a tarde inteira fazendo consultas no google: jogando os sintomas que eu tinha e descobrindo – com isso – as piores coisas possíveis. Cada coisa nova que eu sentia era jogada no google e me levava aos piores momentos que tive neste ano. Junto com isso tinha uma semana de provas para as quais eu não tive cabeça pra estudar (e agora vocês entendem porque eu colei em uma delas) e gostaria muito de poder dizer para o professor: estou passando por momentos difíceis, fiz uma biópsia e posso estar com câncer, por isso não consigo me concentrar pra estudar Probabilidade, Demanda e Oferta, Custos, etc. Mas fazer-me de vítima e coitadinha não é do meu feitio, por isso fui levando do jeito que eu consegui e o resultado disso é média 6.0 em Estatística (passei raspando).

Não sei se todos sabem, mas o resultado de uma biópsia leva de quinze a trinta dias para ficar pronto: foi preciso muita oração e muito apoio dos meus amigos e da minha mãe para eu não surtar!!! Até no trabalho a galera percebeu que tinha alguma coisa errada comigo: na verdade, a minha chefe, percebeu. Me chamou de canto e perguntou o que estava acontecendo, porque motivo eu estava de mau humor – o que não costuma acontecer. E foi por pura interferência divina – acreditem – que eu de fato não enlouqueci, do dia 03 de Dezembro até o dia 23 – quando o resultado saiu.

No meio de tudo isso, algumas coisas primordiais foram percebidas. A primeira delas é o quanto a minha fé estava fraca, claro, já que eu não ia à missa há meses. Nenhuma fé se sustenta, se nós não a alimentamos. E foi assim, na dor, que eu me reaproximei de Cristo, da minha fé, do meu jeito. Não adianta querer erguer uma casa num terreno fraco. Não rola. Não fica. A casa desaba. Isso estava acontecendo comigo e nos primeiros vinte minutos de missa, quando eu retornei, percebi a diferença. A outra coisa que eu percebi é bastante óbvia: o valor do apoio dos amigos e o quanto nossas palavras podem fazer (ou não fazer)bem pra alguém. E por fim, que a cura de nossos males começa na nossa cabeça e ela pode ser nossa melhor amiga,

mas também pode ser o carrasco, se a gente deixar.

No dia 23, praticamente véspera de Natal, saiu o resultado do meu exame. Subi até o consultório com o coração saindo pela boca. Eu estava sozinha e queria estar – aquele momento era meu. Me preparei para o momento escutando Gil e rezando o Salmp da Tranquilidade. Quando entrei no consultório, ela já começou eliminando o pior (médicos conhecem seus pacientes):

_ Não é câncer.

Meu diagnóstico: Cervicite crônica com metaplasia escamosa do epitélio de revestimento.

Coisa que se trata. Da mente, do coração, do espírito e do colo do útero! Meninas, por favor, se cuidem!

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Noite Feliz

Tirando as épocas mais obscuras da minha vida, Natal sempre foi sinônimo de tempo feliz. Fui criada em uma condição de entender o que esta data significa: Missa. Nascimento de Jesus. Reunir a família. Mãe preparando a mesa da ceia com carinho. MCauley Calkin (escrevi errado) sendo esquecido pela família. Dividir a ceia de natal com os que não têm condição de ter uma (e confesso que esta parte é uma das que mais me faz feliz). Sentir vontade de partilhar com os amigos e perceber quem são estes amigos que a gente ama… Quando eu era criança, a gente pegava o carro e ia pro Sul. E me lembro de dias em que nós chegávamos na casa da minha madrinha bem no meio da ceia de Natal. A minha madrinha mora em uma espécie de “complexo de casas da família Silveira”: ao redor dela mora uma penca de gente da família. O que significa que a mesa era enorme e farta e que tinha muita, mas muuuuita gente. O tempo vai passando e hoje em dia temos menos disponibilidade pra viajar, então ficamos por aqui mesmo. A nossa família também está crescendo. Minha irmã casou e agora o Cesinha faz parte das nossas comemorações (ano passado passamos com a família dele, que também é enorme e calorosa). Eu estou encaminhada na vida (haha)… tá certo que o Thonni não pode passar conosco, porque tem esta coisa de que nós temos nossas famílias e não dá pra dar atenção pra todo mundo ao mesmo tempo e estarmos em dois lugares ao mesmo tempo. Mas o que importa é que a vida anda, as coisas vão acontecendo, a família aumentando e as alegrias se multiplicando. Saber que a felicidade está nas coisas pequenas, nos valores compartilhados e cultivados, é entender porque esta coisa de felicidade no Natal  não é hipocrisia. É uma questão de escolha. É uma questão de saber o que a gente tem dentro do coração.  A gente absorve a alegria, a luz, todas as coisas boas dAquele em quem a gente acredita, como se fosse um espelho: se eu me espelho nEle, sou reflexo de sua luz. É assim que acontece e isso vai se multiplicando, como uma corrente. Quando escolho os presentes de Natal para as pessoas que eu amo, não escolho simplesmente objetos, mas o que está por trás deles. Sem esquecer do cartão! Fico bem triste com a maneira como as coisas estão com um apelo tão comercial. Fico mais triste ainda quando ganho um presente sem cartão de alguém que durante o ano inteiro mal olhou na minha cara e só falou comigo quando precisava de mim pra alguma coisa. Eu prefiro um cartão cheio de amor do que um presente-convenção vazio. Só porque é Natal, e no Natal a gente precisa presentear as pessoas. Não adianta você tratar alguém com desamor e depois entregar um presente pra ela. Pra mim não cola. Não rola. Fomos à missa, que é sempre linda. Fiquei boa parte do ano fora da igreja que frequentava e um tempão sem ver os amigos, aqueles do coração. Na missa de fim de ano a gente se vê, se abraça, troca as novidades rapidinho antes da missa começar. Todo mundo vestido de gala!!! Acho engraçado. A tradição de cada família levar uma parte da sua ceia: são colocados os pratos sobre o altar (na verdade acontece em um anfiteatro, o que torna isto viável) e no final são distribuídos para famílias assistidas pela igreja. Minha mãe viu qual foi a família que levou o nosso frango assado!!! :-) Depois da missa voltamos pra casa e foi então que em plena noite de natal, no caminho pra casa alguém me chamou de “imbecil”, só porque eu fiquei brava porque a dita cuja não atendia nossas ligações. Na verdade eu estava preocupada com ela (por razões circunstanciais) e não brava. Fui chorando da igreja até em casa, no banco de trás do carro. Daí eu pensei comigo: estragar a minha noite de natal? Acho que Jesus não quer isso. Parei de chorar. Antes da ceia nós rezamos a oração em família – aquela que nós sempre ganhamos na missa, e que enquanto a rezamos ao redor da mesa, vai se passando uma vela de mão em mão (e que é sempre engraçado e a gente sempre ri, porque somos a família trappo e porque ver a Melinda fazendo cara de anjinho é de fato hilário!!!). Depois trocamos os presentes. Meu pai ganhou uma coleção dos Trapalhões (que ela adora…) e cd´s de música serteneja, pra ele nunca mais reclamar que não tem música pra ouvir durante as viagens. Minha mãe ganhou umas roupinhas que tinha a cara dela, o cd do Padre Fábio, outro do Roberto com o Caetano e uma esteira de praia (pra usar nas férias). A Melinda ganhou uma meia de joaninha (piada interna) e cd+dvd da Ivete em Nova Iorque. A Bel ganhou duas camisetas básicas, que eu sei que ela usa, uma tiara fofa – que eu sei que ela gosta – e uma agenda delicada que combina com as coisinhas dela. Tudo isso acompanhado de seus respectivos cartões. E com o respectivo amor.

Dá pra não gostar do Natal? :-)

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Mel e os Velhinhos

Indo para a casa da Mirelli, a querida, entregar-lhe sua lembrancinha de natal, dei com uma velhinha que estava tentando se sentar no único banco de velhinhos que lhe restava. Na realidade, o único banco. O ônibus é aquele cheio de degraus, com aquela parte mais embaixo e aquela outra mais em cima. Ela não estava conseguindo chegar até o lugar (na janela), sem que se espatifasse no chão e derrubasse suas sacolinhas (pesadas) do supermercado. Foi então que eu me intrometi.

_ Me dá aqui as suas sacolas pra eu segurar!!!! – eu disse.

Ela me entregou as sacolas, mas como as suas mãos eram gordinhas, eu estava com dificuldade em retirar as alças. Ela pediu um momento (em castelhano) e tirou as alças sozinhas e depois me entregou. Enquanto eu segurava as sacolas, ela – com dificuldade – sentou-se na janelinha, ao lado da outra senhorinha que assistia toda a cena. Depois que se sentou e que eu lhe devolvi as sacolas, me disse:

_ Gracias, niña “preciossa”!

Tem preço? :-)

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Feliz Ano Velho!

Realizações:

* Começar o ano bem, ao lado de pessoas queridas e em um lugar especialíssimo!

* A amizade com o velhinho, que me deixou mais feliz (e a ele também).

* Viajar sozinha pela primeira vez, sem medo, poder explorar os lugares e conhecer novas culturas e novas pessoas!

* Viajar com a Mi e ter recordações pra toda a vida!

* As observações que me renderam lindas fotografias = lindos momentos inesquecíveis.

* Rever os velhos amigos do colégio! Ficar feliz com nossas realizações!

* Trabalhar na Achiropita, ser e estar muito feliz!!!

* Realizações em Família!

* Passeios do Trio Parada Dura (Mi, Mel e Lú) na Paulista!

* Novos amigos!!!

* Colocar a saúde em ordem!

* Poder estudar! Reta final!!!

* Perceber o quanto sou amada pelas pessoas e sobretudo por DEUS!

* Ter encontrado o amor verdadeiro!!!

Não sei se por causa da minha crença e a da Mi, de que quando a gente começa o ano com o pé direito, a gente tem um ano bom… ou se porque a gente muda por dentro e passa a aproveitar melhor a vida e as coisas simples que ela tem pra oferecer, ou se porque a gente encara a vida com mais alegria e pára de reclamar das coisas – e então, se a gente pára de reclamar das coisas a gente tem mais tempo pra enxergar e curtir as coisas boas; ou se todas as respostas anteriores… sou grata pelo ano que eu tive. Foi perfeito, com todas as suas sinuosidades e imperfeições, todo o cansaço e a correria, todos os erros e tombos que se converteram em acertos, aprendizados e fortalecimentos. De todo o jeito, acho que o importante mesmo é ter Deus no nosso coração, porque é Ele que nos dá aquela luz, aquele brilho e a alegria necessários pra se viver bem e que não encontramos em nenhuma outra fonte, por mais sedutora que ela seja. Só Deus nos fortalece com a alegria gratuita que todo o ungido de Deus tem. Este ano eu entendi bem que sem esta luz Dele, sou um galho seco. Fecho 2010 com chave de ouro: feliz e sobretudo GRATA!

2011: Pode vir quente que eu estou fervendo! :-)

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Blogueiro Secreto

Como sempre atrapalhada, me atrapalhei com a data da entrega dos presentes: textos! Minha amiga secreta tem um nome lindo: Mariana! Mas ela não tem blog, o que dificultou a minha vida, mas não totalmente. Pedi socorro pra Naty e ela me passou o perfil da Mariana no orkut. Daí foi bem fácil!!! Aqui vai o meu texto. Antes, vejam que lindo o meu presente de amigo secreto, no blog de outra moça-que-tem-um-nome-lindo: Pétilin. Preciso dizer que adorei?

Ouvir (e tocar)Estrelas…

Para Mariana B. Ament


Pára e escuta! Escuta a canção que Deus tem pra você! Ele e sua orquestra infinita e absolutamente una: cada acorde se transforma na melodia mais bela e toda ela foi construída para você. Escuta com os olhos fechados, porque junto dela vem uma viagem. Vêm sensações indescritíveis, passeios pelo Paraíso, caminhando sobre as nuvens e sentindo o hálito das rosas. Escuta cada instrumento sozinho e seu minucioso papel, esta pequena e humilde participação, que deixa a música como ela é. Escuta todos juntos, e como todos eles juntos se transformam num só. E como são mais lindos, quando todos tocam juntos. E como são mais fortes, todos eles juntos! Escuta como Deus sussurra o seu nome e como ele emana luz, quando diz: Mariana! Como o dia fica mais iluminado quando ele diz Mariana. Escuta como é doce a voz D´Ele e como é linda a música que Ele faz pra você! Pára e escuta, que o resto também estará em pausa, já que nada é mais importante nesta vida que escutar. Já que você consegue, escuta! Escuta, que é importante saber que todos os dias Ele diz o seu nome e canta pra você. E que esta música é a música mais linda que alguém pode ouvir: linda como as estrelas do céu. Então escuta, você, que conhece os acordes. Escuta porque você – mas não todos – consegue. Pára, abre os braços, sê grata. Lembra daquilo que o poeta disse: “ Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender ‘estrelas’.” Então vai, pára,  escuta e depois faz a tua, você que sabe ouvir e sabe tocar estrelas…

…tua platéia está esperando. E há quem queira aprender contigo!

 

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5 anos!!!

No dia 06 de Setembro de 2007, diz o wordpress que consegui a proeza de ter 269 acessos ao meu blog. Foram 1102 posts ao todo. 1009 comentários. 5 assinaturas. Na semana passada o post anterior (blogueiro secreto) teve 19 visualizações. Através deste blog conheci outros e através deles, infinitas pessoas (assim mesmo, infinitas). É aqui que eu escrevo o que eu penso, o que eu sinto, tantas coisas que eu nem digo pra ninguém, tantas coisas que se passam pela minha cabeça durante o dia e vou guardando no baúzinho da minha memória e estas impressões, imagens, cores, cheiros e palavras são água doce e este rio (límpido) desagua aqui. E estou visível, de braços e coração aberto, pra quem quiser chegar, pra quem quiser passar, pra quem quiser ficar. Não existe maneira mais acertada de me sondar do que lendo o meu blog. Não existe nudez como a que eu me exponho aqui neste espaço, que no dia 28 de Dezembro completou 5 aninhos! Não existe lugar no mundo que eu ame mais do que este meu canto, este meu quarto de paredes amarelas e de tantos espelhos que eu chamo de Mel do Sol…

Quero agradecer à Deus por ter me feito tão inquieta, sempre à busca de luz e de histórias pra contar – e tão observadora e apaixonada por estas histórias. Quero agradecer à minha mãe pela paciência em ficar postada ao lado do computador enquanto eu leio os posts mais legais (geralmente se ela está fazendo isso, deixou de fazer alguma outra coisa). Quero agradecer a Kokóta por ser tão fiel e mesmo sem comentar, passar aqui toda semana pra ler minhas atualizações – e não contente, ainda indicá-las para as pessoas! À Mi, pela cumplicidade. Ao meu namorado, por amar também o meu blog, já que ele ama tudo o que é meu! À todos os leitores, frequentes, esporádicos, participativos ou não. Vocês é que me fortalecem e fazem com que estas linhas tenham sentido, que esta árvore crie flores e frutos e possa alimentar também aos outros e não só à quem escreve.

Muito mel pra vocês. E muito sol, sempre!

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quanto custou.

Para Mirelli

(Escute).

Ali atrás daquelas folhas coladas no muro existe um grito. Um grito sedento por liberdade. Sedento e vermelho – porque foi preciso ser derramado sangue (e não foi pouco) para que o mundo escutasse este (seu) grito e que nos estendesse a mão.

Então eu vou e volto e toda vez que passo aqui eu páro e fico olhando pra este muro e lembrando das coisas. As pessoas não entendem o que pode haver de tão interessante em um muro antigo e carcomido, todo preenchido por folhas sem nenhum sentido. Muitas coisas não têm sentido. Sobrou pouco daquilo que continha algum: do que poderia justificar um despertar pela manhã, ou uma noite em claro. Ou uma vida.

Todos os dias à tarde saio pra comprar cigarros, mesmo sabendo que estou apontando uma roleta russa para minha cabeça e que ela pode estourar a qualquer momento. Mesmo que exista alguém que me ame e que diga insistentemente que aquilo me faz mal. E se eu dissesse que estar aqui – e estar sorrindo – é lucro? Não a culpo por não entender. O preço da clareza disso é alto demais. E dói. E esta ferida eu carrego comigo de um jeito que já aprendi que não vai cicatrizar nunca. Destas coisas que a gente aprende a conviver e pronto.

Todos os dias à tarde íamos até a mesma padaria do português que me viu nascer, pra comprar nossos maços de cigarros. Um dia resolvemos substituí-lo por chocolates, já que nem eu e nem você tinhamos problemas com diabetes. Foi quando você veio com aquele papo de make love, not war. Eat chocolate and don´t smoke. Aquele tempo de querer que tudo valesse a pena e de acreditar nisso (o que sempre é o mais difícil). E numa destas tardes despretensiosas, quando dois amigos não viam mal algum em ir até a esquina comprar cigarros ou chocolates (dependia sempre do nosso humor do dia), alguém achou que desejar caminhar sem pressa pelas calçadas era querer demais e era perigoso. E quando aqueles malditos guardas vieram atrás da gente, eu, que sou tão covarde, obedeci suas ordens de amigo mais velho quando me mandou sumir dali. Não pensei duas vezes. Corri para o hall de entrada da casa da professora de inglês (que achou que eu quisesse transar com ela). E você, que era tão estupidamente romântico, resolveu escrever o que todo mundo (eu, inclusive) estava pensando – pensando e sentindo – nestes mesmos muros cujas lascas de cimento estou olhando agora. Sacou o spray preto e escreveu em letras garrafais a tal palavra. Uma palavra de nove letras que te custou a vida. E toda a maldita vez que eu passo por aqui, vejo o seu sorriso fácil e seu olhar ingênuo estampado neste muro velho, que se desfaz a cada dia e desfaz junto nossos sonhos de um país realmente livre. Toda vez que eu passo aqui, vejo o seu sangue tingindo a calçada branca e fria daquele final de tarde branco e frio. Vejo os guardas malditos partindo e te deixando estirado na calçada como se fosse um cachorro, com o corpo feito uma peneira, não sem antes roubar os cigarros do seu bolso. Vejo nossa promessa de garotos (sempre cuidar um do outro) sendo quebrada.

Então o cigarro não importa. Nem faz diferença o fato de ter esquecido o guarda-chuva. Se amanhã terei uma embolia pulmonar ou uma pneumonia. Porque existe uma outra coisa muito mais importante e que deveríamos estar de olhos bem atentos. Algo que agora é muito simples, corriqueiro, coisa à toa, mas que custou a vida do meu melhor único amigo. Aquele que junto comigo, sabia o valor precioso – e caro – que tem a nossa liberdade. Você deu a sua vida pela beleza que o significado desta palavra tem. E já que eu fiquei, vou me esforçar pra olhar pra este muro com os seus olhos de incansável esperança (“equilibrista”), todos os dias. Ele ainda está aqui, meu amigo. Intacto. E hoje eu posso caminhar e fumar e gritar numa boa. Mas o preço disso foi alto demais.

(Apago o cigarro com a ponta do sapato).

“Mas sei, que uma dor assim pungente

Não há de ser inutilmente

A esperança…

“Mas sei que uma dor assim pungente

Não há de ser inutilmente

A esperança dança na corda bamba de sombrinha

E em cada passo desta linha

Pode se machucar

Azar!

A esperança equilibrista

Sabe que o show de todo artista

Tem que continuar”

O Bêbado e o Equilibrista – João Bosco

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Balada do(s) Louco(s)

“Não vou me curar
Já não sou a única
Que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz!
E não é feliz!
Eu sou feliz!…”


Lealdade é assim. Você pode surtar, pode ir pro lado negro da força. Eu vou segurar tua mão e vou te puxar de volta. Você pode falar palavrões – os mais bonitos e os mais horríveis e também aqueles que eu não conheço: eu vou tampar os ouvidos, ou rir de ti, ou então tua raiva vai me contagiar e vou xingar também. Mas provavelmente vou dar mais atenção pra este coração enorme que bate aí dentro do teu peito e te mata de dor. Lealdade é o que me faz continuar contigo quando todo mundo te toma por louca, ou fincar os pés ao teu lado quando estás errada. Ou cantar pra tu dormir depois de teres passado o dia desacreditando de tudo e de todos ou tentando colocar a lenha na fogueira – sim, eu vou apagar o fogo e depois voltarei pra ficar contigo porque te amo e porque sou leal a ti. Porque o que importa mesmo é que eu sou um pedacinho que tu construíste e sei que deste o teu melhor e que perdeste um pedaço de ti pra teres assim,

construído o melhor que sou,

este tanto que tu me ajudaste a ser.

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Avisa lá que eu vou

E por mais medo que eu tivesse, eu jamais teria descido dos palcos se pudesse ter escolhido. Teria dado um jeito naquele frio na barriga e provavelmente continuaria a ficar sem comer nada nas estréias, mas não tiraria meus pés de sobre o tablado de madeira. E eu viveria de passar o chapéu! Viveria de sempre acreditar, andaria com a roupa do corpo e me apresentaria em qualquer lugar que tivesse uma pessoa pra olhar e um banquinho onde eu pudesse subir. E eu colocaria o meu coração bem perto do coração do tablado, e sentiria o meu e o dele baterem juntos, descompassados, agonizantes, mas não, eu não teria fugido de lá por mais que doesse. Porque achei que eu fosse muito pequena e que alcançasse muito pouco, mas sobre eles descobri que posso voar muito além do que acho que é meu limite. E o que se vê, ali sobre ele, debaixo das luzes, é o resultado desta superação de quem saltou de um vôo com asas muito pequenas, saltou sem saber onde ia dar, saltou sem ter chão.

E com medo.

Eu preciso voltar a me encarar deste jeito e aprender a abrir o peito e deixar a barriga sentir aquele frio como quando o carro vai e vem e vai e vem. Preciso de um megafone pra gritar. Preciso de uma cara de palhaço que caiba o meu sorriso. E de uma lágrima de cristal que vire uma estrela quando se estatela no chão. Ah, este universo paralelo em que eu tranquei, este em que sabia me jogar como ninguém, este que sabia me despir como ninguém, este teto paralelo onde eu me escondia ao mesmo tempo em que era encontrada… quem é que pode encontrar pra mim a chave deste mundo - segundo pra eu me esconder? Quem vai me levar de volta pros palcos e juntar o meu coração no de Julieta, no de Hamlet, no de Lady Macbeth? Quem vai me fazer chorar de rir ou rir de tanto chorar?

Não me procurem por aí. É só lá que vocês vão me achar. Avisa lá que eu tô chegando. Avisa que este ano eu vou voltar.

“Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Venha pra cá, venha comigo!
A hora é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar! “

Não é Proibido (Marisa Monte)

Obs: na foto são duas pessoas que estão na platéia e não foi escolhida por acaso. E você vai entender que é contigo e o porquê!

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Letra e Música

Dizem que a gente deve ficar junto com quem gosta de conversar. Com quem a gente tem um bocadinho de afinidades. Um pouco que seja. Pouca dá trabalho. Nenhuma, é impossível: mundos diferentes não são maleáveis, um não encaixa no outro. Daí eu conheci meu namorado e é uma delícia o nosso relacionamento. Eu e ele gostamos do metrô, gostamos de trocar o túnel do metrô pelas janelas dos ônibus. Gostamos dos cinemas alternativos da Paulista. Gostamos de ver os museus, de ir à Livraria Cultura folhear os livros. Adoramos café. Ele está me ensinando a gostar de um (bom) café espresso (é assim mesmo, com s, né?). Ele gosta de tocar e eu adoro cantar (com ele). Gostamos de caminhar. Não gostamos de muvucas e coisas prontas e bagunça. A gente gosta de ler e de assistir dvd em casa. A gente concorda que tudo é bom no equilíbrio: o copo não deve estar nem muito vazio, nem transbordando. A gente quer sossego. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. A gente descobriu que gosta de descobrir novas culinárias e culturas e que a gente curte comida mexicana! Ele gosta de musicar e eu curto escrever a letra. Ele gosta de cuidar e eu gosto de ser cuidada. A gente gosta de ser um casal que combina. A gente gosta de andar de mãos dadas e de estar de mãos dadas. A gente gosta de tomar um bom café da manhã e de escutar Elis Regina e Bossa Nova. A gente adora música. “A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade”. E descobri que eu gosto bastante do seu seriado preferido, Dr House. Na realidade só assisti até hoje o episódio piloto (e em algumas cenas precisei fechar os olhos, porque não nasci pra estuda anatomia). No entanto senti aquele gostinho de bis quando terminou. Fora isso ganhei dele a trilogia “A Igualdade é Branca/A Fraternidade é Vermelha/A Liberdade é Azul” e estou com muita vontade de assistir os três. Se a gente pegar um vôo de 12 horas, a gente vai ter assunto pra conversar. Vai também saber ficar sem assunto e curtir o silêncio. Ele me ensina a equilibrar a emoção com a razão. E eu o ensino a sorrir nas fotos. Já fiquei um final de semana inteiro sem desgrudar dele e entendi que ele é a minha companhia abençoada, ele é meu melhor amigo ele é meu amor… não, não enjoei da cara dele, eu que tenho problemas com excesso de intimidade. Meu namorado entende que cada um tem seu espaço, sabe se aproximar sem invadir o meu. Sabe invadir o meu sem arrombar a porta. Eu sei chegar de fininho sem assustar. O meu amor tem a chave da porta do meu coração.

E além de tudo, ainda beija bem! ;-)

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor…

PS.: Não existe homem perfeito, nem mulher perfeita. Não existe relacionamento perfeito. Existe casal paciente e que sabe que um bom relacionamento deve ser lapidado aos poucos.
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Os livros que li em 2010


Listinha (os que estão em negrito são os que mais gostei):

O Primo Basílio (Eça de Queiroz); Hotel Atlântico (João Gilberto Noll); A Vida Secreta das Abelhas (Sue Monk Kid); Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa); Orgulho e Preconceito (Jane Austen); Madame Bovary (Gustave Flaubert); Noites Brancas (Fiodor Dostoiévski); Para Uma Menina Com Uma Flor (Vinícius de Morais); O Amor Nos Temos do Cólera (Gabriel Garcia Marquez); Tieta do Agreste (Jorge Amado). O amor esquece de começar (Fabrício Carpinejar). O jogo da amarelinha (Julio Cortazar); O Castelo nos Pirineus (Josteein Gaarder).

Como vocês puderam ver, li pouquíssimo em 2010… isto se deve ao fato de que eu demoro muito tempo pra ler e porque tem a faculdade e aí, vocês sabem: não dá tempo!

O casal literário mais fofo

Embora eu tenha curtido muito Mr Darcy e Lizzie Bennet e embora muita gente não vá concordar comigo, preciso confessar que achei o Ricardito e a Menina má, sim senhores, o casal literário mais fofo – do jeito deles. A Menina Má o amava – do jeito dela. E nele eu pude ver o que existe de mais puro e incondicional em uma entrega, por amor. Pra quem discorda, sugiro uma releitura, de coração aberto!

Virei a noite lendo

Tá. Eu chego da faculdade mais de meia noite e levanto às quatro da manhã, então vocês podem imaginar que eu não tenho forças pra ler antes de dormir! Mas posso dizer que quem quase me fez esquecer da hora de dormir foi “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen. Eu queria muito saber o que ia rolar…

Soco no Estômago

De um lado posso dizer que a escrita seca de João Gilberto Noll me foi um soco no estômago, porque além de tudo é ele tem um estilo literário bastante realista e a realidade é, sim, um belo soco no meu estômago (ainda mais a realidade pelos olhos dele). Mas o que doeu mesmo foi As Travessuras da Menina Má. Literalmente.

Aquele em que chorei de soluçar

Depois que terminei a última página de As Travessuras da Menina Má, a cena foi a seguinte: “Ela colocou as mãos sobre a boca, exclamou: ‘Meu Deussss!!!!’, abaixou a cabeça e começou a chorar. E lá permaneceu, assim, por uns cinco minutos”.

A maior decepção do ano

O Castelo nos Pirineus (Jostein Gaarder). Muita filosofia e pouca literatura. As viagens filosóficas dos dois (especialmente dele) tomam lugar de outras viagens… senti falta de lirismo, de explorações de tempo, espaço, memórias… o que super caberia no estilo de história que o autor escolheu (um casal se correspondendo por e-mail). Mas eu me propus a relê-lo. Às vezes preciso de um segundo olhar…

O mais chato

Hotel Atlântico, porque era o mais seco e eu não gosto de secura demais. O começo de ‘Orgulho e Preconceito’ me assustou. Quase desisti – ainda bem que não! Tentei ler “Emma”, da mesma autora, mas não rolou: histórias de mulherzinhas, de altas sociedades, de casamentos, ui. Já tinha dado.

Quase morri de rir

Tieta do Agreste, sem sombra de dúvida! Jorge Amado era um desbocado e tinha um olhar de argúcia e sarcasmo sobre as coisas.  Este livro é demais!!! Vale a pena ler!!! Também adorei as crônicas do Vinícius em “Para uma menina com uma flor”, o livro que a Anna me recomendou.

Aventura, fantasia ou Infanto-Juvenil

Bem, aqui se enquadra um livro que eu estava lendo e que me foi roubado no aeroporto: “Coração de Tinta”. Este livro foi presente da Mirelli e eu confesso que não gosto deste tipo de leitura, porque sou cética demais para ela: não me deixo levar, geralmente. Mas este livro conseguiu quebrar minhas armaduras e eu estava super envolvida na leitura, até que algum infeliz me roubou, com a linda dedicatória que nele havia e tudo. Cito também a coleção que eu comprei das “Calças Viajantes” (filme homônimo) e que ainda não li, porque minha querida irmazinha Bel pegou o primeiro volume pra ler e eu não posso começar do segundo! ;-)

Bate-bola de personagens

Personagem masculino apaixonante: quem não se apaixonou por Mr Darcy (Orgulho e Preconceito)?
Personagem feminina admirável: É pra escolher só uma? Então é a Lilly, de “A vida secreta das abelhas”. Ela é forte, determinada e doce.
Personagem mais chato: Basílio, de O Primo Basílio. Cara nojento!!!
Personagem mais perturbador: A Menina Má!!!
Personagem que mais me identifiquei: não tive identificação com nenhuma personagem, graças a Deus, porque significa que eu já consigo me abstrair da minha realidade – o que é o objetivo das minhas leituras!!! Sei que é inevitável rolar uma identificação, quando rola. Se não aconteceu é mais porque não existiu, mesmo.
O melhor livro que li em 2010
Para uma menina com uma flor, do Vinícius de Moraes. Porque foi um livro que me perturbou. Me fez querer grifar as folhas e pendurar os trechos no meu mural. Ele dá tapas com luvas de pelica numa crônica, faz a gente sonhar na outra. E além de tudo me fez conhecer o seu autor de verdade – porque acho que a melhor maneira de conhecermos a alma de um cronista é lendo suas crônicas. E ali vi um Vinícius muito apaixonado, além de apaixonado pelas mulheres. Apaixonado pela vida – e triste, desesperado com aquilo que ele já via.

Foi a Anna quem me passou este meme, e eu passo para todos os que lerem o post!

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Quedê?

Aqui o que a gente mais faz é comer!

Por onde eu ando? Acontece que estou de férias desde o dia 30/12 e vim aqui pro Sul, Joinville, Santa Catarina. Meus pais estiveram comigo e voltaram pra Sampa City, eu não quis voltar com eles -  o que foi providencial, porque se eu tivesse voltado, não teriam conseguido levar dois quadros enormes que eles ganharam de uma tia – a Tia Guida – que é artista plástica.

(Já fazia tempo que eu estava pra cobrar estes quadros!)

Fizemos alguns passeios: fomos para Guaramirim visitar um tio e todos os outros milhares de tios e tias também foram devidamente visitados. Depois deste agá, meus pais seguiram o caminho da roça e eu tratei de tentar descansar a cabeça, enquanto o gatinho não chega (feriadão do aniversário de Gotham Sampa City). Digo *tentar*, porque é bem difícil descansar quando se está no meio de um tiroteio-de-família. Bah.

Graças a Deus uma das minhas tias se compadeceu de mim e me chamou pra ir à praia com eles (o casal).  Eu fui. Ficamos por lá quatro dias e foi maravilhoso. Descansei de verdade, coloquei a cabeça no lugar, ou, como gosto de dizer: alinhei a cabeça e o coração. Caminhei MUITO e descobri que é provável que eu tenha algum problema no ossinho do peito do pé, porque ele doeu à beça. Aliás, eu saía pra caminhar àFora que eu disse para o meu namorado que eles somos nós amanhã. Se parecem muito com a gente: andam de mãozinhas dadas, gostam de apoiar as perninhas um no outro quando se sentam; sabem aproveitar o silêncio, a paz, a calmaria; têm um ótimo gosto (Lenine, Maria Gadú), partilham a vida juntos, etc. Se não puder ter a ousadia de já me comparar com eles, posso dizer que eles são o casal que eu quero ser – eu e o gatinho.

Eu havia acabado de receber a minha câmera com zoom óptico, que comprei com o gatinho na internet e que deu um trabalhão. Tirei ótimas fotos. Li bastante (“A Toca de Leões”, Fernando Morais) e fui almoçar em um restaurante tipicamente açoriano – com vista pro mar.

Havia uma ilha com um bar de pescadores muito perto da costa, e o zoom da minha câmera alcançou-a, o que foi ótimo. Por sobre ela, uma lua crescente que já descia e eu teria ficado lá, sobre a pedra, até que ela descesse por completo e formasse aquele clarão brilhante sobre as águas -  não fosse aquele nuvem negra que CISMA em sempre se formar.

Fomos à missa na praia da Penha, a missa mais fofa e bonitinha que eu já fui em toda a minha vida. A luz acabou bem na hora de começar e o padre teve que levar tudo no gogó: sem microfone. Bem se viu que ele sabia o missal de cór e salteado, porque estava escuro e não dava pra ler nada. E também o coralzinho – todo mundo vestindo camiseta polo amarela – que não podia ler as músicas pra cantar (e nem pra tocar) e fez tudo na raça. Ali perto fica o tal parque Beto Carrero World, e é “super massa”: existe uma montanha russa nova, com cinco loopings, onde as pessoas ficam com as pernas suspensas. Eu me arrepiei só de ouvir os gritos. Meu tio começou a rir e disse: “mas neeeeeeeeeeem…”.

E como não poderia deixar de ser, fui ao shopping (quando retornamos a Joinville): troquei o celular Samsung Star branquinho por um smart (com dor no coração, porque meu antigo era muito mais lindinho e a minha cara); comprei uma regata básica na Americanas, junto com o dvd “Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore) e “Uma Linda Mulher” para a minha madrinha. Agora é esperar o gatinho chegar e enquanto isso eu fico aqui escutando os Tribalistas, almoçando de casa em casa, olhando as vaquinhas descansarem nos pastos e acordando junto com os passarinhos.

Tem um montao de fotos, viu, gente. Quando eu baixá-las mando o link procêis.

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Raízes

 

 

DOWNLOAD

Tem coisas que não adianta tapar o sol com a peneira: não adianta eu dizer que não gosto de música sertaneja, sendo que passei boa parte da minha infância escutando sertanejo em Joinville – e depois que cresci nada mudou: meu pai, meus tios, todo mundo escuta a mesma coisa. Vou então dividir com vocês a minha playlist e apresentar um pouco do bom sertanejo de raiz – que não tem nada a ver com tapas e beijos e com pensar ou não em mim – e em ninguém. Se forem viajar e não precisarem dirigir, levem com vocês o mixtape e escutem olhando a estrada. Tri bom.

P.S: A idéia de montar mixtapes e colocar no blog não é original. Copiei da Anna.

P.S. 2: As três faixas extras lembram meus tios Guido e Mirta, meu namorado e a praiaaaaa… elas pedem licença!

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25 razões pra se visitar São Paulo – by Melissa

Comer yakissoba no Bairro da Liberdade

Por obra da visita de alguns amigos de outros estados, já fui guia-turístico de Sampa City inumeráveis vezes. Eles me disseram que sou muito boa nisso e eu acredito que seja, mesmo. Não tem melhor pessoa para ciceronear alguém em sua própria cidade do que aquele (a) que é um (a) grande admirador (a) e apaixonado (a) por ela. E conhecedor (a). E isso eu devo à minha mãe, que não teve medo de me soltar sozinha pela cidadona – quando isso era ainda possível. Então, já que hoje é aniversário desta cidade gigante, montruosa e apaixonante, anotem aí:

1. São Paulo respeita seu jeito de ser: tem lugar pra gente de todo tipo e para todos os gostos. Baladeira ou não, você certamente vai encontrar seu canto por aqui: e sua tribo!

2. Conhecer o Cine Belas Artes, na Rua da Consolação, que está pra ser fechado e tem uma programação alternativa (e dvd´s à venda, idem);

3. Caminhar na Avenida Paulista em um domingo de tarde ou no sábado à noite e se apaixonar de vez;

4. Refugiar-se no Parque Trianon no horário do almoço ou pra ler um livro no Parque do Ibirapuera, embaixo de alguma sombra;

5. Andar de metrô – que é um considerado um dos melhores e mais limpos do mundo – e pra ver as exposiçõeszinhas espalhadas pelas estações.

6. Visitar a Biblioteca São Paulo, nova, imensa e a Biblioteca Mario de Andrade – reformada e deslumbrante. E se for domingo, pra comer um doce atrás da biblioteca, na feirinha da Praça da República;

7. Comprar bobagens na 25 de Março e morrer de rir com as figuraças que só existem lá;

8. Fazer caminhadas na Avenida Sumaré, na Av Engenheiro Caetano Álvares, no Parque do IBirapura, no Horto Florestal e na infinita quantidade de parques que existem na capital;

9. Fazer a Trilha da Pedra Grande e ver São Paulo de cima;

10. Caminhar no Centro e descobrir como ele é charmoso;

11. Comer um lanche de mortadela com vinagrete e queijo no Mercado Municipal e/ou um pastel/bolinho de bacalhau e comprar frutas legais e lindas, na saída.

12. Assistir uma peça no Teatro Abril E no Teatro Municipal, totalmente reformado.

13. Percorrer a noite underground na Praça Roosevelt (é lá que fica a livraria HQ)

14. Visitar a Feira na Praça Benedito Calixto e filar coisas lindas e maneiras!!!

15. Observar a arte em grafitti pela cidade inteira.

16. Acompanhar a programação do Sesc e da Galeria Olido (e passar na Galeria do Rock).

17. Assistir as peças do Antunes Filho no Sesc Consolação.

18. Visitar os bares da Vila Madalena (e o Bom Motivo, com MPB)

19. Ver a decoração de Natal da Paulista.

20. Fazer compras – claro! De qualquer coisa. E saber que existem avenidas especializadas, como a rua dos uniformes, a rua dos instrumentos musicais, a rua dos vestidos de noiva, etc.

21. Conhecer o Museu do Ipiranga, e de quebra, um jardim imenso e maravilhoso que lembra os jardins parisienses.

22. Comer e se divertir nas cantinas do Bixiga e se for Agosto, visitar a tradicionalíssima Festa de Nossa Senhora Achiropita.

23. Visitar a deslumbrante Sala São Paulo e os concertos dominicais.

24. Assistir as missas com canto gregoriano no Mosteiro São Bento.

25. Ver a cidade de cima lá da Torre do Banespa. E na saída, comprar um cofre de porquinho feito de barro, imenso, do vendedor que fica perto do prédio.

Não esqueça a câmera digital!

 

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com lápis de cor, agora.


tá na hora de colorir as coisas

Parar um pouco ajuda a gente a colocar a cabeça no lugar. Gosto de dizer também, que ajuda a alinhar nossa cabeça e coração – porque é preciso que eles caminhem juntos. Nem só a cabeça, nem só o coração: De um jeito só dá frieza, do outro só insensatez. Daí que toda vez que eu tiro férias gosto de sumir do mapa e descobrir as coisas e junto delas acabar me descobrindo ou me reinventando. Ainda que eu esteja, desta vez, sem dinheiro, no meio de gente que gosta de ostentar suas riquezas, de gente competitiva que gosta de mostrar quanto seus filhos ganham, no meio de tantas fofocas, intrigas e ciúmes bobos – ufa – ainda assim eu consegui algum tempo de paz e em paz pra deixar o silêncio formatar a minha cabeça e disso nascer uma Mel novinha em folha, pronta pra continuação de tudo. Graças a Deus eu sempre aprendi a “levantar pra cair de novo” – como diria a minha madrinha Tia Lene (uma figuraça).

Destas coisas que eu andei pensando de pernas pro ar, me dei conta de que este exercício de formalidades e de deveres – que se acirra toda vez que eu volto do sul, por alguns motivos que não vou enumerar aqui – me esqueci daquilo que não é formal e não é um dever. Do tipo de coisa que está dentro de mim e precisa só de um pouco de disciplina e muita inspiração. Estou falando de textos guardados na gaveta, de roteiros sem terminar, de idéias adormecidas e talento desperdiçado.

Me lembrei disso tudo porque agora eu tenho um namorado (lindo!) que me fortalece – e me inspira. Ele faz aparecer o melhor de mim e me faz sentir vontade de escrever, de cantar, de produzir. Juntos temos descoberto muitas coisas e esta beleza guardada em mim (e desperdiçada), mas que tenho tanta vontade de despejar mundo afora, é uma destas coisas que descobri convivendo com ele (e em paz).

Tenho vontade de fazer tantas coisas e tantas já foram começadas! Mas simplesmente eu desacredito em tudo o que não for convertido em salário no quinto dia útil do mês. Deixo que a dureza da vida e do olhar das minhas tias interfira no meu próprio olhar – que não é assim – e acabo pensando que estas coisas bonitas são lindas, mas se não botam comida na mesa, não têm fundamento.

Ora, ora. E pra quê é que Deus te fez, Melissa? Você e esta sua grande sensibilidade? Ora, que desperdício.

Daí que eu me dei conta da loucura que eu estou fazendo. Eu quero cantar. Quero aprender a tocar instrumentos musicais: violão, teclado, flauta. Quero escrever roteiros pra cinema e boas peças de teatro. Quero terminar meu romance e escrever outros. Quero ter um negócio. Quero tirar fotografias lindas e ter um portfólio. Tudo isso vem de ser sensível. Tudo isso não tem cartão pra bater às oito horas, nem dá vale refeição. Tem gente que acha besteira e eu fingi que não era comigo. Mas eu tenho muita história pra contar e uma imensidão a dividir. Eu sei fazer, eu posso fazer, eu posso aprender!!! Portanto, vou com tudo, agora. Vou pra briga. Agressiva. Vou guerreira – pra vencer. E pra derrubar todas as durezas, que é de céu azul que meus olhos são feitos. E com sol, muito muito sol. Tá na hora de colorir as coisas do meu jeito. Com lápis de cor, agora.

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Lições de Simplicidade

Quando eu fazia teatro ouvia bastante que nós devemos observar as crianças, por conta da espontaneidade delas. Daí que eu pre-ci-so postar este vídeo!!! Pra quem não entende inglês, vou explicar o contexto: duas irmãs ou amiguinhas estão comendo “baby pizza”. Uma delas parece pegar a pizza do prato do centro e a outra começa a chorar porque ela pegou sua “baby pizzaaaaa”. Esta, então, pede desculpas e no fim, as duas se abraçam e fazem as pazes. A garotinha que estava chorando diz, pra fechar o vídeo com chave de ouro: “I love you”.

Pra não esquecer jamais!

Post dedicado à Mirelli, Bel, Melinda e Kokóta.

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Bateria totalmente recarregada.


Mudanças internas, requerem mudanças externas! Um dia juro que vou entender de html e fazer um template personalizado e charmoso… but meanwhile, pra quem é, bacalhau basta – como diria o meu avô! :-) Vamos ver até quando vai durar esta coisa cinza…

Cinza…? Hummm. Não sei.

Preciso dizer que minhas férias duram só até um dia após a data de postagem deste texto. E eu não tenho do que reclamar, porque apesar de estar sem um tostão furado, Deus foi bem generoso comigo. Tirei férias da faculdade e da senzala do trabalho de uma vez só. Fui para Joinville – SC, de carro, com meus pais e uma tia. O tempo colaborou. Fizemos a romaria de visitas nas casas das minhas 1458 tias e respectivas famílias. Comemos e enchemos nossos estômagos com reserva pro ano inteiro. Enchi a pança de melado com nata, banana frita da Tia Lili, biscoitos de araruta, bolo nega-maluca, pão caseiro com manteiga com café sem leite (mania). Jantares dantescos e num deles até carne de panela eu comi (vegetariana). Quando meus pais e tia vieram embora, eu simplesmente fiquei lá! Muahahahaha!!!! O que foi ótimo, porque assim puderam trazer  os dois quadros gigantes que eles ganharam da minha Tia Guida, que é uma grande artista plástica (ainda vou fazer um flickr pra ela). Alguns dias depois, meu namorado chegou e nós curtimos bastante Joinville e seus ares de zona rural – porque lá na casa da minha madrinha tem rua de terra, pasto, vacas, trem de carga da America Latina Logística, pôr do sol, passarinhos, cobras (que não dão as caras), flores, pé de acerola, caramujos gigantes e tias malucas que ao invés de irem dormir, vão pra fora de casa em plena meia noite para caçá-los (e ainda levam o namorado dos outros). Curti as praias paradisíacas de Santa Catarina, pensei na vida até não ter mais o que pensar, descobri o que é ter sossego de verdade e a minha Tia Mirta não me deixava nem lavar a louça (leia: vida de princesa). Eu e o Thonni curtimos a piscina e a Praia do Grant, um lugar bonito à beça, perto de uma ilha pequena e rodeada de barcos de pescadores. Depois que voltamos pra São Paulo, alguns dias depois descemos para a  Praia Grande, que seria uma praia fabulosa se não fosse aquele esgoto que ainda sai na areia. Tudo bem que a minha família encontrou um pedaço sem esgoto, de modo que nosso olfato e visão ficaram livres disso por boa parte do dia. Mas como sou do tipo que aproveita o lado bom das coisas, preciso dizer que adorei o passeio de três dias. O apezinho dos meus pais é super bonitinho e espaçoso – e bem ventilado, importantíssimo. No primeiro dia nós caminhamos na orla da praia e vimos o sol se pôr atrás dos prédios, colorindo o horizonte (sem fim!) da praia que é grande, de fato. Depois que voltamos para o apartamento, tomamos um banho e fomos jantar na feirinha – e comi um yakissoba delicioso, quase melhor do que o da China… difícil é achar uma mesinha na praça pra apoiar a comida…

Nós levantávamos cedinho pra ir à praia e tomei coragem pra entrar na água, porque estava muito quente (se a água fosse imprópria para banho, simplesmente isto estaria escrito nas bandeirinhas). Descobri que o meu namorado é um exímio nadador e furador de ondas. Ele descobriu que a namorada é uma medrosa de primeira categoria: vê a onda chegando e sai correndo. À tarde nós passeávamos pela orla e à noite sentávamos nas cadeiras que existem por lá, os dois casais (pai-mãe, eu e o namorado). A praia é super familiar, muito bem estruturada, como quiosques igualmente espalhados, ciclovia e espaço ótimo para a gente caminhar. Na ciclovia eu teria me esbaldado se tivesse companhia: quem já viu aqueles triciclos grandes, que ficam enganchados um no outro? Passavam famílias inteiras pela gente, fazendo a maior festa. Uma delas tinha o pai lá atrás de todo mundo. Ele dizia: “vaaaaaaaaaaaamo!!!! Vaaaaaaaaaamo!!!”. Divertido!!!

Sim, divertido, gostoso, bonito, funcional. A gente constrói aquilo que a gente pode, aquilo que nos cabe, aquilo que é a nossa cara – e que se dane (pra não dizer outra coisa) os comentários peçonhentos e pejorativos de determinadas pessoas da família. Aprendi algumas coisas nestas férias. Uma delas é que nem na própria família da gente, a gente pode confiar mais. Ou, que pessoas que são a nossa “família” não têm necessariamente o mesmo sangue da gente correndo nas veias.

O que é importa é que eu tive as férias que merecia!!!

PS: fotos disponíveis no meu Picasa.

PS 2: até o final do dia de postagem do texto, a autora não estava satisfeita com o novo layout, de modo que muitos nem chegarão a ver o tal “cinza” quando lerem este post. Muaha.

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Hard childhood

Fui à um Café Filosófico na Livraria Martins Fontes, ali na Estação Brigadeiro, que discutia a Filosofia Clínica – coisa que eu não conhecia. Como tem certas gentes querendo que eu faça terapia com esta abordagem, me foi sugerido que eu fosse para conhecer do que se trata. E eu fui. Papo vai, papo vem, começaram a falar sobre as gerações, a criatividade na vida das crianças e como é difícil para elas e para os adolescentes desta época a tomar uma decisão seja ela a mais simples como comprar uma calça. Entre as coisas ditas que me chamaram a atenção, também está uma pesquisa realizada com crianças americanas onde mais de 70% já se preocupa com a aposentadoria. Daí que tudo isso me remeteu à algumas coisas que eu fui pensando mas que não quis pedir a palavra, pois, como o assunto principal era Filosofia e eu não entendo disso, fiquei com medo de falar bobagem. É assim: ao contrário do que foi dito, não acredito que os jogos eletrônicos conduzam a criança à criatividade. Eles estimulam, sim, o raciocínio lógico e outras potencialidades da criança, mas não o processo criativo – que é, na minha opinião, o mais importante. O feito não é o primordial. O que é primordial é o processo de experimentação, onde se pode descobrir as coisas, testá-las, onde se pode errar e a partir disso adquirir confiança e absorver informações inerentes a este processo. Hoje temos coisas prontas. O papel e o lápis de cor perderam para o Photoshop. Os brinquedos educativos foram substituídos pelas bonecas que falam. Quando eu era pequena gostava de desenhar plantas de apartamentos na folha de caderno para poder me imaginar lá dentro. Não tinha a casa da Barbie, então fazia as três pequenas gavetas de meias da minha mãe como se fossem andares de uma casa. A fronha do travesseiro, florida, era o sofá (florido!). Hoje a criança tem tudo na mão e quando não tem, quando se é necessário o improviso – será que ela sabe improvisar? Não sabe, porque não foi submetida à experimentação e não lhe foi concedido o direito de poder errar e aprender com estas pequenas experimentaçõezinhas de sua infância.

Quando foi citado sobre a pesquisa realizada nos Estados Unidos, automaticamente lembrei de uma prima que tenho, de dez anos, e que tem tido sucessivas dores de cabeça por motivos até então indetectáveis. Conversando com ela, fui saber que toda a semana a sua mãe lhe dá novos horários para a semana inteira, onde todas as suas atividades, do despertar, ao ler e tomar banho, tudo é cronometrado e mapeado como se ela fosse funcionária de uma empresa (e esta observação é uma adicional observação pessoal desta que vos escreve!). Perguntei quando é a hora de brincar e ela respondeu: “no final de semana, depois da aula de violão”. Houve ainda outro ocorrido com esta mesma prima a me chamar a atenção. O que na família foi visto com louvores, em mim despertou preocupação: o fato de que a moça que trabalha na casa da família derrubou e quebrou uma xícara e a menina (esta mesma), disse: “minha mãe se mata de trabalhar pra você ficar quebrando as coisas dela?”. A moça saiu chorando e a família toda aplaudiu. Que a menina é responsável, não se tem dúvida. Mas será normal tanta rigidez em uma garotinha de dez anos? Será que ela sabe lidar com o imprevisto?

Isto posto, acredito que não se pode dizer que a minha geração seja melhor do que a atual, já que hoje existem tantas facilidades que na minha época não existiam, coisas que facilitam nossa vida e otimizam nosso tempo. Mas existe fundamento quando se defende que existem valores que vêm sendo perdidos de geração em geração. No que tange à criatividade, penso que o que temos perdido é o processo criativo, este tempo de descoberta que hoje não existe mais. E trazendo isso tudo pra minha própria vida, acho que cada um tem seu jeito de educar seus filhos, mas os meus, que hão de vir se Deus assim o permitir, terão seus anseios levados em conta e não só minhas imposições; se estas forem necessárias, serão bem fundamentadas já que eu tenho maturidade para saber o que é melhor para eles; além disso, que esteja bem longe deles tudo aquilo que estiver pronto, mastigado e que servir para tolher a potencialidade criativa dos pimpolhos. Eu quero que eles saibam se virar com os imprevistos, como eu sei e se sei é porque aprendi a dar meus pulos. Claro que não disse nada disso na hora do bate papo. Disse ao namorado, enquanto tomávamos nossa sopa de ervilha no Café Creme (Paulista). O namorado, futuro pai dos mesmos pimpolhos a que me refiro, graças a Deus, concordou comigo. Meio caminho andado.

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the reason I do not like apples.

Every time I get the bike and go there, I remember you and those apples. Your curly hair, red like fire, shiny like the sun. My sensible skin, your strong legs. You always catched me up. And you used to eat all the apples. I´m wondering if should I confess that I did not remember any other lovely spring morning since you got your bike and went away – away from our favorite mountains and away from me. Sometimes I still hear that whispers from the wind and the train whistling over there. And your annoying voice. You went on, you were on your way to wherever you wanted to go. And I stood right there trying to hear the goodbye you never said. And every time I see an apple I remember that afternoon. I´m still trying to eat apples. I´m still trying to like Spring. And I´m still trying to pretend I did do not love you at all and this was just two kid´s little secret…

(I still keep it).

***

Written while I was listening to the song bellow (Boris Grebenschikov´s, a russian singer), sent by Svetlana, my relative from Lithuania and the one this text is dedicated to.

Author adittional Tag: totally fictional text.

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O amor e outros estranhos rumores

“Se você não sabe onde quer ir,

pouco importa o caminho”

A Srta Kokota sabe bem como me agradar e cometeu a cortesia de me presentear com um par de ingressos para assistir “O amor e outros estranhos rumores”, que está em cartaz no Tuca e é o novo trabalho do Grupo 3 de Teatro. Não contente em ser bacana, ela não se esqueceu do Mr Meu Namorado e o incluiu no passeio.

E uma amiga destas está solteira. Tem homem que é louco, mesmo. Mas enfim.

Chegamos no Tuca cedinho para trocar os ingressos e ela estacionou seu carro atrás de uma Pajero preta e qual não foi nosso mini-susto (porque somos elegantes) quando dela saltou em carne e osso a Srta Debora Falabella, que pra quem ainda não entendeu, é parte do elenco da peça. Nós trocamos os ingressos e fomos comer em um restaurantezinho árabe, onde La Kokóta pediu para o lancheiro deixar a alface apenas de um lado do lanche – o meu lado.

Neste meio tempo, enquanto esperávamos dar a hora da peça começar, fiquei sabendo das últimas peripécias da Srta Kokóta e sua coleção de adoráveis babacas ao longo dos anos (impressionante). Eu tentei fazer com que ela entendesse que os homens são babacas mesmo, às vezes, e que nós devemos amá-los assim mesmo.

E tomara que o Namorado não leia isso – muahaha.

Voltamos para o teatro e quando já eram quinze para as sete, liguei para o Namorado e levei um susto quando ao atender o telefone, ouvi um eco. Onde este moleque está, MeuDeuss. Ele ainda estava em casa. Depois de um mini-piti (não esqueça que eu sou elegante), ficou combinado que eu deixaria seu ingresso na portaria com um cara gordão e suado chamado Bagdá – e que ele viria de táxi.

Implorei pra que eles o deixassem entrar.

Enquanto esperávamos, já dentro do teatro, a peça começar, num dado momento o alarme de incêndio começou a tocar e nós ficamos simplesmente olhando um para a cara do outro. O alarme deve ter tocado por cerca de três, quatro minutos. Até que, lá na frente, uma senhora enfezada se levantou, olhou para cima onde estavam os técnicos de luz e som e perguntou:

_ Cavalheiro!!!!! Isso faz parte????

O teatro aplaudiu o seu oportuno atrevimento.

Já tinha se passado trinta, quarenta minutos de peça quando o Sr Namorado chegou. Ele se sentou ao meu lado e eu escondi as minhas mãos bravinhas entre minhas pernas. Obviamente as nossas mãos se encontraram, depois de certo tempo de peça, quando achei que o Mr Meu Namorado há havia sido castigado por demais.

O texto que o grupo escolheu é de um autor mineiro chamado Murilo Rubião. Escolheram três de seus contos e costuraram a peça usando o “amor” como tema. O universo era de “realismo fantástico” e eu já estava preparada para o nonsense, porque tinha lido sobre. Tudo bem que se EU estivesse fazendo uma peça como aquela, o teatro estaria vazio, como bem disse a Srta Kokóta. Ao contrário, aquele teatro estava lotado para assistir aquela peça. E eu confesso que não sou de curtir peças muito escalafobéticas, porque por ficarem muito distante da significação a que nós, espectadores, conseguimos atribuir em nosso universo, acaba não provocando catarse alguma, ou pouquíssima. Apesar disso, posso dizer que durante a peça inteira me senti angustiada com a atmosfera claustrofóbica do texto e da montagem. As atuações de todo o elenco são ultra-fenomenais. Eles se revezam nas esquetes, que têm textos longos e acabam por tornar as cenas enormes, sem interrupções. No primeiro, Debora Falabella interpreta um contabilista careca chamado Pedro Inácio. Seus trejeitos, voz de homem que não perde o pique e não se torna estereotipada e expressão corporal são perfeitos. Depois os rapazes interpretam cada um sua personagem: um homem subserviente à esposa que só faz pedir e engordar. E um homem que tem vários nomes e várias esposas… durante a peça um homem vestido de terno e com a cabeça de Burro (mas que o Namorado e eu juramos que era um coelho) dá a liga e caracteriza os momentos mais hilários. Ele serve um pouco como assistente e no final da peça vem dele, do Burro Coelho, o tapa na cara que fez meu rosto doer. Quando a peça termina você liga o começo e o final dela, e quando finalmente entende o que eles estavam fazendo ali vem uma tristeza e uma sensação de solidão aterrorizante porque sabe que também está junto com eles.

“Se a terra é redonda, por que não ficamos tontos?”

É nonsense, sim. Mas tapa é tapa. Dói de qualquer jeito. Saí da peça enxugando os olhos, mas ainda com vontade de chorar e um buraco aberto no centro do peito. Só que como eu sou mui elegante, claro que ninguém percebeu nada…

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Pilantrice

Este post pode assustar meninas novinhas de primeira viagem.

Sempre escolhi ginecologistas mulheres. Pra mim era bizarro esta história de deitar na mesa em posição de frango e deixar uma pessoa do sexo oposto me examinar, ali por onde o mesmo sexo oposto is supposed to get it on – se é que vocês me entendem.

Seeeeempre, sempre sempre fui à ginecologistas mulheres. E se tem uma coisa que é difícil acertar, é a Gineco certa, aquela pra vida. Uma época estava passando com uma chinesinha lá de Moema e ela era ótima: tranquila, não me deixava apavorada e ainda dava dois beijinhos, igual comadre. Só que eu troquei de empresa e de plano de saúde, daí, ba-bau chinesinha. Quando peguei o orientador médico do meu atual e inútil plano de saúde, o critério para escolher uma nova gineco era, portanto, que ela fosse oriental. E mulher. Oquei. Encontrei uma Ching Ling na Vila Mariana. O consultório está sempre cheio de Ching Lings, porque ela também é obstetra.

Eu tinha (e ainda tenho, sob tratamento) uma feridinha no colo do útero e como demorei pra voltar a fazer o tratamento, ela já estava com um aspecto meio assustador. A médica disse, sem delicadeza nenhuma: “huuuum!!!!!! Nossa!!!! Vai precisar biopsar, sim, viu????”. Quem acha que eu fiquei totalmente apavorada põe o dedo aqui!!!! Foi quase um mês de terror e ansiedade. Li o google inteiro. E fiquei pensando naquilo que a tal médica (lá da Vila Mariana) me disse: que eu devia fazer a cauterização à laser e não pelo método convencional. Se eu fizesse pelo método convencional, ficaria “um ano fazendo isso”, enquanto que à laser eu faria tudo de uma vez só e pronto-acabou. Eu respondi, claro: Bóra fazer à laser!!!!! O que precisa? E ela, sem pestanejar, me informou que eu precisaria de apenas Seiscentos Reais – repita: Seiscentos Reais – porque o meu inútil plano de saúde não cobre este método de cauterização.

Não, eu não fiz pelo método convencional.

Mas ela insistiu mais de uma vez, e segundo consultei com outros Ginecos pela internet (Google Doida), seria totalmente desnecessário, uma vez que eu não tenho nada grave (Thank God). O diagnóstico foi Cervicite Hiper-Mega-Crônica. No começo de Fevereiro fui até o consultório da Ching Ling pra fazer a tal Cauterização – pelo jeitão normal.

A mulher é a maior açougueira de todos os tempos.

Alguém avisa lá, que quando a gente enfia uma espátula dentro de um corpo feminino, por baixo, é preciso ser super delicado e delicada (para fins médicos, ok???), porque aquela região ééééé delicada???? Porque eu achei que isto fosse óbvio, mas ela não entendeu.

A consulta foi um festival de patadas e grosserias (minha consulta estava marcada para 16h, provavelmente a mulher estava cansadona e estressada); ela me machucou e não teve a menor delicadeza em momento algum: eu dei saltos triplos sobre a mesa; e por fim, tentou me induzir a escolher o método de tratamento mais caro (e lucrativo para ela).

Sorte que eu sou desconfiada. E pobre.

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Passeio na Trilha da Pedra Grande

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Dúvidas? :-)

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Procura-se uma Exceção

Para Marcia Kokot e Isamara Felício

Se você é homem e não é o meu namorado (!), por favor continue a leitura. Se você é homem de menos de trinta anos e menos de um metro e noventa, continue a leitura com baixas esperanças. Se tem mais de trinta e mais especificamente mais de trinta e cinco, continue a leitura. Se você é homem, se tem mais de trinta e cinco anos e se está lendo o meu blog, é porque gosta de coisas finas e de garotas modestas: por favor continue a leitura e parabéns pelo bom gosto! Se for homem, tiver mais de trinta e cinco e caiu aqui de gaiato, se ao ler “Mel do Sol” o que lhe vem em mente é o filtro solar FPS 15, não precisa continuar. Se você for homem, tiver mais de 35 anos, leitor assíduo de blogs com bom gosto e escrever o Português corretamente, continue a leitura! Se for homem de mais de 35 e trocar o “mas” por “mais”, pode parar por aqui. Se você é um homem de 35 ou mais, gosta de ler o meu blog, escreve corretamente sua língua e lê Fabrício Carpinejar, você está no lugar certo! Se tem mais de 35, é homem, hetero, e lê “Como enlouquecer uma mulher na cama”, dê o fora daqui.

Se você é um homem lindo charmoso e hetero de 35 anos ou mais, que sabe escrever direito, sabe falar direito, se tem bom gosto para leituras e se ainda por cima gosta de dar flores, vá em frente. Se for homem de mais de 35 anos e tiver alergia à flores e à romantismo, vá procurar a sua turma. Se você é um homem de 35 anos ou mais que gosta de dar flores e costuma notar os sorrisos das mulheres antes do tamanho de seu quadril, seja bem vindo. Se for um homem de mais de 35 que não consegue olhar acima da cintura das mulheres na rua, dirija-se à Av. Ipiranga.

Se você tem mais de 35, se sabe escrever direitinho, se fala bem, se faz-se notar, se gosta de dar flores e ama um belo sorriso, se lê Fabrício Carpinejar e o blog da Melissa, se gosta de escutar MPB baixinho no carro e leva uma mulher para passear de mãos dadas no parque, deixe seu nome completo. Se tem mais de 35 anos e já percorreu a Raposo Tavares inteira, continue por lá, que lá é o seu lugar. Mas fique longe das minhas amigas!

Se você tem mais de 35 anos, se é um cavalheiro com bom gosto e boa educação, se ama a sua avó e não joga lixo na rua; se não cospe no chão e não solta gases na frente dos outros, se não tem vergonha de se emocionar, de admitir-se apaixonado, nem de recolher o pingo de sorvete que deixou cair na camisa e divertir-se com isto, se não tem paciência pra joguinhos e frescuras, não esqueça de dizer seu nome. Se tem mais de 35 anos e acha que soltar gases na frente dos outros é motivo de orgulho e virilidade, tranque-se dentro de um quarto e não saia de lá nunca mais. Seu ogro. E deixe as minhas amigas em paz!

Agora… se você é um homem de verdade, bem criado, dá valor à família e à mulheres bem criadas, bem educadas e bem amadas, se sabe valorizar uma verdadeira princesa, a inteligência, a elegância e a sutileza, se você é um homem de verdade que tem planos para o futuro (ao lado de alguém),

se você tem pressa de ser feliz e se está cansado de se aventurar por caminhos que não te levaram à lugar algum,

se você quer uma mulher linda, inteligente, elegante, dona de uma personalidade irrevogavelmente fortíssima e dona de olhos claros e cabelos tão lisos que escorrem nos seus dedos desfilando ao seu lado (e se você tem mais de 1,85), que se compadece com as injustiças e com gatinhos indefesos, que às vezes é frágil e pede o colo das amigas

ou uma mulher linda, inteligente, viajada, dona do seu nariz, independente e determinada, dona de um belo sorriso e de uma fé que move montanhas, que vai à missa todos os sábados e acredita que existe um Deus que faz tudo valer a pena,

por favor, deixe seu nome aqui.

Se você tiver mais de 35 anos, mas se ainda não cresceu, por favor, deixe as  minhas lindas amigas em paz e vá aprender a viver. Elas já aprenderam e sabem bem o que querem e o que não querem. Só que o que elas querem, de tão simples, tornou-se raro:

Se você é simples e se você é raro, seja bem vindo aos nossos corações.

Subscrevo-me, atenciosamente.

 

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Nerd por um dia


Para o Thonni, com amor.

Já que às vezes é tão difícil de aturar a Administração de Empresas e aquele professor que dá aulas com fundo musical (!), ontem resolvi simplesmente aproveitar a deixa da chuva (que definitivamente me afasta da Vila Olímpia) e seguir os rastros do Sr Meu Noivo. Eu tinha acabado de sair da terapia e percorrido a Maria Antônia: entrei no Tusp pra pegar programas culturais (vencidos) e depois no Sesc. Liguei para a Mi e pra poder ouvi-la melhor entrei em uma livraria. Dentro da livraria tive duas grandes experiências. Uma: encontrar O Livro da Arte (Publifolha), que por si só já é uma obra de arte – e que eu quero – e aprender a atender a segunda chamada do celular sem causar! O Sr Meu Noivo ligou pra dizer que já estava me esperando no “semáforo” e eu precisei explicar pra ele o que eu estava fazendo ali na livraria

_ não, não estou comprando nada não! É que eu precisei falar no telefone em não estava escutando o que a Mirelli dizia.

Então atravessei a rua, não sem antes constatar que ali na esquina da Maria Antônia existe uma loja que vende camisas xadrezas para homenzinhos (estou louca para o Sr Meu Noivo comprar uma e ficar gatíssimo), e encontrei o Sr Meu Noivo acenando com uma das mãos, como de divertido costume. Foi quando ele me disse que teria que ir pra faculdade e me sugeriu que eu fosse com ele. E eu preciso dizer que eu fui: com a consciência mais deslavadamente tranquila, deixei de lado a aula de Projeto de Iniciação Científica na Anhembi Morumbi para assistir com o Sr Meu Noivo a aula de Filosofia da Mente, já deixando claro que enquanto o professor falasse eu folhearia minha revista de cultura para espantar o

Tédio.

Fui pra Usp!!!! Foi bom sentir o gostinho de entrar nas dependências da Universidade de São Paulo. Descemos ali no prédio de Filosofia, Ciências Sociais e Letras. Havia uma barraca de lanches no térreo e um cartaz escrito à mão, em papel pardo, solicitando a presença dos alunos para um debate. Subimos as escadas e o Sr Meu Noivo conferiu o seu horário de aula para verificar em que sala a tal matéria estava rolando. Fomos para a sala 117.

Antes de entrarmos houve uns três minutos de indecisão, depois que o Sr Meu Noivo me advertiu que eu não poderia mexer no celular, no facebook, no hotmail, folhear revistas e escrever cartinhas. Mas que graça tem, então? (!) E agora, entro ou fico aqui fora? Mas fico aqui fora em que lugar e fazendo o quê? Tá bom, vai.

Entramos.

Sentamo-nos atrás de um rapaz loirinho que aparentava ter uns 18 anos (no máximo!!!!) e parecia meu pai quando tinha a idade dele. O professor – que me lembrava em jeito e sarcasmo meu amigo Ricardo Avari – era uma figura e ali naquele momento ele estava dizendo que criou uma réplica de Lincoln, feito das mesmíssimas moléculas, da mesma matéria. A discussão que veio em seguida é: o Lincoln 2 (a cópia) tinha consciência? E se tinha, era a mesma consciência de sua “matriz”, o Lincoln 1? O debate em torno disso foi bastante divertido – e civilizado (nunca vi isso!!!) e eu tinha, como de costume, ganas de levantar a mão e dizer o que eu achava (e que é o de menos, neste momento, mas já que não disse lá, vou dizer aqui): foi feito uma cópia do Lincoln e se existe matéria, existe mente, portanto existe consciência. Existe ser humano, seja lá do que e como for feito, existe consciência. Mas como o universo que rodeia o Lincoln 2 não é necessariamente o mesmo que rodeia o Lincoln 1, e como nós somos – queiramos ou não – moldados pelo ambiente em que vivemos, sofrendo influências diretas e indiretas, concluo que o Lincoln 2 (a cópia) provavelmente não tem a mesma consciência que sua matriz. Ou seja, eles não pensam as mesmas coisas e nem sentem as mesmas coisas. A matéria é igual mas a ‘essência’ não.

Igual em “O Clone”, mesmo.

E eu não sei se eu me enquadro no perfil “materialista” ou no “espiritualista”, mas sei que o professor deu explicações contundentes e que batem com meu raciocínio. E deu licença para abstrairmos da realidade e não nos atermos nos “problemas técnicos” e o que é ou não é possível – afinal de conta, “somos filosofos” e os filósofos existem para viajar na maionese caminhar de mãos dadas com a metafísica. Como não sou filósofa, cheguei até certo ponto e lá fiquei. E pensei no quanto as pessoas têm a capacidade de mergulhar nos meandros das questões e dizer coisas inteligíveis de maneira ininteligível ou coisas totalmente ininteligíveis e lost in translation: quando a pessoa fala, fala, fala e quando termina de falar você pergunta

Heim?

Por exemplo, o japinha de chapéu, que ficou quieto a aula inteira, mas quando resolveu falar, meu amigo, ele falou muitíssimo bonito que a metafísica neste caso se apóia em uma racionalidade de mentira porque se aponta um fenômeno metafísico onde não se passa de um protótipo de uma figuração que vem do nosso entendimento condicionado em…

…quê????

Não vou descrever a cara que eu fiz quando ele terminou de falar.

Depois o Sr Meu Noivo me levou no subsolo do prédio de Letras para tomarmos um lanche e eu fiquei bastante decepcionada com o descuido das instalações por parte dos alunos. Paredes cheias de cartazes colados e descolados, ambiente decadente, pixações, móveis descascados. Enquanto comíamos nossos pedidos – eu o número 4 e ele o número 3 – nós discutíamos sobre o tema do tal debate cuja chincha ele tinha sido chamado no decorrer da aula:

Cobrar mensalidades de cursos da USP? Mas a universidade não é gratuita? Mas não foi feita para servir à população? Venha se juntar à nós neste debate de idéias prontas. Acho tudo muito válido. Mas vamos combinar e ser beeeeeeeem sinceros e dizer que 80%  (pra não dizer mais) do corpo discente da USP são pessoas de classe média e media alta? Claro, meu bem, porque só passa naquela *&¨%$# quem estudou em colégio de primeira linha, com ensino de qualidade de primeira linha, ou quem teve a oportunidade de fazer dois, três anos de Anglo.

Réles mortais como eu, que vim da Escola Pública da geração de 90, só entram na Universidade se tiverem dinheiro pra pagar o Etapa (E-ta-pa) ou então se neles baixar o Sr Meu Noivo e toda a sua genialidade que espero que meus filhos herdem. Mas não posso dizer que concordo com essa. Ainda que cobrar mensalidades vá conservar melhor as instalações, ainda que tenha alguma justificativa, não, não justifica. Universidade Pública é Universidade Gratuita e sim, ela serve pra servir à população que esteja lá por direito. Seja rico ou seja pobre, passou por um filtro social e está lá por mérito proprio. Pobre também é inteligente. Rico também é burro. Vestibular é filtro e dá certo. Se através dele se percebe que a USP está constituída de 80% de alunos de classe média ou média alta, significa que está mais do que na hora de dar um jeito no ensino médio das escolas públicas, e não derrubar toda a ideologia social que ficaria distorcida no momento em que uma universidade pública, gratuita e democrática sofresse uma privatização. Não concordo. E disse ao Sr Meu Noivo, um cara sensato, equilibrado e ponderado que aponta aqueles grupos como esquerdistas e radicais:

“Acho que eu sou radical”.

Se eu fosse aluna da Usp, é certeza que eu estaria enfiada ali no meio deles.

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Simples, simples.

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Minha mãe sempre me disse que quando a gente encontra a pessoa certa, a gente simplesmente sabe que aquela é a pessoa certa e pronto. Sempre achei isso simplista demais, sempre desconfiei de contos de fadas. Teve um dia que eu parei de acreditar neles. Daí que eu entendi que um príncipe encantado de verdade é aquele cara que faz a gente se sentir amada, querida. E princesa! Conheci o Sr Meu Noivo e antes de ele ser o Sr Meu Noivo ele era o Sr Meu Namorado. E aí eu me dei conta que a minha mãe tinha razão. Um dia o amor simplesmente chega. No dia 26/02/2011 eu e o Sr Meu Namorado ficamos noivos!

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

PS: Escrevi este post sem ter visto o pedido da Carol: “Cadê um post sobre isso, com muitas fotos lindas e uma poesia na legenda?”.

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Do tipo de dor que nunca passa ou Isabella.

Lembro como se fosse ontem da gente andando com a mochila nas costas e prevendo o futuro. Nossos filhos crescendo juntos num lugar que tivesse um pouco de paz pra gente viver e onde de preferência eu pudesse tocar o meu violão e a Isabella tocar a flauta dela. Um lugar onde ela pudesse andar com os seus lindos pés descalços, porque eu adorava quando ela usava suas saias rodadas e ela rodava rodava rodava assim de pés descalços me deixando tonto de ternura. Faz muito tempo que eu não toco e nem escuto ela tocar sua flauta, quebrando o silêncio, aquele silêncio que já me acostumei e me desacostumei mas que sempre sinto uma puta falta quando estou ali nos Campos Elíseos e os ônibus passam, passam, passam, passam. Nunca mais a Isabella tocou a flauta dela.

Sabe que me chamam de covarde, as vezes, porque fico voltando a história, voltando o filme, olhando pra trás toda hora e querendo só querendo ser aquele cara que podia fazer as coisas mais simples na hora que bem quisesse, sem sentir saudades das coisas mais minúsculas como roubar a garrafinha de água do bolso da mochila da Isabella. A gente tinha uma turma tão grande. Parecia que todo mundo era muito mais engraçado quando estávamos juntos e eu deixava de ser aquele cara babaca e romântico que engole os soluços quando toca violão. A Isabella parou de usar as saias de renda, hoje anda com o laptop no colo e nos vemos pela webcam. A galera do fundão viajou pra estudar teatro na Inglaterra e hoje são mambembes na linha de metrô. O Russo trabalha no hotel do centro, colocando as lembrancinhas pros casais em lua de mel ali bonitinhas sobre as camas. A Matilda casou e sumiu do mapa, de vez em quando manda postais pro meu endereço antigo. Nunca posso responder, porque ela nunca coloca o endereço. O rapaz que mora aqui do lado sabe tocar a nossa música no violão e tem uma garota loira que também tem sardas no rosto… Ela me trouxe até o apartamento dos pais, depois da formatura, deixamos de lado o violão e a flauta e ela quis transar na cama do quarto que dormia antes de ir pra república. Entrava um fio de luz azul, muito tênue, por entre a fresta deixada pela cortina branca. Estava tão bêbada que quando gozou vomitou na minha cara. Eu limpei o rosto com o braço e desatei a rir. Ela então, num instante de lucidez e com um olhar de despedida, passou os dedos no meu rosto e assoprou meus cílios, do jeito que ela fazia com todo mundo, assim, soprar os cílios que pareciam tão grandes a serem levados pelo vento frio que vinha do biquinho que ela sabia fazer. Depois nós descemos ali pro meio daquela rua, porque alguém jogou uma pedra lá debaixo e o vidro está quebrado até hoje. E a gente chorava e cantava a nossa música, juntos, comemorando e lamentando o fim de quatro anos de uma amizade inquebrantável. Cheios de planos e esperanças inquebrantáveis. E a minha esperança, inquebrantável, se partiu nos primeiros cinco minutos, quando ela foi embora. Subiu em um carro que passou tão veloz quanto o vento soprando os meus cílios, nem vi quem dirigia. Mas vi quando ela acenou pra mim, me olhando por detrás do vidro do carro que era lindo e que eu jamais poderia ter um igual mesmo depois de muito tempo. Alguém me abraçou e nós passamos a madrugada toda cantando e tocando Led Zeppelin no meio da rua. O cara que mora aqui do lado toca a mesma música e tem aqueles olhos ingênuos que eu tinha, de quem acredita no amor. De vez em quando vejo a Isabella, atrás de uma tela de plasma, fria. Fria. Sempre misteriosa e com aquela pinta de mulher bem sucedida. Sempre tentando me convencer de que a história que tínhamos pra contar fora interrompida por uma pedra a se chocar na vidraça do seu quarto. E que era uma história como outra qualquer. A foto eu deixo pendurada até hoje ali no espelho. Todo mundo jurava que estaria sempre junto. Destes rostos não vejo mais ninguém, mas sinto uma nostalgia do caralho. Me parece que de todos eles eu fui o único que não aprendeu a seguir em frente sem olhar pra trás. Se eu soubesse que este tipo de coisa dói tanto, teria sido o primeiro a  ir embora. E assim, eu não estaria aqui pra contar a história de um (coração) vidro partido.

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Speechless

Não contém spoilers

Existe uma certa tendência de pensamento que nos leva a acreditar que as pessoas que têm mais poder ou uma posição privilegiada na vida nasceram daquele jeito e que não lhes foi necessário erguer o dedo mindinho para que conseguissem chegar onde estão. Fala aí? Quantas vezes você já escutou alguém dizer que se fulano estudou na Faap é porque tem um pai rico que pode pagar a mensalidade? Acontece que ainda que isto seja verdade, em algum momento da vida daquela família, alguém precisou se sacrificar muito e trabalhar muito para que seus descendentes pudessem ter uma vida mais tranqüila. Só que às vezes não se trata só de trabalho árduo, mas também de superação. A humanidade tem o pensamento tão pequeno (sou humana) que há de pensar, várias vezes, que só os mais pobres vivenciam histórias de superação. Confesso que nesta onda de pensamento tendencioso eu também já entrei, várias vezes. Sempre achei que as pessoas que têm a vida mais tranqüila não passam por sofrimentos, não se estressam, ficam com as unhas perfeitas sempre e que a vida lhes é camarada. Até eu entrar na sala de cinema nesta última quarta-feira, com o Sr Meu Noivo, para assistir “O Discurso do Rei”. Quando a gente assiste um filme, gosta ou não gosta dele por vários fatores. O roteiro que nos agrada, o texto, a fotografia, a trilha sonora. Mas a catarse mais forte vem quando existe empatia com a personagem. E quando eu digo que existiu uma identificação muito forte entre eu e “Bertie”, não estou dizendo que nasci com o sangue azul ou que anseio cargos monárquicos (existe esta palavra?). Acontece que existia um anseio muito forte e patriótico dentro do coração do filho mais velho do Rei que já estava virando o Cabo da Boa Esperança, um amor genuíno pelo seu país e pelo seu povo, uma preocupação nata com os assuntos do seu reino. No entanto a carruagem seguiu seu andar para a sucessão do Rei, embora sua vontade fosse (declaradamente) outra. Não teria sido assim, se não houvesse um pequeno probleminha, um “defeitinho de fábrica” (e que depois a gente descobre que não é de fábrica) e que o próprio Rei e a esposa de “Bertie” tentam fazer com que ele entenda que nada é tão grave assim que possa intervir em seu destino. O problema, mesmo, de verdade, não era tanto este “defeitinho”, mas o fato de que o próprio Bertie não tinha consciência do tamanho da sua honra e do seu mérito. E é aí que eu entro e digo que tamanha foi a identificação com a essência da personagem, que minha emoção foi incontida, ao ponto de precisar de um tempinho para me recompor assim que o filme terminou. Colin Firth está soberbo e tem colegas de elenco que o fortalecem ainda mais com grandes atuações.  Claro que eu não vou contar como é o desfecho da história. Vou dizer, apenas, que na história da gente e na de outras pessoas, um voto de confiança entre as pessoas não é apenas fundamental, como pode ser crucial – neste caso – para a própria história de um país, como é o caso. O Discurso do Rei é uma belíssima história de superação.

(a cena final vale o preço do ingresso!).

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Por quem o sol sempre renasce

Cada vez que acontece alguma destas catástrofes em algum lugar do mundo, o mundo todo pára, se choca com o tamanho dos estragos e perdas e continua vivendo. E não tem outro jeito. A gente vai levando a vida com a nossa fé e a nossa esperança, que está tão gasta, tão frágil, quase se desmanchando. Isso é coisa que deve se rever todos os dias, como o banho de cada dia, como a refeição de cada dia. A esperança nossa de cada dia – este é um agasalho necessário, esta é a água potável de que todos necessitamos. E eu só comecei este texto pra dizer que a cada irmão que é levado por estas enormes tragédias, não sou mais a mesma ao acordar de manhã. Eu não consigo seguir a vida normalmente, sinto-me em débito com alguma coisa ou com alguém. Gostaria de deixar registrado aqui o quanto eu sou solidária e o quanto eu gostaria de ajudar cada irmão atingido por esta e por todas as tragédias que já existiram – e que pelo andar da carruagem hão de acontecer. Mas nem toda a ajuda do mundo será suficiente enquanto não mudarmos nossa cultura predadora. Sei que tudo o que nos ocorre é reflexo das nossas próprias ações e o homem está colhendo o que ele mesmo plantou, frase gasta, mas infelizmente neste caso, verdadeira. É como se eu ficasse em luto, por tempo indeterminado e rezando para que nós despertemos a tempo de nos reconciliar com o planeta e tecer um futuro menos temeroso. Haverá futuro? Até quando vai durar a minha esperança? Não há outra maneira de seguir em frente, senão dar um passo para trás para reconhecer nossos erros e pedir ao Criador que tenha misericórdia da espécie humana, que nos ensine a viver de maneira sustentável e respeitosa e que principalmente, faça nossa esperança renascer a cada manhã, como o dia renasceu na terra do sol nascente. E como sempre vai renascer.

“Então, os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai”

(Mt 13:43).

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17 de Março

Eu não tive coragem de tirar o pijama e ele ainda assim me acha linda… [#éamor]

Meu amor por esta menina só cresce a cada ano.  Eu e a Mi.

[testando as boinas, um esquenta pro inverno...]

Como pode tanta coisa boa acontecer em três dias??? No dia 17 de Março, como a maioria de vocês sabem, foi o meu aniversário. Fui trabalhar e foi um dia ótimo. Recebi muitas ligações no celular e inúmeros recadinhos na internet. Meu celular não parava de tocar, até perdi a hora de ir pra faculdade! E enquanto isso, do outro lado da cidade, uma amiga muitíssimo querida chamada Raquel estava apresentando sua tese de Doutorado lá na USP. Dia 17 de Março é um dia feliz: fiz aniversário e minha amiga arrasou em sua defesa! Ela me disse, depois, que jamais vai se esquecer que sua defesa de doutorado foi no dia do meu aniversário (o que significa que ela não vai esquecer do dia do meu aniversário hehehe). Depois disso eu ganhei três dias de folga. Na sexta-feira eu não fiz nada. Na quinta havia ido pra faculdade e graças a Deus aquela aula insuportável daquele professor arrogantíssimo havia acabado (depois de eu bater de frente com ele durante o seminário, mas isso são outros quinhentos). Depois da aula o Sr Meu Noivo foi me buscar, carregando um arranjo muito bonitinho de flores roxinhas, que segundo ele, servem pra eu me lembrar das uvas (mimo interno). Rodando pra cima e pra baixo, sugeri irmos jantar na panquecaria e fomos super felizes depois de comer nossas deliciosas panquecas caipira e à romanesca. Tentamos nos jogar em um hotelzinho que ficava super perto da panquecaria e próximo ao Shopping Santa Cruz, mas toda a rede estava lotada. O Sr Meu Noivo me levou pra casa. Na sexta-feira eu não fiz nada, mas ele veio dormir me casa, porque no sábado de manhã nós tínhamos um compromisso importantíssimo na igreja!!! Depois de almoçarmos, ele foi à missa comigo pela primeira vez. À noite, tínhamos a comemoração do meu aniversário lá no Coconut, um bar bem gostoso ali no Bairro de Santa Cecília (que eu adoro). Recebi as visitas sempre leais da Mirelli com o Ali e a Cris, a Jú Otoni, O Cé (cunha) e a Mê (mana), o Sr Meu Noivo não conta, porque ele e eu somos praticamente uma só pessoa, e o casal pra lá de vinte: Paulo e Marcinha!!! Aquele bar tem o melhor espetinho de frango que eu já comi na vida e tem a honra memorável de ter sido o primeiro estabelecimento a sediar meu pedido inaugural de chopp com groselha! Ganhei um livro sobre tarefas domésticas da Mi, hidratantes e meninices (de uva!!!!) da Mê e além de tudo, ainda ganhei do Sr Meu Noivo o dvd: “Melinda, Melinda” – do Woody Allen. Ah, eu tinha me dado um chapéu preto e o Sr Meu Noivo havia comprado – seguindo meu pedido e meus conselhos – uma camisa xadrez azulzinha lindíssima. Eu estava tão sóbria e tão feliz, que ali no ápice da madrugada, ainda tive forças e sanidade pra estacionar o carro na garagem de casa, coisa que exige o melhor dos ânimos. Ninguém segura uma mulher feliz [e grata]. Nem uma garagem complicada!

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Desperate housebrides……………………

Imagina um relógio cronômetro já rodando, rodando, rodando… é assim que está a minha vida até março do ano que vem. Escolhi ser noiva e ser formanda ao mesmo tempo. Último ano da faculdade: trabalhos de conclusão de curso (mais de um); pensar em como ter mais dinheiro e beeeem mais dinheiro; pensar em casórios issues. Ter que tomar uma decisão tão difícil em tão curto espaço de tempo (buffet), pra não ficar sem festa. Precisar cuidar de mim e da minha saúde – e não ter tempo. Ter que colocar cada detalhezinho na ponta do lápis e ver os zeros aumentarem cada vez mai$$$$. Puxa! Tem que valer a pena, heim?? Tenho pedido bastante ao Papai do Céu pra me guiar por um bom caminho, me livrar de arapucas, de gente desonesta, gente sacana, gente amadora. Tenho entendido certas coincidências (como nos clubes que fui visitar para a realização da festa ter a data do meu casamento como ÚNICA data já vendida…) como recados do Papai do Céu: “Aí não!!!!”. Graças a Deus posso contar com a ajuda da minha família e com a assessoria da minha mãe. O único problema é que, por ser filha dela, automaticamente vim ao mundo com dna de gente criteriosa, chata, atenta aos detalhes e totalmente perfeccionista. Tudo tem que agradar aos meus olhos, a começar pelo atendimento. Meninas, se vocês forem casar me procurem: eu já sei aonde NÃO ir (segredinho).

Se eu sumir daqui por um tempo vocês me perdoam?

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Nada é por acaso, entendeu?

Entre todas as datas de casório que passaram pela minha cabeça e na do Sr Meu Noivo, com a insistente (porém simpática) influência da Sra Minha Mãe, escolhemos o dia 24 de Março, porque faz menção à Nossa Senhora Auxiliadora, já que todo o dia 24 é dedicado à ela, na Igreja Católica. Março é o mês do meu aniversário. Não está muito quente, nem muito frio. Final de março não chove tanto. Fé em Deus que nem chover vai. O fato é que ontem, dia 24 de Março de 2011, um ano antes, conseguimos decidir boa parte do que precisávamos e que estava tirando nosso sono. Foi literalmente um anjo que apareceu no meu caminho, colocou uma pasta enorme de espaços disponíveis na Zona Norte, no colo, e me disse: vamos resolver isso, calma. O nome do anjo é Cristina. Ela me mostrou fotos de todos os espaços, de todas as decorações, explicou tudo com calma e paciência. Depois anotou os endereços dos espaços e nos levou até cada um deles! Tamanha dedicação não tinha como ter outro resultado senão o melhor possível. Como o dia foi perfeito, fomos à missa para fazer Ação de Graças. E é aí que começa a história e o motivo pelo qual me sinto obrigada a dividir este assunto com quem quer que acesse meu blog:

Chegando na igreja, havia uma celebração para Nossa Senhora Auxiliadora e em uma fogueira deveríamos colocar intenções que seriam queimadas. Você escreve seu pedido ou agradecimento em um papelzinho e joga na fogueira. Ao redor, pessoas segurando velas e imagens de Nossa Senhora. Duas senhoras me pediram para segurar uma das velas. Mas uma terceira, interferindo, me pediu para segurar a imagem maior de Maria Auxiliadora e conduzir a procissão. Isso, gente, exatamente um ano antes do meu casamento, que será feito no dia em menção de Nossa Senhora Auxiliadora.

Agradecer é muito pouco… quem sabe meu testemunho faça com que outras pessoas se coloquem nas mãos dela e usufruam de sua proteção e de seu auxílio. Fica a dica!

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Pra quem souber entender.

We heart it

Eu já disse aqui algumas vezes que como profissional eu acabo sendo muito diferente do que eu sou na minha vida pessoal e eu não sei se isso é bom ou ruim. Bom, porque é preciso saber separar as coisas e eu aprendi a separar para não me machucar mais. Bom, porque muita gente sabe que eu tenho uma tendência fortíssima em sair do foco. Ruim, porque acabo não revelando quem eu realmente sou para as pessoas e criando uma imagem errada sobre a minha personalidade. Não sei se sou ou estou assim, mais séria, por causa da natureza do meu trabalho. O fato é que eu não vou conseguir mudar meu jeito de querer fazer tudo certo, da maneira correta, porque sempre algo está em jogo: o patrimônio de alguém, a vida de alguém, a história de alguém, as expectativas de alguém. Correto porque eu aprendi com o meu pai e com a minha mãe que tudo o que a gente faz está ligado à nossa própria índole, ao nosso próprio nome – e assim, não consigo conceber a idéia de alguém pensar em “trabalho ruim” quando falar meu nome. O grande problema de ser assim, é que eu costumo ficar muito brava quando vejo coisas erradas, desleixo, pouco caso, falta de respeito. O segundo problema, é que ser assim irrita as pessoas.

Quando eu entrei onde estou trabalhando agora, há quase três anos atrás, demorei bastante tempo pra me soltar e até isso acontecer, meu jeito de trabalhar quieta, de trabalhar direitinho e de – geralmente – ser independente e de modo sincero não precisar de ajuda, foi entendido de forma errada. Quando eu troquei de turno teve gente que comemorou – e nem me conhecia direito. Vocês conseguem me imaginar sendo tão chata? Sim, porque vocês que me acompanham aqui me conhecem melhor do que eles. Fato.

Ando pensando por que motivo eu não consigo ser mais leve lá no meu trabalho, ser uma colega de trabalho melhor e menos exigente. Cheguei à conclusão de que é porque lá, as relações geram expectativas. Você espera que o teu colega de trabalho coopere com você, que ele se comporte com você da maneira que você se comporta com ele. Tem uma coisa que me deixa irada, que se chama “corpo mole”, “preguiça”, “molecagem”, “excesso de brincadeiras” em momentos que é necessário ter foco, bobagens o tempo inteiro. Tá, este texto é um desabafo. Eu me dei conta de que eu estou ou eu sou distante das pessoas. Elas são muito próximas entre elas e eu estou distante do grupo. E eu tento mudar, tento simplesmente apertar a tecla do foda-se e me despreocupar, mas infelizmente eu não vou conseguir mudar este meu jeito cdf e certinha de ser. E é por isso que eu não consigo entender ninguém de lá como meus amigos. Pelo motivo de que eles não me conhecem de verdade – e eu já tentei deixar fluir, de várias maneiras. Mas não rola.

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de olhos bem abertos

De vez em quando temos gratas surpresas no meio jornalístico. Quando um dos bons repórteres que a gente conhece resolve mostrar seus talentos ocultos. No encerramento do Big Brother, no começo desta semana, o Pedro Bial citou um conto do Guimarães Rosa para falar de “Maria” e quando a gente viu, ele estava chorando. Mas não foi pra falar dele que eu quis escrever este post…

Acontece que eu e alguns amigos malucos fazemos amigos-secretos fora de época. Ganhei um vinho do porto no “Amigo-Carnaval”. Na páscoa tem outro. E no final do ano passado, quando fizemos no Natal a nossa confraternização, ganhei da Mirelli um livro que eu havia pedido: “Se eu fechar os olhos agora”, do Edney Silvestre. Eu demorei pra tirá-lo da estante e finalmente lê-lo, porque o título não me remetia à uma leitura leve e naquela época eu não estava vivendo uma época leve… preferi adiar! Em Fevereiro criei coragem.

A boa surpresa foi constatar que Silvestre trata de um universo pesado, sim, mas com leveza. Ainda que o desencadear de acontecimentos seja eletrizante o bastante para nos prender à história, ainda que ele saiba penetrar nos traços psicológicos de cada personagem, sua escrita é leve e poética. Ele se aventura em primeira e terceira pessoa com a mesma facilidade, explorando várias visões sobre um mesmo universo e – o que eu mais gostei em sua prosa – caracterizando em sua escrita jeitos de falar, cacoetes das duas personagens e até mesmo as estruturas de pensamento deles. Um, mais metódico, racional e atento. O outro, mais impulsivo e emotivo. Um, mais tranquilo. O outro mais intenso, os pensamentos vêm acelerados.

A história gira em torno de um assassinato e da curiosidade de duas crianças em torno dele, vinculando-a, ao mesmo tempo, no ócio de um senhor de idade que se mete em suas estripulias apenas para ter alguma coisa interessante pra fazer. E com isso, Silvestre estampa sua história de leveza e perspicácia com panoramas dramáticos da época (1961) e não nega o sangue que corre em suas veias, quando, de forma quase velada (não fosse sua visão crítica tão explícita), coloca em seu texto as mesmas denúncias que faz atrás da câmera. Não sou capaz de apostar se outra pessoa conseguiria abordar um tema policial com tanta delicadeza. Vale a pena!

“(…)Eduardo o faria, normalmente, porque tinha um temperamento cordato e porque assim fora educado. Calar-se também seria o esperado de Paulo, não por natureza, mas como comportamento a adotar, como um bicho domado, tão vívidas as memórias das brutalidades paternas que aquele gesto precedia. Mas juntos, frustrados, tratados com o que sentiam como desprezo e arrogância, tiveram a ira de um alimentando a amargura do outro. E os tornando fortes o bastante para o primeiro desafio aberto a um adulto que ousavam na vida.”

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Inesquecíveis – parte 1

É muito fácil detectar aquilo que eu gosto, no que diz respeito à livros, filmes, músicas, artes. Geralmente, quando gosto, fico inteira arrepiada! E sempre: dá um nó na garganta e arfo com um riso misturado com choro, um riso emocionado, uma vontade de chorar com emoção doce e incontida. Não é difícil, então, saber quando alguma coisa me toca ou quando alguém me emociona. Resolvi falar dos atores que conseguem fazer isso comigo. Pra não ficar muito grande, farei em partes. Nesta primeira parte, vou falar das atrizes brasileiras.

Cássia Kiss

Noto o trabalho dela desde que eu era criança. Sempre achei a Cássia uma atriz visceral. Dá pra notar que ela se joga de cabeça nos trabalhos que faz e ela envolve a gente totalmente na cena: não se consegue desviar os olhos da cena, porque ela enche uma sala, enche a tela e os palcos, como esta leitura que ela faz de “Vende Frango-se”, uma crônica da Martha Medeiros. Escolhi esta porque a gente pode ver de pertinho o rosto dela enquanto lê. Alguns dos grandes atores que existem e que existiram já disseram que não é fácil atuar: muito sofrimento. Você empresta sua carne pro personagem, sua voz, seu coração, sua alma. Você mergulha junto com ele – e não sabe se vai conseguir voltar. Eu consigo notar que a Cássia faz isso em todos os trabalhos que ela faz, dá pra notar que ela sofre – e que não tem medo disso. Acho-a uma atriz eloquente, grandiosa, generosíssima, envolventíssima, sensibilíssima e que precisa urgentemente ser melhor aproveitada.

Eva Wilma

Desde criança eu me canso de repetir quando me perguntam quem é a melhor atriz do planeta? Eva Wilma, Eva Wilma, Eva Wilma. O critério é o mesmo: pela entrega, total e irrestrita. Você consegue ver como os músculos do rosto dela se contraem, os olhos, como eles falam, como sofrem, como ela te amedronta ou como te cativa totalmente. Escolhi uma cena emocionante onde a entrega foi tamanha, que mesmo tendo terminado, os dois atores da cena não conseguiram parar de chorar. Isto é coisa pra gigantes!

Andréia Beltrão

O que dizeeeeeeer desta estupenda atriz, depois de vocês terem assistido “Verônica” e “Som e Fúria”? Dizer que eu não fiz mais do que a minha obrigação em ter saído de cena, porque não posso me dignar a ser uma atriz sem que eu tenha a coragem de me jogar em queda livre, a este ponto, como ela, nesta cena. É aquela coisa, né. Sempre deram papéis cômicos para a moça. Quando finalmente lhe dão a chance de explorar sua versatilidade, ela mata a pau!!!

Mariana Ximenes

Ela não é a minha atriz favorita, mas tem me surpreendido positivamente a cada trabalho. Já havia gostado de sua participação em “A casa das sete mulheres”, porque gosto quando vejo uma cena inteira dentro do olhar de um ator ou de uma atriz. Mas nesta cena, no final de Passione, a Mariana conseguiu conquistar a minha admiração (e os meus soluços). A cena é longa, como uma cena teatral que é mais longa do que as cenas televisivas. A atriz precisa ser boa pra segurar uma cena desta. Nela existem várias nuances, onde a personagem de Mariana precisa demonstrar ao mesmo tempo o ódio que tem de sua própria vida e das pessoas, e o amor que sente por sua irmã Kelly e o sofrimento em ter que deixá-la. Acho que a cena fala por si, não deixem de assistir até o final, porque é bem no finalzinho que se nota como a Mariana realmente sofreu nesta cena. Atriz boa é assim: não é interpretação. É sofrimento, mesmo. Coisa de quem se entrega – e como eu gosto disso!

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Moment of Surrender

Foto: Sérgio Lima – 8.abr.2011/Folhapress

Quando eu tinha uns quatorze anos estava varrendo a sala, quando começou a tocar na rádio uma música lindíssima que eu anotei o nome e depois o nome da banda, assim que o cara da rádio anunciou. Não tinha internet na época, mas me lembro que na minha sala tinha uma garota que era super fã da tal banda e quando eu a indaguei sobre a música, ela então me deu a ficha técnica completa e disse o que todo o fã diz sobre a banda, que as melhores músicas deles são as mais antigas. O nome da musica era “Stay” e a banda era o U2. Deste dia em diante eu comecei a arranjar as músicas, ler as letras, traduzí-las e fui me apaixonando aos poucos pelo caminho messiânico que os quatro integrantes traçavam, pelos belíssimos arranjos, pelas letras lindas e pela guitarra inconfundível do Edge. De lá pra cá, onde quer que eu estivesse poderia reconhecer quando uma música era do U2, antes de começar os vocais, apenas por escutar as melodias e reconhecê-las com seus traços personalíssimos. Quando finalmente o U2 veio ao Brasil, nem acreditei. Eu tenho 32 anos e só existe uma banda capaz de me levar até o Morumbi e fazer com que eu enfrente

- muvuca

- tomar chuva a céu aberto e correr o risco de tomar um raio na cabeça

- andar ridícula, vestindo aquela capa de chuva gosmenta

- enfrentar trânsito e muvuca ao sair do estádio…

…entre outras coisas que se enfrenta nestas horas. Tenho 32 anos e só o U2 foi capaz de me levar até o Morumbi e não perdi nenhum dos seus shows. É certo que uma banda acaba buscando novas linguagens e claro, se modificando com o tempo. Eu não peço que seja igual, porque existe a curiosidade em se aventurar por novos caminhos, existe o fato de que são quatro pessoas que também cresceram (junto com seus fãs) e também se transformaram (como eles), existe o fato de que o mundo mudou e existem tantas outras referências e linguagens interessantes e o U2 é uma banda criativa e ousada – ah, e bem humorada, sempre. Tem uma ou outra coisa que eu não gosto muito e que acho que erraram a mão, mas tem a essência de sempre, que me conquistou quando eu tinha quatorze anos e que continua me encantando aos 32: uma banda que fala sobre a alma humana; a cumplicidade e a amizade entre os integrantes; a despretensão e falta de arrogância no discurso; saber usar todas as linguagens cênicas, além da música propriamente dita, aproveitando da força que ela exerce sobre nossos olhos, nós que somos tão sinestésicos. O tercinho no pescoço do Bono – ou no microfone. A COERÊNCIA entre o discurso e as ações. A banda missionária, que podia fazer mil exigências para o seu camarim, vir à São Paulo, ao Brasil, perder tempo com pizzas e mulheres, samba e baladas, mas que – como sempre foi feito – sai de dentro de sua redoma de diamante e olha ao redor, para o mundo do jeito que está e aproveita de sua influência (que não é pouca) sobre seus seguidores (que não são poucos), para conduzir os olhos do mundo à determinadas causas, aquelas que são carentes de atenção e de ajuda. E na boa? Eles não precisam da aprovação de ninguém, pra isso.

Na minha modesta opinião, as antigas continuam sendo as melhores, junto com algumas pérolas valiosíssimas dos últimos discos. É uma delícia escutar as pessoas todas cantando “I still haven´t found…” em única voz: incrível a energia que esta música tem. Ou sentir o Morumbi vibrar com “I will follow” ou “Elevation”. Deixar-se emocionar com os apelos humanitários e letras que falam de AMOR – e não de bobagens. Deixar-se seduzir com “A little while”. Sorrir com as músicas que fizeram parte da minha história em alguns momentos, como “Stuck in a moment”. Não gostei de “I will go crazy if I don´t go crazy tonight“: totalmente dispensável, embora eu tenha gostado de ver o Larry sair um pouco detrás da bateria e interagir com o público. Pra não dizer que não falei de flores, foi muito querido o momento em que aquela loirinha que nasceu com a busanfa virada pra lua leu “Carinhoso” ao lado de um Bono que sabia exatamente o que ela estava dizendo, ali, embalada em seus ombros.

“serei feliz…” “Bem feliz!”

“serei feliz…” “Bem feliz!”

Mas o ponto alto, de fato, foi quando vimos os nomes das crianças que foram assassinadas na escola Tasso de Oliveira subirem no telão, depois de eles terem dito: “nós estamos sabendo do que aconteceu”. Não houve quem não tenha caído de joelhos, aos prantos, nesta hora.

A Folha falou um pouco da impressão que eu tive sobre este último show nesta resenha. Confesso que antes de entrar no show eu também achava uma grande bobagem aquele palco gigantesco, bilionário (e bizarro) e que, de fato, por um triz não desvirtuou a verdadeira personalidade da banda. Mas – hipocrisias à parte – não posso dizer que não fiquei encantada com os efeitos lindos criados para os meus olhos, que como os outros, estavam tão cansados e tão tristes naquela semana. Não posso dizer que não fiquei encantada em me sentir dentro de um aquário imenso, noturno, brilhante, azul, enquanto o Bono cantava “With or Without you” e pequenos pontos de luz passeavam e circulavam pela arquibancada. Não posso dizer que não mergulhei na emoção e na energia criada dentro do show, com todas as oitenta ou noventa mil vozes, em uníssono, embalando nossas próprias dores e alegrias, junto com a voz emocionada de um vocalista sempre tão apaixonado (no sentido mais puro da palavra), enquanto os celulares formavam pequenas luzinhas brilhantes como vagalumes. O que me faz enfrentar todas as adversidades e sentir as arquibancadas do Morumbi sacudirem e (literalmente) vibrarem é saber quem são estes quatro integrantes e o que eles querem dizer. Porque tem uma coisa que qualquer bom fã da banda, sabe e eu nem precisaria dizer, parafraseando um trecho bíblico: Com ou sem “pirotecnia”, o U2 é o mesmo: “ontem, hoje e sempre”. Tirem toda a parafernália, levem as luzes embora, levem tudo. A gente dispensa! Ainda assim haverá uma banda digna (e que não precisa de nada disso) e rendida aos seus oitenta mil seguidores, dentro de um estádio totalmente lotado. E no fim, galera, é disso que se trata na minha opinião: render-se. Ou não. Eu me entrego, sempre, à tudo aquilo e aqueles que me moverem para algo que realmente vale a pena.

“At the moment of surrender

I folded to my knees
I did not notice the passers-by
And they did not notice me”
[Moment of Surrender]

 

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Os dez filmes que mudaram a minha vida

Recebi este Meme da Tary, sempre pra lá de querida [e meiga] e o farei, com o maior “sacrifício”, a gente nem gosta destas coisas, não é? A gente não fica nada feliz em falar das coisas que agradam ao coração (e olhos, e mente) da gente. Pode ser que sejam nesta ordem, mas não são menos importantes entre eles. Bora.

 1. Beleza Roubada

O filme é uma viagem, de Lucy, para a Itália – e para si mesma. Ela revisita o seu passado em busca de uma coisa que mais pra frente descobre que não existe mais. E neste meio tempo, até entender tudo, se perde um pouco nestas memórias e nesta busca frêmita por componentes importantes da sua própria história. Ao mesmo tempo que revive os lugares e reencontra as pessoas, ao mesmo tempo que busca explicações e definições, se desconstrói (e isso dói) e se redescobre. E sempre uma delícia o que a gente descobre. A fotografia deste filme é deslumbrante. A maneira como a história é contada, os diálogos e a relação entre os personagens é pura poesia (Bernardo Bertolucci´s). Este diálogo que Lucy trava consigo e a cumplicidade que ela constrói com um dos personagens de modo especial, tem muito a ver com a minha vida, com as minhas buscas e com as minhas descobertas. Quando assisti este filme pela primeira vez, tinha acabado de sair de uma história que me fez sentir corrompida, e corrompida porque investi a minha “beleza” em vias erradas. Foi com a Lucy que eu aprendi a fazer anotações nos cadernos e guardar coisas bobas que tenham referência à um dia ou momento importante. E foi com ela que eu reconheci meu modo de contemplar o mundo, de decifrá-lo em silêncio e de me contemplar com a mesma visão crítica.  Ah, a trilha sonora é uma delícia.

2. A Vila

Este filme me pegou de jeito. É uma ode à inocência, à pureza e ingenuidade que estão cada vez mais raras no nosso mundo. De uma maneira bastante extremista (simplesmente isolar-se do resto do mundo e alienar-se), um grupo de pessoas encontram uma maneira de fechar o seu passado e suas más lembranças dentro de um baú (literalmente) e passar a viver de uma maneira que consideram como protegida e tranqüila. Para isso eles criam seus próprios códigos e seu universo. No meio de tudo isso, existe Ivy Walker, a personagem mais apaixonante que eu já vi e que qualquer atriz amaria fazer. Deficiente visual, nutre um amor – que não é secreto – por um dos rapazes que conhece e diga-se de passagem, o mais esquisito de todos (parece o Sr Meu Noivo, super quieto, super mudo – haha). Ivy, apesar de deficiente visual, é a mais perspicaz e vivaz de todos os moradores locais. Sabe o que quer e não hesita um só momento, diz o que precisa ser dito, faz o que precisa ser feito. A fotografia é lindíssima, gosto muito da iluminação e também da trilha sonora. Mas o que eu mais gosto é da coragem da personagem diante dos seus próprios medos e de suas próprias limitações por amor, sempre e só por amor. Gosto também da relação lindíssima que vai se estabelecendo entre ela e o tal rapaz estranho, que apesar de quieto, não resiste à espontaneidade dela e acaba deixando que ela lhe quebre o muro e que invada seu espaço! Destaque para a cena em que ela estende a mão para fora, correndo risco de vida, pela confiança que ela tem de que o Rapaz Estranho está por perto para protegê-la (e ele está mesmo).  A trilha sonora deste filme, eu já disse que é linda, baixei inteira. E o elenco é cheio de estrelas de primeira grandeza: William Hurt, Adrien Brody (fenomenal), Bryce Dallas Howard, Joaquin Phoenix, Sigorney Weaver, entre outros. Esta coisa de ter que superar os próprios medos, eu entendo bem, assim como olhar o mundo e sentir a inocência e ingenuidade cada vez mais distantes.

3. O Indomável – Assim é minha vida

Este filme eu tenho em VHS, faz parte da Videoteca da Folha e na época eu adquiri alguns dos vídeos. Estrelado pelo saudoso Paul Newman, fala de um senhor que não faz nada de importante na vida e que ninguém dá nada por ele. Até que o andar da carruagem faz com que se reaproxime do filho, da nora e dos netos. Esta proximidade, que o faz sentir-se responsável por alguém, faz com que “Sully” repense a sua vida e também muda a visão de seus amigos. Destaque para as cenas com a Jessica Tandy (este foi um dos últimos filmes que ela fez) e principalmente para a cena quase no final do filme onde os amigos estão conversando no bar, e elogiam Sully. A Balconista diz uma frase linda, algo parecido com isso: “A beleza, a inteligência e o trabalho vencem sempre”. É mais ou menos assim: o amor cura e faz com que as pessoas se redescubram a cada momento. Este é um filme que sempre me emociona, uma história que me inspira, algo em que me espelhar.

4. Quatro amigas e um jeans viajante

O filme estava sobre a cama da minha irmã e eu não tinha absolutamente nada pra fazer à tarde. Era domingo. Eu o subestimei totalmente, achando que era mais uma bobagenzinha. Mas vocês precisavam ver a minha cara quando o filme terminou. Eu já falei dele muitas vezes. Já disse que você termina de vê-lo com vontade de ligar para seus melhores amigos e repensa suas verdadeiras amizades. A história é bastante singela e fala de quatro grandes amigas, totalmente diferentes entre si e que sabem conviver com estas diferenças. Sempre  se acompanham e estão prestes a se separar nas férias de verão. Por causa da idade delas, tudo é muito intenso, as emoções fervilham e estão todas vivendo fases importantíssimas. E eu, com (na época que eu assisti) meus quase trinta anos, me coloquei em posição de aprendizado e absorvi muitas coisas da história e das personagens. Sobretudo, que vale a pena ser verdadeira em todos os momentos e que amigos são o que existe de mais precioso na nossa vida.

5. Nós que aqui estamos, por vós esperamos

É um documentário que eu assisti quando tinha vinte anos, na faculdade, na época em que cursava Jornalismo (pois é). Nele estão reunidas imagens de grandes episódios e acontecimentos da história, grandes feitos pelas mãos do homem e também coisas tristes e marcantes. A gente repensa nossas atitudes e se envergonha: tanto já foi feito… se hoje temos algumas conquistas (como a liberdade de expressão, embora ainda falte um longo caminho a percorrer nos países árabes), foi porque muito foi sacrificado lá atrás. E aí? O que nós estamos fazendo para o futuro e de que modo estamos respeitando todos os sacrifícios feitos no passado?

6. Garota da Vitrine

Sempre acompanho os trabalhos de Claire Danes, desde Romeu e Julieta. Este filme foi uma indicação (curiosa), de uma antiga amiga. Ela disse: “a personagem lembra você, leve e um pouco solitária”. Até pouco tempo atrás eu era assim, estava sempre sozinha fazendo as minhas coisinhas e contemplando as coisas. Meu coração sempre ansiava por se apaixonar e por estar sempre neste estado. Houve, portanto, uma forte empatia com a personagem. Também aprendi, assistindo a este filme, que não é a paixão que o nosso coração escolhe. É o amor: companheirismo, carinho, delicadeza, cumplicidade, parceria. Desde que o assisti, estive procurando meu parceiro e desejei encontrar a mesma coisa. E encontrei.

7. O Fabuloso Destino de Amelie Poulin

Quando este filme saiu no cinema, um amigo meu (antigo habituè deste blog) lá da época do teatro me indicou, dizendo que a personagem tinha muito a ver comigo e “com meu jeitinho”. Quanta honra,  né? Fui ver, toda cheia de curiosidade. Mas eu preciso dizer que a Amelie me dá um banho. Tenho muito a aprender com ela: superar os medos. Ela tinha um propósito e foi atrás. Depois, alguém mexeu com seu coração. Ela deu um jeito e foi atrás. A cena que eu jamais vou me esquecer é a gravação do vizinho velhinho, dizendo: “você não tem ossos de vidro, não perca tempo, corre atrás da sua felicidade”. Desde então eu tento fazer jus à comparação do meu amigo Marco, e fazer com que este meu lado “Amelie” não se perca. Afinal de contas, eu também não tenho ossos de vidro!

8. Crash 

Quando eu assisti este filme, arrancou meu coração fora. Eu já gosto deste tipo de filme, com várias histórias costuradas, girando em torno de um único propósito. Crash coloca todo mundo em situações – limite, e dentro destas situações, cada um se redescobre, ou redimensiona os relacionamentos que fazem parte. Marcou a minha vida no sentido de perceber o quão perigoso é tecer julgamentos ou certezas a respeito das pessoas e das coisas, porque nós somos muito, muito, muito frágeis e pequenos. Não existe mundo sem comunidade. Crash me forçou a perceber  os pequenos milagres que acontecem todos os dias na nossa vida e o quanto mudanças de comportamento são possíveis. Destaque para a cena em que o policial tira a mulher de dentro das ferragens do carro, no momento em que ela, de longe, não esperava isso dele (por razões que você vai descobrir quando assistir o filme).

9. Persépolis

Este filme eu peguei emprestado da Mirelli, e por sinal até hoje não o devolvi…! A história poderia ser a história de uma menina normal: com sua infância, adolescência, juventude, enfim: toda a sua história de vida, como nós temos a nossa. Se não fosse pelo fato de ela ser iraniana e ter suas descobertas pessoais de mulher encobertas por um véu. A opressão  de um governo injusto e déspota trocou o sonho de mulherzinha por, de modo irrevogável, sonhos de liberdade. Filme que me fez pensar na minha mediocridade e de que forma eu valorizo [ou não] a minha liberdade. Thanks, Mi, por ter me emprestado. É o tipo de tapa na cara [com luva de pelica] que a gente precisa levar.

10. À Procura da Felicidade

A história de um pai que se vê desolado, sem emprego, sem dinheiro e sem dignidade, querendo dar uma vida decente para o filho, uma criação adequada e precisando se virar nos trinta pra isso; só que fica cada vez pior. Mas ele nunca perde a esperança, arregaça as mangas e dá mais do que 100% de si. Primeiro: ele acredito muito no próprio taco; segundo: ele sabe que precisa se dedicar e trabalhar MUITO para chegar onde precisa e onde quer. Terceiro: o desfecho do filme acaba com a gente! A felicidade é possível. Só depende da gente.

Repasso o meme para a Anna, Mirelli, Juliana Leite, Cecília e quem mais o queira!

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Tudo pra todos

Os de fora talvez não saibam, mas há algum tempo espalharam pianos pelas estações de metrô mais movimentadas. O projeto se chama “Piano na Estação”. Está disponível pra quem quiser tocar, pra quem quiser observar, aprender, cantar. Já vi pessoas sozinhas, já vi duetos, já vi um monte de gente aplaudindo, cantando junto e até filmando. E neste final de semana teve a Virada Cultural. Cada ano que passa está mais organizada, melhor estruturada e mais recheada de uma infinidade de ótimas atrações. Tantas que fica muito difícil escolher. Saí do Museu da Língua Portuguesa para ir até a casa do Sr Meu Noivo, que estava com uma crise forte de enxaqueca. Passei pela Praça da Sé, aproximadamente 18h30 da tarde, para pegar o ônibus que me levaria até a casa dele, e lá vi várias pessoas, de muitas idades diferentes, classes sociais diferentes, tribos diferentes. Havia um palco montado com música techno e provavelmente ali estava pra iniciar algum outro show. Vi mulheres com carrinhos de bebê, vi famílias inteiras, vi garotos e garotas. Houve um sobressalto no meu coração! Um nó na garganta querendo sair em forma de sorriso emocionado (e bobo). É que é grande nossa sede de mudança e de crescimento e, para quem vive reclamando e achando que as coisas não têm mais jeito, está aí um exemplo maravilhoso e lindo de como se pode fazer um povo crescer: cultura, de qualidade, democrática e acessível à todos. Coisas para todas as tribos, para todos os que quiserem experimentar e conhecer coisas novas, para os pobres, para os ricos, para os solteiros, os casados, as crianças, os jovens, os velhinhos, os gays, os héteros, os religiosos, os céticos, etc. Tudo aberto, tudo de graça, preenchendo todos os grandes espaços da cidade e reunindo pessoas diferentes em torno de uma coisa só. Sim, existe um sobressalto no meu coração, agora tão cheio de orgulho, porque eu infelizmente não pude ir aos shows, mas achei tudo isso muito muito lindo. Meu coração está cheio de orgulho: esta é a minha cidade, tão linda, tão grande e tão generosa. Que o mundo se inspire e se espelhe.

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novas tentativas…!

Acontece que no final de semana que passou, um dos mais memoráveis, reencontrei um amigo por quem tenho um carinho descomunal e uma cumplicidade linda. O André. Veio pra São Paulo com sua doce esposinha chamada Letícia. Entre todas as programações (e são muitas), entre as minhas trapalhadas (e não “atrapalhadas) e tentativas de ser legal, fui novamente parar na Escola de Filosofia e Letras da USP. Isso porque o meu amigo Dé estudou a mesma coisa que o Sr Meu Noivo estuda (Filosofia), e o Sr Meu Noivo, tão simpático (e obediente) fez um convite ao meu querido amigo, para assistir a aula de sexta-feira. Tão interessante era o convite, que fomos todos: André e a esposa, o Sr Meu Noivo e eu. Nós, super companheiras, não hesitamos e concordamos em ficar na sala para escutarmos a interessantíssima aula sobre Maurice Merleaou Ponty (devo ter escrito errado).

Entramos na sala de aula e todas as pessoas que haviam nela tinham as mesmíssimas feições (e não eram muito convidativas). O professor era um senhor de cabelo branco e encaracolado, como se fosse o cientista de “De volta para o futuro”, mas mais corpulento, mais moreno e como se ele tivesse feito permanente no cabelo. Ele estava sentado à mesa e falando alguma coisa… que eu me esforcei pra entender o que era, juro que me esforcei.

Sentamo-nos (olha aqui a influência de Jane Austen) no meio dos outros colegas. Sr Meu Noivo e eu. Um pouco à frente, Letícia e um pouco mais a frente dela, o André. Ele não tinha folha e ela tentou emprestar seu bloquinho de anotações de ursinhos. Mas nós arranjamos uma folha maior e ele (André) teria muito assunto pra escrever, mesmo, se o professor conseguisse falar algumas palavras-quilômetros-por-hora. Mas ele simplesmente dizia uma palavra a cada trinta segundos. A frase (seja lá qual) saía assim neste timing:

“A complexidade.

(…)

do pensamento.

(…)

primordial.

(…)

fenomenomológico.

(…) 

entendida.

(…)

se torna.

(…)

implícita.

(…)

nas relações.

(…)

estabelecidas…”

E assim vai. Não havia saídas: sem bloquinhos, revistas, palavras cruzadas, agenda, nada. Não havia nada que me ajudasse a passar o tempo. Fiz minha força e me propus a ficar pelo menos até a hora do intervalo (faltavam duas horas). Eu não estava entendendo nada e não conseguia ligar as palavras que ele dizia a cada trinta segundos. Me intrigava ainda mais ver os rostos interessados e verdadeiramente entretidos dos outros convivas da sala e os rostos igualmente prazerosos do Sr Meu Noivo e a do André.

À minha frente, a Letícia tentava prestar atenção na aula e às vezes olhava para o Sr Seu Marido, tentando dizer algo ou soltar-lhe um olharzinho. André estava impassível. Totalmente concentrado. Tentei ser cara de pau e escrevi uma mensagem no celular, esperando ter coragem de cutucar-lhe pra pedir desculpas por lhe ter enfiado naquela aula chata e paradona e que a gente aguentasse mais uns quarenta minutos. Mas fiquei sem coragem de causar. Até que lembrei do e-mail que o André me mandou há um tempo atrás, dizendo, entre outras coisas, que o celular dele nunca havia emitido um som na vida. Mandei-lhe a tal mensagem, pedindo, no final, que mostrasse à Letícia. Ele apenas jogou um meio olharzinho risonho, junto com aquela cara de Coelho – Pra – Sempre, meio querendo atender o meu pedido, meio com vergonha, meio querendo rir. Entendi o recado. O Dé não fez nada. Nadica de nada. Apenas ergueu a sobrancelha.

À estas alturas, a Letícia já tinha abaixado a cabeça sobre a sua bolsa. Sondei-a.  A respiração começou a ficar lenta. Pensei comigo:

Não pensei duas vezes. Dei-lhe um semi-cutucão e fiz aquele gesto que se faz quando a gente quer - vazar - de algum lugar. Quer sair? Perguntei. Ela concordou. Descemos até o andar térreo, compramos eu um refrigerante e ela dois lanchinhos doces daquela marca lá. Ficamos conversando – sobre o que a gente quer, o que a gente não quer, o que faz a gente rir, o que faz a gente chorar, o que a gente acredita, o que a gente ainda acredita, apesar de tudo. Conversamos também sobre o Coelho e suas habilidades. Até que as pessoas da sala do Sr Meu Noivo começaram a descer a escada e ali vinha vindo a dupla dinâmica, o André e o outro rapaz que atende por Thonni, mas que também olha se eu disser alguns outros vocativos secretos. Apesar de tudo, não posso dizer que a experiência não foi deveras divertida. Eu faria tudo de novo (naturalmente, munida de um livrinho de Sudoku).

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Quando nem o medo resiste.

Para o papai.

Já era de um azul simples, a manhã que reluzia brilhante e brilhante eram os olhos que buscavam alguma coisa atrás de um vidro grande, gigante, assim aberto diante da pista do aeroporto. O doce despertar e o mesmo de cada dia onde ela encontrava coisas novas, novas e miúdas, todos os dias. Mas o amor era o mesmo. O amor por não se sabia o quê, ou quem. E ainda que não fosse dia ou que não fosse um dia que raiou e se tornou assim o mais belo dos dias e o dia mais belo da semana e que este mimoso dia não tivesse se transformado em um sorriso tão fácil quanto se querer. Era sempre sol dentro de um coração que queria voar, assim como aqueles aviões que subiam a cada minuto, preenchendo toda a extensão diante dos seus olhos e de outros olhos anônimos (mas cúmplices) que existiam ao seu redor. E quando cada um daqueles gigantes subiam, ela então interrompia o que estivesse digitando e qualquer conversa que estivesse acontecendo através das fibras de ótica e mesmo que estas fibras de ótica fossem emaranhados complicados (ou não) espalhados por um cérebro cheio de constantes e fervilhantes informações que aconteciam a todo o momento, assim como uma adolescente que descobre o mundo tem sempre um bocado de informações acontecendo, sim, a todo o sagrado momento. E os momentos eram, sim, sagrados, mas o primeiro, aquele que existiu assim que se assentou e que provou o gosto de sua nova mesa de trabalho – aquela que tinha a vista da pista do aeroporto – foi o mais sagrado de todos.

Eu agora sou um homem que sabe caminhar a passos lentos, nem acredito. Eu que sempre estive a frente e tantos não conseguiram me acompanhar, estou aqui dando passos e contando os pequenos quadrados do piso do saguão central do aeroporto – e eu sei que preciso correr. Provavelmente já chamaram para o embarque do meu vôo. Não entendo direito o motivo, mas estar aqui parece solene. Como se eu fizesse parte de uma cerimônia, parte de alguma coisa maior – ainda maior do que tudo isso parece (e que ainda precisa ser). Subo as escadas rolantes e pouso os olhos sobre o chão, tentando encontrar alguma coisa que tenha perdido pelo caminho, algum olhar desatento, alguém procurando alguma coisa e com sorte alguma coisa que eu tenha ou que ao menos eu também esteja procurando. E em quarenta minutos eu vou mudar de chão e de terra e até os cheiros ao redor de mim serão outros, e pensar que é bastante provável que eu ainda esteja aqui e tem razão quem diz que as vezes nosso pensamento não muda de lugar. Quase desisto de entender tanta dificuldade em se desligar de um lugar tão transitório, mas preciso mostrar meu documento de identidade para a moça da sala de embarque. Ali à frente, pequenos raios de sol invadem o finger. Os funcionários da companhia aérea viram imagens negras, no contra luz do alvorecer.

Pra começo de conversa demorou bastante pra que ela pudesse se concentrar em alguma coisa, porque o sol da manhã pintava efeitos lindos na fuselagem dos airbuses ali estacionados. Os raios do sol entravam pelos fingeres e as pessoas que haviam dentro dele eram imagens negras, no contra luz. A vontade que ela tinha era de abrir o editor de textos e registrar toda a pintura que dentro dela estava se formando, aos poucos, junto com uma coisa que pulsava e ardia e fazia querer abrir os braços e fechar os olhos e sentir o cheiro de uma sexta-feira de primavera, assim brilhante, assim reluzindo e entrando para a história. A história dela. Ao longe, no primeiro finger à sua esquerda, via um homem caminhando lentamente, passeando os dedos pelo vidro transparente do corredor, descendo lentamente. As outras pessoas, impacientes, passavam por ele com pressa. O homem parou e diante dele, estendeu-se o tapete imenso do pátio do aeroporto, todas as pessoas trabalhando e moldando seu pão e seu suor, toda a mesma solenidade de todos os dias, os passos e coisas cronometradas, bagagens coloridas carregando histórias, coletes em cores fluorescentes que faziam os olhos arder, assim do jeito que os dela também ardiam, mas por motivos outros.

Corro meus dedos pelo vidro transparente, quantas milhares de pessoas já estiveram por aqui e seguiram tantos outros milhares de rumos. Quantos pensamentos haviam dentro deste pequeno corredor, quantos quereres e quantas expectativas. Ou nada. Sempre existe alguém que consegue ser tranqüilo, apenas figurando com um jornal nas mãos e um celular no bolso – que consegue estar quieto, por finos instantes. Me comove esta engrenagem. Esta ali embaixo, tudo e todos os que estão sempre ali, sempre fazendo as mesmas coisas e que fazem tudo isso dar certo. Todos os que movem este relógio e que dão corda às asas deste avião. Tudo o que faz nossa imaginação flutuar junto com este mesmo Airbus que vai me conduzir para quarenta minutos depois. Eu, ainda tão moleque. Ainda aquele garoto que vinha visitar o aeroporto com o meu pai, pousado em seus ombros, batendo palmas para alcançar a barriga do avião quando ele subia. E ficava perguntando para as pessoas aonde elas iam e quando voltavam. E todo mundo achava graça (menos o meu pai, é claro). E é por isso que eu tenho certeza que a gente nunca cresce, por causa deste nó na garganta e desta emoção que não desiste nunca. Este filme mudo que fica dormindo e que desperta algumas vezes ao mês. A aeromoça se aproxima e interrompe meu exercício de observação.

E quando a aeromoça se aproxima, o homem pega sua pasta, que estava pousada no chão e continua descida até a porta do avião. A aeromoça vai até a entrada do finger, provavelmente verificar se mais alguém vai descer e minutos depois, poucos mesmo, ela desce, lenta e elegantemente. Esguia, esbelta, como se fosse uma estátua de cera (ela pensa, nesta hora, que a gente sempre acha que estas aeromoças são perfeitas demais, robóticas, inumanas, feitas de borracha. Ou de cera). Mas o trabalho existe e ela se envolve nele de variadas maneiras. Ainda que ela quisesse se desvencilhar, o trabalho é sagrado e vem sempre de encontro à ela, e ela está ali todos os dias de peito aberto para receber o que vier. É sempre assim. Dedos ágeis digitando alguma coisa, uma voz bem humorada falando ao telefone ou virando-se, na cadeira, para observar as outras moças conversarem com os comandantes, lá no céu. Lá no céu!

O céu é algo inexplicável. E eu não entendo como existe gente que consegue fechar os olhos, estando nele. E não consigo não pensar que aquelas coisas ao redor do avião são – sim – novelos de algodão. E eu queria conseguir dar ao meu filho o “algodão doce” que ele pediu na sexta-feira passada. Cheguei a pedir á aeromoça que me arrumasse um algodão doce, mas nós não trabalhamos com guloseimas, senhor. Deviam respeitar mais as crianças. Deviam arrumar algodões doces. Puxo o cinto de segurança e fecho os olhos, ouvindo os motores se aquecerem e crescerem junto com a minha respiração. Sempre preciso fingir que nada está acontecendo, agora que eu tenho uma criança (outra) quase sempre junto comigo e que ela precisa acreditar que o pai dela não tem medo de voar. E que ainda que tivesse, ele tem que enfrentar esta coisa várias vezes por semana. O medo é uma coisa inexplicável. E quase sempre esta janela pequena está fechada, quando ele sobe. Mas hoje eu não sou o mesmo. Resolvo levantar a persiana. E o que sinto é parecido com a sensação de estar dentro do estádio do Morumbi no meio do jogo do Palmeiras e São Paulo. Desce alguma coisa dos meus olhos, e eu rapidamente enxugo com o braço, deixando uma pequena mancha salgada na manga do meu paletó. Como é lindo ver tudo de cima. Lindo, lindo, lindo.

E os momentos eram, sim, sagrados, todos eles. Todas as vozes, todos os sons cada vez mais conhecidos e mesmo o reflexo do sol na fuselagem do avião que batia nos olhos era sagrado. Mas o primeiro momento, aquele que existiu assim que se assentou e que provou o gosto de sua nova mesa de trabalho – aquela que tinha a vista da pista do aeroporto – foi o mais sagrado de todos. E já tinha combinado que um dia se renderia e tiraria seus pés do chão, de olhos fechados que fossem, de coração no pescoço, que fosse, mas deve ser lindo, lindo, lindo, ver tudo lá de cima. Enquanto a coragem não vinha, ela adiava e adiava e adiava. E por enquanto era gostoso ver tudo atrás da coxia. Por enquanto era bom fazer parte daquela engrenagem, daquele imenso relógio que tinha de funcionar todos os dias, fosse chuva, fosse sol, fosse o que fosse. E era em tudo isso que ela pensava enquanto digitava rapidinho alguma coisa que era o primeiro trabalho em sua nova mesa, quando viu cruzar em frente aos seus olhos aquele mesmo avião que havia tão pertinho há alguns minutos atrás. Seus olhos alcançaram o horizonte e decolaram junto dele. Os dedos pousaram nas teclas e depois caíram no colo. Alguma coisa desceu dos pequenos olhos castanhos, que ela rapidamente enxugou com o braço, deixando uma pequena mancha salgada na manga clara da camisa. Era a primeira vez que ela tinha visto aquela coisa decolar. E como era lindo! Lindo, lindo, lindo.

(Sorriam).

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O tratado das pequenas atitudes que [me] trazem felicidade


Escrever

Comprar Flores  

 Levar o cachorro pra passear  (quando eu tiver um)

Fazer trabalhos manuais

Passear de carro nos domingos de manhã

 Ir ao cinema e teatro

Dar aulinhas de teatro

Estudar

Trabalhar

Sair

Dar jantares para os amigos

Beijar…! 

Seguir os conselhos do Cortázar…! 

Aprender a dançar…

Tirar fotografias 

(Foto: André Pares)

Rezar e ir à Missa 

(Foto: Pascom – Paróquia Santa Teresinha)

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Troquem de ídolo.

Da série vergonha alheia. Aviso que posso ser um pouco cruel, mas acho que devemos ocupar nosso tempo com coisas que no futuro nos orgulhe e não nos envergonhe. Vamos lá: Hoje eu senti um misto de alívio e tristeza, ao ver as fãs de Miley Cyrus no aeroporto. Alívio porque nunca me comportei assim. E tristeza porque deve ser legal ter alguém que nos suscite a loucura de levantar cedíssimo em um sábado para esperar determinada pessoa chegar no aeroporto. Não fui uma adolescente out of control. Será que é bom?

Algumas delas, chegaram nos primeiros vôos da manhã e ficaram enfiadas dentro do desembarque, esperando ingenuamente que a moçoila aparecesse ali, bela e formosa, para pegar suas bagagens na esteira. Mas eu só notei que elas estavam ali, porque duas delas começaram a causar em um momento em que não tinha vôos. E correram uma para a outra, rodaram, se abraçaram, se jogaram no chão, gritaram, se abanaram, uma pediu pra outra colocar a mão no coração que estava acelerado, me pediram pra guardar suas bagagens atrás da fita da Infraero (perto do nosso balcão) porque elas estavam “esperando a mãe delas” chegar. Eu fingi que acreditei e resolvi ser legal. Passaram vinte minutos e eu resolvi ser mais legal ainda (ou não); fui até elas e disse: meninas, eu sei que a mãe de vocês se chama Miley Cyrus (!)… mas eu preciso avisar a vocês que ela não vai desembarcar por aqui… estes artistas que vêm de fora sempre saem por outro lugar, que eu JURO que não sei onde fica. Elas fizeram biquinho. Mas ficaram.

Passou uma hora, duas horas, três horas… eu quase enlouqueci porque o desembarque estava cheio, os vôos chegando lotados, bagagens demorando pra sair trinta, quarenta minutos, passageiros querendo me bater, bagagens anteriormente extraviadas chegando para serem entregues aos passageiros, muitas delas, eu tenho que recolher todas da esteira e empilhar todas nos carrinhos e por um milagre de Nossa Senhora de Fátima a Polícia Federal liberou-me da tarefa de ter que colocar uma por uma no raio-x (procedimento de segurança), depois soubemos que além de tudo chegaram 500kg de bagagem fora de rota (*) pra nós colocarmos na rota certa até o Rio de Janeiro… enfim. Não deu nem pra tomar café. E  no meio de tudo isso, lá estavam elas, espevitadas, avinagradas, esbaforidas, enlouquecidas e teimosas. Dentro do desembarque, um grupo assim de vinte meninas (que os pais legais mandam de avião pra elas estrategicamente ficarem dentro do desembarque e conseguirem uma foto exclusiva com a famosa quem). Do lado de fora da porta, havia uma legião… e berravam… e uivavam… (meu pai diria: vão lavar a looooouça!) e qualquer coitado que colocasse a cabeça do lado de fora da porta, seja pra procurar o pai que estava esperando, seja pra passar um recado pra alguém… seria ovacionado à um nível de decibéis que os ouvidos já não mais suportariam!

A banda da moçoila chegou antes. A parafernália toda era tanta, que veio distribuída em três vôos diferentes. Veio tudo. E veio a banda. E quando a primeira leva saiu porta afora, provavelmente se arrependeu de ter nascido (hahahaha). Quando a segunda leva saiu, fugiram pela porta onde os tiozinhos entram pra guardar os carrinhos, assim, quase à francesa. Ainda assim, não sei como, as endoidecidas conseguiram detectar este feito e foram até eles (ou então elas se multiplicam). A terceira leva, que viria COM a moçoila, nem desceu para o desembarque. As bagagens do vôo já tinham saído, eu já havia feito a oração de agradecimento (Obrigada Senhor porque agora eu posso comer e descansar o pé e a voz) e lá estavam elas. Juntei tudo o que era meu e antes de seguir o caminho da roça, olhei para elas, piedosa.

_ Meninas. Não sejam bobas! A Miley Cyrus já foi faz tempo!

Ao que eu venho, portanto, aqui neste espaço secreto e sagrado, pra dizer-lhes: não sejam trouxas! Não sejamos trouxas! Vamos ter dignidade, minha gente! Da próxima vez que vocês perderem uma manhã de frio para ficar na porta do desembarque pagando mico em frente às câmeras da Globo, perguntem à si mesmas:

Vale a pena?

Eu nunca fiz isso por artista nenhum, embora eu ame o Bono Vox profundamente. O mais próximo que cheguei foi passar um mega frio no Estádio do Morumbi, debaixo de chuva, mega horrorosa, por causa da Srta Beyoncé. E é esta a parte que eu morro de vergonha de lembrar. E por isso eu posso responder a pergunta acima com propriedade: não, meninas. Não vale a pena! E quando valer, vocês vão saber: o artista não vai sair pela porta dos fundos, traindo o carinho e a confiança de seus fãs, fiéis, leais, loucos.

* // *

(*)Bagagem fora de rota: o cliente faz este trecho: aracaju/brasília/santos dumont. A bagagem faz este: Aracajú/Brasília/Congonhas. A gente precisa reetiquetar todas até o destino correto.

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Arco-íris

O texto é uma conversa real com um amigo de longa data. Eu havia encaminhado um texto do Daniel Piza e deu nisso. A resposta do amigo mais petulante de todos os tempos! Eu fiquei pensando em uma resposta que o irritasse mais do que ele à mim, mas resolvi ser curta e direta. Esqueci, porém, que ele sabe lidar com a minha sinceridade.

Ufa. Mais de dez anos administrando este tempo nublado encobrindo a minha mania de claridade. Eterno pessimismo e a minha visão romântica. Resolvi registrar, “porque há doçura e beleza na amargura atravessada e eu quero a memória acesa depois da angústia apagada”, como bem disse Cecília Meirelles.

Ele em itálico, eu azul.

*

realmente, muito bom.

mas,
mas,…
…sempre tem um mas – e eu não quero ser mais chato de novo como já fui com as tuas fotos (mas é culpa é tua, que me provoca com assuntos dos quais é difícil pensar só algumas palavras….

A. 

*

Sempre esqueço que eu não vivo no seu mundo. 

Melissa.

*

se não vivesse, não estaria escrevendo isto agora.
e nós não teríamos feito questão de manter este contato (inestimavelmente válido, e até necessário) por mais de dez anos.
não implica comigo.

*

Vou parar mesmo, porque eu iria bem além! rs… 

M.

*

certíssima, coelha implicante.
vai além; vou ver se te acompanho… mesmo que deva reunir uma quantidade enorme de esforço pra isso. tu é sol, eu, chuva, se tu não notou ainda.

*

Você é o fog londrino!!!!!!!!!! rs

*

xuvisco paraguayo.

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A Saga.

Como sempre acabei deixando o trabalho da faculdade para a última hora. Para vocês terem uma idéia da correria, fiquei três dias sem tomar banho!!!!! Eu ADORO tomar banho, minha gente, mas eu chegava do aeroporto e ia para o computador. Isso era umas 14h. Ficava até de madrugada. Só parava pra comer. Houve um dia que, no ápice do desespero por conta do atraso, saí do computador às 03h da manhã. Detalhe: eu acordo às 04h15min todos os dias para trabalhar. Dormi pouco mais de uma hora. Ao acordar, um frio de rachar a orelha, como dizem os curitibanos. Estava TÃO frio, que eu fiquei literalmente com MEDO de tirar o pijama. Mas não dá pra vestir o uniforme por cima do pijama… então eu tirei. E quando tirei, senti tanto, tanto frio, que quase chorei. Pensei comigo: MeuDeusss, que difícil, tudo isso. Dormi sessenta minutos. Agora vou sair pra trabalhar de madrugada, está o maior frio lá fora e eu aqui com minha meia calça fio 15. Senti vontade de chorar: eu quero dormir! eu quero o meu pijama!!! Só não é pior, porque eu uso aquele overcoat até a canela e porque eu me enrolo no meu cachecol vermelho de lá que eu comprei da mãe da Raquel. Daí, neste dia, eu cheguei do trabalho, depois do almoço, e tinha que terminar o trabalho, coisas finais, que deixei para o último dia. Quando eu terminei, liguei para o cara da copiadora, o que faria o milagre de encadernar o trabalho em duas horas (em capa dura). Mas ele disse que eu teria que mandar o material até 16h (e já era muito mais tarde). Mandei um e-mail para a minha professora, pedindo para que ela escolhesse o menos pior: entregar encadernado em espiral, ou atrasar um dia e entregar em capa dura. Resolvi entregar em espiral mesmo. Quando fui pegar o trabalho pronto, na lan house (impressões grandes, uso a lan house), maravilha: o office dele era mais velho do que o meu. Conclusão: desconfigurou tudo. Bye, bye, ABNT. Tive que sentar na cadeira deles e arrumar as primeiras folhas. Reemprimí-las. Ainda assim, ele me deu um bom desconto e eu paguei R$30,00 a menos do que eu teria pago. Pedi um pratinho de milho com margarina e segui o caminho da roça. Quando estava prestes a entrar na faculdade, resolvi dar uma última folheada do trabalho antes de entregá-lo (com medo, porque a gente sempre encontra alguma coisa errada). Maravilha! As “referências” estavam no meio da página. Um pedação em branco. Perguntei para a recepcionista onde ficava a sala de impressão. Quinto andar. Lá fui eu para o quinto andar – usei as escadas, porque a fila do elevador estava imensa. Ao chegar no quinto andar, tive certeza: preciso urgentemente fazer alguma atividade física!!!! O que é ruim, pode ser pior: o cara da impressão não estava com o pendrive. Eu também não estava com o meu. E pior ainda: o computador dele não tinha acesso à internet (pra eu entrar no meu hotmail e pegar o trabalho que eu  havia enviado para o cara da lan house imprimir). Ele me recomendou que eu fosse até o oitavo andar e pedisse o pendrive de alguém emprestado. Foi o que tentei fazer. Fui até o oitavo andar (desta vez usei o elevador), perguntei para um por um de todos os sujeitos e predicados que haviam naquela sala, mas nenhum infeliz quis me emprestar seus benditos pendrives. Todos fizeram aquela cara amarela de quem mente achando que está abafando: “não estou com o meu aqui!”. Resolvi descer e verificar se já tinham devolvido o pendrive do cara da impressão. Ele sorriu e me entregou o pendrive mais velho do mundo. Subi novamente para o oitavo andar e pedi licença para o rapaz que estava usando a máquina onde eu havia salvo a página de “referências”. Mandei pro pendrive. Desci de novo para o quinto andar. O rapaz, fofamente, imprimiu e reencadernou – só cobrando a impressão. Terminada a saga, fui até a sala da querida professora (que estava em aula) e deixei o trabalho sobre a sua mesa. Agora, eu sofro daquele pânico que costuma aparecer toda vez que eu faço uma prova ou trabalho… sou péssima em formatar trabalhos acadêmicos. Sempre tem um espaço errado, uma tabela cortada ao meio. Fora a parte financeira, do plano de negócios, que ficou absurda: investimento alto com pouco retorno – e retorno em muito tempo. Uma droga. Tomara que a parte boa, a idéia, seduza totalmente a professora, de uma maneira implacável. Dediquei-o às pessoas que me aguentaram, suja, feia, fedida, gosmenta, nestes dias de correria: minha mãe, levando lanchinho para a mesa do computador. Meu noivo, lindo, aturando uma cadeira de madeira, dura, quadradona, para ficar ao meu lado navegando em seu netbook enquanto ouvia o barulho das teclas – porque eu digito absurdamente rápido. E o André, meu amigo Charlie Brown. Porque eu só sei que eu AMO São Paulo, por causa dele. E preciso também dedicá-lo à Anna Vitória . O nome do portal que eu inventei é coisa dela!

Ah, o trabalho. Era sobre São Paulo. E também tem outra coisa que eu preciso falar: depois que eu saí da faculdade, ontem, me joguei em uma livraria. Achei que eu merecia.

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Meus livros

Eu sou a pessoa mais indicada pra falar de erros de gravação na face desta Terra. E o vídeo foi o mais simples de todos: você simplesmente liga a câmera e começa a falar dos seus livros, simples assim. Mas ainda assim não consegui fazer na primeira, nem na segunda, nem na terceira edição. Nem na sétima. O telefone tocava no meio do vídeo. Ou então os livros caíam – todos! Um verdadeiro rebu. Ou então a minha mãe entrava no quarto, com sua voz fina, me chamando em má hora. Ou o ônibus passava. Ou a câmera estava com a pilha fraca e lá quase no final do vídeo a câmera desligava. Ou então eu apertava o “stop” sem querer, parando o vídeo no meio. Enfim. Vários foram os problemas. Tem muita coisa nesta vida sobre a qual eu ainda não sei. Mas se tem uma coisa que eu sei, é que não posso ser produtora de vídeos!!! Segue, finalmente, a enésima edição. Com Nana Caymmi. Divirtam-se!

Obs 1: Repasso este meme para todo aquele que passar por aqui e ficar com vontade de fazê-lo! Não esqueça de me mandar o link pra eu ver!

Obs 2: Por favor, não fiquem muito arrebatados pela QUALIDADE da filmagem! (rs)… acontece que a minha câmera digital é pesadona, portanto precisei filmar com o meu celular (que é ótimo……….), e então, eis o resultado… maravilhoso. Estupendo. Não fiquem com inveja…! (rs)

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Juliana sempre.

 

Para Júbis [happy birthday]

Pra onde foi você, me pergunto toda vez que eu vejo a saia rodada amarela. Lembro de Juliana, rodando de pés descalços, brejeira, ricocheteando sorrisos e olhares de outros, puxando pra si a beleza e a alegria de tudo, como se tivesse a força do mundo inteiro. E ela tinha. Sabia levantar de manhã como se não fosse tão cedo, e já dizia que estava com fome e revirava os olhos pra cima depois de comer seu pão com manteiga cheio de pretensões. Juliana nunca foi de um lugar só. Cada dia voltava com uma história diferente, como se alcançasse qualquer lugar e qualquer pessoa neste mundo. E as vezes, quando os olhos se perdiam no horizonte, ela misturava o silêncio com palavras desconexas e letras de música que mais pareciam ter saído dela. Tinha ela o poder de te pegar pelo pescoço e te levar junto, a Juliana. Juliana tem sete vidas e está gastando por aí, valsando pelos sete céus, pelo interminável labirinto dos seus sonhos, na música fascinante de suas idéias, no perfume inebriante de suas visões vanguardistas. E um dia eu passando por um brechó vi aquela saia amarela e enxerguei ali, Juliana, como se tivesse asas, a saia que ela vestia, e como se lhe trouxesse altitude – o vôo. E Juliana voava. E as vezes eu me pergunto onde está você. Em que parte deste imenso globo você foi parar. Não é de estranhar, não. A gente já sabia. A vida carregou-a para onde seus sonhos iam. E eles iam muito, muito adiante. Resta-me então receber notícias suas, apenas. E um pouco que seja daquilo que só você consegue ver.

 

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Minhas tardes com Margueritte (resenha)

Não contém spoilers.

O que torna os nossos caminhos ainda mais interessantes não são as paisagens e aquilo que a gente vê. Elas e eles estão lá estáticos e toda a “ação” se resume àquilo que vai existir de troca entre nosso universo interior e aquilo que nós estamos vendo e sentindo naquele momento. Tá, eu sei que não é pouca coisa – e é bom que não seja mesmo! Não estou subestimando o poder das nossas vivências individuais. Estou dizendo o seguinte: a troca maior rola quando a gente troca impressões e experiências com outra pessoa, acerca daquele mesmo universo. Primeiro porque cada pessoa já carrega um mundo dentro de si e geralmente estes mundos são diferentes, porque Deus fez cada um com uma fôrma diferente, hehe. E depois porque estas impressões são infinitamente ricas e se a gente pode fazer câmbio delas, putsgrila, que bom. Então eu comecei a dizer tudo isso pra dizer que se sentar em uma praça para ler um livro em companhia dos pombos é bem gostoso, mas fazer o mesmo na companhia de alguém interessante é melhor ainda! Quantas descobertas não se pode fazer em cinco minutos de conversa em um banco de praça? Quanta sintonia?

Margueritte já começou bem, agindo de uma forma que muitos não fariam: ela simplesmente fechou o livro e notou a pessoa que estava ao seu lado, importou-se com ela e parou para escutá-la. Ora, tem dias que eu sequer desviaria meus olhos do livro, porque quero mais é sossego. E neste ostracismo que muitas das vezes existe e onde nos fechamos, perdemos oportunidades de infinitos crescimentos e ricos vínculos. Vínculos eternos, para toda uma vida. Quanta força pode brotar de uma conversa despretensiosa, ali, em um banco de praça. Então já começa daí: sair do ostracismo e prestar mais atenção ao que rola à nossa volta. Estabelecer contato. Fazer-se disponível. A velhinha frágil, delicada, elegante, educada e inteligentíssima Margueritte, achou Germain tão interessante quanto seu livro. Das conversas finas, delicadas, bem humoradas, que se estabeleciam entre eles, nasceu uma amizade cujo vínculo foi forte o suficiente para corrigir um destino que de tão injusto, ingrato e cruel, teria sido fatal, se não fosse o amor desinteressado e puro que ali foi sendo cultivado. É o que eu sempre digo, é o que eu sempre sinto: não subestimemos as pessoas. Vamos apostar mais no outro, minha gente. Vamos dar mais votos de confiança. Vamos dividir nossos conhecimentos. Se a gente vê mundos e fundos que os outros não vêem, vamos dividir, vamos partilhar, multiplicar. Vamos distribuir livros e carinhos. Vamos tomar chás da tarde com novos amigos. Vamos ler os nossos trechos preferidos de nossas obras deliciosas para nossos novos amigos nos bancos de praça em tardes de sol. Vamos nomear pombos. Vamos reconhece-los por seus nomes. E vamos, sobretudo, nos reconhecer nos infinitos e distintos mundos das outras pessoas, nem que seja pra saber que o caminho é muito mais interessante do que a gente supõe que seja. E amar. Porque quem ama não encontra sacrifícios e doar-se pelo outro. A ingenuidade e simplicidade de Germain se condensa com a generosidade de Margueritte e aos poucos esta união vai nos desmontando do vertiginoso alto de nossa arrogância de quem acha que sabe tudo e que consegue se bastar sozinhos. Este filme despretensioso arranca  (muitas!!!!) lágrimas da gente exatamente por isso. O final poderia ser muito triste, não fosse o amor incondicional e puro que sai daquele grande coração, que não é muito mais do que o seu e o meu. Mas é um coração aberto, sobretudo.

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Resenha: Se eu fechar os olhos agora (de novo e melhor)

Já devia ter desconfiado: luva de pelica deixa dores mais profundas. Mas fiz uma resenha equivocada chamando a obra de estréia de Edney Silvestre de um “trabalho leve”. Pra começo de conversa, trata-se de um crime sexual, brutal, presenciado por dois garotos. Já cedo brota naqueles corações uma coisa que incomoda demais, ver um inocente preso, saber que existe alguma coisa errada, saber que não vai adiantar deixar nas mãos de quem é de direito à desvendar a verdade de tudo, saber que existe algo mais. E a ilusão que pode parecer um alívio mas que dói – que é a de achar que ser autor da descoberta pode deixar a vida menos dura. Pode facilitar as coisas. Descobrir que muitas vezes as coisas não funcionam como a gente quer, quando se ainda é garoto, quando a rotina deveria levar e trazer entre o futebol, a escola e as lições de casa, é pesado. E ser já uma pessoa vivida, carregar os anos nas costas, toda a experiência e a desilusão de justamente saber que as coisas não são nada do jeito que a gente quer, mas envolver-se em uma trama sem saber o fim para tentar, ali no fim de tudo, encontrar algo que tenha feito tudo valer a pena, também é pesado: pode ser que não dê certo.

Silvestre não nos poupa de tudo o que patético. Não esconde nada. E conforme a história vai avançando, o medo do leitor vai crescendo: terá valido a pena se jogar num universo tão podre, cheio daquilo que a gente teima em não querer saber ou não querer enxergar? Aí que entra a genialidade do autor, em saber entrelaçar a leveza, a singeleza, a beleza até, àquilo que a gente preferia não saber. E ele te suga tanto, te rouba as defesas, que você se joga sem pensar e quando vê a história já está ali no final e este final dói tanto, mas tanto, que acaba arrancando toda aquela nhaca que está guardada dentro do seu peito e que você queria ter colocado pra fora há muito tempo e não sabia como. Se vale a pena, ainda assim? Ah, se vale. Não se pode perder uma narrativa tão densa e uma escrita tão genial. Silvestre escreve com um pé nas costas. Consegue atribuir os cacoetes e características psicológicas dos dois (diferentes) garotos em seu texto totalmente seguro. Coisa de quem sabe o que faz e sabe o que quer. Pegue o livro pra ler, preparado para sair dele diferente de como entrou. Renda-se. Não tenha medo de sentir arder. E pontualmente, é isso. Demais chororôs são puro leite derramado, rerê. 

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Meia Noite em Paris

A expectativa em assistir a este filme era grande e crescia mais a cada dia. Há algum tempo sou fã assumida de Woody Allen, adoro muito sua visão das coisas, a leitura que ele faz de coisas tão corriqueiras, de coisas que estão ali embaixo do tapete escondidas e que a gente não enxerga ou não quer enxergar, porque é assim que funciona! A nossa cara de pau, a maneira como a gente forja tantas coisas na nossa vida, inclusive relacionamentos; os papéis tantas vezes ridículos que a gente faz, os eu te amos que dizemos sem querer dizer, ou mesmo como certas coisas são engraçadas. Woody Allen ri dele próprio e nos ensina a fazer o mesmo. E é por isso que eu não perco um filme dele. Daí que ontem, dia 23 de Junho de 2011, fui com o Sr Meu Noivo até o Reserva Cultural, na Paulista, para finalmente assistir “Meia Noite em Paris”.

A história parece um conto! Um casal vai à Paris junto com os pais da noiva. Ela está super-hiper ligada no status da visita: “estive em Paris”. Ele está vidrado com a cidade linda e tudo o que ela representa, tudo o que ela lhe inspira e, esta parte é mais pesada: tudo aquilo que ela lembra que ele tem e que não lhe serve pra nada. Ele quer ficar. Ela não cogita. É gritante desde o princípio a incompatibilidade da personalidade dos dois. Até que ela encontra aquilo que quer: um babaca arrogante que empina o nariz e começa a se dar por entendido de Paris. Ele não quer embarcar nessa, pula fora. E é aí, no momento em que ele pula fora, que começa o barato do filme.

Perambulando por Paris, mais por ter se perdido do que qualquer outra coisa (se bem que ele não se incomode nenhum pouco por isso), ele acaba se sentando na escadaria de algum lugar, perto da meia noite. Quando dá meia noite, o relógio dá três badaladas. Sobe a rua um carro super antigo, que pára e as pessoas de dentro lhe chamam pra ir à uma festa.

Tantas vezes nós dizemos ou ouvimos dizer que Paris é mágica, que Paris é isso e Paris é aquilo… que Woody fez uma brincadeira exatamente com esta idéia: Paris é mesmo mágica. Você vai até lá e embarca nos seus sonhos. Sai da sua realidade (que muitas vezes você dispensaria). Viaja na maionese. A gente faz isso em muitos momentos, isso de querer sair de órbita, embarcar em outro plano, nos dissolver em nossos sonhos. É o que Gil queria e é o que precisava para entender aquilo que ele mesmo, escritor aprendendo a ser escritor, desejava. E surpreendentemente, quando a coisa fica boa mesmo, aí é que ele entende que se quiser criar algo verdadeiro, precisa trabalhar com coisas reais e não com fantasias: Eu daria um beijo na boca de Woody Allen agora mesmo. Obrigada pelo beliscão, mais uma vez. E obrigada por fazer com que meu desejo de ir à Paris seja maior do que o medo de aviões…

Fotografia linda, diálogos maravilhosos, trama fascinante e o vestidinho que Adriana está usando na foto eu vou mandar fazer em caráter de urgência. Eu usaria, eu entraria naquele carro, eu andaria sob a chuva, ah, sim, com toda a certeza. Eu entendo você, Gil Pender.

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Trilhas Sonoras de Amor Perdidas

Nunca tinha visto um trabalho sequer da companhia curitibana Sutil Companhia de Teatro. Vi por aí a peça que está em cartaz no Sesc Belenzinho, mas só vi. Não processei. Até que dia destes a Juliana me liga pra me convidar: “Quer assistir Trilhas Sonoras de Amor Perdidas?”.

Antes não tivesse ido. Não sei. Não sei se é bom amar e sofrer ou se é bom não amar e ficar de boa. Porque é assim que funciona, né. E eu já estava pensando nisso quando olho o rostinho pacato do Sr Meu Noivo, quando olho aqueles olhos puros e lindos e meigos e meus (às vezes). Eu o observo e o amor profundamente e quando percebo o quanto eu o amo, dói dói dói. E assistir “Trilhas Sonoras” também dói. Não é fácil. São três horas de peça, e o Guilherme Weber te prende, te hipnotiza – esta é a palavra. O texto te seduz totalmente. Estava ali uma platéia entregue à um texto perfeito, uma encenação intrigante (eu dispensaria o eventual microfone), atores excelentes, iluminação ESTRONDOSA de linda e sim: uma trilha sonora deliciosa! Porque é sempre deliciosa a trilha sonora que embala as melhores histórias da nossa vida.

Felipe deixa os dois atores soltos no palco, favorecendo seu improviso e sua inteiração (que é ótima). E qualquer pessoa de nós poderia estar ali. Aquela sala bagunçada de discos e fitas poderia ser a nossa. Aquela história poderia ser a nossa. Aquelas fitas gravadas para tantos momentos poderiam ser nossas. Weber vai contando sua história (e suas histórias) de amor pautadas música a música, escolhidas sacramente à dedo para cada detalhe, cada instante. A hora de voltar da festa de carro, o show, o ciúme da garota que queria ficar na primeira fila. A história de duas pessoas que se mantém unidas por e pela música te emociona e é difícil se manter ileso àquele envolvimento tão dolorido.

Durante as três horas de peça a história de uma pessoa vai sendo colocada paralela à mixtapes que por si só poderiam contar a história. Me lembrei muito muito da Anna, o tempo inteiro. Não tenho mais, muito o que dizer. Falar pode ser arriscado. Assistam. Não percam. A peça te fala assim: viver dói. Amar dói. E existem encontros, desencontros, ganhos e perdas. Dilaceram. Mas a música, esta, vai estar sempre lá. E a graça disso é que você pode COMPARTILHAR, sempre, o seu olhar sobre o mundo, contado a partir de cada nota e cada letra de música, com qualquer pessoa. Distribua pedacinhos de você. Faça suas mixtapes. É uma maneira de registrar um pouco do seu tempo e daquilo que você sente. E quanto à dúvida: amar de doer ou amar sem doer… eu acredito, na verdade, que é mais uma questão de conhecimento de si mesmo, do que de escolha. Depois você me conta se todas as suas dores e delícias se converteram ou não em histórias que valem a pena contar, e canções que valem a pena ouvir. Não deixe de assistir a peça.

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O primeiro e o único

O meu casamento cai em um dia 24…!

Atenção Sr Thonni: NÃO leia este post!!!

Todo mundo tá super acostumado com convenções. E geralmente todo mundo age nestas situações, sempre do mesmo jeito. A minha amiga Mariana, que além de minha amiga é minha dentista, se casou com sapatinhos rosa-choque. Eu percebi apenas há poucos dias, quando vi na fotografia que ela me mostrou no laptop e eu achei o mááááximo… agora me perguntem, vocês, leitores queridos, se a minha mãe-mandona me deixaria casar de sapatos rosa-choque? Ela faria o maior teatro shakesperiano, tipo hamlet. A minha sorte é que eu não quero casar de sapatos cor de rosa. Mas nesta segunda-feira que passou eu saí para iniciar as pesquisas do meu vestido de noiva, a pedidos da mamãe-mandona. Fomos até a Rua São Caetano. Nós andamos tudo aquilo e eu não via nada que me agradasse nas vitrines. Tudo muito cafona, tudo cheio de brilhos demais, saias demais, babados demais, detalhes demais, coisaradas demais. Fora que eu *odeio quando estou andando na calçada e vem a vendedora lá de dentro da loja querendo me sequestrar pra conhecer “a coleção” horrorosa. Não, não entrei em nenhuma loja. Estava quase desistindo, quando vi uma loja apresentável, com trabalhos bem acabados. Caprichosa, mesmo. Entrei.

Minha mãe-mandona deu um showzinho básico, mas depois passou. Entrei, olhei a vitrine, olhei o catálogo e a vendedora me convenceu a experimentar alguns vestidos. Eu topei, porque de fato, eu precisava ver como os vestidos ficariam no MEU corpo. Provei o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto e o sétimo. De todos, dois me chamaram atenção. Não vou me ater aos detalhes, afinal de contas, é SURPRESA!!! Experimentei os dois. E um deles, minha gente, ficou tão lindo que é como se ele tivesse sido feito pra mim!!! A minha cara, o meu jeitinho. Posso dizer que quando eu olhava pra ele no catálogo, eu não via a modelo-muito-mais-bonita-de-pele-perfeita. Eu me via. Outros detalhes me conquistaram: não é igual à maioria; a cauda removível passa sem ser notada, não dá pra ver que existe um pedaço emendado na peça; é diferente, meigo, discreto, leve e feminino. E o melhor de tudo: bem mais barato do que eu imaginava!!! Dentro do nosso orçamento. Portanto, quando a vendedora sugeriu que  nós fechássemos a proposta, eu quase virei e disse para a mamãe-mandona: por mim eu fechava. Mas eu sabia que ela queria que eu visse outros vestidos, outras lojas.

E eu tentei. Eu juro. Saí, rodeei, olhei outras coisas e vi sempre o mesmo que se vê nos casamentos por aí. Tomara que caia, frente-única, saia – sereia, saia-bolo, tudo. Desanimei. Eu queria, mesmo, algo que fosse muito pessoal, quase como se tivesse sido feito pra mim. E tem outra coisa: este estresse de discussão com a mamãe-mandona porque apesar-de-ela-ser-a-mãe-da-noiva-parece-que-é-ela-que-vai-casar, eu não queria passar mais. Além disso, eu não tenho saco pra ficar provando vinte vestidos, em quarenta lojas, durante cinco meses. Deus me livre! É o que a minha mãe esperava, é o que todas fazem. Mas o que tem demais eu querer definir logo, sem enrolações? Dá licença de eu ser prática e objetiva? Eu sou este tipo de consumidora. Não fico rodeando em cinquenta lojas. Eu vou naquela loja x, entro, experimento. Serviu? Gostei? Ficou lindo? Quanto é?

Voltei pra loja e comprei o vestido. O primeiro.

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Oração

É ótimo quando a gente consegue evoluir. Há pouco tempo atrás eu não sabia nem dirigir. Daí tirei a carta. Terminei a faculdade. Encontrei o Sr Meu Noivo. Faço baterias de exames – metade pra me cuidar e metade pra ficar bonita. Faço planos, faço planilhas, faço listas (muitas!). A gente cresce e é obrigada a fazer milhares de escolhas o tempo inteiro. Escolher que igreja quer frequentar. Escolher qual o banco que vai receber o salário. Escolher o vestido pra casar, a casa pra morar, o jeito miraculoso de pagar as contas. Escolher entre ficar de mal humor ou encontrar um motivo maravilhoso e surpreendente pra poder sorrir um sorriso legal em plena seis da manhã, no meio de um monte de gente no desembarque de um aeroporto. Escolher qual a roupa vai vestir. Escolher a cor da decoração da festa de casamento, o carro da noiva: carrão ou carrinho? Escolher as palavras certas pra dizer, escolher falar ou escolher calar. Escolher seguir ou retornar. E no meio de tantas escolhas e coisas que vão naturalmente nos acontecendo, habilitação, formação universitária, casamento, futuro filho ou filhos (se Deus quiser, porque estou um bocado velhinha)… tanto vai se perdendo pelo caminho! Os nossos sonhos de adolescente, os desejos românticos da juventude, que se materializam em poucos instantes e lampejos de autoconhecimento quando a gente se dá conta do que realmente gosta e acreditem:

Não é de Administração de Empresas.

Eu engano bem. Me viro nos trinta, nos quarenta, nos cinquenta: me viro nos 365 dias de labuta, seja onde for. E assim os meus sonhos “liberté, égalité, fraternité” (é que assisti Moulin Rouge) vão sendo escondido nas mangas e por lá ficam e as vezes, confesso, eu me esqueço deles. E é por isso que histórias estão inacabadas, desejos escondidos dentro dos livros de Administração Estratégica ou nas páginas da Bíblia, suplicando para que Deus não esqueça deles, já que eu, provavelmente, os esquecerei. Um dia achei que não seria uma boa jornalista, mas me contorço inteira quando vejo qualquer filme sobre o ofício. É como se eu me reconhecesse neles. Um dia achei que não falasse uma frase, sequer, sobre um palco, mas já calei minha própria família depois de me assistir como o “médico”, em “Woyzeck”. Um dia vi um grupo de amadores que não sabiam até onde poderiam chegar, cruzarem a linha de chegada aos prantos, depois de uma apresentação lindíssima. Eu era parte daquele grupo! Eu, na verdade, desejo tantas coisas que me perco na abrangência do que eu sonho. Eu tenho sonhos simples. Escrever. Lutar por dignidade, para que as pessoas sejam mais felizes, para que elas aprendam que podem ser muito mais do que são ou chegar bem mais longe do que pensam que são capazes. Tenho vontade de fazer com as pessoas tenham os mesmos sustos que eu tenho quando terminam de ler um livro e tenho vontade de conduzir processos teatrais, de poder fazer parte do que transforma um grupo e todos os outros que serão um dia, olhares…

De modo que este texto pode não ser nada senão uma oração. Um pedido feito por mim e para mim, tão sagrado que se torna, sim, uma oração. Uma súplica, para que, seja qual for o caminho que você tome, Melissa, não esqueça de quem você é. Talvez seja um pouco mais fácil do que eu penso. Talvez baste só dar o start. Porque sonhos são sempre sonhos. São as imagens que temos, como paixões platônicas, nunca materializadas. Mas desejos são fortes o bastante para serem materializados.  É só arregaçar as mangas e simplesmente

COMEÇAR.

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Dezoito Quilates

 Ela encompridou o olhar para o fundo da avenida, pousando-se sobre os carros brilhantes do sol, assim como se de-repente tivesse caído do céu uma chuva dourada que cintilava tudo: as pessoas, os carros, os olhos, a vista. Encostou a cabeça no banco do ônibus, como que resignada, ainda que passasse por aquela avenida todos os dias, mas absorta em uma resignação que vinha como paz de espírito, como se ao contrário do que na maioria das vezes, pela primeira vez na vida ela não tivesse que brigar consigo mesma, ou que lutar contra o que quer que viesse à cabeça tentando fazer com que ela tivesse a certeza de que qualquer outro lugar seria bom, menos aquele. Lembrou de bossa nova. Lembrou de flores. Viu um cachorro passear com a dona, mais interessado no passeio do que ela. Viu um garoto sair da quadra de futebol de salão do prédio, colocando a camisa suada no ombro direito. Viu uma senhora tentar estacionar um carro de um jeito engraçado e desajeitado, na vaga em frente à padaria que estava sempre lotada. Viu o reflexo do próprio rosto, plácido, no vidro ensolarado do ônibus. Viu alguns pensamentos escorrerem pela janela como gotas de chuva, porque era tão, mas tão linda aquela vista, aquela rua de sempre, toda pintada de dourado, que naquela hora não cabia ficar pensando em nada. O ônibus descia a avenida lentamente: era sábado e havia transito. Um grupo de motoqueiros conversavam no canto de uma mureta, do lado de fora de uma pizzaria. Um casal de velhinhos subia a rua. Ele carregando um jornal debaixo do braço e segurando as mãos dela. Ela, na outra mão, segurava uma bolsinha de moedas. Pararam, por instantes, e ela abriu a bolsinha. Tirou o dinheiro dobrado de dentro e contou quanto tinha. Continuaram o caminho enquanto ela guardava as notas dobradinhas, de volta ao porta-níquel. Uma nota de cinco reais voou, sem que eles percebessem. O motoqueiro que estava usando os óculos pousou os olhos sobre ela, desfilando o rosto junto com seu passeio, carregada pelo vento. O rapaz foi até a nota, segurou-a com a ponta do tênis, recolheu-a. Correu atrás dos velhinhos e entregou-a à senhora, que sorriu, refletida em seus óculos espelhados. 

E então neste momento ela pensou que existem dias que merecem ser guardados numa caixa de memórias, como se fossem jóia preciosa, como se tivessem dezoito quilates. E ali atrás do vidro do ônibus, escorreu de seu rosto contemplativo, discreta e terna, uma pequena lágrima transparente que saudava uma ingenuidade e uma pureza que ainda encontrava desfilando por aí, atrás de estereótipos facilmente rotulados e confundidos. Ela não era dourada, a lágrima. Mas era tão pura, tão pura, que era como se fosse. 

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Welcome back, Melissa

Eu preciso dizer que estou lendo a coleção de livros de “Travelling Pants” e não vou terminar de ler para escrever sobre eles. Bastaria dizer que eu já li os dois primeiros livros em quatro dias. Choro página sim, página não. Até aqui, sem novidades, porque agora depois de velha  eu inventei de chorar nos meios e nos finais dos livros. Podia ser a Branca de Neve e os sete anões. Já valei milhares de vezes que o filme, despretensioso, mexeu comigo deveras…!!! Talvez por isto mesmo, pela simplicidade, pela despretensão. E tenho os quatro livros há um tempão. Estive de olho, esperando o melhor momento para lê-los, devorá-los, saborear página por página. Eu sabia que a autora, Ann Brashares, devia ter uma sensibilidade e uma capacidade de amar infinitas dentro do coração, porque só uma pessoa muito especial pode escrever coisas tão especiais.

Daí vieram as férias.

E eu preciso viver um pouco além do circulo do casamento.

Não sei se vou conseguir explicar o que é que mexe tanto comigo na história destas meninas. Adolescentes. Eu já tenho meus trinta e dois anos (pois é). São tantas coisas que não sei se consigo desvelar cada um dos sentimentos que fizeram “meu coração inchar”. Uma que eu conheço bem esta sensação de o coração inchar. Fico pensando se o corpo da gente aguenta tanta emoção, o tempo inteiro. A mãe da Kokóta já tinha comentado que não, que não aguenta. Fico pensando que eu cresci e até que amadureci um pouco, mas ainda sou um bocado impulsiva, ainda farejo emoções, ainda me remexo no calendário quando os dias passam brancos demais. Quero o sol, quero os toques das pessoas, quero enfrentar a sombra gigante dos meus medos, por mais que estas sombras me aterrorizem, verás que um filho teu não foge à luta. Eu também sou Bee. Também estou como uma pipa numa hora, pra estar sem forças pra me levantar na outra. Fico pensando no medo que eu tenho de ser feliz. Em como amar – e aqui não estou falando do amor doente, mas do amor que nos dá saúde – dói. Como se ama a cada dia mais e, Meu Deus, como isso dói, apesar de ser bom. Não se sabe onde é o chão. Tateia-se no escuro. E vai-se, mesmo assim. Nesta necessidade que eu tenho de ficar sozinha de vez em quando, de andar por aí, de mergulhar nos meus pensamentos e passar algumas horas mexendo nas minhas coisas ou preenchendo os meus papéis em branco. Fico pensando em como também busco em meus antepassados as explicações para o agora e como a paixão um dia veio e como me cortou e queimou e despedaçou o meu coração. E quantos “e ses” eu teci e quantos anos perdi com as minhas próprias ilusões. E como a vida pode ser antagonista dos nossos próprios sonhos, porque tantas vezes ela te leva pra outros lados sem que você queira. E fico pensando em como às vezes sou egoísta e má, como eu também sei ferroar quando eu quero e como eu sempre me arrependo.

Também penso na minha adolescência e fico pensando se vivi tão intensamente as minhas amizades. Eu gostaria de que tivesse sido mais apaixonado o meu passado (será que seria possível ser mais??). Gostaria de ter valorizado mais as minhas amigas e amigos e ter me dedicado mais àquilo em que eu acreditava. Eu queria, se pudesse escolher, ou voltar atrás, que tivesse sido corajosa apenas em um momento, para que eu não tivesse jogado no lixo uma carreira VERDADEIRA, por pura covardia, somada à falta de autoconhecimento. Hoje à tarde me peguei pensando se eu apoiaria a minha filha  a estudar arte, caso ela queira, no futuro. Eu faria com que ela tivesse bem claro os riscos que ela corre em cada escolha, mas não deixaria de dar apoio total ao que é verdadeiro, porque eu sei que o caminho oposto é o caminho errado. E ele não nos leva à lugar algum. De verdade.

De modo que tem havido um turbilhão de pensamentos e sentimentos a cada parágrafo dos livros. Eu tenho aprendido lições incomensuráveis e infinitas com a honestidade de quatro adolescentes. Elas não têm vergonha de dizer que amam. Elas não fingem serem mornas, se estão fervendo ou mesmo se estão geladas.  Eu me diferencio da maioria das pessoas com quem convivo pela temperatura e pela paixão. Não meço: transbordo. E as sensações são tão familiares… os turbilhões, a vontade ardente de estar com as pessoas que eu amo, a necessidade de me embebedar de muito mundo e tudo o que possa oferecer, a vontade de rir, a vontade de chorar, a busca por relacionamentos de verdade, a falta de cerimônias pra falar de amor, com quem quer que seja, com quem quer que o tenha conquistado. Sim, tudo parece muito, muito familiar, pulsante, como se eu ainda tivesse quinze, dezesseis anos. Ainda arrepia igual, ainda dói igual, ainda sinto igual, ainda busco as mesmas coisas. O que me leva a apenas uma conclusão, que eu verdadeiramente não sei se é boa ou se é ruim:

Acho que eu não cresci.

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Post to Past.

Primeira paixão a gente nunca esquece. E eu vou me lembrar de você por toda a minha vida. Vou me lembrar de quem era a Mel que você conheceu. Ainda aprendo muito com ela, sabe? Ela era tão ousada e corajosa. E sobretudo, sempre sincera. Acho que não perdi esta característica. E olha, ela me coloca em apuros, por vezes. Todo mundo sabe quando eu estou fingindo que estou bem! Estranho né? Uma pessoa que estudou teatro não saber fingir? Não, não é estranho. Eu não quero fingir. Eu não preciso. E eu sei que você sabia disso. Sei também que sabia de muitas coisas e que sabia antes de mim, de muitas coisas. Durante um tempo eu fiquei pensando que você podia ter me dito o que se passava pela sua cabeça, mas depois eu entendi o quanto você foi paciente e corajoso pra esperar que o tempo me fizesse entender as suas ações e as suas razões. E o quanto foi difícil.

Eu acho que a vida da gente é feita de encontros e desencontros – e dos impactos que são feitos na gente em cada um deles. E o universo onde a gente se conheceu é tão metaforico pra ilustrar isso, não? Pessoas vêm e vão embora a cada minuto. Pessoas se encontram e se desencontram. Lembrei de você, agora, porque eu disse pra Mel Casale que só o tempo faz as pessoas entenderem as coisas. Eu tenho pouco mais da idade que você tinha quando a gente se conheceu. Precisei te alcançar pra te entender. A ferida, eu posso dizer, ficou aberta durante muito tempo. E pode ser que se eu te encontrar por aí, ainda estremeça um pouco, porque você foi simplesmente o primeiro. E por você eu me arrisquei de chegar a sentir medo. Passei frio atrás dos vidros embaçados de um onibus de viagem, indo te encontrar em pleno inverno, pra chegar na rodoviária e você não estar ali. Você destruiu o meu coração em pedaços pequenos e de modo irreversível. Me desconstruí, pra você me construir do jeito que você queria. Perto? Maliciosa? Mas não deu certo. Voltei e resolvi me encontrar de novo. Fui fazer teatro, pra dar meus gritos. Cresci. Tive outras infinitas desilusões amorosas. Até que eu encontrei o amor de verdade, amor puro, amor de doer. Não é paixão. Não me desconstrói, ao contrário: me edifica. Me fortalece! E me fez conseguir fechar o ciclo, colocar um ponto final em um passado onde só havia reticências. Eu não gosto mais de reticências. Gosto de saber onde as coisas terminaram, pra que eu possa recomeçar e reconstruir. E eu não tenho medo de começar do zero.

Só ficou carinho, muito. Não teria dado certo, se você fosse em frente. Se eu te encontrasse por aí, na verdade, eu te agradeceria por ter tido sabedoria suficiente para entender isto. E para esperar que eu entendesse, como entendi.

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Dia do Amigo

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Você serve a quem?

“Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade, tu sabes de quem o aprendeste”

(2 Tim 3, 14)

* * *

Houve em casa uma discussão meio chata por causa desta frase, à seguir:

Tristeza para a musica Brasileira
Depois de perder um ícone da música mundial (Amy WineHouse ou Amy “Casa do Vinho”), agora sofremos um novo baque: Joelma da banda Calypso foi encontrada completamente viva no apartamento dela.

Quando uma das pessoas da minha família escreveram isso em uma rede social, apesar da minha indignação, escrevi apenas uma palavra a respeito. Só que depois esta mesma pessoa veio perguntar a minha opinião sobre o assunto (porque foi repreendida por outra pessoa) e eu respondi que achei a brincadeira pesada, injusta e infeliz. Como ela não gostou da resposta e saiu, me deixando falar sozinha, eu aumentei a voz e insisti até que eu terminasse o meu raciocínio (porque eu também não sou nada fácil, haha). Fui à missa e escutei o padre dizer na homilia: “espalhem luz e não trevas”. Fiquei tranquila. Tranquila com meu jeito, tranquila com minhas escolhas, tranquila com minhas brigas.

Quando retornei da missa, eu estava excluída da rede dela…!

Eu acho que quando a gente enche a boca pra falar que o país não vai pra frente e que as pessoas precisam ter mais educação e assim por diante, não podemos esquecer que estamos falando também de nós. De certas manias, certos vícios de atitudes e linguagem preconceituosos, dignos da classe média mimada e arrogante que somos. Eu não gosto da Banda Calypso. Que isto fique bem claro. No entanto eu aprendi com alguém nesta vida que nós devemos ter respeito uns pelos outros. Eu disse para a tal pessoa que publicou a frase, que ela estava dizendo, com aquelas palavras, que preferia que a Joelma tivesse morrido ao invés da Amy. Ela bateu o pé e disse que eu estava errada, que ela é sarcástica, que é isso, que é aquilo. Eu insisti: Acontece que não é a minha interpretação: é exatamente isso o que está escrito, ali em cima. Por isso a brincadeira era pesada. A Joelma, como muitas outras, teve uma história de vida dura, e trabalha honestamente. Não é envolvida com drogas, não aparece nos jornais causando. E não merece ser comparada à outra. Você tem todo o direito de não gostar da música dela, como eu não gosto – nem da música, nem do estilo, nem das roupas que ela usa – mas acho que se você é um (a) das que bateu palmas para a piada de mal gosto, precisa reaprender a ter respeito pelas pessoas e, sobretudo, usar as suas redes sociais para espalhar coisas legais, coisas boas, coisas que edifiquem, que tenham poder de mudança e não palavras que difamem pessoas inocentes. Precisa começar a olhar pro próprio comportamento e ser mais RESPONSÁVEL pelas próprias atitudes, ao invés de sair dando lição de moral sem a mínima coerência.

Eu sou chata? Não: sou incisiva. Defendo aquilo que eu acredito e aquilo que é justo com VEEMÊNCIA. Caráter não faz curva. Ou você tem princípios, ou não tem. Ou você tem bons valores, ou não tem. A frase poderia ter sido dirigida à qualquer outra pessoa, a minha postura seria a mesma. E não poderia ser diferente, visto que eu sou católica, cristã, frequento a igreja desde os meus 9 anos de idade. Certos preceitos como AME AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO, ficaram arraigados no meu coração. E eu ao menos tenho consciência disso e faço de tudo para conseguir cumpri-lo, quando está difícil. Mas ficar espalhando gratuitamente palavras felinas e venenosas, compartilhando as bobagens que meus amigos postam, isso eu não escolho fazer. E ao contrário do que se pensou por aí, eu não quero ser politicamente correta: eu sou politicamente correta. Se isso incomoda a alguém, que pena!!! Porque o que realmente me interessa é que toda vez que eu olho pra trás, ergo a minha cabeça com louvor, porque sei quem tenho sido, como também sei quem quero me tornar a ser.

E acreditem: não é uma pessoa que se vangloria em dizer que tem humor negro. Esta pessoa eu não quero ser, não. E vocês? Vocês servem à quem? Servem à luz ou à escuridão? (não tem meio termo, ou se é de luz ou se é de trevas). Quem querem ser? Quem querem se tornar?

Ser de luz é difícil. As pessoas te chamarão de chata, difícil, politicamente correta. Mas se esta é a escolha de vocês, podem começar com uma tarefa bem simples: pensar quantas vezes for preciso antes de escrever as coisas por aí, porque muita gente se espelha em você, naquilo que você faz, naquilo que você diz e naquilo que você é. Daí que você precisa começar a se perguntar se os outros te enxergam da maneira como você quer ser visto (a). Daí que você precisar se perguntar o que é que vai querer ver na frente do seu espelho.

(eu já sei a resposta).

‎”Seja a lampada, o barco salva-vidas, a escada.”

Rumi

PS: Eu sou um pouco radical, mesmo. Não tenho a intenção de julgar ninguém, nem de impor aquilo que eu penso ou aquilo em que acredito: só de expressar aqui a minha opinião, como tenho feito com muitos outros assuntos.

PS 2: Para ilustrar, leiam este artigo. Uma bobagem desta pode acabar mal.

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Eu e os Ipês

Não sei de onde veio esta minha adoração por Ipês. Todos eles são lindos: o branco, o roxo, o amarelo… li em um livro do Rubem Alves (A Estética do Envelhecer) que os Ipês florescem no inverno, ao contrário da maioria das árvores, onde as flores nascem na Primavera: o clima mais propício e mais ameno. De fato: agora, nos dias mais frios, é que vejo os ipês aqui perto de casa florescerem e, deslumbrantes, roubarem a minha atenção. Disso a gente pode viajar, né… florescer quando a tendência é se retrair em consequência do clima frio. Quem consegue fazer isso? Pouquíssimos. Mas o ipê consegue!

Já tinha visto no filme adaptado do belíssimo livro da Lygia Fagundes Telles (As Meninas), alguém usar o ipê como metáfora para comparar o amadurecimento de uma das personagens: “O ipê demora pra crescer, mas é difícil de derrubar”. Depois, mais tarde, comecei a escrever uma história infanto-juvenil que se passa em uma floresta e não conseguia parar de pensar nos ipês como cenário e inspiração. E ainda, escrevi um texto para o meu avô Liferas, texto este que foi publicado em uma antologia do grupo de literatura de que faço parte, e o nome do texto era: flores amarelas.

A decoração do meu casamento será amarela. Se eu pudesse colocaria um Ipê no meio do salão.

O que há de novidade é o seguinte: todo dia subo com o ônibus na frente de uma casa que está a venda. Se eu ganhasse na mega – sena, eu compraria a casa e a reformaria inteira (porque é um bocado velha e feia). O que me interessa nela? Há um ipê amarelo, florido, frondoso, maravilhoso, dentro do quintal!!! Se você passar pela frente dela, verá o quintal todo pintado de amarelo, porque as flores caem e preenchem todo o espaço. Eu anotei o número da imobiliária, porque, como amante de fotografia que sou, quero muito fotografar aquele ipê!!! Só que eu fiquei com vergonha de atrapalhar a vida dos caras e ligar lá, causando, só por causa de uma árvore. Daí eu mandei uma mensagem: eu quero fotografar o Ipê Amarelo da casa tal. Só preciso de 30 minutos. Será que eu consigo? Se sim, vocês saberão!

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Expresso Achiropita – 1º fds

Bagunça indispensável! 
  • Colocaram as mamas mais rápidas pra cuidar do antepasto  e as mais lerdinhas pra atender a fila de bandejeros! :-)  #nãodeucerto
  • O bandejero aqui da frente pediu 8 espaguettis. Depois teve um que pediu 5. A fila do macarrão travou total. Caos!
  • Há uma vovózinha que fica em estado de choque quando olha para a fila de bandejeiros falando ao mesmo tempo com ela pra pegar macarrão. Tadinha.
  • Por que colocam gente MAL HUMORADA pra trabalhar com o público? Tentei estabelecer contato com uma colega, como só recebi em troca um olhar-de-berinjela, depois de várias tentativas eu cansei e respondi com meu olhar perfuro-cortante.
  • A cantora deve ter quase sessenta anos e embora tenha um corpo legal, alguém por favor lhe avise que o vestido curto frente única não ficou legal (nem o cabelo modernets).
  • Trocaram a cantora que faz o dueto da banda. Não consigo escutar a voz dela, embora ela seja mais simpática (e saiba dançar). Acho que eu me acostumei com as caras feias da cantora antiga. #voltaLucy
  • Não tem mais Rita Pavone?
  • Não tem mais a musiquinha do Pomodoro?
  • Não consigo assistir ao show. Primeiro porque não dá tempo (correria) e segundo porque a caixa de som está bem na frente.
  • Ô povo sem educação!!!!!
  • Odeio homens bêbados. Ficam insuportáveis.
  • Chamei a minha coordenadora, Magali, de Mônica.
  • Ela (a Magali) tem dois filhos. Gêmeos. Minha idade, os dois. No crachá de um está escrito “Tico”. Perguntei se outro era Teco. Não é que era mesmo?
  • A gente tentando passar com a bandeja com 3 pratos de macarrão e uma taça de vinho e a tia do souvenir andando a 5 km por hora no meio do corredor. Ela parece aquele coelhinho da Duracell quando está acabando a pilha? Balança o pandeirinho devagaaaaaar, devagar…
  • O fato de eu estar tentando passar no corredor com a bandeja e haver três queridas crianças esparramadas pelo chão, no meio do caminho, e nada de mais trágico acontecer (nem com as roupas das pessoas e nem com os macarrões), significa que eu não sou tão desastrada assim.
  • Se eu fosse um convidado e houvesse pessoas ao meu lado colocando cadeiras pra cima da mesa, no final de uma festa, eu entenderia prontamente o recado (!). Mas eu juro que não fui tão indelicada assim.
  • Atenção especial com pessoas estranhas… (?!)
  • Há um velhinho gordo e de suspensórios que está jogando beijos pra mim.
  • Não é que eu seja tão hipócrita, mas se eu fosse bailarina de uma festa católica, esconderia mais meu bumbum.
  • Não acho o namorado da cantora tudo isso. Sou muito mais o Sr Meu Noivo.
  • Primeiro dia, canudo paris. Segundo dia, espeto de morangos.
  • Até o final da festa eu viro um barril de macarrão.
  • De que adianta se prostrar em oração e cantar tão fervorosamente “só fazer o bem, e mal à ninguém, mal à ninguém!!!” – mas não haver respeito entre nós, os voluntários? #showdepatadas
  • Aquela bagunça na fila do macarrão poderia ser resolvida se colocassem duas sulfites: “fila do Penne” e “fila do spaguetti”.
  • Minha lombar está dormindo, ainda bem.
  • Diz que AQUELE cara não vai ficar JUSTO no meu setor?
  • Perdi a hora na madrugada de sábado pra domingo. Tive que ir trabalhar de táxi.
  • Virada no Giraia Café Preto, Puro, Pra Viagem.
  • No desembarque de Congonhas, na manhã de domingo, havia cinco pessoas de plantão das companhias aéreas. Nenhuma delas havia dormido.
  • Ainda bem que eu não fiquei no setor D, porque acho que choraria ao servir os visitantes especiais. Seja de emoção, seja de tristeza. Talvez isso me enfraquecesse. Mais fraca ainda , sou, tentando evitar o sentir.
  • O cansaço e desgaste físico é inteiramente recompensado pelo alimento espiritual, a troca que existe entre os voluntários e entre nós e os visitantes da festa. Um dos momentos mais alegres e esperados do ano: hora de esquecer um pouco dos problemas!]
  • Um ano longe da festa e tudo vira de pernas pro ar! #romeuejulietasesepararam
  • O velhinho tenor não tem mais voz, pobrezinho.
  • A regrinha que eu levo comigo é: sorria, sempre, sempre, sempre.
  • Pra fechar com chave de ouro, as caronas com a Marcinha, o Paulo e a Naná são sempre divertidas e já parte do protocolo da festa. Faltam mais 4 finais de semana…
* * *
Festa de Nossa Senhora Achiropita
Todos os finais de semana do mês de Agosto
A partir das 18h
Entrada franca
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Sobre o que está acima de qualquer discussão [a vida]

Vocês que me lêem há algum tempo já sabem que meu blog anda meio chato, ultimamente, com assuntos mais sérios e polêmicos e o agravante de muitas vezes o meu posicionamento em relação à eles ser um tanto…radical! Conservador. Peço licença para expor determinadas opiniões sobre assuntos que de uma forma ou de outra mexem comigo ou se por acaso minha veia jornalística de gente crítica explode a tal ponto que eu sou obrigada a vir aqui e deixar registrado o que eu penso a respeito de. Afinal de contas, aqui é o meu blog, pombas! Se eu não puder registrar o que eu penso – e do modo como eu penso – aqui, vou registrar em que lugar? Engolir as coisas à seco faz mal pra saúde! :-)

O fato é que existem assuntos que – de verdade – eu evito abordar. Aqueles assuntos cujos rumos nunca serão bons, porque ninguém vai abrir mão daquilo que acredita. Porque na maioria das vezes aquilo em que nós acreditamos não é algo que possa ser mensurado e pensado, mas sentido com intensidade e fé reverberantes. Sendo assim, o assunto “religião” (e futebol) é algo que eu dificilmente vou discutir com alguém. Exceções para posts com meus testemunhos pessoais. Só que!!!! Na minha modesta opinião, há limites para as coisas!!!

Minha professora de Comunicação e Expressão (na época que eu estudava Marketing) arregalava os olhos quando o assunto era religião. Ela dizia que o perigo não é crer. Nem a religião propriamente dita. O perigo são as nossas interpretações sobre as coisas. A Bíblia é um livro maravilhoso que está repleto de figurações sobre as coisas e sim, com muitas respostas, mas é preciso tomar muito cuidado ao interpretá-la e às suas passagens. Uma vez eu li um texto que me deixou em um pânico tão grande, que fiquei quase um ano se pegar na Bíblia, porque eu achava que não tinha maturidade suficiente para fazer interpretações corretas.

Muitos dos dogmas que existem nas religiões vêm de lá, de modo que as religiões cristãs obviamente baseiam seus dogmas na Palavra. E claro que eu acho que cada um tem o direito de interpretar as coisas do jeito que quer, como cada um tem o direito de acreditar em Deus na via que quiser: inúmeras são as características humanas, inúmeras são as religiões. Mas eu faço valer a sábia palavra da minha antiga Professora Ana Lúcia e reafirmo: nós precisamos tomar um imenso cuidado com as nossas interpretações.

Na troca de turno de hoje, no meu trabalho, a moça que trabalha comigo perguntou para uma pessoa do turno seguinte se ele frequentava a religião X e ele respondeu que frequentava a religião Y. Ela disse, então, que conhecia esta igreja, mas que deixou de frequentá-la, porque não concorda com muitas coisas, como a proibição pelo transplante de sangue. Nós perguntamos ao rapaz que se seu filho – que havia sido hospitalizado há alguns dias e felizmente tudo ficou bem – precisasse de uma doação de sangue, o que ele faria. Ele disse que não autorizaria. A minha chefe se levantou de onde ela estava para vir até ele e olhando nos olhos dele, perguntar novamente: se fosse o seu filho, você NÃO faria??? Ele reafirmou.

Eu disse: “Na boa? Pelo filho da gente a gente faz tudo. Eu acho que na hora você ia esquecer do que pensa e autorizar a doação”. E ele, impassível, voltou a se posicionar contra, em qualquer circunstância. Então eu pedi para ele me mostrar, na Bíblia, onde é que está dizendo que a TRANSFUSÃO DE SANGUE é pecado. Ele tirou a Bíblia dele de dentro da bolsa e me mostrou na hora o trecho à seguir:

“Pois decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilícitas. Fareis bem se evitardes essas coisas.”

(Atos dos Apóstolos 15, 28-29). 

O Atos é um livro histórico, que fala sobre as primeiras obras dos apóstolos de Cristo. Esta passagem se refere aos holocaustos feitos com animais e ao sangue destes animais sacrificados!!! Fonte: minha mãe, que estudou Teologia na Arquidiocese e que já leu a Bíblia, de cabo à rabo, 4 vezes. Neste trecho, o Apóstolo diz que o povo não precisava se submeter ao que no trecho ele cita como “fardo”, a circuncisão (porque não eram judeus), mas apenas levar em conta alguns conselhos indispensáveis, que são os citados acima.

Se você, que está lendo este texto agora, acredita nisso, eu sei que não vou mudar a sua opinião e não pretendo! Só não posso ouvir certas coisas e ficar quieta! Não me peçam isso! Então, por favor, não se ofenda! Eu só gostaria de dizer que não concordo de maneira alguma que este trecho se refira à TRANSFUSÃO de sangue, assim como não concordo que isto seja um “pecado”. A transfusão de sangue existe (assim como outras coisas) para SALVAR VIDAS. A transfusão de sangue existe partindo de um princípio muito lindo, e que consta na Bíblia: a DOAÇÃO! Doação é CARIDADE! Doação é AMOR. E agora sim, o amor e todo o gesto que se justifique pelo amor ao próximo, está repleto nas páginas da Bíblia Sagrada. Se existe transfusão é porque alguém decidiu doar o seu próprio sangue para outra pessoa.

Os cristãos crêem que Jesus Cristo deu o seu próprio sangue para nos salvar, como expiação pelas nossas faltas. Se o próprio Cristo deu seu sangue por nós, porque seria um “pecado” eu partilhar o meu próprio sangue para salvar a vida de alguém, já que graças a Deus e a inteligência que Ele deu aos homens, isso é possível? E por que motivo abster de uma vida a ser salva, se a VIDA, sempre a VIDA é o princípio mais sagrado que a Igreja defende?

Até os ateus ou agnósticos hão de concordar, não precisa ser crente para defender a vida humana e a SOLIDARIEDADE. Este é uma característica do homem, a de ser solidário, em todas as horas. Não preciso citar nada, aqui. A minha amiga Kokóta, que não crê no que eu creio, vai certamente concordar comigo. É que o aproach do texto foi baseado nas minhas crenças e, sobretudo, dirigido à um perfil particular de leitor…

Há muitas “montanhas” para serem “movidas” pela nossa fé. Mas acho que muitas vezes nós dirigimos nossas convicções para as vias erradas. A fé não nos deve levar à insensatez e à absurdos como os já cometidos (e que ficaram tragicamente marcados para a história). E por fim, acho que nós devemos tomar um imenso cuidado com aquilo que determinadas pessoas estão tentando enfiar nas nossas cabeças. Deus é muito, muito mais simples (eu acho).

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Eu gosto de…

Foto: we heart it.

…bochechas beeeem rosadas! Maquiagem coral. Olhos marcados. Boca vermelhinha. Cara lavada. Cabelos perfumados. Mãos e pés macios. Pescocinho perfumado. Cores. Luz. Manhã. Céu azul. Avião subindo. Avião descendo. Pessoas sorrindo. Romantismo. Cumplicidade. Mudanças pra melhor. Flores. Coisas que dão certo. Delicadeza. Piano. Flauta. Violão e voz. Laços. Olhares. Cumplicidade. Abraço. Cafuné de pai. Beijinho de mãe. Perdoar e pedir perdão. Reconciliações. Pessoas felizes. Pequenos e grandes milagres. Bonecas. Grama. Cheiro de mato molhado. Cataventos. Borboletas. Bolinhas de sabão. Lampiões. Roupas brancas. Dormir tarde. Acordar com passarinhos. Velas. Relembranças. Velhinhos e crianças. Trabalho voluntário. Tranças. Fotografar, fotografar, fotografar. Registrar momentos no coração. Lápis de cor e giz de cera. Cachorros e gatos. Amigos fofinhos. Amigas-irmãs. Trocar músicas com a Bel. Trocar livros com a Tia Mirta. Comer na casa da Tia Lili. Olhas as fotos da Tia Dica. Jogar conversa fora com a Tia Guida. Lembrar das minhas avós. Sentir saudade. Cantar. Descobrir músicas novas. Encontrar o que eu estava procurando. Encontrar quem eu estava procurando. Maracujá. The Beatles, The Baseballs, The Strokes, The Righteous Brothers, The Mamas and The Papas, The Killers, The Flamingos, The Fugees, The Fratellis, The Woody Allen. La Sofia Coppolla. Outono e Primavera. Surpresas. Lágrimas emocionadas. Olhares apaixonados. Beijos longos. Abraços cheios de significados. Significados pras coisas. Saias rodadas. Vestidos lindos. Rasteirinhas. Rímel transparente. Dançar. Ballet. Teatro. Cinema. Cole Porter. Música antiga. Violinos. Olhar as pessoas sem ser percebida. Misturebas. Intercâmbios. Sofás e edredons. Grey´s Anatomy. Fondue de queijos. Vinho tinto. Pastel. Macarrão com muito molho e queijo. As velhinhas da Achiropita. Cantar músicas italianas. Cinema europeu. Dirigir sem trânsito [e sem semáforos]. Primos e primas. Bordados. Terços e imagens. Orações e cânticos. Ser gentil com as pessoas. Resolver problemas. Ajudar os outros. Muita gente ao redor da mesa. Casa cheia. Família reunida. Velhos amigos. Equações. Fórmula de báskara. Sistemas. Ciências. Literatura. Poemas. Porto Alegre. Cor de rosa. Amarelo. Rir. Rir. Rir. Chorar e ficar mais leve. Homens gentis, educados e cavalheiros. Mulheres fortes. Famílias unidas. Pessoas justas. Pessoas justas. Pessoas justas. Gente verdadeira. Gente espontânea. Gente sincera. Gente generosa. Internet. Cheiro de dama da noite. Barulho de mar. O assobio do meu pai. A olhadinha da minha mãe por debaixo dos óculos. Olhar as vitrines do shopping. Caminhar. Saias leves com botinhas. Franjas. Dar aulinhas de teatro. Dirigir pecinhas. Interpretar. Me arriscar. Me desafiar. Me surpreender. Livros, livros, livros, livros e mais livros. Celular divertido. Ter crédito. Ter dinheiro. Comer. Petit gateau. Torta de limão. Brigadeiro de panela. Doce de leite. Saladinhas com cebolas. Ovo frito. Arroz soltinho. Gente engraçada. Tios protetores. Madrinhas queridas e maravilhosas. Amigas leais e lindas. Compartilhar. Somar. Dividir. Multiplicar. Pão com Manteiga. Café puro. Suco de laranja. Pipoca. Arroz, feijão e salada. Jesus Cristo. Nossa Senhora. Anjos da Guarda. DEUS. Ler. Aprender. Cuidar das coisinhas da casa nova. Preparar os pequenos detalhes com delicadeza e carinho. Deixar as coisas com a minha cara. Pensar na vida enquanto estou tomando banho ou no ônibus. Comentários nos posts do meu blog. Ler os blogs das minhas amigas. Sorrir com textos lindos. Me descobrir sorrindo sem motivos. Ir dormir triste e acordar renovada. Ter a cabeça no lugar. Não me arrepender das minhas atitudes. Ser seletiva. Ser responsável. Ser alegre. Ser humilde. Escrever. Ser feliz.

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O Tabefe que eu gostei de tomar

Esta foto acima foi tirada neste final de semana do dia 20 e 21 de Agosto. Para quem não é paulistano, o detalhe: estava um frio descomunal em São Paulo. Daqueles que talvez há alguns anos nós não enfrentávamos. Daqueles que mal se tem coragem de sair de casa. Eu tenho a dizer que perdi a minha carona no domingo porque no horário em que eles iam passar na minha casa pra me pegar, eu ainda não estava pronta e além disso havia chegado do trabalho há pouco tempo: antes de ir pra Achiropita eu precisava descansar um pouco, ou não aguentaria o ritmo. Dormi 30 minutos e quando saí, fiquei esperando o ônibus passar por mais de uma hora, no ponto. Ainda assim eu tive que andar de um ponto para outro, onde haviam mais opções de ônibus, porque no Domingo o transporte público aqui em São Paulo simplesmente deixa o povo na mão. O ônibus demorou tanto, que eu achei que fosse congelar. Quando ele chegou, queria entrar o mais rápido possível, para me aquecer. Quando entrei no ônibus, comecei a chorar, de tanto frio que eu estava sentindo. E eu estava usando uma cacharel vermelha, um sobretudo jeans, meias, botas, calça, tudo. Fui para a Achiropita, no Bixiga, e fiz o meu trabalho.

Estes jovens da foto são a equipe da minha irmã, que foi líder de obras para o Teto e passou este final de semana com esta equipe em uma favela de Carapicuíba para construir uma casa para a Maria Cristina, mãe de duas filhas. E construir a casa debaixo do mesmo frio e chuva descritos por mim acima. Se eu, que estava agasalhada, sofri tanto com o frio, vocês podem imaginar o que esta rapaziada passou, usando as roupas que vocês podem ver na foto? Trabalhando debaixo de chuva e no meio da lama?

Dos onze voluntários da equipe, apenas 6 foram. Minha irmã Bel (a segunda garota da direita pra esquerda) era uma das líderes. Uma das meninas do grupo não tinha levado capa de chuva, e a Bel deu a capa dela para a menina. Ficaram até altas horas fazendo a casa, no sábado. No domingo de manhã houve um incidente que fez o trabalho do sábado todo quase ser em vão: um cano estourou e então o tempo que eles passariam para terminar a casa, tiveram que gastar contendo a água e evitando maiores estragos. Conclusão: já era segunda feira, meia  noite e meia, e não conseguiram terminar a casa (faltava o telhado). Minha irmã e o garoto que também era líder chamaram a equipe e perguntaram quem deles queria ir embora, quem queria ficar, quem queria entregar a casa. A equipe toda quis ficar para entregar a casa. Isso era meia noite de domingo!

Minha irmã olhou em volta: o tempo não ajudando. Os voluntários exaustos, todos chegaram ao limite. Foi então que avaliou: o que seria construído é um TETO, um telhado, debaixo do qual uma família moraria. Para não correr o risco de cometer algum erro por conta do cansaço e já que o tempo não estava ajudando, e comprometer a qualidade da casa da Maria Cristina, além da própria vida da família,  minha irmã decidiu que a equipe encerraria o trabalho e hoje, segunda-feira, outra equipe seguiria para terminar o telhado e entregar a casa.

Quando a Bel me contou esta história, me mostrou o desenho que as filhas da futura dona da casa fizeram pra ela, quando vi a foto onde jovens vestem camisetas, com braços e pernas de fora, sabendo do frio que estava, eu me senti muito muito pequena. Lembrei do meu choro, no ônibus, por causa do frio, lembrei do meu mal humor, das minhas reclamações – “isso só acontece comigo” e por aí vai. Eu gosto de tomar estes tabefes, de vez em quando, para poder me tornar uma pessoa melhor, para aprender com exemplos próximos e lindos.

Me lembrei de uma infeliz que estava à 100 metros da minha bandeja, sem fazer nada, no domingo à noite, e ao meu pedido para ela me trazer o prato de penne que estava debaixo do seu nariz, prontíssimo, ela respondeu: “o meu trabalho é só colocar o macarrão no prato”.

A gente sempre acha que faz muito, né? Fazer muito é colocar sua saúde e sua vida em risco pensando no bem estar de outra pessoa. Fazer muito é tomar decisões com sabedoria e ponderação, pensando não apenas no resultado que deve ser entregue, como também na equipe. Isso é fazer MUITO e isso é ser um líder de verdade.

Queria deixar esta história registrada pra eu não me esquecer dela. Pra não me esquecer do modelo de pessoa que eu quero me tornar. Pra não me esquecer dos exemplos que existem. E principalmente, pra não me esquecer do orgulho imenso que eu senti da minha irmã – a quem há apenas alguns dias atrás eu julguei de maneira tão errada. Se eu nunca disse, Bel, estou dizendo agora: você é muito, muito mais linda do que se pode ver. E eu te amo muito! :-)

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A verdadeira história daquele dia

Foto: We heart it

Ouvindo: Nessa Cidade (Vanguart) 

O cheiro das amêndoas exalava no ar como se tivesse chovido óleo de amêndoas. E deste lado da cidade, já era manhã crescida quando ela sentiu este odor fresco e familiar e quando viu que o sol projetava a sua sombra no chão da calçada, e que ela estava usando a mesma saia que usou naquele dia em que também sentiu o mesmo cheiro de amêndoas frescas. Ela sabia que a saia era a mesma, primeiro porque naquele dia ela havia escolhido a cor da saia a dedo e depois porque a sombra desenhada no pavimento era exatamente a mesma, como se fosse uma fotocópia. Como se ela tivesse ficado ali desenhada para sempre (e ela achava mesmo que era esta segunda opção a mais verdadeira). O mesmo perfume pelo ar. A mesma pele, praticamente. Tanto se passou o tempo e ainda, tudo sempre o mesmo. Tudo fresco como se tivesse sido num dia anterior.

Era também um dia de sol, uma primavera qualquer, um dia tranqüilo, e ela tinha despertado com uma sensação estranha de lição de casa por fazer. Uma agonia que não ia embora e que era sem nome. Abriu o armário e bateu os olhos na saia verde oliva. Fechou cerimoniosamente os botões da camisa de cambraia e tingiu as maçãs do rosto com rouge. Desceu as escadas do pequeno sobradinho de paredes claras.  Ainda era particularmente cedo, havia um silêncio característico do horário e os passarinhos bebericavam de gotas do orvalho que dançavam nas pétalas das flores espalhadas ao redor da casa. Abriu as janelas para arejar os ambientes. A cortina leve de voal se sacudiu, dançando no ar. Ao longe escutou o apito do trem, vindo da estação, que estava prestes a sair e sabia que dali à uma hora e meia ouviria outro apito, este muito mais difícil de escutar do que o primeiro, sabe-se lá por que motivo ela sempre pensava que ao longo do dia a angústia de ouvir o barulho do trem que partiria era crescente e dolorida, dolorida, dolorida. Ela pensou, então, em colher algumas flores, que fosse porque era primavera, que fosse porque o dia estava bonito, que fosse para distrair-se.

Do outro lado da cidade havia um cavalheiro que caminhava com pressa para tentar pegar o trem das oito horas, carregando apenas uma pequena mala com duas fivelas que o avô havia consertado,  uma pequena mala onde todo o mundo cabia dentro. No entanto havia apenas duas trocas de roupa simples, um saco branco de papel, vazio e engordurado, que cheirava à amêndoas e um retrato rosado de um rosto feminino de beleza estonteante. Seus quereres se contradiziam, lhe dividiam pela metade, onde uma queria fugir e outra queria ficar. Uma queria esquecer, outra queria lembrar e reviver. Saira cedo. Havia deixado sobre a cama do hotel apenas um envelope cor de rosa-chá e uma rosa delicada sobre ele: é que ele queria assegurar-se de não ser tão descortês em ir embora sem se despedir da garota que conhecera no parque de diversões. Uma noite estrelada como nunca, tanto que lhe fez pensar se algum dia havia de fato reparado no céu, num céu de estrelas. Aproximaram-se do homem que vendia amêndoas  com açúcar: delicada e branca como o rosto dela. A vida da gente as vezes nos obriga a fazer algo que a gente não quer, ele pensava agora enquanto caminhava, do outro lado da cidade, para a estação do trem. E ficava tentando se lembrar quem mesmo lhe teria falado de amor de um jeito tão simplista – daquele jeito que de tão simplista parecia cruel, mas que ele, que não sabia o que era amar de verdade, não tinha idéia do quanto. E portanto os dias passaram e o amor tinha um cheiro cruel de amêndoas que com o passar dos dias tinham um perfume cada vez mais forte. Quem é mesmo que lhe teria feito acreditar que o amor era coisa que valia a pena, que era coisa que se podia esperar que desse certo? No entanto, apesar de ser primavera, um dia lindo e supostamente leve, cada dia do calendário demorava a passar e ele cortava, ali na folhinha que existia atrás da porta, a data que corria, com uma caneta vermelha, desde que sentira desfazerem-se em seus dedos pela última vez, os cachos louros e anelados de uma mulher tão instável quanto aquela lua luxuriosa que brilhava no céu, sobre o parque de diversões. A rosa que deixara sobre a cama do hotel lembrava o tom de camisas que ela gostava de usar, e combinava com a maquiagem leve que sempre encontrava sobre o seu rosto quando a via no café. Era também a mesma rosa ali daquele canteiro – e parou, subitamente, para olhar a rosa que havia em um canteiro há alguns minutos da estação de trem quando já eram cinco pras oito. O trem partiu e ele deixou cair no chão da calçada a mala quadrada de fivelas que o avô havia consertado. A fotografia rosada do rosto dela pulou para fora quando a mala se abriu, como se não quisesse estar dentro dela. O sol brilhou na textura da foto e ele, sem tirar os olhos das flores, não percebeu que a tinha perdido.

O espinho da rosa fez brotar gotas de sangue do seu dedo delicado. O tom vermelho escuro brilhou sobre a pele branca e formou uma pequena poça que escorreu pelas unhas claras. Lembrou-se da estação. O trem, que havia partido há alguns minutos, parecia não ter saído, parecia continuar apitando e apitando e apitando, como se o soar do sino só pudesse ser interrompido por ela. Ela conhecia seus medos. Medo de trovões. Medo de insetos e de altura e de doenças e de fantasmas. Havia, porém, outro medo que ficava escondido e que era tão horrível que mal dava pra se falar nele, que era o medo de sentir qualquer coisa que fosse  grande demais, dentro daquele coração, tão grande que a fizesse se perder – ou chorar, ou doer. Que lhe roubasse a liberdade e a vivacidade. Que tolhesse seus sonhos, suas vontades, sua coragem. Que fizesse com que a partir de então seu coração tivesse um proprietário – isso era coisa que não queria. E deste medo tanta coisa boa tinha já havia se esvaído, até que os dias seus se transformaram nestes dias que simplesmente se passavam e ela fingia que nada acontecia, enquanto havia um coração partido há poucas esquinas, destes corações partidos que existem nos romances ou nas fitas de cinema. Anestesiava seu coração (sem sucesso) diante do sorriso doce daquele homem simples que conhecera em uma noite despretensiosa com as amigas. Ou diante do toque macio de suas mãos em sua pele, ou da singeleza de suas atitudes. E finalmente, diante de seu nome, já inteiramente familiar dentro  do seu coração hesitante. Não deu tempo pra pensar muito. Movida por algo muito maior do que qualquer tentativa de entendimento (talvez pelo cheiro do perfume de amêndoas que usava naquele dia), ela correu em direção ao seu hotel, em passos curtos, chupando o sangue que saía do dedo. A picada ardia tenuemente, ardia  o dedo e ardia o coração. Os pés cantavam no asfalto, o salto batia contra a calçada espalhando ecos pela manhã vazia. Estava ofegante. Correndo, viu que o sol projetava um desenho bonito da saia rodada que usava naquele dia (e ela não podia negar que pensou nele quando escolheu a cor da saia, porque quando viu o verde oliva se lembrou que ele gostava desta cor). Quando chegou ao hotel, em frente à praça central da cidadezinha, quase não podia respirar, mas assim mesmo conseguiu dizer o nome dele para o recepcionista.

Ele, já recuperado da nostalgia causada pela rosa, precisou repetir o nome ao comissário, quando já estava na estação, pois ele não havia compreendido. E ao dizer o seu nome sentiu como se não se conhecesse. Afinal de contas quem é este homem fugidio, este homem apático e debilmente nostálgico? Qual é mesmo o nome dele? Quase não conseguiu dizer e foi por este motivo que o Comissário não entendeu e pediu que repetisse. Sentou-se no banco de madeira, à plataforma da estação e fechou os olhos para descansar a retina da claridade intensa que havia naquela hora do dia. Ao fechar os olhos, repentinamente, sentiu no ar o cheiro familiar de amêndoas, como as que havia comprado quando a conheceu no parque de diversões. Um pacote de amêndoas quentes e doces, que espalhavam açúcar pelas pontas dos dedos e que havia deixado fagulhas doces – e breves – no coração da garota, cujo afeto durou (podia-se dizer) o mesmo tanto que durou o saquinho de amêndoas. E ali, na estação de trem, ali mesmo, enxugou as lágrimas (nada breves) que lhe escorriam pelo rosto. Ele não queria ir embora. Mas o trem das oito horas se aproximava e o ticket já havia sido comprado com o dinheiro que havia economizado o mês inteiro para comprar certo vestido cor verde oliva para lhe dar de presente, porque vestidos não acabam tão cedo como amêndoas. Ele caminhou devagar até as escadas do trem e o jovem comissário, reconhecendo-o, sorriu. O rapaz usava gomalina nos cabelos, que agora pareciam mais escuros do que havia percebido anteriormente. Tinha a pele fresca e luzidia. Tinha os dentes brancos. Era feliz, ou parecia ser.

Assim que ela entrou no quarto 205, percebeu que havia uma carta cor de rosa-chá sobre a colcha branca e intacta, como se ali não tivesse dormido ninguém. E sobre a carta, havia uma rosa, delicada, que era da mesma cor do batom que ela costumava usar nos lábios. Apertou a carta contra o peito, que estremecia, depois de ter desfolhado as pétalas da rosa – como se a rosa fosse outra mulher, tão bela como era. Desceu as escadas e dirigiu-se, apressadamente, até a estação de trem. O trem apitou a primeira vez quando ela estava correndo em frente ao parque de diversões. Apitou a segunda vez quando ela estava passando em frente à vitrina da boutique onde havia visto o vestido cor de oliva, lindo, lindo. E apitou a terceira vez quando, perto da estação, viu reluzir uma fotografia e, ao se aproximar, seus olhos encontraram a si mesma, num retrato róseo, jogado ao chão. Abaixou-se, para recolhe-lo. A mancha de sangue ainda fresco, do seu dedo, tingiu uma parte do retrato, que de róseo, tornou-se rubro. Neste mesmo instante, foi que partiu o trem. Não havia mais qualquer resquício do cheiro de amêndoas, e nem do sol e nem da Primavera.

O trem partira e cortava os caminhos da cidade. O jovem comissário se aproximou, oferecendo ao homem cujo rosto parecia entristecido, seu sorriso sincero e gentil. Era seu primeiro emprego e ele desejava atender bem.

_ O senhor deseja alguma coisa? Posso lhe ajudar?

O cavalheiro virou o rosto para fora e viu as planícies verdejantes desfilarem pelas vidraças da janela. Olhou de volta, engolindo os soluços, e sorriu:

_ Não, obrigado. Está tudo muito bem. A vida é assim, não é mesmo? Um dia é preciso deixar as coisas pra trás.

Enquanto isso, ainda ajoelhada sobre o chão do pavimento, ela viu que o serviço de limpeza da estação de trem estava recolhendo o lixo. Assim, depositou nele o retrato amassado que havia em mãos. A servente arregalou os olhos:

_ A senhora quer que eu desamasse o retrato? Ele fica novo em folha!

_ Não, está tudo bem. A vida é assim. Chega um dia em que é preciso, simplesmente, deixar as coisas pra trás.

Os anos se passaram, de fato. No entanto, ela ainda carrega na ponta dos dedos – agora envelhecidos – o perfume do maior dos seus receios, aquele que jamais  desejou ter sentido.

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O dia mais feliz do ano

“O escritor pode ser corrompido, mas não corrompe o leitor; 

Pode ser louco, mas vai ajudar o leitor a se desfazer da loucura; 

Pode ser triste, mas vai acompanhar o leitor em sua solidão”

Lygia Fagundes Telles

É preciso agradecer à Juliana Leite, pois, se este post existe, ela é a responsável – por ter me avisado sobre o evento. Os mais íntimos sabem que a minha escritora favorita é a Lygia Fagundes Telles, que dispensa apresentações (e se você não a conhece, está cometendo uma heresia enorme). Se mais íntimos, saberão qual a obra – sim, obra, ela não gosta de se referir ao seu trabalho desta forma, mas nós podemos – dela que me foi o divisor de águas. Coloquei o livro (As Meninas) dentro da minha sacolinha de feira, junto com minha câmera digital e fui encontrar o Thonni e a Juliana para assistirmos ao bate papo entre ela e alguns jovens escritores (como Fabricio Carpinejar e Marcelino Freire).

Após entrarmos no pequeno auditório, ela já estava no palco sentada e conversando com uma das pessoas. Aquele era o dia mais feliz da minha vida. Poder estar perto de alguém que fez seus olhos brilharem, de alguém que te inspira e te PROVOCA (e eu gosto tanto de uma coisa quanto de outra) e por que não dizer: poder estar perto do seu ídolo, vê-lo de perto, ver que roupas ele está usando, como se movimenta, como é o sorriso, como ajeita o cabelo… ali, há menos de 100 metros de distância da terceira fileira, onde eu estava sentada, lá estava ela!!! Tão simples, tão brejeira, tão tão bem humorada!

Quando perguntaram se estava tudo bem, para iniciar o bate-papo, ela abriu um sorriso gigante e respondeu: “está tudo ótimo!!!!”. E a conversa seguiu o mesmo estado de espírito de seu início. Muitos creditam à sua idade o fato de várias vezes ela fugir do assunto e das perguntas feitas contando as mais diversas histórias: eu já acho que ela soube muito bem nos conduzir por onde ela achava que havia importância, afinal de contas, a mulher não dá ponto sem nó, não é mesmo? Mas o fato é que ela gosta de contar histórias! Contou-nos sobre sua relação com os escritores contemporâneos, estes que você tem nas prateleiras: Hilda Hilst (a “biruta”) – que gravava “vozes” em um rádio, achava que escutava vozes; Clarice Lispector (as conversas das duas eram divertidíssimas!); Jorge Luis Borges, etc. Contou-nos como é que nasce um conto (nasce de situações reais, nasce da observação, nasce da vida da gente); contou-nos sobre Paulo Emílio, sobre o que acredita ser o trabalho de um escritor, sobre tudo. Disse que “leitores são cúmplices”. Muitos dos seus lhe abordam nas ruas para tomar satisfações (e ela gosta!). Nós ríamos, o tempo todo. E o tempo todo ela se dirigia à platéia à espera de perguntas, mas (que FEIO!) não houve abertura por parte dos escritores que estavam ao seu lado.

Divas são divas porque são únicas. Lygia Fagundes Telles ri de si mesma. Nos adverte que os escritores são loucos, mas que ela está em perfeito juízo. Diz que seus leitores são seus cúmplices. Cita seus amigos, o tempo inteiro. Sorri o tempo inteiro, ri, faz piada, pede desculpas quando confessa gostar de cigarros. Está falando sobre um assunto e emenda em outro e depois em outro e já não sabe mais do que estava falando. E ri de quem chama seu próprio trabalho de “obra”. Empina o nariz, propositalmente, com empáfia, zombeteira. Lygia Fagundes Telles, escritora das duas mãos cheias, ainda em plena forma, enche uma sala. E termina a conversa de modo elegante e respeitoso, citando um pequeno poema que havia dito ao seu amigo Borges, que defendia a importância de se sonhar:

“É pelo sonho que vamos, comovidos e mudos, chegamos ou não chegamos, haja ou não frutos, é pelo sonho que vamos.”

Sebastião da Gama, poeta português. 

****

P.S.: Durante a conversa pensei em várias estratégias para conseguir um autógrafo. Nunca me prestei a este papel na vida, mas aqui, com licença: o que eu queria é uma dedicatória da minha querida Lygia, na primeira página do SEU livro. Me senti mais do que no direito (já que eu sou sua cúmplice, rs). Pensei em me ajoelhar para a curadora interceder por mim. Pensei, inclusive, em me plantar no chão e criar raízes e não sair dali sem uma assinatura. Mas apesar da minha obstinação, ela (uma senhorinha!) estava bem cansada e se retirou. Não tive chances. Resignei-me, em respeito. Tentamos pedir ajuda ao curador, pra que ele fosse até lá dentro pegar a dedicatória ele mesmo, mas este não se mostrou disponível. Basta, no entanto, que você me negue um pedido, para que eu o persiga com o triplo de afinco. Me aguardem.

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Histórias de Lygia

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João Ubaldo Ribeiro

Lygia encontrou João Ubaldo Ribeiro na Alemanha e ficou impressionada com a fluência de seu alemão. Ganhou dele um creme, mas a “bula” estava em alemão, de modo que só poderia pensar em usar o tal creme quando voltasse para São Paulo. Ao chegar em SP, na “Acadimia” Brasileira de Letras, chamou um cara que falava alemão: “ei, vem cá, você”. O creme era pra fazer crescer a barba!!!

Clarice Lispector

Lygia considerava-a uma pessoa extraordinária. Disse que viajaram juntas para a Colômbia, para o Congresso de Escritores. Durante o vôo, Clarice disse:

_ Lygia, você tem um defeito.

_ Qual é o meu defeito, Clarice?

_ Você dá muita risada. Não podemos rir muito. Se a gente ri muito, as pessoas não nos levam a sério! Não ria tanto, veja como eu não rio nunca!

E na mesma viagem, o avião balançava: “uah, uah, uah” (ela usa muitas onomatopéias!!!). Ela aproveitou para nos dizer que existem duas cadeiras que são super higiênicas, confortáveis e detestáveis: cadeira de avião e de dentista – e repete: “duas cadeiras”. Ela faz muitas repetições. Bem, Clarice notou que ela estava desconfortável com a turbulência – “nhact, nhact, nhact” – e disse-lhe: “Lygia, não tenha medo! A minha cartomante me disse que eu vou morrer na cama!”.

Helga

Helga é um conto que existe em um dos livros dela, “Antes do Baile Verde”. A história foi real. Quando ela era casada com Paulo Emílio, seu segundo marido, estavam na Alemanha e ele lhe contou que havia lido uma manchete em um jornal, contando a história de uma mulher alemã, de Dusseldorf: casou-se, na época da Segunda Guerra, com um homem que era metade brasileiro, metade alemão (e repete: “metade brasileiro, metade alemão”). Ela tinha uma perna mecânica, o que naquela época, assim como a penicilina, era algo muito caro e muito raro, portanto. Mas ela tinha e o cara casou-se com ela. Uma noite após a noite de núpcias, o cara fugiu e levou embora a tal perna mecânica, para vendê-la. Lygia ficou desacreditada quando escutou a história, ficou “intrigadíssima”. Quis saber mais detalhes, mas Paulo Emilio disse que era aquela a história, sem mais detalhes. “Sente e escreva um conto”. Foi o que ela fez. E acrescentou seu toque, fazendo com que o cara jamais se recuparesse do remorso que herdou.

Machado de Assis

Considera o escritor o maior de todos os tempos. Houve um convite para reescrever “A Missa do Galo”. Colocou um pouco de tempero no conto, um toque de sua malícia.

O leitor

Para Lygia, um leitor é um cúmplice. E conta a história de uma senhora que a parou na rua, perguntando porque ela havia “matado” Ana Clara, em “As meninas”.

_ Lygia, é a melhor personagem do livro!!!

Ela disse que considera seus leitores, seus cúmplices. E que eles têm todo o direito de lhe “tomar satisfações”, como fez aquela senhora. Explicou que no caso da Ana Clara, ela quis dizer que a droga não deixa outro caminho. A “Ana Turva”, como Ana Clara era chamada pelas amigas, envolveu-se com drogas, em um tempo em que as drogas já corriam soltas pelo Brasil. E Lygia frisa: “um escritor é isso: ele precisa ser testemunha do seu tempo. No meio do meu romance, “As Meninas”, eu coloquei uma carta que vi em um panfleto que achei no chão, na época, que denunciava os maus tratos que os presos políticos sofriam. Maus tratos absurdos! Então a Lião lê um trecho desta carta”.

Virgens

Lygia disse que ela e todas as amigas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco eram virgens, “tudo direitinho”. Alguém lhes perguntou um dia: “vocês vieram fazer o quê, aqui? Casar?”. Ela respondeu: “É”. E casou-se. Com o professor.

Sua “Obra” 

Um dia, Lygia levou alguns trabalhos que fez quando era jovem para um amigo que traduzia Shakespeare, ler. Ele leu e lhe disse: “Lygia, desista”. Ela disse que desconfia de toda a precocidade. Desconfiou de suas “juvenilidades”. Rasgou os textos. Considera o início de seu trabalho em “Ciranda de Pedra”. Foi nesta hora que ela disse que não gosta de dizer “sua obra” (faz pose de gente arrogante e depois dá uma risada escancarada): diz, então, “seu trabalho”.

Hilda Hilst

Um dia, Hilda Hilst disse à Lygia: “Lyginha, precisamos mudar de profissão. Esta aqui não nos dá dinheiro”. E depois, concluiu: “fomos conduzidos a esta profissão e agora é tarde, né?”. Ela contou que Hilda Hilst era maluca e na faculdade de Direito, fundou o “Grupo dos Birutas”, do qual ela era a presidente. E que dizia escutar “vozes”. E não contente, ela também gravava estas vozes em um rádio: “cabeça de Hilda Hilst, heim?”. Um dia, diz que Hilda lhe convidou pra escutar as vozes que ela havia gravado:

_ Eu não quero escutar voz nenhuma!!!!!

As Meninas

Lygia conta que terminou de escrever o livro em Barra de São João, no sítio de um irmão. Ao terminar de escrever a história, chorou. E então ela disse algo que é muito verdadeiro e que acontece muito comigo e com meus personagens (no meu caso, inacabados e portanto, por motivos diferentes): as personagens voltam! “Ana Clara sentou-se no meu colo, naquele dia, naquele sítio. Ela veio, sentou-se no meu colo e me disse: ‘Lyginha, eu vou voltar. E vou voltar mascarada!’”…

Jorge Luis Borges

Apesar de ela ter defendido um dos prêmios literários para os poetas brasileiros, como Drummond e Bandeira, houve um ano que acabaram premiando Borges. Ele veio ao Brasil (de bengala, cego) e Lygia quis aproveitar a oportunidade para tirar “o máximo que podia tirar, dele”. Foi quando soube que ele gostava muito de gatos e foi quando ele, ao se despedir, disse: “Lygia, é preciso sonhar”. Lygia complementou com o poema que eu termino o post abaixo.

Lygia levou uns dois ou três livros, que gostaria de oferecer à nós (mas não teve abertura pra isso). Lygia sorria e nos olhava de frente, pedindo  perguntas (mas não tivemos abertura pra isso). Lygia despistava as respostas que não queria dar e nos deliciava com suas histórias. Ao terminar, explicou-se: “vocês vão pensar: nossa, esta mulher fica fazendo propaganda dos livros dela, mas vocês entendem que eu tenho que. Né.”. E depois: “eu entreguei um livro pra cada um destes rapazes aqui sobre o palco (entre eles, Fabrício Carpinejar, que quis saber como é seu processo de criação) – é pra ler, heim???”.

Uma aula. Pra vida. Deu vontade de chorar. Ficou um bolo na garganta. Me fez entender minha vocação. Me fez acender  ainda mais a chama, a sede de escrever, de contar histórias. E mexeu comigo: Muito. Lygia saiu da sala sendo conduzida pelos “rapazes” curadores do evento, com sua bengala, seu sorriso simples, e interagia com a gente, que quis chegar mais perto para tirar fotos e, no meu caso, tentar uma dedicatória no meu livro. Eu sou o esquilo atrás da noz. Não vou desistir!!!

(ele consegue?)

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(may you be inspired)

Dia 31 de Agosto foi o Blog Day e passou batido por este sítio… nada mais coerente, já que eu estou devendo visitas aos blogs que gosto de ler. São muitas coisas pra administrar, não sobra tempo e nem paciência para leituras na tela (e este é o grande problema, no meu caso). Mas eu, blogueira assídua que sou e atual noiva, não quero deixar de fazer minhas indicações! Aproveitando este tempo de bem casados, vamos brincar de indicar blogs para atuais ou futuras noivas? Posso dizer que muitas das minhas inspirações eu tirei destes sites que seguem:

Toda de Branco – foi indicado pela minha irmã, que conhece uma das editoras do blog dos tempos da igreja. Sem falar no bom gosto e no capricho dos posts, o que eu gosto neste blog é que ela também escreve bastante e não fica só postando fotos – apesar de que a gente adora fotos! Mas é muito bom poder ler as informações, dicas e afins de quem entende! A garota entende moooito… e além do mais, o texto dela é super divertido de ler. Recomeindo!

Post de destaque: que menina não sonha com este dia? O casamento da Barbie e do Ken.

Vestida de Noiva – Este blog é ótimo para procurar fornecedores, porque ele os separa por cidades! E tem das principais capitais brasileiras. Alguns do Brasil. Ele é o mais completo, tem fotos lindíssimas e inspiradoras e algum texto.

Post de destaque: Já pensou você de repente ir parar num lugar destes? Me lembra as filmagens de Beleza Roubada (darling movie). Uma casa na Toscana (lugar dos meus sonhos).

Salve Santo Antônio – O layout do site não acho tão lindo quanto dos outros, mas em compensação é o melhor organizado para quem procura por tópicos específicos! Tem ótimas dicas e boas fotos! E gosto bastante da sinceridade da editora. Às vezes ela dá toques bastante pessoais, como: “quem REALMENTE convidar” para a sua festa de casamento… ;-)

Post de destaque: Como endereçar o seu convite? Já parou pra pensar que até com isso você precisa se preocupar?

A casa que a minha avó queria – eu estava comprando uma revista de decoração bem baratinha chamada “Minha Casa”, porque tem toques ótimos, lindos, originais e baratos de decoração! Até que achei este blog e ele está quebrando um galho enorme, porque cumpre a função da revista e eu posso acessar sempre que quiser, de graça! A editora é uma pernambucana arretada e muito criativa! Vejam o último post: azulejos da vovó estão em alta! Super minha cara!

Post de destaque:  Faça uma estante com pouco dinheiro! E as fotos estão aí pra comprar que fica bonito!!! 

Wedding Paper Divas  - é um site americano, mas eu gostei mooooito da página que mostra cartões de “Save the Date”: são  lindos! Dá pra se inspirar pra montar os nossos!!! Como eu AMO fotografias lindas, não posso deixar de citar este site!!! E veja que você pode clicar do lado esquerdo o estilo ou cores que você procura!!!

Post de Destaque: dá uma olhadinha neste cartão aqui. Amei os xadrezinhos e as displicências.

Inspired by This – apesar de estar em inglês, o nome deste blog americano é o que melhor traduz o que eles fazem comigo! Uma dica: foi através deles que eu encontrei a minha lembrança de casamento ideal, diferente e claro: a minha cara, porque tem que ser assim: festa tem que ter a carinha dos noivos. Se eu e o Thonni somos delicados e meigos, a festa precisa ter signos que remetam nossos convidados à estas sensações. Vejam este blog, que é lindíssimo!!! Adoro o jeito como a Leila assina os posts e pelo licença de parafraseá-la: “may you be inspired“.

Post de destaque: Wedding Inspirations (várias cores)

“Bônus Track”:

Christina às Vezes – Pra não dizer que não falei de flores e porque nem todo mundo tá casando, separei uma indicação extra de um blog que eu gosto de visitar. Foi difícil escolher entre tantos, mas não posso fingir que o blog da minha amiga-para-todas-as-horas-Juliana (que tem nome de princesa) não me causa impacto! Sem falar na companhia formidável que ela é, sempre com tanta coisa pra contar, pra dividir e sempre dividindo com a gente o resultado da curiosidade de seus olhares e buscas, a Júbis (como eu a chamo) é uma escritora gigante! Ela pode escrever três linhas (e ela adora) ou vinte ou sessenta. O texto vai te pregar na tela e te deixar sem fala (e sem fôlego) de qualquer maneira. Não há outro meio melhor de falar dela e dos seus textos extraordinários do que fazendo do jeito mais simples: passando o endereço da “casa”! Quem vai resistir à ela? Me contem.

Post de destaque: Às vezes…

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A lista de convidados…………!!!

Tá todo mundo me pedindo pra escrever sobre as coisas do casório aqui no blog, mas eu estive bem resistente porque quero manter tudo surpresa, senão perde a graça, né? Só que tem uma coisa que tem me dado bastante dor de cabeça e às outras noivas todas da face daterra. Esta coisa se chama “lista de convidados”. A lista de convidados é capaz de fazer o casal se separar, se não tiver equilíbrio. E comigo e com o Sr Meu Noivo isto podia bem ter acontecido, se não fosse ele ser um cara bem pacato (em face ao meus impulsos).

Acontece que no início o pai dele era super-hiper-mega contra uma festa de casamento com mais de 50 convidados. Pra ele não se gasta dinheiro com estas coisas. Só que eu sou 1. muito conservadora e devota à minha religião; 2. muito amada pela minha família imensa e 3. menina!!!

Toda a menina tem o mesmo sonho que eu, de casar de branco, véu e grinalda, um lindo buquê e um lindo noivo. E de ter uma festa só pra ela e para o noivo, o dia só deles, o dia mais lindo da sua vida, o mais inesquecível, etc. Eu principalmente, levando em conta que não tive formatura e nem festa de 15 anos (tive um “bolinho”, hahahaha!!!!). E me desculpe, meu sogro, mas para o meu casamento EU NÃO QUERO UM BOLINHO.

Feita a dívida e graças a Deus encontrei um noivo doce e manso e que converge comigo na maioria das opiniões, agora a lista de casamentos é a vilã. Já disse ali em cima que a minha família é imensa. Façam as contas: minha avó teve 10 filhos. 8 mulheres e 2 homens. Estes 10 filhos tem seus descendentes: e os filhos já tem filhos, o que significa que tenho primos de primeiro e segundo grau. Na festa de 80 anos da minha avó Isabel, tivemos que tirar fotos aos poucos.
Primeiro os filhos, depois os genros, depois os netos, depois os bisnetos e ainda os namorados e namoradas dos netos e bisnetos. É claro que não dá pra chamar toda esta renca pra minha festa, ou os 200 convidados da minha lista seriam os meus parentes. Limitei-me a chamar apenas os tios e tias, seus esposos e esposas, primos próximos que foram meus amigos de infancia e os primos solteiros (que são uns 3 ou 4). E eu espero sinceramente que o resto do povo entenda que não dá pra chamar a família inteira: não tenho como convidar os 5 ou 6 filhos de uma tia, nem os 5, 6 filhos da outra: eu iria à falência!!! Limito-me a convidar a minha Tia num caso e a Tia com a filha solteira no outro. Esta pequena lista de família, minha gente, são 30 pessoas. 30 pessoas de uma lista de 200, são 15% da lista! Fora a família, tem os amigos da família: padrinhos de casamento dos meus pais, compadres, comadres (as pessoas com quem eles cresceram juntos) e seus filhos, que são meus amigos de pequena. Os amigos de colégio, que conheço desde menina; os amigos mais chegados da igreja; os amigos do trabalho, os amigos íntimos, todas as tribos. Eu, ainda, que sou uma pessoa discreta! Nunca fui popular. Casar é caro, porque nós queremos que as pessoas mais especiais estejam presentes e quando a gente pára pra listar estas pessoas, a lista começa a crescer e crescer e crescer como se eu tivesse colocado fermento. Mas o problema, mesmo, nem é esse. O problema é o critério e as inevitáveis futuras decepções.

Quando eu comecei a fazer a lista de casamento, simplesmente coloquei ali todo mundo que eu estou acostumada a conviver. Mas desta lista, existia um punhado imenso de pessoas que sequer me ligam no meu aniversário. Gente que não olha na minha cara direito nos corredores da igreja ou que faz aquela cara que eu estou vendo nitidamente que a pessoa está fazendo um esforço imenso pra me dizer um oi e sorrir. Gente que casou e não me convidou, gente que casou e me convidou mas que hoje eu não tenho contato – e isso é um problema sério: preciso convidar pra retribuir o convite, pessoas com quem já não tenho intimidade alguma? Não posso me obrigar à isso. Então eu refiz a lista, colocando aqueles que realmente são importantes pra mim. Os realmente íntimos, os que me conhecem, os que me acompanham, os que sabem o que estou fazendo da minha vida, os sempre presentes. O nível máximo de amizade e de envolvimento. Outro problema são os grupos. Porque dos grupos, posso ter muito envolvimento com duas pessoas e com o resto não ter envolvimento suficiente a ponto de convidar para o meu casamento. Até porque tem muita gente que eu chamo pra ir aos meus aniversários e nuuuuuuuunca vão. E não mandam mensagem depois se mostrando preocupados em dar aquela justificativa amigável e elegante, explicando porque motivo  não pode estar presente. Então vou convidar para minha festa? Desculpe, não sou tão simpática.

E de problema em problema, a gente chega no trabalho!!! A galera do trabalho é um caso à parte, porque eu trabalho no aeroporto e existem turnos de trabalho. Mas só sou íntima mesmo do pessoal da manhã, que são os que trabalham diretamente comigo. Os outros são colegas. E colegas que quando eu mudei de horário (da tarde pra manhã), bateram palmas e comemoraram (devo ser muito chata!!!): a Mel Caxias mudou de horário, ebaaaaa! É o que dá querer fazer tudo certinho, é o que dá ser centrada e principalmente, ser a quieta numa turma de “expansivos”. E tem gente desta turma que está esperando um convite que nunca vai chegar HOHOHOHOHOHO!!!!!!!!!

A lista de casamento é uma dor de cabeça para pessoas como eu, que não gostam de decepcionar ninguém. Eu espero sinceramente que os que não forem convidados entendam que é uma questão de dinheiro e de intimidade. Os que se mostram presentes na minha vida, estarão na minha festa. Os que não têm intimidade comigo, não estarão. Simples assim. Vai casar? Aprenda a ser pragmática, não há outra maneira.

Uma amiga comentou comigo que a festa de casamento dela seria 8 ou 80: uma festa para a família (pais e irmãos) dos noivos ou uma festa para 500 convidados, onde todos seriam convidados e ninguém ficaria de fora. No entanto eu acho que as pessoas precisam entender que a nossa lista de amigos do Facebook não é necessariamente a nossa lista de amigos. As pessoas com quem a gente convive não são necessariamente nossos amigos. Amizade é outra história. Amigo é aquele que você não tem a menor sombra de dúvida de que vai estar presente na sua festa. The end. 

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Bença, Fadas Madrinhas!!!

Quando eu tinha nove, dez anos, subia a Rua Voluntários da Pátria com a Inara e a Tatiana à pé, para podermos gastar nossos passes (o avô do bilhete único) com pipoca doce. No caminho, nós flertávamos com o cara cabeludo da banca e depois nos sentávamos no banco de cimento para devorar a pipoca. Ainda tinha a parte que a Tati e eu pegávamos o mesmo ônibus e ficávamos rindo da cara do cobrador, que era sempre das duas uma: ou horrível, ou lindo. E assim, sempre unha, carne e cutícula, eu, Inara e Tati sempre estivemos juntas nos tempos da escola e trazemos nossa amizade até hoje. Tudo bem que um dia eu disse uma bobagem pra Tati e por causa desta bobagem ficamos alguns anos sem nos falar, mas um belo dia tanto eu quanto ela rimos disso tudo e nos arrependemos de termos ficado tanto tempo afastadas.

Só que neste meio tempo, precisei decidir quem seriam os meus padrinhos de casamento… lá na igreja que eu vou casar, não tem choro nem vela: fora os pais, são 4 casais pra cada